quarta-feira, setembro 29, 2010
Marina x Dilma! LUTA NO GEL!
Marina x Dilma! LUTA NO GEL!
JOSÉ SIMÃO - FOLHA DE SÃO PAULO - 29/09/10
E tem mulher fruta em Brasília. A Mulher Laranja! A mulher do Roriz. Laranja, não. Bagaço
BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O Esculhambador-Geral da República! Ereções 2010! Vai dar JACARÉ! Briga de muié! A Marina tá comendo os votos da Dilma! Vai dar jacaré! Muié x Muié! Luta no gel com Marina e Dilma! Hipopótamo x Ema!
E se a Marina ganhar, ela vai ter que pedir autorização pro Ibama pra viajar pro exterior? Rarará. E o Serra devia comprar um estacionamento, só fica estacionado mesmo. E o Plínio tá parecendo o avô do Dom Quixote. E diz que ele vai fazer o remake de Cocoon! Rarará!
E eu vou votar naquele candidato do PP: MAGAL EXTERMINADOR DE INSETOS! Pra exterminar todos os candidatos! Rarará! Indecisos e Indecentes! Votem em mim pra presidente! HOJE: CORPO A CORPO COM A CLEO PIRES!
E se me virem fazendo corpo a corpo com o Serra, pode chamar a polícia que é sequestro. Se me virem fazendo corpo a corpo com a Dilma, pode chamar a policia que é briga. Se me virem fazendo corpo a corpo com a Marina, chama o Ibama! E corpo a corpo com o Plínio, chama o medico que é Alzheimer! Rarará!
E vai ter segundo turno? Petistas histéricos! Tucanos descontrolados! Uma senhora tucana me assediou no supermercado: "Dê uma forcinha! Dê uma forcinha". "Minha amiga, eu não sou VITASAY pra ficar dando forcinha." Rarará!
E vocês já viram as caras dos candidatos? Eles estão esgotados. Eu digo esgotados em todos os sentidos! E eu tô achando que essa Marina tem uma treta antiga com essa Dilma. Tipo a vingança será maligna! E essa: "67% do eleitorado de Marina não sabe seu número". Nem ela sabe! E a Dilma não caiu da esteira, caiu numa areia movediça! E no dia do debate da Record, o Palocci escorregou no palco e caiu. DE NOVO?! Rarará!
A Galera Medonha! A Turma da Tarja Preta! E tem mulher fruta em Brasília. A Mulher Laranja! A mulher do Roriz. Laranja, não. Bagaço. E diz que o Roriz é o Maluf do cerrado! O Maluf do cerrado e a Mulher Bagaço! Rarará!
E tinha um programa bem antigo de televisão chamado "Almoço com as Estrelas". E a avó dum amigo vendo o otário eleitoral: "Isso tá parecendo o "Almoço com as Estrelas": Agnaldo Timóteo, Moacir Franco, Juca Chaves, tem até o Nelson Gonçalves". "Vó, esse não é o Nelson Gonçalves, é o Aloysio Nunes." Rarará! A situação tá ficando psicodélica. Ainda bem que nóis sofre, mas nóis goza.
DECLARAÇÃO DE VOTO Estatura moral e simbólica é justamente o que Marina me parece ter de sobra
Declaração de voto
Estatura moral e simbólica é justamente o que Marina me parece ter de sobra
Francisco Bosco – O Globo
F. Scott Fitzgerald, o autor de “O grande Gatsby”, pensava que “uma inteligência de primeira linha” deveria ter “a habilidade de sustentar duas ideias opostas na mente, ao mesmo tempo, e ser capaz de operar desse modo”. Concordo. Procuro ter uma visão ambivalente e complexa da realidade; desconfio das perspectivas demasiadamente seguras e unilaterais. O cenário político brasileiro, às vésperas das eleições, exige um modo de pensar fitzgeraldiano. Tentarei exercê-lo aqui, apesar do pouco repertório que tenho nesse campo.
De início, o que caracterizou o governo Lula, no conjunto de seus dois mandatos? A referência à tese de André Singer, ex-porta-voz do presidente Lula, me parece incontornável.
Para ele, houve, nesse período, um realinhamento do eleitorado brasileiro: a classe média afastou-se do PT, cuja base de votos passou a ser a classe mais baixa, grande maioria do eleitorado.
Parte da esquerda não suportou a decepção com o alinhamento de Lula às diretrizes principais da macroeconomia no período FHC: altos superávits primários, juros elevados, autonomia do Banco Central. Ao final de 2003, os dissidentes fundaram o PSOL. O escândalo do “mensalão”, em 2005, acrescento eu, terá contribuído para afastar do PT eleitores de sensibilidade republicana, e foi uma ferida até hoje não cicatrizada na estrutura moral do partido.
Entretanto, segundo Singer, desde o final de 2003 o governo Lula lançava as bases do que futuramente lhe asseguraria altíssimos índices de aprovação junto às classes mais baixas: o Bolsa Família, um vasto programa de crédito e, em seguida, um aumento progressivo e significativo do salário mínimo. O conjunto de medidas elevou bastante o poder aquisitivo dos mais pobres, fazendo surgir um poderoso mercado interno de massas, movimentando a economia brasileira.
Assim, ao final do mandato, apesar do mensalão, Lula sagrou-se reeleito. De lá para cá, a economia tem crescido com constância, milhões de empregos foram gerados e o Brasil atravessou sem maiores turbulências a crise sistêmica do capitalismo em 2008. Tudo isso me parece irrefutável.
Mas o lulismo segundo Singer tem seu outro lado da moeda. É o lulismo da condescendência ao velho fisiologismo da política brasileira, da omissão diante de questões morais que exigem uma postura clara e inflexível, do culto à personalidade, das tentações autoritárias de controle da imprensa e das artes. Além disso, há ainda o tão propalado aparelhamento do Estado, que parece ser a versão petista, mais ideológica, do tradicional “Estado patrimonial de estamento”, como diria Raymundo Faoro.
Tudo isso vem sendo compendiado, com exatidão e clareza, nas colunas de Merval Pereira, desde 2002, e agora reunidas no livro “O lulismo no poder”. Merval me parece imprescindível, mas discordo quando ele afirma que não houve reformas estruturais no governo Lula: não consigo ver uma reforma mais fundamental que a diminuição drástica da pobreza.
Acredito que o governo Dilma manteria as virtudes principais do governo Lula, mas temo pelo agravamento dos seus defeitos, dadas as condições de alta popularidade e ampla aliança política.
Tenho pavor de totalitarismos.
Uma das frases-guias da minha vida é aquela de Thomas Jefferson: “Prefiro as inconveniências decorrentes do excesso de liberdade às decorrentes de um grau pequeno dela.” Por isso, penso que a alternância de poder é importante para a democracia.
O que fazer, então? Aqui devo dizer que estou entre aqueles para os quais o Brasil fez progressos extraordinários no período FHC-Lula. Sou democrata convicto e de forte tendência reformista. Reconheço que a perspectiva reformista é facilitada numa situação, como a minha, de classe média (embora, segundo Singer, o eleitorado de baixíssima renda também deseja que as mudanças se deem sem ameaça à ordem). E reconheço ainda que parte da esquerda encara o reformismo lulista como uma decepção diante do sonho de justiça social mais rápida e igualitária.
O que fazer? A candidatura de Serra padece de uma dificuldade que o psicanalista Tales Ab’Sáber descreveu com exatidão: Lula, ao realizar um governo “de grande liberdade liberal”, ao seguir, e talvez aperfeiçoar, a linha macroeconômica do governo FHC, “roubou a verdadeira base social tucana”.
Não vejo, com efeito, em que a candidatura Serra se diferencia fundamentalmente da de Dilma.
Marina Silva, entretanto, sinaliza com uma diferença importante. Se o governo Lula se definiu por uma profunda transformação material, sobretudo entre as classes mais baixas, definiuse também, pelas razões já expostas e ainda outras, por certa precariedade moral e simbólica. Estatura moral e simbólica é justamente o que Marina me parece ter de sobra. Não apenas pela centralidade da questão ambiental, mas por sua altivez e elegância e pelas declarações tão equilibradas como incisivas. É óbvio que sem uma base material digna, sem justiça social econômica mais profunda, não se pode pleitear um enriquecimento simbólico.
Mas esse rumo acredito que o país não perderá, seja com quem for.
Tudo somado, então, apesar de reconhecer os feitos, notáveis, da gestão Lula, e enxergar virtudes na figura política de Serra, meu voto vai para a candidata que me parece sinalizar para um projeto civilizatório que ultrapasse o desejo, humanamente acanhado, de comprar um iPhone ou uma TV de plasma de 30 polegadas.
O terceiro elemento
O terceiro elemento
FERNANDO DE BARROS E SILVA – Folha de São Paulo
SÃO PAULO - Haverá ou não segundo turno? A dúvida e a expectativa se instalaram num ambiente em que preponderavam, há poucos dias, a certeza de um lado e a resignação do outro. Vamos agora conviver com a interrogação e o novo clima, provavelmente até domingo.
Numa disputa polarizada, vale notar que a perda de fôlego da candidata petista não se traduziu, pelo menos por ora, em mais votos para seu maior adversário, José Serra.
É Marina Silva, a terceira força, quem galvaniza a insatisfação de setores sociais incomodados com os descalabros na cozinha de Lula. Isso, talvez, porque a campanha tucana tenha reforçado a grande aversão a Serra ao tentar tirar tanto leite da escandalização da política.
Marina atingiu no Datafolha 16% dos votos válidos. Em 2006, mesmo catapultada pelo trauma do mensalão, Heloísa Helena teve só 6,8% dos votos válidos. Como a candidata do PSOL, a senadora verde também é uma dissidente do PT. Mas, politicamente, elas são antípodas.
Heloísa foi uma espécie de Maria Bonita do socialismo. Sua indignação moral era como a pimenta de um discurso-pronto que misturava luta de classes e messianismo.
Agora, com Plínio Sampaio, estamos assistindo à quixotização da esquerda (ou dessa esquerda). Até o candidato -o único propriamente midiático, sem existência real além da TV- sabe que o país seria convertido num cenário do "Ensaio sobre a Cegueira" se metade de suas "propostas" virasse realidade. (Sim, "cego" é o colunista etc. etc.).
Marina é menos uma candidata de esquerda do que uma representante das desilusões da esquerda (a esquerda doutrinária do PSOL ou a esquerda de resultados do lulismo). Ela vocaliza anseios de um progressismo pós-ideológico (utópico mas realista), que se traduz na aposta de uma convergência entre PT e PSDB. Ao mesmo tempo, Marina é uma evangélica que faz, por exemplo, restrições à pesquisa com células-tronco, o que a torna um caso muito especial de iluminismo à brasileira.
Chacrinha assumiu um pedaço do Judiciário
Chacrinha assumiu um pedaço do Judiciário
ELIO GASPARI - O GLOBO - 29/09/10
Faltam quatro dias para a eleição e pode-se temer que o glorioso Abelardo Chacrinha tenha buzinado uma ideia para alguns magistrados: "Eu vim pra confundir, não pra explicar." A Lei da Ficha Limpa foi sancionada no dia 4 de junho deste ano.
Um mês depois, o Ministério Público Federal ajuizou uma ação contra a candidatura do ex-senador Joaquim Roriz ao governo do Distrito Federal. Esse caso particular carregava consigo a discussão da constitucionalidade da lei, bem como sua aplicação neste pleito. O TRE de Brasília cancelou o registro de Roriz, seus advogados recorreram ao Tribunal Superior Eleitoral e perderam. Numa instância a decisão demorou 25 dias, na outra, dezenove.
Em setembro, Roriz levou o caso ao Supremo Tribunal. Foi julgado 20 dias depois e acab ou num empate de 5x5. A eleição será domingo e os cidadãos não sabem o destino que tomarão alguns de seus votos. Consumiramse 64 dias e, nada.
Quem entende de lei são os juízes, mas a patuleia entende de calendário.
Apressando-se o ritual da Justiça estimulam-se decisões sumárias, levadas pela emoção, mas há litígios em que a razão pede um julgamento rápido. Durante a desorganizada sessão em que o Supremo julgou o caso, surgiu a proposta de se esperar a indicação do 11 oministro por Lula. Embutia a decisão de não decidir. Se a lei é constitucional, como entendeu o Supremo, e se o recurso do Ficha Suja não foi concedido (por conta do empate), quanto vale a decisão anterior do TSE? Em 2000, num caso mais premente, o Judiciário americano deu a presidência dos Estados Unidos a George Bush 34 dias depois de uma eleição contestada. Noutra, de 1971, a Corte Suprema derrubou em dezessete dias a tentativa de Richard Nixon de censurar os documentos da Guerra do Vietnam conhecidos como Pentagon Papers.
Em Pindorama está acontecendo o contrário.
Em abril de 2009, provocado pelo deputado Miro Teixeira, o STF mandou ao lixo a Lei de Imprensa da ditadura e decidiu que por cá que não há censura.
Desde então, diversos magistrados proibiram os meios de comunicação de publicar isto ou aquilo. Os humoristas tiveram que ir à rua para defender seu direito de propagar o riso. Ou o STF acabou com a censura para inglês ver, ou há juízes que não acreditam na sua decisão.
A buzina do Chacrinha soou mais alto com a confusão estabelecida em torno dos documentos que o cidadão deverá levar à seção eleitoral.
Desde 1965 a choldra sabe que convém levar o título de eleitor e, necessariamente, um documento de identidade com fotografia. Caso tenha esquecido o título, se o seu nome está listado na seção eleitoral, vota com a carteira de identidade.
É isso que manda o Código Eleitoral. Uma lei do ano passado entrou para complicar: mesmo que o eleitor tenha a carteira com fotografia, precisa do título. Para quê? Se José Rousseff mostrou que é José Rousseff e seu nome está na lista de votação, qual a dúvida? Segui-se a lei básica da burocracia: em dúvida, complique. Os partidos políticos e a Justiça Eleitoral tiveram um ano para consertar o conflito.
Faltam quatro dias para a eleição e ele ainda está de pé. Como diria o Velho Guerreiro, "o mundo está em dicotomia convergente, mas vai mudar".
AÇÃO DO HORMÔNIO Moças, vocês estão com dificuldades de se concentrar? Ponham a culpa no estrogênio
AÇÃO DO HORMÔNIO
Moças, vocês estão com dificuldades de se concentrar? Ponham a culpa no estrogênio
O Globo - Publicada em 29/09/2010 às 13h17m
MONTREAL - Os altos níveis de estrogênio durante a ovulação das mulheres podem ser os grandes responsáveis por problemas de concentração, mostrou um estudo feito pelo Centro de Estudos de Comportamentos Neurobiológicos da Universidade de Concórdia, em Montreal, no Canadá, divulgado nesta quarta-feira. Os testes feitos com camundongos mostraram que os altos níveis de estrogênio levam a dificuldades para prestar atenção e aprender. Esta é a primeira vez que os especialistas provaram que a dificuldade de se concentrar estaria diretamente ligada a uma ação deste hormônio em determinada área do cérebro.
- Apesar de se saber que o estrogênio tem um papel importante na aprendizagem e na memória, não há um consenso sobre seus efeitos - disse o autor do estudo, Wayne Brake. - Agora, nossas descobertas mostram que os altos níveis de estrogênio inibem a habilidade cognitiva entre as fêmeas roedoras.
Os pesquisadores expuseram os ratos de forma repetitiva a um tom. Uma vez que os roedores se acostumavam a ele, outro estímulo era associado àquele tom. Os ratos com baixo nível de estrogênio rapidamente aprenderam o novo estímulo enquanto que os com alto nível do hormônio demoraram muito mais para memorizá-lo.
- Este comportamento só foi observado em roedores fêmeas e adultas - disse Brake. - Este estudo somado a outros mostra que o estrogênio afeta diretamente o cérebro, provavelmente interferindo em suas moléculas sinalizadoras.
Pai de todos
Pai de todos
RENATA LO PRETE - FOLHA DE SÃO PAULO - 29/09/10
Como se trata de Lula, ninguém falará isso de público, mas, no PT, muita gente avalia que, se a eleição para o Planalto não se resolver em primeiro turno no próximo domingo, a responsabilidade será ao menos em parte do presidente da República e de sua opção por esticar a corda ao máximo com os adversários e a imprensa na reta final da campanha.
Como costuma acontecer quando as dificuldades batem à porta, multiplicam-se as explicações. Outra que também diz respeito a Lula é a de que o presidente, dando Dilma por eleita, teria dispersado energia antes da hora para ajudar aliados nos Estados.
Deixa comigo - Na reunião de coordenação, ontem, Lula disse que, se sua própria avaliação e a do governo subirem um pouco mais, Dilma estará eleita no primeiro turno. Por isso, pediu que, daqui para frente, seus subordinados batam ainda mais bumbo sobre as ações comandadas por ele.
Oremos - Petistas aproveitaram a presença de cerca de 40 prefeitos no comício de segunda em SP para uma rápida reunião: a eles foi encomendado manifesto em defesa de Dilma a ser levado a diferentes segmentos, sobretudo a líderes religiosos.
Oremos 2 - O boato que mais dor de cabeça deu ao PT foi espalhado via e-mail e atribui a Dilma a frase “nem mesmo Cristo querendo, me tira essa vitória”. O partido nega que ela tenha dito isso.
Blindada - A assessoria petista montou “cercadinho” com grades para a visita de Dilma à rodoviária de Brasília, deixando-a afastada da imprensa e do público.
Reativa - O núcleo dilmista orientou a candidata a não comprar briga com Marina Silva (PV). Nos bastidores, contudo, o contra-ataque corre solto. Petistas destilam notícias sobre o histórico do marido da senadora e relembram as prisões no Ibama quando ela era ministra.
Tá vendo? - No PSDB, dissemina-se o temor de que José Serra encare a eventual passagem para o segundo turno como sinal de que sua campanha vai muito bem e não precisa de mudanças.
Desabafo - Avaliação de um tucano muito próximo do candidato: “Se Serra for para o segundo turno, terá sido por mérito pessoal. Mas, para ganhar, ele precisa, além do mérito pessoal, de aliados”.
Déjà vu - Ainda sob efeito do indigesto incidente no metrô na semana passada, tucanos de São Paulo já cuidam de politizar a greve dos funcionários da CPTM, que ameaça paralisar os trens da capital na sexta-feira, antevéspera da votação.
Título 1 - O PT confia que os ministros do Supremo Tribunal Federal concedam hoje a liminar que dispensaria a exigência de dois documentos para votar, introduzida na minirreforma eleitoral deste ano. Para os advogados do partido, a tese dominante na Corte é a de que não se pode impedir um eleitor de exercer seu direito caso compareça à seção em que está cadastrado munido de carteira de identidade.
Título 2 - Para que a tese petista prospere, é necessária maioria simples entre os ministros presentes à sessão.
Tiroteio
Teste de alfabetização não quer dizer nada para o Tiririca. A pergunta a responder é se ele acha engraçado eleger mensaleiro.
DO DEPUTADO JOSÉ ANÍBAL (PSDB-SP), comentando a possibilidade de o palhaço, candidato à Câmara na coligação liderada pelo PT, ser submetido a uma prova de leitura e escrita para atender aos requisitos da legislação.
Contraponto
Com a mão no bolso
Em visita à Bienal de SP no domingo passado, Eduardo Suplicy viu o pavilhão do Ibirapuera ser tomado por integrantes do grupo Oficina. Sob a direção de Zé Celso Martinez Corrêa, eles encenavam releitura de “O Bailado do Deus Morto”, de Flávio de Carvalho.
Vários atores e atrizes estavam nus. Alguns carregavam escultura que simulava um pênis gigante. Observando atentamente a movimentação, o senador petista fez sua resenha particular da Bienal:
- Tem muita enrolação. Mas isso aqui tá bem feito!
Para especialistas, segundo turno mais próximo
Para especialistas, segundo turno mais próximo
Adauri Antunes Barbosa - O GLOBO
Motivos apontados são o crescimento de Marina e a exigência do título com documento de identidade
SÃO PAULO. A queda no índice de intenções de voto da presidenciável Dilma Rousseff (PT) e a subida de Marina Silva (PV), conforme divulgado ontem pelo Instituto Datafolha, pode levar ao segundo turno, de acordo com a análise de especialistas.
- A tendência que as pesquisas mostram é o crescimento de Marina. Ela está convencendo mais a classe média, eleitores de mais escolaridade e renda, e está tirando votos de Serra e de Dilma. Isso depois das denúncias do caso Erenice - analisou Mauro Paulino, diretor do Datafolha, que acredita que o segundo turno ainda é uma "incógnita".
- A grande incógnita é se vai ter segundo turno e quem vai disputar com Dilma. Muito provavelmente será Serra, mas nada ainda está decidido.
A tendência mostrada pelo Datafolha faz com que o professor Emmanuel Publio Dias, diretor da ESPM e especialista em marketing político, tenha certeza de que haverá segundo turno.
- Com certeza teremos 2º turno. Mas faço duas ressalvas a isso: se acontecer alguma grande bobagem no debate da TV Globo ou se Lula montar um acampamento no Nordeste, no estilo messiânico, para convocar a população a votar na Dilma.
Eleitorado esperava oposição mais firme contra o PT
Sem tanta certeza, o cientista político Rubens Figueiredo, diretor do Centro de Pesquisas e Análises de Comunicação (Cepal), acha que o segundo turno é uma tendência, para a qual um fator inusitado pode ter importância decisiva:
- É preciso levar em conta a consequência dos dois documentos pedidos para o eleitor poder votar. Qual será o nível de abstenção? A gente sabe que isso pode afetar os eleitores de menos renda e escolaridade, o que pode prejudicar a candidatura de Dilma, contribuindo para o segundo turno.
Um dos motivos do crescimento de Marina, conforme análise de Emmanuel Dias, é a mudança do voto antipetista de José Serra (PSDB) para a candidata verde.
- Serra perde votos porque o eleitorado esperava um discurso oposicionista que ele não está fazendo. O discurso "eu também vou fazer melhor" não se coloca contra Lula. Isso deixa o eleitor frustrado. Muitos eleitores do Serra, descontentes com esse discurso, estão mudando para Marina. É o voto antipetista mudando.
Para o cientista político Rubens Figueiredo, faltou aos tucanos e a Serra uma identidade com a oposição.
- O PSDB parece que renegou o passado, de coisas tão boas como o Plano Real, a revolução nas telecomunicações, a Lei de Responsabilidade Fiscal... Parece que tem vergonha do que realizou. Nessa campanha ainda houve a situação do Serra elogiar o Lula de manhã e atacar à noite.
Olhando os números das últimas pesquisas do Datafolha, Mauro Paulino observa que os segmentos de maior escolaridade e maior renda são os mais frustrados.
- Por segmento, a frustração maior é das classes de maior renda e maior escolaridade. Marina empata com Serra e os dois ficam próximos de Dilma, numericamente empate técnico. Mesmo assim é improvável que Marina supere Serra - disse, levantando ainda uma dúvida sobre a continuidade do crescimento da candidata verde: - Outra dúvida é até onde Marina vai crescer entre os eleitores mais pobres, cativos de Lula.
Mais controle de capitais
Mais controle de capitais
Celso Ming - O Estado de S. Paulo - 29/09/2010
Desta vez, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, diverge apenas superficialmente do ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Não temos uma guerra cambial no mundo, como Mantega sustentara na véspera, mas temos sério problema de câmbio no Brasil, avisou ele ontem. E completou: "O aumento do IOF na entrada de capitais está em aberto."
São declarações que aparentemente dão como inevitável uma elevação do IOF com o objetivo de desestimular a chamada arbitragem com juros. Trata-se de tomada de empréstimos no exterior a juros no chão para trazer os recursos para o Brasil, trocá-los por reais e tirar proveito de juros substancialmente mais altos no mercado interno.
De janeiro a agosto deste ano, haviam afluído US$ 19,9 bilhões em recursos de estrangeiros para investimento em renda fixa, ou 670% a mais do que no mesmo período de 2009 (veja o Confira).
O IOF cobrado na entrada desses capitais é hoje de 2%. Se Meirelles admite aumentá-lo, pressupõe-se que possa ir para 3% ou 4%. Não está claro se esse aperto vai alcançar também as aplicações em ações. O reforço da entrada de capitais para essa finalidade (até agosto) foi irrelevante. Em princípio, aplicações em ações não devem ser desestimuladas porque ajudam a capitalizar a empresa brasileira.
Boa pergunta consiste em saber até que ponto uma paulada com IOF será decisiva para segurar o tombo do dólar no câmbio interno. Em geral, os investidores encontram mecanismos para burlar esse novo imposto. Se os 2% não foram suficientes para conter a valorização do real, o aumento da dose provavelmente também não será. Afora isso, não é apenas o dinheiro que entra no País que faz arbitragem com juros. O que deixa de sair também faz. E sobre esses capitais, que ficam porque os juros estão altos aqui dentro, não incide IOF. Uma filial de empresa estrangeira, por exemplo, pode deixar de remeter lucros e dividendos para sua matriz no exterior para girar esses recursos no mercado brasileiro a fim de aproveitar os juros. De todo modo, algum impacto imediato sobre a entrada desses capitais essa elevação do IOF acabará produzindo.
O mundo está inundado de liquidez. Apenas parte dela é consequência de emissões de moeda (pelos bancos centrais) ou emissões de títulos (aumento de dívida pelos tesouros). Ela provém do excesso de poupança de um punhado de países asiáticos (Japão, China, Coreia do Sul, Taiwan), dos grandes exportadores de petróleo (Arábia Saudita) e, também, da Alemanha. Em contrapartida, os países de alta renda, especialmente os Estados Unidos, vivem um momento de poupança perto de zero. Pode ser vista, também, como o resultado dos enormes desequilíbrios financeiros globais.
Neste momento em que exibe certificado de grau de investimento, e é um dos poucos países que terão forte crescimento em 2010, é natural que o Brasil atraia capitais ciganos. Essa avalanche contribui para valorizar o real, na contramão do que está acontecendo em outros países, que conduzem a política cambial para produzir efeito oposto, ou seja, para desvalorizar sua própria moeda.
Mas ninguém se iluda. O movimento principal não é de valorização do real, mas de aumento do consumo, que estica o rombo das contas externas (déficit em conta corrente) para perto dos 3% do PIB. Não basta tascar IOF. Será preciso conter o consumo com redução das despesas públicas para desacelerar as importações.
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