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sábado, outubro 16, 2010

Datafolha: vantagem de Dilma é de 6 pontos

Datafolha: vantagem de Dilma é de 6 pontos
Em relação à pesquisa anterior, petista caiu um ponto, e tucano ficou estável; nos votos válidos, diferença é de 8 pontos
Cristiane Jungblut e Regina Alvarez – O Globo
 BRASÍLIA. O Datafolha divulgou ontem nova pesquisa de intenção de voto no segundo turno da disputa presidencial, que indica uma diferença de seis pontos percentuais entre a petista Dilma Rousseff e o tucano José Serra. Dilma, que aparece com 47% das intenções de voto, caiu um ponto percentual em relação à sondagem anterior do Datafolha, divulgada dia 9, enquanto o candidato tucano mantém os mesmos 41%.
O índice de votos nulos e em branco se manteve em 4%, e o de indecisos foi de 7% a 8%. Considerando-se os votos válidos (sem nulos, em branco e indecisos), os percentuais não mudam em relação à pesquisa anterior.
Dilma mantém 54%, e Serra, 46%, diferença de oito pontos.
Campanha do PT recebe com certo alívio dados da pesquisa A pesquisa, divulgada pelo “Jornal Nacional”, foi encomendada pela Rede Globo e pelo jornal “Folha de S. Paulo”.
Foram entrevistados 3.281 eleitores em todo o país, nos dias 14 e 15. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou menos.
A campanha de Dilma recebeu com certo alívio os dados da pesquisa, interpretados como uma indicação de que a sangria de votos da candidata parou. Mas o alerta no comando permanece. A avaliação é que a disputa está acirrada.
O líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), disse que Dilma está com uma situação consolidada: — O Datafolha mostrou o mesmo resultado, e isso significa que a situação está consolidada.
Não adianta o Serra baixar o nível e agredir a Dilma, que isso não resolveu. O povo está reconhecendo que a Dilma é que pode consolidar e aprofundar as conquistas do governo Lula — disse Vaccarezza, negando que Dilma tenha ficado agressiva: — Ela não foi agressiva, ela colocou os pingos nos “is”.
Para tucanos, há tendência de crescimento de Serra Segundo o presidente do PT, José Eduardo Dutra, as pesquisas internas da campanha, encomendadas ao Ibope e ao Vox Populi, indicam uma retomada do crescimento da candidata.
Já na campanha de Serra, o discurso é que ele tem crescido em todas as regiões. O presidente do PSDB, Sérgio Guerra, disse que há uma tendência de crescimento de Serra e que, no primeiro turno, os institutos de pesquisa demoraram a captar as mudanças no eleitorado.
— A tendência é de crescimento, e ele (Serra) cresceu em todas as cidades, menos uma, das pesquisadas. Nas nossas pesquisas, já não estamos atrás. E, no primeiro turno, também foi assim — disse.
COLABOROU Maria Lima

segunda-feira, outubro 11, 2010

Fantasmas eleitorais

Fantasmas eleitorais
FERNANDO DE BARROS E SILVA – FOLHA DE SÃO PAULO
SÃO PAULO - Em 2006, a primeira pesquisa Datafolha realizada no segundo turno mostrava Lula com oito pontos de vantagem sobre Geraldo Alckmin -54% a 46% dos votos válidos. O resultado é idêntico ao da pesquisa publicada ontem.
Na eleição anterior, a dianteira de Lula subiu para 12 pontos na segunda pesquisa, feita após o primeiro debate na TV. Em meados de outubro, o Datafolha já mostrava Lula com 20 pontos de vantagem -60% a 40%. O resultado final é conhecido: Lula se reelegeu com 60,8%, contra 39,2% de Alckmin.
Agora tudo pode acontecer. Favorita, Dilma Rousseff pode, inclusive, repetir o feito de seu tutor, aplicando lavada semelhante em José Serra. Haveria explicações para tal desfecho: a situação econômica, a aprovação recorde a Lula etc.
Hoje, no entanto, nem petistas arriscam esse palpite. O ambiente é distinto do vivido em 2006, embora, paradoxalmente, o governo tenha até mais o que propagandear.
Existe no ar uma apreensão com a performance de Dilma -como se comportará mais exposta, como suportará a pressão? Há dúvidas no petismo de como preservá-la e de como exibi-la, o que acaba por escancarar que Dilma não é, nunca foi, dona da sua candidatura, e a rigor nem dona de si mesma. Nos últimos dias, ela deu a impressão de que esteve próxima de desmoronar.
Do lado oposto, Serra é o personalismo encarnado. Age não apenas como se fosse dono de si, da sua campanha e dos seus aliados, mas do próprio cargo que está em disputa. É como se dissesse: "ela não pode, agora é a minha vez!".
No campo programático, sem discurso sólido, o tucano mais parece um camaleão, ou um artista de circo: faz girar com a mão direita os pratos do conservadorismo, ao mesmo tempo em que dá cambalhotas populistas no palco, prometendo 13º para o Bolsa Família, salário mínimo de R$ 600 etc.
Eis uma disputa ímpar: uma candidatura quase sem candidata e um candidato quase sem candidatura.

quarta-feira, setembro 29, 2010

Entre mais instruídos, Dilma fica em 3º

Entre mais instruídos, Dilma fica em 3º
O GLOBO
Petista caiu em todas as regiões do país e, entre as mulheres, perdeu cinco pontos
SÃO PAULO. A queda dos índices de intenção de voto da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, registrada na pesquisa Datafolha, foi mais acentuada em algumas parcelas do eleitorado. Entre os que declaram ter curso superior, por exemplo, a petista perdeu dez pontos em duas semanas, caindo de 38% para 28%. Nessa faixa, ela está em terceiro, atrás do tucano José Serra, com 34%, e da verde Marina Silva, com 30%. Entre os que ganham de dois a cinco salários mínimos (cerca de 33% do eleitorado), Dilma perdeu sete pontos no período, passando de 49% para 42%.
No segmento do eleitorado que ganha acima de dez salários mínimos, a candidato do PT perdeu seis pontos em duas semanas, e hoje tem 30%. Está atrás de Serra que, nesse período, ganhou sete pontos e tem 41%. Marina cresceu sete pontos e passou de 19% para 26%.
Nessa última pesquisa, realizada segunda-feira, Dilma tem 46%, uma queda de três pontos em relação à sondagem anterior, semana passada. Serra se manteve estável com 28% e Marina subiu de 13% para 14%. O número de indecisos passou de 5% para 7% e os de que votam em branco ou nulo, de 3% para 4%. A diferença entre o índice de Dilma e o os demais candidatos somados (44%) é hoje de dois pontos. Considerando-se apenas os votos válidos (sem votos nulos, em branco e indecisos) é de 51% para 49%.
No Norte e no Cento-Oeste, a maior queda de Dilma por região
A pesquisa Datafolha ouviu 3.180 eleitores em 202 municípios, com margem de erro de dois pontos para mais ou para menos. Está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número 32.913/2010.
Dilma perdeu pontos em todas as regiões do país. Nas nas áreas metropolitanas foi registrada uma diminuição de quatro pontos da preferência do eleitor pela candidata petista. Por regiões, a maior queda de Dilma foi registrada no Norte e Centro-Oeste onde, em uma semana, Dilma perdeu seis pontos (50% para 44%), enquanto Serra cresceu um ponto (29% para 30%) e Marina mais do que dobrou seu índice, passando de 8% para 17%.
A candidata verde também teve um crescimento expressivo na Região Sudeste, subindo de 11% para 17%; Dilma perdeu três pontos (44% par 41%) e Serra perdeu um ponto (32% para 31%). Na Região Sul, Dilma está agora em situação de empate técnico com Serra. A petista caiu de 43% para 39%, enquanto Serra caiu um ponto e hoje tem 35%. Marina, que cresceu em todas as regiões, passou de 7% para 10%.
A queda de Dilma também é expressiva entre as mulheres (cinco pontos). Ela caiu também entre na parcela de eleitores entre 35 a e 59 anos (quatro pontos). Considerando o total de votos, cada ponto representa cerca de 1,38 milhão de eleitores.
Dilma chegou a ter 12 pontos percentuais a mais que a soma das intenções de voto de todos os candidatos, há duas semanas. A petista não havia sofrido qualquer abalo de popularidade por conta do escândalo do vazamento de sigilo fiscal de tucanos e de Verônica Serra, filha do candidato do PSDB. Pelo contrário. Chegou a subir um ponto naquela época. Mas, a partir do caso Erenice, a vantagem para os demais adversários somados acabou reduzida para dois pontos, no intervalo de duas semanas.
O Datafolha também simulou um confronto direto entre Dilma e Serra num eventual segundo turno. A vantagem da petista caiu três pontos nesse cenário, em relação à sondagem anterior, semana passada. Passou de 55% para 52% das intenções de votos, enquanto o tucano oscilou um ponto para cima, e alcançou 39%.
Dilma: 27% de rejeição, seu pior índice registrado no Datafolha
A petista também conheceu nesta pesquisa sua maior taxa de rejeição, desde o início das sondagens do Datafolha. Nos últimos cinco dias, o índice de eleitores que não votam em Dilma de jeito nenhum subiu três pontos percentuais, de 24% a 27%. No entanto, Serra continua sendo o candidato mais rejeitado pelos eleitores. O Datafolha registrou oscilação de 31% a para 32%. Marina permaneceu estável em 17%.
O Datafolha também verificou a intenção de voto espontânea (sem apresentação de nomes ao eleitor), na qual Dilma continua à frente, mas oscila negativamente dois pontos percentuais, de 39% para 37%. Já Serra ficou estável em 21%, e Marina ganhou dois pontos, passando de 9% para 11%.

quarta-feira, setembro 22, 2010

Na hora do voto, 1% dos eleitores pensa no partido

Na hora do voto, 1% dos eleitores pensa no partido
Segundo pesquisa, 73% acham que política só beneficia políticos, e 85% apoiam Ficha Limpa
Luiz Orlando Carneiro – Jornal do Brasil
 Nada menos que 73% dos eleitores consideram que a política é uma atividade que só beneficia mesmo os políticos; 43% sabem de casos de compra de votos, dos quais 41% conhecem pessoas que os venderam; o percentual de eleitores que levam em conta o partido político na escolha de seus candidatos é de apenas 1%.
 Estes são alguns dados constantes de uma pesquisa encomendada ao Ibope pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), e divulgada ontem pelo presidente da entidade, Mozart Valadares Pires. O Ibope entrevistou 2 mil pessoas de cinco faixas etárias a partir de 16 anos, das quais 52% do sexo feminino e 48% do masculino. A grande maioria dos consultados (68%) tem renda familiar de um a dois (33%) e de dois a cinco (35%) salários mínimos.
 Para o presidente da AMB, embora sejam “preocupantes” e “entristecedores” os percentuais referentes à descrença do eleitorado nos políticos, não se pode deixar de comemorar o fato de que 85% da população pesquisada são favoráveis à Lei da Ficha Limpa, e 91% reconhecem a importância da participação de associações de juízes e da Justiça especializada no combate à corrupção eleitoral.
 Mozart Valadares disse ser “positiva” a expectativa de que o Supremo Tribunal Federal considere válidas – já para as eleições do dia 3 de outubro – as novas condições de elegibilidade estabelecidas pela Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar 135). Ele ressaltou que o projeto de lei de iniciativa popular – que culminou com a sanção do presidente da República, em junho último – teve sua constitucionalidade atestada pelas comissões técnicas da Câmara dos Deputados e do Congresso, e por pareceres da Advocacia- Geral da União e da Procuradoria- Geral da República.
Os números
Os índices de conhecimento de casos de compra de votos apurados na pesquisa AMB-Ibope são mais baixos entre moradores do Sudeste (38%), mas também entre os que têm nível de escolaridade mais baixo (33%). Dos 85% que disseram não votar em candidato que oferecesse “algum tipo de benefício” (contra 13% que votariam), 41%, apenas, denunciariam o crime eleitoral às autoridades.
 Os nordestinos são os que mais admitem votar em candidato que ofereça algum benefício de caráter pessoal, familiar ou comunitário (21%), vindo a seguir os eleitores do Norte- Centro-Oeste (13%), do Sudeste (10%) e do Sul (8%).
Quanto ao critério mais importante na escolha de um candidato, prevaleceu o das propostas de trabalho (53%), vindo a seguir: experiência (18%); benefícios prometidos ao bairro ou comunidade (15%); benefícios pessoais ou familiares (5%); a “simpatia do candidato” (2%); o partido (1%); a indicação de um amigo ou de um parente (1%).

sexta-feira, junho 04, 2010

Nossa esquerda direitista

Nossa esquerda direitista
Nelson Motta - O Globo - 04/06/2010

Ainda estou chocado com a pesquisa do Datafolha sobre a ideologia dos brasileiros: 35% dos entrevistados que se disseram petistas, por livre vontade e protegidos pelo anonimato, se declararam de direita. Como? Vamos tentar investigar esta peculiaridade política brasileira. Sim, as pessoas sabiam o que estavam falando, tanto que 25% responderam que não sabiam ou não queriam responder. As demais estavam seguras de suas opções e se dividiram entre esquerda, direita e centro, inclusive os petistas.
O lulismo não foi oferecido como opção, mas certamente teria muitos eleitores de todos os partidos, e nós, um peronismo tropical. Zé Dirceu, que diz que tudo que não é de esquerda, de direita é, tem um dilema: como culpar a direita por tudo sem ofender tantos companheiros? Com alguma fantasia e ironia, é possível imaginar que os entrevistados petistas fossem tão politizados que tenham se posicionado ideologicamente — mas em relação às correntes do partido, umas mais à esquerda e, por consequência, outras mais à direita, como a de Zé Dirceu.

Ou seria uma parte autoritária e impetuosa do PT, que se identifica com os métodos do stalinismo e do fascismo? Se acham de esquerda, mas adotam o comportamento totalitário que atribuem à direita. São aloprados ideológicos.
Outra interpretação, tola, seria que os entrevistados se disseram de direita porque confundiram com direito, como oposto de errado. Ou a teoria de Tim Maia, politizando a clássica frase “No Brasil, prostituta goza, traficante cheira, cafetão tem ciúmes … e pobre é de direita.” Como dizia Zé Dirceu nos anos 60, “é preciso conscientizar as massas”. Deve ser devastador aceitar que 2/3 dos brasileiros não querem saber da esquerda, por mais nobres e generosas que sejam as suas intenções. O pior é que alguns ainda vivem na ilusão de que todo mundo que se opunha à ditadura era de esquerda. Mas talvez Leonel Brizola possa explicar. Na campanha presidencial de 1994, num comício no Paraná, com 4% das intenções de voto e a três dias da eleição, bradou do palanque: “Não acreditem nas pesquisas. O povo está só despistando...”

quinta-feira, junho 03, 2010

Função e poder das pesquisas

Função e poder das pesquisas
Jornal do Brasil
O resultado do primeiro turno das eleições na Colômbia surpreendeu pela expressiva diferença entre as previsões feitas pelos institutos de pesquisas do país e a contagem oficial dos votos. O candidato governista, Juan Manuel Santos, aliado do presidente Álvaro Uribe, venceu o turno com 46,58%, mais do que o dobro da votação de seu maior adversário, Antanas Mockus, do Partido Verde, que amealhou 21,58% dos sufrágios. Nada mais distante dos prognósticos: os institutos colombianos indicavam um empate técnico entre os dois concorrentes, que disputarão o segundo turno, em 20 de junho. A discrepância surpreendente foi alvo de controvérsias e, em qualquer lugar do mundo, os eleitores desconfiariam de manipulação dos números, o que, até prova contrária, não ocorreu.
A explicação mais plausível é prosaica e não provém de teorias conspiratórias. Os institutos colombianos erraram pelo mesmo motivo que, tradicionalmente, erram os institutos de outros países vizinhos, como Peru, Bolívia e Equador: pela dificuldade de se auferir a preferência de cidadãos em várias regiões remotas do país, o que causa distorção, com a falta de representatividade da amostra.
A existência de institutos de pesquisas confiáveis é uma condição primordial para o exercício da democracia. Neste sentido, deve ser ressaltado o trabalho dos institutos brasileiros que, ao lado dos chilenos, são aqueles cujas previsões têm se mostrado, ao longo dos anos, as mais acertadas da região.
As pesquisas de opinião pública se transformaram em peça-chave na engrenagem das modernas democracias e um de seus elementos definidores, de acordo com estudiosos, entre eles o cientista político francês Bernard Manin, criador da expressão “democracia de público”.
São várias as funções das pesquisas. E elas vão muito além da previsão dos resultados das urnas, última etapa do processo eleitoral. Muito antes, servem para perscrutar as demandas da população em relação a políticas públicas, ajudam os candidatos a construírem seu discurso, enfim, funcionam como uma poderosa bússola para a classe política reduzir o clima de incerteza e se movimentar. Com elas é possível ativar temas de campanha até então insuspeitos. Com elas tem-se um instrumento para a formação de alianças, que tanto pode ser uma arma para barganha política quanto a prova dos nove para a resolução de conflitos.
É o que está ocorrendo agora, por exemplo, no arrastado impasse entre o PT e o PMDB, em Minas Gerais. A aliança nacional entre os dois partidos está em compasso de espera, aguardando a definição do cabo de guerra no estado. O PT regional quer que a cabeça de chapa ao governo seja ocupada pelo ex-prefeito de BH, Fernando Pimentel. O PMDB quer garantir a vaga para o ex-ministro das Comunicações, Hélio Costa. Na falta de acordo, combinou-se que as pesquisas indicariam o escolhido. Pimentel levou vantagem. Mas dentro da margem de erro. Para desempatar, o petista quer que a taxa de rejeição, que lhe é favorável, seja o critério. O PMDB recusa. A disputa continua. Não por culpa das pesquisas.

terça-feira, junho 01, 2010

Pesquisas complicadas

Pesquisas complicadas
Por Alon Feuerwerker

O vexame do primeiro turno nas eleições colombianas ficou reservado para dois personagens. Antanas Mockus, candidato do Partido Verde, e os institutos de pesquisa. Estes davam Mockus empatado com Juan Manuel Santos, o nome do governo, num patamar de 40%.
Abertas as urnas, Santos confirmou seus votos com sobra (ficou a menos de quatro pontos da maioria absoluta e da vitória já no primeiro turno), mas Mockus teve apenas metade do que lhe previam as sondagens.
Uma hipótese seria a fraude, mas não parece provável. Outra seria a súbita mudança do eleitorado na véspera da eleição, possibilidade não comprovável. Uma terceira seria a subestimação do voto rural, como sugeriu ontem um perplexo Mockus.
São todas variáveis a considerar na busca da explicação, mas politicamente importam pouco. Santos e Mockus vão ao segundo turno, o que era esperado, mas com o candidato da oposição em circunstâncias dificílimas, como ele mesmo admite.
Para nós, além de aguardar pelo desfecho eleitoral no complicado vizinho, talvez valha a pena refletir sobre a importância dada também aqui às pesquisas e aos institutos que as produzem. Já faz algum tempo que acompanhar eleição no Brasil resume-se a um tripé: colecionar aspas dos candidatos, aguardar pelo próximos escândalos e roer as unhas à espera dos novos levantamentos de intenção de voto.
É preciso porém fazer justiça. Até que os agora protagonistas do espetáculo andam fazendo esforço para introduzir assuntos programáticos na agenda. A falta de hábito leva a coisa a estar ainda mambembe, mas bem ou mal já compareceram ao palco itens como a autonomia do Banco Central, o papel do Mercosul, o tráfico de drogas nas fronteiras, o financiamento da saúde, as linhas gerais da política externa.
Não que nas eleições anteriores os assuntos programáticos tenham sido simplesmente excluídos. A eles costuma se reservar um acompanhamento quase cartorial, protocolar. Os candidatos produzem por meio de suas assessorias alentados calhamaços, que os jornais registram e até publicam, mas pouca ou nenhuma influência real têm no processo.
Gosto mesmo, quem desperta são as pesquisas. Elas reinam onipotentes, onipresentes e oniscientes, inclusive nos detalhes. Mesmo quando as margens de erro são absurdamente grandes. Uma coisa é a pesquisa nacional ter 2% ou 3% de erro, outra é não esclarecer ao eleitor (ou leitor) que a margem se multiplica na análise segmentada (por região, sexo, escolaridade etc.), pois a amostra fica pequena em relação ao universo pesquisado.
De positivo, apenas um detalhe comprovado pela enésima vez agora na Colômbia: as pesquisas podem até influenciar os analistas, mas o eleitor comum dá pouquíssima bola para elas. Muita saliva, papel, tinta, bit e bytes por nada. Ou por muito pouco.
Na Colômbia, como aqui, o eleitor decide em função de seus desejos, necessidades, escolhendo o líder que considera mais capaz de conduzir o país num rumo que traga benefícios reais a ele, eleitor.

Conclat
As entidades sindicais realizam sua conferência (Conclat) em ambiente eleitoral. Mas isso não deve ser usado para desqualificar o evento. Importante é que os sindicatos, federações, confederações e centrais amarrem suas reivindicações e propostas.
Seria desejável também que as entregassem a todos os candidatos, ainda que a preferência dos organizadores esteja clara, por Dilma Rousseff (PT). Isso não deveria impedir que buscassem um diálogo com pelo menos os outros três nomes mais expressivos.
A União Nacional dos Estudantes, liderada pelo PCdoB, optou por esse caminho e preservou sua unidade. O movimento sindical, diferentemente do estudantil, é pulverizado em diversas centrais, mas a Conclat reúne a esmagadora maioria.

Explosões
O trágico desfecho da tentativa de furar por via marítima o bloqueio a Gaza reforça a necessidade de negociações por uma saída definitiva para o impasse regional no Oriente Médio.
Negociações que só caminharão a partir de uma premissa: todos os povos dali têm direito a seu Estado nacional, em segurança. A paz será consequência disso.
Ou serão sempre explosões, periódicas, de violência e ódio. Como a de agora.

Skoob

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