domingo, setembro 19, 2010

''O transcendente não pode deduzir-se do imanente''

''O transcendente não pode deduzir-se do imanente''
José Maria Vidal
Stephen Hawking, um dos mais prestigiosos cientistas do mundo, nega a existência de um Deus criador (um dos principais dogmas do cristianismo) e, questionada, a Conferência Episcopal Espanhola guarda silêncio. Nem sequer aproveita a ocasião para oferecer uma catequese sobre o tema. Porém o faz o padre jesuíta Javier Leach Albert, especialista na matéria, o qual, para rebater a tese de Hawking de que Deus não criou o universo, recorre a Santo Agostinho: “O transcendente não pode deduzir-se do imanente”.
O que responderia à tese de Hawking de que “Deus não criou o Universo”?
A fé no Criador se baseou historicamente na busca filosófica e na fé compartilhada por muitas religiões. Supõe uma visão compartilhada do mundo baseada numa percepção ou experiência de tipo filosófico ou religioso. Não pode deduzir-se do conhecimento empírico. Citando Santo Agostinho, podemos dizer que “o transcendente não pode deduzir-se do imanente” (“Si comprehendis non est Deus”).
Com efeito, o silencio da linguagem científica sobre a criação pode ajuda a purificar a fé religiosa, permitindo que o crente encontre a harmonia existente entre as leis da natureza e a presença do Criador.
Sem dúvida houve vozes na história que afirmaram que a ciência e a fé no Criador têm que opor-se, porque suas percepções e sua linguagem estão em conflito mortal. Num livro que aparecerá publicado em inglês neste mesmo mês de setembro pela Editorial Templeton, intitulado ‘Mathematics and Religion’, procurei mostrar que as muralhas entre ambos os campos beligerantes não são tão firmes como acreditaram a ciência ou a religião em outras épocas. O mundo e seus sistemas naturais estão abertos, ao mesmo tempo em que a consciência de nosso pensamento aponta com necessidade lógica à existência transcendente.
Na busca de conhecimento acerca das últimas causas do mundo, nós nos voltamos para a metafísica e sua linguagem específica, a qual excede a linguagem empírico-matemática e que se nos torna compreensível no contexto de uma tradição e uma comunidade. O fato de que esta busca continue, mostra a existência, na mente humana, de certa consistência sublime, desinteressada e universal.
Pode-se demonstrar que Deus não existe?
Qualquer demonstração se baseia no ato de deduzir uma conclusão de certas premissas. Se eu quiser convencer alguém de algo, baseio-me em certas premissas que considero válidas e que meu interlocutor também tem por válidas, e deduzo a partir delas o que quero demonstrar.
Historicamente se escreveram demonstrações da existência e da não existência de Deus. As demonstrações da existência de Deus utilizam uma linguagem e certas premissas de tipo filosófico. O problema de sua validez não se estriba em que a argumentação não esteja bem construída. O problema está em aceitar a validez das premissas.
Algo semelhante ocorre com as demonstrações da não existência de Deus. Nas premissas já há afirmações de tipo agnóstico ou ateu acerca da existência dos seres da realidade. Uma destas afirmações poderia ser, por exemplo, que somente admito o conhecimento que eu possa expressar mediante uma linguagem física numa teoria física.
A criação espontânea descarta o criador?
Depende do que entendamos por espontânea. Provavelmente ‘espontânea’ significa sem causa. A que tipo de causa nos estamos referindo?
Se mediante o termo ‘criação espontânea’ negamos que exista uma causa da origem do universo que possamos expressar mediante uma teoria física, então a criação espontânea descartaria o criador somente se ao mesmo tempo afirmarmos que só podemos expressar uma causa da origem do universo mediante uma teoria física (e esta afirmação é de tipo filosófico e excede a física).
Novamente, em nossa argumentação, voltamos a discutir as premissas. Uma premissa crente nos leva a conclusões crentes. Uma premissa não crente nos leva a conclusões não crentes.
Pode-se manter cientificamente a idéia de um Deus criador?
O uso da linguagem matemática por parte da Física moderna, a partir do século XVII e com figuras como Galileu, Newton e Leibniz para explicar observações feitas, tem o efeito de unificar a linguagem com a qual nos referimos aos diversos tipos de causas. A capacidade de descrever matematicamente as relações causa-efeito está precisamente no coração da ciência moderna.
A ciência é competente no conhecimento dos componentes empíricos do universo e a religião na busca de valores éticos e do significado espiritual de nossas vidas. Sem embargo, para alcançar a sabedoria de uma vida plena faz falta muita atenção a ambos os domínios. Um grande livro nos diz que a verdade pode tornar-nos livres e que viveremos em harmonia com nossos próximos quando aprendermos a atuar com justiça, a amar com misericórdia e a caminhar humildemente... A ciência abrange o universo empírico: aqueles elementos que constituem a realidade (fatos) e as razões por que as coisas funcionam da maneira em que o fazem (teorias). A religião abrange as questões de significado moral e os valores.
Segundo esta proposta, a ciência e a religião não podem separar-se. Sua relação é complementar, porém não é uma relação simétrica.
Podemos dizer que, segundo esta relação, o conhecimento religioso necessita da ciência, enquanto a ciência pode ser feita sem religião. Esta assimetria é um ‘plus’, um mais ou um além para a ciência, já que nela se considera que a ciência é autônoma, mas também é um ‘plus’ para a religião, porque atribui à religião uma visão mais integral do mundo e da vida.
Fonte: Religión Digital e Unisinos

É possível fixação de alimentos transitórios a ex-cônjuge

STJ – SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - DECISÃO - 15/09/2010 - 08h02
É possível fixação de alimentos transitórios a ex-cônjuge
O juiz pode fixar alimentos transitórios, devidos por prazo certo, a ex-cônjuge. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu válida a fixação de pensão alimentícia mensal por dois anos, a contar do trânsito em julgado da decisão que a fixou, em favor de ex-cônjuge que, embora não tenha exercido atividade remunerada durante a constância do casamento, detém idade e condições para o trabalho.
A decisão da Terceira Turma do Tribunal estabeleceu também que ao conceder alimentos o julgador deve registrar expressamente o índice de atualização monetária dos valores. Diante da ausência dessa previsão no caso analisado, o Tribunal seguiu sua jurisprudência para fixar o valor em número de salários-mínimos, convertidos pela data do acórdão.
O processo teve origem em Minas Gerais. Após casamento de cerca de 20 anos, a esposa descobriu um filho do marido oriundo de relacionamento extraconjugal mantido durante o casamento e decidiu se separar.
Entre os pedidos, constava a alegação de ter, quando do casamento, deixado seu emprego a pedido do marido, médico, que prometera proporcionar-lhe elevado padrão de vida.
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) definiu a pensão alimentícia como devida pelo prazo de dois anos, contados do trânsito em julgado da decisão que a fixou, sem adotar índice algum de atualização monetária. Isso porque a autora seria ainda jovem – atualmente com 51 anos – e apta ao trabalho, além de ter obtido na partilha dos bens da união patrimônio de cerca de R$ 400 mil. No STJ, ela pretendia afastar o prazo predeterminado da pensão mensal e o reajuste das parcelas pelo salário-mínimo.
Para a ministra Nancy Andrighi, uma das características da obrigação alimentar é a sua condicionalidade à permanência de seus requisitos: vínculo de parentesco, conjugal ou convivencial; necessidade e incapacidade, ainda que temporária, do alimentando para sustentar-se; e possibilidade do alimentante de fornecer a prestação.
Mas a relatora afirma que a aplicação desses pressupostos legais, aparentemente objetivos, não é simples, já que incidem sobre diversos elementos subjetivos e definem os limites da obrigação alimentar em uma sociedade “hipercomplexa” e multifacetada.
“O fosso fático entre a lei e o contexto social impõe ao juiz detida análise de todas as circunstâncias e peculiaridades passíveis de visualização ou de intelecção no processo, para imprescindível aferição da capacidade ou não de autossustento daquele que pleiteia alimentos”, sustentou a ministra.
“Dessa forma é possível, ou talvez, até necessária a definição de balizas conjunturais indicativas, que venham a dimensionar a presunção de necessidade ou, ainda, que sinalizem no sentido de sua inexistência”, completou a relatora.
Na hipótese julgada, o acórdão do Tribunal mineiro verificou que a alimentanda é pessoa com idade, condições e formação profissional compatíveis com uma provável inserção no mercado de trabalho, o que, conforme considerou a ministra, faz com que a presunção opere contra quem pede os alimentos.
Fazendo menção à boa-fé objetiva, a relatora afirmou que a fixação de alimentos conforme especificada pelo TJMG adota caráter motivador para que o alimentando busque efetiva recolocação profissional, e não permaneça indefinidamente à sombra do conforto material propiciado pelos alimentos prestados pelo ex-cônjuge, antes provedor do lar.
Dessa forma, ficou definido o cabimento de alimentos transitórios, devidos a tempo certo, nas hipóteses em que o credor da pensão seja capaz de atingir, a partir de um determinado momento, a sua autonomia financeira, ocasião em que o devedor será liberado automaticamente da obrigação. Coordenadoria de Editoria e Imprensa

Pelicano, para Bom Dia (SP)


A última que morre

A última que morre
Merval Pereira – O Globo
 Na expectativa de que as próximas pesquisas eleitorais registrem alterações na definição do eleitorado que permitam a esperança de um segundo turno, os principais líderes do PSDB vivem uma situação paradoxal.
Gostariam de ir para o segundo turno para manter a polarização com o PT, mas não acreditam que seja possível vencer. Até porque, admitem, Serra teria que mudar totalmente os rumos da campanha, e não acreditam que ele se disporá a isso.
Ao contrário, ele se convencerá de que a estratégia do marqueteiro Luiz Gonzalez estava correta.
Caso a hipótese de um segundo turno se concretize, porém, duas ações práticas estão sendo preparadas: é previsível que haja no PSDB um movimento para uma comissão partidária assumir o comando da campanha.
Há também um manifesto sendo negociado, para ser assinado por grandes nomes da cidadania nacional, chamando a atenção para a atuação antirrepublicana do presidente Lula na campanha.
Querem com isso constranger suas ações em favor de Dilma num eventual segundo turno.
Serra terá, porém, que enfrentar um problema factual: se chegar ao segundo turno mais devido à subida de Marina Silva do que por sua própria força, Serra estará fadado a perder para Dilma a maior parte do eleitorado que escolheu a candidata do Partido Verde no primeiro turno.
Do ponto de vista do militante tucano, chegar ao segundo turno é o objetivo estratégico para manter-se uma referência da oposição.
Mas, para ganhar a eleição da candidata de Lula, a maior chance estaria com Marina Silva, desde que ela mostrasse nessa reta final da eleição capacidade de crescer tirando votos tanto de Dilma quanto de Serra, superando o tucano.
A mais recente pesquisa Datafolha mostra Marina subindo tirando votos de Serra e dos indecisos, mas sem alterar a posição de Dilma, o que não levaria ao segundo turno.
A campanha de Serra pode se deparar com um problema a mais: nas condições políticas atuais, o voto útil em Marina pode vir a se transformar em uma arma mais efetiva para derrotar o lulismo do que o voto em Serra.
Hoje, nas grandes cidades, há um movimento próMarina que pode provocar uma “onda verde” na reta final da eleição.
A estratégia que Serra tentou no início da campanha, de não encarnar o candidato antiLula, na esperança de que o eleitorado lulista o considerasse uma alternativa, Marina utiliza com mais naturalidade.
Tendo uma história de vida inteira dentro do PT e tendo sido ministra do Meio Ambiente na maior parte do governo Lula, a candidata verde tem legitimidade para criticar o governo Lula sem se colocar como dissidente.
Por isso ela evitou durante toda a campanha fazer críticas diretas ao presidente Lula ou à candidata Dilma Rousseff, sem culpá-los pela sua saída do ministério.
O que parece a muitos uma fragilidade de sua campanha, pode ser o justo equilíbrio para levá-la a se tornar a opção do eleitor petista que esteja eventualmente desgostoso com os rumos que o governo vem tomando.
A situação de Serra, por outro lado, continuará bastante difícil mesmo que vá para o segundo turno.
Se não houver mudanças significativas difíceis de se enxergar no momento, ele chegará lá, pelo que as pesquisas estão mostrando, com menos votos do que o candidato tucano Geraldo Alckmin teve em 2006.
Dificilmente atingirá os 42% de votos válidos que o candidato do PSDB obteve naquela eleição, o que o enfraquece como candidato e também dentro do próprio partido.
O presidente Lula, em entrevista ao site IG, comparou mais uma vez a situação de Serra à dele em 1994 e 1998, quando disputou a eleição e perdeu no primeiro turno para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso: “Eu lembro o que era dificuldade em fazer discurso em 1994. Sabe, o real bombando, e eu tentando me esgoelar contra o real. Eu fiquei muito tempo com a imagem de uma propaganda de um pãozinho que aparecia caído num prato assim, que o preço era nove centavos.
Era mortal aquela propaganda”, lembrou.
Na reeleição, Lula também se defrontou com a vontade do eleitorado de manter a continuidade do Plano Real, e mais uma vez perdeu a eleição no primeiro turno, mesmo com a economia já dando sinais de que não ia bem e que o real teria que ser desvalorizado.
“Bem, eu acho que o Serra está vivendo esse drama. Ou seja, nós temos de nos conformar e esperar outra oportunidade.
Eu tive paciência de esperar.
Eu tinha menos idade do que o Serra tem hoje. Então, é duro”, comentou Lula.
Esse, aliás, é um assunto que já está sendo tratado nos bastidores tucanos do póseleição.
Mantendo-se as condições atuais, o ex-governador de Minas Aécio Neves emergirá desta eleição como a principal força política do PSDB, e será em torno dele que se organizarão as ações do partido para enfrentar mais quatro anos de oposição preparando uma campanha eleitoral para 2014 que pode ter ou Dilma se candidatando à reeleição ou Lula querendo voltar ao poder.
O futuro de Serra é uma incógnita.
Esta eleição era tida como sua última chance de tentar a Presidência da República, pois terá 73 anos em 2014, mais velho do que Fernando Henrique ao terminar seu segundo mandato.
Na História recente, somente Tancredo Neves, com 74 anos, candidatou-se à Presidência com essa idade. Mas Serra surpreendeu na sabatina do GLOBO, quando disse que poderia ter disputado a reeleição para o governo de São Paulo “e ficar esperando por 2014”. Demonstrando assim que não considera que naquela ocasião estará muito velho para disputar uma eleição presidencial.
Já se fala que disputará a Prefeitura de São Paulo se não vencer a eleição, o que o colocaria novamente em condição de tentar a indicação do partido.
Para isso, no entanto, terá antes que melhorar a votação no seu Estado e na capital, onde atualmente perde para Dilma.
Se conseguir reverter essa situação, pode até mesmo ir para o segundo turno.

Propina paga dentro da Casa Civil

Propina paga dentro da Casa Civil
Assessor do ministério teria recebido R$ 200 mil por intermediar compra de remédio
Roberto Maltchik e Geralda Doca BRASÍLIA, SÃO PAULO E RIO
 Além do lobby na Casa Civil para favorecer empresas do setor aéreo e de energia, os filhos da ex-chefe da Casa Civil Erenice Guerra e o ex-assessor jurídico Vinícius Castro são alvo de nova denúncia, apontando agora para o pagamento de propina dentro da Casa Civil, que funciona no Palácio do Planalto. Segundo a revista “Veja”, Vinícius, exonerado na última segunda-feira, teria recebido R$ 200 mil como comissão pela atuação da Casa Civil como intermediadora de uma compra de Tamiflu pelo Ministério da Saúde, num contrato emergencial de R$ 34,7 milhões em junho de 2009. O Tamiflu é usado em pacientes da gripe suína (H1N1).
Segundo a “Veja”, Vinícius confessou ao tio, o ex-diretor de Operações dos Correios Marco Antonio de Oliveira, que recebeu o dinheiro dentro da Casa Civil. De acordo com a reportagem, o “cala-boca” de R$ 200 mil foi estendido a outros três servidores da Casa Civil, cujos nomes não teriam sido revelados. O relato, atribuído por “Veja” a Oliveira, diz que o dinheiro surgiu misteriosamente numa das gavetas da mesa de Vinícius, que teria se surpreendido com o achado. “Caraca, que dinheiro é esse?”, teria perguntado ele.
As denúncias contra a Casa Civil provocaram a demissão de Erenice, sucessora no cargo de Dilma Rousseff, candidata do PT à Presidência. Ontem, Oliveira negou ao GLOBO que Vinícius tenha tratado de recebimento de propina com ele. Afirmou que o sobrinho relatou uma situação que o “assustou muito” e estava inquieto com uma “grande missão” a ele confiada. Oliveira não entrou em detalhes sobre qual seria a missão.
O ex-diretor dos Correios também admite que recomendou ao sobrinho cautela e muita atenção para evitar entrar em enrascada. E confirmou a frase publicada na “Veja”, em depoimento gravado, segundo a revista: — Ele ficou muito assustado. Eu avisei que, se continuasse desse jeito, ele iria sair algemado do Palácio.
Novas denúncias vão para investigação da PF
No Planalto, a relação entre Oliveira e Erenice Guerra era considerada “explosiva” e “perigosa”.
O ex-diretor dos Correios é apontado pelo empresário Rubnei Quícoli como um dos intermediários da Capital Assessoria, empresa de lobby dos filhos de Erenice Guerra. Um dos filhos de Erenice, Israel Guerra, admitiu a assessores do Palácio do Planalto que recebeu R$ 120 mil para renovar a licença de operação da Master Top Airlines (MTA), prestadora de serviços dos Correios, junto à Anac, em dezembro de 2009.
A Capital também abriu as portas da Casa Civil para a EDRB, com projeto de energia solar no Nordeste, pedir, sem sucesso, financiamento de R$ 9 bilhões no BNDES. Na denúncia, publicada na “Folha de S. Paulo”, a Capital pediu em minuta de contrato R$ 240 mil e “taxa de êxito” de R$ 450 milhões. Na ocasião, Quícoli disse ter recebido de Oliveira pedido de propina de R$ 5 milhões para pagar dívidas de campanha de Dilma.
“Veja” também atribui à Capital negociação para intermediar a concessão de um patrocínio de R$ 200 mil pela Eletrobras ao piloto Luís Corsini.
Os filhos de Erenice teriam ganho R$ 40 mil de “taxa de êxito” na negociação. A Eletrobras negou irregularidades no patrocínio.
As novas denúncias serão encaminhadas ao Ministério da Justiça para compor a investigação da Polícia Federal. Segundo a Casa Civil, servidores suspeitos de receber propina serão investigados. O procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União, Marinus Marsico, pedirá abertura de investigação nos contratos de compra do Tamiflu, porque são graves e precisam ser apuradas.
Em São Paulo, o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, disse que as denúncias serão investigadas e punidas, caso se confirmem irregularidades. Mas relacionou o caso aos interesses da oposição na disputa eleitoral.
— A oposição ao presidente Lula, desde o começo, vem tentando através da tática da acusação mudar o quadro eleitoral. Todas as pesquisas mostraram que a tática não surtiu efeito.
Procurados, Israel e Vinícius não foram encontrados.
No Rio, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou que a Casa Civil não teve influência na compra do Tamiflu e que a negociação foi feita entre a pasta e o laboratório Roche, único fabricante do produto.
— O Ministério da Saúde é autônomo, e todos os procedimentos são feitos por critérios técnicos.
Não houve intervenção da Casa Civil nem nesta nem em qualquer negociação — disse o ministro, afirmando que o ministério comprou a quantidade necessária e que a negociação resultou num preço 76,7% abaixo do de mercado.

Bessinha


CLÁUDIO HUMBERTO

CLÁUDIO HUMBERTO
“Já foi detectada pela comissão uma falta ética da ex-autoridade”
FÁBIO COUTINHO, DA COMISSÃO DE ÉTICA PÚBLICA, EXPLICANDO A “CENSURA” A ERENICE
PAPEL DE COMPADRE DE LULA NA CRISE INTRIGA O MP
O Ministério Público Federal está intrigado com a proximidade do advogado Ricardo Teixeira, compadre do presidente Lula, nos vários negócios que resultaram nas denúncias de tráfico de influência envolvendo a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra e seu filho lobista, Israel Guerra. Teixeira foi quem indicou o atual diretor de Operações dos Correios, Arthur Rodrigues, personagem da crise.
PONTA DO VÉU
Primeiro, Veja revelou tráfico de influência na Casa Civil para a MTA (empresa aérea) ganhar um contrato de R$ 59,8 milhões nos Correios.
BATOM NA CUECA
Arthur Rodrigues deixou a empresa aérea MTA com a filha e assumiu a diretoria de Operações dos Correios por indicação de Roberto Teixeira.
COMPADRE DO REI
O compadre de Lula tem livre acesso à Casa Civil do Planalto, desde os tempos de Dilma Rousseff e Erenice Guerra. Nem se faz anunciar.
VELHA PRAGA
Não é novidade a lambança política por bons negócios nos Correios. Basta reler a CPMI, de 2005. Mudam só nomes, empresas e lobistas.
NAS ‘ASAS’ DE ERENICE NA CHESF E NO BNDES
O “avião com porta aberta na Casa Civil e outra no BNDES” - como definiu o consultor Rubnei Quícoli – ficou sem “asas”: o advogado Stevan Knezevic pediu demissão da Casa Civil, no rastro de sua “madrinha” Erenice Guerra. Ela era conselheira do BNDES e também da Chesf, onde estaria “um pleito” de Quícoli. A empresa do Nordeste é uma das maiores geradoras e transmissoras de energia do País.
BENGALA
Lula disse ontem confiar “cegamente” em Dilma. Ele também confiou “cegamente” em Dirceu, Gushiken, Freud Godoy, Lorenzetti...
VITRINE
O governo Lula tem mesmo que se orgulhar do programa Bolsa Família: estão aí Erenice e seus parentes que não nos deixam mentir.
CIRANDA DE PEDRA
O governo já tem um álibi para explicar o escândalo das duas “mulheres de ferro” da Casa Civil: foi a iraniana Sakineh quem armou tudo.
crime antigo O jornalista Joelmir Beting, âncora do telejornal da Band, disse que o escândalo na Casa Civil é a reincidência de um velho crime de autoridades governamentais – o de formação de família.
FAÇA O QUE DIGO
O governo Lula atormentou os servidores, forçando-os a declarar suas relações de parentesco com outros funcionários. Só ontem a Comissão de Ética do governo descobriu que a ex-ministra Erenice Guerra está entre os poucos que sonegaram essas informações ao próprio governo.
FACTOIDE INÚTIL
A “censura” da Comissão de Ética da Presidência, anunciada ontem, é tão tardia quanto inútil. A sanção está prevista no decreto 6.029/07, mas só para quem exerce função pública. Não é mais o caso da ex-ministra.
FREI VAI À FORRA
Até Frei Beto, ex-aspone de Lula, saiu das sombras e atacou Erenice Guerra. Por quê? Por delegação de Lula, foi ela quem “operou” a dispersão do Planalto da turma de José Dirceu, da qual ele fazia parte.
DIÁSPORA ALAGOANA
Os alagoanos que emigraram para Brasília e São Paulo se deram bem: saíram do Estado que registra a mais baixa esperança de vida (67,6 anos) para onde a expectativa é a maior: 75,8 anos. Dados do IBGE.
ESSE PEDRO ÁLVARES...
Como a coisa está preta, Lula foi a Belém tentar salvar a petista Ana Júlia Carepa, que tem 40% de rejeição no eleitorado. Não poupou nem os descobridores, dizendo que “eles” (oposição) governaram o País por 500 anos. E que não se pode culpar Ana Júlia por tudo de ruim. Anrã.
ABUSO DE PODER
O Batalhão de Trânsito da PM, tão ausente das ruas do DF, cometeu o abuso de bloquear o estacionamento público do Centro Empresarial Brasil 21, ontem, em Brasília, para uso de evento policial de peritos em crimes cibernéticos. Quem exerceu o direito de estacionar foi multado.
SEU FUNÉREO
O prefeito Luiz Marinho (PT), que em 2008 aprontou uma quizumba tributária com a falecida,
foi à missa de 7º dia da mãe do ministro Ricardo Lewandowsy, em São Bernardo. Deve ter até chorado, coitado.
SUCESSÃO
Primeiro, comissão de 6%, depois Comissão de Ética, aí quem sabe, teremos Erenice Guerra na comissão de frente de escola de samba...
PODER SEM PUDOR
DENTES SACRIFICADOS
No governo Geisel, o ministro Mário Henrique Simonsen levou o assessor Ary Pinto para uma reunião, em Nova York, com o ministro da Fazenda do Irã. Ary pediu uísque, irritando o iraniano, um muçulmano radical. Tempos depois, o mesmo Ary foi portador do acordo negociado naquela ocasião, para ser assinado. O iraniano o recebeu com crescente má vontade, até que, chamou o brasileiro de “desgraçado”. Ary fumava seu cachimbo, para manter-se calmo. Mas, ofendido, cravou os dentes no cachimbo com muita força. Exagerou: ao retirá-lo da boca, sua dentadura veio junto.

REVISTA VEJA- A ALEGRIA DO POLVO - "CARACA! QUE DINHEIRO É ESSE?"


Fonte: Blog Perca Tempo

Clayton, hoje no O Povo (CE)


Sob o espesso manto da fantasia...

Sob o espesso manto da fantasia...
José Israel Vargas - O ESTADO DE SÃO PAULO
Nosso "oráculo maior" tem repetidamente anunciado para breve os "amanhãs que cantam" como verdade absoluta. Diferentemente de seu homólogo délfico, ocupa-se também do passado, para ele, sempre maldito. Há pouco anunciou, com a ênfase que lhe é peculiar, nossa marcha batida rumo ao Primeiro Mundo para alcançarmos a 4.ª posição entre as economias mais avançadas. Objetivo extremamente louvável, mas não se podem ignorar os inúmeros obstáculos a vencer e que não se rendem a mero falatório peripatético em palcos eleitoreiros.
Proclamou também como "o maior da humanidade" o investimento da Petrobrás no pré-sal; diante disso, são pífios investimentos como os da Nasa, entre outros muitos.
Admitindo o crescimento anual alegado de 7% dos PIBs do Brasil e da China, em relação a 2009, em 2010, adotando-se as taxas de 1% para EUA, Japão, Alemanha, França e Itália, de 4% para a Índia e 3% para a Rússia, pode-se fazer um exercício que mostra que o País ocuparia o 5.º lugar. Adotada, porém, a taxa histórica de nosso crescimento (média anual de 4% durante o regime republicano), o Brasil se colocaria, em 2020, no 5.º ou 6.º lugar, com PIB de US$ 3,141 trilhões. O rendimento per capita para a população, que então alcançará 207 milhões de habitantes (IBGE), ainda nos colocaria abaixo do 50.º lugar. Os objetivos mencionados seriam dificilmente atingidos, a menos que continuemos quase exclusivamente crescentes exportadores de matérias-primas e permaneça congelado em 1% o crescimento dos demais.
Somente a observação e a manipulação, direta ou indireta, da natureza permite conhecer seu comportamento e torna possíveis os imensos benefícios hoje desfrutados. A divisão do trabalho revelou que o desenvolvimento implica mobilização dos fatores de produção: capital, recursos naturais e trabalho - este, sobretudo, na forma de "capital humano". Nossa resposta às aspirações indeclináveis de conforto crescente, saúde, segurança e acesso aos bens culturais foi bem modesta até hoje, comparada, por exemplo, com países que emergiram das imensas destruições do último conflito mundial. Assim, a porcentagem de analfabetos em nosso país alcançava 50% em 1950 e hoje, segundo dados do IBGE, ainda temos 20% de analfabetos funcionais, além de 9,8% de adultos iletrados.
Ao longo de nossa vida republicana partimos de diminuta base de acumulação de capital, decorrente de nosso passado colonial, para finalmente desfrutarmos crescimento do nosso PIB de 4% anuais médios. Valor respeitável, devido a vantagens competitivas dos abundantes recursos naturais e populacionais. Na atual administração, esse crescimento tem sido em média de 4,3% anuais, colocando-a na 21.ª posição, comparada com administrações republicanas passadas. Não cabe, pois, o bordão de presumida "herança maldita"... A menos de também incluir-se nela. A despeito disso, nosso poder de compra por habitante nos situa hoje na 75.ª posição!
Apesar do progresso já realizado, mesmo que tardio, a situação da educação é ainda dramática. Segundo o Academic Ranking of World Universities (2010), a mais prestigiosa de nossas universidades, a USP, foi classificada entre o 101.º e o 150.º lugares, entre as principais instituições de todo o mundo. As cinco outras universidades de melhor classificação interna estão listadas entre a 201.ª e a 400.ª posições, em ordem decrescente.
O ensino fundamental e médio não desfruta melhor situação, segundo O Estado de S. Paulo, com base na avaliação internacional de desempenho de estudantes de 15 anos promovida em 2006 pela OCDE. Participaram 57 países, entre os quais o Brasil. As notas foram atribuídas em seis níveis de desempenho, 1 a 6. Dos alunos brasileiros participantes, 27,9% tiveram notas inferiores a 1, 71,6% alcançaram notas 1 a 4, só 0,5% atingiu nota 5 e nenhum alcançou a nota máxima, 6.
Nos países da OCDE, 56,7% dos estudantes tiveram desempenho acima da média de 500 pontos. No Brasil, apenas 15,2% dos estudantes conseguiram esse resultado, isto é, 84,8% ficaram abaixo da média!
O desenvolvimento pressupõe a capacidade de inovar, gerar e/ou apropriar-se de novas tecnologias, frutos da ciência e da engenharia, logo, da educação, cujo panorama, como se viu acima, é desolador. Não é, pois, surpresa que esse mal também ocorra na inovação, medida em geral pelo número de patentes concedidas. Recente publicação da Organização Mundial da Propriedade Intelectual lança preocupante luz sobre o nosso quadro. O Brasil colocou-se na 33.ª posição, em 2006, quanto ao número de patentes registradas por unidade do PIB, expresso em bilhões de dólares. E é o 23.º em relação ao número de patentes por despesa com investimento em ciência e tecnologia (ano de 2007), na mesma unidade. No Brasil, 90,5% das patentes aqui concedidas provêm do exterior (não residentes), colocando-nos em 13.º lugar entre os países em desenvolvimento. Tais fatos estão seguramente vinculados à baixa participação do setor produtivo nos gastos nacionais com pesquisa e desenvolvimento (P&D), de apenas 6% em 1990, que evoluíram para 30% em 1998 e atingiram hoje cerca de 34%. Nos países industrializados e em alguns emergentes, de mercado aberto, as empresas chegam a despender 60% dos gastos com P&D.
Para superar nosso atraso torna-se indispensável: 1) Melhorar radicalmente o ensino básico, incluindo salário digno para seus professores; 2) aumentar a participação de P&D de 1,4% para 2%, pelo menos; 3) investir na formação de nossos engenheiros - segundo dados em entrevista à CBN, ingressam anualmente nas escolas de engenharia 130 mil alunos e se formam a cada ano apenas 30 mil, dos quais cerca de 20 mil teriam formação insuficiente; 4) reclassificar, por mérito, instituições universitárias, pela abolição do Regime Jurídico Único, que enquadra seus servidores.
Eis um programa mínimo de trabalho para que o próximo presidente comece a romper o espesso manto da fantasia!
*JOSÉ ISRAEL VARGAS FOI MINISTRO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA

Brasília pegando fogo

Brasília pegando fogo
Zuenir Ventura - O GLOBO 
Com o nariz escorrendo, os olhos lacrimejando e a garganta ressecada, passei em Brasília o seu dia mais quente e seco do ano, anteontem: 31,5ode temperatura, sensação térmica e um sol de quase 40º e umidade relativa do ar de 14%, um clima de deserto.
Não chove há 112 dias e mais de 10% do território do Distrito Federal já foram queimados, mais que o dobro do ano passado. Próximo à Granja do Torto, residência favorita do presidente, uma área de 100 mil metros quadrados está sendo devastada pelas chamas.
O incêndio no Parque Nacional atingiu uma linha de alta tensão e interrompeu o fornecimento de energia. Brasília está pegando fogo - literalmente e não apenas no sentido figurado, como metáfora dos escândalos da quebra de sigilos fiscais na Receita e do tráfico de influência na Casa Civil.
Em conversa com colegas que acompanham de perto a política, ficou a dúvida sobre se o mais recente capítulo - a derrubada de Erenice Guerra do ministério - vai finalmente atingir a candidatura Dilma Rousseff, alterando o resultado das pesquisas.
Até agora, como se sabe, nada colou, a lama escorreu como água pelo presidente e sua protegida. E daqui pra frente? Só as pesquisas da próxima semana podem dar resposta a essa incógnita.
Um desses colegas, uma amiga, não acredita na mudança do quadro eleitoral e, por isso, se mostra mais curiosa para saber o que será de Lula depois de deixar o palácio, quando se abater sobre ele o tédio do vazio do poder. Ela havia estado com o presidente naquela tarde e ele, refestelado numa poltrona com a cabeça jogada pra trás e as mãos cruzadas na nuca, parecia estar se despedindo. A preocupação não era com as novidades do escândalo e muito menos a seca, mas com o final de seu prazo de validade. "Ele é capaz de dizer quantos meses e até quantos dias faltam para passar a faixa presidencial." Ela acha que ele vai ter dificuldade de se adaptar à vida longe do assédio da corte e das pompas palacianas.
Por mais que venha a ser convidado para palestras e até para ocupar algum cargo em uma instituição internacional como a ONU, Lula não é FHC, que retornou a uma atividade que já era a sua antes da presidência.
Para o antigo torneiro mecânico, voltar às origens significa voltar a São Bernardo. Vendo como seu adversário tucano está sendo relegado pelos companheiros de partido, que rejeitam sua colaboração na campanha, Lula pode imaginar que o mesmo ocorrerá a ele daqui a uns anos. É bastante vivido para saber que o gosto do ostracismo é amargo e que existe uma tendência antropofágica que leva as criaturas a devorarem os criadores sempre que estes queiram se meter onde não são mais chamados.
Dilma jamais perdoará Lula por tê-la inventado. 

Skoob

BBC Brasil Atualidades

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