sábado, setembro 11, 2010
Envelope fechado
Envelope fechado
MERVAL PEREIRA O GLOBO - 11/09/10
Para quem está prestes a ser derrotado no primeiro turno, o candidato tucano à presidência da República está bastante animado. José Serra não apenas diz acreditar que vai para o segundo turno, como age como tal, tamanho o ânimo que encontra para fazer uma campanha que, a olhos leigos, parece já perdida.
Ontem, na sabatina do Globo, depois de um começo claudicante devido ao seu já folclórico mau humor pela manhã – e olha que a sabatina, marcada para as 11 horas, começou meia hora mais tarde pela também já conhecida impontualidade do candidato – ele se mostrou bastante bem-humorado e não perdeu oportunidade para alfinetar sua adversária petista Dilma Rousseff, como, aliás, nunca havia feito antes.
A comparação de Dilma com o ex-prefeito Celso Pitta, candidato inventado por Paulo Maluf e que depois protagonizou um governo desastroso em São Paulo prejudicando o futuro político de seu padrinho, foi o auge de uma série de críticas.
“Só falta o Lula dizer para não votarem mais nele se a Dilma fizer um mau governo, como Maluf fez com o Pitta”, ironizou Serra, que se disse incomodado de não poder debater diretamente com Dilma.
O fato de a candidata oficial “se esconder” atrás do partido ou do próprio Lula, segundo os marqueteiros da campanha do PSDB, estaria já incomodando os eleitores, percepção que está sendo retirada de diversas pesquisas qualitativas, quando um grupo de eleitores faz considerações sobre a campanha eleitoral sem saber que candidato está buscando suas opiniões.
Mesmo que os números não se mexam neste momento, a sensação (ou esperança) dos tucanos é que esse sentimento de decepção com a candidata de Lula se cristalize a ponto de inverter alguns votos, o suficiente para levar a eleição para o segundo turno.
Mas como Serra quer vencer a eleição presidencial se não consegue vencer nem mesmo em São Paulo, estado que governou até o início do ano e onde o candidato do PSDB ao governo, Geraldo Alckmin, aparece como o favorito da disputa?
Os candidatos do PSDB à presidência da República sempre venceram a eleição em São Paulo – Fernando Henrique em 94 e 98, com uma diferença que chegou a 5 milhões de votos – e Geraldo Alckmin por 3,8 milhões, ambos derrotando Lula.
O único que perdeu para Lula foi o próprio Serra, em 2002, e agora vai perdendo para Dilma. A força que Alckmin poderia dar fica neutralizada pela arrancada que Lula está conseguindo promover para o candidato petista ao governo, Aluizio Mercadante, que segundo as pesquisas mais recentes, estaria conseguindo reduzir a vantagem de Alckmin, embora o tucano continue em condições de vencer no primeiro turno.
A situação de Serra é distinta: as pesquisas mostram uma estabilidade de Dilma, e nenhuma reação expressiva nem de Serra nem de Marina Silva.
Serra diz que ao final vencerá em São Paulo, o que pode fazer a diferença na ida para um segundo turno, já que o colégio eleitoral paulista é o maior do país.
O caso dos sigilos fiscais quebrados serialmente envolvendo pessoas do PSDB e parentes de José Serra não teve a capacidade, até agora, de mexer com a decisão dos eleitores, embora a reação imediata de Lula, indo à televisão para desqualificar as denúncias, indique que o seu potencial de estrago é grande.
O que pode ser insuficiente é o tempo que ainda resta de campanha até o dia 3 de outubro para uma reversão de ânimos, embora os marqueteiros de Serra considerem que os 20 dias que restam, com quatro debates entre eles, podem ser bastantes não para virar o jogo, mas para garantir um segundo turno onde os dois candidatos poderão disputar em igualdade de condições no tempo de propaganda eleitoral e nos debates frente a frente.
Tanto Serra quanto Marina apostam suas fichas nessa possibilidade, mas ambos têm que subir tirando votos de Dilma, o que parece não estar ocorrendo, pelo menos pelo momento.
Devido à dificuldade para que a gravidade da quebra dos sigilos fiscais seja compreendida pela média da população, a campanha tucana não está muito esperançosa de que esse tema possa mexer com o eleitorado como o caso dos “aloprados” de 2006, que tinha elementos mais impactantes, como uma montanha de dinheiro vivo e vários nomes ligados diretamente ao Palácio do Planalto.
O que poderia levar o eleitor a mudar de opinião, avaliam os estrategistas da campanha do PSDB, seria a percepção de que a candidata Dilma não tem vôo próprio, e que precisa de Lula para se defender e, mais adiante, para governar.
Por isso Serra começou ontem a afirmar que um eventual governo Dilma seria um fracasso, pela inexperiência da candidata e pela impossibilidade de controlar o PT, partido que é maior que ela e do qual dependerá.
Seria, como disse expressamente ontem Serra, uma maneira de levar Lula à presidência pela terceira vez seguida.
O que, na previsão de Serra, provocaria uma crise institucional no país, pois o presidente da República é muito forte e Dilma acabará não aceitando a ingerência de Lula.
O problema é que, até o momento, tudo indica que o que a ampla maioria do eleitorado quer – ou acha que quer, o que dá no mesmo, - é reeleger Lula pela terceira vez, mesmo se maneira indireta.
Muitos achando mesmo que Lula estará por trás, puxando os cordéis. O que a campanha tucana vê como uma fragilidade da candidatura Dilma, o eleitorado pode estar vendo como uma vantagem.
Mesmo que esteja certo, o candidato tucano estaria desintonizado com os anseios da população. Que pode estar enganada, mas só saberá depois de escolher o "envelope fechado" a pedido de Lula.
Espanha reverencia Oscar Niemeyer com Medalha das Artes e das Letras
Espanha reverencia Oscar Niemeyer com Medalha das Artes e das Letras
Lucas Tolentino - Publicação: 11/09/2010 08:01 - Correioweb
Velha conhecida dos brasilienses, a maestria das curvas e linhas de Oscar Niemeyer (1)ganhou o reconhecimento do governo espanhol. O arquiteto que deu forma a Brasília e a outros monumentos pelo mundo afora recebeu ontem a Medalha das Artes e das Letras. A ministra da Cultura do país europeu, Ángeles González-Sinde, foi a responsável pela condecoração do artista, que já havia sido concedida desde novembro passado. A cerimônia ocorreu no escritório de Niemeyer, em Copacabana, no Rio de Janeiro.
Representantes do corpo diplomático também participaram do ato de reconhecimento dos feitos do arquiteto. A mulher dele, Vera Lúcia Niemeyer, contou ao Correio que o encontro emocionou o marido. “Ele ficou muito satisfeito com a homenagem. Essa é uma medalha que poucas pessoas receberam até hoje”, afirmou. Segundo ela, o encontro agraciou os ânimos do arquiteto de 102 anos de idade. “O pessoal da embaixada foi muito simpático e agradável”, completou Vera. A medalha foi desenhada pelo artista plástico Antoni Tàpies.
A láurea foi concedida como forma de homenagear a influência de Niemeyer na arquitetura contemporânea e seu esforço na disseminação da cultura pelo mundo. Além disso, a medalha reconhece sua contribuição para a Espanha. O carioca, inclusive, já foi premiado por aquele país anteriormente. Em 1989, ele recebeu de uma fundação espanhola o prêmio Príncipe das Astúrias das Artes. Todos os anos, esse troféu é entregue a pessoas que fazem trabalhos excepcionais em áreas como as artes, o esporte, as ciências sociais, a comunicação e humanidades.
Arquiteto recebe da ministra da Cultura espanhola Ángeles González-Sinde, a homenagem: influência na arquitetura mundial
Polo de conhecimento
Na cerimônia de entrega da condecoração, as autoridades destacaram a importância do Centro Cultural Internacional Oscar Niemeyer, projetado pelo arquiteto e com previsão de inauguração para o fim do ano. O espaço fica na cidade espanhola de Avilés e foi desenvolvido pelo governo local. De acordo com o Instituto Cervantes, entidade do país europeu, o complexo será um polo de conhecimento e criatividade.
Apelidado de Centro Niemeyer, o espaço cultural englobará um museu e um auditório. “Fica em uma praça de Avilés e será um lugar muito importante para a cidade. A previsão é de que a obra fique pronta em dezembro”, explicou Vera Lúcia Niemeyer.
Os responsáveis pelo local já organizaram exposições. Em maio, chegou a Brasília uma mostra idealizada pelo Centro Niemeyer, que contou a trajetória do arquiteto com foco na finalização da construção de Brasília e o projeto do espaço cultural espanhol.
Essa foi a quarta exposição produzida pelo Centro Niemeyer. O local desenvolveu mostras de fotografias e de homenagem à obra do escritor Paulo Coelho. Todas elas passaram primeiro por Avilés e depois chegaram a outras cidades, como Madri, Barcelona e Montevidéu.
1 - Internação
No fim de abril e início de maio, Oscar Niemeyer passou 12 dias internado no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro. O arquiteto se recuperava de uma infecção urinária. Durante o período em que permaneceu no centro médico, ele recebeu antibióticos na veia e respondeu bem ao tratamento. Apesar da idade avançada, Niemeyer pedia pela liberação o quanto antes. Queria dar continuidade aos projetos que estavam parados na mesa do escritório.
Personagem da notícia
Obras incontáveis Em 15 de dezembro de 1907, nasceu no Rio de Janeiro Oscar Niemeyer. O carioca viveu a infância e a adolescência em uma casa de Laranjeiras, bairro da Zona Sul da cidade. Em 1929, entrou para a Escola Nacional de Belas Artes. A instituição passou a ser dirigida, em 1931, por Lucio Costa. Anos depois, Niemeyer começou a trabalhar no escritório do urbanista. Nessa época, conheceu também Le Corbusier, mestre da arquitetura moderna que influenciou sua obra.
O primeiro trabalho de Niemeyer foi Obra do berço, em 1937, no bairro carioca da Lagoa. Entre 1936 e 1945, desenhou o Edifício Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro, com um time de profissionais liderados por Lucio Costa. Na capital federal, assina o projeto de monumentos como a Catedral Metropolitana de Brasília e o Congresso Nacional.
O arquiteto centenário é casado com Vera Lúcia Niemeyer. Tem uma filha, Anna Maria Niemeyer, cinco netos, 13 bisnetos e quatro trinetos. No ano passado, o artista mostrou os croquis da Torre de TV Digital, em construção em Sobradinho com o formato de uma flor do cerrado.
Medidas de segurança em concursos públicos
TRABALHO
Medidas de segurança em concursos públicos
Intenção é reduzir as fraudes ao longo de todo o processo seletivo. Entre as propostas, está a previsão de prisão de dois a oito anos
Cristiane Bonfanti - Do Correioweb - Correio Braziliense
Bombardeado por uma série de denúncias de irregularidades nos concursos públicos em todo o Brasil, o governo decidiu se mexer. O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão anunciou ontem que vai adotar medidas para garantir a segurança de todas as etapas das seleções, desde a autorização, a contratação da entidade responsável e a aplicação das provas até a nomeação dos aprovados. Entre as propostas, está o envio de projeto de lei ao Congresso criando o crime específico de fraude nos certames. Hoje, por falta de um tipo penal especial, quem é pego responde por estelionato ou falsidade ideológica, por exemplo.
De acordo com o Planejamento, as medidas ainda serão detalhadas e não têm prazo definido para implantação, já que dependem de regulamentação por decretos e portarias. “Os processos estão em elaboração nas secretarias do ministério. O assunto é tratado com a devida prioridade”, garantiu o órgão por meio de nota. As soluções apresentadas são resultado do grupo de trabalho instituído em junho para tratar da transparência dos exames, depois da deflagração da Operação Tormenta pela Polícia Federal. Na época, o governo anunciou que tomaria algumas iniciativas para evitar os problemas e punir eventuais desvios. Só agora elas devem sair do papel.
Segundo o diretor-presidente do grupo Gran Cursos, Wilson Granjeiro, atualmente quem manipula concurso público acaba não sendo preso por falta da tipificação do crime no Código Penal. Mas, se a lei for aprovada nas comissões e nos plenários da Câmara e do Senado, o código será alterado, acrescentando as fraudes como crime. Dessa forma, tanto quem comprar como quem vender e entregar um gabarito sofrerá processo criminal. “Essa é a grande revolução dessa medida. Quem fraudar uma seleção será punido. Isso vai valer tanto para os corruptores quanto para os candidatos. A pena será de reclusão, que pode variar de dois a oito anos, além do pagamento de multa, obrigação de ressarcir os danos e outras medidas”, ressaltou.
Na avaliação do diretor da Academia do Concurso, Paulo Estrella, a principal estratégia diz respeito ao estabelecimento de critérios a serem seguidos pelos órgãos na contratação da empresa organizadora. “Hoje, muitas instituições escolhem quem vai promover o certame sem fazer licitação. É importante que haja uma concorrência que inclua todas as regras impostas pelo governo”, afirmou. “Precisamos saber se a estratégia vai chegar a esse desdobramento ou se é apenas uma manobra para o governo não ficar calado diante das fraudes.”
O professor destaca ainda a importância da fixação de um prazo maior entre a publicação do edital do concurso e a data da prova, hoje de 60 dias. “Não se pode determinar apenas o tempo mínimo. A demora também é péssima, pois os inscritos ficam desanimados, como no concurso dos Correios”, constatou. Para a concurseira Marisa Costa, 30 anos, o ideal seria um prazo de três meses. “Com isso, poderíamos nos preparar bem. Quanto mais rigor nas seleções, melhor para todos”, disse.
Anseios
Na visão do coordenador do Movimento pela Moralização dos Concursos Públicos (MMC) e diretor do Grancursos, José Wilson Granjeiro, as medidas correspondem aos anseios dos candidatos em todo o Brasil. “Elas corroboram nossas propostas, como o aumento do prazo entre o edital e a prova e a criminalização das fraudes. Vivemos um momento extraordinário na área de concursos e precisamos aproveitar isso”, afirmou.
O governo também quer que haja treinamento para todos os envolvidos na realização de concursos, o que inclui fiscais de provas e profissionais responsáveis pela posse e pelo transporte dos cadernos. “Muitas vezes, eles conversam, comem, atendem ao telefone e nos deixam ainda mais estressados. O esforço de anos pode se perder no momento da prova. O treinamento dos profissionais evitaria essas situações”, considerou a arquiteta e estudante Catarina Tokatjian, 33. A administração do Distrito Federal já havia anunciado medidas para coibir as fraudes nos concursos dos órgãos locais. Agora, a instância federal vai seguir o exemplo. (Colaborou Manoela Alcântara)
Providências
# Envio de proposta ao Congresso Nacional para criminalizar fraudes em concursos
# Fixação de prazo maior entre a publicação do edital e as provas
# Proposta de regulamentação da identificação dos candidatos por meio de impressões digitais
# Definição de orientações sobre a contratação de empresas organizadoras
# Determinação para que os contratos exijam treinamento de todos os envolvidos na realização do concurso público
# Determinação para que os editais especifiquem número mínimo e tipos de questões
# Proibição da saída de cadernos de provas antes dos 15 minutos finais do período previsto em edital
# Apuração mais rigorosa dos aprovados e da documentação por eles apresentada
# Uniformização dos procedimentos de segurança em todos os órgãos e entidades do Poder Executivo Federal
# Instituição de Câmara Técnica, para acompanhamento dos concursos públicos, formada por integrantes do Poder Executivo e da União
"Temos Sakinehs cristãs pelo mundo", diz jornalista americana
"Temos Sakinehs cristãs pelo mundo", diz jornalista americana
ANDRÉ LOBATO – FOLHA DE SÃO PAULO - 11/09/2010 - 02h30
Casos como os de Sakineh Ashtiani, a iraniana condenada a morrer apedrejada, ou a polêmica sobre a construção de uma mesquita em Nova York, demonstram que a perseguição a muçulmanos é bem documentada. Mas o Ocidente, paradoxalmente, ignora casos similares que afetam cristãos em outras partes do mundo.
A avaliação é da jornalista norte-americana Barbara Baker, 65, editora da agência de notícias Compass Direct, especializada em cobrir o tema.
Leia a íntegra da entrevista:
FOLHA- Como alguém em uma sociedade muçulmana decide se tornar cristão? BARBARA BAKER- Bom, primeiro por que é permitido. Acho que a Turquia é o único país de maioria muçulmana em que você pode mudar de religião --que fica impressa na carteira de identidade. E como é uma sociedade ocidentalizada, muitos já viveram na Europa, aprendem sobre o cristianismo e comparam. Uma família que se torna cristã reza junto, no islã homens e mulheres são separados. Para muitas partes da sociedade não é um problema, uma garota pode virar para os pais e dizer: 'virei cristã'. Mas em vilarejos seria um grande perigo.
FOLHA- Você acha que um padre é mais aberto ao questionamento? BAKER -Do que um mulema ou imã, sim. Tem muito mais ênfase em ler a bíblia na cristandade do que na Turquia. O Alcorão é em árabe e as traduções não são as palavras inspiradoras de Allah. Meu locador me disse: "Nunca vou aprender árabe, então serei sempre um muçulmano de segunda classe". Isso é uma diferença, a Bíblia é traduzida e existe um convite conjunto a todos os que tem fé a descobrirem juntos o que significa.
FOLHA- Que tipo de coisas acontecem ainda hoje na Turquia? BAKER- Lembro que logo que cheguei houve um caso de cristãos que foram presos e apanharam muito. Trabalhava numa agência de direitos humanos e meu editor disse que se eu tivesse documentos ele publicaria. Lembro de receber ligações durante nosso fechamento com vários cristãos dizendo "publique, queremos aparecer na história, é nosso direito constitucional". E os quatro casos ganharam facilmente na Justiça. Depois disso, muitos me ligavam quando eram presos. Uma vez no meu aniversario recebi uma festa com vários dos cristãos que eu havia visitado na prisão. Um casal de amigos foi preso na festa de casamento. E ficaram presos por uma semana apanhando.
FOLHA - Sua experiência é mais na Turquia, mas você conhece a situação em outros lugares? BAKER- Eu viajei repetidas vezes pelo Oriente Médio, África, Sudão, Ásia Central.
FOLHA- Você poderia nos levar para um passeio nessa região? BAKER- Nos últimos 20 anos tenho viajado a cada quatro, seis semanas. Em muitos desses lugares, se os vizinhos querem seduzir ou sequestrar as filhas de um cristão, não há muito o que ele possa fazer. As leis estão todas do lado da lei islâmica.
FOLHA- O Pew Forum tem um mapa interessante que mostra a intolerância religiosa das leis e das sociedades em diferentes países. Como são as coisas Índia e China? BAKER - Na Índia acho que o principal problema são os nacionalistas hindus. Não apareciam muito nas nossas notícias, mas de uns sete anos para cá aparecem tantas vezes que algumas pessoas pensavam que éramos uma agência indiana. Na China eles estão acostumados com a perseguição. Era contra o Estado acreditar em Deus. Era normal a prisão quase "qualificar" alguém a ser padre. Mas em países assim, como Irã e Arábia Saudita, há versões do Novo Testamento na internet.
FOLHA- Mas você pode construir uma igreja na China. BAKER - Ano passado construíram uma megaigreja. Mas ficou com tantos serviços todo domingo que, sem aviso, as autoridades vieram e demoliram tudo. Os perseguidores podem ser o Estado, um grupo político ou até mesmo outros cristãos.
FOLHA- E entre cristãos? BAKER- No Líbano tivemos um bispo católico que, tão dentro de suas memórias, resolveu derrubar uma igreja protestante. No Sudão, por exemplo, os heróis são os padres católicos, que resistiram contra a pressão do governo. E Ortodoxos no Egito, por exemplo.
FOLHA - Então, em vários países, a radicalização contra cristãos aumentou? BAKER- Sim. Veja na Turquia, são ultranacionalistas islâmicos. Na Turquia vem dos nacionalistas. Nos últimos cinco anos tivemos seis assassinatos realmente chocantes. Um padre, um jornalista armênio, dois turcos que convertidos e um alemão. Isso chocou a Turquia, por que os torturaram por várias horas e cortaram suas gargantas. E ficaram particularmente furiosos com os que haviam se convertido. E em junho deste ano o bispo líder católico foi morto por um sujeito que o esfaqueou até a morte gritando Allah. Os turcos não sabem o que fazer com isso. E sses três tiveram um dos maiores enterros de cristãos que já aconteceu no Oriente Médio. Quase 250 mil turcos muçulmanos andaram do lugar onde eles foram mortos até a catedral armena. E sua viúva disse as palavras de Cristo, "Pai, perdoai-vos por que eles não sabem o que fazem", e disse que perdoava o assassino. As viúvas o perdoaram. Um jornalista turco disse: "Isso é mais forte do que mil missionários trabalhando na Turquia por mil anos". Por que é um cultura da vingança, e eles não conseguem entender.
FOLHA - Sobre a cultura da vingança, você acha que é algo do momento? BAKER - Acho que fanáticos muçulmanos estão usando a religião e eles podem encontrar algumas referências úteis no livro. Eu não acho que meus vizinhos turcos são do tipo que querem me matar. Mas não sei o que eles pensam. Eles tentaram que eu virasse uma muçulmana porque é a última religião. O islã e o cristianismo são as duas únicas grandes religiões que querem converter as pessoas. O que dá muita notícia na Turquia é quando um cristão vira muçulmano. Como ocorreu no velório de um dos ativistas da flotilha de Gaza.
FOLHA- Seria como um choque entre duas religiões que querem converter a todos. Como cristã você quer evangelizar? BAKER- Meu sentido é o de perdão, e essa é a maior relação com Deus que eu posso ter. Eu sei que meus amigos turcos não acreditam que isso é possível. Por que é impossível ter certeza, no islã, de que ao cruzar aquela ponte você vai cair no inferno ou não. Só Deus pode saber. Eles acham que é arrogância dos cristãos pensarem que podem realmente saber. Mas eles não podem negar que eu experimento a paz. Eu os respeito. Talvez eles achem que eu sou cega por ter essa falsa certeza. Mas eu realmente acho que não, por que eles sabem que o nos guia no cristianismo não é a culpa, mas a resposta ao amor. Por que Deus sabia da minha inabilidade de merecer meu caminho no céu e se dispôs a tomar a pena em meu lugar.
FOLHA - Sobre esse choque, às vezes dá a impressão de que as pessoas estão se sentindo tão pressionadas pelo Ocidente que pedem para uma religião forte o suficiente que lhes de autonomia, proteção. BAKER- Na Turquia o Estado é secular. Como posso acreditar em democracia e direitos humanos e em um Estado secular que não impõe religião a ninguém. Se sou um bom muçulmano quero que eles se juntem.
FOLHA- Há casos de intolerância no Brasil em que cristãos acusam religiões afro-brasileiras de serem o demônio. Deve ser difícil acreditar em uma verdade e conviver com quem é o demônio. Será que isso não ocorre com o islã e o cristianismo: os modelos mentais não podem conviver no mesmo território? BAKER- Não acho que isso seja totalmente verdade. Não precisa ser. Tem de haver amor e respeito por outro ser humano. Que é o que aconteceu com os homens que foram mortos na Turquia. Eles eram gentis, não gritavam pelas ruas. Um deles tinha memorizado o Alcorão. Ele tinha muito respeito. Mas encontrou em Jesus amor e respeito. Não acho que deva haver esse choque, do tipo violento. Eu me lembro que a Tchetchênia foi o primeiro lugar em que escrevi sobre onde as pessoas estavam sendo decapitadas por causa de religião. E acho que isso possa ter acontecido há séculos atrás, eu não sei, por pessoas que se chamavam de cristãs e que queriam estender a religião. Mas não poderia ter acontecido por alguém que realmente entendeu as palavras de Jesus, por que é um convite, e não uma obrigação. Acho que há muita falta de compreensão. Vemos em Nova York um projeto de construção de uma mesquita no Ground Zero. Há pessoas que vão as ruas e dizem não, vocês são terroristas. Isso é um extremo. Hoje vivo mais tempo no Oriente Médio do que nos EUA. E quando saí dos EUA não havia nenhuma mesquita em meu Estado, Oregon. O que eu vejo que é um pouco de cegueira do mundo islâmico. Não há nenhum compromisso com reciprocidade. A Arábia Saudita vai algum dia permitir que uma igreja seja construída lá? Não. Isso seria uma violação da terra santa do islã. Mas eles tem mesquitas por todo o Ocidente. E eles ativamente convertem, especialmente mulheres americanas, a se casarem com muçulmanos. E elas são mais religiosas que os muçulmanos comuns. E por que alguns são extremistas, ficam com o nome sujo. Eu vi, por exemplo, como os americanos ficaram furiosos com os iranianos depois da revolução e a crise dos reféns.
FOLHA- Mas qual é seu ponto em relação à mesquita? BAKER- Entendo por que patriotas americanos estão chateados. Mas não acho o tema tão importante. E o que é, é a verdadeira liberdade religiosa, em todas as partes, em todos os lados. Há países construídos sobre liberdade religiosa. Como Brasil e EUA. Os que não o são, deveriam dar esse tipo de liberdade também? Acho que próximo do direito à vida, é um dos mais importantes para o ser humano. Uma vez conversei com um juiz do Egito que achava que não fazia sentido obrigar alguém a ficar no islã. Mas tinham guardas o protegendo, por que a Irmandade Muçulmana não gostava do que ele dizia.
FOLHA- Então o Ocidente é muito tolerante com a intolerância religiosa? BAKER- Eu não diria... Acho que são ingênuos. Há um tempo conversei muito com um líder paquistanês sobre o mundo muçulmano e seu objetivo de conquistar o mundo. Ele disse que estavam nessa direção. Havia alguns problemas na Argélia, por causa das guerras e matanças. E disse: "Isso não nos faz ficar bem mais ainda sim nós chegaremos ao poder na Algeria. Turquia, demorará mais tempo, teremos que ir devagar, mas chegaremos ao poder".Me chocam as notícias que leio do meu próprio país. Dois evangélicos que largaram as drogas e estão compartilhando sua fé na praia. Um cara se sente irritado e dá um tiro na cabeça deles. Faz alguns meses. Se fosse no mundo muçulmano eles estariam derrubando igrejas. Mas nem teve cobertura alguma na mídia americana. Em Detroit, há pouco tempo, dois caras foram presos por tentarem evangelizar em uma festa da comunidade árabe. A polícia disse que estavam sendo inoportunos. Isso é América ou o quê? Ser politicamente correto é ir para o outro lado: temos que ser muito cuidadosos pois os muçulmanos podem ficar bravos. A decisão Suíça sobre os minaretes... Naquela mesma semana na Turquia um cara foi a uma igreja ortodoxa e ameaçou de morte o padre caso ele não derrubasse um sino que está lá há séculos.
FOLHA - O Ocidente é muito frágil em defender sua história como sociedade cristã? BAKER- Não pode mais ser chamada de sociedade cristã. Tem raízes judaico-cristãs. Uma vez um padre muito sábio me disse que é impossível ter diálogo efetivo se você é inseguro em relação a suas próprias crenças. Na Turquia é muito interessante conversar com ulemas e imãs que realmente sabem o que o livro diz. Tão poucos sabem. A maneira como as religiões se relacionam muda ao longo da história. Judeus já foram melhor tratados entre muçulmanos do que entre cristãos. A liberdade religiosa é possível? É possível mas um pouco sobrenatural. É preciso ter o espírito do perdão. Conheci um homem que se converteu na prisão. Seu irmão ficou mais aborrecido dele ter se convertido do que ter sido parte da jihad. Você não estranharia a conversão ao islã de um cristão que frequenta a igreja todo domingo? Uma vez conheci uma americana que casou com um paquistanês e se converteu ao islã. Ela disse que ser católica não trouxe nada para ela. Aí me ocorreu de perguntar se ela era realmente lia a bíblia, se realmente conheceu Jesus. E ela admitiu que ia a igreja uma vez por ano. Então para mim existe o cristianismo folclórico como existe o islã folclórico, que tem muita superstição. O típico americano diria que é um cristão ou nada. Tem uma diferença entre quem frequenta a igreja e tem uma relação pessoal com Jesus.
FOLHA- A perseguição aos cristãos é diferente quando falamos de Estados ateus? Perseguem todas as religiões igualmente? BAKER- Não complemente. Comunismo e marxismo se deram conta muito cedo de que a Igreja era uma ameaça por que eles colocariam Deus acima do Estado. Mas eles não perseguem todas as religiões igualmente. Há um verso no Alcorão que diz que é válido mentir se isso serve ao propósito. Mas um cristão diria, eu enfrentarei as consequências de falar a verdade, nunca é honroso a Deus mentir. Então eu descobri que em algumas culturas islâmicas que eles não querem enfrentar os governos. Não vou dizer que é sempre o caso. Claro que há vários islâmicos aprisionados por terem ameaçado o governo.
FOLHA- Você é jornalista e tem uma bandeira. Você cobre sua própria tendência. BAKER- Eu não ataco nenhuma religião. Quero ser o mais precisa possível. Mas sei que tenho uma tendência. Quando me dizem que são imparciais eu digo, isso é impossível. Eu tenho o foco nos cristãos, mas quando vejo, por exemplo, o caso dos armadis, que são muçulmanos perseguidos, também publico. Lembro quando um evangélico ouviu do diretor da televisão em que trabalhava de que não poderia ser imparcial por sua religião, e ele respondeu: "E você, não votou na última eleição?" Sobre o caso Sakineh, teve muita crítica interna na Turquia, questionando por que o Brasil e não a Turquia, que está ao lado, tem que fazer isso. Embora muitos não gostem de que não haja mais pena de morte lá, por que o líder curdo está na prisão opinando nos assuntos curdos e muitos gostariam que ele já tivesse ido. Mas nunca concordariam com o apedrejamento.
FOLHA- Há 'sakinehs' cristãs ao redor do mundo? BAKER - Temos um problema terrível de morte por honra no interior da Turquia. Seja os que matam as próprias filhas ou os que as forçam a cometer suicídio. Por que o simples ato de paquerar um menino na escola pode destruir a honra de uma família. Uma mulher que escreveu um livro sobre o assunto mostrou que muitas vezes as mortes não são baseadas em fatos. Não acho que com apedrejamento. Mas sei que na Somália isso está acontecendo. Somalis que viram cristãos são decapitados. O chefe de nosso escritório da África viu isso acontecer. Isso já aconteceu na Arábia Saudita.
FOLHA- Você acredita que Obama seja um muçulmano? BAKER- Não acredito que ele seja um muçulmano, mas também não sei se ele é um cristão devoto. Não cabe a mim. Eu não fico surpresa que muitas pessoas pensem isso, por causa do pai dele e do nome Houssein. Muitos dos cristãos de direita dos EUA estão muito chateados por ele aparentemente agradar muçulmanos, como com a mesquita no Ground Zero. Mas também eu não concordava muito com o que o Bush dizia. E, apesar dele ter chamado o Islã de uma religião da paz, para o mundo muçulmano ele os atacou em nome dos cristãos.
FOLHA- Obama é amigo de mais do islã? BAKER- Ele quer ser. Seu primeiro discurso foi em Istambul, para o mundo muçulmano. Ele quer retirar as conotações religiosas, o que é muito difícil pois as sociedades islâmicas são muito religiosas, em oposição a América, tentando ser mais secular. E mesmo que tenhamos uma comunidade religiosa conservadora muito forte, o modelo mental do governo é muito diferente. Encontrei pessoas de embaixadas americanas por todo o mundo e eles são muito antirreligiosos. Não vivem numa sociedade religiosa e não sabem como é. Esse paquistanês que disse que o islã vai dominar o mundo, será uma vitória para a lei islâmica? Eu não sei quantos muçulmanos querem viver sobre a sharia. Mas não vejo um grande fluxo de pessoas indo viver na Arábia Saudita por suas normas extremamente restritas e sua maneira de se vestir. Um amigo foi preso lá por alguns meses sob a acusação de converter algumas pessoas. Ele disse que havia de 75 a 10 mil cristãos lá, mas eles não vão contar a ninguém que são cristãos, por que podem ser executados. Conheço um paquistanês que se converteu e fugiu para a Coreia, foram até lá e o mataram. Mas há cristãos que entram na Justiça, por exemplo no Egito, para afirmar seu direito de mudar de religião.
FOLHA- Você acha que guerras como do Iraque e do Afeganistão deram poder aos intolerantes? BAKER- Acho que era nossa de obrigação e direito como americanos dar uma resposta direta para essas pessoas que nos atacaram de uma maneira tão horrível. Mas o resultado foi muito custoso para os cristãos nessa parte do mundo. Por que as ações do Exército americano são vistas como um ataque dos cristãos. Ficou muito, muito difícil para os cristãos. Fico muito triste de ouvir que cristãos, que eu chamaria de fanáticos, planejam queimar o Alcorão. Alguns fazem isso em resposta a mesquita do Ground Zero. E muitos cristãos americanos estão contra isso e dizem: "Vocês percebem que imediatamente eles vão atacar igrejas e matar cristãos em vingança?". É tão ridículo e atrasado. É um efeito boomerang. É uma falta de compreensão de princípios básicos da cristandade. Já expliquei a vários muçulmanos, "você tem ideia o quão é uma blasfêmia para dizer você dizer que Jesus Cristo era apenas um profeta"? Por que ou ele era mentiroso, louco ou era Deus. Eles dizem que Deus permitiu a cristandade existir para fazer a revelação final depois. Mas eles não se dão conta de a Bíblia e o Alcorão não concordam em muitas coisas. Para mim, é blasfêmia. E eu não vou queimar uma mesquita por causa disso.
FOLHA- Você acredita que a tolerância religiosa depende de aceitar blasfêmias, como que Jesus é só um profeta? BAKER- Isso não atinge a minha fé. Eu entendo quem pensa assim, mas não vou ficar com raiva.
FOLHA- Mas não há partes na Bíblia ou no Alcorão que pede para você vingar seu Deus? BAKER- Na Bíblia não. Por que como disse uma das viúvas na Turquia, é que "uma das maiores vinganças é ver aqueles que mataram meu marido virem a Jesus". Eles vão ter três sentenças de vida consecutivas. E a viúva criando seus filhos sozinha disse que se sentia mal por eles. Ela pediu para visitá-los e as autoridades não deixaram. As crianças disseram na imprensa Turca: queremos levar uma Bíblia para eles, que poderão ir para o céu e dizer "desculpa papai".
Em meio a tensão, Obama pede tolerância
Em meio a tensão, Obama pede tolerância
Presidente norte-americano diz que país não está em guerra contra o islã e critica plano de queima do Alcorão
Entrevista coletiva também tem o objetivo de ajudar democratas na eleição congressual que será em novembro
ANDREA MURTA - DE WASHINGTON
O presidente norte-americano, Barack Obama, fez um apelo ontem durante uma entrevista coletiva na Casa Branca pela tolerância religiosa e união de todos os americanos -inclusive os muçulmanos-, repetindo que o país não está em guerra com o islã.
"Estamos em guerra com os terroristas e assassinos que perverteram o islã, roubaram seus princípios para cometer atos absurdos. [...] Não vamos ser divididos por religião ou etnia. Somos todos americanos."
Ele responsabilizou o momento de crise pelo aumento do ressentimento contra os muçulmanos nos EUA. "Quando o país está em geral ansioso e atravessando um período difícil, medos, suspeitas e divisões podem emergir."
Sua fala foi uma lembrança das tentativas de se aproximar do mundo muçulmano, uma promessa que ele tentou cumprir com discursos e ofertas de engajamento mas que não obteve tanto resultado até agora.
No Oriente Médio, sua popularidade não para de cair, com índices de visão favorável dos EUA mais baixos hoje do que ao final da Presidência de George Bush (2009).
Obama também voltou a criticar o plano de um pastor da Flórida de queimar o Alcorão hoje, no aniversário do 11 de Setembro. Ele acabou desistindo.
"Estamos vendo protestos no Afeganistão que ameaçam nossos soldados. Então temos a obrigação de dizer que esse tipo de comportamento coloca nossos homens em risco e é ferramenta de recrutamento da Al Qaeda."
Obama negou ainda que a atenção do governo ao caso tenha agravado a situação. O frenesi midiático em torno do pastor cresceu após comentários do general David Petraeus, comandante das forças dos EUA no Afeganistão, que alertou para os riscos.
"Na era da internet algo assim poderia causar profundo dano ao redor do mundo, e temos de ter seriedade."
O presidente afirmou querer evitar que o pastor inspire outros a pensar que "essa é uma forma de conseguir atenção".
POLÍTICA
Os comentários do presidente durante a coletiva de 75 minutos, a primeira desde maio e voltada principalmente para estimular a campanha democrata nas eleições para o Congresso, se voltaram também para a política externa e a economia.
Em relação ao Oriente Médio, Obama disse que pediu ao premiê israelense, Binyamin Netanyahu, que prolongue o congelamento dos assentamentos judaicos na Cisjordânia, que expira no próximo dia 26.
O fim do prazo coloca em risco as negociações diretas com os palestinos, retomadas com pompa em Washington no início do mês.
Obama defendeu esforços no Afeganistão e disse que o escrutínio sobre membros corruptos do governo local vem aumentando.
Ele também fez uma mea-culpa por não ter conseguido fechar a prisão de Guantánamo (Cuba) no primeiro ano de governo e disse que capturar líderes da Al Qaeda segue uma prioridade.
A economia foi alvo das declarações iniciais do presidente. Ele defendeu suas políticas fiscais.
O discurso teve tom claramente político e Obama desferiu golpes contra republicanos, acusando-os de "tomar o país de refém" com a obstrução a suas propostas.
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