domingo, julho 18, 2010
Páginas da Espanha em 'Leituras de Literatura Espanhola'
Páginas da Espanha em 'Leituras de Literatura Espanhola'
Chega às livrarias estudo de Mario Miguel González, da USP, sobre passado e presente da literatura do país
SÃO PAULO - O renascimento da literatura espanhola pelas mãos de escritores como Enrique Vila-Matas e Javier Marías tem provocado sérias reflexões críticas sobre a herança recebida por esses autores desde que Cervantes revolucionou a escrita com seu Dom Quixote, estabelecendo as bases do romance moderno. Como ele, escritores igualmente desajustados - o poeta maneirista Luis de Argote y Góngora, entre outros - abriram caminho para a experimentação contemporânea. Sobre os pioneiros dos séculos passados, o professor Mario Miguel González acaba de lançar um estudo fundamental, que analisa justamente como agiram esses antecessores da vanguarda literária hispânica, Leituras de Literatura Espanhola (Letraviva), menos um manual de história do que um cuidadoso ensaio da pedra fundamental que estruturou essa literatura. A vocação dos espanhóis para inventar e subverter gêneros literários - comparável ao talento para o futebol - é examinada por González nesta entrevista exclusiva ao Sabático.
Professor de literatura espanhola da Universidade de São Paulo desde 1968, Mario M. González, argentino de Alta Gracia, Córdoba, naturalizado brasileiro, é uma das maiores autoridades em literatura medieval do País. Pretende com seu livro "articular os momentos fundamentais da estruturação da literatura espanhola", o que justifica, segundo ele, dimensioná-los como fatos históricos. As características dessa literatura, insiste, têm relação direta com o desenvolvimento peculiar da Espanha, país que deu ao mundo seu primeiro romance verdadeiramente transgressor, o Dom Quixote de Cervantes. Esse papel pioneiro se deve sobretudo à insubordinação ideológica de autores cuja independência provocou o advento de obras-primas, mas também a prisão e perseguição desses escritores.
O recorte crítico do professor vai da Idade Média até o século 17, apontando as linhas mestras de uma literatura que exportou um modelo de modernidade para o mundo todo - o Brasil incluído -, permanecendo, paradoxalmente, fiel a um pensamento conservador que manteve a Espanha refém de tiranos por algumas centenas de anos, o último deles Franco, em cuja ditadura foi assassinado o extraordinário poeta Federico García Lorca (1898- 1936). Lorca e sua peça Bodas de Sangue foram temas da tese de doutorado de González (El Conflicto Dramático em Bodas de Sangre, defendida na USP em 1973 e publicada em livro em 1989 pela Edusp).
Autor de vários livros, entre eles O Romance Picaresco (Ática, 1988), o acadêmico assinou há seis anos a edição do maior enigma literário espanhol, o Lazarillo de Tormes (Editora 34). Uma das primeiras manifestações do gênero romance - o primeiro picaresco, pelo menos -, o livro conta a história de um órfão que serve a vários amos, de um cego a um escudeiro, numa atribulada escalada social. Em sua tese de livre-docência, A Saga do Anti-Herói, publicada pela Nova Alexandria (1994), González estuda justamente como o romance picaresco espanhol marcou autores de obras literárias brasileiras, em especial a do paraibano Ariano Suassuna.
O senhor diz em seu livro que as características da literatura espanhola têm uma relação direta com o desenvolvimento do país. Como explicar, então, que tenha atingido seu apogeu justamente ao longo dos séculos 16 e 17, período marcado pelo ocaso do pensamento renascentista? Acho que esta é a pergunta-chave para a leitura do meu livro, porque esse paradoxo é muito significativo. A literatura espanhola chega ao auge evidentemente em função do apogeu econômico da nação, propiciado pela expansão, pelas descobertas que canalizam as riquezas para a Espanha e ficam nas mãos da classe dominante - nobres e representantes do clero, os mecenas de artistas e escritores. Todos, claro, querem ser eternizados em retratos e livros. Isso não quer dizer que existia uma uniformidade na produção cultural. Predomina o pensamento do sistema, que mantém uma visão feudal do homem, da sociedade, mas, do século 16 em diante, é a Contrarreforma que vai determinar como deve funcionar a sociedade e como devem ser os indivíduos. Os manuais de literatura, em geral, perdem de vista a diversidade que existe dentro dela, esquecendo alguns escritores que se infiltram e, por não concordar com isso, tiveram de encontrar uma maneira diferente de escrever - e é aí que surgem os grandes escritores espanhóis, os pioneiros, aqueles capazes de estabelecer as bases da modernidade, começando por Fernando de Rojas (1473-76? -1541), o autor de La Celestina. Ele é um homem que vive um dos piores conflitos da Espanha, o da expulsão dos judeus. Rojas era um converso. Escreveu uma única obra absolutamente enigmática, carregada de sentidos, que quebra as limitações de um teatro ainda se liberando do didatismo medieval. Ele busca a comédia sentimental, faz paródia dela e constrói um texto crítico, mostrando que nesse modelo que a Espanha está implantando não há lugar para o grupo que vai abrir espaço para o ideário do que viria a ser mais tarde a burguesia.
As primeiras manifestações da literatura em língua castelhana são do século 12, o grande momento da arte românica. Por que as artes visuais se desenvolveram mais que a literatura nesse século? As artes visuais na Europa, de modo geral, cumprem uma função fundamentalmente didática nessa época, por estarem a serviço da Igreja, que precisa ensinar o povo de algum modo, pois esse não sabe ler. Inclusive demorou para os clérigos perceberem que o latim com o qual se dirigiam ao público não era entendido e que circulava uma literatura paralela vulgar. O clero, então, passou a imitá-la com objetivos puramente didáticos.
Mas a tradição de transmissão oral já era então bastante forte na Espanha para impor modelos literários, não? Sem dúvida, e o romancero - originário de romance, palavra que na Idade Média identificava a língua vulgar, em oposição à língua latina - é uma prova disso. O povo decorava fragmentos das mensagens trazidas por trovadores e jograis que se deslocavam com os peregrinos e acabaram introduzindo a poesia lírica provençal em Castela, Leão e Galícia. Ao recriar esses fragmentos, reinventando-os, criaram-se ilhas nesse oceano de conservadorismo. O povo, então, recortava esses poemas sem nenhuma preocupação didática ou religiosa. É a existência, a angústia humana, que está em jogo, uma abordagem extremamente moderna para a época. Por ser uma literatura fragmentária, não existe conclusão, que fica por conta do leitor. Isso impressionou de tal modo García Lorca que seu livro mais popular, Romancero Gitano (1928), volta a essa fórmula, redescobrindo essa forma popular, medieval.
A corte dos califas de Córdoba, antes de entrar em decadência, deixou um legado à literatura espanhola, especialmente na construção do romance. Como explicar que essas formas tenham sobrevivido à destruição da cultura dos califas? A literatura que os árabes trouxeram, muitas vezes vinda do Extremo Oriente, sobreviveu por causa das traduções da escola de tradutores de Toledo, que verteu textos em árabe para o latim e mais tarde, sob os auspícios de Alfonso el Sabio (Alfonso X, rei de Castela entre 1252 e 1284), do latim para o castelhano, então a língua oficial. Esse saber, essa cultura que os árabes trouxeram, não necessariamente como produtores, mas como portadores, sobreviveu em fragmentos, nos textos escritos por moçárabes, grupos que formavam ilhas de resistência nas cidades e tinham uma cultura própria. Os árabes descobriram como utilizar esses fragmentos em poemas maiores, que só no século 20 um erudito judeu descobriu terem sido escritos numa língua românica anterior a Castela, isto é, poesia popular do século 11.
A Península Ibérica concentrou na Idade Média o maior número de judeus em toda a Europa, o que também poderia explicar o expressivo desenvolvimento literário na região. Quais os principais traços da cultura judaica que ficaram impregnados na literatura espanhola do período? Acho que, se ficou alguma coisa, ficou de contrabando, porque na sociedade dos séculos 16 e 17 todos se vigiavam mutuamente. A Inquisição foi um sistema terrível. Nesse sistema é impossível preservar costumes como varrer a casa para dentro e não comer porco. Ou seja, havia pouco espaço para preservar a cultura judaica. No entanto, no caso de Fernando Rojas, de La Celestina, os judeus fazem uma leitura dela como uma obra escrita por um judeu, mesmo sendo este um converso. Há todo um fundo judaico, especialmente do Cântico dos Cânticos, nas imagens da poesia de San Juan de La Cruz, que rotulam como místico - rótulo que eu nego. Fui separando essas pedras, como Rojas, Cervantes e Góngora, que formam uma ponte para a modernidade, todos descendentes de judeus e sempre à margem, mesmo conversos. Góngora, especialmente, não é alguém que vai imitar uma paisagem idealizada, renascentista. Ele constrói poemas sem referente externo, com um código próprio. É por isso que Góngora só vem a ser reconhecido no século 20, quando os poetas da geração de Lorca descobrem que faziam o que eles estavam fazendo.
A despeito da vigilância da Inquisição, a literatura espanhola incorporou, desde o começo da peregrinação a Santiago de Compostela, no século 9º, conhecimentos dos peregrinos. Como a rota dos peregrinos contribuiu para a construção da literatura espanhola e o advento da burguesia? Esse é um dos fenômenos peculiares da Península Ibérica, o da corrente migratória que estabelece o Caminho de Santiago e cria um caldo de cultivo de mecanismos burgueses de ascensão social. Aí é possível especular, vender, oferecer o que a pessoa de fora precisa. Ao mesmo tempo, ao sul desse espaço, Aragão e Castela impõem outros mecanismos de enriquecimento, que é o de reconquistar a Espanha dos muçulmanos. Graças ao poder político de Castela, esse ideário antiburguês, do cavaleiro que conquista, ocupa e enriquece, vai prevalecer. O cidadão que se preocupa com finanças, o comércio, o artesanato, é, nesse contexto, um cidadão de segunda classe - e, além do mais, suspeito, porque são essas as atividades dos judeus, que vão ser excluídos, que não terão futuro. E, no século 17, para aqueles que não têm bens só existem três alternativas: o mar, a Igreja ou a Casa Real. Ou seja, virar conquistador, ser incorporado pela Igreja ou pela burocracia do Estado. Isso explica o sucesso das novelas de cavalaria ainda no século 16.
Por falar em século 16, o senhor é um grande especialista no Lazarillo de Tormes, que surgiu em 1554 como resposta criativa a essas novelas de cavalaria, contestando a narrativa idealista e partindo para a crítica social, a tal ponto que seu autor se ocultou e do livro só sobraram quatro edições. Qual seria a principal característica desse romance? Além de estar nos fundamentos do romance, sua principal característica é estar aberto ao leitor, obrigando-o a se posicionar, desde o prólogo, em que o autor se dirige a ele como alguém que pode se aprofundar ou apenas se deleitar com a história. O leitor terá de escolher, adivinhar o que o autor está pensando. Posso me divertir ou ver nela uma história de corrupção, a história de um menino esfomeado, engolido e destruído por uma sociedade que o transforma na negação do que ele seria, na imitação dos amos que ele critica.
A polêmica sobre o verdadeiro autor de Lazarillo de Tormes parece não ter fim. Todo dia um erudito descobre um novo autor para o livro. Quem o senhor acha que foi? Quando preparava a edição do livro para a Editora 34, pedi que suspendessem a impressão para acrescentar uma nota de rodapé sobre isso. Será interessante se chegarmos a saber um dia. Muitas coisas apontam para um partidário do erasmismo, muito influenciado pela obra de Erasmo de Roterdã. Uma professora da Universidade de Barcelona, Rosa Navarro Duran, publicou o livro em 2002 e atribuiu sua autoria a Alfonso de Valdés (1490-1532), mesmo sem ter nenhuma prova material. E, mais recentemente, uma paleógrafa encontrou uma frase que poderia identificar o autor como Diego Hurtado de Mendoza (1503-1575), mas ela também não tem provas. Não menos de sete outros nomes têm sido apontados, mas acho que nunca saberemos quem foi. O autor tinha consciência que iria parar na fogueira junto ao livro se seu nome fosse conhecido.
Essa tradição de literatura de denúncia atravessou séculos na Espanha. Quem, entre os contemporâneos, o senhor identifica como herdeiro do Lazarillo? Hoje eu não sei, mas no passado foi Valle-Inclán, um grande ignorado por serem suas peças consideradas irrepresentáveis, tanto pela parafernália do cenário como pelo número de atores no elenco. A sorte dele foi a de ter morrido antes do franquismo, caso contrário teria sido assassinado como o foi García Lorca.
Na prosa barroca do século 17 renasce de alguma forma o romance picaresco do século 16, como o senhor mesmo acentua em seu livro. Vem daí o gosto dos espanhóis pela paródia e a metáfora? Sim, Valle-Inclán é um exemplo, mas já existia no século 14, em Arcipreste de Hirta, uma literatura paródica. Há paródia em Celestina, mas o romance picaresco, na prática, só se desenvolve no século 17. Acontece que o romance picaresco não tem uma linha de crítica social mais profunda, ele tanto pode ter sido escrito por um autor conformista como por outros mais críticos - em geral publicados fora da Espanha, claro. Sobre a metáfora, ela vem da necessidade de ensinar. Na Idade Média, o clérigo tinha de usar metáforas para criar uma imagem sedutora que ele mesmo se encarregava de traduzir para os fiéis. Lembro da introdução do poema Milagros de Nuestra Señora de Gonçalo de Berceo (1180-1246), que descreve uma paisagem sempre verde, idealizada, traduzida pelos padres dessa maneira: Nossa Senhora é o prado, as quatro fontes são os quatro evangelistas e as árvores são os milagres da Virgem, sempre associada à cor verde por ser imaculada. Ou seja, cria-se toda uma alegoria a partir desse sistema metafórico que seduz o ouvinte. A Renascença vai intensificar o uso da metáfora. Pode ser que houvesse de fato uma necessidade de dizer as coisas sem dizê-las, mas os autores vão além dessa alegoria. San Juan de La Cruz já não trabalha com metáforas, mas com símbolos, o que faz dele um precursor da linguagem dos simbolistas. Góngora constrói metáforas autossustentáveis, que valem por si mesmas, sem alegoria nenhuma. É uma delícia ouvir, mesmo que não se entenda nada, porque é assim que funciona. Temos de entrar nessa poesia para entender o gongorês.
Por que essa cosmovisão religiosa não marca o romancero viejo, essa forma poética que surge como produção anônima? Não sei. Acho que justamente por ser uma literatura construída pelo povo. O povo recorta textos e esse recortar é uma maneira de escrever, de dizer que não há respostas para as perguntas que o homem carrega dentro dele e que a Igreja não pode responder satisfatoriamente. A morte é uma presença constante no romancero Viejo.
O senhor observa em seu livro que a presença marcante dos relatos de cavaleiros andantes na literatura espanhola do século 16 é um anacronismo. Dom Quixote é uma paródia dos livros de cavalaria, embora não tenha impedido a evolução do gênero numa época em que a Espanha expandia seu império a outros continentes. Por que esse gênero ainda desperta o interesse na modernidade? De fato, Dom Quixote foi escrito como pretexto para parodiar a novela de cavalaria e tudo o que ela significa, ou seja, uma literatura unívoca, em que não há lugar para que o leitor pense criticamente. É por isso que meu livro traz na capa Alonso Quijano (personagem principal de ‘Dom Quixote’, retratado numa gravura de Étienne Frédéric Lignon em que faz gestos expressivos ao ler). Este é o último leitor à moda antiga, lendo novelas de cavalaria. Na paródia dessa atitude nasce o leitor moderno. Cervantes começa o Quixote dirigindo-se a um "desocupado leitor", abrindo um leque de interpretações da realidade à escolha do leitor.
A desmontagem do narrador onisciente em Dom Quixote, como o senhor acentua em seu livro, favorece essa relativização, mas é bem provável que um leitor de sua época tivesse uma visão diferente do leitor contemporâneo, não? Sem dúvida. Dom Quixote foi lido na época como uma obra cômica. Não podemos saber se algum leitor percebia alguma coisa além, mas é possível afirmar isso pela releitura que fez Dom Alonso Fernández de Avellaneda, autor da apócrifa edição de Dom Quixote (um segundo volume falso, publicado em 1614). Trata-se de uma leitura absolutamente cômica. Nós, leitores modernos, temos todo o direito de encontrar outros sentidos. Os românticos alemães, por exemplo, liam Quixote como um texto trágico. Eu meu permito dizer que sua modernidade reside justamente na superação de gêneros, que é uma marca da modernidade.
Quando falamos em literatura espanhola, qual a primeira palavra que lhe ocorre? Paradoxo. É uma cultura, uma literatura cheia de paradoxos. Não é contrastante, porque o contraste aproxima duas coisas opostas para salientá-las. Já o paradoxo aproxima-as para construir uma outra coisa nova - e o paradoxo é a verdadeira chave para entender a crise da Renascença.
Com o que sobrou do teatro medieval em língua castelhana é possível saber se ele teve ou não importância na formação da literatura espanhola? Sobrou pouco para dizer que teve importância. Mais especificamente, sobrou um fragmento de uma peça do início do século 13, o Auto dos Reis Magos. Talvez tenha sido um teatro que não se desenvolveu por estar vinculado à Igreja. Há quem diga que o ritual religioso que se praticava na Península Ibérica era pouco teatral.
Como o senhor vê o panorama literário espanhol contemporâneo? Depois de Franco, a literatura espanhola ainda está à procura de um caminho próprio. O franquismo ceifou o desenvolvimento cultural da Espanha. Imagine se Lorca tivesse continuado a escrever, se Arrabal não tivesse partido para o exílio. A poesia se salvou por ser mais enigmática, menos explícita, mas o teatro espanhol morreu por causa da censura. Há, inclusive, uma novela, Cinco Horas con Mario, de Miguel Delibes, depois transformada em peça, sobre esse tema (um monólogo em que uma mulher conservadora conversa com o marido morto, um intelectual íntegro, antifranquista, sem ambições burguesas). Hoje, creio que o fenômeno literário espanhol tem algo a ver com a necessidade desenfreada de consumo dos espanhóis, mais do que com qualidade, embora no país existam grandes autores como Javier Marías, Enrique Vila-Matas e Rosa Montero. De qualquer modo, não creio que ela venha a ser produtora de modelos culturais, como foi nos séculos 16 e 17.
Leituras de Literatura Espanhola - Autor: Mario M. González - Editora: Letraviva (480 págs., R$ 59)
Educação é principal alvo de candidatos à Presidência
Educação é principal alvo de candidatos à Presidência
A educação entrou de modo definitivo no discurso dos principais candidatos à sucessão presidencial nesta semana. Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV) assumiram o mesmo compromisso: elevar os gastos no setor de 5,1% do Produto Interno Bruto (PIB), em 2010, para 7%. A diferença está no prazo em que pretendem fazê-lo.
Enquanto Dilma assumiu, em seu Twitter, o compromisso de defender a meta já para o ano que vem, Marina disse que espera cumprir a promessa até 2014. A petista não detalhou como pretende gastar os recursos - nem de onde eles virão. O dado no qual se baseia é uma estimativa do Ministério da Educação e inclui gastos da União, dos Estados e municípios. De acordo com o Orçamento de 2010, o MEC terá R$ 61,2 bilhões. Assumindo um crescimento de 7% da economia neste ano, este valor equivaleria a 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB). Para elevar os investimentos públicos no setor, Dilma precisaria aumentar consideravelmente o Orçamento do ministério ou contar com a colaboração de prefeituras e governos estaduais.
Por sua vez, Marina Silva indicou que pretende obter mais recursos para a educação através de "um Estado eficiente" e do combate à corrupção. Ela já declarou que a universalização do ensino nos governos Lula e Fernando Henrique foi "um avanço", e que agora seria necessário investir na qualidade. Seu programa de governo terá cinco principais eixos condutores para o setor. Entre eles estão valorização do professor, escolas em tempo integral e integração das políticas para a educação com programas sociais. "Temos de pensar uma escola onde o aluno goste de estar, integrada com a comunidade, com os pais", diz Maria Alice Setubal, que colabora com o programa verde.
Do lado tucano, o candidato José Serra não assumiu metas de investimento na educação. Suas declarações referem-se, sobretudo, ao ensino profissionalizante, a fim de levar para o País o modelo de escolas técnicas que adotou em São Paulo. Ele prometeu criar 1 milhão de vagas neste tipo de ensino e oferecer bolsas para cursos profissionalizantes. "São Paulo tem hoje o melhor ensino do País. Temos muitas experiências boas para levar ao Brasil", defende o ex-ministro e atual secretário da Educação de São Paulo, Paulo Renato Souza. Ele colabora com o programa de governo de Serra. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
COMENTÁRIO: A Educação é a base de todo o desenvolvimento. Povo educado não se deixa enganar por políticas assistencialistas, quer mudanças, quer um modelo que lhe permita participar da riqueza que o país produz. A antiga afirmação, sempre atual, o povo deve aprender a pescar e não receber o peixe pronto, em migalhas, como benesses. Estamos cansados de ser enganados, ou ainda mais triste, ver os destinos do país serem entregues a aventureiros, por uma maioria que não recebeu a educação devida e não sabe discernir.Essa história de que o povo quer apenas pão e circo precisa ser combatida. A vida é uma só e real. EDUCAÇÃO, sempre a prioridade.
Réquiem para o JB e a Gazeta
ELIANE CANTANHÊDE
Réquiem para o JB e a Gazeta
BRASÍLIA - O fim melancólico da versão impressa do "Jornal do Brasil" dói no coração de gerações de leitores e de jornalistas brasileiros, como já havia ocorrido quando do último suspiro, ou da última edição, da "Gazeta Mercantil". Foram ambas mortes lentas e anunciadas, deixando exposta a má administração de excelentes produtos.
Pelo JB, fundado em 1891, passaram desde Rui Barbosa até dezenas de repórteres, fotógrafos e colunistas que estão na ativa e viveram grandes momentos e grandes histórias num jornal que tinha vida e energia. Mas não tinha gestão.
Na "Gazeta Mercantil", que começou a circular em 1920 e atravessou décadas como leitura obrigatória dos três Poderes, dos bancos, das empresas e de diferentes áreas das universidades, foram formados alguns dos mais importantes jornalistas de economia do país, como Celso Pinto, que deslanchou o "Valor Econômico". Mas, como o JB, a Gazeta tinha talentos jornalísticos, não tinha competência gerencial.
Nos dois casos, repetindo o que se viu na Varig, as empresas sangraram ano após ano, vendo esvair seu principal capital: a força da marca, a credibilidade, a excelência de seus profissionais. Seus donos tentaram vender as dívidas e manter o controle editorial. A aritmética e a esperteza não fecharam.
Ouve-se daqui e dali que o fim da Gazeta e agora do JB impresso prenuncia a decadência inevitável e um rápido fim dos jornais. Há controvérsias. Os dois geraram suas próprias crises, que não tiveram nada a ver com a agressiva entrada da TV no jornalismo, o fortalecimento do noticiário 24 horas no rádio e muito menos com o vigor e a ascensão da internet. Foram crises particulares, não do setor.
Eles se foram, mas seus jornalistas estão por aí, em toda parte, aprendendo sempre e a cada dia numa profissão que é um aprendizado ininterrupto. A eles, meus queridos colegas tanto do JB quanto da Gazeta, um abraço de saudade e de reconhecimento.
É sempre alguma coisa
Nas entrelinhas
Alon Feuerwerker – Correio Braziliense
É sempre alguma coisa
É notável que Barack Obama esteja conseguindo avançar na agenda dele, mesmo apesar dos baixos índices de popularidade.
O presidente americano já havia aprovado no Congresso a reforma do sistema de saúde. Agora conseguiu dos deputados e senadores uma verdadeira revolução no sistema financeiro, que passa a ser regulamentado em escala inédita na pátria operacional do liberalismo.
O presidente está em baixa nas pesquisas mas o partido governista, o Democrata, controla votos suficientes no Legislativo e Obama tem domado bem a bancada, coisa nem tão comum na história dos Estados Unidos.
Um argumento forte para manter unida a base é que se o presidente fracassar arrastará junto para a ruína o resto da legenda.
O recado da Casa Branca tem sido claro: não há salvação possível sem a união em torno do líder.
No fim do ano, Obama enfrenta as tradicionais e temíveis eleições de meio de mandato, com a renovação de toda a Câmara dos Representantes (deputados) e de parte do Senado e governos estaduais.
Temíveis porque já deu tempo de perceber a assimetria entre os sonhos da campanha e a realidade do poder. Mas não houve tempo para sentir os benefícios da mudança.
A hora da colheita ainda não chegou. Obama espera que ela venha daqui a dois anos, quando busca a reeleição.
Luiz Inácio Lula da Silva tem a popularidade que falta ao colega americano, mas não a maioria congressual. É por esse motivo que montou este ano uma estratégia para dotar Dilma (que ele supõe que vá ser eleita) de votos suficientes no Congresso, especialmente no Senado.
Na passagem para o segundo mandato, Lula aliou-se a quem lhe dera trabalho na Câmara dos Deputados, resolvendo metade do problema. Agora age para descascar a outra metade da laranja, dando à dupla PT-PMDB maioria confortável no Senado.
Mas talvez, em respeito à sociedade, Lula, Dilma e a campanha do PT devessem ir além. Não só pedir o voto para fazer uma maioria folgada, mas dizer também o que pretendem fazer com esse belo ativo.
Tal detalhe dá outra dimensão ao debate em torno de que programa a candidata e a coligação vão finalmente registrar no TSE.
Interessa menos acho eu saber se Dilma assinou ou rubricou (há mesmo diferença entre as duas coisas?) a primeira versão petista, puro-sangue.
Ou quantas versões afinal o programa terá. O que Dilma, Lula e o PT precisam dizer, antes da eleição, é o que vão fazer com a maioria, qual é a agenda legislativa da chapa.
É, aliás, um desafio a ser lançado para todos os candidatos.
Maioria sólida no Congresso é essencial, antes de tudo, para evitar a desestabilização. A ideia utópica de um governo de minoria, que opere a pauta legislativa em torno de vetores programáticos, buscando a maioria caso a caso, foi tentada por Lula no começo do primeiro mandato e não funcionou. Acabou sendo o embrião da gravíssima crise política de 2005.
Mas se ficar nisso, na obtenção da maioria pela maioria, um eventual governo Dilma nascerá velho. A candidata parece ter essa consciência ao tatear temas como a reforma política. Não basta, porém, tatear, ela tem que dizer mais especificamente o que vai tentar aprovar no Congresso.
Claro que podem aparecer coisas novas, a exigir iniciativas não pré-planejadas. A reforma financeira de Obama nasceu na crise financeira que deu as caras só no finalzinho da corrida presidencial de dois anos atrás.
Promessas de campanha são só isso, promessas. A realidade sempre tem a prerrogativa de se sobrepor.
Mas mesmo as simples promessas servem de referência.
Elas poderão ser invocadas no futuro, quando der aquela inevitável vontade de os governantes fazerem o que garantiram que não iriam fazer.
Não é nada, não é nada, é sempre alguma coisa.
Democrático Registro a participação, ontem pela manhã, na mesa-redonda promovida pelo Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal como parte do encontro local para a escolha de delegados ao Congresso da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).
Com a participação da diretoria da Fenaj, foi um bom e democrático debate sobre os rumos da profissão e a sua regulamentação, objeto de decisões judiciais e de propostas de emenda constitucional no Congresso Nacional
Piscina simples mas limpinha, no 55° andar do hotel mais caro do mundo
Se você quer curtir um mergulho nessa piscina, você vai precisar gostar de altura... É no 55º andar!
Mas, nadar na borda não é tão arriscado quanto parece. Enquanto a água da piscina “infinita” parece terminar em um despenhadeiro, na verdade ela escorre para uma espécie de canal, de onde é bombeada de volta para a piscina principal. Tem três vezes o tamanho de uma piscina olímpica (150 metros de comprimento), é a maior piscina do mundo ao ar livre, nessas alturas.
Foi feita no impressionante "Skypark", um espaço de lazer em forma de barco, empoleirado sobre as três torres que compõem o hotel mais caro do mundo, que custou a bagatela de 4 bilhões de libras esterlinas (quase inimaginável o número de zeros à direita em reais...), é o Marina Bay Sands, na cidade de Cingapura.
Confira!
Grotowski
crônica
Grotowski
Fernanda Torres – Veja RIO
Eu devia ter uns 15 anos quando ouvi pela primeira vez o nome do polonês Jerzy Grotowski, da boca de Celso Nunes, diretor responsável pelos mais belos espetáculos produzidos pelos meus pais. Celso abriu minha cabeça para criadores como Bob Wilson e me apresentou sua tese de doutorado a respeito do gênio polonês, que li com avidez antes de completar 16 anos. Criador do teatro pobre, Grotowski reduziu a ribalta à sua essência: ator e público, dispensando toda a parafernália de cenário, luz e figurino, e aprofundou a função ritualística desse ofício. Seus atores se aprimoravam através de laboratórios psicofísicos que visavam a libertá-los de seus limites sociais e psíquicos, fazendo-os atingir o domínio do corpo e o exercício pleno da arte. Nos ensaios, poderia ser exigido de um ator que este subisse e descesse diversas vezes uma escada íngreme de pedreiro para dominar o medo e atingir a ambição desmedida de um Macbeth, por exemplo. Em 1974, quando esteve no Brasil, Grotowski confessou que nem o teatro o interessava mais, e sim o estudo das relações humanas entre pequenos grupos de pessoas através de exercícios não racionais. Fui criança durante os anos 60, um período de profundas transformações comportamentais. Na adolescência, vivi a rebarba desse furacão de costumes. Era tudo muito novo, alternativo e inteiramente contrário ao sistema vigente. Uma época em que o heroico era ser marginal.
Nos anos 80, quando entrei na casa dos 20, o mundo encaretou violentamente e a febre contestadora foi, aos poucos, sendo engolida pela vida gorda do capitalismo triunfante. Até os punks renderam lucros consideráveis. Os cabelos moicanos e os piercings foram transformados em mercadorias de luxo, objetos de consumo tão caros e desejados quanto a velha caneta Mont Blanc. E, quem diria, o teatro especulativo de Grotowski, que visava à liberdade e ao contato com o impalpável, também encontrou um lugar de ouro nas grandes corporações mercantis. Um dos meus lugares preferidos da Terra é o hotel de meu sogro, o Rosa dos Ventos, na Teresópolis-Friburgo. Às vezes, principalmente durante a semana, quando subo a deslumbrante serra de Teresópolis para aproveitar o paraíso de Mata Atlântica preservada, com bosques, lagos e céu inacreditável, cruzo com convenções de empresas usando o espaço para o treinamento de funcionários. Levei um choque na primeira vez em que assisti a uma dessas rotinas.
Nos anos 80, quando entrei na casa dos 20, o mundo encaretou violentamente e a febre contestadora foi, aos poucos, sendo engolida pela vida gorda do capitalismo triunfante. Até os punks renderam lucros consideráveis. Os cabelos moicanos e os piercings foram transformados em mercadorias de luxo, objetos de consumo tão caros e desejados quanto a velha caneta Mont Blanc. E, quem diria, o teatro especulativo de Grotowski, que visava à liberdade e ao contato com o impalpável, também encontrou um lugar de ouro nas grandes corporações mercantis. Um dos meus lugares preferidos da Terra é o hotel de meu sogro, o Rosa dos Ventos, na Teresópolis-Friburgo. Às vezes, principalmente durante a semana, quando subo a deslumbrante serra de Teresópolis para aproveitar o paraíso de Mata Atlântica preservada, com bosques, lagos e céu inacreditável, cruzo com convenções de empresas usando o espaço para o treinamento de funcionários. Levei um choque na primeira vez em que assisti a uma dessas rotinas.
Uma espécie de teia de aranha havia sido esticada entre as árvores e um grupo de pessoas adultas estava atravessando um colega deitado, pelo ar, através do obstáculo de cordas. O objetivo era evitar que o corpo encostasse nas linhas, fazendo-o chegar do outro lado intacto. Outro grupamento pendurava um companheiro em uma árvore altíssima. O voluntário deveria acertar uma cesta com uma bola de basquete antes de despencar confiante. Havia rodas de participantes empenhados em segurar um parceiro cambaleante posicionado no centro do círculo, zelosos para que esse não caísse no chão. Os exercícios não me eram estranhos, eu os havia feito inúmeras vezes na minha formação de atriz: provas de confiança, colaboração, contato, superação e desinibição... O aparato psicofísico do teatro de vanguarda levado às últimas consequências por Grotowski era agora usado ali, em uma convenção de empresa. Olha as guinadas que esse mundo dá. O que havia de mais resistente ao poder e ao dinheiro agora é o que move o mundo corporativo. Eu fiquei espantada.
O uso de tais modalidades no treinamento de pessoal é relativamente novo, especialmente no Brasil. Uma americana trouxe a técnica para cá há cerca de dez anos. É curioso reler as palavras de Grotowski e pensar em seu significado quando relacionadas ao mundo corporativo: “O que devemos fazer é lutar, para então descobrir, experimentar a verdade sobre nós mesmos; rasgar as máscaras atrás das quais nos escondemos diariamente. A arte não pode ser limitada pelas leis da moralidade comum ou de qualquer catecismo. O ato de criação nada tem a ver com o conforto externo ou com a civilidade humana convencional; quer dizer, as condições de trabalho nas quais as pessoas se sentem seguras e felizes”.
Não existe bom-mocismo na Arte... nem nas finanças.
e-mail: fernanda.torres.vejario@gmail.com
De fora para dentro - Dora Kramer
Sábado, Julho 17, 2010
O Estado de S. Paulo - 17/07/2010
O dia exato ainda não foi definido, mas será um agosto a primeira reunião do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral para cuidar do projeto de reforma política de iniciativa popular, a ser discutido durante a campanha eleitoral e apresentado ao presidente da República eleito em novembro e encaminhado ao Congresso no início da nova legislatura, em fevereiro de 2011.
A inspiração óbvia é o projeto que exige ficha razoavelmente limpa de quem pretende se candidatar a mandatos eletivos. Se a Lei da Ficha limpa foi aprovada contra todas as expectativas por pressão de fora para dentro do Congresso, a reforma política também pode ser, raciocinam os inspiradores do movimento que mandou o projeto para a Câmara em setembro de 2009 com 1,7 milhão de assinaturas.
A ideia agora seria superar em muito essa marca. Mas, segundo o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante, antes de começar a recolher as assinaturas é preciso escolher quais pontos farão parte do projeto.
No encontro de agosto, a OAB, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a Associação dos Magistrados do Brasil, a Associação dos Procuradores da República e outras entidades que queiram se integrar ao MCCE vão escolher dois relatores para organizar o texto da proposta e discutir a melhor maneira de incentivar a participação da sociedade.
Há o estímulo da movimentação em torno da Lei da Ficha Limpa. Mas há também a evidência de que o momento da virada de posição do Congresso foi específico por causa da eleição presidencial.
Além disso, a reforma política contém assuntos nem sempre estimulantes do ponto de vista popular. Alguns, como o financiamento público para campanhas eleitorais, de difícil aceitação, e outros de difícil compreensão, como a mudança do sistema de voto proporcional para distrital.
"É preciso escolher uma abordagem que desperte nas pessoas a vontade de participar", diz o presidente da OAB. Na opinião de Ophir Cavalcante, dois temas teriam o poder de mobilizar a opinião pública: o fim da reeleição e do voto obrigatório.
A OAB pretende, portanto, propor a realização de um plebiscito para a população dizer sim ou não à continuidade do voto obrigatório ou à instituição do facultativo.
"Uma pesquisa recente do Datafolha mostra uma situação de quase empate, o que demonstra o interesse do público no tema", diz.
A pesquisa foi divulgada em maio e registra empate rigoroso: 48% das pessoas são favoráveis ao voto obrigatório e 48% preferem o facultativo.
Apesar disso, o Congresso nunca inclui esse item nos vários ensaios que faz sobre reforma política. A última vez que discutiu o tema foi na Constituinte, em 1988.
Um ponto que não constava na lista inicial por ser considerado técnico demais - o voto distrital - já recebeu a primeira sugestão de abordagem popular mais sugestiva. Quem faz é o economista, vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo, Roberto Macedo.
Ele detalhou o tema em artigo no Estado na última quinta-feira, propondo que se associe o voto distrital ao conceito de eleição direta para o Poder Legislativo.
"Enquanto no voto proporcional são eleitos os candidatos mais votados em cada partido, o que faz muitos eleitores votarem numa pessoa e ajudarem a eleger outra, no distrital a eleição é direta. Ocorre num espaço geográfico reduzido, facilitando o controle do eleitor e diminuindo os custos da campanha", argumenta.
A Ordem dos Advogados convidou quatro candidatos à Presidência - Dilma Rousseff, José Serra, Marina Silva e Plínio de Arruda Sampaio - para discutir a reforma política no mês que vem e em novembro aproveitará os 80 anos da entidade para fazer um seminário sobre o mesmo assunto.
Na ocasião já terá o projeto pronto e em processo de coleta de assinaturas para entregar ao eleito. Na posse dos congressistas, seria a primeira proposta a abrir a nova legislatura.
E o que garante que desta vez o Congresso faria a reforma?
Segundo Ophir Cavalcante o mesmo que fez a Lei da Ficha Limpa: "A consciência da sociedade de que pode ser agente de mudanças."
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