segunda-feira, outubro 18, 2010
Distorções na Previdência acirram desigualdade
Distorções na Previdência acirram desigualdade
Disparidade entre INSS e regime do funcionalismo público impede melhor distribuição de renda, mostra estudo do Ipea
Vivian Oswald e Geralda Doca – O Globo
Fonte: Ministério da Previdência Social, FGV, IBGE, elaboração prof.Pompeo |
Uma caixa de surpresas ainda hoje, a Previdência Social reflete uma das maiores mazelas do país: a desigualdade de renda. Grandes distorções entre os valores pagos aos aposentados pelo INSS — que recebem o salário mínimo ou estão sujeitos a um teto máximo do benefício — e o regime próprio do funcionalismo público — no qual há benefícios e pensões sobre os quais pouco se sabe — são concentradores de renda.
Segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), que compara a distribuição de renda do trabalho da sociedade à dos benefícios previdenciário, a convivência desses dois sistemas foi um dos principais responsáveis pela manutenção das diferenças entre os mais ricos e os mais pobres nas últimas duas décadas.
— Não há dúvida de que o regime próprio promove as maiores diferenças. No regime geral, as pessoas recebem praticamente o que contribuíram — disse Sergei Soares, do Ipea, responsável pelo estudo.
Servidor tem benefício médio de R$ 5.835. INSS, de R$ 657 Em 2009, o INSS registrou déficit de R$ 42,8 bilhões para atender a um público de 23,5 milhões de segurados. O valor médio do benefício, em dezembro daquele ano, foi de R$ 657,69. Já o regime de aposentadoria da União teve saldo negativo de R$ 47 bilhões — mas atendeu quase 96% menos pessoas. Os beneficiados foram 936.468 aposentados e pensionistas, o que inclui pessoal civil e militar, legislativo e judiciário.
Neste caso, o beneficio médio é de R$ 5.835 mensais, cerca de nove vezes mais do que o pago a segurados do INSS.
Há vários casos em que o benefício pode ser até mais de 22 vezes superior à média do INSS. E isso varia muito de acordo com o Poder. Estão nesta situação aposentadorias médias do Banco Central, do Legislativo, do Ministério Público e do Judiciário, que superam R$ 15 mil por mês.
O problema não para nas diferenças entre os tamanhos das aposentadorias. Especialistas dentro do próprio governo reconhecem que é difícil saber exatamente o tamanho das distorções.
Fonte: Ministério da Previdência Social, FGV, IBGE, elaboração prof.Pompeo |
Em tese, o Ministério do Planejamento responde pelas aposentadorias do Executivo, mas o Banco Central e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) rodam as suas folhas separadamente.
O mesmo ocorre com Tribunal de Contas da União, Senado e Câmara, além das três Forças Armadas. A Previdência recebe, por exemplo, dados fechados das pensões de militares — cujos detalhes são tratados sob sigilo.
Regime do funcionalismo é ‘cheio de caixas-pretas’ Para Soares, “o sistema é cheio de caixas-pretas”.
— Quanto maior o benefício, maior a caixa-preta.
As Forças Armadas têm ainda regras diferenciadas (30 anos de contribuição, somando tempo de escolas e licenças especiais não gozadas dobradas), o que faz muitos irem para a reserva com pouco mais de 40 anos.
Outra distorção é o fato de pensões e aposentadorias poderem ser acumuladas. Ou seja, se a viúva de um militar ou de um servidor público é também filha de militar, tem direito a duas pensões. O gasto total do regime de aposentadoria das três Forças é de R$ 33,8 bilhões por ano, com déficit crescente na casa dos R$ 6 bilhões até 2038, quando se aproximará de R$ 10 bilhões. Após esta data, a tendência é de queda, com o fim da pensão vitalícia para as filhas de militares que ingressaram a partir de 2001.
O documento do Ipea esmiuça separadamente as diferenças da distribuição de renda no universo daqueles que recebem as aposentadorias e pensões corrigidas pelo salário mínimo e daqueles que têm benefícios que não são indexados ao piso.
Olhando-se os gráficos de cada um, Soares compara a curva de distribuição e, por uma fórmula matemática, chega a números que variam de -1 — distribuição de renda perfeita — a +1 — o cenário de maior desigualdade.
As diferenças são gritantes. A distribuição da renda do trabalho melhorou de 1995 até 2009, saindo de 0,61 para 0,57. No caso da Previdência, o quadro é completamente diverso. Após algumas reformas mais simples na “Era Fernando Henrique Cardoso” e outras mais amplas na “Era Lula”, as diferenças até pararam de crescer. Mas a distribuição ainda não começou a melhorar.
O indicador foi de 0,58 em 1995, atingiu o teto de 0,60 em 2000 e manteve-se em 0,56 desde 2008.
O maior problema é que dentro da Previdência os rendimentos são muito desiguais. Enquanto o indicador para quem ganha um salário mínimo está em 0,09, mais perto do equilíbrio, o índice para os benefícios que não são corrigidos pelo piso salta para 0,72, ou seja, perto do teto do cenário mais desigual.
Desigualdade poderia ter caído a partir dos anos 90 Soares vai mais longe e garante que as diferenças entre os mais ricos e os mais pobres já teriam começado a cair na década de 90 não fossem as pensões do chamado regime próprio, aquele que paga os benefícios a funcionários públicos.
— A renda do trabalho começou a ser mais igual na década de 90. Os benefícios da Previdência superiores a um salário mínimo, que compõem esta renda, foram fator concentrador.
Analistas pedem reforma
Próximo governo terá que fazer mudança, dizem
Os excessos da Previdência e o déficit crescente do setor já entram no topo da agenda do próximo presidente da República. Há consenso entre especialistas de que já não se pode mais adiar medidas urgentes. Uma saída seria dar início a ações que não ofereçam muito desgaste político logo e mudar as regras somente para quem entrar no mercado de trabalho.
Marcelo Caetano, que trabalhou no Ministério da Previdência e é pesquisador do Ipea, defende o fim da possibilidade de acúmulo de pensões e o pagamento diferenciado da pensão por morte. Viúvas jovens teriam benefício menor, por exemplo. Ele recomenda ainda nova alteração da idade mínima para a aposentadoria. Para o especialista Fábio Giambiagi, o estudo do Ipea mostra a importância de se fazer a reforma: — Ao contrário da reforma tributária ou da política, na qual cada um tem a sua proposta e não está claro que caminho seguir, na Previdência o diagnóstico é muito claro.
Falta liderança política para encarar a reforma de frente.
Segundo o ex-secretário de Previdência Social do governo Lula Helmut Schwarzer, a grande maioria dos servidores públicos ganha menos que o teto do regime geral.
— Trata-se de um grupo pequeno de servidores que recebe valores mais altos, mas o seu peso no total das despesas é desproporcionalmente alto — disse. (V.O. e G.D.)
Dilma é entrevistada pelo Jornal Nacional
Dilma é entrevistada pelo JN
G1 - 18/10/2010 20h22 - Atualizado em 18/10/2010 21h31
Candidata do PT foi a primeira de série de entrevistas do segundo turno.
A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, foi entrevistada ao vivo nesta segunda-feira (18) no Jornal Nacional pelos apresentadores William Bonner e Fátima Bernardes.
Uma linda reunião familiar
Uma linda reunião familiar
Instituto Millenium - Posted: 17 Oct 2010 10:05 PM PDT
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Não chore mais, Parmida. Ninguém irá prender sua mãe ou pai agora. |
Quando você vê as magníficas florestas e lagos da Noruega pela janela do avião, você tem a sensação de frescor e beleza natural. Você não vai estar errado, é um belo país, administrado com eficiência e o único país produtor de petróleo que não sucumbiu ao despotismo, corrupção e pobreza em massa. A Noruega é próspera, seu povo é bonito, hospitaleiro, cortês e muito civilizado. Esta foi minha primeira visita a um país escandinavo, mas não fui como turista. Estava a caminho de Oslo para me reunir ao famoso advogado de Direitos Humanos iraniano, Mohammad Mostafaei, no que acabou sendo uma montanha-russa de ansiedade emocional e espera, mas por sorte, com um final feliz.
Mostafaei teve problemas como o regime no Irã depois de ter ajudado a levar a público o caso de apedrejamento de Sakineh Mohammadi Ashtiani. Incapazes de deter Mostafaei, o ministério de inteligência iraniano recorreu ao ato desprezível de tomar membros de sua família como reféns. A esposa de Mostafei, seu cunhado e mesmo seu sogro idoso, foram todos levados para a prisão de Evin. Eles foram usados como reféns para chegar a Mostafei. O ato desesperado de usar familiares como reféns, contudo, apenas expôs o retrocesso e ilegalidade da administração de Ahmadinejad. Como alguém me disse um dia, o pior inimigo da República Islâmica é ela própria.. Eles acusam a todos que discordam deles de “ameaças à segurança nacional”, mas a ameaça real são suas próprias leis retrógradas, sua intolerância e seu desrespeito aos direitos humanos e comportamentos normais.
Em 02 de setembro, contudo, todos esses momentos terríveis ficaram para trás para a família Mostafei. Finalmente, o bom senso prevaleceu e esposa e filha se juntaram ao amado marido e pai.
Não vou escrever muito mais, deixo que a mídia de massa que estava lá para cobrir este alegre evento faça um trabalho melhor que eu. Apenas uma nota para terminar este post. Não havia um único jornalista iraniano lá, ninguém da BBC persa, VOA Persa, Radio Farda ou qualquer uma dessas organizações bem financiadas. Uma observação que novamente confirma o que eu disse, que não temos bons repórteres fora do Irã. Temos jornalistas preguiçosos que, no máximo, gostam de entrevistar pessoas.
Publicado no blog de Potkin Azarmehr
Tradução: Anna Lim (annixvds@gmail.com)
Lago McKenzie, Queensland, Austrália
Missão de Primavera
Missão de Primavera
Joaquim Ferreira dos Santos – O Globo – Segundo Caderno
Vigiar o voo do bem-te-vi e as moças que pulam em 3D
Meu caro Rubem Braga, escrevo-lhe aqui de Ipanema para lhe dar uma notícia grave, a Primavera chegou, e outra mais grave ainda, nenhum cronista até agora escreveu uma linha sequer para saudá-la.
Sabe aquela quaresmeira na General Osório? Floriu amarela. Em resposta a tamanho espetáculo, apenas o silêncio generalizado, meu sabiá da crônica. Os jovens acham tudo muito etéreo, querem ficar ao largo do que possa parecer poesia numa hora dessas.
Os novos cronistas querem se encharcar de vida real, discutir a campanha presidencial e declarar votos. Ficariam constrangidos com o que acabei de reparar e sei que você, velho Braga de olho nas marés, iria entender. Entrou um vento mais quente, vindo do mar, pelo corredor da Aníbal de Mendonça. Ele foi tão se arrastando Ipanema adentro que, quando chegou à esquina com a Barão de Jaguaripe, as moças haviam recebido o recado pelo Twitter, um bilhetinho que agora se passa pelo telefone. Elas já esperavam o novo vento sem o casaquinho.
Apareceram os primeiros ombros e colos das moças, meu caro Rubem, e eu achei que você gostaria de saber dessas novidades da Primavera. Nada que mude o mundo, mas pelo menos leva-se um papo diferente do que veio no resto do jornal — e, se eu entendi direito, essa é a ideia, vamos mudar de assunto, por trás de toda crônica.
São cada vez mais comuns nas varandas do bairro os tico-ticos com um fio de grama no bico, uma notícia de Primavera que imagino importante, e os novos cronistas, velho Braga, me deixaram sozinho para o anúncio. A cidade inteira está trancada no cinema, vendo um filme sobre a violência no Rio. Saem todos lívidos com a mensagem de que os bandidos são eles, nunca nós, os caras do sistema. No seu tempo, velho Urso, a catarse da Humanidade era feita através da beleza das flores. Agora, as pessoas relaxam aliviadas quando o policial do bem esmurra muitas vezes o político corrupto. Não se faz mais Primavera como antigamente, daquelas que você, do alto da sua cobertura na Barão da Torre, percebia primeiro e logo trombeteava pelos jornais. Anunciava ter visto uma vaga de espuma galgar o costão sul da Ilha das Palmas, um sinal de violência primaveril.
Pronto. Nasciam a Primavera e também uma crônica clássica.
Pois já se faz Primavera novamente em seu terreiro, meu caro Braga, e uma outra novidade do mesmo jeito grave é que as moças nas revistas agora pulam, peladas, em 3D, na ponta dos nossos dedos. E dizer que numa crônica célebre você declarou as coisas tão calmas que a única novidade era o Hollywood com filtro.
Elas, as moças, se reinventam a cada dia e, minutos atrás, uma das mais bonitas me disse ao telefone, em meio a uma conversa sobre a mania de se desejar “um beijo no coração” ou um “abraço na alma”, ela me disse en passant, sem gravidade, que havia trocado a prótese de silicone dos seios. Aumentou a turbinagem.
Quer me mostrar. Homem maduro que sou, disse, também en passant, “legal”.
A propósito, você tem visto a Leila Diniz por aí? Disseram que a Duda Cavalcanti vai passar pelo Rio no verão. Se for fato, escrevo contando. Você, que sabe do assunto: houve mulher mais bonita — a Tônia não vale — do que a Duda em Ipanema? Meu caro Rubem, são as questões da Primavera e é uma pena que você não esteja aqui para a gente esticar a conversa, colar uma palavra na outra, essas coisas que você fazia como ninguém. Iríamos dar uma geral na Humanidade num bar de cerveja importada com um nome genial, Delirium Tremens, que abriram na sua rua. Ipanema anda mais bonita. Colocaram uma vegetação rasteira, de dunas, no final da areia, junto da calçada. A coisa ficou, como você diria, bárbara.
Do lado de sua cobertura, aquela fazenda no ar cheia de mangueiras, construíram um elevador de 36 andares. De frente, os turistas veem o mar, as Cagarras, as gaivotas flanando.
À esquerda, eles podem observar, de cima, você, ou melhor, todo o quintal de sua casa, a varanda onde tinha rede e um dia o Vargas Llosa — outra notícia grave que eu queria dar, o novo Nobel de Literatura — nela deitou. Ele se espreguiçou um pouco, riu daquela cena bucólica se chocando com os prédios de Ipanema ao fundo, e disse: “Vou colocar essa rede numa história”. Você foi mais rápido. No dia seguinte publicou Vargas Llosa e a rede numa crônica de jornal.
Eu queria ver você, velho Braga, escrevendo crônica todo dia com os turistas olhando e tirando foto lá de cima.
Enfim, eu vou ficando por aqui, pelo menos mais um pouco, consciente de que sou responsável pela missão de que você me encarregou.
Vigio em seu nome o voo do bem-te-vi, a espuma das ondas e o caminhar das moças por entre as moitas de azaleias e de manacás em flor. Nada grave, graças a Deus, porque aí não seria esta crônica de Primavera. Adeus.
E-mail: joaquim.santos@oglobo.com.br
Chilique da Dilma Paulo Panossian - JORNAL DO BRASIL (online)
Chilique da Dilma
Paulo Panossian - JORNAL DO BRASIL (online)
Como aquela criança marrenta, rebelde, que quer porque quer, assim se apresentou a candidata Dilma Rousseff no bom formato do debate da Band. E pela primeira vez nesta campanha a petista se mostrou no seu estado natural – uma mulher brava, teimosa e de poucos amigos.
A depressão pela não vitória no primeiro turno ficou expressa na reação da candidata, que surpreende acusando o Serra, de estar fazendo uma campanha suja contra ela. Mas a Dilma não detalhou os fatos. Jogou no ventilador da dúvida. Será que ela quis se referir às recentes denúncias, como a de ser favorável ao aborto e as falcatruas na Casa Civil? Estas, na realidade, não partiram da oposição. No primeiro caso, a comprovação está nas entrevistas que ela mesma concedeu. Já no caso que envolveu a ex-ministra Erenice Guerra, se não fossem verdadeiras as denúncias apresentadas pela imprensa, ela não teria sido demitida.
Este fato respingou na Dilma, com consequência, nas urnas, porque, por sete anos, Erenice foi seu braço direito na Casa Civil. E por sua orientação, quando deixou o ministério, foi indicada para sucedê- la. Um fato novo surgiu, e talvez possa justificar a irritação de Dilma no debate da Band. A Folha de S. Paulo, em seu site do dia 11, divulgou informação de que a candidata petista teve um caso durante 15 anos com uma ex-empregada, e que esta entrou na justiça exigindo uma indenização. Talvez por isso Dilma tenha se insurgiu contra o candidato José Serra, no decorrer do evento, como se fosse o responsável por esta suposta calúnia. Na verdade, a Dilma não venceu no primeiro turno, porque tenha declarado sua posição a favor do aborto. Sua queda na preferência do eleitorado se deveu muito mais aos escândalos da Receita Federal, e da Casa Civil.
Mas este chilique talvez até estratégico da petista, insistindo em atacar seu concorrente, impediu que outros temas importantes fossem abordados, frustrando os milhares de telespectadores. Mesmo assim, num dos poucos temas abertos como das privatizações, José Serra poderia ser mais enfático, e valorizar este programa patrocinado em grande parte pelo governo FHC.
A retrógrada bandeira petista contra as privatizações não cola mais. E querer iludir o eleitorado dizendo que as estatais vendidas ao setor privado prejudicaram o povo e a economia brasileira é de uma inutilidade atroz. O Estado jamais foi capaz de administrar com eficiência as megaempresas, que sempre apresentavam prejuízos. E todas, sem distinção, eram na época uma fonte inesgotável de cabide de empregos, privilegiando os currais políticos.
A reação do eleitorado com esta nova faceta de campanha da Dilma, abandonando o paz e amor e partindo para o ataque, ainda é uma incógnita. O que ficou claro no primeiro turno é que uma parcela importante da população brasileira está mais do que atenta aos graves acontecimentos divulgados pela imprensa e que envolvem nossas instituições, particularmente no Executivo e no Legislativo. Não fosse isso, os mais de 100 milhões de eleitores que depositaram seus votos nas urnas no dia 3 de outubro teriam sacramentado a vitória de Dilma, logo no primeiro turno.
Com greve, França cria 'célula de crise' para garantir combustível
Com greve, França cria 'célula de crise' para garantir combustível
País protesta contra reforma da aposentadoria do governo de Sarkozy.
Mais da metade dos trens estão parados no país.
Do G1, com agências internacionais *
Carro queimado nesta segunda-feira (18) durante protesto em Nanterre. (Foto: AP) |
O ministério do Interior da França anunciou nesta segunda-feira (18) a ativação de uma "célula interministerial de crise" para garantir o abastecimento de combustível no país, afetado por greves e protestos contra a reforma da aposentadoria e com mais da metade dos trens parados.
"A célula interministerial de crise começa a funcionar às 14h (9h de Brasília) presidida pelo ministro do Interior, Brice Hortefeux", afirma um comunicado ministerial.
Os ministérios da Economia, Energia, Ecologia e Interior estarão representados na célula, que pretende coordenar as tarefas dos diferentes serviços do Estado para garantir a perenidade do abastecimento.
A estrutura terá sede no ministério do Interior.
Mais de mil postos de gasolina na França - dos 12.500 do país - estavam sem combustível ou em dificuldades nesta segunda, anunciou a União de Importadores Independentes de Petróleo (UIP), que representa os distribuidores de gasolina instalados nos hipermercados.
"Dos 4.000 postos nos hipermercados, que distribuem 60% do combustível na França, há quase 1.500 sem combustível", declarou à AFP Alexandre de Benoist, diretor da UIP.
Dos 12.500 postos de gasolina na França, 4.500 ficam dentro do hipermercados Casino, Carrefour, Auchan, Cora, Leclerc e Intermarché.
Muitos motoristas encheram os tanques de seus carros nos últimos dias após as informações de uma possível falta de combustível com a greve que afeta, desde a semana passada, 12 refinarias da França como parte da mobilização social contra a reforma do sistema de aposentadoria do governo de Nicolas Sarkozy.
Trens afetados
O tráfego ferroviário seguia afetado pela suspensão de cerca de metade dos trens previstos, enquanto as refinarias continuam bloqueadas - pelo movimento de protesto contra a reforma da previdência -, ação que já provoca desabastecimento em todo o país.
Os movimentos sindicais de bloqueio das refinarias, que começaram na sexta (15), continuaram nesta segunda. Segundo as agências internacionais de notícias, o desabastecimento já atingiu a rede de distribuição, pois cerca de 1.500 postos estão sem combustível em todo o país.
Ministro 'vende' até 'sol' a quem já o tem
Ministro 'vende' até 'sol' a quem já o tem
CLÁUDIO HUMBERTO
Luiz Barreto está adorando ser ministro do Turismo, ainda mais agora, que se livrou de sua "sombra", que entende da área como ele jamais o conseguirá: a ex-presidente da Embratur Jeanine Pires. Ele a inveja tanto que até acumulou seu cargo. Agora, Barreto não para de viajar, a pretexto de "vender sol e praia" do país até na litorânea (e ensolarada) Toscana, região romântica da Itália onde passeou com sua mulher.
Vida sofrida Após o tour pela Toscana em setembro, o ministro do Turismo acaba de retornar de um passeio pela Turquia, Jordânia e Israel.
Nossa conta A viagem do ministro do Turismo à Itália custou R$ 7,3 mil em diárias e R$ 7,4 mil em passagens. À Turquia, Jordânia e Israel, R$ 24,3 mil.
Vale o escrito Para justificar a viagem de Luiz Barreto à Itália, o Ministério do Turismo exibe cópias de notícias publicadas em veículos pouco conhecidos.
Vitrola Dica de presente para Lula, que aniversaria no dia 27 (quarta), a quatro dias do 2º turno: CD com o hit "Nervos de aço", de Lupicínio Rodrigues.
Sem atestado A assessoria de Dilma Rousseff garante que a saúde dela está ótima, mas em vez de se irritar com perguntas sobre o assunto, deveria fazer como nas campanhas dos Estados Unidos e exibir atestado de saúde da candidata. Analisando fotos no site dilma13.com.br, um especialista notou acúmulo de gordura na área posterior do pescoço e costas, rosto arredondado (faces em lua) e distribuição irregular de gordura (tronco e abdômen), típico efeito de corticoides contra recidiva de linfoma.
Ficha limpa Num país traumatizado pela morte de Tancredo Neves, os presidenciáveis deveriam mostrar "ficha limpa" também na saúde.
O milagre A aérea Gol reduziu de 20 para 18 gramas o saquinho de batata frita nos voos. "Gasta" 2kg e 916 gramas com os 162 passageiros a bordo.
O retorno Ex-senador e ex-ministro, Hugo Napoleão (DEM-PI) está de volta a Brasília como deputado federal eleito com 112 mil votos.
Desobediência Apesar das garantias de Lula a senadores e governadores eleitos no dia 3, o PT continua impedindo que o PMDB e demais partidos aliados participem das decisões estratégicas da campanha de Dilma Rousseff.
Vai, não vai? Como a candidata Weslian Roriz (PSC) fugiu ao debate da TV Bandeirantes Brasília com Agnelo Queiroz (PT), a Rede Record cancelou o aluguel do auditório do Memorial JK e os trezentos convites já distribuídos, e optou por realizar seu debate, nesta segunda-feira, em seu próprio estúdio.
Insegura Na carta que sua assessoria a fez assinar, Weslian Roriz explicou que não foi ao debate da Bandeirantes porque não se sentia preparada e em razão de uma certa "insegurança jurídica". Repórteres perguntaram que insegurança era essa. Ela: "Não tô sabendo de nada disso, não..."
Telemala O Credicard-Visa começou um grande esforço para perder clientes, vencendo-os pela irritação: telefona três, quatro vezes, dia sim, outro também, oferecendo "vantagens". É hora de se mancar.
FRASE DO DIA
"Acharam que a gente não era bom de voto"
André Puccinelli, governador reeleito do MS, ironizando a recusa do seu apoio a Dilma
PODER SEM PUDOR
Lição dos quartéis
Ministro do Interior e dos Transportes nos governos militares, o coronel Mário Andreazza tinha o hábito, ao desembarcar em qualquer lugar, de procurar imediatamente o sanitário do aeroporto. Certa vez, ele explicou ao assessor de imprensa Luiz Mendonça por que fazia isso:
- Aprendi no Exército: quando encontrar um banheiro e comida, sirva-se logo, porque nunca se sabe quando poderá fazê-lo novamente...
O que há de errado com o País?
O que há de errado com o País?
Fabio Giambiagi - O Estado de S. Paulo
Daqui a dois anos farei 50 anos. Formei-me em 1983, no meio da pior recessão do País no pós-guerra. Minha geração viveu o governo militar, a frustração de ver que a redemocratização se revelara inicialmente incapaz de resolver os grandes problemas econômicos do Brasil e os anos cinzas da hiperinflação reprimida entre 1986 e 1994.
Quando nós que nascemos no final dos anos 50 ou começo dos anos 60 tínhamos em torno de 30 anos, no começo da década de 1990, a sensação que se tinha era de completa falta de perspectivas: o País estagnado, uma inflação absurda - que chegou a 3% ao dia! -, o crime aumentando nas grandes cidades, o desemprego subindo e uma distribuição de renda que envergonhava a todos.
Pensar em "autoestima nacional" nesse contexto era simplesmente inviável. A piada - uma espécie de exercício de autoflagelação - de que "a saída para o Brasil é o Galeão" (ou Guarulhos) era voz corrente na classe média carioca ou paulista na época.
Duas décadas depois disso, o panorama atual é completamente diferente. A hiperinflação pertence aos livros de História - nossos filhos são incapazes sequer de entender esse conceito. A inflação anual de hoje é equivalente à que se acumulava em dois dias em outras épocas. O crescimento foi se firmando. Os indicadores de violência estão em queda nas grandes cidades como Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte. O desemprego é baixo e a distribuição de renda tem dado mostras de melhorar de modo contínuo.
E, entretanto, o País não irradia otimismo. Um conjunto de dados como os que foram acima citados deveria ser motivo de congratulação do Brasil como um todo, pois são uma conquista coletiva, da mesma forma que o Chile como país se orgulha de estar deixando a pobreza para trás ou que, mal comparando, todo europeu de 50 anos na década de 1970 teria todos os motivos para se orgulhar do que a Europa tinha feito com o desenvolvimento do continente, 25 ou 30 anos depois do cenário de devastação que existia em 1945.
Porém, não é de sensação de bem-estar com o Brasil o clima que se vive no País. Que a maioria da população está satisfeita, não resta a menor dúvida. Isso é diferente, porém, de as pessoas estarem satisfeitas com o País em que vivem.
Há um clima ruim no ar - e isso não faz bem a ninguém. Os argentinos têm se referido ao ambiente que impera por lá há bastante tempo, acentuado pela radicalização verbal do casal Kirchner, como sendo de "crispación permanente". Em menor escala, algo do gênero pode estar em curso aqui.
Como pode um parlamentar oposicionista ameaçar "bater" no presidente da República, como em conhecido episódio ocorrido em meados da década? Como é possível, por outro lado, dos palanques oficiais se pregar a "extinção" de um partido de oposição? Ou como podem algumas pessoas, por conta desse clima, se sentirem como se estivessem na Rússia de Stalin? Em outras palavras, há um clima político que não condiz com o que o País fez de bom nos últimos 20 anos - incluindo os governos tanto do PSDB como do PT.
O País precisa de um pouco de concórdia e de algo mais de sabedoria e sensatez, de parte a parte. Quem dará o tom da relação entre as diferentes forças políticas é o futuro presidente (ou presidenta). É ele(a) quem definirá a agenda, estabelecerá a pauta no Congresso Nacional e terá poder de comando sobre os acontecimentos políticos.
Dificilmente haverá chances de algum tipo de melhoria de ambiente prosperar, se prevalecer a beligerância que caracteriza as relações entre governo e oposição depois que o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci - que executava a arte do diálogo com maestria - saiu do governo.
O País precisa que sejam desarmados os espíritos, bem como que cada parte saiba entender melhor a lógica de comportamento da outra. O governo tem de entender que o papel da oposição é... ser oposição! E que isso faz parte das regras do jogo da democracia. E a oposição, por sua vez, deve entender que é próprio da função dela fazer denúncias - mas que ela não pode fazer apenas denúncias, sem ter também um elenco claro de propostas, entre outras coisas porque, caso contrário, corre o risco de continuar minguando, como tem ocorrido com sua representação parlamentar desde 2002.
O Brasil avançou, mas, se o brasileiro não se orgulha do país em que vive, é porque existe a percepção de que as instituições não funcionam bem. Governo após governo, nos três níveis da Federação e com membros de todos os partidos, os escândalos se sucedem, sem que haja punição, e há grandes massas de recursos muito mal gastos. Atacar essas questões é uma tarefa pendente que demanda um aprimoramento institucional que requer, entre outras coisas, leis modernizantes e um zelo particular das autoridades no combate sem trégua à corrupção e às irregularidades.
É para essas questões que se deve voltar o esforço político. O País ganharia se, passada a contenda eleitoral, fosse possível aos diferentes grupos em disputa dar "adiós a las armas". Será que conseguiremos?
ECONOMISTA, É AUTOR DE ""REFORMA DA PREVIDÊNCIA"" (ED. CAMPUS)
Pregação antiga
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Renata Lo Prete - Folha de S. Paulo - 18/10/2010
Não é de hoje que o bispo de Guarulhos, d. Luiz Gonzaga Bergonzini, pede aos fiéis que boicotem a candidata do PT, Dilma Rousseff. Em maio, o bispo exortou os padres de sua diocese a reproduzir no púlpito uma carta em que acusava a ex-ministra de defender o aborto. Os petistas, que nunca acreditaram que Bergonzini chegaria tão longe, descobriram nesta semana que pessoas ligadas à Diocese de Guarulhos encomendaram milhões de panfletos contra o PT.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que agora se mostra preocupada com esse tipo de comportamento nas suas bases, divulgou a carta de Bergonzini em sua página na internet por alguns dias em maio.
Alerta paulista Prefeitos e deputados governistas disseram a Dilma em reunião na sexta-feira que precisam de ajuda para enfrentar a máquina tucana em São Paulo. Querem promessas de obras e empréstimos da Caixa Econômica Federal para arregimentar apoio nas maiores cidades do Estado.
Cada um na sua Em público, PT e PMDB dizem que suas divergências em Minas foram superadas. Na real, os dois partidos não conseguiram nem mesmo fazer uma reunião para definir agenda pró-Dilma no segundo turno.
Focalizado 1 Além de Minas, prioridade zero, Lula tem dito que pretende se dedicar a São Paulo e ao interior do Paraná nas próximas duas semanas. O Nordeste ficaria a cargo dos governadores aliados e de Dilma.
Focalizado 2 O presidente "segura" o Nordeste com as aparições diárias na propaganda de TV, avaliam coordenadores da campanha. "Por isso, a conversa de tirar Lula do programa nunca fez o menor sentido", diz um marqueteiro experiente.
Mais simples Principalmente no Nordeste, o QG dilmista espera extrair dividendos do fato de que agora o eleitor terá de fazer só uma escolha na urna eletrônica. No primeiro turno foram seis.
Senha As inéditas declarações públicas de Roger Agnelli sobre o apetite do PT por cargos na Vale foram interpretadas como sinal de que o presidente da empresa, depois de muito se debater, já está convencido de que não sobreviverá na posição em caso de vitória de Dilma.
Comunicantes Anima especialmente os petistas o fato de que José Luís Oliveira Lima, advogado do ex-deputado José Dirceu, é também defensor de Paulo Preto, o ex-diretor da Dersa envolvido na operação Castelo de Areia da Polícia Federal e fonte de dores de cabeça para a campanha de José Serra.
Calculadora Embora o PV tenha optado ontem pela neutralidade no segundo turno, os tucanos acham que saíram ganhando. Dirigentes estaduais do partido apoiam Serra em três dos maiores colégios eleitorais do país, São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.
Escolta O acirramento da disputa eleitoral no segundo turno levou o PSDB a contratar seguranças para proteger os cabos eleitorais que trabalham nos cruzamentos das ruas do Rio de Janeiro agitando bandeiras para a candidatura tucana.
Câmera, ação Cinegrafistas petistas estão documentando as obras de reconstrução de São Luiz do Paraitinga, a cidade histórica paulista arrasada pelas enchentes de janeiro. O objetivo é contradizer a versão de Serra, que frequentemente menciona como exemplar o trabalho feito pela administração tucana em São Paulo no enfrentamento de situações de calamidade pública.
Tiroteio
"Se o cardeal da Dilma tem mesmo todo esse poder para azeitar negócios, ela devia pedir sua ajuda para fazer as pazes com a Igreja"
DO SENADOR ÁLVARO DIAS (PSDB-PR), comentando a atuação do diretor da Eletrobrás Valter Cardeal, aliado da candidata petista, e as dificuldades que ela tem encontrado para explicar sua posição sobre a descriminalização do aborto.
Contraponto
Aprecie com moderação
Quando era deputado federal pelo Rio de Janeiro, Arthur da Távola (1936-2008) reuniu certa vez um grupo de assessores para discutir uma campanha antidrogas que pretendia lançar. Sentado no canto do gabinete, um auxiliar que funcionava como faz-tudo ouviu calado diversas sugestões até se arriscar a falar:
-Deputado, eu tenho um slogan!
-E qual é?- perguntou o chefe.
-"Drogas: sabendo usar, não vai faltar".
O rapaz foi posto imediatamente para fora da sala.
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