domingo, julho 18, 2010

Berthe Morisot - Dálias - 1876

Saiba Mais - Condenação sem corpo

Piscina simples mas limpinha, no 55° andar do hotel mais caro do mundo

Se você quer curtir um mergulho nessa piscina, você vai precisar gostar de altura... É no 55º  andar!
Mas, nadar na borda não é tão arriscado quanto parece. Enquanto a água da piscina “infinita” parece terminar em um despenhadeiro, na verdade ela escorre para uma espécie de canal, de onde é bombeada de volta para a piscina principal. Tem três vezes o tamanho de uma piscina olímpica (150 metros de comprimento), é a maior piscina do mundo ao ar livre, nessas alturas.
Foi feita no impressionante "Skypark", um espaço de lazer em forma de barco, empoleirado sobre as três torres que compõem o hotel mais caro do mundo, que custou a bagatela de 4 bilhões de libras esterlinas (quase inimaginável o número de zeros à direita em reais...), é o Marina Bay Sands, na cidade de Cingapura.
                                                                                            Confira!                          

GAL COSTA - NADA MAIS (LATELY)

Grotowski

crônica

Grotowski

Fernanda Torres – Veja RIO
Eu devia ter uns 15 anos quando ouvi pela primeira vez o nome do polonês Jerzy Grotowski, da boca de Celso Nunes, diretor responsável pelos mais belos espetáculos produzidos pelos meus pais. Celso abriu minha cabeça para criadores como Bob Wilson e me apresentou sua tese de doutorado a respeito do gênio polonês, que li com avidez antes de completar 16 anos. Criador do teatro pobre, Grotowski reduziu a ribalta à sua essência: ator e público, dispensando toda a parafernália de cenário, luz e figurino, e aprofundou a função ritualística desse ofício. Seus atores se aprimoravam através de laboratórios psicofísicos que visavam a libertá-los de seus limites sociais e psíquicos, fazendo-os atingir o domínio do corpo e o exercício pleno da arte. Nos ensaios, poderia ser exigido de um ator que este subisse e descesse diversas vezes uma escada íngreme de pedreiro para dominar o medo e atingir a ambição desmedida de um Macbeth, por exemplo. Em 1974, quando esteve no Brasil, Grotowski confessou que nem o teatro o interessava mais, e sim o estudo das relações humanas entre pequenos grupos de pessoas através de exercícios não racionais. Fui criança durante os anos 60, um período de profundas transformações comportamentais. Na adolescência, vivi a rebarba desse furacão de costumes. Era tudo muito novo, alternativo e inteiramente contrário ao sistema vigente. Uma época em que o heroico era ser marginal.

Nos anos 80, quando entrei na casa dos 20, o mundo encaretou violentamente e a febre contestadora foi, aos poucos, sendo engolida pela vida gorda do capitalismo triunfante. Até os punks renderam lucros consideráveis. Os cabelos moicanos e os piercings foram transformados em mercadorias de luxo, objetos de consumo tão caros e desejados quanto a velha caneta Mont Blanc. E, quem diria, o teatro especulativo de Grotowski, que visava à liberdade e ao contato com o impalpável, também encontrou um lugar de ouro nas grandes corporações mercantis. Um dos meus lugares preferidos da Terra é o hotel de meu sogro, o Rosa dos Ventos, na Teresópolis-Friburgo. Às vezes, principalmente durante a semana, quando subo a deslumbrante serra de Teresópolis para aproveitar o paraíso de Mata Atlântica preservada, com bosques, lagos e céu inacreditável, cruzo com convenções de empresas usando o espaço para o treinamento de funcionários. Levei um choque na primeira vez em que assisti a uma dessas rotinas.
Uma espécie de teia de aranha havia sido esticada entre as árvores e um grupo de pessoas adultas estava atravessando um colega deitado, pelo ar, através do obstáculo de cordas. O objetivo era evitar que o corpo encostasse nas linhas, fazendo-o chegar do outro lado intacto. Outro grupamento pendurava um companheiro em uma árvore altíssima. O voluntário deveria acertar uma cesta com uma bola de basquete antes de despencar confiante. Havia rodas de participantes empenhados em segurar um parceiro cambaleante posicionado no centro do círculo, zelosos para que esse não caísse no chão. Os exercícios não me eram estranhos, eu os havia feito inúmeras vezes na minha formação de atriz: provas de confiança, colaboração, contato, superação e desinibição... O aparato psicofísico do teatro de vanguarda levado às últimas consequências por Grotowski era agora usado ali, em uma convenção de empresa. Olha as guinadas que esse mundo dá. O que havia de mais resistente ao poder e ao dinheiro agora é o que move o mundo corporativo. Eu fiquei espantada.
O uso de tais modalidades no treinamento de pessoal é relativamente novo, especialmente no Brasil. Uma americana trouxe a técnica para cá há cerca de dez anos. É curioso reler as palavras de Grotowski e pensar em seu significado quando relacionadas ao mundo corporativo: “O que devemos fazer é lutar, para então descobrir, experimentar a verdade sobre nós mesmos; rasgar as máscaras atrás das quais nos escondemos diariamente. A arte não pode ser limitada pelas leis da moralidade comum ou de qualquer catecismo. O ato de criação nada tem a ver com o conforto externo ou com a civilidade humana convencional; quer dizer, as condições de trabalho nas quais as pessoas se sentem seguras e felizes”.
Não existe bom-mocismo na Arte... nem nas finanças.
e-mail: fernanda.torres.vejario@gmail.com

"Sem Palavras!" - "As árvores somos nozes!"

De fora para dentro - Dora Kramer

Sábado, Julho 17, 2010
O Estado de S. Paulo - 17/07/2010

O dia exato ainda não foi definido, mas será um agosto a primeira reunião do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral para cuidar do projeto de reforma política de iniciativa popular, a ser discutido durante a campanha eleitoral e apresentado ao presidente da República eleito em novembro e encaminhado ao Congresso no início da nova legislatura, em fevereiro de 2011.
A inspiração óbvia é o projeto que exige ficha razoavelmente limpa de quem pretende se candidatar a mandatos eletivos. Se a Lei da Ficha limpa foi aprovada contra todas as expectativas por pressão de fora para dentro do Congresso, a reforma política também pode ser, raciocinam os inspiradores do movimento que mandou o projeto para a Câmara em setembro de 2009 com 1,7 milhão de assinaturas.
A ideia agora seria superar em muito essa marca. Mas, segundo o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante, antes de começar a recolher as assinaturas é preciso escolher quais pontos farão parte do projeto.
No encontro de agosto, a OAB, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a Associação dos Magistrados do Brasil, a Associação dos Procuradores da República e outras entidades que queiram se integrar ao MCCE vão escolher dois relatores para organizar o texto da proposta e discutir a melhor maneira de incentivar a participação da sociedade.
Há o estímulo da movimentação em torno da Lei da Ficha Limpa. Mas há também a evidência de que o momento da virada de posição do Congresso foi específico por causa da eleição presidencial.
Além disso, a reforma política contém assuntos nem sempre estimulantes do ponto de vista popular. Alguns, como o financiamento público para campanhas eleitorais, de difícil aceitação, e outros de difícil compreensão, como a mudança do sistema de voto proporcional para distrital.
"É preciso escolher uma abordagem que desperte nas pessoas a vontade de participar", diz o presidente da OAB. Na opinião de Ophir Cavalcante, dois temas teriam o poder de mobilizar a opinião pública: o fim da reeleição e do voto obrigatório.
A OAB pretende, portanto, propor a realização de um plebiscito para a população dizer sim ou não à continuidade do voto obrigatório ou à instituição do facultativo.
"Uma pesquisa recente do Datafolha mostra uma situação de quase empate, o que demonstra o interesse do público no tema", diz. 
A pesquisa foi divulgada em maio e registra empate rigoroso: 48% das pessoas são favoráveis ao voto obrigatório e 48% preferem o facultativo.
Apesar disso, o Congresso nunca inclui esse item nos vários ensaios que faz sobre reforma política. A última vez que discutiu o tema foi na Constituinte, em 1988.
Um ponto que não constava na lista inicial por ser considerado técnico demais - o voto distrital - já recebeu a primeira sugestão de abordagem popular mais sugestiva. Quem faz é o economista, vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo, Roberto Macedo.
Ele detalhou o tema em artigo no Estado na última quinta-feira, propondo que se associe o voto distrital ao conceito de eleição direta para o Poder Legislativo.
"Enquanto no voto proporcional são eleitos os candidatos mais votados em cada partido, o que faz muitos eleitores votarem numa pessoa e ajudarem a eleger outra, no distrital a eleição é direta. Ocorre num espaço geográfico reduzido, facilitando o controle do eleitor e diminuindo os custos da campanha", argumenta.
A Ordem dos Advogados convidou quatro candidatos à Presidência - Dilma Rousseff, José Serra, Marina Silva e Plínio de Arruda Sampaio - para discutir a reforma política no mês que vem e em novembro aproveitará os 80 anos da entidade para fazer um seminário sobre o mesmo assunto.
Na ocasião já terá o projeto pronto e em processo de coleta de assinaturas para entregar ao eleito. Na posse dos congressistas, seria a primeira proposta a abrir a nova legislatura.
E o que garante que desta vez o Congresso faria a reforma?
Segundo Ophir Cavalcante o mesmo que fez a Lei da Ficha Limpa: "A consciência da sociedade de que pode ser agente de mudanças."

IQUE - No Jornal do Brasil

sábado, julho 17, 2010

Nelson Motta: ironias revolucionárias

Sábado, Julho 17, 2010

Nelson Motta: ironias revolucionárias

por Augusto Nunes


O Estadão desta sexta-feira publicou um ótimo texto de Nelson Motta. O título é Ironias revolucionárias. O tema é Cuba. Confiram. Pego uma carona no ponto final.

Enquanto a ditadura cubana solta presos políticos, o Congresso dos Estados Unidos debate a lei que libera os americanos para viajar à Disneylândia socialista. O momento histórico não é só dramático, também é muito irônico.
Há 51 anos, um dos orgulhos míticos da revolução é ter livrado Cuba de ser “um bordel dos americanos”. Com a liberação das viagens aos vizinhos, hordas de turistas mal-educados e cheios de dólares invadirão a ilha, e serão muito bem-vindos, como uma salvadora fonte de divisas para a indigente economia da ilha. Será o encontro feliz do consumismo com o comunismo.
Mesmo com a proibição, mais de 100 mil americanos viajaram para Cuba no ano passado, via México, se arriscando a multas e chateações judiciais. Imaginem liberando geral. Não haverá rum para tanta gente.
Viagens baratas, de pouco mais de meia hora de voo, levarão o melhor e o pior dos turistas americanos a Cuba, em busca de sol e mar, mas também de diversão, negócios, aventura e, naturalmente, sexo.
Com o agravamento da crise econômica e sem perspectiva de trabalho, jovens cubanos de todos os sexos e formações estão se prostituindo para sobreviver. Fidel fez piada, dizendo que em Cuba até as putas são universitárias, mas a ironia da história é que, em volta dos hotéis, dos bares e boates, Havana se tornou um bordel a céu aberto. Mas não só de americanos.
Como não há nada mais conservador do que a revolução cubana, só Fidel e a velha guarda do partido ainda continuam odiando e esperando a agressão dos “yankis”. As novas gerações os chamam, com simpatia, de “yumas”, admiram suas qualidades e sonham consumir as maravilhas que eles produzem com liberdade e tecnologia. Estão loucos para trocar ideias com eles. E, se possível, ganhar algum dinheiro, porque, apesar do salário de 20 dólares mensais, há cada vez mais desempregados.
Pior: ultimamente só foram criados empregos de fiscais, para tentar conter o roubo sistêmico nas fábricas e empresas estatais. Diz um amigo cubano que endureceu sem perder o humor: “O que vai mudar é que agora os que roubam para sobreviver vão ter que rachar com os fiscais.”
Embarco no artigo de Nelson Motta para espantar-me com outra ironia. Nos anos 50, quando Fidel Castro lutava pelo poder, havia em Cuba uma ditadura ultradireitista a derrubar, uma economia asfixiada pela monocultura da cana e prostitutas demais em Havana. Mais de meio século depois, há prostitutas demais na ilha inteira, um oceano de canaviais asfixiando a economia e uma ditadura comunista a derrubar. Fidel continua lutando pelo poder.

Berthe Morisot - uma mulher em seu Toilette - 1875

Marte

RAZÃO E SENSIBILIDADE

RAZÃO E SENSIBILIDADE
“Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas” (Mt 10.16)
O filme inglês Razão e Sensibilidade (1995) narra a história de duas irmãs que diante das dificuldades financeiras da família adotaram formas diferentes de enfrentar a vida: uma, mais prática, valeu-se da razão como condutora de suas decisões, e a outra apoiou-se na emotividade como resposta. Na verdade, e a grosso modo, este é um pêndulo que todos nós precisamos aprender a nos equilibrar.
Carl Gustav Jung desenvolveu a teoria que possuímos quatro funções psicológicas fundamentais: pensamento, sentimento, sensação e intuição. A seu ver, saudável é aquele capaz de transitar bem em cada uma dessas funções, para poder dar a melhor resposta que o momento exige. Coisa difícil, pois o problema é que costuma haver a preponderância de uma delas, que ele chama de “função superior”, e uma consequente dificuldade de transitar pelas outras funções.
Jesus deseja trazer unidade, equilíbrio e estabilidade à nossa personalidade. Da mesma forma que o Eterno organizou o caos do Universo, ele também pode trazer harmonia e beleza a cada um de nós. Ao preparar seus discípulos para enfrentar as duras experiências da vida de fé, Jesus advertiu-lhes para que fossem “prudentes como as serpentes e simples como as pombas”. Ou seja, o Mestre os instruiu para combinar a prudência, sagacidade e inteligência própria dos ofídicos, aliada à simplicidade das pombas. Numa tradução mais livre, que complementassem a razão com a sensibilidade.
Quando não desenvolvemos adequadamente a razão, tornamo-nos presas fáceis dos enganos e sofismas, e alguns, “tendo rejeitado a boa consciência, vieram a naufragar na fé” (1Tm 1.19). Somente crer não basta: também é preciso pensar corretamente.
Abandonando a razão e a boa consciência, nos tornamos como irracionais, e foi isso que quase levou o salmista Asafe a “escorregar”. Mas ele confessa e reconhece a origem de seu problema: “eu estava embrutecido e ignorante; era como um irracional à Tua Presença” (Sl 73.22).
A irracionalidade nos aproxima dos animais e nos leva a agir mediante impulso. “Não sejais como o cavalo ou a mula, sem entendimento” (Sl 32.9), diz a bíblia. Confesso que os erros cometidos em minha vida – e não foram poucos – quase sempre ocorreram quando deixei a razoabilidade de lado. Ao abandonar a racionalidade, passamos a decidir com o fígado. Creiam-me: a bílis é uma péssima conselheira.
A primeira vítima do agir irracional é o diálogo. Já tentou conversar, num bom nível, com alguém exasperado? Desista, pois as palavras que você diz nunca serão as palavras ouvidas. Muitos confessam depois: “fiquei como fora de mim”. Ora, quem está “fora de si” não tem como analisar corretamente o que estão lhe falando. Peça para alguém irado definir algumas pessoas ao qual não mantém bom relacionamento, e você verá o quanto a raiva “deforma” e “demoniza” o outro. É por isso que Paulo pede que “a paz de Cristo seja o árbitro no coração”.
Há sempre a possibilidade de o pensamento tornar-se a “função superior”.  Até aí nada demais, porém se ele estiver desacompanhado da sensibilidade, para lhe dar equilíbrio, sensatez e temperança, o resultado pode ser nefasto.  A posse da razão, sem o freio da sensibilidade, torna as pessoas cruéis, cheias da “verdade”. Deus nos livre dos cheios de razão.
Quando os aspectos saudáveis da sensibilidade são rejeitados, sem possibilidade de aflorar para fazer parte da personalidade, acaba por deixar a pessoa “pesada”, faltando-lhe a leveza, o bom-humor, o chiste. Ora, tudo que é rejeitado em nós ou impedido de se manifestar não pode contribuir no desenvolvimento do ser. E o que é pior: adoenta.
Por outro lado, possuir sensibilidade sem o apoio da razão produz gente “hipersensível”, que faz drama dos menores e irrelevantes acontecimentos, dá um valor excessivo aos seus sentimentos, e o mundo é visto e julgado – não a partir da realidade – mas do que ele está sentindo. É claro que se decepciona facilmente com todos que o cercam, e vive em constante flutuação emocional.
É preciso saber para que lado pendemos e que aspectos importantes da vida não estão sendo vivenciados. O Senhor espera de nós um desenvolvimento de todas as funções próprias de uma personalidade saudável. Se assim não for, ficaremos eternamente presos às reações infantis, e aos pensamentos próprios da adolescência.
As coisas espirituais são assim: requerem o empenho da totalidade da constituição de nosso ser, para que não sejamos cristãos “mancos” que vivem parcialmente de suas funções. É por isso que somente podemos amar a Deus de verdade se for de todo nosso coração, toda nossa alma, todo nosso entendimento e toda nossa força (Mc 12.30).
Pr. Daniel Rocha
Publicado originalmente em http://www.isaltino.com.br/

Basta à violência contra as mulheres

Basta à violência contra as mulheres 
Folha de São Paulo   16/07/2010
REBECCA REICHMANN TAVARES

Apesar das medidas judiciais estabelecidas pela Lei Maria da Penha, sua real aplicação é comprometida por um sistema que não assegura proteção A comoção nacional gerada pelas investigações do desaparecimento de Eliza Samudio e do assassinato de Mércia Nakashima visibilizam a perversa realidade de milhares de mulheres brasileiras, cujas vidas são aniquiladas pela violência de gênero.
A desigualdade de gênero reduz a autonomia e o poder das mulheres sobre suas vidas e decisões, muitas vezes punindo fatalmente aquelas que ousam querer exercer o direito universal da igualdade.
As causas e os efeitos da violência na vida das mulheres são questões de extrema preocupação e objeto do trabalho das Nações Unidas, que ganha mais força com a recém-criada ONU mulheres - Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das mulheres.
Em 2007, o então secretário-geral da ONU Ban Ki-moon alçou o fim da violência contra as mulheres como uma das prioridades do seu mandato. Em 2008, lançou a campanha mundial Una-se pelo Fim da Violência contra as mulheres".
Essa é uma das estratégias da ONU até 2015 para a formulação e implementação de leis e planos nacionais para coibir a violência contra mulheres e meninas, a produção sistemática de dados confiáveis sobre violência e a conscientização e mobilização social.
O Brasil foi um dos primeiros países a responder ao chamamento e realizou a campanha Homens Unidos pelo Fim da Violência contra as mulheres", sob a liderança da Secretaria de Políticas para as mulheres da Presidência da República.
Homens líderes e entidades importantes, como o ex-jogador de futebol Raí e o Corinthians, aportaram prestígio à campanha.
De acordo com a Cepal (Comissão Econômica para América Latina e Caribe), 45% das mulheres da região já foram ameaçadas de alguma forma por companheiros ou ex-companheiros.
Estão expostas a coações de agressores e vulneráveis à inoperância de mecanismos do Estado, insuficientes para atender com agilidade e rigor a denúncias e pedidos de proteção para que as vidas das mulheres sejam preservadas.
Eliza Samudio tinha pedido proteção judicial oito meses antes de desaparecer. Apesar das medidas judiciais estabelecidas pela Lei Maria da Penha, classificada pelo Unifem (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a mulher) como uma das três melhores legislações do mundo, a sua real aplicação é comprometida por um sistema que não consegue assegurar proteção às mulheres vítimas de violência.
Da denúncia ao desfecho do processo judicial, são muitos os relatos de mulheres cujo caráter e depoimentos são desqualificados para reduzir a gravidade do ato criminoso de violência, seja esta física, psicológica, moral ou patrimonial.
O "Mapa da Violência 2010", feito pelo Instituto Sangari, registrou a média de dez assassinatos de mulheres por dia no país, entre 1997 e 2007, o que revela clara e urgente necessidade para que os esforços do Estado brasileiro, aos quais nos somamos, tragam melhores estratégias e resultados de prevenção e proteção, para dar um .
Conclamamos a sociedade brasileira para que o sentimento de estarrecimento desses casos seja revertido em ações práticas, individuais e coletivas de denúncia e apoio às vítimas de violência.
Unamos nossas forças, homens e mulheres, para o fim da violência e incorporemos a ideia de que a violência contra as mulheres é inaceitável, indesculpável e intolerável.

REBECCA REICHMANN TAVARES, doutora em educação pela Universidade Harvard, é representante do Unifem Brasil e Cone Sul (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a mulher, parte da ONU mulheres). Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

SPONHOLZ

Coisas que somente acontecem no Brasil!

Filhos de Maristela Just vão à ONU para prender pai, que está foragido

Filhos de Maristela Just vão à ONU para prender pai, que está foragido

Folha de São Paulo
16/07/2010
DE SÃO PAULO - Após 21 anos de espera pela condenação do pai pelo assassinato da mãe, os filhos de Maristela Just decidiram recorrer à ONU (Organização das Nações Unidas) para que as buscas pelo comerciante, foragido há mais de 40 dias, sejam intensificadas.
José Ramos Lopes Neto foi julgado à revelia e condenado a 79 anos de prisão pelo assassinato da ex-mulher, Maristela, e por tentar assassinar os filhos -à época, com cinco e dois anos- e do ex-cunhado, em Jaboatão dos Guararapes (Grande Recife).
Com o aval de Nathália Just, 25, e Zaldo Just, 23, a ONG Gajop (Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares) enviou, na segunda-feira passada, um comunicado para a Relatoria Especial sobre Independência dos Juízes e Advogados, do Conselho de direitos humanos da ONU.
O documento pede "esforço concentrado" das polícias civil, militar, federal e Interpol para prender Lopes Neto.
Segundo Nathália Just,o objetivo do comunicado da ONG foi "fazer com que o caso não caísse no esquecimento".
O comunicado será recebido em Genebra e analisado pela relatoria, que pode entrar em contato com as autoridades brasileiras.
O caso pode ser levado à Assembleia Geral, que questionará o Brasil sobre a suposta violação. O secretário de Defesa Social de Pernambuco, Wilson Damázio, afirmou que os policiais estão fazendo buscas e que Lopes Neto foi incluído no Sistema Nacional de Procurados e Impedidos, da Polícia Federal, para que não possa deixar o país.
(LUIZA BANDEIRA)

Celibidache Mozart Requiem (uma parte)

Extraterrestres não são problema para a religião

Extraterrestres não são problema para a religião
Teologia não estranharia eventualidade da vida noutro lugar do Universo
Jornal de Notícias - Portugal

O diretor do Observatório Astronômico do Vaticano, padre jesuíta José Gabriel Funes, considera, em entrevista à revista «New Scientist», que não existe um conflito real entre os resultados da ciência e da fé: «No fim vamos encontrar uma explicação, talvez não nesta vida, mas na próxima».
O padre José Gabriel Funes assegura que o Vaticano não interfere nas pesquisas dos cientistas, pelo que pode pesquisar qualquer tema, assegurando mesmo que a eventual descoberta de vida extraterrestre não seria um problema para a religião.
«Eu não vejo nenhuma dificuldade séria para a teologia católica se nós encontrarmos vida noutro lugar do Universo», sublinha.
Aquele padre jesuíta revela ter tido uma audiência privada com Bento XVI, em 2008, e que o Papa nunca deu qualquer indicação para «estudar isto ou aquilo». Sublinha: «Nós temos completa liberdade para investigar e os tópicos que estudamos são tópicos nos quais os astrônomos estão interessados: ciência planetária, agrupamentos de galáxias, cosmologia e o big bang».
«Eu estudo galáxias próximas. Um jesuíta que se juntará a nós em Setembro estudará planetas extra-solares», refere.
Para o diretor do Observatório Astronômico do Vaticano, há «problema» quando a religião «entra no mundo da ciência ou no método científico»; também quando «cientistas usam ciência fora do método científico, para fazer afirmações filosóficas e religiosas - usando ciência para uma finalidade para a qual a ciência não foi feita».
Questionado se o seu trabalho afeta de alguma maneira as suas convicções religiosas, afirma: «Diria que o meu trabalho como cientista me ajuda a ser uma pessoa religiosa, um padre».
O padre Funes tem um doutoramento em astronomia na Universidade de Pádua (Itália). Nos últimos anos, trabalhou no estudo da formação estelar nas galáxias próximas, aquelas que não se encontram a uma distância maior de 50 milhões de anos-luz. A formação estelar é um tema chave para poder entender o processo de formação e evolução das galáxias.
O Observatório Vaticano foi fundado, em 1891, pelo Papa Leão XIII. A sua sede central é em Castel Gandolfo (Roma), mas há outro centro de pesquisa, «The Vatican Observatory Research Group», desde 1981, em Tucson, Arizona (EUA), que é uma das maiores e mais modernas instituições de observação astronômica. É uma boa aliança entre a ciência e a fé.

Skoob

BBC Brasil Atualidades

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