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sábado, novembro 13, 2010

Nada inocentes

Nada inocentes
RUY CASTRO - FOLHA DE SÃO PAULO - 12/11/10
RIO DE JANEIRO - Fess Parker, o ator que interpretou o caçador Davy Crockett numa série produzida por Walt Disney para a TV americana nos anos 50, morreu em março último, e seus obituários ressaltaram o assombroso sucesso dos filmes: 40 milhões de telespectadores por semana, de 1954 a 1956, e um gigantesco merchandising em torno do personagem.
Durante anos, os garotos americanos obrigaram seus pais a comprar-lhes um chapéu de guaxinim, com rabicho e tudo, como o usado por Davy. Além dos mocassins, jaquetas de franjas e calças (tudo de couro), mochilas, rifles de brinquedo, machadinhas, quebra-cabeças, gibis, o disco com "The Ballad of Davy Crockett" e toda quinquilharia que se referisse ao herói.
Hoje, o herói já não o é tanto. Descobriu-se que Crockett, vivendo na floresta, não matava animais apenas para comer, mas esfolava-os -coatis, gambás, castores, alces, gamos e até ursos- às centenas, e vendia seus couros e peles para os intermediários que abasteciam os empórios. Vivia disso. E, de couro dos pés à cabeça, ele já era um comercial de si próprio.
Sem saber que incidia em pecado, a série também mostrava Crockett como matador de índios e feroz perseguidor dos mexicanos que ousavam conspurcar o solo dos EUA. Enfim, agora descobrimos que, aos olhos do politicamente correto, não podia haver personagem pior.
Até morrer, em 1966, Walt Disney (o Monteiro Lobato americano, só que ao cubo em matéria de negócios) nunca se preocupou com isso. Os meninos que idolatravam a série também não reparavam nas maldades de Davy. Da mesma forma, os milhões de brasileiros inocentes que lemos Lobato em criança nunca nos demos conta de que Tia Nastácia vivia sendo humilhada pelo autor. Tivemos de esperar 50 anos para que adultos de hoje, mais perspicazes e nada inocentes, finalmente nos informassem disso.

quinta-feira, outubro 21, 2010

Aqui não tem criados

Aqui não tem criados
Roberto DaMatta - O Globo - 20/10/2010
Como as chuvas de verão, a bênção paterna e o beijo de amor, eu volto ao meio-oeste americano. Aqui — meus amigos acostumados à conexão LeblonNew York City — não há a variedade babilônica da Grande Maçã nem aquele estranho (e falso) sentimento de que todo mundo é cosmopolita — essa máscara que as grandes cidades fingem.
Pois nessa Champaign-Urbana, Illinois, Estados Unidos, entre imensos milharais e campos de soja, os nativos estão enraizados e não temem confessar que Chicago é a sua mais longínqua fronteira existencial. Como uma vez me disse uma amiga daqui do lado, de South Bend, Indiana: “Eu jamais pensei em sair dos Estados Unidos. Por que? Ora, porque everything is here! (porque tudo está aqui).” A mesma resposta de minha amada e saudosa mãe quando falava de sua idealizada Manaus do Teatro Amazonas, do Clube Ideal e do Alto de Nazareth, onde o universo revestido pelo ouro que recobre grande parte do nosso passado parecia perfeito mesmo quando o que se viveu foi impensável.
O tempo, como sabem melhor os ibéricos, como o padre Vieira, Fernando Pessoa e Eça de Queiroz, é o remédio para tudo. Sobretudo para as nossas mais profundas feridas, porque na sua passagem e na sua majestática indife-rença ele lixa a alma e faz com que os vales e as montanhas de sofrimento, ressentimento, rejeição e frustração tornem-se planícies. “Amanhã — como disse Clark Gable em ‘E o vento levou...’ — será outro dia!” O problema é ter paciência e esperar. Só amor — esse grandioso amor humano — fica como alento, oásis e ponte.
Aqui há uma calma de ruas seguras e vazias; uma melancolia que cai das árvores e remete àquelas músicas outonais que falam do milagre das folhas virando chamas. Imagino se Cole Porter, nascido em Peru, Indiana, bem no meio dessas planuras, não carregava no coração esse cheiro de outono quando fez aquelas músicas que eu sempre canto com lágrimas nos olhos: “Everytime we say goodbye, I die a little/ Everytime we say goodbye, I wonder why a little...” — todas as vezes que nos despedimos, eu morro um pouco; todas as vezes que nos despedimos, eu me surpreendo um pouco
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Quantas vezes morremos e matamos, como ocorre nas disputas eleitorais que acendem as velhas paixões e revivem suas mentiras como a de que, um dia, com o salvador (e agora perseguido das elites) Lula, o Brasil vai estar pronto e acabado. Ou na sua dura verdade que toda democracia precisa ser construída todo dia. Estou seguro de que a grande maioria descobriu que popularidade, ressentimento, agressão às instituições liberais e corrupção permanente pulverizam votos.
A velha fórmula demagógica de entregar o Brasil a uma tomadora de conta — a supermãe do sistema — não funciona.
Numa democracia todos são importantes, acima de tudo o conjunto dos seus cidadãos comuns e ativos, e não um bando de comodistas que precisam de cuidadores. Quem quer entregar o país para uma candidata inventada por um presidente que se pensa dono de todas as verdades?
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Voltei aos Estados Unidos e fico por muito pouco tempo. A velha familiaridade com o estilo de vida ressurge automaticamente dentro mim. Ela traz de volta o respeito pelos outros como moeda corrente. E, tal como ocorreu com Alexis de Tocqueville, vejo nessa preocupação com o próximo o outro lado de um individualismo que sempre me assombrou. Quanto mais forte o individualismo, mais solidão, menos relações e, no entanto — eis o que Tocqueville foi o primeiro a descobrir — mais associacionismo e institucionalização. Tal como a santidade precisa de pecado, a igualdade e o individualismo necessitam os seus contrários, como notava o gênio aristocrático desse francês não lido no Brasil porque sempre foi considerado um reacionário pelo nosso radicalismo chique e acadêmico. Com isso, a América é local onde obedecer as regras é tomado como algo positivo e inteligente, não como sinal de inferioridade ou burrice como no Brasil.
Ontem, por exemplo, um jovem me cedeu passagem na porta de uma loja, reverente para com um “old professor”.
Assim que cheguei fui convidado para o tal “lunch” que em nenhuma hipótese pode ser comparado ao nosso “almoço”. Pois, em primeiro lugar, aqui temos muito a escolher e isso confunde; depois porque todos servem em bandejas e isso me deixa inseguro (como caminhar equilibrando tanta coisa?); em terceiro lugar porque, ao morder um sanduíche de “tuna salad”, ouço dentro de mim uma voz repetindo: isso não pode ser “comida”!; e, finalmente, depois que comemos, somos obrigados pela etiqueta indisputável e indiscutível do local a — eis a ofensa para o meu lado brasileirinho — levarmos os nossos restos para o lixo! A igualdade tem preço. Um preço alto para quem foi criado com criados, para quem adora mordomias. Pois nesta Illinois que não conheceu nenhuma execrável escravidão, cada um é seu próprio dono e mordomo. Temos, pois, a obrigação de levar nossos restos para o lixo. Esse é um aspecto do liberalismo pouco visto e falado no Brasil e, no entanto, crítico para sua existência. Aqui, reitero, não tem criados.
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É duro limpar o nosso lixo, como é complicado enxergar a nossa arrogância e os nossos erros. Em tempos de jornada eleitoral, porém, como na viagem que nos torna peregrinos e dependentes das mãos dos amigos locais, definem-se sinceridades, mentiras e competências. E, para provar que as seis famílias donas de jornal não me controlam, faço questão de declarar: para mim, não há dúvida que Serra é, de longe, o melhor. O resto, amigos, como dizia aquele bardo inglês, é silêncio...

quarta-feira, setembro 29, 2010

Opinião Pública ainda existe?

Opinião Pública ainda existe?
O Globo
Jornais, TVs, redes sociais, estado, Deus, urnas corporações: de quem é, hoje, a voz do povo?
 Nós não precisamos de formadores de opinião. Nós somos a Opinião Pública” — disse o presidente Lula, dias atrás, num arroubo contra a imprensa, em meio ao último escândalo pré-eleitoral.
“Nós quem, cara pálida?”, opinou, na rede, no ar e no papel, uma parcela da sociedade. Dias depois, Lula já estava de novo exaltando a liberdade de expressão como coisa mais importante do mundo, numa dinâmica que vem se repetindo. O fato é que o presidente tocou num tema relevante: se ela existe, em que se transformou a Opinião Pública numa era em que os jornais e as TVs, como fontes de informação relevante, se cruzam, no mesmo espaço, com o entretenimento, as redes sociais, instituições, corporações e vozes independentes de blogs, sites e indivíduos online? Que papel tem a educação do público nesta equação? Nas colunas de papel que se seguem, cinco nomes de primeira ordem no jornalismo e no pensamento das comunicações dão as suas opiniões e divergem sobre o assunto. Aos leitores, a escolha de ler e formar (ou não) a sua. (Arnaldo Bloch)
Discutível, como deve ser
A opinião pública é de um duplo sentido: quer no momento de sua formação, uma vez que não é privada e nasce do debate público, quer no seu objeto, a coisa pública. Como “opinião”, é sempre discutível, muda com o tempo e permite a discordância: na verdade, ela expressa mais juízos de valor do que juízos de fato, próprios da ciência e dos entendidos.(...) A opinião pública não coincide com a verdade, precisamente por ser opinião.
Dicionário de Política, Norberto Bobbio
O problema é de quem escreve  ALBERTO DINES
Nada mudou, a opinião pública não é uma entidade distinta, esotérica, antropomórfica, cheia de caprichos ou resignação.
Opinião Pública é a sociedade que se manifesta. Isto vale para todos os tempos, desde o momento em que o homem aprendeu a conviver – alguns querem saber mais e, sentindo que sabem mais, abrem-se à compulsão de se manifestar.
São os tais formadores de opinião: comadres, fofoqueiros, falastrões, escribas ou que nome tenham. A sociedade digital, “conectada”, manteve a mesma estrutura básica. As redes sociais não fazem grande diferença porque dentro delas existem os mesmos núcleos. Alguns fazemse ouvir mais, por diferentes razões, porque o que dizem encontra uma aceitação tácita naqueles que os ouvem ou leem.
Nosso problema hoje é outro: neste Fla-Flu eleitoral só se presta atenção aos títulos, ninguém quer saber de texto. Problema de quem escreve.
Alberto Dines é Jornalista e escritor
O espaço público foi para o espaço  MUNIZ SODRÉ
Há uma corrente de sociólogos que diz que a Opinião Pública não existe. Seria um objeto que depende de um corpo fechado de avaliadores. Jornalistas, especialistas, líderes de opinião, empresários. É, de fato, um discurso de enunciados presumidamente coerentes, homogêneos, “de consenso”, extraídos da voz do espaço público.
Isso é algo ilusório. O espaço público existiu, sim, com força, nos séculos 18 e 19 em vários países da Europa e até no Brasil, onde o movimento abolicionista contou com o apoio de uma imprensa que talvez tenha sido a mais livre, com gente da categoria de Rui Barbosa e José do Patrocínio. Formadores, ou “Instrutores públicos”, como diria Nietzsche.
O que foi acontecendo? Esse espaço foi se culturalizando, atravessado pelo entretenimento e pela cultura de massa.
Ampliou-se, sem dúvida, mas perdeu a força política.
Porém, com o advento os meios digitais, redes sociais, a ideia do espaço público foi de vez para “o espaço” e ganhou uma reinterpretação privada.
Às vezes tem eficácia consensual, como nos casos da mobilização por Obama, da Ficha Limpa, ou o pessoal que se opõe em Davos. Mas na prática do dia a dia isso tem menos a ver com Opinião Pública.
É possível, mesmo, que as televisões e os jornais não tenham influência sobre esse espaço da rede. As pessoas que frequentam esta praça estão mais interessadas na blitz da lei seca, no passeio de bicicleta, do que em política
Muniz Sodré é presidente da Biblioteca Nacional
Tiririca, Deus e o twitter CRISTIANE COSTA
“Vox populi, vox Dei”. O provérbio “A voz do povo é a voz de Deus” não foi escrito em nenhum versículo na Bíblia, como muita gente pensa, mas está lá no cancioneiro de Valdick Soriano para quem quiser checar.
Como bom ditado popular, ganhou ares de verdade irrefutável.
Da mesma forma como o direito de ouvir e reproduzir a voz de Deus já gerou muitas guerras, muitos hoje gostariam de se arvorar de verdadeiros intérpretes da voz do povo: as pesquisas de opinião, os políticos no auge da popularidade, a mídia e até o trending topics do twitter.
Mas o embate sobre o que é e quem representa a opinião pública vem dividindo até os intelectuais.
De um lado, os discípulos de Junger Habermas, que veem a opinião pública como espaço de disputa: o espaço público não é exatamente físico, mas uma esfera política e cultural, onde o público produz uma opinião suscetível de influenciar a vida pública, em torno da qual se realiza uma disputa de poder.
Para os discípulos de Pierre Bourdieu, tudo isso não passa de uma construção simbólica.
“A opinião pública não existe”, vaticinava. Para ele, era um mecanismo de legitimação política com o objetivo de transformar uma opinião ou vontade particular na vontade geral.
Para os dois, controle da opinião pública é igual a poder.
Dominar a opinião pública teria duas funções: fabricar consentimento (tudo o que os governos querem) e revolta (objetivo das oposições e das revoluções).
A imprensa, nesta visão instrumentalista, teria apenas um objetivo: servir a interesses políticos. Ou manter o sistema ou questionar o status quo. Sem margem de manobra, sem direito à imparcialidade, sem dar espaço ao leitor para tirar suas próprias conclusões.
Mais moderna, a teoria culturalista ou “da recepção” prevê a possibilidade de o público montar significados ou se apropriar de forma diferente das mensagens. Assim, os efeitos podem ser inversos aos objetivos.
Tentativas de fabricar consentimento podem causar rebeldia. Tentativas de produzir indignação podem banalizar tanto um assunto (como a corrupção), que as pessoas se conformam: não tem jeito, todo político é ladrão. Ou, nas palavras de Tiririca, “pior não fica”.
O problema é que “público” é uma palavra escorregadia. Pode ser tanto adjetivo (vindo do povo), como verbo (publicar, tornar público) e como um sujeito (o público como ator social). De que público estamos falando quando nos referimos à opinião pública? A grande novidade foi o uso das mídias sociais como novo espaço público. Foi o passarinho azul do twitter quem levou uma discussão política nacional que, em princípio, só interessa ao Brasil ao topo dos assuntos mais discutidos do mundo nas últimas semanas.
Cristiane Costa é jornalista e professora da Uff
Das praças gregas ao tribalismo ANTONIO ROGÉRIO DA SILVA
A ideia de “opinião pública” é típica das sociedades modernas, onde a formação de grupos de interesses e a possibilidade de divulgação de suas posições se tornaram viáveis graças à existência dos meios de comunicação.
 Entre os antigos helenos, que não possuíam outro meio além de fala e escrita em tabuinhas de cera, o espaço da “opinião pública” se restringia à “ágora” — praça principal das antigas cidades gregas — e às assembléias para votação de uma lei ou a determinação de uma pena jurídica. Poucos tinham direito a participar. Só os cidadãos masculinos livres podiam expressar sua opinião. A formação de grupos capazes de influenciar a maioria – sofistas, filósofos, famílias influentes etc. – levou algum tempo para ocorrer e, quando se deu, o regime da cidade autônoma (polis) já estava em decadência.
Nesse sentido, o fenômeno da opinião pública é uma característica dos estados modernos.
Por ser “opinião” (doxa) e não um conhecimento (episteme) consolidado, e “pública” ao invés de privada, seu conteúdo está sujeito a mudanças que acontecem com anúncio de novas informações relevantes e, devido à mobilidade social, com a momentânea filiação de um indivíduo a um grupo. Em casa, cada um pode ter uma posição que seja diferente da que tem no trabalho, no clube ou entre amigos.
Ao longo do tempo, a democratização dos meios de comunicação – sobretudo depois da Internet – permitiu que novas instituições e associações tivessem a sua opinião divulgada a um número maior de pessoas. Nas democracias, as livre expressão desses grupos permite também um esclarecimento rápido das falsas proposições, o que proporciona um enriquecimento do debate, em geral.
Entretanto, quando partidos políticos que alcançam o poder tentam impor suas opiniões como sendo a de todo uma população, com base em proclamados índices de popularidade, então a democracia corre riscos históricos de se transformar em demagogia, possibilitando o domínio dos “aduladores do povo” – como dizia Aristóteles – que tentam fazer valer seus interesses mesquinhos como se fossem de todos.
Antonio Rogério da Silva é doutor em filosofia
Só reforma e educação salvam CARLOS AUGUSTO MONTENEGRO
A pergunta é simples, e ao mesmo tempo muito ampla.
Gostaria de tecer alguns comentários:
1) Acho que em uma campanha eleitoral as pessoas, políticos, jornalistas, às vezes se empolgam e acabam por exagerar em algum tipo de bravata.
2) Não existe democracia sem liberdade de imprensa, de pensamento, de ideias. Neste item acho que o Brasil evoluiu muito e já esta no primeiro mundo.
3) Uma coisa que me chama a atenção no nosso pais é que em países mais desenvolvidos a imprensa, grandes jornais, TVs, revistas etc informam sobre uma campanha eleitoral com isenção e tomam partido no editorial.
Aqui, muitas vezes, vejo uma cobertura totalmente parcial e 100% isenta no editorial! 4) Está claro que precisamos de uma reforma politica, todavia quanto mais educação para o povo melhor será nosso sistema politico. E, talvez, a Opinião Publica se aproxime da política.
Hoje ela se afasta por medo, vergonha e descrédito. Principalmente a nova geração.
6) Hoje com a Internet e as redes sociais cada vez mais as pessoas trocam ideias, críticas, elogios, informação. Impossível controlar isso. Que bom.
7) Enfim, Opinião Pública são as pessoas de uma Cidade, Estado ou País, ricos ou pobres, formadores de opinião ou não.
Nesse sentido, de fato, a Opinião Pública somos nós.
Carlos Augusto Montenegro é presidente do Ibope

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