sexta-feira, novembro 12, 2010
Tropa de choque
Tropa de choque
Sonia Racy - O Estado de S. Paulo - 12/11/2010
Desejo de Silvio Santos: quer a Polícia Federal no caso.
Para entender Na crise da Lehman Brothers, boa parte dos bancos que operam com crédito consignado usaram sistema de contabilidade parecido com o que acabou gerando buraco de R$ 2,5 bilhões no Panamericano. Isto é, vendiam suas carteiras de crédito e não registravam o fato corretamente. Simplesmente porque não sabiam como fazê-lo.
Para entender 2 Um deles, cujas contas eram auditadas pela KPMG, corrigiu o erro rapidamente, depois de quatro meses.
Dúvida cruel. Pode não ter sido a mesma equipe da consultoria a responsável pela auditoria no Panamericano. Mas será que a empresa não absorve aprendizados? Isto, no mínimo, é negligência.
Origem Foi em reunião do conselho fiscal do Panamericano, não se sabe exatamente quando, que os conselheiros tomaram conhecimento do buraco. Ao questionarem o contador-chefe, ele desabafou: "Graças a Deus alguém fez a pergunta certa". E despejou tudo que fez e sabia.
Origem 2 Corre forte pelo mercado que José Dirceu estaria por trás da costura da compra de parte do Panamericano pela CEF.
Cruzes Quem é Rafael Palladino, ex-presidente do Panamericano, além de primo da mulher de Silvio Santos? Um ex-boxeador que até hoje luta de maneira amadora. Inclusive com SS.
Mangalô... O Citibank fez uma oferta de R$ 1,5 bilhão, em 2007, pela compra da totalidade das ações do Panamericano. Silvio Santos recusou. Fonte da coluna afirma que o apresentador não quis vender porque envolveria demissão de boa parte dos 5 mil funcionários. Outra fonte, porém, dá outro motivo: garante que o apresentador justificou sua decisão dizendo que o banco era o ativo mais lucrativo entre todos que possuía. Portanto, não via razão para se desfazer dele.
Qualquer que tenha sido a razão, o Citi teve sorte desta vez. É que o banco americano tenta, tenta, tenta há anos comprar instituição financeira brasileira e não consegue.
Velho mundo Serra continua na Europa com o filho, Luciano. Depois de Biarritz, passou por Paris e curtiu Madri. Consta que o tucano volta depois do feriado.
Em casa Com Goldman em viagem, José Antônio Barros Munhoz se organizou e marcou três encontros na condição de governador do Estado. Recebe, a partir de hoje, para almoçar ou jantar, prefeitos e autoridades da região de... Itapira.
Self-made woman Celso Kamura está empenhado. Quer convencer Dilma a carregar um pouco mais na maquiagem na sua posse, dia 1º de janeiro.
E mais: "Queria dar um curso de "auto-arrumação"para ela aprender a se produzir sozinha", antecipa o cabeleireiro da presidente.
Help Não passou despercebida a roupa de Dilma no primeiro jantar do G20: a mesma usada em programa eleitoral.
Vampiros de Paraty Robert Pattinson e Kristen Stewart, do elenco da saga Crepúsculo, estão hospedados na casa de Fernando Alterio, no Saco do Mamanguá. É a Time For Fun entrando no mundo do cinema?
Na frente
Maílson da Nóbrega lança sua autobiografia Além do Feijão com Arroz. Quarta, na Cultura do Conjunto Nacional.
Cássia Ávila é a nova editora de beleza da RG.
Monica Rizzolli abre a mostra Queda. Amanhã, na Central Galeria de Arte Contemporânea.
Confusão no Pacaembu, anteontem, no jogo do Palmeiras. Poucos respeitavam a numeração das cadeiras. E assim, lotou a escada de acesso. Que deveria ficar desobstruída por questão de segurança.
A. Mamontovo dainos "World Is Full Of Love" iš filmo "Amaya" vaizdo klipas
Um cantor da Lituânia, Andrius Mamontovas. A canção se chama "World is full of love". Do filme letão "Hong Kong confidential" candidato a uma indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro
Dilma e Cristina
Dilma e Cristina
ROGÉRIO L. FURQUIM WERNECK – O GLOBO
O primeiro grande desafio da política macroeconômica da presidente Dilma Rousseff será a restauração da credibilidade da política fiscal.
Não se trata apenas de reverter o quadro de deterioração fiscal que se instalou nos últimos dois anos. É especialmente importante que o governo se comprometa a não recorrer mais a truques contábeis que têm trazido descrédito às contas públicas, solapando uma reputação de confiabilidade duramente construída ao longo de mais de 20 anos. Não há como levar a sério a política macroeconômica, se as contas públicas oficiais já não espelham a real evolução do quadro fiscal do País.
Em meio a uma transição de governo que deverá transcorrer sob o signo da mais tranquila continuidade administrativa, lidar com esse desafio pode ser um problema mais complexo do que parece, pois o que se faz necessário, na área fiscal, é uma quebra marcada e inequívoca com o que vem sendo observado no segundo mandato do presidente Lula.
O desafio traz à mente uma situação similar que ajuda a lançar luz sobre as dificuldades que poderão estar envolvidas. Ao longo de 2006, o governo Néstor Kirchner tentou de todas as formas pressionar a instituição responsável pelo cômputo da taxa oficial de inflação na Argentina a adulterar os cálculos. As pressões culminaram na intervenção do governo no INDEC (Instituto Nacional de Estadística y Censos) no início de 2007. Meses depois, em dezembro de 2007, Cristina Fernández de Kirchner, eleita sucessora de Néstor Kirchner, tomou posse como presidente da Argentina.
No período que antecedeu à sua posse, discutiu-se a possibilidade de que a presidente eleita aproveitasse a transição de governo para restaurar a credibilidade do índice oficial de inflação. A verdade, no entanto, é que, pesados os prós e contras, no seu intrincado cálculo político, Cristina Kirchner preferiu deixar passar a oportunidade. E, em pouco tempo, à medida que seu próprio governo também se envolveu na adulteração dos índices de preços, os custos políticos do abandono dessa prática se tornaram proibitivos.
A Argentina permanece até hoje com a condução de sua política macroeconômica comprometida pela completa falta de credibilidade dos dados oficiais de inflação.
O episódio é altamente instrutivo.
O que prevaleceu na decisão de Cristina Kirchner foi a resistência a uma mudança brusca e ostensiva que pudesse expor e desgastar o antecessor.
Mas há diferenças importantes entre as duas situações. Na decisão com que agora se depara Dilma Rousseff, há espaço para uma mudança mais sutil, que seja inequivocamente convincente, mas menos ostensiva do que a que Cristina Kirchner teria de fazer em 2007. A Dilma Rousseff, bastaria agora entregar a condução da política fiscal do novo governo a um ministro que sabidamente não compactue com os padrões de gestão que prevaleceram nas finanças públicas nos últimos dois anos.
Teria de ser alguém, claro, que não pudesse ser associado às iniciativas que redundaram, de um lado, na rápida deterioração do regime fiscal no segundo mandato de Lula e, de outro, nas patéticas tentativas de escamotear tal deterioração. E não há como tapar o sol com a peneira.
Na escolha do novo ministro da Fa-zenda, teriam de ser evitados nomes do eixo Fazenda-BNDES, diretamente envolvidos na concepção e implementação das medidas que trouxeram inegável descrédito à política fiscal nos últimos anos.
Tais nomes padecem de limitações básicas. Por razões óbvias, nem mesmo reconhecem que esteja havendo deterioração do quadro fiscal. E insistem que não há nada de errado, nem nas colossais transferências do Tesouro ao BNDES, nem nos truques contábeis que transformam emissão de dívida bruta em melhora de superávit primário. Não têm, portanto, condições de comandar o esforço de restauração de credibilidade que se faz necessário.
Com a escolha de seu ministro da Fazenda, Dilma Rousseff vai demarcar a importância efetiva que afinal decidiu dar a esse esforço. Não precisa incorrer no mesmo erro de Cristina.
Berlim homenageia Caravaggio
Berlim homenageia Caravaggio
O Globo – Blog do Xexéo
Para marcar a passagem dos 400 anos de morte de Caravaggio, o museu Gemäldegalerie, de Berlim, inaugura, nesta sexta-feira, a exposição "Hommage an Caravaggio: 1610-2010", com obras do artista e de pintores que foram influenciados por ele. Na foto, uma das obras mais famosas de Caravaggio, "A incredulidade de São Tomé", que poderá ser vista na exposição.
Cada um por si
Cada um por si
Regina Alvarez - O Globo - 12/11/2010
Os resultados da cúpula do G-20 serão conhecidos hoje, mas não há expectativa de grandes avanços na pauta mais importante, que é a guerra cambial. Um comunicado com recomendações genéricas para que os países caminhem na direção de uma taxa de câmbio determinada pelo mercado, sem deixar claro como se reverte o atual quadro de desequilíbrio, é o mais provável.
Em nome da soberania, Estados Unidos e China — as duas potências que estão no centro do problema cambial — evitam sancionar compromissos que interfiram nas suas políticas internas.
A China resiste a qualquer imposição de fora para a valorização do yuan, e os Estados Unidos continuam a sustentar que o derrame de liquidez na economia americana é a receita adequada para reanimá-la.
Ao contrário de 2008, quando a ação coordenada do G-20 teve importante papel no esforço para sair da crise global, agora o que prevalece é o “cada um por si”, e o Brasil está no meio do tiroteio.
— O grande problema é decidir essa governança.
Que país se disporia a abrir mão de sua soberania na condução da política monetária? — pergunta o economista Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central.
Neste momento, apesar dos discursos que condenam a guerra cambial no mundo e alertam para os riscos de “desequilíbrios externos insustentáveis”, os países estão olhando para dentro de suas economias, inclusive o Brasil, embora o presidente Lula tenha dito o contrário em Seul, ao declarar que estava mais preocupado com a desvalorização do dólar do que com a valorização do real.
Os discursos duros de Lula e do ministro Mantega, com críticas aos EUA e à China, não interferiram nos rumos da cúpula do G-20, mas contribuíram para marcar a posição do Brasil favorável ao câmbio flutuante e a uma postura mais ética no comércio internacional.
Conhecido o resultado da cúpula e frustradas as expectativas de um comando efetivo do G-20 para frear a guerra cambial, o Brasil pode ficar mais à vontade para adotar medidas prudenciais capazes de frear o fluxo excessivo de dólares na nossa economia ou mesmo a entrada de produtos chineses barateados artificialmente.
Se os grandes só estão olhando para o seu umbigo, por que não faríamos o mesmo?
FMI do B
Avançam na Europa as negociações para a criação de um “Fundo Monetário Europeu”.
A iniciativa está sendo liderada pela Alemanha.
Por ser o país mais rico da região, a potência sabe que pagará a conta em caso de moratória de algum membro da Zona do Euro. A economista Monica de Bolle, da Galanto Consultoria, chama a iniciativa de “pequena revolução”, porque, pela primeira vez, será criado um órgão com poder efetivo para forçar a reestruturação das dívidas desses países.
— O FMI não tem jurisdição legal para exigir que um país reestruture suas dívidas. Isso é bem mais fácil de contornar na Zona do Euro, onde existe uma Corte de Justiça Europeia, que pode funcionar como uma corte de falências soberanas — explica Mônica.
Enxurrada
O balanço da Anbima sobre oferta de ações na Bovespa mostra como aumentou o apetite dos americanos por esses investimentos. Eles continuam sendo os estrangeiros com maior participação nessas aplicações e ainda ampliaram a sua fatia. Do total de ofertas até setembro, 50,6% das ações foram parar nas mãos de estrangeiros. Entre eles, 73,9% são americanos, e 20,5%, europeus. Em 2009, a participação dos americanos era de 68,4%; enquanto a dos europeus era de 27,2%. A liquidez de dólares a juros zero estimula a vinda dos americanos para o Brasil. E ajuda a derrubar o câmbio.
G20 vê janela de oportunidade para finalizar Doha em 2011
Por Jonathan Lynn
GENEBRA (Reuters) - Os líderes do G20 pediram nesta sexta-feira um aumento dos esforços para a conclusão da Rodada de Doha, dizendo que o próximo ano oferece uma estreita janela de oportunidade.
O apoio do G20 à definição de 2011 como uma meta, mesmo que não seja explícito, marca um retorno otimista das negociações globais sobre comércio. A rodada foi lançada há nove anos.
O prazo inicial para a conclusão das negociações encerrava-se em 1o de janeiro de 2005.
Existe um crescente otimismo na Organização Mundial de Comércio (OMC), em Genebra, de que as negociações podem receber um impulso final após meses de discussões entre pequenos grupos de embaixadores.
O que os negociadores esperavam era por um sinal político dos líderes do G20, em Seul.
Em comunicado divulgado após a cúpula de dois dias, os líderes do G20 elogiaram o que classificaram como um engajamento "mais amplo e mais substantivo" dos negociadores em Genebra nos últimos quatro meses.
"Levando-se em conta que 2011 é uma janela crítica de oportunidade, embora estreita, esse engajamento precisa ser intensificado e expandido. Precisamos agora completar o fim do jogo", acrescentou o G20.
De acordo com uma fonte ligada ao comércio, apesar desse tipo de comentário ter sido comum nos últimos anos por parte das autoridades, dessa vez o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e outros líderes estão mais dispostos a apoiar um acordo do tipo.
Segundo a fonte, Obama disse a outros líderes que levaria um acordo para o Congresso e lutaria por ele, assim que o pacto mais adequado estivesse sobre a mesa.
"O que eu assumo desta cúpula é que há vontade política e um senso de que o próximo ano é o ano, quando teremos que tentar consolidar isso", disse a fonte, que participou da reunião em Seul.
(Reportagem adicional de Alan Wheatley em Seul)
Restos da campanha
Restos da campanha
Merval Pereira - O Globo - 12/11/2010
Reza a lenda que José Serra, o candidato tucano derrotado nas eleições presidenciais de outubro, não perdoa o governador de São Paulo, Alberto Goldman, por ter anunciado o resultado da licitação de um trecho do metrô na semana final da campanha do segundo turno. Assuntos delicados como esse deveriam ficar para depois das eleições, para evitar ruídos políticos.
Uma denúncia de manipulação da licitação foi feita pela “Folha de S.Paulo”, que soubera do resultado muito antes da abertura das propostas e registrou o fato em cartório, e a licitação foi anulada, trazendo evidentes prejuízos políticos para Serra.
Se não é verdade, é bem verossímil.
O governo, por sua vez, está revelando nos últimos dias como pensou em tudo para ganhar a eleição.
Não tratou de assuntos delicados na campanha, como as reformas estruturais, e, quando o fez, foi para prometer reduzir a carga tributária.
Mal se fecharam as urnas, nós os cidadãos ficamos sabendo que havia um movimento de governadores para ressuscitar a famigerada CPMF, e a presidente eleita, embora seja contra, dispõe-se a estudar as “necessidades” dos estados.
Estourou também o escândalo de inépcia do Enem, um outro tipo de trapalhada, diferente da ocorrida em 2009, mas sempre prejudicando os alunos.
Sorte do governo que o Enem foi realizado em novembro, depois das eleições.
Sorte, não, precaução.
O Enem foi realizado em setembro em 2008 e em outubro em 2009, e este ano, alegadamente por causa das eleições, o calendário teve de ser alterado para novembro.
Como se sabia que as eleições, tanto no primeiro como no segundo turno, tinham dias marcados (3 e 31 de outubro), não havia impedimento para que o Enem fosse realizado em qualquer outro dia ou mesmo em setembro.
Mas, como gato escaldado tem medo de água fria, o governo se precaveu e jogou para novembro a crise que realmente aconteceu.
Como sempre, o presidente Lula começou falando grosso, com elogios à organização do exame, e foi cedendo à opinião pública até admitir que novas provas poderão ser realizadas.
E tem ainda a medida provisória dando, através do BNDES, R$ 25 bilhões para financiar o trem-bala entre Rio e São Paulo, dando como garantia as ações de uma companhia privada que ainda não foi constituída e mais um provisionamento de R$ 5 bilhões para o caso de necessidade.
Isso depois de a presidente eleita ficar a campanha inteira afirmando que o trem-bala era importantíssimo, mas não receberia dinheiro público.
O caso mais grave, no entanto, foi o do Banco PanAmericano, que o governo sabia que estava quebrado pelo menos desde agosto, devido a uma auditoria rotineira do Banco Central.
O fato de ter havido uma solução de mercado, com a utilização do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para cobrir o rombo de R$ 2,5 bilhões, é louvável, mas não é exatamente correto o governo dizer que não houve dinheiro público na transação.
Quando a Caixa Econômica Federal assumiu 49% do Banco PanAmericano em 2009, ele já estava quebrado, sabe-se hoje.
É estranho que a Caixa tenha investido em um banco que há quatro anos maquiava seus resultados sem perceber o que agora aparece como “indícios de crime do colarinho-branco”, na definição do Banco Central.
Mesmo que o empresário Silvio Santos perca todo o seu patrimônio, o erário público terá sofrido um baque com a queda das ações de um banco de que a Caixa Econômica não deveria ter comprado uma participação tão efetiva.
Ou houve uma inépcia muito grande das auditorias independentes e da própria direção da Caixa ou muita vontade de ajudar uma empresa em dificuldades, de um empresário muito influente nos meios de telecomunicação.
O Banco Central identificou em agosto que havia fraude nos balanços do Banco PanAmericano, e o assunto ficou sendo negociado em segredo até recentemente, com a peculiaridade de que a reta final deu-se justamente entre o primeiro e o segundo turno das eleições.
A sequência do caso é muito sintomática: a fraude foi detectada em agosto; no dia 20 de setembro o empresário Silvio Santos esteve no Palácio do Planalto com o presidente Lula; e em 11 de outubro começou a negociação.
Este timing da negociação, misturado ao timing político, não diz coisas boas sobre a atuação dos envolvidos nela, e nem mesmo é verossímil que a audiência com Lula tenha sido para tratar do Teleton.
Lula diz que não é papel do presidente da República tratar de negócios de bancos privados.
E tratar do Teleton é? No dia 20 de outubro, o candidato oposicionista José Serra foi agredido por um bando de petistas em Campo Grande, no Rio, quando fazia uma caminhada com seus correligionários.
A certa altura do tumulto, foi atingido na cabeça por algo pesado, que lhe provocou fortes dores.
Mais tarde, o artefato que atingiu Serra foi identificado como um rolo de fita.
O telejornal matinal da rede de TV SBT, no dia seguinte, exibiu uma filmagem que pretendia reproduzir a sequência dos fatos ocorridos em Campo Grande no dia anterior, mostrando que Serra fora atingido apenas por uma bolinha de papel e só colocara as mãos à cabeça 20 minutos depois, após conversar com alguém pelo telefone.
A denúncia de que o candidato da oposição armara uma farsa para tentar tirar proveito político de um tumulto insignificante foi prontamente adotada por ninguém menos que o próprio presidente da República, que passou a divulgar a versão do SBT como a verdade dos fatos.
No mesmo dia à noite, o “Jornal Nacional” demonstrou, com base em uma perícia de Molina, que o momento em que a bolina de papel atingiu Serra é completamente distinto do outro, em que ele foi atingido pelo rolo de fita.
Mas a versão da bolinha de papel foi usada até mesmo na propaganda eleitoral gratuita da campanha petista e serviu para neutralizar o provável prejuízo político que a campanha petista sofreria.
O ajuste em discussão
O ajuste em discussão
CELSO MING – O ESTADO DE SÃO PAULO
Lá estão eles, os 20 chefes de Estado mais importantes do mundo, reunidos em Seul, na Coreia do Sul, em busca de um mínimo de governança para uma economia cada vez mais globalizada e cada vez mais desequilibrada.
A maioria desses desequilíbrios se manifesta como rombos nas contas externas. São países que têm sobras nas suas relações com outros países (superávits em conta corrente) e que têm como contrapartida rombos externos (déficits em conta corrente). Os com mais sobras são China, Alemanha e Japão. O mais deficitário são, de longe, os Estados Unidos.
Cavoucando um pouco mais, vê-se que tais déficits são causados por forte consumo, que puxa importações e despesas no exterior. Estas, por sua vez, são acionadas pelo aumento da renda e do poder aquisitivo causado por enormes despesas públicas. Ou seja, por trás dos rombos externos geralmente estão os rombos orçamentários (veja tabela).
Os rombos orçamentários são cobertos com dívidas (emissão de títulos públicos). Não por coincidência, os maiores compradores dos títulos das economias ricas são países com forte superávit externo (China e Japão), que amontoam reservas com os dólares que têm em excesso.
Nesses termos, o ajuste adequado teria de ser feito por meio de contenção das despesas públicas e da redução das dívidas dos países ricos. Como isso exige sacrifício, recessão, desemprego e tanta coisa de difícil execução, os Estados Unidos estão recorrendo a mecanismos de expansão monetária que implicam desvalorização do dólar e do yuan, atrelado ao dólar.
Esses mecanismos de efeito mais contundente estão sendo acionados pelo Fed (o banco central dos Estados Unidos). Depois de ter expandido o volume de moeda na economia a níveis tão elevados a ponto de seu preço (juros) ficar próximo de zero por cento ao ano, o Fed está recorrendo a um instrumento extremo, o afrouxamento quantitativo, que é a recompra de títulos públicos com emissão de dólares.
O objetivo declarado é produzir pontes de safena que desbloqueiem o crédito, o consumo, a produção e o emprego. É a execução de política monetária por outros meios para tentar o ajuste que deveria ser produzido pela política fiscal.
Se haverá o resultado desejado é o que ainda se vai ver. O problema é que essa gambiarra produz grave efeito secundário, que é a inundação de dólares nos demais países e desvalorização cambial. Assim formatado, o ajuste transfere para o resto do mundo a conta da crise, que é fundamentalmente dos Estados Unidos.
Em nenhum momento, os chefes de Estado do G-20 tentaram discutir em Seul consertos na área fiscal, tecnicamente os mais apropriados, mas politicamente quase inviáveis. O principal conflito de interesses do momento é, de um lado, a defesa dessa política monetária dos Estados Unidos pelos seus dirigentes e, de outro, os ataques a ela por parte da China, Alemanha, França e Brasil. O presidente americano, Barack Obama, lembrou que "o que é bom para os Estados Unidos é bom para o mundo". É uma variação da velha frase do secretário da Defesa dos Estados Unidos nos anos 50, Charles Wilson, para quem "o que é bom para a General Motors é bom para os Estados Unidos".
Obama quer dizer que os Estados Unidos ainda são a locomotiva do mundo. Se continuarem estagnados, todos os demais vagões também permanecerão. O Japão e a Inglaterra estão de acordo com isso. Ontem, quando disse que "sem demanda dos países ricos, o mundo vai à falência", Lula também pareceu ter abraçado a tese de Obama.
A tendência é a de que nada conseguirá deter o Fed de prosseguir na sua política monetária expansionista. O governo americano não nega os efeitos perversos sobre o câmbio dos países emergentes, mas parece dizer: "Aguentem um pouco, que depois melhora."
A cúpula de Seul tem mais um dia. É esperar para ver o que sai daí.
Dilma acena com medidas no câmbio
Dilma acena com medidas no câmbio
João Domingos - O ESTADO DE SÃO PAULO
Presidente eleita diz que é ruim para o Brasil ter a moeda mais valorizada do G-20 e fala em ‘tomar todas as medidas possíveis’
SEUL, Coreia do Sul - A presidente eleita Dilma Rousseff disse que considera ruim para o Brasil o fato de o País estar na reunião do G-20, em Seul, com o título de detentor da moeda mais valorizada do grupo dos países mais ricos. "Isso não é bom para o Brasil. Vamos ter de olhar cuidadosamente, tomar todas as medidas possíveis", afirmou ela. Mas Dilma não quis adiantar quais medidas tomará.
"Se eu tivesse as medidas, não diria aqui", afirmou a presidente eleita, durante entrevista coletiva no hotel em que está, em Seul, cerca de duas horas depois de se encontrar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o qual voltará sábado ao Brasil, no avião presidencial.
Dilma revelou que, ao contrário do presidente Lula, que foi à reunião do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, assim que tomou posse, em 2003, ela não irá à próxima reunião do fórum, prevista para janeiro.
A presidente eleita disse também que não pretende fazer um giro internacional, para se apresentar. Talvez, vá a um ou outro lugar, afirmou, Dilma comentou ainda o fato de ter sido eleita pela revista Forbes a 16.ª pessoa mais importante do mundo, recusando o título de atração do G-20. "Olha, eu acho que atração é presidente no exercício do cargo. Presidente eleita não é atração, é notícia só."
Problema grave
Dilma disse que o problema do dólar fraco é grave. Mas não adiantou nada que possa fazer para tentar enfrentar a situação além das medidas que já vêm sendo tomadas pelo governo brasileiro, como o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para as aplicações no País provenientes do exterior.
"Acho que há uma questão que é grave para o mundo inteiro. Até o Alan Greenspan (ex-presidente do Banco Central americano, o Federal Reserve) está falando isso. Mas essa á uma questão que sempre causou problema, porque a política do dólar fraco faz com que o ajuste americano fique na conta das outras economias."
Em seguida, ela disse que terá uma posição similar à que está sendo defendida agora pelo governo do Brasil, que acusa os Estados Unidos de promoveram uma guerra cambial.
Para Dilma, a desvalorização do dólar gera um protecionismo camuflado. Quanto à sugestão encampada pelo Brasil, de substituir o dólar por uma cesta de outras moedas, Dilma disse que é mais uma posição entre as várias que surgiram sobre o assunto. O melhor, para ela, seria não haver desvalorização do dólar. "Essa seria a solução. Mas nós não controlamos o Federal Reserve."
A presidente eleita lembrou ainda que a moeda chinesa está muito desvalorizada porque está atrelada ao dólar.
Dilma reforça sinais de que vai manter Mantega no comando da Fazenda
Transição. Nos quatro dias que passaram juntos, desde a viagem do Brasil, o ministro deixou claro, segundo um interlocutor, que domina todas as informações de sua área e que apoia, como a presidente, um forte papel do Estado na indução do crescimento.
João Domingos ENVIADO ESPECIAL SEUL - O Estado de S.Paulo
A presidente eleita, Dilma Rousseff, tem dado todos os sinais de que manterá Guido Mantega no Ministério da Fazenda, como lhe sugeriu Luiz Inácio Lula da Silva. É a mostra de que pretende dar continuidade à política econômica de metas de inflação e câmbio flutuante, mas com a exigência de que os juros caiam progressivamente, para que cheguem a 2% até 2014.
Na convivência diária que teve com Mantega desde segunda-feira, quando viajaram juntos para Seul, Dilma se convenceu, segundo um interlocutor de ambos, de que o ministro tem o controle das informações sobre a economia e de que ele está no rumo da política que deseja imprimir ao setor, com o Estado fazendo o papel de indutor do crescimento econômico.
Nos últimos quatro dias, Dilma não deu um passo sem que Mantega estivesse ao seu lado. O ministro a pôs ao par de tudo o que estava ocorrendo no G-20, a reunião de cúpula dos países mais ricos, que termina hoje em Seul. Explicou-lhe que a posição brasileira é a de negociar com os Estados Unidos - e não só combater - na busca de uma forma que reduza a guerra cambial que está no auge, motivada pela decisão do governo norte-americano de emitir U$ 600 bilhões.
Ao se encontrarcom Dilma ontem, Lula, procedente de Moçambique, pôde perceber na presidente eleita a disposição de manter o ministro da Fazenda - o que para ele gerou certo alívio, visto que havia feito a sugestão e considera que Mantega é um ministro que dificilmente dá problemas.
Brincadeiras. Os três tiveram uma reunião a sós antes da entrevista na qual Lula falou a respeito das negociações no G-20. Mantega participou dessa coletiva e foi alvo de muitas brincadeiras de Lula, pois havia tomado quase a metade do tempo da entrevista para explicar o que o Brasil achava da situação e como deveria se comportar - já no governo de Dilma. Lula ficou ao lado, olhando-o com carinho e gesticulando.
Antes, indagada se já se havia decidido pelo nome de Guido Mantega, a presidente eleita afirmou, simplesmente, que ainda não começou a montagem do ministério. Mas, perguntada se deixara de fazer o convite porque a privacidade dos dois fora quebrada durante o voo entre São Paulo e Frankfurt, na segunda-feira, devido à presença de uma jornalista na cabine da primeira classe, a presidente eleita respondeu: "Ah, não. Tive todo o tempo do mundo para isso."
A manutenção de Mantega, no entanto, não garante a permanência de um de seus principais auxiliares, o titular da Receita Federal. Desgastado com a quebra de sigilo fiscal de familiares do ex-governador José Serra e do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas, Otacílio Cartaxo não deve ser mantido.
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