quarta-feira, setembro 22, 2010

Ninguém sabe tudo do governo'

Ninguém sabe tudo do governo'
Dilma minimiza denúncias contra Erenice e diz que não se sabe tudo 'nem sobre a família'
Cássio Bruno O Globo
 Quatro dias após a demissão de seu braço-direito da Casa Civil, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, minimizou ontem as denúncias de tráfico de influência que envolvem a ex-ministra Erenice Guerra e o filho dela, Israel Guerra, além de outros integrantes do governo. Em campanha em São Gonçalo, no Rio, perguntada sobre as críticas do adversário José Serra (PSDB), que questionara a capacidade administrativa de Dilma afirmando que ela “não é capaz ou é cúmplice” dos supostos crimes, a petista reagiu: — Nem uma coisa nem outra. Sabe por quê? Não acredito que alguém saiba tudo o que está acontecendo na sua própria família. E também não acredito que alguém saiba tudo o que acontece no governo.
Até porque eu tenho visto que o presidente da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A, empresa ligada à Secretaria Estadual de Transportes), que ele (Serra) nomeou, sumiu com R$ 4 milhões da campanha dele — disse a candidata, referindo-se a uma acusação, não confirmada, de que um ex-diretor da estatal paulista teria arrecadado dinheiro para a campanha de 2010. Segundo a revista “IstoÉ”, os recursos não chegaram ao caixa da campanha de José Serra.
‘Não tenho acesso às informações’
Dilma participou de caminhada ao lado do governador Sérgio Cabral (PMDB), que tenta a reeleição, e dos candidatos ao Senado Lindberg Farias (PT), Jorge Picciani (PMDB) e Marcelo Crivella (PRB). A petista evitou falar sobre os escândalos envolvendo a Casa Civil e os Correios, que resultaram na queda de quatro integrantes do governo, entre eles o coronel Eduardo Artur Rodrigues, que deixou oficialmente ontem a direção de Operações dos Correios: — Não tenho condições de avaliar, não estou dentro do governo.
 Não tenho acesso a todas essas informações.
Pelo que eu vi nos jornais, ele pediu demissão — disse, referindo-se ao diretor dos Correios.
Até o escândalo, a candidata se apresentava como “a mãe do PAC” e a grande gestora dos principais programas do governo Lula, como ministra da Casa Civil.
Dilma reagiu com irritação ao ser perguntada sobre reportagem publicada ontem na “Folha de S.Paulo”, sobre sua gestão à frente da Secretaria estadual de Minas e Energia do Rio Grande do Sul. Disse que suas contas foram aprovadas pelo Tribunal de Contas do estado e que ser acusada agora era má-fé.
Após caminhada, Dilma seguiu até o Bela Vista Futebol Clube, time da 3adivisão do Campeonato Carioca, para embarcar num helicóptero alugado com Sérgio Cabral e com o vice-governador, Luiz Fernando Pezão. Antes de decolar, Dilma e Cabral receberam camisas do clube com os números 13, do PT, e 15, do PMDB.
COLABOROU: Fábio Vasconcellos

Miran - Cadeira Prego


Lula e a visão autoritária da imprensa Editorial O Globo - 21/09/2010

Lula e a visão autoritária da imprensa Editorial O Globo - 21/09/2010
É nos improvisos que o presidente Lula se deixa levar, fala o que não seria conveniente do ponto de vista político, mas transmite o que lhe vai no fundo da alma. Inebriado por índices recordes de popularidade, nunca antes alcançados neste país, Lula tem radicalizado na autoindulgência, como se o apoio popular o colocasse acima de leis e limites institucionais.
São exemplos desse desvio as sucessivas vezes em que o presidente age como chefe de partido, numa deplorável mistura de papéis, porém bem ao estilo de um governo que, na ocupação da máquina burocrática, exercita ao extremo a confusão entre interesses privados e a esfera pública.
É nessa zona cinzenta que a grande família de Erenice Guerra se aboletou, e corporações sindicais sentam praça nos cofres do Tesouro, ao lado de movimentos ditos sociais que atuam em estado de semiclandestinidade, em parte financiados pelo contribuinte.
À medida que se envolvia no projeto de eleger a sua desconhecida ministra Dilma Rousseff, enquanto mantinha e até elevava a popularidade, o presidente foi jogando às favas o equilíbrio. Principal atração dos comícios de sua candidata, Lula radicaliza na insensatez. Pode-se dar desconto pelo inevitável aumento de temperatura característico das campanhas eleitorais, mas não é possível ser condescendente quando se invade de maneira desvairada o campo vital das liberdades democráticas.
Até porque o ataque feito por Lula à imprensa, num comício em Campinas, sábado, não é um acidente de rota, um fato isolado no seu governo de quase oito anos; tampouco no seu partido, onde se destilam propostas formais para a democratização da mídia, o controle social dos meios de comunicação, eufemismos para designar a destruição da independência da imprensa profissional, assim como fazem os governos de Cristina Kirchner e Hugo Chávez, aliados preferenciais da diplomacia companheira no continente.
No sábado, Lula, como se tomado pelo espírito do Rei Sol, um Luis XIV tropicalizado, bradou: Nós somos a opinião pública. Em meio a ataques a alguns jornais e revistas que se comportam como se fossem um partido político(...), Lula, na verdade, externou toda a dificuldade que ele, auxiliares diretos e líderes petistas têm de entender o papel da imprensa numa sociedade aberta. Há tempos emana do Planalto a visão de que o governo Lula acabou com os formadores de opinião, e agora se sabe que eles foram substituídos, segundo este contorcionismo intelectual, pelo presidente e seu grupo no poder. Numa reedição de um pai dos pobres de figurino getulista, o presidente teria hipnotizado as massas, alimentadas por um assistencialismo bilionário, e por isso elas só reproduzirão a opinião do seu redentor.
Mais do que uma tosca engenharia de raciocínio, porém, esta percepção lulista da imprensa deriva de um entendimento autoritário da função dos meios de comunicação: segundo a vulgata ideológica dos intelectuais orgânicos do lulopetismo, a imprensa é um instrumento de manipulação da sociedade.
E, sendo assim, precisa estar subordinada ao partido e ao Estado, os quais, no imaginário desses militantes, se confundem. É inconcebível para esses que a imprensa profissional que precisa ser rentável para se manter independente, e o mais distante possível de verbas administradas pelos poderosos do momento cumpra uma função pública, e disto têm consciência profissionais e acionistas das empresas de comunicação.
A visão maniqueísta lulopetista da imprensa leva a que se procure intrincadas conspirações por trás de reportagens de denúncia, um truque que também serve para jogar uma cortina de fumaça à frente de desvios éticos cometidos pela companheirada. Foi assim que o mensalão se tornou produto de uma imprensa golpista, bem como a ação dos aloprados.
Denunciado por um aliado desgostoso, Roberto Jefferson, do PTB, o esquema de coleta e lavagem de dinheiro sujo para alimentar uma bancada parlamentar governista gerou um processo que tramita no Supremo Tribunal Federal, depois de aceita denúncia da Procuradoria Geral da República contra essa organização criminosa. No escândalo da tentativa de compra de um dossiê falso contra o tucano José Serra, na campanha de 2006 para o governo de São Paulo, petistas proeminentes os aloprados, nas palavras do próprio Lula foram apanhados em flagrante delito.
Nada porém abala o discurso petista contra manobras golpistas da imprensa independente.
Mas não houve qualquer crítica quando, no primeiro governo FH, reportagem do GLOBO derrubou o então presidente dos Correios, Henrique Hargreaves, ao revelar que ele tinha um contrato com o Sebrae, do qual recebia sem trabalhar.
Não se ouviu, também, qualquer reclamação petista quando a Folha de S.Paulo relatou histórias de compra de votos de deputados federais a favor da emenda constitucional que permitiria a reeleição de Fernando Henrique Cardoso. Ou na revelação feita pelo GLOBO de que o esquema do mensalão, antes de José Dirceu, Delúbio e Genoino, fora acionado pelo PSDB mineiro no financiamento da campanha frustrada de reeleição do governador Eduardo Azeredo, delito também a ser julgado no STF. E nenhuma admoestação à imprensa partiu do PT na divulgação de cenas pornográficas de corrupção patrocinadas pelo DEM de Brasília.
Imprensa boa é imprensa chapa-branca, deduzse.
Outra prova cabal de como o PT se equivoca sobre o jornalismo profissional foi dada por José Dirceu, cassado no escândalo do mensalão e considerado pelo Ministério Público o chefe da tal organização criminosa.
Considerado líder importante no partido, até visto como herói por ter se imolado pela causa petista, Dirceu demonstra continuar com bom trânsito em Brasília, e continua a pontificar.
Na semana passada, ao doutrinar sindicalistas petroleiros na Bahia, o ex-ministro da Casa Civil de Lula comemorou o fato de uma provável vitória da companheira de armas Dilma Rousseff facilitar a execução do projeto político do PT, difícil de ser aplicado com Lula, pois o presidente em contagem regressiva para voltar a São Bernardo é algumas vezes maior que o partido, explicou. Do projeto, consta o de sempre: democratização dos meios de comunicação etc.
Além de considerar que a imprensa brasileira abusa do direito de informar uma pérola do pensamento da esquerda autoritária , Dirceu reclamou de uma suposta tentativa das redações de interferir na formação do futuro governo Dilma, algo digno de ficção.
Ora, isto não é função da imprensa.
A não ser que se entendam os meios de comunicação pela ótica do PT: não passam de instrumentos de manipulação política e social.
É gigantesca também a dificuldade de Lula e companheiros entenderem que veículos de comunicação podem não defender partidos e candidatos, mas princípios, e, em função deles, criticar ou elogiar partidos e candidatos.
Trata-se de outro equívoco tentar comparar a postura da imprensa brasileira diante de governos, candidatos e legendas com a de países onde práticas democráticas são seguidas há séculos e existem partidos enraizados na sociedade por gerações.
Deturpar a realidade em razão de cacoetes ideológicos não chega a preocupar.
Costuma acontecer na política e mesmo no mundo acadêmico. O perigo está quando se chega ao poder com este tipo de percepção distorcida.

Orlandeli


Lula é um fenômeno religioso

Lula é um fenômeno religioso
ARNALDO JABOR - O GLOBO - 21/09/10
Lula não é um político - é um fenômeno religioso. De fé. Como as igrejas que caem, matam os fiéis e os que sobram continuam acreditando. Com um povo de analfabetos manipuláveis, Lula está criando uma igreja para o PT dirigir, emparedando instituições democráticas e poderes moderadores.
Os fatos são desmontados, os escândalos, desidratados, para caber nos interesses políticos da igreja lulista e seus coroinhas. Lula nos roubou o assunto. Vejam os jornais; todos os assuntos são dele, tudo converge para a verdade oficial do poder. Lula muda os fatos em ficção. Só nos resta a humilhante esperança de que a democracia prevaleça.
Depois do derretimento do PSDB, o destino do país vai ser a maçaroca informe do PMDB agarrada aos soviéticos do PT, nossa direita contemporânea.
Os comentaristas ficam desorientados diante do nada que os petistas criaram com o apoio do povo analfabeto. Os conceitos críticos, como "razão, democracia, respeito à lei, ética", ficaram ridículos, insuficientes raciocínios diante do cinismo impune.
Como analisar com a razão essa insânia oficial? Como analisar o caso Erenice, por exemplo, com todas as provas na cara, com o Lula e seus áulicos dizendo que são mentiras inventadas pela mídia? Temos de criar novos instrumentos críticos para entender essa farsa. Novos termos. Estamos vendo o início de um "chavismo light", cordial, para que a "massa atrasada" seja comandada pela "massa adiantada" (Dilma et PT).
Os termos têm de ser mudados. Não há mais "propina"; agora o nome é "taxa de sucesso". A roubalheira se autonomeia "revolucionária" - assalto à coisa pública em nome do povo. O que se chamava "vítima" agora se chama "réu". Os escândalos agora são de governos inteiros roubando em cascata, como em Brasília, Rondônia e Amapá - são "girândolas de crimes". Os criminosos são culpados, mas sabem tramar a inocência. O "não" agora quer dizer "sim".
Antigamente, mentia se com bons álibis; hoje, as tramoias e as patranhas são deslavadas; não há mais respeito nem pela mentira. Está em andamento uma "revolução dentro da corrupção", invadindo o Estado em nossa cara, com o fito de nos acostumar ao horror. Gramsci foi transformado em chefe de quadrilha.
Nunca antes nossos vícios ficaram tão explícitos, nunca aprendemos tanto de cabeça para baixo. Já sabemos que a corrupção no país não é um "desvio" da norma, não é um pecado ou crime; é a norma mesmo, entranhada nos códigos e nas almas.
Nosso único consolo: estamos aprendemos muito sobre a dura verdade nacional neste rio sem foz, onde as fezes se acumulam sem escoamento. Por exemplo: ganhamos mais cultura política com a visão da figura da Erenice, a burocrata felliniana, a "mãe coragem" com seus filhos lobistas, com o corpinho barbudo do Tuminha (lembram?), com o "make-over" da clone Dilma (que ama a ex-Erenice, seu braço- direito há 15 anos), com o silêncio eufórico dos Sarneys, do Renan, do Jucá... Que delícia, que doutorado sobre nós mesmos!
Ao menos estamos mais alertas sobre a técnica do desgoverno corrupto que faz pontes para o nada, viadutos banguelas, estradas leprosas, hospitais cancerosos, esgotos à flor da pele, tudo proclamado como plano de aceleração do crescimento popular.
Nossa crise endêmica está em cima da mesa de dissecação, aberta ao meio como uma galinha. Meu Deus, que prodigiosa fartura de novidades imundas, mas fecundas como um adubo sagrado, belas como nossas matas, cachoeiras e flores.
Os canalhas são mais didáticos que os honestos. Temos assistido a um show de verdades mentirosas no chorrilho de negaças, de cínicos sorrisos e lágrimas de crocodilo.
Como é educativo vermos as falsas ostentações de pureza para encobrir a impudicícia, as mãos grandes nas cumbucas e os sombrios desejos das almas de rapina. Que emocionante este sarapatel entre o público e o privado: os súbitos aumentos de patrimônio, filhinhos ladrões, ditadura dos suplentes, cheques podres, piscinas em forma de vaginas, despachos de galinhas mortas na encruzilhada, o uísque caindo mal no Piantela, as flatulências fétidas no Senado, as negaças diante da evidência de crime, os gemidos proclamando "honradez" e "patriotismo".
Talvez essa vergonha seja boa para nos despertar da letargia de 400 anos. Através deste escracho, pode ser que entendamos a beleza do que poderíamos ser!
Já se nos entranhou na cabeça, confusamente ainda, que, enquanto houver 20 mil cargos de confiança no país, haverá canalhas, enquanto houver estatais com caixa preta, haverá canalhas, enquanto houver subsídios a fundo perdido, haverá canalhas. Com esse Código Penal, nunca haverá progresso.
Já sabemos que mais de 5 bilhões por ano são pilhados das escolas, hospitais, estradas, sem saneamento, com o Lula brilhando na TV, xingando a mídia e com todos os mensaleiros, sanguessugas e aloprados felizes em seus empregos e dentro do ex-partido dos trabalhadores.
E é espantoso que esse óbvio fenômeno político, caudilhista, subperonista, patrimonialista, aí, na cara da gente, seja ignorado por quase toda a "inteligentsia" do país, que antes vivia escrevendo manifestos abstratos e agora se cala diante desse perigo concreto que nos ronda. No Brasil, a palavra " esquerda" ainda é o ópio dos intelectuais.
A única oposição que teremos é a da imprensa livre, que será o inimigo principal dos soviéticos ascendentes.
O Brasil está evoluindo em marcha a ré! Só nos resta a praga: malditos sejais, ó mentirosos e embusteiros! Que a peste negra vos cubra de feridas, que vossas línguas mentirosas se transformem em cobras peçonhentas que se enrosquem em vossos pescoços e vos devorem a alma.
Os soviéticos que sobem já avisaram que revistas e jornais são o inimigo deles.
Por isso, "si vis pacem, para bellum", colegas jornalistas. Se quisermos a paz, preparemo-nos para a guerra.

Palavra de Jarbas sobre o escândalo da Casa Civil


Os fatos e as aparências

Os fatos e as aparências
Wilson Figueiredo - JORNAL DO BRASIL
O incêndio que lavrou na casa civil nos últimos dias é daqueles cuja origem é tão recorrente quanto os que começam nas casas de máquina dos navios em alto-mar. Não foi simulação para treinamento mas tentativa de confundir os fatos com as aparências, sem esquecer que o presidente Lula gosta de ser o último a saber, mas o primeiro a falar mal da imprensa. A sucessora de Lula terá de se contentar com as sobras da tentativa de abafar o caso e com as consequências. Não há memória de que a Casa Civil trabalhe com produto que costuma ser classificado nos jornais como material de fácil combustão.
Na Casa Civil da Presidência da República, a propagação do fogo chamuscou a figura de Erenice Guerra, que ia ser o eixo da articulação entre o governo Lula e o governo Dilma. Erenice não fez bem o papel de Joana d’Arc. Falhou a tentativa de salvar a cabeça de ponte construída, de fora para dentro do Brasil, com trânsito numa única direção. O resto foi de cambulhada. Para não perder o hábito dos excessos verbais, Lula falou mal dos jornais antes que a imaginação do público suprisse com versões depreciativas a fartura de abusos que se apresentam ao fim dos seus dois mandatos.
No apertado espaço oficial, José Dirceu mantém a forma e consola o petismo nos momentos finais. O problema do PT é depender da informação alheia, pela persistente falta de coragem de criar e manter jornais, revistas e editoras que sustentassem uma linha própria de ideias e informações. E, de resto, alimentasse o debate político acima desta mesmice e ocupasse o centro de um debate nacional permanente, sem se dedicar ao varejo periférico no vazio de ideias.
A esquerda já desempenhou papel mais atuante no pensamento brasileiro. O velho PCB,cuja lembrança sobrevive no respeito geral e no carinhoso aumentativo, mantinha canais diretos e indiretos para levar ao público pontos de vista críticos sobre fatos e ideias políticas, no Brasil e no mundo, ambos em transformações. De jornais diários a editora de livros e revistas, discursos e ensaios faziam ou arejavam as cabeças enquanto existiu liberdade de imprensa.
O presidente Lula costuma lembrar aos petistas que ficou devendo sua eleição à imprensa, mas não ressalva que teve tratamento objetivo mesmo nas três campanhas em que abria à esquerda, sem considerar a distância que o separava da sociedade. Não foi diferente na eleição e na reeleição de Lula, nas quais ele se comprometeu, em carta aberta, em ter na Constituição a referência responsável. Nem no episódio do mensalão, no qual os jornais podem ter faltado à objetividade, na corrida pelos fatos, mas não inventaram o que foi publicado e nunca desmentido.
No primeiro mandato, quando o mensalão se apresentou, o presidente se declarou o último a saber (e, mais tarde, quando a Justiça o ouviu, retificou que, desde o começo, esteve a par do que se passara). Lula deve à liberdade de imprensa e aos eleitores, mas não aos jornais, a eleição e a reeleição. Não ficou devendo o terceiro mandato, porque sentiu em tempo que estava na contramão da democracia e que a opinião geral repudiou a hipótese, contornada por ele com a candidatura Dilma Rousseff, do mandato tampão, até agora suficiente para lhe reservar o acesso ao quarto governo petista em 2014.
Claro, se tudo correr normalmente e contar com os pequenos partidos mas grandes mercadores da República. Se o presidente tem alguma questão de consciência em relação ao incêndio na Casa Civil, que cumpra então aquela sentença com que fulminou os quedeixarem impressões digitais nos fatos já públicos e nos que ainda virão. Como, mais uma vez, o próprio Lula vociferou, sem pretensão de ser original, “doa a quem a doer”. Sem doer é que não.
A História tem um cemitério de jornais que pretenderam dispor de liberdade exclusiva, mas que não passa de negação da própria liberdade.

Mariano, especial para Charge Online


Ahmadinejad diz em discurso na ONU que capitalismo está morrendo

Ahmadinejad diz em discurso na ONU que capitalismo está morrendo

Na ONU, Ahmadinejad pede ‘nova ordem mundial’ Presidente rejeita capitalismo e busca ‘governo baseado na mentalidade divina’

 NAÇÕES UNIDAS, EUA (Reuters) - O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, disse nesta terça-feira em sessão da Assembleia Geral da ONU sobre a pobreza mundial que o capitalismo está a beira da morte e está na hora de se adotar um novo sistema econômico.

"A ordem discriminatória do capitalismo e as hegemonias estão diante da derrota e estão chegando perto de seu fim", disse Ahmadinejad à Assembleia, que está reunida para discutir os avanços dos programas da ONU para reduzir a pobreza até 2015.

"As estruturas não democráticas e injustas dos órgãos tomadores de decisão nos campos da política e da economia internacional são as razões por trás da crise que a humanidade vive hoje", acrescentou, de acordo com a tradução de seu discurso.

Ahmadinejad, que no passado já atraiu grandes públicos para discursos na ONU, falou diante de um salão praticamente vazio nesta terça-feira.
Não ficou claro se a incomum pequena presença de pessoas aconteceu devido ao menor interesse em Ahmadinejad desde seu primeiro discurso à Assembleia cinco anos atrás ou se porque ele foi um dos primeiros a falar na sessão da manhã, que começou às 9h do horário local.
Ahmadinejad não ofereceu nenhuma alternativa clara ao capitalismo, mas disse que o mundo precisa de uma "ordem justa e humana à luz da qual os direitos de todos sejam preservados e a paz e a segurança sejam garantidas".
Ahmadinejad vai discursar novamente na Assembleia Geral na quinta-feira.
(Reportagem de Louis Charbonneau)

Erenice diz que foi ‘traída’ por servidor da Casa Civil

Erenice diz que foi ‘traída’ por servidor da Casa Civil
Blog do Josias   
O encontro procurador da EDRB  ‘foi uma  completa traição’
‘Não tenho condições de acompanhar o trabalho de filho’
‘Acredito nas afirmações que me foram feitas’ por Israel
‘Fui apresentada ao Baracat pelo meu filho como amigo’
‘Que será de meus filhos, vão ter de viver à minha custa?’
‘Óbvio que isso está diretamente ligado à disputa eleitoral’
‘O meu filho se chama Israel Guerra, e não Verônica Serra’
‘Conversamos. Dilma não tem dúvida sobre minha conduta’
‘Conversei com presidente e ele foi muito amoroso comigo’
Fabio Pozzebom
Erenice Guerra quebrou o silêncio. Falou aos repórteres Octávio Costa e Sérgio Pardellas. Recebeu-os na quinta (16), dia em que virou ex-ministra da Casa Civil.
Levada às páginas de IstoÉ, a entrevista é a primeira manifestação de Erenice sobre o caso que a derrubou. Antes, só falara o por meio de notas oficiais.
Considera “traída” por Vinícius Castro, afastado do Planalto depois de ter sido apontado como sócio de Israel Guerra.
Quanto ao filho e demais parentes, não parece enxergar conflitos entre o público e o privado: “O que será dos meus filhos e dos meus parentes? Terão todos que viver à minha custa?”
Atribui o seu infortúnio à atmosfera eleitoral: “[José] Serra percebeu que falar de quebra de sigilo não era uma boa tônica, então vamos falar de outra coisa. E a Erenice foi a bola da vez”. Abaixo trechos da entrevista:
– O que mais pesou em sua decisão de pedir exoneração? Foi a campanha de desconstrução da minha imagem, sórdida e implacável, atingindo, sobretudo, a minha família. Esses valores colocados em questão são caros para mim. Sou uma pessoa de origem simples e a família é o núcleo central que estabiliza a gente. [...] Entendi que era o momento de fazer uma opção. Uma opção pela minha vida pessoal, minha família, meus filhos e minha mãe, que sofre com tudo isso.
– Por que existiria uma campanha difamatória contra a sra.? Está vinculada ao momento político-eleitoral.
– Conhece o trabalho do filho Israel para garantir que é inocente? Uma pessoa que trabalha a quantidade de horas que eu trabalho por dia, [...] não tem condições de acompanhar trabalho nem de filho, nem de irmão, nem de ninguém. Mas eu conversei com meu filho e, conhecendo o filho que tenho, acredito nas afirmações que me foram feitas por ele. Ele me garantiu que, em nenhum momento, ultrapassou os limites da ética e da conduta que deveria ter.
– Nomeou o presidente e um diretor de operações dos Correios. Seu filho, que trabalhou na Anac, prestou consultoria à MTA, que obteve renovação de concessão na Anac e ganhou concorrência milionária nos Correios. Coincidência? Troquei sim a diretoria dos Correios por determinação do presidente. [...] Creio que pago um preço por isso, mas não me arrependo. [...] Israel prestou serviço para um sujeito chamado Fábio Baracat, que se intitulava dono de uma empresa chamada Via Net, mas nunca prestou serviço para uma empresa chamada MTA. A própria Anac reconhece que renovou a concessão da MTA porque eles regularizaram toda a documentação. A MTA ganhou e perdeu licitações nos Correios. E o tal contrato com a Via Net, que seria a empresa do Baracat, jamais foi assinado pelo meu filho. Então, é uma história muito confusa. Meu filho nunca teve contato direto com a MTA e eu muito menos.
– Encontrou Fábio Baracat na sua residência? Eu fui apresentada ao Baracat pelo meu filho na condição de amigo dele. [...] Para mim era mais um amigo. [...] Não conversamos nada além do trivial de um encontro social.
– O fato de seu filho se relacionar com empresários que têm interesse em negócios com o governo não caracteriza tráfico de influência? A sociedade precisa refletir sobre essa questão. Depois que uma pessoa passa a exercer cargo público, seus filhos devem parar de se relacionar, trabalhar e ter amigos? [...] O que será dos meus filhos e dos meus parentes? Terão todos que viver à minha custa, pois não poderão trabalhar e se relacionar?
– Podem ter sido vendidas facilidades em seu nome? O que impede alguém, a não ser a ética, de se vender por aí como uma pessoa que tem acesso à ministra e pode facilitar qualquer tipo de negócio? Essa é uma vulnerabilidade à qual estou exposta.
– Chegou a se encontrar com representante da EDRB, que teria tentado obter empréstimo no BNDES com a ajuda de seu filho? Ele foi recebido na Casa Civil pelo meu assessor, o chefe de gabinete à época. [...] A Casa Civil está investigando a conduta do ex-servidor Vinícius Castro e a possibilidade de ele ter praticado algum tráfico de influência nesse caso.
– Esse servidor poderia se passar por funcionário capaz de influir nas suas decisões? É. Poderia dizer ‘trabalho na Casa Civil, posso conseguir isso e aquilo...’. Isso não é desarrazoado não. E, exatamente por isso, a Casa Civil está, a partir de hoje, investigando esse caso com bastante rigor.
– Significou uma traição de Vinícius, funcionário próximo e sócio de seu filho? Foi uma traição. Uma completa traição
– Se houve tráfico de influência foi sem seu conhecimento? Absolutamente sem o meu conhecimento. Eu jamais admitiria um negócio desses. Por que eu faria isso? Por que eu deixaria que minha honra e minha história profissional se sujassem por conta de tráfico de influência no local em que trabalho?
[...]
– Sentiu-se abandonada pelo governo? De forma nenhuma. Eu fui tratada com solidariedade durante todo esse tempo. É óbvio que isso está diretamente ligado à disputa eleitoral, à necessidade de a oposição gerar fatos novos. [...] Serra percebeu claramente que falar de quebra de sigilo não era uma boa tônica, então vamos falar de outra coisa. E a Erenice foi a bola da vez, até porque eu simbolizo uma proximidade, uma relação de confiança com a candidata Dilma, que está na frente.
– Dilma foi solidária? Chegou a ligar? Conversamos e a Dilma não tem dúvida sobre a minha conduta.
– Teve apoio do presidente? Conversei com o presidente e ele foi muito amoroso comigo. E reiterou a confiança que tem na minha pessoa, mas achou que é um direito meu fazer agora os trabalhos que eu preciso fazer. Conversar com os meus advogados, abrir os processos para provar que eu não tenho participação, que não tive nenhum benefício.
– Não pode estar sendo alvo de fogo amigo? Se fala muito em fogo amigo, mas eu prefiro não me manifestar sobre isso. Até porque seria uma dor a mais. Há uma disputa de cargos no futuro governo, o que é natural.
– Está tranquila com a investigação da CGU? Eu lhes asseguro que toda a minha família disponibiliza seu sigilo fiscal, bancário e telefônico. Eu não sou o Serra que briga para manter o sigilo da filha. Meu filho se chama Israel, e não Verônica.
– O que pretende fazer daqui para a frente? Respirar. Agora tenho que descansar. Ter tempo de fazer a defesa da minha honra e da legitimidade de todos os meus atos [...].

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