quinta-feira, setembro 30, 2010

Irritado com tática do PSDB, Neymar demite Serra

Irritado com tática do PSDB, Neymar demite Serra
28/9/2010 - 12:52
Neymar também demitiu Wagner Moura quando este não lhe permitiu que desse o primeiro pipoco no filme Tropa de Elite.
VILA BELMIRO – Profundamente irritado com a estratégia do candidato tucano no debate da TV RECORD, o atacante Neymar deixou os estúdios da emissora paulista fazendo gestos obscenos para o ex-governador de São Paulo. Neymar deixou claro que queria fazer a primeira pergunta do debate, mas José Serra tomou-lhe o microfone e impediu o atacante de se manifestar. “Ele é traíra”, disse Neymar, acrescentando que Serra também seria “Mané”, incapaz de desmoralizar o adversário com uma pergunta esquiva. “Vocês viram a pergunta que ele fez? Se o Plínio podia explicar o projeto dele para as escolas técnicas? Isso é coisa de gente que não quer ganhar nada”, desabafou o atacante, jogando uma garrafinha de água Perrier na direção da bancada dos debatedores.
Marina Silva declarou aos repórteres que estava extremamente decepcionada com a atitude do jogador, e que a cultura política brasileira estava criando um monstro. “Se ninguém punir, ele acaba se casando com o Roriz na Argentina para poder concorrer ao governo do Distrito Federal”, disse a candidata.
 Dilma Rousseff aproveitou a ocasião para anunciar que, se eleita, convidará Neymar para ser embaixador do Brasil em Washington, “pois precisamos de brasileiros combativos, que não se curvam ao poder imperial”. Disse também que estatizará o Santos.
Neymar deixou a RECORD sem falar com os jornalistas e foi diretamente para a sede do Instituto Fernando Henrique Cardoso, onde entrou com um pontapé na porta. Confrontando o ex-presidente da República, o jogador deixou claro que era ele ou Serra. FHC ligou imediatamente para Aécio Neves e os dois concordaram que a situação do ex-governador paulista era insustentável. Ficou acertado que o candidato será demitido através do blog da Força Jovem do Santos.
Neymar assumirá a candidatura tucana e no último debate da Globo promete se jogar no chão a cada pergunta de Dilma Rousseff. “Na terceira queda, exijo que o Supremo dê um cartão vermelho para a candidata”, disse o jogador.

Validade da Ficha Limpa é provisória. STF aguarda a chegada de novo caso

Validade da Ficha Limpa é provisória. STF aguarda a chegada de novo caso
JORNAL DO BRASIL
A Lei da Ficha Limpa continua valendo, provisoriamente, até que o Supremo Tribunal Federal chegue a uma conclusão sobre sua aplicação nas eleições de domingo. Por 6 votos a 4, o plenário considerou extintos os recursos nos quais Joaquim Roriz e a coligação que apoiava sua candidatura ao governo do Distrito Federal pretendiam uma interpretação definitiva da Corte sobre a controvérsia relativa ao princípio da anterioridade nas normas eleitorais. A maioria entendeu que, tendo Roriz renunciado à sua candidatura, o recurso em cujo julgamento verificou-se um empate, na semana passada, perdeu o objeto, a razão de ser.
No entanto, por unanimidade, os ministros resolveram manter o conhecimento da repercussão geral da polêmica questão de mérito, decisão que havia sido toma da naquela sessão. Assim, os candidatos que tiveram seus registros impugnados pela Justiça eleitoral vão participar das eleições sub judice, à espera da solução do impasse pelo Supremo, quando for julgado outro recurso semelhante. Ou com a atual composição, ou com a futura nomeação do 11º ministro o substituto de Eros Grau, que se aposentou em agosto.
Vencidos
Os ministros Ayres Britto (relator), Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia e Joaquim Barbosa  os três primeiros representantes do STF no Tribunal Superior Eleitoral ficaram vencidos. Eles queriam a declaração da perda de objeto do recurso extraordinário, mas não a extinção do processo, a fim de que o recurso em causa recebesse o carimbo de transitado em julgado, reforçando assim o entendimento majoritário do TSE favorável à constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa, em todos os seus aspectos.
Ao proclamar a extinção do processo de Roriz, o presidente do STF, Cezar Peluso, ressaltou que, no caso, havia pretensão ao registro de uma candidatura, não se tratando de discutir a renúncia a uma candidatura, fato que surgiu depois do início do julgamento.
O recurso em vias de servir de paradigma para dirimir a controvérsia sobre o prazo de vigência da Lei da Ficha Limpa é o do candidato a deputado estadual cearense Francisco das Chagas Rodrigues Alves. O presidente do TSE, Ricardo Lewandowski, já liberou o recurso extraordinário do candidato contra a decisão da Corte eleitoral que confirmou sua inelegibilidade, com base na LC 135.
Primeiro caso
O processo de Francisco das Chagas foi o primeiro caso concreto sobre a vigência da nova lei analisado pelo TSE que, por 5 votos a 2, entendeu estar em pleno vigor a LC 135. O candidato a deputado estadual fora declarado inelegível por três anos, por captação ilícita de votos, a contar das eleições de 2004, quando disputou o cargo de vereador de Itapipoca (CE). A Lei da Ficha Limpa aumentou esse prazo para oito anos. 

Waldez, no Amazônia Jornal


Exageros demais

Exageros demais
L. Fernando VERISSIMO - O GLOBO - 30/09/10
Gosto muito da frase do Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, quando lhe contaram que andavam dizendo que ele era homossexual:
– O pessoal exagera um pouco...
O “pessoal” – aí entendido como não apenas os contemporâneos e conterrâneos do grande Stanislaw como a humanidade em geral – tem mesmo uma tendência a exagerar. O exagero simplifica e aguça, tem mais graça, chama mais atenção – enfim, é compreensível. E deve ser tratado com a mesma tolerância com que o Stanislaw tratou os boatos do “pessoal” a respeito da sua sexualidade.
Tomemos como exemplos os exageros que dominam este fim de campanha, todos sobre o papel da imprensa nas eleições. De um lado o dos que dizem que a parcialidade da grande imprensa brasileira chegou a uma espécie de paroxismo com a perspectiva de uma vitória da Dilma com maioria no Congresso, e que há uma conspiração em curso dos grupos que controlam a mídia no país para evitar que isto aconteça. Do outro o dos que veem na vitória da Dilma com maioria uma ameaça à liberdade de pensamento e expressão no Brasil, ainda mais depois do que andou dizendo o Lula – comparado ao Mussolini como líder de uma ameaça populista à nossa democracia – sobre uma grande imprensa “oposicionista”.
Dois exageros perfeitamente compreensíveis, como se vê. O pessoal só exagerou um pouco demais. É difícil imaginar as quatro ou cinco famílias supostamente donas do espaço publicitário no país reunidas para evitar a continuação de um governo que ampliou este espaço como nenhum outro. Já é difícil imaginar as tais famílias juntas por qualquer motivo. E alguém acredita que a Dilma, uma vez eleita, convocaria os barões da imprensa para, embaixo de um retrato do Duce de Garanhuns, ordená-los a publicar só o que o governo quer, sob pena de represálias?
De um lado ou de outro, busca-se uma mobilização contra fantasmas inventados. Ou um pouco exagerados.
Mas sejamos como o grande Stanislaw e perdoemos os que exageram. É época de eleições, grandes questões, para não falar em grandes somas, estão em jogo, a moderação e o senso comum perdem para as paixões e, afinal,
o “pessoal” é assim mesmo. Aconteça o que acontecer, eu estou saindo de férias.

Wanessa e o casamento gay

Wanessa e o casamento gay
MÔNICA BERGAMO - FOLHA DE SÃO PAULO - 30/09/10
Wanessa se prepara para fazer um show no sábado na boate gay Flexx, em SP, com um figurino que inclui uma regata com a frase "Todo Mundo É Igual". É que a cantora decidiu apoiar publicamente a união civil de homossexuais. "Acredito que em breve a lei sobre união civil entre iguais seja aprovada em nosso país. Será um exemplo de cidadania. O amor não tem raça, cor ou sexo, o amor simplesmente te arrebata", diz ela, que acaba de alongar os cabelos. Ela também negocia com outra casa noturna gay, a The Week, uma temporada de shows.
BEM LONGE DA GRANDE ÁREA Apesar do bumbo batido em torno do novo estádio do Corinthians para sediar a abertura da Copa de 2014, em SP, o governador Alberto Goldman considera que nada está resolvido. E afirma que a arena do Timão está hoje em pé de igualdade com o Morumbi, embora tenha o apoio da CBF. "Eles ainda não têm assegurados recursos para um estádio de 68 mil lugares, como exige a partida de abertura", diz o governador. O projeto para o qual o Corinthians já tem recursos garantidos é de 48 mil lugares.
PRETO NO BRANCO Goldman considera, no entanto, que a marca Corinthians tem mais apelo e condições que a do São Paulo de atrair eventuais investidores para a construção de uma arena maior. Resta que isso aconteça.
VITÓRIA NA DERROTA O vereador José Luiz Penna (PV-SP), presidente nacional do Partido Verde e espécie de patrono da campanha de Marina Silva (PV) à Presidência, diz que, se o crescimento da candidatura da senadora forçar o segundo turno da eleição, "já será uma grande vitória", ainda que ela fique em terceiro lugar.
"Não poderíamos aceitar o Fla/Flu na eleição. O que [o presidente Lula e o PT] fizeram, de juntar todo mundo sem critério, era um acinte." Penna faz parte da base de apoio da prefeitura tucano-demista de SP.
NA MOSCA Quando Marina ainda relutava em sair do PT, no ano passado, Penna levou a ela uma pesquisa do instituto Ipespe que dizia que, depois que se tornasse conhecida, a verde poderia chegar a 12% dos votos. Com possibilidade de subir a até 17%. Ninguém acreditava. "O resultado mostra que fizemos um cálculo político certíssimo."
PORTAS FECHADAS Isabela Capeto decidiu fechar sua primeira loja em SP, na rua da Consolação, a partir de hoje. A estilista carioca optou por ficar apenas com o ponto no shopping Iguatemi.
MEMÓRIA Eduardo Jorge, vice-presidente do PSDB que hoje acusa o BB (Banco do Brasil) de quebrar seu sigilo bancário, também foi envolvido em caso semelhante quando era secretário-geral do governo de Fernando Henrique Cardoso. Em 1996, uma lista explosiva com o sigilo de nove deputados extraída do Banco do Brasil circulou no Congresso. Apontado como autor, o então ministro Luiz Carlos Santos, da Coordenação Política, resolveu investigar. Concluiu, e divulgou, que o responsável por ela era Eduardo Jorge.
CASO ENCERRADO EJ negou que patrocinara a quebra. Investigação do próprio banco não apontou responsáveis, inocentou autoridades do governo e deu o caso por encerrado.
PAIS DO APRENDIZ O publicitário Roberto Justus será o entrevistado de João Doria Jr. no programa "Show Business" que vai ao ar neste sábado, na Band. Os dois são concorrentes: Justus, atualmente no SBT, era o apresentador de "O Aprendiz" (Record) antes de Doria assumir a função.
EIXO MONUMENTAL O arquiteto Oscar Niemeyer, 102, não sairá de casa para votar no próximo domingo. Ele mora no Rio e seu título é de Brasília.
OURO DE MINAS Milton Nascimento será homenageado pela Feira Música Brasil, em dezembro, em Belo Horizonte. Os cantores Luiz Melodia, Arnaldo Antunes, Lenine e Margareth Menezes participam do tributo ao compositor mineiro.
A CAPITAL NA PAREDE A exposição "As Construções de Brasília", com 140 fotografias do acervo do Instituto Moreira Salles, foi inaugurada nesta semana na galeria do Sesi, na avenida Paulista. A mostra conta com obras de Marcel Gautherot, Peter Scheier, Thomaz Farkas e Cildo Meireles, entre outros.
O LIVRO DE RUTH A ex-primeira-dama Ruth Cardoso, morta em 2008, ganhou uma biografia assinada por Ignácio de Loyola Brandão. O lançamento de "Ruth Cardoso -Fragmentos de Uma Vida" aconteceu anteontem, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o filho, Paulo, foram ao evento.
CURTO-CIRCUITO
Carlos Ramos Stroppa lança hoje, às 18h30, o livro "Figuração", na Livraria Cultura do Conjunto Nacional.
Acontece hoje, às 19h30, o coquetel de abertura da exposição "Smirnoff@Nightlife", sobre a história da vida noturna paulistana, no Castelinho (av. Brigadeiro Luiz Antônio, nº 826). 18 anos.
A Sanrio, criadora da Hello Kitty, abre hoje, no shopping Iguatemi, exposição comemorativa de seus 50 anos, com releituras de seus personagens feitas por 25 artistas.
O escritório de advocacia Décio Freire & Associados inaugura hoje suas novas instalações, com coquetel a partir das 18h30.
Ronie Lima lança hoje, às 19h, o livro "Os Caminhos Espirituais da Cura", na livraria Saraiva do shopping RioSul, em Botafogo, no Rio.
com DIÓGENES CAMPANHA e LÍGIA MESQUITA

Europeus contra a austeridade

Europeus contra a austeridade
Manifestações em 14 países e greve na Espanha marcam protestos sobre medidas de governos
Priscila Guilayn* O Globo Correspondente • MADRI, BRUXELAS, ATENAS e DUBLIN
Protestos nas ruas de Valencia - Foto: / Reuters
 A Europa foi varrida ontem por protestos contra as medidas de austeridade adotadas pelos governos no rastro da crise financeira global. A Espanha, por sua vez, enfrentou a quinta greve geral da história de sua democracia. Bruxelas, onde fica a sede da União Europeia (UE), foi palco de uma “euromanifestação”, que reuniu mais de cem mil pessoas, segundo os sindicatos. A polícia falou em 80 mil. Os manifestantes levavam cartazes, em várias línguas, com os dizeres “Não à austeridade”.
Cerca de 210 pessoas foram detidas.
França, Grécia, Portugal, Irlanda, Itália, Lituânia, Letônia, República Tcheca, Polônia, Eslovênia, Sérvia, Romênia e Chipre também tiveram manifestações, com paralisações de trabalhadores gregos e portugueses.
Em Dublin, um homem foi preso ao protestar, de forma solitária, em frente ao Parlamento. Ele bloqueou o acesso ao prédio com um caminhão de cimento, pedindo “a demissão de todos os políticos”.
A greve geral espanhola não foi tão forte como a de 1988, quando tudo parou, “inclusive a respiração”, em palavras do então presidente do Governo, Felipe González. Mas teve uma adesão bem superior à esperada: as pesquisas previam participação de apenas 18% dos trabalhadores. No cálculo dos sindicatos, foram 70%. O governo, porém, negou-se a dar uma cifra média. Para analistas políticos e econômicos, não houve vencedores nem perdedores.
— A adesão foi desigual e o efeito, moderado. Não vamos entrar em controvérsia sobre cifras baseadas em estimativas — disse o ministro do Trabalho, Celestino Corbacho. — No setor industrial, a adesão foi de quase 100%, mas em hotéis, restaurantes e bares, não chegou a 3%.
Ele usou a palavra normalidade para definir a greve geral, apesar de 78 pessoas terem sido detidas no país. Centenas de voos foram cancelados.
Três piqueteiros foram atropelados ao tentar impedir a entrada de trabalhadores em empresas de Madri, Barcelona e Ciudad Real (Castilla-La Mancha).
Zapatero chama sindicatos
Já Barcelona concentrou a atenção da mídia devido à violência dos protestos antiglobalização. Alguns manifestantes, encapuzados, chegaram a jogar coquetéis molotov dentro de um carro policial — com os agentes dentro. Vitrines de lojas foram quebradas e a mercadoria, saqueada.
A Generalitat (o governo local) repudiou a violência e disse que os incidentes não foram provocados por sindicalistas, mas por grupos anticapitalistas.
A informação foi corroborada pela polícia. Segundo o jornal “El País”, em toda a região da Catalunha, 33 pessoas foram presas e 57 tiveram ferimentos leves. Entre os feridos, 28 policiais e um enfermeiro dos serviços de emergência.
— A adesão à greve tem poucas interpretações: foi um sucesso inquestionável — avaliou Ignacio Fernández Toxo, secretário-geral do maior sindicato espanhol, o Comissões Operárias.
Em alguns setores a greve foi mais notada que em outros. O lixo acumulado acusava a adesão total dos garis. A indústria parou e os transportes (metrôs e trens) circularam apenas para cumprir os serviços mínimos aos cidadãos (segundo o governo, a adesão no setor foi de 21%). Em Madri, piqueteiros impossibilitaram a saída dos ônibus, jogando pedras e ovos nos vidros.
No Centro da capital, muitas lojas nem abriram. Outras deixaram o portão de ferro pela metade, fechandoo quando piqueteiros se aproximavam. O governo afirmou que somente 10% dos comerciantes aderiram à greve. Os hospitais funcionaram como se fosse domingo, e a adesão dos professores variou de 4% a 60%, dependendo da região.
— Respeitamos a convocação de greve geral e sabemos que amanhã (hoje) haverá muito trabalho para realizar através da via do diálogo — afirmou Corbacho.
Embora se mantenha firme com sua reforma trabalhista, um dos pivôs da greve, o socialista José Luis Rodríguez Zapatero — que vem penando com uma popularidade inferior a 30% — está disposto a negociar sua implementação com os sindicatos. O Executivo ainda chamou os sindicatos para discutirem juntos, hoje, a reforma da aposentadoria.
O convite foi recusado, mas o governo disse que manterá sua “mão estendida”.
— Zapatero está em uma crise tão grande de credibilidade e de imagem, tanto nacional como internacionalmente, que essa greve geral não significará uma mudança qualitativa especial — opina o cientista político Josep Maria Reniu, professor da Universidade de Barcelona.
UE quer multas para disciplinar países
Indiferente aos protestos, a Comissão Europeia, órgão executivo da UE, propôs ontem adotar sanções compulsórias para punir os governos que desrespeitarem o limite de endividamento, de 3% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos em um país).
Estes teriam de depositar em Bruxelas o equivalente a 0,2% de seu PIB.
Em caso de reincidência, haveria multa anual de 0,1% do PIB.
As propostas ainda têm de ser votadas pelos membros da UE e pelo Parlamento Europeu. Mas Portugal já iniciou ontem as discussões sobre o Orçamento de 2011 e, segundo a imprensa local, o governo estuda elevar impostos. A França, por sua vez, tenta fugir da adoção de medidas de austeridade: ontem o governo Nicolas Sarkozy prometeu controlar os gastos com serviços públicos e acabar com deduções tributárias para reabastecer os cofres públicos em 2011.
(*) Com agências internacionais

ELVIS, para o Correio Amazonense


Pesquisas Ibope e Datafolha divergem

Pesquisas Ibope e Datafolha divergem
Dilma fica estável no Ibope, enquanto no Datafolha ela teve queda; consultas foram feitas em períodos diferentes
André de Souza – O Globo
 BRASÍLIA. A incógnita sobre a realização de um segundo turno se mantém, após a divulgação ontem de nova pesquisa Ibope.
Enquanto levantamento do Datafolha, divulgado segunda-feira, apontava queda da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff — o que aumentava as chances de um segundo turno —, o Ibope indica que a petista venceria no primeiro turno.
A pesquisa Ibope, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostra Dilma em situação estável, com 50% das intenções de voto. José Serra (PSDB) perdeu um ponto e tem 27%, enquanto Marina Silva (PV) subiu um ponto e está com 13%. Os outros candidatos somam 1%. Votos em branco e nulos somam 4% e indecisos, 4%. A margem de erro é de dois pontos percentuais. Levando-se em conta só os votos válidos, Dilma tem 55% das intenções de voto; Serra, 30%; e Marina, 14%.
Anteontem, o Datafolha divulgou pesquisa em que a petista caiu três pontos, mas ainda liderava a disputa com 46% das intenções de voto, contra 27% do tucano e 13% de Marina. Nos votos válidos (sem nulos, em branco e indecisos), Dilma somou 51%, contra 49% dos demais candidatos. A vantagem de Dilma sobre os seus adversários caiu de sete para dois pontos percentuais em uma semana, segundo a pesquisa Datafolha, realizada segunda-feira.
Já Sensus mostra queda de Dilma
O Ibope apurou o índice de rejeição dos candidatos. Serra é rejeitado por 34% dos eleitores, enquanto 28% disseram que não votariam em Marina de jeito algum e 27% disseram o mesmo sobre Dilma. Numa simulação de segundo turno, Dilma derrotaria Serra por 55% a 32%.
O Ibope ouviu 3.010 pessoas, em 191 municípios entre os dias 25 e 27 de setembro. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número 33162/2010.
Já uma pesquisa Sensus divulgada ontem, encomendada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT), aponta uma queda de três pontos percentuais de Dilma — confirmando a tendência apontada pelo Datafolha.
Ainda assim, o levantamento da CNT/Sensus aponta vitória de Dilma no primeiro turno, com 47,5% das intenções. Serra aparece com 25,6%, e Marina, com 11,6%. Os demais candidatos juntos somam 2,1%. Em branco e nulos são 3,6%, e indecisos, 9,5%. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Lulambança

Lulambança
CARLOS ALBERTO SARDENBERG – O Globo
 O presidente Lula gosta de elogios.
Na verdade, acha até que os “elogiadores” têm sido modestos. Ele quer mais, como disse ontem em comício em Salvador: “Obama falou que eu era ‘o cara’ há dois anos e nem conhecia as pesquisas que estão saindo agora. Se ele soubesse, ia falar: ‘Pô, não é que esse cara é o cara do cara?’” É verdade que políticos, especialmente aqueles no governo, apreciam as boas palavras. Podem reparar: se um governante pede a opinião de dez pessoas sobre sua administração e ouve nove críticas e um elogio, é com este último que fica. “Bela análise”, dirá, genuinamente convencido.
É por isso que políticos realmente espertos mantêm críticos nas proximidades.
É por isso que governantes realmente competentes colocam ministros e assessores fortes, com razoável grau de independência, para que façam o contraponto e coloquem limites.
Não é o caso do governo Lula. Não que o time seja todo ele incompetente, mas é evidente que todo o pessoal do governo e do partido entregou-se inteiramente ao “cara de todos os caras”.
Isso resulta de uma mistura de sentimentos: genuína veneração do líder, medo de se contrapor a ele, oportunismo e pragmatismo. De modo que temos, de um lado, um presidente com elevada autoconfiança, admiradíssimo com ele mesmo, achando que pode tudo, e, de outro, ministros e assessores que ou concordam com ele ou não o enfrentam por medo ou por achar que não vale a pena. É o caso daqueles que dizem que o PT vai voltar ao poder quando Lula se for.
Mas há outra atitude que pode ser a mais prejudicial ao país: o comportamento dos membros do governo que consideram ter o mesmo poder ou o mesmo direito de fazer o que bem entendem.
 São os que se acham os verdadeiros “subcaras”.
Acontece direto na área econômica.
Lula mandou a Petrobras turbinar seus investimentos, mesmo contrariando pareceres técnicos, mandou tocar as usinas lá do Norte, como a de Belo Monte, apesar de enormes restrições técnicas, ambientais e econômicas, mandou avançar com o caríssimo e inútil trem-bala e por aí vai.
A pergunta ingênua aqui seria esta: mas como é que passa? Não tem ninguém para alertar? Passa porque esses programas despertam enormes interesses e cobiças.
Quem tem uma empreiteira acha ótimo que o governo se comprometa a fazer obras gigantescas, com financiamento subsidiado e risco do próprio governo.
Na gestão de política econômica propriamente dita, a orientação de Lula foi clara: vamos gastar. No início de seu primeiro mandato, pressionado pelo mercado, alvo de desconfianças, Lula foi obrigado a concordar com um programa de austeridade e contenção do gasto público. Foi quando o governo fez expressivos superávits primários (economia para pagar juros), bem superiores aos da era FHC.
Depois da saída de Palocci do Ministério da Fazenda, a orientação foi mudando.
A recuperação do crescimento econômico — empurrada pela espetacular expansão global, especialmente da China — abarrotou os cofres do governo de dinheiro novo. Depois, na crise, firmou-se a tese mundial de que os governos deveriam gastar para estimular a economia.
“Política anticíclica”, repetia o ministro Mantega. Mas quando a crise passou e o Brasil voltou a crescer, o governo continuou a elevar seus gastos. Se o argumento “anticíclico” fosse uma regra de fato e não uma desculpa, o comportamento da administração pública neste momento seria o contrário. Se as empresas e as pessoas voltaram a tomar crédito e a gastar, o governo passa a poupar, inclusive para fazer caixa para os anos ruins.
Números e contas públicas aceitam desaforo até certo ponto. Já as atuais autoridades econômicas, como funcionárias do “cara do cara”, acham que não estão fazendo nenhum desaforo, mas inaugurando uma contabilidade nunca jamais vista na história da humanidade.
Por exemplo: tiram do nada uma receita de pelo menos R$ 25 bilhões para o Tesouro. É quanto o governo vai “lucrar” com a capitalização da Petrobras.
Reparem a operação, em termos simples: o governo vendeu para a Petrobras 5 bilhões de barris de petróleo que estão enterrados em algum lugar do pré-sal. Cobrou por isso, em números redondos, uns R$ 72 bilhões. Logo, a Petrobras ficou devendo essa grana, pelo direito de, lá na frente, pesquisar, perfurar, explorar e finalmente retirar o óleo do fundo do mar.
Em seguida, a Petrobras abre seu capital e oferece ações ao mercado. O governo central (Tesouro) compra parte dessas ações, pelas quais deveria pagar à estatal uns R$ 45 bilhões. Mas como tem um crédito, pelos barris “a futuro”, apenas abate o valor da conta e continua credor da Petrobras, em uns R$ 27 bilhões.
Você pensou que o negócio fecha com a estatal mandando um cheque nesse valor para o caixa do governo? Se pensou, está na contabilidade da era pré-Lula.
A Petrobras não vai despachar o dinheiro, mas o Tesouro vai registrar como receita — e assim vai fazer neste mês o maior superávit já visto na história.
E ainda vai pegar uma parte desse dinheiro escritural e emprestar para o BNDES fazer o quê? Pagar por ações da Petrobras. Resumo: o governo não colocou um centavo de verdade, mas comprou mais ações da Petrobras, aumentou sua participação e ainda recebeu um troco de 27 bilhões.
Não é o máximo? Nada nesta mão, nada nesta outra e... eis 27 bilhões.
O problema é que investimentos insensatos e essas mágicas econômicas cobram um preço, mais cedo ou mais tarde. Ficam esqueletos pelo caminho e buracos nas contas públicas, tudo a ser pago com dinheiro do contribuinte. E aí não tem mágica: o dinheiro não sairá da cartola, mas do seu bolso.
CARLOS ALBERTO SARDENBERG é jornalista.
E-mail: sardenberg@cbn.com.br; carlos.sardenberg@tvglobo.com.br NOTA DA REDAÇÃO: O título desta coluna é uma sugestão do economista Roberto Macedo

Fernandes, para Diário do ABC


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