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segunda-feira, outubro 18, 2010

Uma linda reunião familiar

Uma linda reunião familiar
Instituto Millenium - Posted: 17 Oct 2010 10:05 PM PDT
Não chore mais, Parmida.
Ninguém irá prender sua mãe ou pai agora.
Quando você vê as magníficas florestas e lagos da Noruega pela janela do avião, você tem a sensação de frescor e beleza natural. Você não vai estar errado, é um belo país, administrado com eficiência e o único país produtor de petróleo que não sucumbiu ao despotismo, corrupção e pobreza em massa. A Noruega é próspera, seu povo é bonito, hospitaleiro, cortês e muito civilizado. Esta foi minha primeira visita a um país escandinavo, mas não fui como turista. Estava a caminho de Oslo para me reunir ao famoso advogado de Direitos Humanos iraniano, Mohammad Mostafaei, no que acabou sendo uma montanha-russa de ansiedade emocional e espera, mas por sorte, com um final feliz.
Mostafaei teve problemas como o regime no Irã depois de ter ajudado a levar a público o caso de apedrejamento de Sakineh Mohammadi Ashtiani. Incapazes de deter Mostafaei, o ministério de inteligência iraniano recorreu ao ato desprezível de tomar membros de sua família como reféns. A esposa de Mostafei, seu cunhado e mesmo seu sogro idoso, foram todos levados para a prisão de Evin. Eles foram usados como reféns para chegar a Mostafei. O ato desesperado de usar familiares como reféns, contudo, apenas expôs o retrocesso e ilegalidade da administração de Ahmadinejad. Como alguém me disse um dia, o pior inimigo da República Islâmica é ela própria.. Eles acusam a todos que discordam deles de “ameaças à segurança nacional”, mas a ameaça real são suas próprias leis retrógradas, sua intolerância e seu desrespeito aos direitos humanos e comportamentos normais.
Em 02 de setembro, contudo, todos esses momentos terríveis ficaram para trás para a família Mostafei. Finalmente, o bom senso prevaleceu e esposa e filha se juntaram ao amado marido e pai.
Não vou escrever muito mais, deixo que a mídia de massa que estava lá para cobrir este alegre evento faça um trabalho melhor que eu. Apenas uma nota para terminar este post. Não havia um único jornalista iraniano lá, ninguém da BBC persa, VOA Persa, Radio Farda ou qualquer uma dessas organizações bem financiadas. Uma observação que novamente confirma o que eu disse, que não temos bons repórteres fora do Irã. Temos jornalistas preguiçosos que, no máximo, gostam de entrevistar pessoas.
Publicado no blog de Potkin Azarmehr
Tradução: Anna Lim (annixvds@gmail.com)

sábado, outubro 09, 2010

Nobel da Paz Liu Xiaobo recebe visita da mulher

Nobel da Paz Liu Xiaobo recebe visita da mulher
A mulher de Liu Xiaobo, o dissidente chinês a quem foi atribuído o Prémio Nobel da Paz, irá hoje visitá-lo e dar-lhe a notícia da distinção.
Liu Xia, mulher de Liu Xiaobo
Petar Kujundzic/Reuters
A mulher de Liu Xiaobo, o dissidente chinês a quem foi atribuído sexta-feira o Prémio Nobel da Paz, irá hoje visitá-lo e dar-lhe a notícia da distinção. 
 A agência espanhola Efe noticia que a poetisa Liu Xian negociou com as autoridades de Pequim o seu silêncio, e visitará hoje o marido na cadeia em Pequim, onde se encontra incomunicável. 
 Liu Xian foi obrigada sexta-feira a sair da sua residência de forma sigilosa e debaixo de forte vigilância policial, escapando assim às centenas de jornalistas que a esperavam à saída do seu apartamento para comentar a distinção. 
 A Efe cita fontes dissidentes segundo as quais, a poetisa negociou o seu silêncio em troca de poder visitar hoje o marido e informá-lo do prémio. Todavia Xian prestou declarações a alguns meios de comunicação social e enviou um comunicado em que expressa o seu agradecimento e pede a liberdade de Liu. 
Há 11 anos na cadeia por ter apelado à democracia
O jornalista dissidente Wang Jinbo, afirmou que Liu Xian viaja sob custódia, acompanhada pelo irmão, desde a localidade de Jinzhou na província de Liaoning, a 480 quilómetros a noroeste da capital chinesa, onde o marido cumpre 11 anos de cadeia, desde dezembro passado, por ter apelado publicamente à democracia.
 O mesmo jornalista afirmou que hoje de manhã foi aumentado o sistema de segurança em redor da penitenciária, tendo alguns acessos sido bloqueados.

Nobel da Paz enfurece a China

Nobel da Paz enfurece a China
Governo censura notícias sobre premiação de Liu Xiaobo e cerca casa da mulher do ativista
Claudia Sarmento  - O Globo - Correspondente • TÓQUIO
 As advertências prévias de Pequim não surtiram efeito: o Nobel da Paz de 2010 foi concedido ontem a um inimigo do regime, o dissidente Liu Xiaobo, de 54 anos, primeiro chinês a receber o prêmio. O comitê que anuncia a premiação em Oslo citou “sua longa e não violenta luta por direitos humanos fundamentais na China” para justificar a escolha. O professor, crítico literário, ensaísta e ativista político, está preso desde o último Natal, condenado a 11 anos de prisão sob a acusação de “incitar a subversão contra o poder do Estado” e ainda não foi informado da premiação. Além de ameaçar as relações bilaterais com a Noruega, poucas horas após o anúncio, a China convocou o embaixador Svein O.
Saether em protesto à concessão do prêmio. Vencedor do Nobel da Paz em 2009, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu à China, através de um comunicado, que liberte Liu tão logo possível.
 “Nos últimos 30 anos, a China fez notáveis progressos em reformas econômicas e na melhoria da vida de seu povo, retirando centenas de milhões da pobreza. Mas este prêmio nos lembra que a reforma política não seguiu a mesma velocidade e que os direitos humanos básicos de cada homem, mulher e criança têm de ser respeitados” dizia o texto.
A Anistia Internacional, além de vários outros organismos de defesa dos direitos humanos espalhados pelo mundo, engrossaram o coro e pediram que o dissidente seja libertado.
O anúncio — bem menos polêmico que o prêmio concedido a Obama — foi um recado à ditadura chinesa: apesar de sua crescente importância econômica, esperase que a segunda maior economia do mundo reforme sua política de direitos humanos e lembre que está mais sujeita a julgamentos internacionais.
 “O novo status da China deve implicar em maior responsabilidade.
A China viola vários acordos internacionais dos quais é signatária. O artigo 35 da Constituição chinesa estipula que os cidadãos gozem de liberdade de expressão, imprensa, reunião, associação, desfile e manifestação.
Na prática, os chineses estão sendo claramente privados desses direitos”, disse um comunicado do Comitê do Nobel.
Na internet, apenas a versão oficial
A reação de Pequim foi dura. Para o governo, a premiação é “uma blasfêmia contra os próprios princípios do Nobel” e acionou a máquina estatal da censura, a chamada “Muralha de fogo” que, apesar das pressões, está cada vez mais poderosa. A internet é controlada, e fóruns como Twitter e Facebook são proibidos, tornando-se difícil avaliar a repercussão no território chinês. A transmissão do prêmio pela CNN, por exemplo, foi bloqueada.
O microblog sina.com, espécie de Twitter chinês, também deletou qualquer menção à honraria.Tentativas de enviar mensagens de texto pelo celular com citações a Xiaobo falharam.
Somente no fim da noite na Ásia, horas após o prêmio, sites de notícia chineses começaram a mencionar o anúncio, enfatizando apenas o protesto do governo chinês.
— Temos que falar pelos que não podem — disse o presidente do Comitê do Nobel, Thorbjoern Jagland.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Ma Zhaoxu, não poupou críticas à escolha: — Liu Xiaobo foi condenado por violar a lei. Suas ações são diametralmente opostas aos princípios do Nobel, que deve ser dado a quem promove a paz entre os povos, a fraternidade internacional e o desarmamento.
Liu esteve entre os estudantes que lutaram pela democracia em 1989. Foi um dos líderes que negociaram a retirada dos manifestantes da Praça da Paz Celestial quando tanques atropelaram o movimento. Desde então, foi preso várias vezes, enviado a um “campo de reeducação”, banido do mundo acadêmico e impedido de ter seus textos publicados na China. Mesmo assim, é um dos autores do manifesto conhecido como “Carta 08”, em defesa da liberdade política e contra o monopólio do Partido Comunista, que se espalhou pela internet e foi assinado por milhares de pessoas — inspirado no movimento pela democracia na Tchecoslováquia na década de 70.
Sua mulher, a poetisa Liu Xia, que vive em Pequim, afirmou não saber se o dissidente seria avisado do prêmio, porque não tem acesso a um telefone na prisão de Jinzhou, em Liaoning, no norte do país. Ela conseguiu dar declarações curtas a veículos internacionais e avisou que a polícia estava em sua casa e a levaria a Jinzhou.
 “Espero que a comunidade internacional aproveite a oportunidade para pressionar o governo chinês a libertar meu marido”, afirmou ela, por um comunicado da ONG Freedom Now.
A nomeação de Liu torna-o — pelo menos oficialmente — o primeiro chinês agraciado pelo Comitê do Nobel: em 1989, o Dalai Lama recebeu o prêmio, mas apesar de visto como cidadão chinês por Pequim, recebeu-o na condição de refugiado político na Índia.
Outro a ter enfrentado a fúria do governo chinês foi o escritor Gao Xingjian, laureado com o Nobel de Literatura em 2000. Vivendo na França, foi considerado um escritor francês.

sexta-feira, outubro 08, 2010

Noruega tenta evitar fúria chinesa por Nobel da Paz a dissidente

Noruega tenta evitar fúria chinesa por Nobel da Paz a dissidente
Agência Reuters
 OSLO (Reuters) - O chanceler norueguês, Jonas Gahr Stoere, disse nesta sexta-feira que a concessão do Prêmio Nobel da Paz a um dissidente chinês não deve causar uma reação hostil de Pequim ao seu país.
"Não há motivos para dirigir qualquer medida contra a Noruega como país, e acho que haveria um efeito negativo sobre a reputação da China se ela assim agisse", disse Stoere a uma TV local.
A China reagiu com indignação ao Nobel da Paz dado nesta sexta-feira ao dissidente Liu Xiaobo - na foto, que foi condenado a 11 anos de prisão em 2009 por ter participado de um manifesto em prol da democracia na China.
Preso no ano passado por subversão, o dissidente chinês Liu Xiaobo ganhou nesta sexta-feira o Prêmio Nobel da Paz por sua luta pacífica pela democracia no país. O dissidente de 54 anos foi condenado a uma pena de prisão de 11 anos por ter escrito, em 2008, em conjunto com outros ativistas chineses, um manifesto pela liberdade de expressão e pela realização de eleições multipartidárias.O Ministério de Relações Exteriores da China classificou a premiação uma "obscenidade" e ameaçou retaliar a Noruega , onde fica o comitê 
Com seu apartamento cercado por policiais, a mulher de Liu, Liu Xia, foi impedida de falar diretamente com jornalistas. Por telefone e mensagens de texto, ela disse estar feliz com a premiação e informou que pretendia levar no sábado a notícia ao marido, que está preso a 500 quilômetros de Pequim. Ela também pediu sua libertação.
"A China deveria assumir esta responsabilidade, ter orgulho desta escolha e libertá-lo da prisão", disse ela em um comunicado divulgado pelo grupo de defesa dos direitos humanos Liberdade Agora.

O prêmio é concedido pelo Comitê Norueguês do Nobel, mas Stoere enfatizou que essa entidade é independente do governo da Noruega, que atualmente negocia um tratado comercial bilateral com Pequim.
Stoere admitiu, no entanto, que "não é segredo que há muitos anos a China tem dado uma série de alertas de que o prêmio da Paz a um dissidente chinês levaria a reações negativas".
Meses atrás, o vice-chanceler chinês Fu Ying disse ao presidente do Instituto Nobel que a eventual concessão do prêmio a Liu abalaria as relações sino-norueguesas.
Em nota, o primeiro-ministro norueguês, Jens Stoltenberg, disse que "a Noruega tem uma cooperação boa e abrangente com a China" e que "a discussão dos direitos humanos é parte dessa relação". O premiê acrescentou que o governo norueguês já questionou várias vezes as autoridades chinesas a respeito da situação de Liu.
A Noruega é um dos maiores exportadores mundiais de gás e petróleo, e tem interesse em ampliar sua cooperação energética com a China, uma potência econômica em rápida ascensão.
PEQUIM - Considerado o mais proeminente dissidente chinês, Liu Xiaobo incomoda o governo desde 1989, quando aderiu a uma greve de fome estudantil dias antes da repressão militar contra o movimento em defesa da democracia na praça da Paz Celestial. Agraciado nesta sexta-feira com o Prêmio Nobel da Paz , Liu foi condenado a 11 anos de prisão em dezembro passado sob a acusação de subversão, por fazer campanha em prol de liberdades políticas.
A sentença foi criticada pelos EUA, pela União Europeia e por grupos de direitos humanos. Ex-professor de literatura, aos 54 anos Liu está entre os mais combativos críticos do regime unipartidário chinês.
- Usar a lei para promover os direitos pode ter um impacto apenas limitado quando o Judiciário não é independente - disse ele em 2006, por exemplo, quando estava sob outro período de prisão domiciliar.
No ano retrasado, ele foi um dos organizadores do manifesto chamado Carta 08, em que intelectuais e ativistas pediam reformas abrangentes na China, inspirando-se na Carta 77, um marco do movimento pró-democracia na Tchecoslováquia na década de 1970.
A candidatura de Liu ao Nobel era defendida pelo ex-dissidente e ex-presidente tcheco Václav Havel, um dos articuladores da Carta 77.
Liu Xia, esposa do dissidente, disse nesta semana não vê o marido desde 7 de setembro. Segundo ela, a saúde dele está abalada, mas Liu está com ânimo positivo.
Os amigos de Liu Xiaobo sempre me diziam que queriam, mais do que ele, que ele ganhasse esse prêmio, porque acham que é uma oportunidade de mudar a China
- Os amigos de Liu Xiaobo sempre me diziam que queriam, mais do que ele, que ele ganhasse esse prêmio, porque acham que é uma oportunidade de mudar a China - afirmou ela.
Um desses amigos, o advogado e ativista Pu Zhiquiang, afirmou que Liu "diz o que tem na cabeça".
- Não acho que um Prêmio Nobel para Xiaobo ou qualquer outro chinês tenha um enorme impacto na situação dos direitos humanos na China. Mas certamente vai estimular mais pessoas a lutarem por esses valores o máximo que puderem - afirmou Pu.
Liu já havia passado 20 meses na cadeia depois da repressão aos protestos na Praça da Paz Celestial, e depois ficou três anos num campo de "reeducação pelo trabalho", na década de 1990, além de vários meses praticamente sob prisão domiciliar, embora formalmente estivesse livre.
Encorajada por sua pujança econômica e pelos temores das potências ocidentais, a China parece ter pouca paciência com qualquer forma de pressão contra o rígido controle que impõe às atividades políticas dos seus cidadãos.
Os tribunais chineses, controlados pelo Partido Comunista, raramente absolvem réus, especialmente em casos de cunho político.
No veredicto do ano passado, ao qual Liu não teve o direito de responder, os juízes disseram que os escritos dele "tinham o objetivo de subverter a ditadura democrática popular do nosso país e o sistema socialista". "Os efeitos foram malignos, e ele é um grande criminoso."

Skoob

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