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segunda-feira, outubro 25, 2010
sexta-feira, outubro 22, 2010
Sobre farsas
Sobre farsas
Merval Pereira – O Globo
Não satisfeito de ter transgredido todas as normas legais relativas à campanha eleitoral no afã de eleger a candidata que tirou da cartola, o presidente Lula na reta final da eleição perdeu qualquer vislumbre de constrangimento que porventura ainda tivesse e passou a fazer campanha política 24 horas por dia, antes, durante e depois do expediente oficial de presidente da República, em todas as dependências oficiais do governo.
E participou diretamente nos dois últimos dias de duas das mais vergonhosas tentativas de farsas políticas da História recente do país.
Ontem, ele se despiu dos rigores do cargo e assumiu o papel do cabo eleitoral mais energúmeno que possa haver.
(Antes que algum petista desavisado ache que estou xingando Sua Excelência, devo esclarecer que utilizo o termo energúmeno no sentido de “fanático”.
A palavra parece um palavrão, mas não é.
Na coluna de ontem, escrevi que Serra fora atingido por um “artefato” e houve petistas exaltados que vissem no termo um sentido alarmante que ele não tem.
Usa-se a palavra para definir “qualquer objeto manufaturado”.
Como não sabia o que havia atingido o candidato tucano, usei a palavra.
E acertei, como veremos).
Voltando ao caso, o cabo eleitoral Lula da Silva disse que a agressão sofrida por S e r r a e r a u m a “ m e n t i r a descarada”.
Segundo ele, depois de ver imagens das redes Record e SBT, ficou convencido de que Serra fora atingido por uma bolinha de papel e seguiu caminhando por mais 20 minutos, quando recebeu um telefonema “de algum assessor da publicidade da campanha que sugeriu parar de caminhar e pôr a mão na cabeça para criar um factoide”.
Para encerrar o festival de irresponsabilidades, Lula comparou o caso ao do goleiro chileno Rojas, que fingiu ter sido atingido por um rojão num jogo contra o Brasil.
Ontem, o “Jornal Nacional” demonstrou, com o auxílio de um perito, que quem criou um factoide com claros objetivos políticos foram as reportagens que montaram dois momentos diferentes como se fossem uma sequência, tentando desqualificar o que foi uma atitude política digna dos regimes fascistas.
Serra foi atingido, sim, por uma bobina de papel crepe (o tal “artefato”) que, arremessada com força, pode provocar danos graves na pessoa atingida.
A agressividade dos cabos eleitorais petistas em si mesma já era motivo para preocupação, pois em democracias não é aceitável que grupos tentem impedir outros de se manifestar.
Desse ponto de vista, é lamentável o que ocorreu ontem em Curitiba, quando a candidata oficial foi recebida com bolas de água jogadas de cima de prédios. Se atingissem alguém, elas seriam tão perigosas quanto o “artefato” que atingiu Serra.
O que não é comparável é a origem dos dois fatos. O primeiro foi uma ação política orquestrada com a intenção de agredir o candidato oposicionista. A outra é uma irresponsabilidade.
Na quarta-feira, Lula havia anunciado para os jornalistas a conclusão de um inquérito que a Polícia Federal realizou sobre a quebra de sigilo fiscal de parentes e pessoas ligadas ao candidato da oposição José Serra.
O próprio presidente, depois de ter tentado desqualificar as denúncias sugerindo que se tratava de uma ação eleitoreira de Serra, viu-se obrigado a convocar a Polícia Federal para investigar o caso.
Soube em primeira mão o resultado do inquérito e pareceu satisfeito, tanto que anunciou aos jornalistas, sem que fosse perguntado, que a Polícia Federal iria revelar “a verdade dos fatos”, que nada tinha a ver com “as versões”.
De fato, a Polícia Federal retirou todo caráter político da investigação e anunciou que o responsável pela compra dos sigilos quebrados era o jornalista Amaury Ribeiro Jr. quando ainda trabalhava no jornal “Estado de Minas”.
O PT passou então a espalhar a versão de que se tratava de uma briga interna dos tucanos, e que o serviço sujo fora feito para ajudar Aécio Neves na disputa interna com Serra pela indicação a candidato do partido a presidente.
A suposição era de que o jornal “Estado de Minas” mantinha estreita ligação com Aécio e designara seu repórter investigativo para devassar a vida de seu adversário.
O próprio Amaury Ribeiro Jr. disse que fizera os levantamentos “para proteg e r A é c i o ” , m a s e m n en h u m m o m e n t o a f i r m o u que fora designado pelo jornal para tal tarefa, apenas insinuava o vínculo.
Não bastou que o jornal e Aécio desmentissem essa hipótese, a rede de intrigas petista passou a anunciar como verdade o “fogo amigo” tucano como gerador da quebra dos sigilos fiscais.
Pois ontem a verdade veio à tona: o jornalista não estava mais trabalhando par a o “ E s t a d o d e M i n a s ” quando encomendou a quebra de sigilo dos parentes de Serra e de pessoas ligadas a ele no PSDB, e agora acusa o petista Rui Falcão, coordenador da campanha de Dilma, de ter roubado os dados de seu computador.
Esses dados, juntamente com a informação de que havia sido criado um grupo de espionagem dentro da campanha, foram vazados para a imprensa em decorrência de uma disputa de poder entre Fernando Pimentel, responsável pela contratação dessa equipe de “jornalistas investigativos” para trabalhar no “setor de inteligência” da campanha, e Rui Falcão.
Agora a Polícia Federal tem a obrigação de prosseguir nas investigações para saber quem financiou o jornalista Amaury Ribeiro Jr. desde a compra dos sigilos até que surgisse oficialmente como membro da campanha dilmista no tal “setor de inteligência”.
Do jeito que as coisas ficaram, a sensação é de que a Polícia Federal foi usada pelo governo para revelar, às vésperas do segundo turno da eleição, apenas informações que prejudicassem o campo oposicionista.
A nota indignada do diretor geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, repudiando o uso político das investigações, só pode ser considerada se a atitude da Polícia Federal corresponder a ela, o que não aconteceu até agora.
Petista, afastado da campanha, nega acusação
Petista, afastado da campanha, nega acusação
Rui Falcão diz que cabe a jornalista provar denúncia e nega ter morado em flat
O Globo
O deputado Rui Falcão foi isolado do comando, em Brasília, da campanha de Dilma Rousseff depois do escândalo do suposto dossiê, mas mantém o cargo de coordenador de comunicação.
Em nota, ele negou ontem que tenha copiado arquivos do notebook do jornalista, com informações sobre o sigilo fiscal de tucanos e de familiares do candidato à Presidência pelo PSDB.
O petista afirma que cabe a Amaury provar que as informações foram extraídas de seu computador pessoal. “Nego terminantemente — e cabe a quem acusa fazer prova — que tenha copiado dados ou arquivos do mencionado laptop do jornalista.
Tive conhecimento há meses, através da imprensa, da existência de um suposto dossiê e, quando procurado, sempre informei que a campanha não produzia dossiês, nem autorizava qualquer pessoa a fazê-lo em nome da campanha.” O parlamentar também nega que tenha residido em flat do Meliá Brasília, como afirmou Amaur y Ribeiro, ou que tivesse a chave do apartamento utilizado pelo jornalista durante suas viagens a Brasília.
“Não procedem as afirmações de que tenha residido em apart-hotel do Meliá Brasília, nem tampouco que tivesse chave de qualquer apartamento naquele local. Se, porventura, chegou a constar meu nome na recepção do hotel, não é de meu conhecimento, nem de minha responsabilidade”, conclui a nota.
Furto amigo' no PT
Furto amigo' no PT
Coordenador de campanha de Dilma é acusado por jornalista de ter furtado sigilo de tucanos
Roberto Maltchik – O Globo - BRASÍLIA
Em depoimento prestado à Polícia Federal no último dia 15 de outubro, o jornalista Amaury Ribeiro Jr., que encomendou a quebra do sigilo fiscal de tucanos e de familiares do presidenciável José Serra (PSDB), afirmou que o coordenador de comunicação da campanha da petista Dilma Rousseff, o deputado estadual Rui Falcão (PT-SP), furtou as informações sigilosas de seu computador pessoal e permitiu que os dados fossem levados para dentro da campanha petista.
O dossiê, de acordo com o jornalista, seria utilizado por um grupo de inteligência que estava em gestação na pré-campanha de Dilma.
A equipe, liderada pelo jornalista Luiz Lanzetta, foi extinta após a revelação de sua existência, no começo de junho deste ano. Rui Falcão nega as acusações.
Segundo o depoimento de Amaury, o material foi copiado por Rui Falcão em um flat no hotel Meliá Brasília, um dos mais luxuosos da capital. Ainda de acordo com o jornalista, Rui Falcão tinha a chave do quarto, pois ele já teria utilizado o mesmo apartamento antes
Dono do imóvel trabalha no comitê
Amaury estava hospedado no quarto 1419, cujo proprietário é Jorge Luis Siqueira, funcionário da empresa Pepper, que presta serviços à campanha eleitoral de Dilma. A campanha da petista argumenta, porém, que Jorge não trabalha para a candidata, mas para “uma empresa que presta serviços ao comitê”.
Amaury afirma, no depoimento, “ter certeza de que tal material foi copiado por Rui Falcão, pois somente ele tinha a chave do citado apartamento, pois já havia residido no mesmo, tendo o declarante verificado que o nome de Rui Falcão constava da portaria do hotel como sendo o ocupante daquela unidade”.
Amaury também afirmou que “nunca entregou tal material a qualquer pessoa e acredita, com veemência, que o mesmo foi copiado de seu notebook, quando ocupava um apartamento do hotel, de propriedade de Jorge, cujo sobrenome não se recorda, mas esclarece ser o responsável pela administração dos gastos da casa do Lago Sul e da campanha de Dilma Rousseff.”
Funcionário de jornal pagou passagens
Em agosto e setembro, Amaury negou, em dois depoimentos à PF, que tivesse violado os dados fiscais de quaisquer contribuintes.
No entanto, após ser confrontado com o depoimento do despachante Dirceu Garcia, intermediário de Amaury na Receita Federal em São Paulo, revelou os detalhes de sua versão para a ação ilegal. Ele afirmou que levantou informações do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, e de outros tucanos e familiares de Serra, entre eles a filha Verônica, como parte de uma investigação de “mais de dez anos”, que foi concluída antes de ele pedir demissão do jornal “Estado de Minas”, em 15 de outubro de 2009.
No período em que os dados sigilosos foram violados, Amaury gozava férias e teve suas passagens pagas, segundo o “Jornal Nacional”, da Rede Globo, por Marcelo Augusto Oliveira, funcionário do jornal mineiro. As passagens foram faturadas pela agência de viagens Primus, que presta serviços ao “Estado de Minas”.
Na época em que o grupo de arapongagem estava sendo montado na pré-campanha de Dilma, Rui Falcão e o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT) travavam uma batalha por poder no núcleo da campanha. Rui Falcão é sócio da Marka, empresa que presta serviços à campanha no estado de São Paulo.
Questionado sobre o conflito no QG de Dilma, Pimentel informou, via assessoria, que o assunto já surgiu em outro momento da campanha e negou rusgas com Rui Falcão. Ele acrescentou desconhecer o relacionamento de Amaury e Luiz Lanzetta com o deputado paulista.
No depoimento, Amaury relata ainda que ouviu de Luiz Lanzetta o relato sobre uma dura conversa com um representante da Marka.
Lanzetta desconfiava que informações sigilosas da campanha de Dilma estavam sendo levadas à imprensa, num típico caso de “fogo amigo”.
Amaury Ribeiro Jr. ainda relatou aos investigadores que ficou sabendo que as informações extraídas ilegalmente do Fisco a mando dele foram parar nas mãos dos petistas por meio de um repórter da revista “Veja”. Na conversa com o colega, o jornalista teria sido informado de que “um novo grupo de aloprados” estava sendo montado no PT e que Amaur y faria parte de tal grupo de inteligência.
A PF já decidiu indiciar Amaury pela violação do sigilo fiscal dos tucanos, além dos contadores e despachantes que participaram do esquema.
Nunca entregou tal material a qualquer pessoa e acredita, com veemência, que o mesmo foi copiado de seu notebook, quando ocupava um apartamento do hotel, de propriedade de Jorge, cujo sobrenome não se recorda, mas esclarece ser o responsável pela administração dos gastos da casa do Lago Sul e da campanha de Dilma Rousseff Trecho do depoimento de Amaury Ribeiro Jr. à Polícia Federal.
Nego terminantemente — e cabe a quem acusa fazer prova — que tenha copiado dados ou arquivos do mencionado laptop do jornalista Deputado Rui Falcão (PT-SP)
Programa do PT exibe imagens do SBT
Programa do PT exibe imagens do SBT
Propaganda de Serra mostra agressão no Rio e a de Dilma ridiculariza o fato
Cristiane Jungblut
BRASÍLIA. A propaganda eleitoral gratuita da candidata petista, Dilma Rousseff, exibida na noite de ontem, utilizou imagens de reportagem exibida pelo SBT para ridicularizar a agressão sofrida pelo tucano José Serra no Rio. Foram mostradas cenas em que Serra é atingido por uma bola de papel, e o locutor diz que ele mentiu: — Para simular uma agressão que não aconteceu. Ele foi atingido por uma bolinha de papel, nada mais — afirma o locutor, acrescentando que Serra recebeu um “misterioso telefonema” e só depois levou a mão à cabeça, mas do lado contrário ao que a bola de papel teria atingido.
A agressão foi exibida também pelo programa do PSDB.
Foram mostradas cenas da confusão e de Serra com as mãos na cabeça, depois de ser atingido por um outro objeto, que não a bola de papel. Na sequência, foram exibidas imagens do ex-governador de São Paulo Mário Covas (PSDB), que em 2000 foi agredido por manifestantes em Diadema (SP). O programa mostra um discurso do então deputado José Dirceu, naquele ano, instando professores contra Covas: — Porque eles têm que apanhar nas ruas e nas urnas — diz Dirceu, no vídeo.
Uma locutora afirma que o tucano foi agredido no Rio por militantes do PT e de Dilma: — A violência começou depois do aparecimento de manifestantes do PT e mais cabos eleitorais de Dilma. Os brasileiros lutaram muito para reconquistar a democracia. É inaceitável o que aconteceu nesta quartafeira, no Rio. O pior e mais grave é a repetição de um comportamento que não cabe na democracia.
É essa a democracia que você quer para o Brasil? Os tucanos exploraram ainda denúncias contra Valter Cardeal, dirigente da Eletrobras ligado à Dilma: “Zé Dirceu, Erenice Guerra, Valter Cardeal. Dilma: o Brasil não merece isso”.
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