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sexta-feira, outubro 08, 2010
Baixos níveis de testosterona são ligados a Alzheimer
Baixos níveis de testosterona são ligados a Alzheimer
DAS AGÊNCIAS INTERNACIONAIS- Baixos níveis do hormônio masculino testosterona podem estar associados com uma predisposição ao Alzheimer, diz estudo da Universidade de Hong Kong em parceria com a Universidade de Saint Louis, nos EUA.
Foram analisados na pesquisa os níveis do hormônio em 153 chineses com mais de 55 anos e sem sinais de demência. Do total de voluntários, 47 tinham queixas de perda de memória e dificuldade na clareza de pensamento.
Em um ano, dez homens desse grupo apresentaram os primeiros sintomas de Alzheimer. Os mesmos voluntários tiveram baixos níveis de testosterona e altos níveis de uma proteína relacionada com o maior risco da doença.
O estudo saiu no "Journal of Alzheimer's Disease".
Para os pesquisadores, a conclusão mostra que a falta do hormônio pode ser considerada um fator de risco.
A medida que o homem envelhece os níveis de Testosterona (hormônio masculino) e o Sulfato de Dehidroepiandrosterona (S-DHEA) vão progressivamente diminuído. A Testosterona sofre uma queda em seus níveis sangüíneos a uma perda de cerca de 1% ao ano até chegar ao nível abaixo do limite inferior, ainda que dentro da faixa normal.
A Andropausa ao contrário que ocorre com as mulheres, não traz o fim da fertilidade para o homem, porem passa haver uma redução dela devido a uma menor produção de espermatozóides.
Também como nas mulheres, por volta dos 35-40 anos o homem também passa a ter uma maior predisposição para engordar e com a Andropausa essa tendência se agrava e esteticamente alguns homens passam também a apresentar perda de massa muscular, agora pela falta de atividade física e/ou exercícios e pela deficiência do hormônio masculino.
O desejo sexual já não é mais o mesmo de antes, a qualidade da ereção do pênis torna-se insatisfatória, sua vida sexual passa também a refletir na sua disposição mental e para o trabalho.
Atualmente, a reposição de hormônio masculino se tornou muito mais segura devido a novas formas de administração (em adesivos, gel através da pele,etc) e composição química, associada a administração do DHEA, minerais, oligoelementos, vitaminas, "smart-drugs", antioxidantes e aminoácidos, que juntos irão prevenir ou reestruturar o organismo do homem.
O déficit de Testosterona no cérebro leva-o a constantes episódios depressivos, sua vitalidade a cada dia se reduz.
quinta-feira, outubro 07, 2010
Células de gordura crescem por toda a vida
Células de gordura crescem por toda a vida
O Globo - Ciência
Estudo mostra que o ganho de apenas 1,6 quilo produz cerca de 2,6 bilhões de adipócitos
WASHINGTON. A quantidade de células de gordura do corpo não é definida na infância e na adolescência, como se acreditava. É o que mostra uma nova pesquisa realizada por uma equipe liderada pelo médico Michael Jensen, da Clínica Mayo, nos Estados Unidos.
Segundo o estudo, publicado na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences”, estas células se multiplicam cada vez que um adulto ganha peso.
O estudo foi feito com 28 voluntários, homens e mulheres, magros e saudáveis que, por um determinado período, fizeram uma dieta hipercalórica riquíssima em açúcar. A medida que engordavam, ocorreu um acúmulo de novas células de gordura em determinadas partes do corpo, principalmente na barriga e nos quadris.
Antes, acreditava-se que as células gordurosas em adultos apenas diminuíam ou aumentavam de tamanho.
Agora os cientistas querem entender por que o ganho de peso na área dos quadris não é tão perigoso quanto o da região abdominal.
Jensen explica que o perigo do excesso de peso é que os adipócitos não são apenas depósitos de gordura. Eles produzem hormônios e outras substâncias importantes para a saúde. Mas, em desequilíbrio, podem elevar o risco de diabetes, doenças cardiovasculares e certos tipos de câncer.
— A gordura das pernas parece ter uma função protetora — afirma o pesquisador.
Durante dois meses, os participantes aceitaram comer bem mais do que estavam acostumados. A dieta foi enriquecida com milk-shakes, chocolate e bebidas energéticas.
Nesse período, a maioria engordou cerca de 3,5 quilos, 2 quilos na barriga e 1,5 nos quadris. Um ganho de peso de apenas 1,6 quilo resulta na criação de cerca de 2,6 bilhões de células de gordura.
Os resultados surpreenderam o médico e sua equipe, que esperavam que as mulheres engordassem nos quadris e os homens na barriga: — Percebemos que ambos os sexos engordaram nas mesmas regiões de forma igual.
O próximo passo é descobrir os fatores genéticos e ambientais que estimulam a produção de gordura nestas duas áreas do corpo.
— A maioria de nós tem problemas quando ganha peso. E não o perdemos facilmente — explicou Jensen.
Mais de dois terços da população americana estão com sobrepeso ou obesos. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, as populações de países desenvolvidos estão engordando rapidamente.
sexta-feira, setembro 17, 2010
Um novo sucesso recupera as esperanças na terapia genética
Um novo sucesso recupera as esperanças na terapia genética
Emilio de Benito - Em Madri (Espanha) – El País
A terapia genética demora a ganhar credibilidade. Em 20 anos, houve apenas um caso de sucesso - na Alemanha em 2006, com uma rara doença do sangue. Por isso a notícia de que funcionou outra vez é um sopro de ar fresco para os milhares de pesquisadores - e milhões de pacientes - que esperam que nela esteja a solução para muitas doenças. Desta vez a boa notícia vem de Harvard, e é a cura de um jovem de 18 anos que tem talassemia beta, uma anemia de causa genética, que conseguiu passar 21 meses sem precisar de transfusões. O processo foi tentado dezenas de vezes e não funcionou. Trata-se de introduzir um gene nas células hematopoiéticas (as que geram os glóbulos vermelhos do sangue) para que produzam hemácias saudáveis.
Para tanto, células doentes foram extraídas da medula óssea do paciente e cultivadas junto a um vírus que tinha o gene necessário. Ao produzir-se a infecção, o microrganismo transfere seu material genético para as células-tronco do sistema sanguíneo, e com isso estas adquirem as instruções para fabricar glóbulos vermelhos que funcionem. Concretamente, a informação que se colocou foi a necessária para produzir uma proteína, a betaglobulina, chave para levar oxigênio aos tecidos. Depois essas células foram injetadas no paciente para colonizar a medula e produzir glóbulos vermelhos.
Esse passo não é novo, já que é semelhante ao que se faz nos transplantes de medula óssea. Dentro desse protocolo conhecido existe uma etapa anterior, de submeter o paciente a uma intensa sessão de quimioterapia. Nesse caso, procura-se que as células defeituosas da medula óssea sejam destruídas. Dessa maneira, quando se injeta o material geneticamente modificado não encontra concorrência.
O trabalho consolida uma linha de pesquisa na qual os cientistas tiveram até agora mais más notícias que boas. E é uma chamada de esperança para os pacientes. Essa doença só pode ser tratada com um transplante de medula, o que se choca com a falta de doadores compatíveis, ou, sendo mais radical, evitá-la com um diagnóstico pré-implantacional que descarte os embriões afetados pela anomalia.
O teste só funcionou em um dos dois pacientes que o iniciaram (a talassemia beta é uma enfermidade rara, e calcula-se que afete cerca de 1 mil pessoas nos EUA e uma centena na Espanha, por isso encontrar voluntários é muito difícil). Um deles abandonou o teste porque as células tratadas não conseguiram se implantar; o outro, que começou o tratamento em 2007, precisou da última transfusão em junho de 2008. Desde então é seu próprio organismo que se encarrega de produzir os glóbulos vermelhos de que necessita.
Os pesquisadores destacam um dos aspectos que mais preocupam nesse tipo de terapia: como os genes são implantados ao acaso (quem faz isso é o vírus, de uma maneira não dirigida), não há um controle sobre outro fator: o que regula o número de cópias do gene ou o número de vezes que atua. Em outros casos de terapia genética, como o famoso em que se tentou tratar crianças-bolhas nos anos 1990, o gene saudável - o que solucionava o defeito em seu sistema imunológico - foi introduzido em uma área onde havia oncogenes, e os tumores que apareceram obrigaram a suspendê-lo.
Desta vez também se viu que há um certo grau de atuação excessiva, a etapa anterior a um câncer. Isso pode ter ajudado, no princípio, a fazer a terapia funcionar (mais glóbulos vermelhos são produzidos), mas tem o risco potencial de derivar em câncer. Por isso os pesquisadores afirmam que há necessidade de mais testes.
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
quinta-feira, setembro 16, 2010
Ciência comprova: rosto atrai mais homens que corpo da mulher
Ciência comprova: rosto atrai mais homens que corpo da mulher
Portal Terra - 15 de setembro de 2010 • 10h53 • atualizado às 12h26
Ao contrário do que se costuma pensar, os homens são mais atraídos pelo rosto do que pelo corpo das mulheres, pelo menos em uma primeira olhada. Isto é o que afirmam pesquisadores da Universidade do Texas em estudo publicado na edição de setembro da revista Evolution and Human Behavior. Segundo os pesquisadores, no total, 61% dos homens e 69% das mulheres que participaram do estudo olharam primeiro o rosto do indivíduo que lhes era apresentado como possível parceiro.
Neste estudo também, os pesquisadores afirmam que os homens olham o corpo ou o rosto de uma mulher de acordo com o que eles pretendem com ela. De acordo com o estudo que discute as motivações evolutivas do namoro, se o homem vê a mulher como uma aventura de curta duração, seu interesse vai recair sobre o corpo desta e se ele a percebe como uma possível amante de longa duração, o rosto vai ser o seu primeiro foco.
Os resultados desta pesquisa, segundo explicou ao site Live Science o co-autor Jaime Confer, pós-graduando em psicologia, podem refletir diretrizes evolutivas dos homens. O estudo aponta que os homens que queiram uma aventura podem ser inconscientemente levados a olhar diretamente para a cintura de uma mulher, para julgar o seu "grau de fecundidade". Os homens que procuram parceiras de longo prazo, por outro lado, podem ser levados a se interessar mais pelo rosto em busca de pistas do potencial reprodutivo no futuro.
Corpo ou rosto?
Estudos anteriores constataram que um rosto de mulher reflete sua juventude e saúde, o que podem significar sua capacidade reprodutiva futura. Rugas podem sugerir que ela tem poucos alguns anos para engravidar, por exemplo. O corpo, por outro lado, traz dicas do quão fértil a mulher é no momento. A relação cintura-quadril pode sinalizar se a mulher já estiver grávida e talvez até mesmo se ela está ovulando, de acordo com pesquisas anteriores.
Confer e seus colegas realizaram testes com 192 homens e 183 mulheres, todos heterossexuais, pedindo que estes considerassem o estabelecimento de um curto ou um longo relacionamento. Aos participantes, os pesquisadores mostraram imagens de um parceiro em potencial, com caixas cobrindo a cabeça e o corpo vestido. Eles poderiam optar por remover a caixa que cobria a cabeça ou a caixa que cobria o corpo, mas não ambos.
No total, 61% dos homens e 69% das mulheres optaram por ver o rosto do indivíduo. Mas entre os homens que se declararam estavar pensando a curto prazo, o interesse em ver o rosto da mulher se mostrou consideravelmente menor. Destes, 52% optaram por ver o corpo. Nos testes feitos escolhendo homens ao acaso, 39,5% olharam primeiro para o corpo da mulher.
Quando só os os homens que afirmavam considerar uma relação de longo prazo foram testados, 68% olharam primeiro para o rosto da mulher.
Quanto às mulheres, eles preferiram olhar para o rosto do homem, independentemente do tipo de relação, relataram os pesquisadores.
quarta-feira, setembro 15, 2010
Exame de sangue pode detectar Alzheimer
Exame de sangue pode detectar Alzheimer
Correio do Brasil - 14/9/2010 11:25
Um exame de sangue simples pode ser capaz de diagnosticar o mal de Alzheimer, disseram pesquisadores dos Estados Unidos nesta segunda-feira, numa descoberta que pode ampliar a detecção da doença.
O mal de Alzheimer, a forma de demência mais comum que existe, afeta pelo menos 26 milhões de pessoas no mundo todo. Não há cura, mas o tratamento paliativo apresenta melhores resultados se for iniciado prematuramente.
Outras equipes já haviam descoberto um diagnóstico precoce a partir do fluido vertebral, o que exige uma punção na coluna, procedimento que pode ser doloroso. Além disso, empresas especializadas em diagnóstico por imagem estão concluindo os testes de novos agentes capazes de tornar as placas (lesões) cerebrais visíveis em tomografias, um recurso disponível apenas em centros especializados.
Um exame de sangue tornaria o diagnóstico muito mais simples, segundo Sid O’Bryant, do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Texas Tech, em Lubbock.
– Um exame sanguíneo abre acesso a todos. Qualquer clínica pode fazer isso. Até mesmo enfermeiras de cuidados domésticos podem fazer –, disse O’Bryant, cujas conclusões foram publicadas na revista Archives of Neurology.
A doença atualmente é diagnosticada pelos sintomas, e só pode ser confirmada por exames cerebrais após a morte.
Segundo O’Bryant, tentativas anteriores de fazer diagnósticos do mal de Alzheimer pelo sangue se mostraram falhas.
O novo exame busca mais de cem proteínas e combina isso com informações sobre os pacientes, inclusive se eles são portadores de um gene de risco para o Alzheimer, chamado APOE4. Uma análise informatizada então estabelece o grau de risco do paciente.
– Nossa taxa geral de sucesso em detectar portadores do mal de Alzheimer é de%. Mas o acerto total em classificar os que não têm o mal de Alzheimer é de 84% –, disse o cientista.
O próximo passo será ver se o teste pode prever quem irá desenvolver o Alzheimer. O teste do fluido vertebral parece ser capaz de fazer isso.
Um outro estudo na mesma publicação, liderado por David Geldmacher, do Sistema de Saúde da Universidade da Virginia, avaliou se o medicamento pioglitazone, usado contra diabetes, pode combater a inflamação que causa a morte de células cerebrais em pacientes com Alzheimer.
Geldmacher alertou que ainda é preciso aprofundar o estudo, e que pesquisas mais amplas com drogas da mesma classe não confirmaram nenhum benefício na terapia do mal de Alzheimer.
segunda-feira, setembro 13, 2010
Quão hereditária é a inteligência? Estudos mostram que a criação é tão importante quanto a natureza
Quão hereditária é a inteligência? Estudos mostram que a criação é tão importante quanto a natureza
By Joerg Blech – 12/09/2010 – Der Spiegel
Pesquisadores há muito superestimavam o papel dos nossos gentes na inteligência. Mas descobriram que nossas capacidades cognitivas não dependem da etnia, e são bem mais maleáveis do que se supunha. O incentivo focalizado pode ajudar as crianças de famílias com dificuldades sociais a fazerem usarem melhor o seu potencial.
Eric Turkheimer faz piada sobre as pessoas que acreditam que apenas as influências ambientais determinam o caráter de uma pessoa: “Elas logo mudam de ideia quando têm um segundo filho”, diz ele. Ele próprio, que é pai, fala a partir da experiência. Sua filha mais velha gosta de ser o centro das atenções, enquanto a irmã é tímida e mais reticente na escola.
Mesmo assim, Turkheimer duvida que apenas a genética possa fornecer a resposta completa. Como psicólogo clínico da Universidade da Virgínia em Charlottesville, ele encontrou várias pessoas cuja infância não foi tão tranquila quanto a de suas filhas. Muitos de seus pacientes vêm de famílias pobres.
“Pode observar como a pobreza havia literalmente suprimido a inteligência dessas pessoas”, diz Turkheimer, de 56 anos.
Os cientistas normalmente usam gêmeos para aferir a influência dos genes por um lado e do ambiente pelo outro. Apesar disso, Turkheimer percebeu que esses estudos raramente envolvem gêmeos de lares problemáticos. O estresse, a negligência e o abuso podem ter um efeito dramático sobre a habilidade intelectual. E é exatamente esse fator que muitos estudos de natureza versus criação falham totalmente em abordar.
Preenchendo a lacuna
Turkheimer e seus colegas são os primeiros cientistas que preencheram essa lacuna. Seus três estudos feitos nos Estados Unidos sobre o assunto compararam a inteligência de centenas de gêmeos de contextos mais privilegiados com aqueles vindos de ambientes mais problemáticos Eles descobriram que quanto mais alta a situação socioeconômica da criança, maior era a influência genética na diferença de inteligência. A situação é muito diferente nas famílias mais desavantajadas socialmente, onde as diferenças em inteligência eram dificilmente herdadas.
“O QI dos gêmeos mais pobres parecia ser quase exclusivamente determinado pela sua situação socioeconômica”, diz Turkheimer. A inteligência de uma pessoa só pode de fato florescer se o ambiente dá ao cérebro o que ele deseja.
Ulman Lindenberger, psicólogo de 49 anos no Instituto Max Planck de Pesquisa em Educação em Berlim, chegou à mesma conclusão. Segundo ele, “a proporção dos fatores genéticos na diferença de inteligência depende do quanto o ambiente em que a pessoa vive a permite realizar seu potencial genético.” Em outras palavras: sementes jogadas em solo infértil nunca se tornam árvores frondosas.
É exatamente isso que os pesquisadores da inteligência negavam até agora. Impressionados com seus estudos de gêmeos de classe-média e classe média-alta sem dificuldades, eles decidiram que as habilidades cognitivas estão em grande parte sob controle da genética, que o talento acadêmico é biologicamente determinado e pode se desenvolver em quase qualquer ambiente.
“A inteligência é altamente modificável pelo ambiente”
Enquanto isso, psicólogos, neurocientistas e geneticistas desenvolveram uma perspectiva bem diferente. Eles agora acreditam que a habilidade que chamamos de “inteligência” não é nem um pouco fixa, mas na verdade altamente variável. “Agora ficou claro que a inteligência é altamente modificável pelo ambiente”, diz Richard Nisbett, psicólogo da Universidade de Michigan em Ann Arbor.
Como resultado, nos últimos anos os pesquisadores reduziram suas estimativas sobre a influência que a genética tem sobre as diferenças na inteligência. O antigo número de 80% é ultrapassado. Nisbett diz que se você leva as diferenças sociais em conta, você descobrirá “que a contribuição da genética é no máximo de 50%”. Isso deixa uma proporção inesperadamente grande da inteligência de uma criança para ser moldada pelos pais, professores e educadores.
As descobertas com certeza deixarão contentes os pais que já enviaram seus filhos para boas escolas, os levam a aulas de violino à tarde, e os arrastam para museus nos finais de semana. “Então você não perdeu seu tempo, dinheiro e paciência com seus filhos afinal de contas”, diz Nisbett.
De tempos em tempos os pesquisadores descobrem que os genes de uma criança têm menos influência sobre o seu cérebro do que o ambiente – e o ambiente social é um dos fatores nisso. Cientistas de Boston, por exemplo, descobriram que as crianças que vivem perto de estradas e cruzamentos e são expostas a niveis mais altos de fumaça de exaustores têm QI três pontos menor do que as crianças da mesma idade que vivem em áreas com ar mais limpo. Isso acontece simplesmente porque a poeira microscópica e os poluentes podem chegar ao cérebro e afetar a capacidade das células nervosas de funcionar de forma adequada.
De forma parecida com a exposição aos poluentes, as crianças também sofrem mais como resultado de pressão mental, miséria, preocupação e negligência. O estresse crônico altera a forma como os neurotransmissores funcionam, inibem a formação de células nervosas e fazem com que o hipocampo se contraia.
Isso pode levar a diferenças identificáveis, como mostraram pesquisadores da Universidade de Cornell em Ithaca, Nova York. Eles descobriram que crianças estressadas de famílias pobres tiveram atuações até 10% piores em testes de memória do que crianças bem cuidadas de lares de classe média.
QI aumenta a cada ano de escola
Ao contrário, o QI aumenta a cada ano que a criança passa na escola. Durante a 2ª Guerra Mundial, algumas crianças na Holanda entraram mais tarde na escola por causa da ocupação nazista – com consequências significativas. “A média de QI dessas crianças foi de sete pontos a menos do das crianças que chegaram à idade escolar depois da ocupação”, diz Nisbett.
Oportunidades desiguais de educação eram e continuam sendo particularmente prevalentes nos Estados Unidos. A sociedade norte-americana negava a educação aos escravos negros, e impedia que eles tivessem acesso a livros. Mas as raças continuaram divididas mesmo depois da abolição da escravidão em 1865. Durante muito tempo, crianças negras frequentaram escolas especiais que tinham instalações terríveis. Então não é muito surpreendente que elas tenham ficado atrás quando finalmente tiveram acesso às escolas públicas que antes eram reservadas para crianças brancas.
Acadêmicos brancos dos EUA tentaram várias vezes afirmar que as diferenças de performance eram geneticamente determinadas. Nos anos 60, o psicólogo Arthur Jensen da Universidade da Califórnia em Berkeley se perguntou por que tantos alunos fracos eram negros. Como alguém podia negar que sua pouca inteligência era uma característica étnica, argumentou Jensen. Ele concluiu portanto que não havia motivo para tentar encorajar as crianças de grupos socialmente desavantajados desde pequenas.
O livro controverso “The Bell Curve” foi publicado em 1994. Seus autores, Richard Herrnstein e Charles Murray, alertaram contra facilitar o acesso às universidades para as minorias étnicas.
Um experimento não planejado na Alemanha
Esta é a linha de raciocínio que Thilo Sarrazin, membro do banco central da Alemanha, adotou recentemente ao sugerir provocativamente que os filhos de imigrantes turcos eram geneticamente menos aptos do que as crianças alemãs.
Apesar das declarações de Sarrazin, um experimento não planejado que aconteceu na Alemanha mostrou há muito tempo que a cor da pele não tinha influência sobre a inteligência. Depois da 2ª Guerra Mundial, muitos norte-americanos tiveram filhos com mulheres alemãs. Essas crianças com duas nacionalidades foram chamadas de “bebês da ocupação”. Algumas delas tinham pais norte-americanos de pele clara, e outras de pele escura. Em comparação com os Estados Unidos, isso não teve nenhuma influência em sua performance na escola.
Em 1961, Klaus Eyferth do Instituto de Psicologia da Universidade de Hamburgo viu isso como uma oportunidade única para descobrir as “características do desenvolvimento de crianças (birraciais)” ao compará-las com os “bebês da ocupação branca”. Eyferth fez testes de inteligência com 264 crianças e adolescentes, 181 de pele negra, 83 de pele branca. As crianças com pais brancos tiveram um QI médio de 97 pontos, as com pais negros, 96,5, valores tão próximos estatisticamente que negaram a noção de “características de desenvolvimento.”
Centenas de milhares de genes atuam nas habilidades cognitivas
A moderna pesquisa em genética mostra que não há nada parecido com uma fonte biológica da inteligência composta por um gene ou uma série de “genes da inteligência”. Aparentemente há centenas – se não milhares – de gentes responsáveis por determinar nossas habilidades cognitivas.
A capacidade de uma pessoa usar seu potencial genético pode de fato ser influenciada, especialmente se a pessoa é assistida e permite que os outros ajudem. O pesquisador da educação Anders Ericsson já mostrou que os mestres da música, por exemplo, não nascem assim. Estudando violinistas de Berlim, ele descobriu que nenhum que praticou menos de 10 mil horas havia se tornado um virtuose. Por outro lado, quase todos que praticaram por mais de 10 mil horas, se tornaram os principais violinistas aos 20 anos.
A analogia não serve só para os músicos. As noções de “gênio do xadrez” ou “gênio da matemática” são também meras metáforas que não têm nenhuma base biológica.
É verdade que de tempos em tempos se observa que as crianças de vários países da Ásia são bem melhores em cálculo do que as crianças no ocidente. Mas isso não tem nada a ver com genética – e tudo a ver com as atitudes. Em uma pesquisa, estudantes do Japão e do Canadá receberam tarefas matemáticas. Não importa como eles se saíram, os pesquisadores disseram a um grupo que eles tinham ido muito bem. Os outros foram informados que fracassaram totalmente. Os cientistas então deram outro conjunto de tarefas para os estudantes, e disseram que eles poderiam tomar o tempo que quisessem.
As reações dos estudantes mostraram diferenças culturais notáveis. Os canadenses eram aparentemente motivados pelo sucesso. Aqueles que foram informados que tinham ido bem no primeiro teste ficaram bem mais tempo fazendo a segunda tarefa do que os colegas canadenses que acreditaram que tinham ido muito mal na primeira rodada. Os japoneses se comportaram de forma bem diferente. Os que tiveram uma nota ruim no primeiro teste trabalharam por mais tempo e com mais diligência do que os que haviam sido elogiados. Parece, portanto, que a noção de fracasso os motivou.
Habilidades cognitivas são reflexo do ambiente
Os números não são a única coisa que você pode ensinar a partir da prática. O mesmo vale para as palavras. O vocabulário de uma pessoa é uma expressão do quanto seus pais e pessoas próximas falavam com ela quanto criança. De acordo com estudos feitos nos EUA, uma criança já ouviu cerca de 30 milhões de palavras até a idade de três anos. O número para crianças desavantajadas é de apenas 20 milhões. Isso portanto afeta seu vocabulário. A média das crianças de três anos de classe média sabe usar 1.100 palavras, enquanto crianças de famílias mais pobres só têm apenas 525 palavras à sua disposição.
As novas descobertas dos pesquisadores da inteligência apontam todas para a mesma direção: nossas habilidades cognitivas são um reflexo de nosso ambiente. “O QI baixo esperado de crianças filhas de pais de classe baixa pode ser aumentado se seu ambiente for suficientemente rico cognitivamente”, diz o psicólogo Nisbett.
As possibilidades práticas foram exploradas pelos psicólogos Sharon Landesman Ramey e Craig Ramey da Universidade de Georgetown em Washington, DC. Os Ramey usaram como sujeitos crianças filhas de pais extremamente pobres e com pouca educação formal. Num projeto, as crianças passavam os dias num berçário especial no qual havia um professor para cada criança e onde as tarefas recebiam um incentivo especial desde a idade de seis semanas.
Depois de três anos, essas crianças foram comparadas com as de um grupo de controle. O QI médio de meninos e meninas era de impressionantes 13 pontos a mais do que de crianças da mesma idade que não tinham recebido atenção especial.
Tradução: Eloise De Vylder
sexta-feira, setembro 10, 2010
Coquetel de vitamina B pode 'retardar' Alzheimer, diz estudo
Coquetel de vitamina B pode 'retardar' Alzheimer, diz estudo
BBC Brasil – Ciência e Saúde
Um estudo britânico sugere que altas doses de vitaminas B podem reduzir pela metade o ritmo do encolhimento do cérebro em pessoas com alguns sinais de Alzheimer.
O encolhimento do cérebro é um dos sintomas da debilidade cognitiva leve que pode ser um dos indicadores iniciais de demência.
Os pesquisadores da Universidade de Oxford, na Grã-Bretanha, afirmam que a descoberta pode ser um passo importante na busca por formas de retardar os efeitos do Alzheimer.
De acordo com especialistas, o resultado da pesquisa é importante, mas são necessários mais estudos.
FOTO: Exame mostra cérebro de paciente com Alzheimer encolhendo
Declínio mental
A pesquisa, publicada na revista especializada Public Library of Science One, avaliou 168 pacientes que sofriam, em algum nível, do declínio mental conhecido como debilidade cognitiva leve.
A condição - marcada por pequenos lapsos de memória e problemas de linguagem - vai além do que é considerado “normal” no processo de envelhecimento e pode ser um indicativo do desenvolvimento de Alzheimer ou outras formas de demência.
Metade dos voluntários recebeu um comprimido diário contendo níveis de ácido fólico, vitamina B6 e B12 acima da dose diária recomendada. A outra metade recebeu um placebo.
Depois de dois anos, os pesquisadores mediram o ritmo de encolhimento do cérebro dos pacientes.
O cérebro de uma pessoa com mais de 60 anos encolhe, em média, a um ritmo de 0,5% ao ano. O cérebro das pessoas que sofrem de debilidade cognitiva leve encolhe a um ritmo duas vezes mais rápido. Nos pacientes de Alzheimer, este ritmo chega a 2,5% ao ano.
A equipe de pesquisadores de Oxford concluiu que, em média, o encolhimento do cérebro dos pacientes que tomaram o complemento vitamínico ocorreu a um ritmo 30% mais lento.
Em alguns casos, este ritmo chegou a ser mais do que 50% mais lento, fazendo com que sua atrofia cerebral fosse equivalente a de uma pessoa sem qualquer debilidade cognitiva.
‘Protegendo o cérebro’
Algumas vitaminas B – ácido fólico, vitamina B6 e B12 – controlam os níveis da substância conhecida com homocisteína no sangue. Altos níveis de homocisteína são associados ao encolhimento mais rápido do cérebro e ao Alzheimer.
Os autores do estudo sugerem que os efeitos da vitamina B sobre os níveis de homocisteína ajudaram a reduzir o ritmo de encolhimento do cérebro.
Segundo o autor do estudo, David Smith, os resultados foram mais significativos do que os cientistas esperavam.
“É um efeito maior do que o previsto”, disse ele.
“Essas vitaminas estão fazendo algo pela estrutura do cérebro – estão protegendo-a, e isso é muito importante porque precisamos proteger o cérebro para evitar o Alzheimer.”
Smith afirmou, no entanto, que são necessárias mais pesquisas para determinar se as altas doses de vitamina B realmente evitam o desenvolvimento de Alzheimer em pacientes com debilidade cognitiva leve.
As vitaminas B são encontradas normalmente em vários alimentos, inclusive carne, peixe, ovos e verduras.
Especialistas, no entanto, afirmam que ninguém deve sair tomando doses mais altas do que as recomendadas depois deste estudo, já que também há outros riscos para a saúde.
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