terça-feira, outubro 19, 2010

Privatização : verdades, mentiras e uma arguta observação de Francisco de Oliveira

Privatização : verdades, mentiras e uma arguta observação de Francisco de Oliveira
por Bolívar Lamounier
Uma coisa que me impressiona é a ira sacrossanta com que os anti-privatistas recheiam seus comentários. Quais são as raízes desse sentimento? Em que fontes eles vão buscá-las?
Ocorrem-me duas hipóteses diametralmente opostas (mas que não necessariamente se anulam uma à outra).
De um lado, interesses materiais direta e negativamente afetados: funcionários de estatais que perderam ou temem perder seus empregos, por exemplo.
Do outro, motivos  ou crenças abstratas, descoladas de interesses materiais. Razões que chegam a soar até como religiosas. 
Nessa ótica, tratar-se-ia essencialmente de uma luta do bem contra o mal. A empresa privada e a busca do lucro são vistas como uma  encarnação do demônio, e por isso devem ser incessantemente combatidos pelo Estado, que corporifica o bem comum, quem sabe até a vontade de Deus neste nosso mundo terreno.
No pensamento de Marx & Engels, por exemplo, as desigualdades e injustiças devem-se à divisão da sociedade em classes sociais, que por sua vez se deve à propriedade privada dos meios de produção (fábricas, fazendas etc); com a estatização de tais meios, as desigualdades começam a desaparecer, dando lugar à “sociedade sem classes”, que seria uma espécie de céu na terra.
Reações dos dois tipos mencionados acima, eu compreendo (obviamente sem concordar com elas) sem nenhuma dificuldade. Quem teve interesses contrariados reage contra a política que os contrariou. Quem acredita que estatizar tudo é um atalho para a felicidade geral e eterna, também se opõe à privatização. Isto é óbvio.
Que dizer, porém de pessoas que não se situam naqueles dois extremos? Pessoas que tentam apreciar o assunto de uma forma não tão rente a seus interesses pessoais e sem abraçar o polo contrário – o do advento do paraíso socialista?
Entre os dois extremos  indicados há espaço para várias posições que considero sensatas e realistas, ligadas seja à importância relativa da presença estatal em diferentes setores, seja à necessidade de alocar de forma adequada recursos públicos sabidamente escassos.
No Brasil, existe claramente um consenso ou uma forte maioria no sentido de manter a presença estatal no setor de petróleo; em todos os campos de atividade, um grande número de pessoas vê razões importantes para apoiar a Petrobrás. Em relação a outros setores, o consenso é muito mais baixo, ou não existe.
Pensemos na alocação de recursos públicos. Num país que precisa desesperadamente melhorar a educação, a saúde, a segurança etc., o governo deveria ter continuado a cobrir buracos em simples empresas siderúrgicas? Ou transferi-las ao setor privado, para que elas, modernizadas e lucrativas, passassem a gerar recursos públicos sob a forma de impostos?
Sobre a privatização das telecomunicações e da Companhia Vale do Rio Doce eu, francamente,  não vejo razão para me estender. Só pessoas desinformadas ou acometidas de obtusidade ideológica podem negar os resultados obtidos.
Quem viveu ou leu alguma coisa sobre a situação da telefonia brasileira até três ou quatro décadas atrás, sabe que estávamos na idade da pedra.  Até os anos 60, mesmo nas capitais, quem precisasse fazer um interurbano tinha de ir ao centro da cidade e enfrentar uma fila.
Os governos militares implantaram o DDD – sistema de discagem direta à distância -, um grande avanço. Mas a escassez de linhas permaneceu dramática ainda por muito tempo.
Até a privatização, existiam por toda parte empresas dedicadas ao rendoso negócio de alugar linhas. E quem possuísse alguma em geral a incluía entre os bens declarados anualmente à Receita Federal. E não sem motivo, porque uma linha valia alguma coisa entre 3 e 5 mil dólares .  
Ah, me esqueci: empresas públicas foram vendidas na “bacia das almas”. Foi tudo uma grande “privataria”.  Lula teve 8 anos para reverter ou pelo menos para fazer uma mísera auditoria nas privatizações realizadas pelo governo Fernando Henrique. Não fez uma coisa nem outra.
Mas repete, por motivos exclusivamente eleitorais, a encenação de 2006. Demoniza a privatização, em geral, e tenta utilizá-la contra o PSDB e José Serra.
Em vista disso, quero concluir este post citando uma entrevista do sociólogo Francisco de Oliveira, publicada hoje pelo Folha.com.
Chico de Oliveira, para quem não se lembra, foi um petista histórico.  Mantém-se visceralmente anti-tucano, por razões que não vou tentar decifrar. Mas rompeu com o PT e com Lula em 2003.
Falando hoje à Folha, ele abordou especificamente a questão da privatização. 
Lula, disse Chico de Oliveira,
“… é mais privatista que FHC. As grandes tendências vão se armando e ele usa o poder do Estado para confirmá-las, não para negá-las. Então, nessa história futura, Lula será o grande confirmador do sistema.
Ele não é nada opositor ou estatizante. Isso é uma ilusão de ótica. Ao contrário, ele é privatista numa escala que o Brasil nunca conheceu. Essa onda de fusões, concentrações e aquisições que o BNDES está patrocinando tem claro sentido privatista.
Para o país, para a sociedade, para o cidadão, que bem faz que o Brasil tenha a maior empresa de carnes do mundo, por exemplo? Em termos de estratégia de desenvolvimento, divisão de renda e melhoria de bem-estar da população, isso não quer dizer nada”.
Domingo, 17 de outubro de 2010 - 19:28

Clayton, no O Povo (CE)


EMPRÉSTIMO DA PROVA TJ-RJ aceita depoimento colhido em outro processo

EMPRÉSTIMO DA PROVA
TJ-RJ aceita depoimento colhido em outro processo
POR MARINA ITO

A 5ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro entendeu, por maioria, que depoimentos prestados por testemunhas em outro processo, do qual o réu não participou, podem ser usados em ação diversa desde que não sejam as únicas provas. Os desembargadores negaram o Habeas Corpus apresentado por um homem acusado de homicídio, que considerava ilegal o empréstimo da prova oral produzida em processo diverso.
Para o autor do voto vencedor, desembargador Cairo Ítalo França David, as provas emprestadas são válidas. Isso porque, escreveu no voto, além de terem sido produzidos sob o crivo do contraditório, os depoimentos das testemunhas realizados em outro processo, em que o réu não estava sendo processado, não eram as únicas provas contra o acusado que seriam analisadas pelo Tribunal do Júri.
“As nossas Cortes Superiores consideram que em tais circunstâncias não subsistem nulidades, frisando-se ainda que em se tratando de crime doloso contra a vida, ocorre uma segunda instrução em plenário, quando a defesa terá oportunidade de produzir provas e, se, for o caso, contraditar o teor das cópias acostadas”, entendeu. Ele também disse que a defesa não demonstrou que o acusado teve prejuízo com a inclusão da prova emprestada no processo. “Não se vislumbra a apontada ilegalidade”, concluiu. Cairo Ítalo foi acompanhado pelo desembargador Luiz Felipe Haddad.
De acordo com o HC, o outro acusado de matar um homem foi processado. Como o réu do HC analisado pela 5ª Câmara estava em “local incerto”, a ação foi desmembrada. Depois de ser preso, a ação continuou e o Ministério Público pediu a inclusão de partes do processo relacionado ao outro acusado.
Em informações ao TJ, a 4ª Vara Criminal de São Gonçalo (RJ) afirmou que foi assegurado o contraditório à defesa. Também disse que, caso haja condenação, não será baseada apenas na prova emprestada.
O desembargador Geraldo Prado entendeu diferente dos colegas de Câmara. Para ele, os depoimentos das testemunhas não podem ser utilizados no processo contra o réu. “No processo penal, a seu turno, a defesa técnica é indisponível, seja para fazer alegações ou para exercer o direito à prova, que, portanto, não engloba só o momento da análise da prova, mas também outros dois momentos anteriores: o da sua admissão — que ora se analisa — e o da sua produção, no qual todas as partes deverão estar presente”, escreveu em seu voto.
O desembargador disse, ainda, que não se trata de um “capricho formalista”, mas de uma garantia. Para ele, a defesa, no momento da produção da prova, poderia ter participado, fazendo perguntas às testemunhas e ao perito ou nomear assistente técnico, o que não aconteceu, pois o réu não estava sendo processada na Ação Penal na qual foram produzidas as provas emprestadas. Para o desembargador, se essas provas são indispensáveis, o MP deverá reproduzi-las.
Clique aqui para ler o acórdão.
Clique 
aqui para ler o voto vencido.

Arara Pitanga http://www.flickr.com/photos/nick_land/

Foto de estréia da nova Lumix FZ 100. Há um casal dessas araras "Pitanga" no Mangal das Garças! São moradoras novas do local! Foto by Land.nick

O ensino da robótica desperta a curiosidade para a área da ciência e tecnologia.

Ciência em ação
O ensino da robótica desperta a curiosidade para a área da ciência e tecnologia.
Aulas de robótica, comuns no ensino superior, passam a fazer parte da grade curricular das escolas; objetivo é despertar em crianças e jovens o gosto pela ciência e incentivar neles o empreendedorismo
THIAGO AZANHA - COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Protótipo produzido pelos ThundeRatz,
equipe da Poli (USP)
 Rodrigo Capote/Folhapress
Como interesse não tem idade, não é mais preciso esperar até a universidade para aprender a fazer robôs.
Hoje, muitas escolas dão aulas de robótica para crianças a partir dos 9 anos. No colégio Franciscano Nossa Senhora Aparecida (zona oeste de SP), os alunos têm aula de aventuras robóticas.
O objetivo, diz a escola, é desenvolver neles liderança e empreendedorismo. O professor Fernando Fontes explica sua metodologia: os alunos são divididos em grupos de três; a cada aula, eles têm uma missão. Há sempre um líder, um construtor e um programador.
"A missão de hoje é se adaptar a situações problemáticas para não ficar desesperado", diz Guilherme Pessoto, 10, o programador do dia, ao tentar montar um robô de pequenas dimensões.
Em sua equipe, Lucas Terui, 10, o construtor, diz que gosta de resolver problemas sozinho, sem o professor. Para alunos um pouquinho mais velhos, do 6º ao 9º ano de duas escolas públicas de sua região, a UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora) desenvolve um treinamento para a olimpíada de robótica que a instituição promove para os ensinos fundamental e médio.
Segundo André Marcato, coordenador do curso de engenharia elétrica da UFJF e responsável pelo Projeto de Popularização de Ciência e Tecnologia, a meta é aproximar os alunos de escolas públicas da universidade.
"Queremos despertar nos estudantes o interesse pela tecnologia", diz Marcato.
No programa, além de desenvolverem programação de computadores e robótica, os alunos aprendem conceitos básicos da engenharia eletrônica -como sensores de proximidade, luz e tato-e da mecânica -criar uma artefato do robô,por exemplo.
Já os graduandos dos cursos de engenharia da Escola Politécnica da USP continuam a se dedicar aos estudos com robôs na faculdade.
Mas, agora, os projetos têm mais complexidade. A equipe ThundeRatz, com mais de 20 membros, possui robôs que, somados, chegam ao valor de R$ 30 mil. Além da participação nas competições de robótica, desenvolvem projetos técnicos e científicos apenas com a ajuda de um orientador.
Os robôs Lenhador (R$ 20 mil), Hypnos (R$ 9.000) e Hockey (R$ 700) são os atuais objetos de trabalho dos futuros engenheiros. Os membros do ThundeRatz acreditam que a participação na equipe ajuda na busca de um emprego, uma vez que aliam a experiência como conhecimento técnico. Flavio Tonidandel, coordenador do departamento de ciência da computação da FEI (Fundação Educacional Inaciana), diz que o Brasil produz artigos, teses, mas desenvolve pouca tecnologia. "É como se fosse muita teoria e pouca prática."
JORNADA DE ROBÓTICA
Evento reúne 600 alunos a partir deste sábado
Entre 23 e 28 de outubro ocorre no campus da FEI, em São Bernardo do Campo (Grande SP), o Joint Conference - encontro sobre robótica e inteligência artificial. Participam alunos dos ensinos fundamental e médio. Confira: www.jointconference.edu.br.

02 NEURÔNIO - Amor em tempo de segundo turno

02 NEURÔNIO - Amor em tempo de segundo turno
JÔ HALLACK - NINA LEMOS - RAQ AFFONSO - Folhateen
Todo o mundo está brigando com todo o mundo nesse segundo turno. Fato. O bicho está pegando, e os ânimos estão aflorados. Aí pensamos: o que isso tem a ver com o amor?
Tudo! Imagina um casal em que cada um apoie um dos candidatos? Imagine que horror!
Sim, podemos falar aqui que vivemos em um mundo civilizado. Mas, como não é bem assim, recomendamos que vocês tirem férias conjugais! E, é claro, se vocês quiserem manter o romance depois do resultado das eleições, ouçam um conselho: não entrem numas de "eu ganhei", "você perdeu".
Passem um mês sem tocar no assunto. No mínimo! E vejam os debates separados, por favor. É uma questão de sobrevivência. Não só amorosa. Mas, do jeito que as coisas estão, física mesmo.
AMOR SOTERRADO
Tudo bem, ninguém aguenta mais falar dos mineiros. Os mineiros estão virando praticamente arroz de festa: já foram convidados para jogo de futebol, para fazer cruzeiro pelo mediterrâneo e tudo o mais.
Mas, por trás dos nossos neurônios, somos manteiga derretida. Sim, choramos. O mineiro Yonni Barrios Rojas foi pego no flagra. Mesmo estando debaixo da terra. A mulher descobriu a outra durante os meses de agonia. E abandonou o acampamento.
Mas a história da mulher que pediu seu mineiro em casamento enquanto ele estava dentro da mina foi uma das mais comoventes. Dizia que ele era difícil e tal, que o casamento nunca ia dar certo. Mas, com o sujeito soterrado, mudou de ideia. É que perder dá medo. Felicitações ao casal.
CONCENTRE-SE
Sentar na frente de um computador para trabalhar, hoje em dia, é uma prova de fogo. São tantos amigos, redes sociais, inimigos e atividades lúdicas que a gente faz de tudo. Troca receita, joga porrinha... Mas, agora, um programa de computador obriga você a se concentrar. Você estabelece o tempo que quer estudar, e ele simplesmente trava as redes sociais e toda sorte de distração. Aí, você se enfurece depois de uns minutos, desliga o programa e... É, já vimos que não funciona, certo? Aos dispostos a tentar: busque "Concentrate", aplicação gratuita só para Mac.

UNIVERSO :. Pat Metheny Group-Dream of the return

Corregedora do CNJ diz que é comum troca de favores entre juízes e políticos

Corregedora do CNJ diz que é comum troca de favores entre juízes e políticos
Do site do STJ
 14/10/2010 - A ministra Eliana Calmon é conhecida no mundo jurídico por chamar as coisas pelo que são. Há onze anos no Superior Tribunal de Justiça (STJ), Eliana já se envolveu em brigas ferozes com colegas a mais recente delas com então presidente César Asfor Rocha. Recém-empossada no cargo de corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a ministra passa a deter, pelos próximos dois anos, a missão de fiscalizar o desempenho de juízes de todo país. A tarefa será árdua.
Criado oficialmente em 2004, o CNJ nasceu sob críticas dos juízes, que rejeitavam ideia de ser submetidos a um órgão de controle externo. Nos últimos dois anos, o conselho abriu mais de 100 processos para investigar a magistratura e afastou 34.
Em entrevista à revista Veja, Eliana Calmon mostra o porquê de sua fama. Ela diz que o Judiciário está contaminado pela politicagem miúda o que faz com que juízes produzam decisões sob medida para atender aos interesses dos políticos, que, por sua são os patrocinadores das indicações dos ministros.
Leia abaixo a entrevista.
Por que nos últimos anos pipocaram tantas denúncias de corrupção no Judiciário?
Durante anos, ninguém tomou conta dos juízes, pouco se fiscalizou, corrupção começa embaixo. Não é incomum um desembargador corrupto usar o juiz de primeira instância como escudo para suas ações. Ele telefona para o juiz e lhe pede uma liminar, um habeas corpus ou uma sentença. Os juizes que se sujeitam a isso são candidatos naturais a futuras promoções. Os que se negam a fazer esse tipo de coisa, os corretos, ficam onde estão.

A senhora quer dizer que a ascensão funcional na magistratura depende dessa troca de favores?
O ideal é que as promoções acontecessem por mérito. Hoje é a política que define o preenchimento de vagas nos tribunais superiores, por exemplo. Os piores magistrados terminam sendo os mais louvados. O ignorante, o despreparado, não cria problema com ninguém porque sabe que num embate ele levará a pior. Esse chegará ao topo do Judiciário.
Esse problema atinge também os tribunais superiores, onde as nomeações são feitas pelo presidente da República?
Estamos falando de outra questão muito séria. É como o braço político se infiltra no Poder Judiciário. Recentemente, para atender a um pedido político, o STJ chegou à conclusão de que denúncia anônima não pode ser considerada pelo tribunal.
A tese que a senhora critica foi usada pelo ministro César Asfor Rocha para trancar a Operação Castelo de Areia, que investigou pagamentos da empreiteira Camargo Corrêa a vários políticos.
É uma tese equivocada, que serve muito bem a interesses políticos. O STJ chegou à conclusão de que denúncia anônima não pode ser considerada pelo tribunal. De fato, uma simples carta apócrifa não deve ser considerada. Mas, se a Polícia Federal recebe a denúncia, investiga e vê que é verdadeira, e a investigação chega ao tribunal com todas as provas, você vai desconsiderar? Tem cabimento isso? Não tem. A denúncia anônima só vale quando o denunciado é um traficante? Há uma mistura e uma intimidade indecente com o poder.
Existe essa relação de subserviência da Justiça ao mundo da política?
Para ascender na carreira, o juiz precisa dos políticos. Nos tribunais superiores, o critério é única e exclusivamente político.
Mas a senhora, como todos os demais ministros, chegou ao STJ por meio desse mecanismo.
Certa vez me perguntaram se eu tinha padrinhos políticos. Eu disse: "Claro, se não tivesse, não estaria aqui". Eu sou fruto de um sistema. Para entrar num tribunal como o STJ, seu nome tem de primeiro passar pelo crivo dos ministros, depois do presidente da República e ainda do Senado. O ministro escolhido sai devendo a todo mundo.
No caso da senhora, alguém já tentou cobrar a fatura depois?
Nunca. Eles têm medo desse meu jeito. Eu não sou a única rebelde nesse sistema, mas sou uma rebelde que fala. Colegas que, quando chegam para montar o gabinete, não têm o direito de escolher um assessor sequer, porque já está tudo preenchido por indicacão política.
Há um assunto tabu na Justiça que é a atuação de advogados que também são filhos ou parentes de ministros. Como a senhora observa essa prática?
Infelizmente, é uma realidade, que inclusive já denunciei no STJ. Mas a gente sabe que continua e não tem regra para coibir. É um problema muitio sério. Eles vendem a imagem dos ministros. Dizem que têm trânsito na corte e exibem isso a seus clientes.
E como resolver esse problema?
Não há lei que resolva isso. É falta de caráter. Esses filhos de ministros tinham de ter estofo moral para saber disso. Normalmente, eles nem sequer fazem uma sustentação oral no tribunal. De modo geral, eles não botam procuração nos autos, não escrevem. Na hora do julgamento, aparecem para entregar memoriais que eles nem sequer escreveram. Quase sempre é só lobby.
Como corregedora, o que a senhora pretende fazer?
Nós, magistrados, temos tendência a ficar prepotentes e vaidosos. Isso faz com que o juiz se ache um super-homem decidindo a vida alheia. Nossa roupa tem renda, botão, cinturão, fivela, uma mangona, uma camisa por dentro com gola de ponta virada. Não pode. Essas togas, essas vestes talares, essa prática de entrar em fila indiana, tudo isso faz com que a gente fique cada vez mais inflado. Precisamos ter cuidado para ter práticas de humildade dentro do Judiciário. É preciso acabar com essa doença que é a "juizite".

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Analfabetos digitais

Analfabetos digitais
PAULO CESAR COELHO - O Globo
O Brasil tem cerca de 14 milhões de analfabetos, com idade média de 54 anos, segundo o PNAD. Em outra vertente, estamos num patamar instigante em que temos acesso a redes sociais com índices de causar inveja em países de Primeiro Mundo. O país vem mudando a passos galopantes e alcançando metas avassaladoras no consumo de tecnologia e produtos digitais.
Quando focamos os analfabetos digitais, este número cresce significativamente.
Mas não existe uma estatística precisa que garanta quantos são os analfabetos digitais em solo brasileiro.
E quantos desse bolo são senhoras e senhores que representam a Terceira Idade? Sim, são esses idosos que hoje representam a maior fatia dos excluídos, os que não sabem acessar a internet e temem um computador. A verdade é que muitos cidadãos que já chegaram à casa dos 50, 60, 70 e 80 anos não sabem navegar na rede mundial de computadores e nem possuem computador em casa. Logo, temem dividir carteiras com a atual geração, dos que já nascem “dominando a tecnologia”, antes mesmo de aprender a ler e a escrever. Uma disputa, diria, desigual.
O Rio de Janeiro tem dado um passo importante na inclusão digital para a terceira idade, num modelo que tem dado certo. Tanto que vem exportando esse modelo bem-sucedido para outros estados. Abrir uma porta para esse mundo e a esse público tem causado inúmeras surpresas, todas positivas. Descobre-se nos cursos de alfabetização digital gratuitos para a terceira idade alunos até com mais de 80 anos, aplicados, curiosos e agora internautas. Afinal, inclusão digital é inclusão social e o acesso à informação, fundamental.
O Censo que está sendo concluído prova o que todos já sabemos: o Brasil é um país mais idoso. Daí, a importância da inclusão digital para o cidadão da terceira idade; inclusive, para sua potencial reinserção no mercado de trabalho. A busca pelos direitos digitais tem dado certo, e a procura, mais ainda.
Quando se vence a barreira do preconceito entre o que seria o velho e o novo, o desconhecido passa a ser um elemento agregador que une os mais idosos aos mais jovens, criando uma nova relação: a digital/social. São pessoas que agora conversam via e-mail, “viajam” sem sair de casa ou podem requerer serviços públicos com apenas um clique. O que para os jovens pode ser uma banalidade, um exercício rápido e bobo, certamente não é uma verdade absoluta para milhares de cidadãos acima dos 60 anos.
Essa faixa etária de acesso aos computadores cai mais ainda uns dez anos, se falarmos de pessoas de classes sociais mais baixas, que moram em comunidades carentes e que não têm formação qualificada. Nesses locais, no Rio de Janeiro, onde as barreiras de acesso à internet estão sendo vencidas pouco a pouco, os cursos gratuitos de inclusão digital também começam a avançar. Voltar para uma sala de aula, onde o quadro negro não existe e, sim, a tela de um computador, ainda assusta os idosos.
Mas a vontade de integrar e frequentar cursos onde eles serão donos de seus destinos vem fazendo com que essa fatia de população lote, a cada dia, no Rio de Janeiro, as salas de alfabetização digital sem medo ou vergonha de não entender como funciona o mouse, como em um clique se faz tanta coisa e como é o mundo virtual do qual as gerações mais novas tanto falam. No interior acontece a mesma coisa: muitos idosos continuam a ter medo do desconhecido.
Porém, a coragem de vencer barreiras tem sido mais forte e os cursos para esse público começam a instigar a curiosidade, principalmente em cidades pequenas onde a vida parece insistir em andar mais devagar em pleno século XXI. Para donas de casa, doceiras, bordadeiras e representantes de pequenas cooperativas, a internet pode se transformar numa alavanca econômica para o interior do nosso estado, e para todo o país. E é isso que buscamos.
Com alguns computadores, pessoas que facilitem o processo de transmissão do conhecimento e que usem uma linguagem mais acessível para todos os níveis, não tenho dúvida de que nossos idosos vão longe. E não se surpreenda quando alguém perguntar a uma senhora de uns 70 anos alguma coisa e receber dela a seguinte resposta: porque você não me manda um e-mail que eu explico?
PAULO COELHO é presidente do Proderj.

Semana de Ciência mostra novidades em quase mil eventos só no Rio

DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA
Semana de Ciência mostra novidades em quase mil eventos só no Rio
Publicada em 18/10/2010 às 21h00min
O Globo
De inovações na medicina fetal à discussão sobre sustentabilidade, passando pela astronomia e oficinas para crianças. Até domingo, 985 eventos no estado celebrarão a 7ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) - que, em todo o país, contará com cerca de 11 mil atividades. Os trabalhos foram abertos nesta segunda-feira, na Cinelândia, na Tenda da Inovação. Lá foi montada a exposição "Feto 3D", onde exames de ultrassom e tomografia, impressos em equipamentos especiais, permitem a visualização dos bebês em modelos de tamanho real.
A técnica pioneira é do designer Jorge Lopes, pesquisador do Instituto Nacional de Tecnologia. O projeto é usado para estudos de má formação de gravidez. A visitação à tenda é gratuita e pode ser feita das 9h às 17h.
Três outras tendas serão instaladas na cidade: "Ciência", em Campo Grande (inaugurada nesta segunda); "Ciência sustentável", no Jardim Botânico (terça-feira); e "Ciência para crianças", no Aterro do Flamengo (quinta-feira).
- Procuramos trabalhar a ciência de uma forma envolvente, que seja agradável principalmente para os jovens - diz José Ribamar Ferreira, coordenador da SNCT no Rio.
A programação da SNCT está disponível no site do evento.

Manaus, uma grande cidade no coração da selva amazônica

Manaus situa-se na confluência dos rios Negro e Solimões. É a maior e mais populosa cidade da Amazônia, de acordo com as estatísticas do IBGE, sendo uma das cidades brasileiras mais conhecidas mundialmente, principalmente pelo seu potencial turístico e pelo ecoturismo, sendo o décimo maior destino de turistas no Brasil

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