quarta-feira, julho 28, 2010
Dia dos Pais na cozinha, uma nova forma de celebrar a data
Dia dos Pais na cozinha, uma nova forma de celebrar a data
Comunique-se – SP - 27/07/2010
Comunique-se – SP - 27/07/2010
* Por Aline Rissatto Teixeira, nutricionista e gastróloga da ONG Banco de Alimentos.
De provedor do lar a coautor da educação dos filhos e da gestão da casa, o papel do pai na estrutura familiar se alterou significativamente no mundo contemporâneo. Motivados pela inserção da mulher no mercado de trabalho – que trouxe a necessidade de dedicar mais tempo às crianças –, os homens têm assumido múltiplos papéis para exercer plenamente a paternidade. Quando analisamos a evolução da figura paterna na sociedade, concluímos que a celebração do Dia dos Pais requer novas ideias e formas para homenagear esse “novo” pai.
Diante desse pai participativo e atento ao cotidiano familiar, defendo que está na hora de inovar essa tradição de mais de 4 mil anos. Ao moldar um cartão em argila na antiga Babilônia – desejando boa sorte, saúde e longa vida ao pai – o jovem Elmesu não sabia que o gesto inspiraria futuras gerações a celebrar a data. No Brasil, a homenagem teve início em 1953, no Dia de São Joaquim, em 14 de agosto. Com o passar dos anos, o Dia dos Pais passou a ocupar o segundo domingo do mês de agosto; uma forma de criar datas fixas para fortalecer os laços familiares e fomentar o comércio.
Na prática, como essa inovação pode ser feita? Na minha opinião, incentivando a criação de uma nova cultura de associar a saúde à alimentação. Está na hora de os filhos “ensinarem” os papais a trocar o estresse, a “barriguinha proeminente” e o colesterol nas alturas por uma vida longe dos riscos das doenças cardiovasculares. Um dos presentes mais genuínos que podemos oferecer é mostrar que cuidar da saúde a partir da alimentação é algo extremamente importante para conquistar qualidade de vida de toda a família. Esse é um excelente presente para o Dia dos Pais!
Ao citar a qualidade de vida, é quase impossível não falar do delicioso bate-papo na cozinha enquanto preparamos uma receita especial. Pensando nesse prazer contido nas coisas simples da vida, a equipe da ONG Banco de Alimentos elaborou um cardápio repleto de receitas sustentáveis, saborosas e saudáveis que têm em comum o conceito de aproveitamento integral dos alimentos.
Mas, antes de partir para o preparo e a degustação, tenho dicas básicas para que pais e filhos aproveitem o melhor de cada ingrediente.
• Inclua o licopeno – encontrado em alimentos de cor avermelhada, principalmente o tomate e derivados (molho, conserva, extrato etc) – na alimentação diária. Estudos apontam que o licopeno reduz o risco de câncer de próstata.
• Adicione alimentos ricos em ômega 3 – castanhas (pará, nozes, amêndoas etc), peixes de água fria (salmão, arenque, sardinha e bacalhau) e óleos crus (azeite extra virgem, óleo de canola, girassol etc) – na dieta diária. Esse composto nos auxilia a manter os níveis adequados de gordura no sangue, mantendo o coração forte e saudável. O ômega 3 colabora com a redução do colesterol ruim (LDL) e estimula a produção do bom colesterol (HDL) no organismo.
• Incorpore o consumo de alimentos integrais (aveias, linhaça etc), verduras, legumes e frutas à dieta. Esses alimentos possuem boa quantidade de vitaminas, minerais e fibras; auxiliam na melhora do funcionamento do intestino; regulam a taxa de açúcar no sangue e reduzem gorduras ruins.
• Não devemos esquecer que além da polpa, as cascas, folhas, talos e sementes dos alimentos são importantes para o organismo, portanto, devem ser consumidas sempre. As partes que costumamos jogar fora possuem um rico valor nutricional. Em muitos casos, a concentração de nutrientes presentes pode ser muito maior se comparada às partes normalmente utilizadas.
• Ao consumir as partes não convencionais dos alimentos, além de melhorar a saúde, você e a família ajudam a combater o desperdício de alimentos e a minimizar os efeitos da fome no Brasil.
MiniRoulades de casca de berinjela ao pesto de folhas e talos
Ingredientes: casca de três berinjelas médias; meio pote de cream cheese; quatro tomates secos picados; quatro colheres de chá de azeite; talos de espinafre; folhas e talos de manjericão; e sal a gosto.
Pré-preparo: descasque as berinjelas, tempere as cascas com um pouco de sal e azeite. Como a polpa não será utilizada nesta receita, guarde-a para outras receitas. Corte as cascas em fatias grossas; higienize o manjericão e os talos de espinafre, e reserve.
Modo de preparo: coloque na grelha as fatias de casca de berinjela. Para o recheio, pique em fatias o tomate seco e adicione uma porção (quantidade à escolha) de cream cheese. Monte os MiniRoulades, enrolando as cascas de berinjela, uma a uma, em torno do recheio.
Rendimento: 20 porções
Chaud Frod de truta
Ingredientes Para o peixe: três filés de truta sem pele; suco de meio limão siciliano alho; cebola; páprica; pimenta; sal; e azeite a gosto. Para o purê: uma cenoura com casca; talos de uma beterraba picadinhos; talos de rúcula picadinhos a gosto; casca de um quarto de laranja pera; um quarto de cebola; um alho; uma colher de sopa de azeite; uma colher de sopa de manteiga; uma colher de sopa de leite; e sal a gosto. Para o molho: um copo americano de suco de laranja pêra; uma colher de sopa de suco de limão siciliano; meia colher de sopa de amido de milho; 100 miligramas de leite; sal; pimenta; rama (talos) de cenoura picadinha a gosto.
Pré-preparo: corte cebola e o alho em cubinhos; deixe o peixe marinar na geladeira, por 20 minutos, temperado com suco de limão, alho, cebola, sal, páprica, pimenta do reino e azeite. Higienize e corte em cubos pequenos os talos de rúcula, beterraba e as cascas de laranja. Em uma panela, ferva água e cozinhe as cenouras, cortadas em rodelas médias, até ficarem macias (aproximadamente 20 minutos). Em seguida, passe pelo espremedor e reserve.
Modo de preparo Para o purê: refogue a cebola e o alho no azeite; adicione os talos de beterraba, as cascas de laranja e os talos de rúcula (nesta ordem). Adicione sal a gosto.
Para o molho: coloque em uma panela o suco de laranja e de meio limão até ferver; retire a espuma que irá formar em cima. Em um copo, dissolva o amido de milho no leite; vá adicionando aos poucos na panela até que o liquido engrosse em ponto de creme; acrescente a pimenta e o sal. Se achar que ficou ácido, acrescente uma pitada de açúcar.
Para montagem: pré-aqueça o forno por 10 minutos; espalhe o purê nos três filés de truta, enrole e amarre-os com uma cebolinha. Asse em forno médio (180º) por 40 minutos. Após assado, coloque em um prato o molho de laranja e o peixe. Para decorar, coloque as ramas (talos)de cenoura, beterraba e rodelas de laranja.
Rendimento: 3 porções.
Bolo de casca de mamão
Ingredientes: dois ovos; uma colher de sopa de fermento em pó; duas xícaras de chá de farinha de trigo; duas xícaras de chá de caldo de casca de mamão (vide modo de preparo); duas xícaras de chá de açúcar; polpa e semente de mamão; e duas xícaras de chá de açúcar para geleia.
Modo de preparo: descasque o mamão maduro e leve as cascas ao fogo em uma panela com água; deixe ferver e depois que esfriar, bata no liquidificador. Reserve. Bata as claras em neve e reserve. Bata as gemas e acrescente açúcar aos poucos. Acrescente uma xícara de chá de caldo de casca de mamão, farinha de trigo e, por último e delicadamente, as claras em neve e o fermento. Coloque no forno (200ºC), em uma forma untada, até assar por aproximadamente 40 minutos. Depois de assado, vire a forma em um prato.
Geleia: bata no liquidificador a polpa e as sementes do mamão com uma xícara de água. Adicione o açúcar em uma quantidade equivalente à total do liquido; mexa em fogo médio até apurar. Despeje essa geléia por cima do bolo e sirva com sorvete de creme.
Rendimento: 20 porções.
MAIS INFORMAÇÕES:
Vanessa Giacometti de Godoy vanessa.godoy@printeccomunicacao.com.br
Betânia Lins betania.lins@printeccomunicacao.com.br
Camila Ribeiro camila.ribeiro@printeccomunicacao.com.br
O galego e a opressão linguística espanhola
O galego e a opressão linguística espanhola
28/07/2010 - 10:19 | Raphael Tsavkko Garcia | São Paulo
No dia 24 de julho, véspera do Dia Nacional da Galiza (ou Galícia), no noroeste da Espanha, chegou ao fim por problemas econômicos o jornal diário galego Vieiros, o primeiro totalmente monolíngue em galego a chegar à internet.
É o fim de um importante jornal, com 15 anos de história, escrito na norma galega mais condizente com o idioma, a que difere da norma imposta pela Espanha. A língua castelhana e o galego compartilham semelhanças marcantes, tanto gramaticais quanto de pronúncia. Para os desavisados, o galego pareceria uma mistura estranha de português e espanhol, ou algo entre ambas as línguas. Graças a esta semelhança e a esta comum confusão, a Real Academia da Língua Galega, controlada pela Espanha, faz de tudo para sufocar o galego e torná-lo um mero dialeto do espanhol e não a língua rica em história e literatura que é.
É o fim de um importante jornal, com 15 anos de história, escrito na norma galega mais condizente com o idioma, a que difere da norma imposta pela Espanha. A língua castelhana e o galego compartilham semelhanças marcantes, tanto gramaticais quanto de pronúncia. Para os desavisados, o galego pareceria uma mistura estranha de português e espanhol, ou algo entre ambas as línguas. Graças a esta semelhança e a esta comum confusão, a Real Academia da Língua Galega, controlada pela Espanha, faz de tudo para sufocar o galego e torná-lo um mero dialeto do espanhol e não a língua rica em história e literatura que é.
As tentativas da Espanha de sufocar o galego são conhecidas, históricas. O partido governante na Galiza, o PP, é um grande incentivador deste genocídio cultural, promovendo políticas visando à absorção do galego na esfera da língua espanhola, dificultando o acesso da população à TV e demais entretenimentos e meios de comunicação portugueses (o galego e o português já formaram a mesma língua e hoje continuam muito próximos) e impedindo o ensino da língua nas escolas básicas.
O “galeguismo” é ainda fraco se comparado ao forte sentimento nacional basco ou catalão.
Violência
Dizem os especialistas que o início do reconhecimento da população da Galiza enquanto galegos, e não espanhóis, se deu tardiamente e foi brutalmente interrompido em seu auge pela Guerra Civil Espanhola que, junto com a gigantesca migração de galegos para a América Latina, enfraqueceu o movimento.
A Galiza, historicamente, foi submetida a extrema violência pelo governo central castelhano e a região foi, durante muitos séculos, mantida na pobreza. A Espanha se esforçou por vários séculos em separar a Galiza da Espanha, não só geograficamente, mas culturalmente, impondo o ensino exclusivo em espanhol, dficultando o intercâmbio na fronteira galaico-portuguesa e criminalizando o uso do galego. Ironia máxima: um dos grandes responsáveis pela destruição do galeguismo era ele mesmo um galego – Francisco Franco.
Desde o fim da ditadura franquista (1939-1975), porém, o movimento galeguista vem ressurgindo com força, seja puxado pelo Bloque Nacionalista Galego (BNG, uma federação de partidos de esquerda e nacionalistas), seja por outros partidos políticos menores (Nós-Unidade Popular, FPG, etc) ou grupos culturais.
Contradição
A política galega, em si, é extremamente complicada. A maioria da população se declara conservadora, muitos falam apenas o espanhol e seu galeguismo não passa de um mero traço regional. Outra parte da população é francamente nacionalista, defensora de um Estado galego, enquanto outra parcela é irredenta – ou seja, consideram-se parte da herança portuguesa e gostariam de ver a Galiza unificada com Portugal.
Porém, uma ideia que unifica os grupos anti-Espanha prega a entrada da Galiza na CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa). Defendendo ou não a união com Portugal, o fato é que o galego e o português são línguas irmãs.
Infelizmente, os países-membros da CPLP preferem apoiar a adesão da Guiné Equatorial – uma ditadura sanguinária cujo português não é falado por ninguém, e não passa de uma terceira língua oficial imposta há um mês – do que incluir nossos irmãos galegos, cuja influência é sentida especialmente no falar nordestino. Expressões como "oxe" ou "oxente" têm origem galega, da imensa imigração vinda do sul da região e do norte de Portugal, que também sofreu influência galega ao longo dos séculos de contato.
Outros casos
O que se vê na Europa, aliás, e em particular na Espanha, é a tentativa de governos em suprimir o uso de línguas minoritárias. Cabe a grupos culturais e políticas realizar um processo de revitalização, por assim dizer, ou de conscientização. O mero ato de governos não fazerem nada para promover as línguas minoritárias já se configura como um atentado. A França é um caso especial: o catalão falado no Rossilhão ainda permanece vivo pela ação de grupos culturais e políticos; o bretão vai pelo mesmo caminho, assim como o provençal/occitano e outras dezenas de línguas que, garanto, a maioria nunca ouviu falar.
Na Espanha, as autonomias como a Catalunha e o País Basco conseguiram realizar grandes avanços, mas existe uma enorme briga em Navarra, região basca onde a língua é falada no norte e na chamada “zona de transição”. No sul, não existe qualquer tipo de ensino controlado pelo governo e fala-se apenas o espanhol, ou assim querem fazer crer.
Em situação pior se encontra o leonês. Fazendo parte da região de Castela, a língua vem rapidamente sumindo e apenas grupos culturais e folclóricos ainda tenta fazê-lo sobreviver, mas com sucesso limitado. O asturiano, o extremenho e o aragonês são línguas correndo grande perigo de desaparecer pela falta de preocupação do Estado em dar suporte à sua utilização e ensino.
E o galego, apesar de ter uma região autônoma própria e de ser falado por uma ampla maioria da população, é constante vítima do governo de caráter fascista local e da imposição de uma norma homogeneizadora e cruel, que a faz se assemelhar demais com o Espanhol e a perder sua identidade.
O fim do Vieiros pode ter dois significados distintos – ou, ao menos, deixar dois questionamentos ou possibilidades. De um lado, seu fim pode ser o retrato do enfraquecimento do movimento galeguista, uma vitória espanhola que vem na esteira do controle de longa data do PP (Partido Popular, conservador) das terras galegas, por outro, pode ser apenas reflexo da crise econômica que atinge a Europa – como parece ser o caso – e a centelha que fará o movimento ressurgir com força e ocupar os espaços que surgem a cada dia.
*Raphael Tsavkko Garcia é mestrando em Comunicação e blogueiro. Escreve o Blog do Tsavkko e é autor e tradutor do website Global Voices Online.
Espanha: Parlamento catalão proíbe touradas a partir de 2012
Espanha: Parlamento catalão proíbe touradas a partir de 2012
Agência Efe | Barcelona
Apoiadores da proibição das touradas celebram decisão da Câmara catalã, em Madri
O Parlamento da Catalunha proibiu hoje (28/7) touradas a partir de 1º de janeiro do 2012. Com 68 votos a favor, 55 contra e 9 abstenções, a Câmara regional catalã deu sinal verde à Iniciativa Legislativa Popular (ILP), avalizada por 180 mil cidadãos, que pedia a proibição dos eventos, considerados uma das marcas culturais da Espanha.
Trata-se da segunda região espanhola a proibir os festejos envolvendo os touros. A primeira foi a das ilhas Canárias (no Atlântico) que instituiu uma lei de proteção de animais em 1991.
A votação de hoje em uma sessão na Câmara regional, formada por 135 parlamentares, coloca fim a um processo que iniciou em novembro de 2008 e gerou grande expectativa social, política e da mídia, acompanhado sempre pelo olhar atento dos países com tradição taurina como Equador, Colômbia, França, México, Peru, Portugal e Venezuela.
A Iniciativa Popular Legislativa (ILP), que pedia o veto da lida, foi promovida pela plataforma Prou! (Basta!) em defesa dos animais, enquanto o espetáculo taurino como manifestação artística tradicional é um dos argumentos mais generalizados entre os defensores.
A supressão das touradas afetará, a partir de 1º de janeiro de 2012, somente à praça de Touro Monumental de Barcelona.
Apesar de só estar vigente em Barcelona, na Catalunha, uma das regiões mais ricas da Espanha, existem outras tradições com touros, como os "correbous" - espetáculos de rua com touro, onde os animais têm fogo ateado às hastes, mas não são sacrificados.
Com a decisão do Parlamento da Catalunha, abre espaço para a incerteza sobre o futuro das corridas em um país onde o toureio está identificado por amplos setores sociais como "Festa Nacional".
Desejos íntimos
Desejos íntimos
MIRIAN GOLDENBERG Folha de São Paulo - 27/07/2010
MIRIAN GOLDENBERG Folha de São Paulo - 27/07/2010
No território da intimidade, os homens se sentem massacrados por uma suposta superioridade feminina
mulherES reclamam de falta de intimidade. Acreditam que os homens são incapazes de serem mais subjetivos. Queixam-se por eles serem infantis, superficiais, incapazes de expressar seus sofrimentos, vontades e emoções.
Elas afirmam que, para os homens, intimidade se resume a fazer sexo, uma proximidade apenas física. Intimidade, dizem elas, é muito mais do que sexo. É uma maneira especial de estar juntos, conversar, escutar, compartilhar o silêncio, uma profunda comunicação psicológica, uma forma única de entrega amorosa.
Elas se sentem lesadas por investirem muito mais do que eles em um relacionamento.
Uma mulher, que acredita ser "100% heterossexual", conta que está vivendo uma relação extraconjugal com outra mulher. Diz que a amante lhe dá o que falta no casamento: atenção, carinho, delicadeza, diálogo e intimidade física e emocional.
"Meu marido não sabe dar um abraço aconchegante ou escutar verdadeiramente. Acho que os homens são ignorantes em tudo o que diz respeito à intimidade."
Outra revela que tem um amante virtual com quem conversa todas as madrugadas. Ela diz que vive, o que pode parecer um paradoxo, uma intimidade à distância: "Nunca tive conversas tão profundas com meu marido. Sei que pode ser só uma fantasia e que tudo pode acabar se nos encontrarmos no mundo real. Mas prefiro a intimidade que temos no mundo virtual do que a intimidade que jamais tive no mundo real, mesmo que seja apenas uma ilusão de intimidade."
A objetividade, praticidade e racionalidade masculinas, valorizadas em outros contextos, tornam-se impedimentos para um relacionamento íntimo, dizem elas.
Elas se consideram mais sensíveis, maduras e reflexivas. Eles são considerados mais carnais e sexuais. Nos discursos femininos percebe-se a ideia de que a natureza da mulher, em termos de autoconhecimento e exploração da subjetividade, é superior à masculina.
A recorrência da falta de intimidade como principal queixa feminina parece fazer parte de um jogo de dominação entre os gêneros, que legitima o poder das mulheres em tudo o que diz respeito ao mundo privado, às emoções e às relações amorosas.
No domínio da intimidade, os homens se sentem massacrados por uma suposta superioridade feminina.
Um deles, cansado das excessivas reclamações da esposa, pergunta ironicamente: "Será que está na hora de queimar as gravatas em protesto contra a permanente insatisfação das mulheres?".
MIRIAN GOLDENBERG, antropóloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é autora de
"Por Que Homens e mulheres Traem?"(Ed. BestBolso)
Pena de morte
Pena de morte
Deise Francis *, Jornal do Brasil
RIO - Mortes, tragédias, crimes estupidamente violentos – uma realidade que ninguém pode negar. Mércia Nakashima, Isabela Nardoni, Eliza Samudio, Eloá Cristina, casal Von Richthofen... são nomes que carregam histórias de muito sofrimento e tragédia. Concomitantemente, surge o que para alguns seria uma solução para a grande incidência destes acontecimentos: a pena de morte.
Mas ao homem é garantido o direito à vida, tal como consta na Declaração Universal dos Direitos Humanos. As instituições que pregam a abolição da pena de morte alegam o ato como uma incompatibilidade com as normas de comportamento civilizado e caracterizado pela sua irreversibilidade. Em contrapartida, se são assegurados os direitos, onde ficam os deveres humanos? Que assassino pensará antes de cometer um crime sem uma ameaça de que ele pode ser punido severamente? Por que ele irá respeitar o direito à vida do próximo se realmente tem aquela intenção? Quem iria parar o homem que levou Carla Aparecida Araújo Aguiar a um motel, grávida de 8 meses, e a esfaqueou? Como responder a essas interrogações que saltam ao descartar a punição de morte? Até que ponto deixaremos que vidas inocentes sejam sacrificadas da pior maneira em nome da falta de amor e de respeito entre nós?
Medidas como pena de morte e prisão perpétua devem estar acompanhadas de qualidade na investigação e julgamento do caso. Assim também a não descartável participação das partes envolvidas e a opinião pública.
* Bacharel em Comunicação Social
Especulação não traz riqueza, tira
Especulação não traz riqueza, tira
Editorial, Jornal do Brasil
RIO - O anúncio de que o os investidores estrangeiros mudaram o perfil de seus negócios no Brasil pela primeira vez em sete anos é preocupante. O país, nesse período, atravessou com comportamento exemplar crises de graves proporções no cenário econômico internacional. Deu-se ao luxo até de emprestar dinheiro ao Fundo Monetário Internacional como reafirmação de seu status de bom pagador e, sobretudo, de uma economia em ascensão, organizada e modernizada. Sucessivas levas de indicadores sociais reforçaram o papel de destaque no bloco dos Brics – países emergentes com grande potencial. Sendo assim, o que teria levado à fuga do capital mais interessante, que é aquele aplicado em produção e geração de riquezas?
O diagnóstico é claro e antigo. Ainda que tenha conseguido ganhar corpo e crescer de uma forma geral, a economia brasileira é movida não pela filosofia desenvolvimentista mas pela filosofia monetarista. O governo trabalha com a moeda de forma a financiar seu próprio déficit. Quando as economias da Europa começaram a baquear, as primeiras a mostrarem os sintomas de doença foram justamente aquelas mais vinculadas a esse tipo de tratamento econômico. Só sobrevivemos ao impacto da crise iniciada com a Grécia e com a Espanha por termos um mercado interno pujante e capaz de sustentar o crescimento. Mesmo com tantos exemplos, não se pensou na possibilidade de mexer nos conceitos básicos em prol de uma maior estabilidade.
Para os analistas, a fuga do capital estrangeiro dos investimentos nas empresas nacionais tem uma relação direta com a incapacidade do Estado de tornar cada vez mais atraente esse mesmo tipo de aposta. Quem já tentou instalar um escritório de uma empresa multinacional no país certamente sabe da quantidade de obrigações e exigências que enfrenta. Além da burocracia paquidérmica e desnecessária em centros de negócio como Rio e São Paulo, a carga tributária continua tornando cada dólar trazido para o Brasil caro demais. Há, ainda, a questão da supervalorização do real, que deixa os produtos brasileiros menos competitivos no mercado internacional, desestimulando investimentos em ampliação da capacidade industrial. Olhando por esse aspecto, é natural que um investidor se sinta atraído pelo jogo da Bolsa de Valores, com seus índices batendo sucessivos recordes ao longo dos últimos meses.
O problema todo é que esse volume de dinheiro aplicado em mercados de risco é um bem ilusório. Não traz segurança alguma em casos de um soluço sistêmico que deixe hematomas na confiança dos investidores na economia. Ao menor sinal de problema, o apertar de uma tecla no computador pode fazer com que toda essa montanha dourada se desvaneça como uma miragem. Está na hora de o poder público prestar atenção nesse tipo de cenário. E preparar-se para relativizá-lo.
22:32 - 27/07/2010
Reflexão do dia – Luiz Francisco de Carvalho
Reflexão do dia – Luiz Francisco de Carvalho
"O jornal e o site não estão fazendo campanha, estão simplesmente informando o leitor a respeito de algo que ocorreu.
A tentativa do PT é um ato de censura grave. Mal comparando, seria o mesmo que mandar agentes do Estado para recortar páginas dos jornais das bibliotecas para que a notícia jamais seja lida".
(Luís Francisco Carvalho Filho, advogado da Folha de S. Paulo, ao pedido do PT para que o jornal retire de seu site o vídeo da entrevista em que Indio da Costa (DEM), candidato a vice de José Serra (PSDB), acusa o PT de ter ligações com às FARC, ontem, na Folha)
Personalidades que subvertem a lógica do Twitter
“O Twitter é uma ferramenta de comunicação que possibilita a interação e aproximação das pessoas”. Com essa frase, Jack Dorsey, um dos fundadores da empresa, tentou resumir o papel da rede de mensagens de até 140 caracteres. Na prática, diversas razões levam as pessoas a criar perfis: seguir políticos e celebridades, fazer promoções, ganhar dinheiro. Em todas elas, contudo, em geral prevalece a lógica da troca.
É claro que tem gente que subverte a lógica da rede, tentando unicamente garantir o seu “terreno virtual”. Angelina Jolie é a mais recente personalidade a ingressar no ambiente da comunicação virtual visando apenas “dizer” (ou melhor, escrever) – e não ouvir (cultivar seguidores, retuitar – interagir, enfim). A mulher de Brad Pitt não segue ninguém e mantém suas mensagens, se é que elas existem, bloqueadas.
Confira a seguir perfis de algumas personalidades que fogem dos princípios do site – produzir mensagens, acompanhar o que outras pessoas têm a dizer, trocar ideias e interagir.
O líder espiritual Dalai Lama se mostra intocável na ferramenta: produz mensagens quase que diárias sem link e não segue ninguém. Seu índice de generosidade (calculado a partir do hábito de retuitar posts de outros perfis) é zero, segundo medição do site Twitalyzer.
O novo técnico da seleção brasileira é o segundo perfil mais popular do país no Twitter, com mais de 1,4 milhão de seguidores. A exemplo do Dalai Lama, não segue ninguém, muito menos replica tweets alheios.
O comediante e apresentador americano é exemplo do perfil que não distribui links. Resultado: não interage com nenhum dos seus mais de 1,2 milhão de seguidores. O mais inusitado é que O´Brien – que já foi roteirista dos Simpsons – segue apenas uma pessoa. E de forma aleatória. A escolhida foi Sarah Killen, que pouco tempo depois virou uma celebridade virtual.
“Tô aqui de volta pra deixar claro que não quero e não vou processar o Twitter. Sou contra a censura, mas sou a favor do respeito. Fui.” Quem acompanha a rede de mensagens, considera esse tweet – o último de Xuxa Meneghel – uma das postagens mais engraçadas da rede. A apresentadora, que tentou criar passos digitais no microblog, abandonou o espaço em setembro. E nunca mais voltou. Mesmo assim, conta com mais de 380.000 seguidores. O mesmo acontece com o músico Dave Matthews. O cantor, que segue apenas três pessoas, não escreve um tweet desde fevereiro. Apesar do deserto virtual que marca seu perfil, mais de 800.000 pessoas o acompanham – ou melhor, aguardam novas mensagens.
Assinar:
Postagens (Atom)




