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quarta-feira, outubro 06, 2010
Weslian recorre ao teleprompter
Weslian recorre ao teleprompter
Mulher de Roriz treina intensamente para falar 'de coração' no segundo turno
Fábio Fabrini e Roberto Maltchik – O Globo
BRASÍLIA. Sucesso na internet graças à sucessão de gafes em apenas seis dias de campanha, a candidata do PSC ao Governo do Distrito Federal, Weslian Roriz, abriu o segundo turno blindada pelos coordenadores de sua campanha e o marido, Joaquim Roriz (PSC), a quem substituiu. Depois de uma rápida entrevista domingo, em que repetiu frases sopradas pelo ex-governador, a candidata recusa-se a falar com jornalistas até por telefone.
Weslian diz que quer se preparar para a campanha nas próximas quatro semanas.
E seus interlocutores avisam: vai surpreender. De novo. No teste do teleprompter, equipamento de leitura diante das câmeras, repetiu apenas três vezes o discurso.
— Está numa média boa — diz um dos assessores.
Agora, o desafio é decorar os projetos do marido, para não ter que pegar carona na fala dos adversários, dizendo que “assina embaixo” de todas as suas propostas, como no debate do SBT. E evitar pérolas como “quero defender toda aquela corrupção”, dita no debate da Rede Globo. A despeito das primeiras experiências em entrevistas e debates, a coordenação da campanha promete deixá-la falar de improviso e “com o coração”.
Embora seja vedete na web, Weslian recusa-se a mergulhar na blogosfera para “preservar a privacidade”. Não aderiu ao Twitter. E garante, via assessores, que fará um segundo turno com corpo a corpo, a começar por uma caminhada hoje em Vila Planalto, bairro dos chamados pioneiros de Brasília.
Antes disso, porém, passará por um treino intensivo. A estratégia é reforçar seu caráter religioso, fazê-la incorporar as promessas do marido e lembrar a participação que teve em seus quatro governos.
Weslian tornou-se conhecida por participar e dar palpites em reuniões do marido em sua mansão. E, entre a população mais carente, por tomar a frente dos programas assistencialistas de seus governos. Não por acaso, foi escolhida como substituta após o naufrágio da candidatura do ex-governador, barrado pela Lei da Ficha Limpa. Agora, tenta modelar uma identidade própria.
Sempre, é claro, sob a supervisão de Roriz, que já avisou: uma vez eleita, ele será o “principal assessor”. O ex-governador comanda as aparições públicas e ainda não se acostumou ao tratamento dado pelos jornalistas à mulher.
— Não a chame de candidata! Chame de Dona Weslian — reclamou a um repórter, durante a festa para comemorar o resultado do primeiro turno.
Na ocasião, Weslian falou pouco, antes de ser puxada pelo marido.
— Agora, eu respondo por ela — disse Roriz.
A lista de atribuições de Weslian inclui a presidência do Integra, instituto que promove projetos sociais como o que oferece cães-guia para cegos de Brasília. E a presidência de honra do Instituto Candango de Solidariedade (ICS), foco de ilegalidades na gestão do marido, segundo o Ministério Público.
Aos 67 anos, ela está há 50 com Roriz.
Casou-se aos 17, depois de um curto namoro iniciado num baile temático, no qual vestia trajes típicos do Japão. Roriz apaixonou-se por “aquela japonesinha”, como conta a amigos. Ela, que é de Goiânia, morava em Luziânia, nos arredores de Brasília.
Os pais eram ricos: criavam gado em terras que varavam o DF “do Núcleo Bandeirante à Asa Norte”, como diz uma peça de campanha. A família do ex-governador era dona de outra parte considerável da capital. A “japonesinha” de Roriz sempre o acompanhou nas filiações partidárias. Mas nunca se aventurou antes em eleições.
Sua campanha vai focar os bolsões de pobreza.
segunda-feira, outubro 04, 2010
As mulheres e o poder
As mulheres e o poder
Carla Rodrigues - O GLOBO (PROSA & VERSO)
Na campanha, o feminino foi tanto promessa do novo quanto um velho clichê
A participação das mulheres na vida política de um país é condição para o avanço da democracia. Desde a Revolução Francesa - quando Olimpe de Gouges foi para a guilhotina por reivindicar os mesmos direitos de cidadania conquistados pelos homens -, as mulheres lutam por um lugar na política. A primeira grande bandeira foi a do sufrágio universal, só conquistado principalmente a partir dos primeiros anos do século XX, e antes do qual não se poderia falar em democracia, já que os governantes eram eleitos apenas pela metade do eleitorado. É sinal de uma democracia consolidada como a que o Brasil aspira ser que homens e mulheres ocupem o poder em partes iguais, e a redução da histórica hegemonia masculina na política, um indicador de mais e melhor democracia. Sobretudo, é fundamental para enfrentar a persistente disparidade de gênero numa sociedade tão profundamente desigual como a brasileira que haja mulheres no comando: do país, das empresas, das universidades e de diferentes instituições da sociedade.
Candidatas não têm ligação com o feminismo
O que se vê no cenário eleitoral de 2010 no Brasil não é muito diferente do que já aconteceu em outros países da América Latina. Argentina e Chile passaram pela experiência de eleger mulheres para a Presidência, o que pôde ser comemorado em ambos os países, apesar das imensas diferenças entre Cristina Kirchner e Michelle Bachelet. Há uma peculiaridade no caso brasileiro: existem duas mulheres candidatas à presidência da República, mas o país tem uma das menores taxas de representação parlamentar feminina no continente - 9%, à frente apenas da Colômbia, 8%, e do Haiti, 4%.
Nem Dilma Rousseff nem Marina Silva exibem em seus currículos qualquer trajetória nos diferentes movimentos de mulheres que emergiram no Brasil, a partir dos anos 1970. Também não se apresentam como identificadas com as causas feministas. Muitas outras mulheres já chegaram ao poder sem estar necessariamente associadas a esta militância. No entanto, ainda que não sejam explicitamente defensoras da igualdade de gênero, as duas apelam ao eleitorado se valendo da sua condição feminina como um sinal de inovação na política.
Que é um avanço inegável, não há dúvida. Trata-se apenas de pensar como esse avanço está se dando.
Quando o presidente Lula chama Dilma de "mãe do Brasil", adere ao mais antigo dos estereótipos sobre a mulher: a valorização do feminino pelo seu destino biológico, que se sobrepõe a qualquer outra qualidade como indivíduo. Apesar de Dilma não ter pautado sua vida por ideais como a família, e mesmo que tenha feito uma carreira pública na qual está também apoiada sua candidatura, o apelo à figura materna é uma forma de associar cuidado (com o povo, com o país) aos estereótipos do feminino como lugar de interioridade e domesticidade.
Paradoxalmente, essa mesma imagem tem servido, ao longo da história, para reforçar a divisão entre esfera doméstica - como pertinente às mulheres - e esfera pública - privilégio dos homens. Dessa separação se valiam os franceses, quando redigiram a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão, excluindo as mulheres sob a alegação de que, por causa do inexorável papel de mães, o lugar delas era em casa.
Já Marina lista o fato de ser mulher como uma das 43 razões para que o eleitor vote nela. Associa o feminino ao novo e também apela para a ideia do cuidado, dizendo que será a primeira mulher a "cuidar do Brasil". Em entrevistas, chegou a convocar o eleitorado a elegê-la por ser "mulher de verdade". Em parte, pode ser uma referência à ausência de atributos femininos clássicos na figura de Dilma Rousseff, como beleza ou delicadeza. Mas, principalmente, é a afirmação de uma perspectiva há muito superada: a idéia de que existe uma definição prévia, única e determinada do que é ser mulher. Foi contra essa determinação que as mulheres sempre lutaram, porque daí partiram as mais violentas tentativas de aprisionar o feminino como um lugar subordinado e imutável ao qual as mulheres deveriam se contentar.
Talvez o conservadorismo da sociedade brasileira ainda não dê espaço para que as mulheres pretendam chegar ao poder com bandeiras de combate à desigualdade de gênero ou de defesa dos direitos das mulheres. Talvez ao eleitorado só seja aceitável colocar uma mulher na Presidência se a ela estiverem associadas essas representações arcaicas, de tal forma que ser mulher só seja um valor de reforço à democracia pelo ineditismo, não pelo conjunto de mudanças que poderia se dar a partir dessa escolha.
Se for assim, a única esperança é que ter uma mulher no poder não seja apenas um símbolo de mais democracia, mas se traduza, de fato, numa forma de as mulheres mudarem também a cara do século XXI. Como reconhece Eric Hobsbawm, as mulheres fizeram a maior e mais importante revolução do século XX e alcançaram prodigiosas conquistas, entre as quais o voto e o direito de participar da vida pública. Infelizmente, ainda há muito a ser feito. Violência, saúde, acesso ao poder, renda, e tantos outros sinais cotidianos - e ancestrais - de discriminação contra as mulheres são a manifestação, na cultura, de uma desigualdade que ainda não foi superada.
Lula conteve avanços para as causas das mulheres
Mais do que pela sua condição de mulher, o que eleva o desempenho eleitoral de Dilma é o apoio do presidente Lula. Em que pesem os inúmeros e importantes esforços da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Lula foi um presidente que conteve propostas de avanço para as causas das mulheres em nome de acordos por maioria no Congresso. Se nesse campo Dilma seguir os passos de seu padrinho político, não se deve esperar dela muito mais do que a mesma atitude de ainda considerar a agenda feminista como "coisa de mulher" - expressão pejorativa por excelência. Já Marina, que se apresenta como inovadora porque associada à causa ambiental, ao desenvolvimento sustentável e ao futuro, é uma incógnita no que diz respeito à agenda de superação das desigualdades.
Embora o combate às disparidades existentes entre homens e mulheres não devesse depender de governantes que usam saias para ser enfrentadas, a eleição de uma mulher para a presidência cria a expectativa de que se abram novos horizontes para problemas tão arcaicos. Pena que, para vir a superá-los, as duas candidatas, antes, precisem reforçá-los.
Carla Rodrigues é jornalista, professora da PUC-Rio, doutoranda em Filosofia, e autora, entre outros, de "Coreografias do feminino"
Nem sinhá nem dama de ferro
Nem sinhá nem dama de ferro
O 'lobby do batom', que obteve avanços notáveis na Constituinte de 1988, refluiu. E, hoje, embora as mulheres estejam na política, há pouca política para mulheres
O Estado de São Paulo
Apesar de Dilma Rousseff e Marina Silva dividirem com José Serra o lugar de protagonistas da eleição presidencial que hoje vai levar 135 milhões de brasileiros às urnas, ainda é cedo para festejar uma vitória dos valores femininos. Por um lado, as mulheres são 51,82% do colégio eleitoral e, pela primeira vez, duas mulheres disputam a Presidência; por outro, surge a inexperiente Weslian Roriz, que concorre ao governo do Distrito Federal empurrada pelo marido, Joaquim Roriz. Barrado pelo Tribunal Superior Eleitoral com base na Lei da Ficha Limpa, o ex-governador saiu do páreo e convocou a mulher para tentar manter a família no poder. Os extremos expõem a fragilidade da participação feminina na política brasileira.
| Paulo Pinto/AE |
A historiadora Mary Del Priore, autora de História das Mulheres no Brasil (Contexto, 1997), acredita que as brasileiras ainda precisem evoluir muito no cenário político. "Continuamos sem ações eficientes que atendam direta e majoritariamente os problemas femininos, seja creche, gravidez na adolescência, aborto." Nesta entrevista, a historiadora lamenta que, duas décadas depois de promulgada a Constituição de 1988, as mulheres constituam o maior contingente eleitoral do País, mas não pareçam muito interessadas em ter atuação direta na política.
Duas mulheres disputam a Presidência da República. Sinal de que a política brasileira está melhorando? Ou o fato de Dilma Rousseff ser uma escolha pessoal de Lula reforça o papel feminino de coadjuvante no processo?
Significa que temos mais mulheres concorrendo por projetos de poder. A 4ª Conferência Mundial sobre as Mulheres, realizada em Pequim em 1995, cunhou o termo empowerment (apropriação do poder ou "empoderamento") das mulheres. Hoje, em plena democracia, não há mais obstáculos para a representação feminina no Congresso e as brasileiras já estão devidamente "empoderadas". Nossas mulheres na política fazem campanha e são eleitas, sem as perseguições movidas no passado, como, por exemplo, a que atingiu a cientista e feminista Bertha Lutz - acusada de fraude eleitoral. E a igualdade com os políticos é real: elas têm isonomia no horário político eleitoral e não encontram barreiras para o financiamento de suas campanhas. Mas também há informações sobre outra forma de igualdade: as eleitas roubam, esbulham e mentem como seus pares do sexo masculino. Algumas parecem ter se esquecido da agenda arduamente amadurecida durante a redemocratização do País.
Quer dizer que na política elas são iguais aos homens? E uma mulher que faça má política, choca mais a sociedade? Sem dúvida. Refiro-me a igualdade no apetite pela roubalheira. Eu sei, isso choca, pois ainda convivemos com a ideia de que a mulher é a responsável pelo bom funcionamento da casa. Tal ideia paternalista, muito viva até os anos 60 e 70, associava imagens como "a rainha do lar", "a abelhinha trabalhadeira", assegurando o papel feminino de gestão do privado, algo diametralmente oposto ao papel masculino, que deveria se consumar fora do lar. Apesar das conquistas recentes, inclusive no campo político, continuamos sem ações específicas que atendam direta e majoritariamente os problemas femininos, como gravidez na adolescência, aumento de creches e aborto - que só entrou na pauta, e de forma oportunista, no final dos debates. Marina Silva, até agora uma espécie de reserva ética de nossa vida política, não assumiu nenhuma posição polêmica em relação ao tema. Afinal, para que brigar com a bancada evangélica ou católica às vésperas das eleições? Quanto a Dilma, ela representa a continuidade de um ciclo virtuoso da economia, que teve início no governo FHC. Os eleitores votam na permanência de um programa econômico que deu a 90% dos pobres do País a possibilidade de consumir e a 0,1% de ricos a garantia de continuar a enriquecer. E não num projeto político em que valores femininos estejam em alta.
Não é contraditório termos duas candidatas à Presidência e, ao mesmo tempo, mulheres sendo conduzidas ao poder pelo marido, como Weslian Roriz, no Distrito Federal? Infelizmente, clientelismo e voto de cabresto fazem parte de nossa história, e pior, inscreveram-se oficialmente na Constituição de 1988. Normalmente, tais leis não fazem parte de nenhuma Constituição em nenhum lugar do mundo. Mas entre nós o voto proporcional, garantido entre outros 250 artigos, incentiva toda sorte de acordos com corporações e sindicatos. Nossos deputados são eleitos pelos serviços prestados a grupos de pressão. E logo se tornam coniventes com permutas e trocas inadmissíveis na vida democrática. A fragmentação dos partidos incentiva somente consórcios de nomes que, por sua vez, escondem interesses privados. O mais vergonhoso é que nossos presidentes são reféns de um sistema que os ameaça, pois só tais alianças garantem o funcionamento do País. Para não continuarmos a viver nessa meia democracia seria preciso mudar o sistema eleitoral - mas isso nem FHC nem Lula conseguiram.
| Mãos de marido. Barrado pela Lei da Ficha Limpa, o ex-governador Joaquim Roriz conduz a esposa, Weslian, para a disputa no DF |
O fato de Joaquim Roriz ter recorrido à mulher e não a outro aliado para representá-lo, assim como Anthony Garotinho fez no Rio com a mulher Rosinha, comprovaria esse atraso da representação política das mulheres, como a senhora argumenta? Essas são figuras políticas associadas a todo tipo de comprovadas falcatruas e sujeiras das quais procuram "limpar-se" usando a figura da mulher e o que ela significa no imaginário da sociedade. Nas classes médias e desfavorecidas, nas quais se encontra o grosso de seus eleitores, os papéis sociais mantêm a tradição. Portanto, o feminino é o da "mulher que cuida". Cuida limpando e arrumando a casa. Recorrer às esposas e filhas é uma forma de apropriação do capital simbólico representado pelo sexo feminino no imaginário de nossa sociedade. A identificação da "esposa" com a "santa" que, malgrado sacrifício e sofrimentos tudo suporta, alimenta a mesma representação.
De onde vem essa percepção da mulher como tapa-buraco na política? É algo que acontece no plano internacional e varia de acordo com os contextos culturais de cada país. Na França, onde a questão já foi estudada, as diferenças entre os candidatos masculinos e femininos apontam para a tese de que a mulher tem uma natureza conservadora. Tal tese incentiva candidaturas específicas ou a colocação de mulheres em determinados postos de poder: saúde, educação, ecologia, para atender aos interesses dos partidos. Por outro lado, na Índia e Paquistão as mulheres chegam à vida política obedecendo a uma tradição familiar. Há também casos em que a crise coloca em cena o mito da mulher salvadora. Tal "síndrome de Joana D'Arc" promove "damas de ferro", como Margareth Thatcher ou Angela Merkel, capazes de fazer frente às tempestades da vida política e econômica. Na Noruega, onde a ideia de política soma-se àquela da administração, não há diferença entre vida pública e vida privada, e a primeira-ministra Gro Brundtland renunciou por razões familiares. É importante lembrar que o acesso da mulher à vida política sempre foi difícil. A cidade grega, primeiro modelo de democracia, as excluía radicalmente.
O arranjo do casal Roriz acentua a subalternidade feminina na política? O casal Roriz representa a derrota da mobilização cidadã contra a roubalheira que gangrena a vida pública. Consagra a impunidade que campeia em Brasília revelando uma realidade pior: a maioria de nossos políticos não vive para a política, mas sim da política. Tais sanguessugas custam ao País centenas de milhões por ano. São eles que freiam o crescimento, entravam a produtividade e envenenam o clima dos negócios. Não existe pior subalternidade do que a praticada frente ao dinheiro.
Há uma tendência a colocar a mulher em cena porque à princípio ela passaria a imagem de 'ficha limpa', de pessoa honesta. Ética não é uma questão de gênero. Nem a eficiência política pode ser sinônimo de feminilidade: em Ruanda, a Câmara de Deputados é constituída por 48% de mulheres - mais do que na Suécia - e nem por isso a situação política e econômica mudou. Na Espanha, o governo Zapatero tem 47% de mulheres e nem por isso escapou da crise. A África do Sul tem 40% e o Chile, 50% de representação feminina e em nenhum desses países a presença da mulher mudou radicalmente o cenário social ou político. As mulheres estão, sim, representadas no poder, mas falta-lhes liderança diferenciada. Liderança entendida não como a autoridade que emana de um posto ou de uma estrutura, mas como a capacidade de fazer as pessoas participarem de objetivos definidos a partir de critérios de gênero. Isso não é fácil. Afinal, produzir coesão social e cidadania, reduzir a exclusão graças à educação e saúde é, "apenas", atualizar uma agenda de mais de 200 anos.
O Brasil já teve mulheres protagonistas? A luta por representação política vem de longa data. Uma das pioneiras foi Nísia Floresta, que, em 1832, publicou Direitos das Mulheres e Injustiças dos Homens, opúsculo em que enfrentava os preconceitos da sociedade patriarcal. A segunda metade do século 19 assistiu também à participação de muitas na luta pela Abolição. Adelina, a charuteira, escrava do próprio pai, participou de comícios abolicionistas em São Luís do Maranhão. O Partido Republicano Feminino abriu suas portas a 23 de dezembro de 1910. Os objetivos eram promover a cooperação feminina para o progresso do País, combater a exploração relativa ao sexo e o mais importante: o direito ao voto. Depois, foi a vez da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, sob a liderança da bióloga Bertha Lutz. Só em fevereiro de 1932 Getúlio Vargas assinou o tão esperado direito de voto. Bertha tentou ocupar cargos em vários pleitos, elegendo-se deputada federal em 1936. Durante o governo militar, uma importante educadora se tornou a primeira ministra de Estado: Ester de Figueiredo Ferraz. Do outro lado do espectro político, mulheres entraram na clandestinidade, lutando contra o regime: Elza Monnerat, Clara Charf, entre outras, algumas das quais morreram em combate contra a repressão. Com a redemocratização, o então presidente Sarney criou o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher. O papel do CNDM foi fundamental durante a Constituinte de 1988. Criou-se o "lobby do batom", como ficou conhecida a atuação da bancada feminina no Congresso. Foram aprovadas mais de 80% das reivindicações encaminhadas na área dos direitos da mulher.
E por que se perdeu o pique dos anos 80? Os últimos 20 anos foram decisivos para as brasileiras. O uso da pílula disseminou-se e o mercado de trabalhou absorveu a mão de obra feminina. Mulheres representam, hoje, 43% da força nacional de trabalho. Com dinheiro, não ficam mais casadas por conveniência ou esforço. Os álbuns de família ganham novos atores: padrastos, meios-irmãos e produção independente. Dos domicílios, 47% têm pai ausente. Um em cada quatro casamentos termina em divórcio e o IBGE prova que homens divorciados têm quatro vezes mais chance de recasar-se do que mulheres em igual condição. E mais: no Nordeste, as migrações masculinas em busca de oportunidades no Sudeste consolidaram o "matriarcado da pobreza". Enfim, com uma agenda recheada por tantas mudanças, as mulheres não parecem interessadas em participar diretamente da política. E, sim, em viver e sobreviver.
domingo, outubro 03, 2010
Weslian Roriz: A mulher laranja
Weslian Roriz: A mulher laranja
Os adversários foram pegos de surpresa por sua candidatura ao governo do Distrito Federal, no lugar do marido. Ela também
Isabel Clemente – Revista ÉPOCA
| FICHA EM BRANCO Weslian no debate na semana passada. Ela não sabia responder, mas manteve a pose |
Brasília foi criada para apontar um novo rumo político para o Brasil – e ninguém pode reclamar da falta de inovações que a cidade é capaz de gerar. Infelizmente, não são o tipo de inovação que se esperava. Tome, por exemplo, a candidatura de Weslian Roriz. Na semana passada, a dona de casa de 67 anos estreou como candidata ao governo do Distrito Federal pelo PSC em um debate promovido pela TV Globo. Visivelmente despreparada, Weslian teve de ler respostas e chegou a dizer, numa gafe, que queria “defender toda aquela corrupção”. Weslian se tornou um hit em vídeos no YouTube e campeã de comentários no Twitter.
Weslian virou candidata um dia antes do debate. Ela é casada há 50 anos com Joaquim Domingos Roriz, quatro vezes governador do DF. Ameaçado pela Lei Ficha Limpa por ter renunciado ao Senado, em 2007, para escapar da cassação num processo por corrupção, Roriz lançou Weslian. Apostou que transferiria para ela os votos de seu fiel eleitorado, cultivado durante anos com a distribuição gratuita de lotes em áreas no Distrito Federal.
Não poderia haver alguém mais confiável para Roriz. De acordo com a biografia de Weslian, publicada assim que se tornou candidata, os dois se conheceram no casamento de uma prima de Roriz, quando tinham 23 anos (ele) e 17 (ela). Goianiense, Weslian havia acabado de se mudar com a família para Luziânia. Seu pai, criador de gado, foi o responsável por fazer o jardim do Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente da República. Roriz e Weslian se casaram menos de um ano depois de se conhecerem, em 1960, e tiveram três filhas: Wesliane, Liliane e Jaqueline.
No debate, era possível notar que os adversários de Roriz foram pegos de surpresa. Preparados para enfrentá-lo duramente, Agnelo Queiroz (PT), Toninho (PSOL) e Eduardo Brandão (PV) não tiveram coragem de fazer o mesmo com Weslian. Empertigada, com voz trêmula e gaguejando, Weslian teve de enfrentar a si própria.
“Eu quero defender toda aquela corrupção”
WESLIAN RORIZ, candidata ao governo do Distrito Federal
“É violenta a forma como a família expôs essa mulher”, diz a cientista política Flávia Biroli, professora da Universidade de Brasília (UnB). “É desconcertante ter uma candidata incapaz de sustentar posições sobre qualquer tema.”
Os adversários não a pouparam por delicadeza. Ficaram com medo de que ela chorasse diante de perguntas duras e que a vitimização lhe rendesse votos. Foram tão cautelosos que quase se desculpavam por ter de questioná-la sobre corrupção. Nos bastidores do debate, reinava o constrangimento. O principal sentimento era de vergonha alheia. “Não dava nem para comemorar um gol em cima dela”, disse o assessor de um dos candidatos. “A performance dela foi triste, lamentável”, afirma o cientista político David Fleischer. “Virou a mulher laranja.”
Assessores de Roriz avaliaram que, para alguém tão inexperiente, Weslian não se saiu tão mal. Sobretudo porque abordou de supetão Agnelo Queiroz sobre um tema que vem dando dor de cabeça ao PT: o aborto. Católica praticante, Weslian perguntou se Agnelo era a favor do aborto – e fez isso quando deveria ter respondido a uma pergunta sobre transporte público. Surpreso, Agnelo só respondeu no bloco seguinte. Afirmou ser contra o aborto. Em outro momento, Weslian deveria fazer uma pergunta sobre gestão pública a Toninho (PSOL). Procurou a pergunta em meio a seus papéis, separados por marcadores coloridos. Quando achou que tinha a folha certa, fez a pergunta... sobre emprego.
| BODAS DE OURO Weslian e Roriz em campanha. Os dois são casados há 50 anos. Mas ela é novata em política |
Weslian não é a primeira mulher usada pelo marido em disputas eleitorais. Para ficar apenas num exemplo recente, na Argentina, o presidente Néstor Kirchner lançou a candidatura da mulher, Cristina, para suceder-lhe – mas ela em pouco tempo provou que não é títere do marido. Com Weslian, Roriz corre pouco risco. Por isso procuradores do Ministério Público Eleitoral temem a proliferação de “laranjas eleitorais”.
Até a semana passada, Weslian só era conhecida pelos trabalhos sociais nos governos do marido. Um dos programas de maior visibilidade com que se envolveu foi o treinamento de cães-guia para cegos. Em 2005, um labrador treinado em Brasília foi usado na novela América, da TV Globo, para guiar o ator Marcos Frota, que fazia o papel de um cego. De certa forma, com sua candidatura, Weslian – e, por trás dela, Roriz – está agora apostando em outro tipo de cegueira.
segunda-feira, setembro 27, 2010
Um assunto delicado
Um assunto delicado
FÁTIMA DA SILVA GRAVE ORTIZ - O GLOBO - 27/09/10
As eleições são momentos privilegiados de debate sobre temas que atravessam nossa vida em sociedade.
Um deles, presente nos discursos e propostas dos candidatos, refere-se à polêmica questão do aborto. Ora criminalizando as mulheres que voluntariamente optam pelo aborto, ora reconhecendo a questão como problema de saúde pública, o fato é que os brasileiros precisam se debruçar sobre este tema, a exemplo de muitos outros países, como recentemente o fez Portugal, que tornou legal a sua prática.
No Brasil, o aborto é legalmente permitido apenas em algumas situações: quando envolvem estupro ou há comprovada existência de anomalia fetal. Contudo, mesmo nestas situações, além de a mulher ter que expor seu caso, a despeito de ampliar seu sofrimento, deve ainda se submeter a autorização judicial, cabendo à Justiça, portanto, a decisão final sobre uma questão de ordem íntima e pessoal. Segue-se a isso o agravante de haver poucas unidades de saúde públicas disponíveis para a realização do aborto.
No entanto, por não se enquadrarem nestes critérios, muitas mulheres optam pela prática do aborto clandestino e inseguro, em alguns casos morrendo ou se submetendo a sequelas irreparáveis. Sempre são criminalizadas e discriminadas porque socialmente a responsabilidade exclusiva pela gestação recai sobre a mulher. Ora, se a "responsabilidade" é dela, por que não permitir que ela realmente decida, tendo em vista os impactos que o aborto provoca na sua vida? São vinte milhões de abortos inseguros no mundo por ano; trata-se da quarta causa de morte materna, e este ônus geralmente recai sobre um grupo específico de mulheres: pobres e negras, confirmando um processo histórico de criminalização de gênero, raça e classe social.
A mulher deve ter o direito de decidir e o Estado laico deve empreender o marco legal necessário para pôr fim à criminalização do aborto, legalizando sua prática e criando serviços especializados com profissionais e rotinas institucionais capazes da sua realização. A legalização do aborto comprovadamente não gera o aumento dos casos. Ao contrário: todos os países que o legalizaram não observaram sua ampliação.
Defender a legalidade do aborto significa reconhecer o direito cidadão da mulher de decidir sobre a maternidade. Significa reconhecer a mulher como sujeito, portadora de direitos civis, políticos, sociais e humanos, entre eles o direito à vida e de ser legitimamente mãe. Coerente com o código de ética que orienta os profissionais, nosso 39oEncontro Nacional dos Conselhos de Serviço Social, realizado recentemente em Florianópolis, aprovou a defesa da legalização do aborto como passo para que esses direitos se tornem realidade.
FÁTIMA DA SILVA GRAVE ORTIZ é presidente do Conselho Regional de Serviço Social-RJ e professora da Escola de Serviço Social da UFRJ.
COMENTÁRIO: Discordo das argumentações. Aborto é crime e dos mais covardes, pois a vítima não tem defesa. O que deve haver é uma intensificação na educação sexual das adolescentes e jovens. E a mulher deve prevenir-se ANTES! Não cair nas armadilhas dos momentos de descontrole, com medo de perder o seu parceiro. Quando ocorre a concepção, na maioria das vezes, a mulher se encontra sozinha para resolver o que fazer, o que demonstra a fragilidade das relações. Se a mulher quer ter uma vida sexual livre, então assuma as providências para evitar a concepção. Há diversas maneiras para tal e farta distribuição de preservativos e pílulas anticoncepcionais em postos de saúde, ONGs, etc.. Concordo apenas nos casos em que a lei permite. A mulher tem que deixar de ser uma presa fácil do homem nos momentos de tensão sexual. A responsabilidade deve ser dividida. O artigo defende o direito da mulher ao seu corpo, mas esquece do direito de vida do nascituro, o qual não pediu para ser concebido e não pode ser esquecido em seus direitos, que são protegidos em lei.
sábado, agosto 07, 2010
Azar Nafisi narra as mudanças no Irã através da sua história familiar
Azar Nafisi narra as mudanças no Irã através da sua história familiar
Camila Mello | Fotos: Divulgação
A escritora iraniana Azar Nafisi, 59 anos, viu seu país se transformar em uma ditadura religiosa a partir de 1979, com a revolução islâmica promovida pelo aiatolá Khomeini. Para ela, que estava de volta ao Irã na esperança de grandes mudanças políticas, depois de anos morando nos EUA, isso significou ser revistada diariamente, para ver se carregava maquiagem, e ser vigiada em suas aulas de literatura.
Azar Nafisi na adolescência, quando o Irã tinha um governo moderado em costumes
Como toda mulher, também foi obrigada a se esconder debaixo do véu. Mas ela acabou ficando mais visível.Depois de ser expulsa da Universidade de Teerã, onde lecionava literatura, por se negar a usar o véu em sala de aula, criou um grupo secreto com algumas alunas para continuar discutindo autores como Henry James e Vladimir Nabokov, que foram proibidos no país.
Narrou os encontros no best-seller Lendo Lolita no Teerã (2004), que a tornou conhecida mundialmente. Mas ainda há mais por contar. Azar, que estará na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) de 2010, em agosto, listou em um diário casos sobre os quais não tinha falado.
No livro O Que Eu Não Contei (Record, R$ 55/378 páginas), ela fala de coisas como o sofrimento com segredos familiares e o preço pela liberdade num país envolvido em revoltas políticas. Azar desnuda as mulheres de sua família e escreve abertamente sobre histórias pessoais - o que sempre foi considerado pelo Estado como um tabu.
“Nunca revelar assuntos privados é uma característica muito forte da cultura iraniana: não lavamos roupa suja em público, como diria minha mãe, e, além do mais, as vidas privadas são triviais e não merecem ser descritas”, anota a autora.
Azar Nafisi, que vive hoje em Washington, nos EUA, revela histórias entre o nascimento da avó, no começo do século XX, e o nascimento da filha, que se cruzam com a realidade política e social do Irã. A autora lembra, por exemplo, das “horas do café”, em que sua mãe recebia mulheres para sessões de fofocas, e as alucinações que ela tinha para fugir dos problemas.
FAMÍLIA
A mãe de Azar era controladora e foi uma das primeiras mulheres do parlamento. Já o pai foi preso quando era prefeito de Teerã, suspeito de apoiar a oposição ao regime do xá. A escritora viveu no Irã até os 13 anos, seguindo depois para estudar em Londres.
A mãe de Azar era controladora e foi uma das primeiras mulheres do parlamento. Já o pai foi preso quando era prefeito de Teerã, suspeito de apoiar a oposição ao regime do xá. A escritora viveu no Irã até os 13 anos, seguindo depois para estudar em Londres.
“Quando ainda era jovem,nas décadas de 1950 e 1960,tínhamos como garantidos nossa educação e nossos livros, assim como festas e cinemas. Vimos mulheres se tornando ativas em todos os níveis da vida, atuando no parlamento”, relata.
Mas, então, em 1984, com uma filha de 10 anos, ela testemunhou um retrocesso político que trazia de volta leis cruéis que fizeram parte da vida de sua avó, no século XX, e aprovavam apedrejamento como punição para adultério e prostituição, poligamia, casamento de meninas a partir de 9 anos e o uso do véu. Além disso, todas as mulheres só podiam entrar nos veículos pela porta traseira e eram vigiadas por homens armados que tinham que assegurar o bom comportamento das moças.
EXÍLIO
Em 1997, Azar deixou o país e foi para os EUA com a família. No mesmo ano, no Irã, o reformista Khatami derrotou um aiatolá nas eleições e anunciou um governo mais moderado, permitindo que as mulheres usassem véu colorido e batom, por exemplo.
Em 1997, Azar deixou o país e foi para os EUA com a família. No mesmo ano, no Irã, o reformista Khatami derrotou um aiatolá nas eleições e anunciou um governo mais moderado, permitindo que as mulheres usassem véu colorido e batom, por exemplo.
Mas as leis continuaram as mesmas. Mesmo longe, ela acompanha a crescente oposição ao governo de Mahmoud Ahmadinejad, reeleito em 2009. Os jovens que protestam nas ruas são humilhados por um regime que ela conhece bem.
“Muito antes de eu conseguir observar como um regime político impiedoso impõe sua própria imagem sobre seus cidadãos, saqueando suas identidades e autodefinições, experimentei suas imposições na minha vida pessoal”, diz.
quinta-feira, agosto 05, 2010
40% sofrem violência desde o início da relação
40% sofrem violência desde o início da relação
Gabriela Moreira / RIO O Estado de S. Paulo - 05/08/2010
Gabriela Moreira / RIO O Estado de S. Paulo - 05/08/2010
Em 57% dos casos contabilizados pela Secretaria de Política para as Mulheres, os maus-tratos são diários
Quatro entre dez mulheres que recorrem ao Ligue 180, serviço da Secretaria de Política para as mulheres, do governo federal, são vítimas de agressão desde o início do relacionamento. A violência é diária em 57% dos casos.
Os dados são referentes ao período de janeiro a julho deste ano. O número de denúncias cresceu 112% (de 161,8 mil para 343 mil) em relação ao mesmo período de 2009. Em 72% das situações, as mulheres continuam a viver com o agressor. Já 14,7% dos agressores são ex-namorados ou ex-companheiros.
Os dados são referentes ao período de janeiro a julho deste ano. O número de denúncias cresceu 112% (de 161,8 mil para 343 mil) em relação ao mesmo período de 2009. Em 72% das situações, as mulheres continuam a viver com o agressor. Já 14,7% dos agressores são ex-namorados ou ex-companheiros.
Entre os crimes relatados estão violência física, moral, sexual, patrimonial e psicológica. Metade das mulheres afirma correr risco de morte.
Para a secretária de Enfrentamento da Violência contra a mulher, Aparecida Gonçalves, o que aumentou foi a coragem das vítimas. "O 180 não é a polícia e isso deixa as mulheres mais encorajadas a falar. Orientamos a buscar ajuda em centros de referência para apoio psicológico e em hospitais e damos informações sobre como denunciar à polícia e à Justiça."
Neste mês, a Lei Maria da Penha completa quatro anos. Para Aparecida, é preciso que o Estado brasileiro invista recursos e crie serviços especializados para as vítimas. "Por outro lado, as mulheres que sofrem violência devem ser mais ativas quando vão a um serviço especializado e não têm tratamento adequado."
Reação Cansada de apanhar, Juliana Ellen da Silva, de 26 anos, matou o marido com um tiro na cabeça ontem, no Grajaú, zona sul. Ricardo Batista de Carvalho, de 38 anos, era guarda municipal.
domingo, agosto 01, 2010
Mulher é melhor preparada para mercado de trabalho
Mulher é melhor preparada para mercado de trabalho
Folha de Pernambuco
Folha de Pernambuco
Índice de desemprego, no entanto, é maior que dos homens
As mulheres são melhor preparadas para o mercado de trabalho, mas ainda são as mais afetadas pelo desemprego no País, de acordo com dados do Dieese de maio/2010. São elas 13,9% dos desempregados no Recife, enquanto os homens são 8,9%. Estes são alguns dos dados analisados pela Ceplan Consultoria, que apresentou estudo sobre a conjuntura econômica e o mercado de trabalho em Pernambuco, com dados que mostram o crescimento do Brasil, dos empregos e dos entraves em potencial para o desenvolvimento.O mercado de trabalho está em expansão no Brasil e no Nordeste - apenas um dos reflexos da superação da crise econômica mundial por aqui. O obstáculo ainda é o baixo nível de escolaridade da população e a falta de capacitação profissional. Mais ainda: segundo a economista Tânia Bacellar, os investimentos nos setores de ciência, tecnologia e informação (CT&I) são insuficientes. “O Japão investe 3,4% do seu PIB em CT&I; os Estados Unidos, 2,8%. No Brasil, são apenas 1,1%. No futuro industrial, teremos um acirramento da competitividade, então esses investimentos precisam ser revistos”, analisou a economista Tânia Bacelar.
Os números mostram que o Recife tem o menor rendimento médio entre pessoas ocupadas nas regiões metropolitanas pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) nos primeiros semestres de 2009 e 2010. Os valores são de R$ 906,17 e R$ 962,44, respectivamente. Entretanto, o Recife apresentou crescimento médio de 6,2%, a taxa do primeiro semestre de 2010.
O Nordeste é responsável por 17,4% dos postos de trabalho formais, acima da contribuição da Região para o PIB do Brasil. Juntas, as três maiores economias nordestinas (Bahia, Pernambuco e Ceará) geram 63% dos postos de trabalho formais no Nordeste (64% no PIB regional). “A melhor política de emprego é o crescimento da economia”, disse o economista Jorge Jatobá.
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