sexta-feira, setembro 10, 2010
Demétrio Magnoli:''Lula delinquiu institucionalmente''
Demétrio Magnoli:''Lula delinquiu institucionalmente''
O ESTADO DE S. PAULO - ENTREVISTA - Demétrio Magnoli, sociólogo - Roldão Arruda
O sociólogo e professor Demétrio Magnoli acredita que a possibilidade de reeleição para cargos executivos acentuou no Brasil o uso da máquina do Estado como máquina eleitoral. Uma das provas disso estaria na eleição presidencial deste ano, com o uso da máquina para espionar um candidato e favorecer outro.
Ainda segundo Magnoli, Lula entrou nessa eleição como se estivesse disputando sua segunda reeleição, disposto a ultrapassar repetidamente os limites que separam a militância a favor de uma facção e o respeito às instituições. No recente episódio de violação de dados fiscais, avalia, o presidente "delinquiu institucionalmente".
Acha que o presidente Lula se excedeu quando foi à TV, no horário eleitoral gratuito, defender a candidata do PT das acusações de que sua campanha estaria envolvida com o escândalo da violação de dados Receita?
A resposta a essa questão deve ser dividida em duas partes. A primeira é que o instituto da reeleição tem uma consequência ruim no Brasil e na América Latina, em decorrência das tradições políticas da região, que é a utilização da máquina do Estado como máquina eleitoral. O presidente Lula, que já afirmou que Dilma não passa de um pseudônimo do Lula, vem tratando essa eleição como uma reeleição, como se estivesse tentando o terceiro mandato.
Está dizendo que o governo Dilma, caso ela vença, será o terceiro governo Lula?
Não estou dizendo nem desdizendo. Essa é uma questão para o futuro. O que digo é que o governo encara esta campanha como se fosse a campanha da reeleição para o terceiro mandato.
A segunda parte da resposta à pergunta inicial é que, mesmo levando em conta que o instituto da reeleição tende a fazer da máquina do Estado uma máquina eleitoral, Lula passa de todos os limites aceitáveis. O presidente da República nunca será duas pessoas - o presidente e o líder partidário. No regime presidencialista, ele é presidente 24 horas por dia. Não basta a ele definir um evento como solenidade oficial presidencial e outro, como evento de campanha, porque em todos continua a ser presidente.
Se é assim, como pode fazer campanha pelo seu candidato?
Precisaria, para respeitar a ideia de que o Estado é publico, se autolimitar e renunciar a fazer discursos de campanha típicos de um líder partidário.
Fernando Henrique Cardoso conseguiu isso em 2002?
Basta retomar os pronunciamentos de Fernando Henrique na campanha de 2002 para ver que ele sempre se reprimia para não ultrapassar a fronteira do respeito às instituições. Nas campanhas, líderes partidários ultrapassam a fronteira do respeito às instituições. Isso pode ter um preço político, mas é tolerado, porque falam como chefe de facção - o partido. O presidente não pode ultrapassar o limite, mas Lula é useiro e vezeiro em desrespeitar instituições e leis. No caso atual, pouca diferença faz se ele estava falando num ambiente que simulava o ambiente presidencial, como se viu, ou num comício. O que importa no episódio é que ele, como presidente da República, disse que as violações comprovadas de sigilos não têm importância e não passam de futricas da oposição. Ao dizer isso, independentemente do ambiente e do rótulo que vestia, de presidente ou líder petista, porque é sempre presidente, ele delinquiu institucionalmente.
Ao falar em delinquência, o senhor se refere a qual aspecto: ético ou legal?
Falo em termos políticos e legais. Crimes de violação de sigilo estão previstos na lei.
Lula não estaria apenas criticando o uso eleitoral do episódio? A tentativa do PSDB de criar um factoide para empurrar a eleição para o segundo turno?
Se fosse mesmo um factoide, ele poderia ter dito que não houve crime e criticar o uso eleitoral do episódio. Mas está provado que os sigilos foram violados e que os dados foram parar nas mãos de gente da campanha de Dilma e em blogs eleitorais sustentados com o dinheiro de empresas do governo. Se o Estado viola sigilos com objetivos eleitorais, se a Receita acoberta o crime, usando uma procuração que ela já sabia que era falsa, como criticar o candidato da oposição que apresenta esses fatos na campanha? Ele tem o dever de apresentar.
Ao dizer que tudo não passa de futrica, o presidente pode influenciar as investigações? Isso afetaria as instituições encarregadas de apurar os fatos?
É evidente que isso pode ter influência nos órgãos ligados ao Executivo e subordinados ao presidente, como a Receita e a Polícia Federal. Quando o presidente diz que não houve crime, que é futrica, está estimulando os órgãos a não investigarem. É a palavra do chefe.
O senhor iniciou a entrevista falando dos problemas da reeleição no Brasil e América Latina. Mas os países desenvolvidos também têm reeleição.
A ênfase na América Latina foi pelo fato de termos aqui uma longa tradição de caudilhos, para os quais o Estado não se ergue acima das facções políticas, mas se torna instrumento de uma facção - a que detém o poder. Essa tradição faz com que o instituto da reeleição acentue o processo de captura do Estado por uma facção política. Lula adorou tanto o instituto da reeleição que imagina estar se reelegendo pela segunda vez.
QUEM É: Sociólogo e doutor em geografia humana pela Universidade de São Paulo (USP) é autor de Uma Gota de Sangue - História do Pensamento Racial, O novo mapa do mundo, História das Guerras e História da Paz, entre outros.
Office-boy nega versão de Atella sobre procuração falsa e polícia planeja acareação
Versões conflitantes
Office-boy nega versão de Atella sobre procuração falsa e polícia planeja acareação
Sérgio Roxo – O Globo
O office-boy Ademir Estevam Cabral negou ontem, em depoimento à Polícia Civil de São Paulo, que tenha participado da falsificação da procuração apresentada pelo suposto contador Antonio Carlos Atella Ferreira para obter os dados fiscais de Verônica Serra, filha do candidato do PSDB à Presidência, José Serra. A divergência deverá levar a uma acareação entre os dois. Ontem, a polícia pediu à Justiça a quebra do sigilo telefônico tanto de Atella quanto de Ademir. O objetivo é saber para quem eles ligavam na época em que foram acessados os dados de Verônica.
Protegidos por sigilo, os dados fiscais da filha de Serra foram parar num suposto dossiê que estava em poder de integrantes da campanha da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff. Além de Verônica e do marido dela, outras quatro pessoas ligadas a Serra também tiveram os dados vasculhados na Receita.
No último dia 2, em entrevista ao “Jornal Nacional”, da TV Globo, Atella, filiado ao PT de Mauá (SP), disse que recebera a procuração de Ademir, filiado ao PV de Francisco Morato (SP). Afirmou ainda que Ademir o contratara para ir à Receita levantar informações sobre a filha de Serra: — Ele tem contato com advogados e tem a reputação profissional de ser uma pessoa que agiliza os documentos dos órgãos — disse Atella sobre Ademir.
Se Atella mantiver a afirmação, em seu depoimento previsto para hoje, a polícia deverá confrontar as versões.
Em depoimento prestado ontem de manhã na Delegacia Seccional de Santo André, na Região Metropolitana de São Paulo, ao qual O GLOBO teve acesso, Ademir disse conhecer Atella há cerca de cinco anos. Contou que não tem ocupação fixa e trabalha de forma autônoma, como despachante: dá entrada em documentos em órgãos como a Junta Comercial e a própria Receita Federal. Também declarou não conhecer Verônica e políticos de destaque no cenário nacional.
Em entrevista ao “Jornal Nacional”, Ademir explicou ontem por que ficou uma semana longe de sua casa, em Francisco Morato, e do escritório no Centro de São Paulo: — Sou caipira. Não gosto de aparecer.
Estou sendo chamado de bandido, mas não sou bandido.
Sou pai de família e trabalhador.
Ademir também forneceu material para exame grafotécnico. O objetivo é verificar de quem é a letra na falsa procuração.
Atella e Ademir dividiam escritório
O delegado José Emílio Pescarmona, que ouviu Ademir, disse que ele deu uma versão oposta à de Atella: — Alega o Ademir que ele nunca passou serviço ao Antonio Carlos (Atella). Ao contrário, o Antonio Carlos é que se prestava a dar serviço ao Ademir. Alega também que não conhece Verônica Serra e desconhece o documento (a procuração).
Ademir contou à polícia que, por um mês em 2009, dividiu com Atella o escritório localizado no Centro da capital paulista. Segundo ele, essa sociedade foi anterior ao período em que houve a quebra do sigilo fiscal de Verônica.
Contou que, por “motivos pessoais”, o suposto contador teria deixado de atender no local.
Ainda no depoimento, o officeboy contou que teve contato com Atella, pela última vez, uma semana antes de o nome do suposto contador aparecer como responsável pela falsa procuração.
Cala boca já morreu
Cala boca já morreu
Dora Kramer - O Estado de S. Paulo - 10/09/2010
A intervenção radical do presidente Luiz Inácio da Silva no contra-ataque para transformar o candidato da oposição de vítima em algoz no caso das violações de sigilo fiscal pode ter sido motivada por algum sinal negativo nas pesquisas ou, então, foi uma tentativa do presidente de aplicar um corretivo no adversário a fim de calar as críticas.
A segunda hipótese parece a mais provável como medida preventiva à primeira. Tendo sido isso mesmo - aqui e ali aparecem notícias de assessores do presidente dizendo que ele decidiu "dar um tranco" na oposição -, a participação de Lula no horário eleitoral para defender sua cidadela não atingiu o objetivo como em outras vezes.
A fala do presidente, por extremamente inadequada do ponto de vista institucional, suscitou reações de toda parte, Judiciário incluído. O candidato José Serra, que já havia delegado a função de falar a respeito ao presidente do PSDB, Sérgio Guerra (o equivalente a deixar morrer o assunto), pôde voltar ao tema.
Serra tem pouco a perder e, portanto, começou a jogar sem medo da derrota em busca de uma difícil vitória, enquanto o PT atua para não errar, tenso apesar da dianteira porque está não só obrigado a ganhar como a vencer no primeiro turno.
Depois da entrada no horário eleitoral, as críticas se voltaram contra a falta de senso de limite do presidente. Não que ele esteja muito preocupado com esse tipo de público que reclama. Mas é de se notar que até há pouco tempo quando Lula falava havia encolhimento ou consentimento.
No caso do mensalão, quando ele falou que "todo mundo" usava caixa 2, houve consenso de que o presidente havia dito algo impróprio, mas verdadeiro e, portanto, aceitável.
Agora há rejeição, estranheza ou silêncio, mas não apoio. E como se sabe foi a esse estrato que o PT conseguiu convencer primeiro sobre seus propósitos éticos e sua disposição de modernizar o Brasil.
Os pobres vieram depois, já na era do pragmatismo.
Cabeça fria. O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Cezar Peluso, assegura que o tribunal não deixará se prolongar a expectativa acerca da constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa: decidirá ainda antes da eleição se políticos condenados em julgamentos colegiados ou que tenham renunciado para fugir de processos de cassação de mandatos podem seguir na disputa.
Grosso modo o Judiciário vem se manifestando favoravelmente à vigência e aplicabilidade da lei para a eleição do próximo dia 3 de outubro. A maioria dos Tribunais Regionais Eleitorais assim se posicionou e também o Tribunal Superior Eleitoral decidiu que a lei vale agora e alcança a todos.
Com base no fato de que não se trata de uma regra eleitoral, mas de uma condição de elegibilidade. Por isso não precisaria ter sido aprovada um ano antes das eleições. Da mesma forma não se pode alegar o preceito da não-retroatividade por não se tratar de uma pena, mas de um requisito para o candidato conseguir obter o registro para concorrer.
É assim que a coisa está e, por enquanto, vários candidatos fichas-sujas - segundo o enquadramento previsto na lei - ficam de fora.
O STF poderá mudar isso? Poderá e se o fizer não merecerá as diatribes que cairão sobre os magistrados. Se acontecer terá sido inépcia dos legisladores.
Nessa hora é que entra o cidadão e, no lugar de espernear de cabeça quente, faz a sua parte com a cabeça fria e não vota em quem não tenha vida pregressa apresentável.
Na muda. Não se ouve do PMDB uma só voz em defesa da tese de que a quebra de sigilo fiscal nas dependências da Receita é uma coisa, mas a conduta do PT é outra completamente diferente.
Já que se arvora ao papel de poder moderador, seria adequado que o PMDB nesta hora oferecesse ao País demonstração inequívoca de seus dotes de mediação republicana.
Lula sanciona lei que simplifica a tramitação de recursos no STJ e STF
Lula sanciona lei que simplifica a tramitação de recursos no STJ e STF
Luiza Damé – O Globo
BRASÍLIA. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou ontem lei que muda o Código de Processo Civil, simplificando a apresentação e a tramitação do agravo de instrumento - recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF) que pede revisão de decisões dos tribunais de segundo grau em processos judiciais.
A mudança visa reduzir a morosidade e os custos.
Pelas regras, até então vigentes, o processo tramitava duas vezes no mesmo tribunal superior: primeiro, por meio do agravo e, depois, com o processo original. Até então, quem recorria aos tribunais superiores para modificar uma decisão de instância inferior deveria enviar tanto o Agravo instrumentalizado quanto a cópia dos autos. A mesma ação acabava por tramitar duas vezes na mesma corte. Com a aprovação do projeto de lei, a necessidade deste envio está extinta. Se o tribunal aceitar recurso, o processo tramita diretamente, sem ter que esperar pela chegada dos originais.
Segundo o Ministério da Justiça, o sistema “onera o Poder Judiciário, os advogados e os cidadãos”. Após a sanção da lei, o agravo passa a tramitar com o processo original, cabendo aos tribunais remeter os autos ao STF ou ao STJ.
O presidente do STF, Cezar Peluso, que participou da cerimônia no Palácio do Planalto, disse que a mudança, embora simples, representará economia para o Judiciário, não só pecuniária, mas também de recursos humanos. Segundo ele, o STF vai economizar “alguns milhares de reais” que seriam gastos num software para administrar os recursos de agravo no modelo antigo.
O Tribunal está implantando o processamento eletrônico.
O ministro disse que hoje é necessário mobilizar servidores para controlar todas as peças de um agravo, de forma a verificar se os elementos necessários à compreensão da causa estão presentes. Caso contrário, o recurso pode ser inviabilizado.
A lei faz parte do 2º Pacto de Reforma do Judiciário, documento assinado em abril de 2009 por integrantes de Executivo, Legislativo e Judiciário, que prevê medidas para ampliar o acesso à Justiça e o combate à morosidade dos processos. Para o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, a mudança significa “celeridade e economia processual”. Segundo ele, o tempo economizado na tramitação de um agravo será de seis meses a um ano.
— É uma medida pequena, mas que impacta na Justiça. Está dentro do pacto republicano e certamente melhorará e agilizará a prestação jurisdicional.
A banalização do dolo
A banalização do dolo
Merval Pereira – O Globo
A candidata do Partido Verde à Presidência da República, Marina Silva, tocou o dedo na ferida ontem, ao acusar o presidente Lula de não ter agido em benefício do cidadão brasileiro no caso dos sigilos fiscais quebrados sucessivamente em agências da Receita Federal em São Paulo e Minas
Ela se referia ao fato de que milhares de cidadãos comuns tiveram seus sigilos violados por funcionários da Receita, e que o governo, em vez de se desculpar com essas vítimas indefesas e tomar providências imediatas para restaurar a confiança pública naquele órgão, preocupou-se apenas em defender a candidata de seu partido à sucessão.
Marina se referiu a certa altura à “banalização do dolo”, usando uma expressão que ficou famosa na definição da filósofa Hannah Arendt ao se referir aos crimes do nazismo, com base no julgamento de Adolf Eichmann, como a “banalização do mal”.
O que preocupa a candidata do Partido Verde é que fatos graves como a violação de sigilos fiscais numa repartição do Estado brasileiro passam a ser tratados como meras “futricas” de campanha, com o estímulo do próprio presidente da República.
No corolário dessa preocupação de Marina vem uma dúvida, que ela não explicitou: quem pode confiar que a apuração dos fatos pela Receita Federal e Polícia Federal seja rigorosa e republicana, se o próprio presidente da República vai à televisão para garantir aos cidadãos brasileiros que nada aconteceu, que tudo não passa de uma “armação política” contra Dilma Rousseff, coisa da oposição que é “do contra”, não é patriota e tem preconceito contra as mulheres? Marina Silva está preocupada com o estado de apatia que se abate sobre a sociedade nesta eleição, não propiciando um debate mais aprofundado das questões nacionais.
Ela tem se dedicado a incutir a ideia de que é preciso haver um segundo turno na eleição presidencial para que os candidatos finalistas — e ela espera estar entre eles — possam confrontar suas ideias com tempos iguais na televisão e nos debates frente a frente nas televisões.
Com relação à participação do presidente Lula no programa eleitoral de Dilma Rousseff, a sensação entre os políticos, tanto do PV quanto do PSDB, é a de que o presidente fez uma ação preventiva, sentindo nas muitas análises do episódio que este tem potencial para interferir na aprovação de sua candidata, embora os índices das pesquisas de tracking telefônico não indiquem ainda uma mudança de tendência.
Além de ter se exposto a críticas pela sua participação extemporânea, explicitando uma tutela de sua candidata que expõe sua fragilidade, o presidente Lula usou símbolos nacionais em sua aparição, confundindo a posição institucional de presidente da República com a de cabo eleitoral do PT.
Quando se elegeu em 2002, Lula passou bons meses usando um broche com a estrela do PT na lapela e foi muito criticado por isso.
Exigia-se na ocasião que ele abandonasse a postura de líder partidário para colocar na lapela o broche com as armas da República, símbolo da Presidência da República de todos os brasileiros.
Também dona Marisa, a primeira-dama, fez um canteiro no Palácio da Alvorada em forma de estrela, com flores vermelhas, e foi muito criticada por enfeitar um prédio público com suas preferências partidárias.
Pois hoje o presidente Lula faz o contrário: usa símbolos da República para apoiar a candidata petista à sua sucessão.
Já havia usado a biblioteca do Palácio da Alvorada como cenário de um dos programas eleitorais de Dilma, e agora, justamente no dia 7 de setembro, o presidente vai à televisão, com o broche com a bandeira do Brasil na lapela, para fazer uma declaração pública em defesa da candidata que apoia, e não sobre o caso institucional envolvendo a Receita Federal e milhares de contribuintes.
E com o Hino Nacional como fundo musical.
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Ainda sobre o papel de José Dirceu na origem da montagem de um aparelho de inteligência e informação no PT e no governo Lula.
As ligações do ex-ministro e deputado federal cassado José Dirceu com Cuba são do conhecimento de todos, e ele não esconde os profundos laços que o unem aos dirigentes cubanos.
Ele esteve asilado em Cuba, depois de ter sido trocado pelo embaixador dos Estados Unidos Charles Elbrick, em 1969.
Quando era o todo-poderoso chefe da Casa Civil, teve participação decisiva no envio de homens da Agência Brasileira de Informações (Abin) para treinar em Cuba.
Segundo justificou na época, e eu registrei na coluna em março de 2005, “o serviço secreto cubano é dos melhores do mundo, junto com o de Israel e o da Rússia”.
Dirceu explicou que, apesar de todo o bloqueio econômico e político, até mesmo a CIA trocava informações com o serviço secreto cubano em matérias de interesse comum, como o tráfico de drogas e a lavagem de dinheiro: “Serviço secreto é assim mesmo, troca informações. Se você tem informação, recebe de volta. Aí não tem nada de política”.
Dirceu deve saber do que fala. Segundo o relato de brasileiros que estiveram exilados com ele em Cuba, mantinha uma relação bastante próxima do comandante Manuel Piñeiro, o Barba Vermelha, chefe do serviço secreto cubano, o famoso G-2.
Um dos guerrilheiros que acompanharam Fidel Castro e Che Guevara na guerrilha de Sierra Maestra, Piñeiro depois se uniu a Guevara na Bolívia.
Nos anos 1970, passou a ser o responsável pela organização do apoio logístico, com armas, dinheiro e treinamento militar, para grupos guerrilheiros da América Latina, tendo estreitado a relação com o jovem líder estudantil José Dirceu.
Coisas, coisas
Coisas, coisas
A despeito do amor,
as coisas todas
se fizeram ao mar.
Não quis retê-las.
Não conheci regresso.
Coisas, coisas
vos amei por excesso.
E o universo
me foi alto preço.
Todos os bens
vendidos em leilão.
O ar vendido.
Os rios.
As estações.
Comprei arrobas de chuva
ao meu pomar.
Trouxe neblina
de arrasto
pela morte.
Comprei a noite
e dei o menor lance
ao horizonte.
Coisas, coisas
vos amei por excesso.
Carlos Nejar
Gabeira acusa Cabral de aliança com milícias
Gabeira acusa Cabral de aliança com milícias
Hudson Corrêa FOLHA DE S. PAULO
DO RIO - O candidato a governador do Rio pelo PV, Fernando Gabeira, subiu o tom das críticas nesta quarta-feira em seu programa eleitoral e acusou o governador Sérgio Cabral (PMDB), que disputa a reeleição, de ter aliança com milícias --grupos criminosos que promovem extorsão em favelas em troca de "proteção" a comerciantes.
"Ele [Cabral] diz que quem entra nas comunidades armadas faz acordo com o tráfico. O acordo é o seguinte: metralhadora para baixo, nós entramos. Metralhadora voltada contra nós, nós saímos", disse Gabeira.
"O governador Cabral e o seu PMDB, esses sim, têm inúmeras evidências na história recente de uma aliança política com as milícias", acrescentou.
Em seguida, exibiu vídeo em que Cabral aparece em palanque ao lado do ex-deputado estadual Natalino José Gomes Guimarães, condenado a 15 anos de prisão por formação de quadrilha armada e porte de arma de uso restrito. Outra cena mostra o governador com Jerônimo Guimarães Filho, o Jerominho, irmão de Natalino e ex-vereador pelo Rio, também condenado.
As imagens já circulavam na internet. Cabral nega qualquer tipo de aliança e argumenta que a Polícia Civil, comandada por ele, prendeu os dois políticos.
Ministros do TSE criticam ida de Lula para atacar tucano
Ministros do TSE criticam ida de Lula para atacar tucano
Mariângela Gallucci O ESTADO DE S. PAULO
Ministros e ex-ministros do Tribunal Superior Eleitoral consideraram "inadequada" a participação do presidente Lula no horário eleitoral para defender sua candidata Dilma Rousseff, e atacar José Serra. Para eles, Lula deu a impressão de que fazia um pronunciamento presidencial.
Para ministros, aparição na TV foi ''inadequada''
Avaliação é de que Lula transmitiu a impressão equivocada de que fazia pronunciamento oficial como chefe da Nação
Ministros e ex-ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) avaliariam ontem que a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no horário eleitoral gratuito para defender a sua candidata, Dilma Rousseff, e atacar o tucano José Serra foi "inadequada" porque transmitiu aos eleitores a impressão equivocada de que ele fazia um pronunciamento oficial como chefe da Nação.
Lula ocupou mais de 20% do programa de Dilma veiculado na terça-feira.
Num ambiente sóbrio, mimetizando um espaço oficial, o presidente fez uma espécie de pronunciamento, no qual acusou a oposição de partir para o ataque pessoal e cometer baixaria.
"Nossa candidata Dilma tem feito uma campanha elevada, discutindo propostas, mostrando o que fizemos e o que ainda vamos fazer pelo Brasil", afirmou Lula no programa do PT. "Infelizmente, nosso adversário, candidato da turma do contra, que torce o nariz contra tudo o que o povo brasileiro conquistou nos últimos anos, resolveu partir para ataques pessoais e para a baixaria."
Ar institucional. Nos meios jurídicos, não há dúvidas de que Lula tem o direito de participar dos programas eleitorais de Dilma, que é a sua candidata e está no mesmo partido. O problema, na avaliação de especialistas, é quando ele tenta dar um ar institucional, de pronunciamento oficial, para atacar o principal adversário da petista. Outro detalhe mencionado pelos especialistas é que, como chefe do Executivo, Lula não deveria falar sobre episódios de quebra de sigilo que estariam sendo investigados no governo.
A vice-procuradora-geral eleitoral, Sandra Cureau, disse ontem que vai avaliar a participação de Lula no horário eleitoral. Segundo ela, no episódio da quebra de sigilo fiscal de tucanos, ainda é difícil comprovar intuito eleitoral no vazamento dos dados, "uma vez que essas informações ainda não foram devidamente usadas por nenhum partido na propaganda eleitoral".
"Toda a dificuldade neste momento é demonstrar a conotação eleitoral", explicou a vice-procuradora, argumentando que não há prova até o momento de que foi pedido pelo PT. "A única prova que tem é que o cidadão é filiado ao PT. As pessoas têm filiação com o partido da candidata, mas já que não foi usado, como é que a gente vai demonstrar que essas pessoas agiram a mando da candidata ou a mando do comando de campanha? A menos que apareça alguém dizendo isso, o que não aconteceu até agora."
Gênese da delinquência
Gênese da delinquência
Clóvis Rossi - FOLHA DE S. PAULO
SÃO PAULO - Vinicius Torres Freire, que, como Gardel, "cada día canta mejor", disse em sua coluna de ontem em "Mercado" quase tudo o que eu gostaria de dizer sobre o mais recente escândalo da escandalosa política tapuia.
O foco, a meu ver, foi a frase "Lula e o lulo-petismo (...) apadrinharam malfeitores". Bingo.
Faltou apenas explicitar a gênese do apadrinhamento. Está na frase de Lula sobre o mensalão, na famosa entrevista dada em Paris: "O PT fez o que todo mundo faz".
O que todo mundo faz, segundo Lula, seria caixa dois. Circunscrever o mensalão a caixa dois não teve aval do então procurador-geral, que acusou um lote de petistas graúdos de, entre outros crimes, "formação de quadrilha". O STF acolheu a argumentação do procurador.
Muito bem. Mesmo que tivesse sido apenas caixa dois, resta o fato de que "caixa dois é coisa de bandido", frase de ninguém menos que Márcio Thomaz Bastos, então ministro da Justiça.
Não há, até agora, a bala de prata que prove que o PT, como instituição, e a campanha Dilma estejam envolvidos na quebra de sigilo de tucanos. Mas a frase de Lula, aceitando que o PT fez o que seu ministro disse ser "coisa de bandido", equivale a apadrinhar malfeitores, como escreveu Vinicius.
Apadrinhamento que o ministro Guido Mantega trouxe para o tempo presente, ao dizer que "vazamentos sempre ocorrem". Todo o mundo sabe que ocorrem, mas, ao conformar-se com a delinquência, o ministro do PT está também apadrinhando-a por omissão.
Nada a ver com o discurso de posse (a primeira) de Luiz Inácio Lula da Silva, que dizia: "O combate à corrupção e a defesa da ética no trato da coisa pública serão objetivos centrais e permanentes de meu governo. É preciso enfrentar (...) e derrotar a verdadeira cultura da impunidade que prevalece em certos setores da vida brasileira".
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