sexta-feira, outubro 01, 2010
Continuísmo é mais forte que Lula
Continuísmo é mais forte que Lula
Disputas regionais mostram autonomia em relação à presidencial; 15 estados não deverão ter segundo turno
André de Souza e Gerson Camarotti – O Globo
BRASÍLIA. O presidente Lula se tornou o principal cabo eleitoral do país este ano, pregando a continuidade do seu governo por onde passou, mas as pesquisas mostram que as disputas regionais possuem autonomia em relação à nacional. Embora as pesquisas apontem que as forças governistas devem ganhar na maioria dos estados, o resultado obedece a uma lógica local.
Mesmo com a forte agenda de Lula em estados estratégicos como São Paulo e Minas, por exemplo, as pesquisas divulgadas ontem confirmam que a força do continuísmo local tem barrado a ofensiva presidencial.
De acordo com as pesquisas mais recentes dos institutos Datafolha e Ibope, a eleição deve ser definida já em primeiro turno em 15 estados. Apenas em quatro, há uma indicação clara de segundo turno. Em outros oito, a diferença entre os líderes e a soma dos demais concorrentes está dentro da margem de erro e não seria possível dizer que, se fosse hoje, a eleição já estaria decidida.
O maior exemplo da força da lógica regional ocorreu na sucessão mineira, onde houve grande pressão do senador Hélio Costa (PMDB-MG) por empenho maior de Lula. Mas não adiantou. A pesquisa Datafolha divulgada ontem mostra que o governador Antonio Anastasia (PSDB-MG), afilhado político do ex-governador Aécio Neves, pode vencer em primeiro turno.
Em São Paulo, embora com pequena oscilação negativa, o tucano Geraldo Alckmin também pode vencer no domingo, mesmo com o crescimento de quatro pontos percentuais do senador Aloizio Mercadante (PT), já que o deputado Celso Russomano (PP) estagnou.
— As eleições estaduais têm lógica própria, porque ela é diferente da nacional. Por isso, a influência de Lula é relativa.
Não se pode cobrar dele o mesmo desempenho de transferência para Dilma. Agora, se a situação em Minas está desse jeito, imagine se Lula não tivesse passado por lá! — afirmou o líder do governo, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP).
— Embora a gente queira pasteurizar a política, cada unidade tem uma lógica política própria diferente do quadro nacional, embora o governo federal tente impor a lógica dele — disse o líder do PSDB, deputado João Almeida (BA).
Em 14 estados, candidatos que apoiam a presidenciável petista, Dilma Rousseff, são os favoritos na disputa. A oposição lidera em sete, incluindo os dois maiores colégios eleitorais, São Paulo e Minas. O cenário é indefinido em outros seis: Paraná, Goiás, Alagoas, Rondônia, Amapá e Roraima.
Já em Tocantins, onde havia indefinição, os escândalos envolvendo o governador Carlos Gaguim (PMDB) fizeram o ex-governador Siqueira Campos (PSDB) assumir a liderança. Segundo o levantamento Ibope divulgado anteontem, Campos pulou de 42% para 49%, enquanto Gaguim caiu de 44% para 39%.
Em 16 estados, os favoritos são os governadores que disputam a reeleição ou o candidato apoiado pelo governo estadual.
Em outros seis, a oposição local tem liderado. Em quatro — Paraná, Alagoas, Rondônia e Roraima —, há candidatos competitivos nos dois lados.
O Distrito Federal é um exemplo de que a disputa local tem uma influência maior do que a nacional. O candidato petista Agnelo Queiroz assumiu a dianteira no rastro da disputa judicial que levou o ex-governador Joaquim Roriz (PSC) a renunciar a sua candidatura e indicar para a vaga a sua mulher Weslian.
Para o Senado, as pesquisas do Datafolha e do Ibope divulgadas ontem voltaram a confirmar a liderança de candidatos que já despontavam em levantamentos anteriores. O Datafolha ainda indicou a persistência de um quadro de incerteza na Bahia, onde três candidatos se encontram em empate técnico: Cesar Borges (PR), Lídice da Mata (PSB) e Walter Pinheiro (PT).
O Datafolha voltou ainda a registrar a tendência de crescimento de alguns candidatos, como Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), Fernando Pimentel (PT-MG) e Alberto Fraga (DEM-DF).
Qual é o preço da liberdade?
Qual é o preço da liberdade?
Sandra Cavalcanti – o Estado de São Paulo
Estamos vivendo dias constrangedores. Muita gente no Brasil não tem a menor noção do que seja exercer uma atividade pública. Tanto representantes do povo como esmagadora parte do próprio povo, todos demonstram que não sabem fazer a correta distinção entre o que é público e o que é privado.
O comportamento da maioria dos cidadãos e dos governantes revela esta realidade: os conceitos de bem público e de bem privado aparecem sempre muito misturados, de forma confusa e até ardilosa, sufocados pelos interesses particulares de pessoas, famílias, corporações, sindicatos, ONGs suspeitas e seitas pseudorreligiosas.
Os resultados dessa criminosa contaminação são aterradores. Populismo, demagogia, uso perverso dos meios de comunicação, acirramento dos ressentimentos entre categorias sociais. Total falta de transparência no gerenciamento dos tributos arrecadados, nepotismo, enriquecimentos inexplicáveis. E o pior: o apodrecimento dos valores morais. Por isso tem sido tão deprimente enfrentar o que vem sendo trazido à tona nestes últimos tempos.
Não adianta alegar que em épocas anteriores também havia pilhagem do bem comum. Sabemos disso. Mas havia reação. Havia quem se escandalizasse. Havia quem se envergonhasse... Hoje, não. A impunidade está sendo aceita. Virou regra geral. Parece que todo o talento de nossa gente se aplica à fantástica criatividade de novas modalidades de golpes.
Pior do que isso é ter de aturar, na mídia, as declarações e as explicações dos nossos caciques. Pedem respeito às suas pessoas incomuns. Exigem consideração por sua biografia. E o fazem alegando valores republicanos!
É muito cinismo!
É muita arrogância!
A palavra República nada tem que ver com esses comportamentos. República não é nada disso. A expressão res publica, que herdamos da língua latina, significa coisa pública. A República, portanto, cuida da coisa pública. Seu objetivo principal é o bem comum.
Ser republicano é dar primazia ao bem comum. Significa que cabe ao político cuidar do bem comum. Significa que a atividade política se desenvolve na área da justiça. E se vincula integralmente à ética. Sem ética não há política nem políticos. Sem justiça não há política nem políticos.
Diante do panorama que temos à nossa vista, vale a pergunta: de que cuidam os políticos em nosso país, nestes tempos negros? A resposta é aterradora: só pensam em chegar ao poder. Ficar no poder. Usufruir o poder. Gozar o poder. Aproveitar o poder. Tirar vantagens do poder.
Acontece que na verdadeira República o poder só existe para que alguém exerça a tarefa de governar. É isto o que os brasileiros devem exigir de quem chega ao poder: cuidem apenas de governar.
O significado republicano de governar exige zelo pelo bem comum, honesto gerenciamento dos recursos públicos, prestação de contas rigorosa de todos os atos e respeito às leis. As leis, na República, são votadas para ser cumpridas por todos, governantes e governados.
Não é isso o que estamos vendo, mas exatamente o contrário. Os encarregados de zelar pelo bem comum cuidam somente de interesses particulares, partidários, ideológicos, sindicais, corporativos e familiares. Desdenham dos objetivos do bem comum. Apropriam-se dele sem nenhum sinal de vergonha ou constrangimento.
E é nesta realidade deprimente que o Brasil, no domingo, vai escolher de novo seus governantes! Raras vezes vivi um clima pré-eleitoral tão esquisito. Tão absurdamente apalermante! Qual vai ser a reação de nosso povo diante de tudo o que vem acontecendo, como uma enxurrada em dias de tempestade? Onde está a indignação de nossa gente?
Encarapitado no planalto goiano, o governo vive fora da vigilância da população. Ali é quase milagre escapar da contaminação. O presidente, seus subordinados, os senadores, os deputados, os ministros, os membros do Judiciário e mais os aliciantes amigos dos Poderes, todos os que atuam nesse ambiente à parte do País respiram o dia inteiro as vantagens e os privilégios; os conluios e os conchavos marcaram a implantação da capital. Em Brasília, tudo o que é coisa pública está pronto para virar coisa privada! Ninguém conhece limites. Emprego para aliado, protegido, marido, filho, esposa, nora, sogra, avó... Supostas verbas indenizatórias. Luz, telefone, passagens, gastos com as bases, malícias nos artigos das medidas provisórias, espertíssimas emendas orçamentárias, concorrências de fachada, licitações com cartas marcadas, recibos e notas frias. Enfim, um labirinto burocrático infernal, onde o poder jamais cuida do bem comum.
Qual a solução? Existe alguma? Existe. Mas para isso é preciso que apareçam lideranças de verdade. Não há de ser com a UNE subordinada de hoje, nem com candidatos que se escondem sob as ordens de marqueteiros.
Qual o caminho? Tentar acabar com a passividade do eleitor brasileiro. Dando-lhe voz. Dando-lhe meios para exigir dos partidos a indicação de nomes sérios. Dando-lhe meios para cobrar fichas limpas. Sem isso, nada feito. Pelo sistema de hoje, nosso voto não passa de um simples voto de boas-festas, de parabéns, de pêsames ou de louvor. Os partidos atuais não vivem pela força de seus filiados atuantes. Sobrevivem por causa de alianças passivas com o poder. Essa mudança tem de ser feita. Quem fará? Nós! Cabe a nós lutar para garantir a liberdade de opinião e o direito de escolha. Nossa liberdade está prestes a ser agredida. Mas nós vamos reagir. A imprensa mudou o mundo, mas a internet ainda mudou mais. Essa revolução é a nossa força. A turma que está no poder quer impedir a nossa praça!
Na hora de votar, lembre-se disso. O preço da liberdade é a eterna vigilância. Vigiai e orai! Quantos somos? Onde estamos? Qual nosso alvo? Dia 3 de outubro vamos reproclamar a República?
PROFESSORA, JORNALISTA, FOI DEPUTADA FEDERAL CONSTITUINTE, FUNDOU E PRESIDIU O BNH NO GOVERNO CASTELO BRANCO
Falta de sintonia
Falta de sintonia
Celso Ming - O Estado de S. Paulo - 01/10/2010
Desta vez, o principal instrumento do Banco Central destinado a coordenar expectativas, o Relatório de Inflação, não está em sintonia com o que pensa o chamado mercado.
Para os analistas, há risco de que a inflação esteja outra vez escapando da meta. E, para que isso não aconteça, seria preciso puxar pelos juros imediatamente. O Banco Central, por sua vez, insiste em que as pressões da crise global são suficientes para empurrar a inflação para baixo e que o governo vai cumprir seus compromissos na área das contas públicas. Por isso, os juros básicos (Selic) estão de bom tamanho.
A divergência mostra que há um problema na condução das expectativas que provavelmente tem a ver com o vencimento do prazo de validade da diretoria do Banco Central, que não conseguirá responder pelo que virá depois do dia 31 de dezembro. Mas, vamos aos fatos.
Pela primeira vez em muitos anos, o Banco Central está externando preocupações com o aumento excessivo dos salários (acima do aumento da produtividade) e com seu impacto futuro na inflação.
O diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, mencionou ontem a elevação dos riscos para o controle da inflação proveniente do forte avanço dos salários reais (já descontada a inflação), apresentando como campeão dessa categoria o setor da construção civil.
A construção civil é um segmento do setor produtivo que está sendo turbinado pelo governo, especialmente pelo programa "Minha Casa Minha Vida". Não é à toa que o crédito hipotecário cresce à velocidade recorde de 51,1%.
À parte as declarações do diretor Carlos Hamilton, o Relatório aponta, preto no branco, os seguintes números: avanço real dos salários no segundo trimestre (em relação a igual período de 2009) de 10,5% no segmento informal da economia e de 1,8% entre os trabalhadores com carteira assinada; crescimento dos salários acima da inflação de 9,9% na construção civil, de 5,6% nos serviços e de 3,6% no comércio. E o salto da massa salarial, de 7,4%. O Relatório acusa ainda o forte aumento no consumo. As vendas do comércio varejista estão 11,5% mais altas.
Esse encadeamento de números não encerra o diagnóstico. Sabemos, por exemplo, que a disparada dos salários e do consumo está sendo alavancada pela expansão das despesas correntes do governo federal (em aproximadamente 17%).
Mas, como das outras vezes, o Banco Central tem conhecida dificuldade em reconhecer as origens fiscais do problema. Prefere apostar em que a meta das sobras de arrecadação para pagamento da dívida (superávit primário) de 3,3% do PIB (cerca de R$ 117 bilhões) será cumprida neste ano. Nesse particular, o Banco Central também fecha os olhos. Não se pergunta se o cumprimento do superávit primário está mesmo assegurado nem tece considerações sobre as mandracarias perpetradas no Ministério da Fazenda para poder enfeitar os balanços com esse número aí.
Assim, o Relatório de Inflação parece apresentar prognóstico algo desproporcional ao diagnóstico que faz. Quando aponta para o salto do consumo e seus riscos, parece tentado a fazer advertências. Mas quando conclui que a inflação vai encerrar o ano "na meta", sugere que dá por concluído o atual ajuste dos juros.
É uma desproporção que concorre para a falta de sintonia. E aí entram as considerações sobre o enfraquecimento do Banco Central em fase final de mandato.
Serra minimiza ausência de confronto com Dilma em debate da TV
Serra minimiza ausência de confronto com Dilma em debate da TV
G1 - O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, minimizou nesta sexta-feira a falta de confronto entre ele e a presidenciável do PT, Dilma Rousseff, no debate realizado na véspera pela Rede Globo.
"Ela teve três oportunidades de perguntar. Não perguntou. Eu tive uma, mas esta uma veio com sorteio já, um tema pré-determinado que eu preferi, no caso, perguntar para outra pessoa. Mas se tivesse tido mais oportunidades, teria perguntado como perguntei para os outros", disse Serra a jornalistas após caminhada pelo centro de Osasco, município próximo à capital paulista.
No debate realizado na quinta-feira pela TV Globo, nem Serra nem Dilma debateram entre si. Os dois candidatos adotaram uma estratégia de cautela evitando o confronto provavelmente por temas polêmicos, como o recente escândalo na Casa Civil e as quebras de sigilo fiscal na Receita Federal.
Acompanhado pelo candidato ao governo do Estado de São Paulo pelo PSDB, Geraldo Alckmin, Serra disse que a campanha como um todo teria tido um bom nível se não fosse o PT.
"Tirando a violação de intimidade da família... eu diria que foi bom (o nível da campanha), mas, infelizmente, aconteceram esses episódios muito desagradáveis, principalmente vindas de partes do PT", afirmou o tucano ao referir-se aos supostos casos de quebra de sigilo fiscal de pessoas próximas a ele.
Entrevistas coletivas após debate da Rede Globo 30-09-10
Entrevistas coletivas após debate da Rede Globo 30-09-10
O último programa na TV
O último programa na TV
Dilma destaca Lula; Serra e Marina fazem apelo para chegar ao 2º turno
Cristiane Jungblut – O Globo
BRASÍLIA. No último de dia do programa eleitoral na TV e no rádio antes da eleição de domingo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi a principal figura do programa da candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, afirmando que a petista é quem "gosta dos pobres" e que votar nela é como votar nele. Já o candidato do PSDB, José Serra, tentou dar um tom mais emotivo ao seu programa, mostrando a família, e até cantando o trecho de uma musiquinha que cantava para os filhos quando pequenos. Atrás nas pesquisas, tanto Serra como a candidata do PV à Presidência, Marina Silva, pediram diretamente aos eleitores que votem no domingo para levar a eleição presidencial ao segundo turno.
O programa do PT explorou à exaustão a imagem de Lula, que gravou cenas especiais em várias cidades do país, para fazer contraponto com Dilma, que aparecia em outras localidades. Dilma e Lula aparecem "dialogando", numa espécie de jogral, com ela se dirigindo o tempo todo a ele, o presidente. Enquanto a candidata falava de cidades como Ouro Preto (MG) e Salvador (BA), Lula aparecia em municípios do Sul do país.
Como já tinha feito no programa de rádio, Dilma prometeu respeitar as religiões e as convicções das pessoas, além do direito integral à vida. A candidata tem enfrentado resistência em setores religiosos, principalmente por causa de sua posição em relação ao aborto - ela já defendera no passado. No programa de Dilma, o presidente Lula pregou a continuidade.
- Você que acredita em mim e acha bom o meu governo, não tenha dúvida, vote em Dilma. Igual a mim, a Dilma gosta dos pobres, respeita a vida, a paz, a liberdade e as religiões. Votar na Dilma é votar em mim - apelou Lula.
Em seguida, Dilma também agradece a confiança de Lula e da população. E promete respeitar "as religiões e a vida" e governar "com paz e serenidade".
- No domingo, vamos decidir dois modelos de governo bem diferentes. O nosso modelo os brasileiros já conhecem. Renovo meu compromisso, se eleita, de governar com paz, amor e serenidade. De defender a democracia e a liberdade. De respeitar a fé, as religiões, as convicções das pessoas, a vida na sua dimensão plena - prometeu Dilma.
O programa da coligação do PT bate na tecla de que Dilma representa a "continuidade" e Lula ressalta que, com ela, o Brasil "não vai parar". Em dobradinha, Dilma e Lula intercalam inserções, falando das realizações do atual governo.
Já a principal mensagem do candidato tucano José Serra - que mostrou a família - foi pedir votos para ir ao segundo turno:
- No domingo, peço o seu voto. Vamos ao segundo turno e, se Deus quiser, à vitória.
Procurando se afastar da pecha de carrancudo, o tucano apareceu ao lado da mulher, Mônica, da filha Verônica - que teve o sigilo quebrado dentro da Receita Federal -- e dos netos cantando, visivelmente sem jeito, uma marchinha antiga de carnaval. O programa procura mostrar um candidato mais à vontade, pessoa comum, e com um tom mais emotivo.
Serra lê trechos da Bíblia e cantarola marchinha de Carnaval de 1937, chamada "Lig, lig, lig, lé", de Paulo Barbosa e Osvaldo Santiago. Mesmo afirmando ser desafinado, cantou o trecho: "Lig, lig, lé, chinês só come uma vez por mês...".
O locutor apresenta Serra como "o presidente que o Brasil merece e precisa". E Serra fez questão de falar que é um candidato com ficha limpa:
- Lutei muito para chegar onde cheguei (...), e pedir seu voto de cabeça erguida. Minha história de vida é íntegra, limpa. Vou governar somando e não dividindo - disse o tucano, que voltou a prometer salário mínimo de R$600 e reajuste de 10% a todos os aposentados.
O programa da candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, também teve o foco no segundo turno. O locutor diz que Serra vem caindo e que Marina é a única que "pode derrotar Dilma".
- Quero chamar todo mundo para essa onda verde - conclamou Marina, durante o programa.
No rádio, os programas da tarde de Serra e Dilma deixaram os ataques de lado e adotaram tom de despedida. Lula aparece falando o mesmo discurso utilizado na TV, assim como Dilma. A candidata do PV, por sua vez, diz que representa "o Brasil profundo" e "um Brasil jovem".
Candidatos evitam temas polêmicos no último debate antes das eleições de domingo promovido pela TV Globo
Candidatos evitam temas polêmicos no último debate antes das eleições de domingo promovido pela TV Globo
O Globo
RIO - No último debate da campanha eleitoral, realizado nesta quinta-feira à noite pela Rede Globo, os dois candidatos à Presidência que lideram as pesquisas - Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) - evitaram confronto direto. Todos os quatro participantes, que incluiu Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), passaram ao largo dos escândalos que marcaram a campanha, como as denúncias de tráfico de influência que derrubaram a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra e a violação de sigilo de tucanos na Receita Federal. Dilma e Serra disputaram a paternidade de programas sociais como o Bolsa Família. E Marina, a terceira colocada e em ascensão nas pesquisas, foi a mais incisiva ao atacar tanto o PT como o PSDB. Confira como foi o debate em tempo real .
O debate foi dominado por questões programáticas. Logo no primeiro bloco, a defesa da reforma da Previdência uniu Serra e Marina. Os dois concordaram que é preciso ter regimes diferentes para os novos trabalhadores, que estão entrando no sistema, pois aqueles que já estão têm direitos adquiridos. Dilma não se posicionou claramente sobre o tema.
Marina critica "soluções mágicas"
Ao responder a uma pergunta de Serra sobre reforma da Previdência, Marina deixou clara sua estratégia de manter o tom crítico em relação ao tucano e a Dilma. Fez, ao longo do debate, críticas "aos últimos 16 anos" de governo. Foi a mesma resposta que deu ao falar sobre a política habitacional do país, já no terceiro bloco.
- De fato nós temos graves problemas na Previdência e temos que enfrentar enquanto a população é jovem. Se não enfrentarmos agora, pagaremos um preço muito alto. Vejo que, em época eleitoral, vão criando soluções mágicas, que não estão vinculadas com a realidade, indo para o promessômetro. A reforma da Previdência está no vácuo em todos os governos. Nem no governo do PSDB nem no atual governo - disse a verde.
Serra se defendeu:
- Desde a Constituinte, defendi reforma que separasse os que já têm direito adquirido e os que estão entrando. Temos de atuar também no curto prazo, de quem já está no sistema. E tenho defendido que se dê reajuste de 10% aos aposentados, o dobro que o governo quer e dar um salário mínimo de R$ 600.
Logo no primeiro tema - legislação trabalhista -, Marina escolheu Dilma para responder. Foi a deixa para a petista fazer um balanço dos empregos formais gerados no governo Lula, dizendo que foram gerados 14 milhões de empregos nos últimos oito anos:
- A questão da informalidade não foi adequadamente respondida. Temos 50% da população na informalidade não foi respondida. Estamos diante de um grave problema que precisa ser encarado da seguinte forma: mantendo o direito dos trabalhadores, mas simplificando o processo de contratação para diminuir a informalidade. - devolveu Marina.
Dilma reagiu em seguida - na única referência que fez à questão previdenciária.
- Até 2005 havia geração de trabalho mais informal do que formal e isso se modificou. Nós fomos capazes de gerar volume significativo. E queria deixar claro que o aumento de emprego deve manter os direitos trabalhistas. E acredito que o Brasil precisa gerar um volume muito grande de emprego, mas para isso temos de ter taxas elevadas de crescimento.
Serra tenta atacar Dilma com a questão da reforma tributária
A reforma tributária levou Serra ao primeiro ataque à adversária Dilma, no primeiro bloco do debate. Ao responder a uma pergunta sobre o tema impostos, feita pelo candidato do PSOL, Serra criticou a política tributária do atual governo e também Dilma, dizendo que a carga de impostos do Brasil é a maior do mundo.
Ao ser sorteado para perguntar sobre impostos, Plínio reagiu com ironia ao ver que teria que questionar Serra, a quem chamou de Zé. A pergunta foi sobre seu projeto de reforma tributária.
Marina atacou o governo federal ao responder a uma pergunta de Serra sobre as enchentes. Lembrou do caso das verbas do Ministério da Integração Regional, que repassou mais recursos para a Bahia, terra do então ministro Geddel Vieira Lima:
- Que possamos ativar fundo nacional de Defesa Civil, fazer mapa de risco, treinar a população, e evitar repetir o que aconteceu no governo federal, quando o ministro da Integração passou os recursos para os municípios da sua base (na Bahia) - disse a verde.
Serra atacou o governo Lula ao perguntar a Marina sobre o déficit no setor de habitação.
- O déficit de habitação é altíssimo. O governo apresentou um plano de um milhão de moradias, até agora, e, apesar dos anúncios contrários, entregou 15% disso.
Marina voltou a atacar os governos do PT e do PSDB:
- O déficit habitacional é muito grave, e não é de agora. Nos últimos 16 anos, eu insisto, o investimento para a habitação das famílias mais pobres ficou muito a desejar.
No quarto bloco, Serra atacou Marina e Dilma:
- Vocês duas têm muito mais coisa em comum. Você (Marina) estava no governo do mensalão.
Após rebelião e dia de caos, chefe de polícia do Equador se demite
Após rebelião e dia de caos, chefe de polícia do Equador se demite
G1
Protesto de tropas deixou presidente sitiado 10 horas em hospital em Quito.
Governo denunciou tentativa de golpe e decretou estado de exceção.
O chefe de polícia do Equador, Freddy Martinez, demitiu-se oficialmente na manhã desta sexta-feira (1º), depois de não ter conseguido conter a rebelião de policiais que manteve o presidente do país, Rafael Correa, praticamente como refém durante mais de 10 horas em um hospital da capital, Quito, na véspera.
Correa, que denunciou no episódio uma tentativa de golpe de setores da oposição, precisou ser retirado do local em uma operação de resgate feita pelas Forças Armadas.
Correa confirmou que um integrante de uma equipe policial de elite, leal ao governo, morreu na operação realizada para resgatá-lo.
O presidente enfrenta um forte protesto de policiais, pois ameaça retirar uma série de benefícios econômicos dos militares e da polícia, dentro de seu plano de austeridade e enxugamento do setor público. O governo decretou estado de exceção depois de denunciar que enfrenta uma tentativa de golpe de Estado.
Em entrevista após ser libertado, Correa disse que o militar morto era Froilán Jiménez, do Grupo de Operações Especiais (GOE) da polícia.
O presidente foi recebido na noite de quinta como um herói na Praça Maior de Quito. Do balcão do palácio, Correa pronunciou um emocionado discurso no qual confessou ser este "um dos dias mais tristes" de sua vida, e "sem dúvida o mais triste" de quase quatro anos de governo.
Rafael Correa falou em entrevista para a imprensa no palácio Carondolet, após ser resgatado (Foto: Guillermo Granja/Reuters)"Por um grupo de delinquentes, pela infâmia dos conspiradores de sempre, maltrataram, sequestraram o presidente, e para libertá-lo caíram irmãos equatorianos."
Correa disse que outras cinco pessoas se machucaram entre os efetivos leais ao governo.
"Hoje, um presidente não claudicou como fizeram outros covardes", disse Correa sobre seus predecessores derrubados na última década. "Lucio assassino", respondeu a multidão reunida na praça, em alusão ao ex-presidente Lucio Gutiérrez, um golpista depois eleito presidente e derrubado do poder em 2005.
Debate Presidencial 1º turno Rede Globo 30/09/2010
Debate Presidencial 1º turno Rede Globo 30/09/2010
quinta-feira, setembro 30, 2010
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