terça-feira, setembro 28, 2010

Greice Ive - Seu Olhar

Enio, para a Gazeta de Alagoas


Mais indecisos e "marola verde"

Mais indecisos e "marola verde"
FERNANDO DE BARROS E SILVA - FOLHA DE SÃO PAULO - 28/09/10
SÃO PAULO - Aumentou muito a chance de que a eleição presidencial vá para o segundo turno. Há 15 dias, a vantagem de Dilma Rousseff sobre a soma dos demais adversários era de 12 pontos. Havia caído na semana passada para 7 pontos. Agora, conforme o Datafolha, ficou reduzida a dois pontos (46% a 44%). Dilma tem hoje 51% dos votos válidos. Sua trajetória é descendente e a eventual vitória no domingo já está na margem de erro.
Há, a rigor, dois movimentos simultâneos e combinados igualmente relevantes nessa fase final da campanha. O mais visível deles na pesquisa realizada ontem é a erosão da candidatura petista. Dilma perdeu três pontos em relação à pesquisa anterior e cinco pontos percentuais em menos de 15 dias (recuou de 51% para 46%).
Nem todos esses votos que sumiram da mesa petista foram parar na cesta dos adversários. O número de eleitores indecisos aumentou -de 5% para 7%-, quando seria mais esperado agora que diminuísse.
Parece óbvio que o desgaste de Dilma está relacionado ao escândalo envolvendo Erenice Guerra na Casa Civil ou, ainda, ao acúmulo de notícias negativas que rondam sua campanha desde que veio à tona a violação dos sigilos na Receita. Ou seja, uma franja do eleitorado de Dilma quer agora "pensar melhor".
Outra parte, ao que parece, "marinou". A marolinha verde, em curso desde pelo menos a semana passada, é o segundo fenômeno importante dessa reta de chegada. Depois de permanecer estacionada por muito tempo, Marina Silva passou de 11% para 14% em menos de 15 dias. É ela -e não Serra, estável nos 28%- quem tira votos de Dilma.
Isso reforça a percepção de que, além do apelo ambiental, a candidatura Marina representa também uma espécie de reserva ética, capaz de atrair, mais do que o tucano, a insatisfação de setores da esquerda (não só deles) diante dos desmandos cometidos pelo PT ou pelo governo Lula. Há, na ondinha verde, alguma ressaca da maré vermelha.

O "bom" e ultrapassado Imposto Sindical

O "bom" e ultrapassado Imposto Sindical
Paulo G. S. Périssé - VALOR ECONÔMICO - 28/09/10
Os trabalhadores brasileiros geralmente não se dão conta, mas faz mais de meio século, dedicam um dia de trabalho por ano para custear a estrutura sindical brasileira. Como um dos pilares desse modelo o chamado imposto sindical é exigido de todos os trabalhadores formais independente de sua filiação ao sindicato. Seu recolhimento é obrigação dos empregadores e a distribuição é atribuição do Ministério do Trabalho e Emprego. Tantas vezes combatido, especialmente pela vertente do novo sindicalismo nascido nas fábricas do ABC paulista nos anos 70, o fato é que mesmo após o advento da Constituição de 1988 e a ascensão ao poder dos movimentos que historicamente combatiam sua existência, parece surpreendente que sua manutenção persista. Por que esse estado de coisas e como se tornou um obstáculo à estruturação do sindicalismo legítimo e autônomo?
Na pista por tais respostas, em primeiro lugar, vale lembrar que o Brasil, como Estado integrante da Organização Internacional do Trabalho (OIT) até hoje não ratificou uma das convenções mais importantes relacionadas ao tema do direito sindical: a de número 87 que cuida da liberdade e da autonomia sindicais. Isso se deve, em parte, ao fato de nosso ordenamento jurídico, reformulado em 1988, estabelecer como princípio a liberdade sindical, por um lado, e, contraditoriamente, manter essa contribuição compulsória dos trabalhadores e a unicidade sindical, ou seja, a representação exclusiva dos trabalhadores dentro de uma base territorial balizada por lei.
Não fosse essa uma questão polêmica no campo político, com seus inusitados desdobramentos com as entidades sindicais alternando seus posicionamentos e sua ação, ora na defesa e ora postulando sua extinção, o fato é que tal contribuição tem se prestado à manutenção tardia da estrutura sindical constituída na longeva era Vargas.
A contribuição mantém a estrutura sindical constituída na longeva era Vargas
Isso talvez se explique porque a ideia original de sustentação econômica da estrutura armada pelos ideólogos do regime em muitos aspectos passou a ser funcional à manutenção do poder das altas cúpulas do movimento sindical. Pode-se especular que a possibilidade de controlar o movimento dos trabalhadores pelo alto, sem exigências ou pressões de maior monta oriundas da base do movimento justificam sua manutenção dentro de um horizonte de "liberdade e autonomia". A força dessa dinâmica ficou tão mais evidente quando da recente incorporação das centrais sindicais à estrutura jurídica então existente. Não apenas foram incorporadas, por sinal os fatos já há muito justificavam esse movimento, mas paradoxalmente passaram a postular nova contribuição arrecadada de toda a massa trabalhadora independente da filiação, sob novo rótulo - contribuição negocial.
O fato é que, justificada a persistência de tal modelo de financiamento por seus altos dirigentes e distanciada sua ação das bases com a perpetuação de verdadeiras castas sustentadas com contribuições compulsórias dos trabalhadores, criou-se no Brasil um forte obstáculo para a efetivação dos princípios da autonomia e da liberdade sindicais.
Mas se, por um lado, a estrutura revela fraturas com a fragmentação do movimento sindical já hoje beirando a casa das dez mil entidades, por outro se mantém os baixos níveis de filiação, no patamar inferior a 20% dos trabalhadores formais. Um resultado dessa dissociação entre o incremento do número de entidades e o baixo nível de trabalhadores filiados aos sindicatos, pode-se especular, aponta para a formação de novas cúpulas dentro do sindicalismo estimuladas pelo acesso aos recursos oriundos do imposto sindical, hoje em valores superiores a um 1 bilhão por ano. A fragmentação, nesse sentido, longe de significar o avanço rumo à efetiva aplicação dos princípios constitucionais mencionados, replica a lógica da separação entre as bases e as cúpulas do sindicalismo.
Essa dinâmica é dramatizada com a intervenção habitual do sistema judicial trabalhista que, chamado a lidar com o fato da fragmentação e sem parâmetros de ação, de uma forma ou de outra atua como elemento de preservação do modelo estruturante das relações coletivas de trabalho.
Percebe-se, portanto, como a manutenção da contribuição compulsória permite, de certa forma, a sobrevivência dessa estrutura cuja legitimidade junto aos seus representados é frontalmente contestada, como evidenciam os baixos níveis de filiação. Ao mesmo tempo não parecem existir vozes articuladas e organizadas no espectro político que se disponham a promover reformas significativas nesse campo. Há, ainda, uma aparente comunhão de interesses entre as cúpulas do sindicalismo brasileiro na manutenção desse cenário. Portanto, salvo novos ventos, que não parecem soprar mesmo em tempos de eleições presidenciais, o fato é que o sindicalismo de cúpula ganhou novo impulso com o modelo híbrido criado a partir de 1988. Por um lado adotamos os princípios constitucionais da liberdade e da autonomia sindicais e, por outro, paradoxalmente, mantivemos o vértice da estrutura montada no período Vargas.
Paulo Guilherme Santos Périssé é professor de direito do trabalho no IBMEC-RJ, especialista em administração Judiciária pela FGV, mestre e doutorando IUPERJ, Juiz do Trabalho no Rio de Janeiro

Rafa Camargo, para Charge Online


O continuísmo

O continuísmo
Ilimar Franco - O Globo - 28/09/2010
As pesquisas indicam, a uma semana das eleições, que os governos bem avaliados vão triunfar. Os bons governantes, independentemente de partido, estão se reelegendo ou fazendo o sucessor. O presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, diz que essa lógica beneficia Dilma Rousseff, Geraldo Alckmin, Antonio Anastasia, Sérgio Cabral, Marcelo Déda, Jaques Wagner e André Puccinelli, entre outros; e prejudica Ana Júlia e Yeda Crusius.
O governismo nas eleições legislativas
Nas eleições para a Câmara e o Senado, os candidatos dos partidos que apoiam o governo Lula estão levando vantagem sobre os da oposição. O fenômeno não beneficia apenas os petistas, mas todos os aliados. Montenegro cita exemplos da força do governismo nas eleições para o Senado: Vanessa Grazziotin (PCdoB) superou o líder do PSDB, Arthur Virgílio (PSDB), no Amazonas; o presidente da CNI, Armando Monteiro (PTB), passou o ex-vice-presidente Marco Maciel (DEM), em Pernambuco; Ciro Nogueira (PP) superou Mão Santa (PSC), no Piauí; e a liderança de Lindberg Farias (PT) nas eleições do Rio de Janeiro
Não é lulismo, é continuísmo onde está bem. No Executivo, o eleitor não quer arriscar. No caso do Congresso, não há petismo, há governismo” — Carlos Augusto Montenegro, presidente do Ibope
A TURMA DA CULTURA. A cineasta Tizuka Yamasaki apareceu na TV pedindo votos para Paulo Rocha (PT), candidato ao Senado pelo Pará. Ele está ameaçado pela Lei do Ficha Limpa. Também apareceram na propaganda o ex-ministro da Cultura Gilberto Gil e o atual, Juca Ferreira. “Em Brasília, eu conheci o Paulo, defensor do meio ambiente e, principalmente, defensor da cultura, que foi o motivo que nos aproximou”, disse Tizuka.
Cipó de aroeira
A candidatura de Heloísa Helena (PSOL) ao Senado por Alagoas está afundando. São fatais os vídeos, exibidos no horário eleitoral, onde ela xinga o presidente Lula quando era senadora. Benedito de Lira (PP) é o grande beneficiário.
O articulador
Foi o deputado Antônio Palocci (PT-SP), da coordenação da campanha de Dilma, quem fez toda a costura para que o candidato do PP ao governo paulista, Celso Russomano, anunciasse que apoiava a petista na eleição presidencial.
Marco Maciel aposta no medo
Com sua reeleição ameaçada, o senador Marco Maciel (DEMPE) recorreu à tática do medo. Sua palavra de guerra nesta reta final da campanha é: “Não troque o certo pelo duvidoso”. Na propaganda na TV, um “professor” dá o seguinte depoimento: “Eu sempre digo aos meus alunos que a História não perdoa.
Que um erro de um dia pode custar anos de arrependimento.
A História da Humanidade foi escrita com grandes homens. Por isso eu não troco o certo pelo duvidoso.”
O cabo eleitoral dos comunistas
Sob fogo cruzado em São Paulo, o candidato do PCdoB ao Senado, o cantor Netinho de Paula, está sendo convocado para pedir votos para candidatos comunistas de outros estados. Já gravou para a TV para os candidatos ao Senado Vanessa Grazziotin (PCdoBAM), Edvaldo Magalhães(PCdoBAC), entre outros. No vídeo que faz para Vanessa, ele diz: “Ô, minha galera querida do Amazonas! Olha, eu sou um grande amigo dessa guerreira que é a Vanessa.”
SURPRESA. Especialistas em eleições, avaliando os dados mais recentes da disputa em Alagoas, dizem que o ex-presidente e senador Fernando Collor (PTB) pode ficar de fora do segundo turno.
JÁ JÁ. Candidato à reeleição, o senador José Agripino (DEM-RN) se autointitula “Já Já” na campanha. Sua propaganda diz: “Deixa Agripino no Senado. Deixa o meu Já Já.”
RÓTULOS. O presidente do PV-RJ, Alfredo Sirkis, definiu Plínio de Arruda Sampaio, candidato a presidente pelo PSOL, como um “Tiririca presidencial”.

Guerra cambial

Guerra cambial
Celso Ming - O Estado de S. Paulo - 28/09/2010
Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, queixou-se, com razão, das guerras comercial e cambial que se travam hoje no mundo e de suas graves consequências para a economia brasileira, especialmente para a competitividade da indústria.
E Mantega, também com razão, adverte que o Brasil não pode continuar exposto à flutuação cambial enquanto ao redor do mundo grandes competidores do País mantêm o valor de suas moedas artificialmente desvalorizadas para aumentar seu poder de fogo.
Também ontem, no New York Times, o comentarista Anatole Kaletsky avisou que os principais países asiáticos (e não só a China) praticam protecionismo cambial e que, por isso, "culpar a China não ajuda a economia".
Mantega já não se atreve a segurar o dólar no gogó. Entende que terá de levar o tema para discussão dos líderes globais na próxima reunião do G-20. "O câmbio flutuante é o melhor sistema, desde que seja flutuante para todo o mundo", disse.
Por trás desse problema está a crise financeira que mantém prostrada a economia e que levou os grandes protagonistas para essas guerras. E, num nível mais fundo, está a desordem monetária global que, em 1971, se seguiu à ruptura do sistema de Bretton Woods, erigido em 1944.
Há três conferências do G-20 programadas para este ano. Das duas primeiras (7 de outubro em Washington e 21 a 23 de outubro em Gyeongju - Coreia do Sul) participarão apenas ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais. Na terceira, 11 e 12 de novembro, em Seul, comparecerão os chefes de Estado.
Parece improvável que dessas reuniões saia a nova ordem mundial ou uma política cambial coordenada. Esse é o tipo de doença que precisa piorar muito antes de provocar consenso para o tratamento que leve à cura.
Isso posto, é mais provável que o problema tenha de ser enfrentado na base do cada um por si. Assim, seria preciso criar condições para que o Brasil possa administrar sua política cambial sem colocar em risco a estabilidade da casa.
China, Japão, Coreia do Sul, Cingapura e Taiwan podem se dar ao luxo de defender seu câmbio por meio de compras maciças de moeda estrangeira porque têm alto índice de poupança. Assim, podem usar os recursos em moeda local provenientes dessa poupança sem que esse despejo de moeda na economia produza desordem e inflação.
Os Estados Unidos, por sua vez, mesmo que estejam com a economia desequilibrada por dois rombos, o orçamentário e o de suas contas externas, ainda podem manobrar para desvalorizar o dólar sem provocar uma brutal rejeição, porque detêm a quase única moeda de reserva.
O Brasil não tem essa autonomia. Se tiver de intensificar as compras de dólares, acabará injetando muito dinheiro vivo no mercado. Para que essa dinheirama não produza inflação, terá de vender títulos de dívida pública na mesma proporção para que os compradores desses títulos devolvam os reais para o Banco Central.
Ora, o único jeito de evitar que esse aumento da dívida não provoque rejeição por parte dos credores é desenvolver um programa com dois pontos: (1) impor uma sólida disciplina fiscal que, ao mesmo tempo, reduza a dívida pública e ajude a derrubar os juros; e (2) levar adiante as reformas para baixar o custo Brasil, garantindo mais competitividade para o produto industrializado.
CONFIRA
O dito pelo não dito
Há algumas semanas, o ministro Guido Mantega garantia que a emissão de títulos da dívida pública para transferi-los do Tesouro para o BNDES, de maneira a poder aumentar suas condições de financiamento, tinha acabado definitivamente.
Mais R$ 30 bi
No entanto, ontem, o Tesouro transferiu mais R$ 30 bilhões em títulos públicos para o banco. Desta vez, a operação não foi feita com a intenção de aumentar o volume de recursos do BNDES destinado ao financiamento. Foi feita para que o BNDES comprasse ações da Petrobrás para que a União pudesse aumentar sua participação no capital da empresa.
O trabalhador não pode
Ou seja, o BNDES tomou recursos por empréstimo do Tesouro para que pudesse com eles comprar ações da Petrobrás. Enquanto isso, ao trabalhador não acionista que tem um saldo no Fundo de Garantia não foi permitido que usasse esses recursos para comprar ações da mesma Petrobrás.

SPONHOLZ


Inimiga oculta

Inimiga oculta
Renata Lo Prete - Folha de S. Paulo - 28/09/2010
Na véspera da divulgação de um Datafolha que aponta nova redução da vantagem de Dilma Rousseff sobre a soma dos adversários, a petista inaugurou domingo, no debate da TV Record, um repertório crítico a Marina Silva (PV), que subiu de 11% para 14% e virou peça-chave para forçar um eventual segundo turno, mesmo que nele venha a estar José Serra (PSDB).
A lembrança de denúncias que atingiram o Ministério do Meio Ambiente e a cobrança de soluções para os problemas apontados por Marina foram discutidas previamente no QG dilmista, mas não há consenso sobre o que fazer agora. A necessidade de desconstruir o discurso "marineiro" foge ao roteiro inicial do PT.
São Pedro Choveu forte tanto no primeiro comício da campanha de Dilma, em julho, na Candelária, quanto no último, ontem, no sambódromo paulistano.
Monástica Antes do Datafolha, o plano era dar a Dilma, a partir de hoje, quase todo o tempo para se preparar para o debate de quinta na Globo. No mais, ela faria a aparição do dia para o "JN" e uma ou outra atividade.
Oremos O PT lançará ofensiva para conter o que classifica como "onda de boataria" voltada a eleitores católicos e evangélicos. As mensagens atribuem a Dilma a defesa do aborto e do casamento homossexual. A campanha disseminará na rede declarações recentes da candidata sobre esses temas.
Viva o Gordo Estranha ao eleitorado mais jovem, a expressão "numa nice", usada aqui e ali por Serra, remete a Bo Francineide, atriz de pornochanchada interpretada por Jô Soares no início dos anos 80. "Eu transo o corpo numa nice" era a assinatura da desinibida personagem.
A propósito A cinco dias da eleição, o governador Alberto Goldman (PSDB-SP) comanda hoje dois eventos que materializam promessas de Serra: a inauguração do ambulatório de especialidades de Itupeva e a demolição do cadeião de Jundiaí.
Pecado alheio E-mail disparado às 15h47 de ontem da Secretaria Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência pede apoio ao recém-lançado Manifesto em Defesa da Democracia, que aponta uso da máquina pública por Lula em favor da candidatura de Dilma. O governo tucano alega que a mensagem foi remetida "indevidamente" por um funcionário.
Caminho suave Mesmo que Tiririca (PR) fosse impedido de tomar posse sob a alegação de analfabetismo, seus votos seriam validados e migrariam para a legenda, informa a Procuradoria Eleitoral. Ou seja, se tivesse a diplomação barrada pela Justiça, o palhaço asseguraria mais cadeiras a candidatos do PT, ao qual está coligado.
Bioma Fábio Feldman (PV), que tabelou com Geraldo Alckmin nos debates para o governo paulista, telefonou ao também tucano Aloysio Nunes para anunciar que lhe dará seu segundo voto para o Senado. O primeiro é do verde Ricardo Young.
Estiagem de votos No Amazonas, dirigentes partidários temem alta taxa de abstenção devido ao baixo nível dos rios, que dificulta a locomoção de eleitores em áreas ribeirinhas. Aliados de Alfredo Nascimento (PR), bem atrás de Omar Aziz (PMN) nas pesquisas, esperam lucrar com o fenômeno.
De saída No Rio Grande do Norte, é dado de barato que Rosalba Ciarlini, favoritíssima para o governo, dificilmente permanecerá no DEM depois de eleita. Sua campanha transbordou os limites do partido, e ela emergirá das urnas maior do que o padrinho José Agripino.
Tiroteio
"Sou obrigado a concordar com o Skaf: juntar-se ao Mercadante e ao Russomanno contra o Alckmin só podia dar zebra."
DO DEPUTADO DUARTE NOGUEIRA (PSDB-SP), sobre o animal usado na propaganda do candidato do PSB ao governo, que tem 4% no Datafolha.
Contraponto
Tapete vermelho
Petistas e ex-ministras, Benedita da Silva e Nilceia Freire conversavam animadamente enquanto conferiam os respectivos trajes no estúdio da TV Record, no Rio, antes do debate presidencial de domingo. O ritual, explicaram, se deve ao fato de ambas possuírem um conjunto branco idêntico. Alguém perguntou a Benedita como evitar o efeito "par de vasos", e ela disse:
-Não tinha risco. Hoje era a minha vez!
Nilceia completou:
-Telefonei antes pra checar com a Benedita. Assim afastamos qualquer coincidência indesejável...

Justiça francesa reconhece crime na queda do voo 447

Justiça francesa reconhece crime na queda do voo 447
ANDREI NETTO - Agência Estado
As famílias das 228 vítimas do voo Air France AF-447, desaparecido no Atlântico em 31 de maio de 2009 ao realizar a rota entre Rio de Janeiro e Paris, não precisam mais esperar pelo fim das investigações francesas para buscar uma indenização legal. O Tribunal de Grande Instância de Var, no sul da França, reconheceu hoje a "existência de um crime" no desastre, que foi definido como "homicídio involuntário" - sem intenção de matar - pela Justiça.
De acordo com a sentença provisória, os problemas ocorridos com os sensores de velocidade (pitot) da marca Thales AA em voos anteriores ao AF-447 são suficientes para configurar um crime. Erros de aferimento da velocidade em aviões Airbus equipados com as sondas já haviam sido verificados mais de uma dezena de vezes antes do acidente, entre eles pela companhia Air Caraïbes.
Os técnicos da empresa haviam, então, alertado a Airbus, fabricante da aeronave, que o entupimento dos sensores pelo gelo poderia resultar uma cadeia de falhas nos sistemas de navegação do avião. "A coexistência de falhas anteriores e a falha constatada na noite do acidente, afetando as duas sondas pitot, são suficientes para indicar a existência de um crime caracterizando delito de homicídio involuntário", diz a sentença.
Ainda de acordo com o veredicto, não é preciso aguardar as investigações em curso no Escritório de Investigação e Análise para a Aviação Civil (BEA) e no Ministério Público de Paris para reconhecer a implicação dos sensores de velocidade entre as causas do acidente. "Não é nem necessário, nem mesmo oportuno, esperar o resultado das investigações penais em curso", diz o Tribunal de Var.
O juízo decidiu ainda que o Fundo de Garantia das Vítimas de Terrorismo e outras Infrações, mantido pelo governo da França, deve indenizar a família da aeromoça franco-argentina Clara Mar Amado em 20 mil euros, sendo 10 mil para o pai da vítima e outros 10 mil para um irmão.
Decisão inédita
A decisão de não aguardar pelos resultados da perícia é inédita na Justiça francesa e abre um precedente para que outras famílias de vítimas peçam a indenização. O valor, contudo, ainda deve ser objeto de discussão, já que algumas famílias pedem centenas de milhares de euros em reparação. O acidente do voo AF-447 é avaliado por especialistas em seguros de acidentes como um dos mais caros da história da aviação, podendo chegar a 700 milhões de euros.
Mais do que atribuir um valor à família de uma das vítimas, a sentença põe em xeque o argumento das autoridades de aviação civil da França, que até aqui afirmavam que, sem a descoberta das caixas-pretas - perdidas no Atlântico junto com os destroços do avião -, jamais seria possível descobrir as causas do desastre.
Desde que o jornal O Estado de S. Paulo revelou as mensagens automáticas enviadas pelo Airbus A330 antes de sua queda, a hipótese de falha das sondas Pitot Thales AA é considerada por especialistas independentes da França como a mais provável para explicar o acidente.

Lions Gate Bridge, Vancouver

Photograph by Mathieu Dupuis

Trecho Poema Sujo de Ferreira Gullar

Trecho Poema Sujo de Ferreira Gullar

"turvo turvo
a turva
mão do sopro
contra o muro
escuro
menos menos
menos que escuro
menos que mole e duro menos que fosso e muro: menos que furo
escuro
mais que escuro:
claro
como água? como pluma? claro mais que claro claro: coisa alguma
e tudo
(ou quase)
um bicho que o universo fabrica e vem sonhando desde as entranhas
azul
era o gato
azul
era o galo
azul
o cavalo
azul
teu cu
tua gengiva igual a tua bocetinha que parecia sorrir entre as folhas de
banana entre os cheiros de flor e bosta de porco
aberta como
uma boca do corpo (não como a tua boca de palavras) como uma
entrada para
eu não sabia tu
não sabias
fazer girar a vida
com seu montão de estrelas e oceano
entrando-nos em ti
bela bela
mais que bela
mas como era o nome dela?
Não era Helena nem Vera
nem Nara nem Gabriela
nem Tereza nem Maria
Seu nome seu nome era...
Perdeu-se na carne fria
perdeu na confusão de tanta noite e tanto dia
perdeu-se na profusão das coisas acontecidas
constelações de alfabeto
noites escritas a giz
pastilhas de aniversário
domingos de futebol
enterros corsos comícios
roleta bilhar baralho
mudou de cara e cabelos mudou de olhos e risos mudou de casa
e de tempo: mas está comigo está
perdido comigo
teu nome
em alguma gaveta
Que importa um nome a esta hora do anoitecer em São Luís
do Maranhão à mesa do jantar sob uma luz de febre entre irmãos
e pais dentro de um enigma?
mas que importa um nome
debaixo deste teto de telhas encardidas vigas à mostra entre
cadeiras e mesa entre uma cristaleira e um armário diante de
garfos e facas e pratos de louças que se quebraram já
um prato de louça ordinária não dura tanto
e as facas se perdem e os garfos
se perdem pela vida caem
pelas falhas do assoalho e vão conviver com ratos
e baratas ou enferrujam no quintal esquecidos entre os pés de erva-cidreira e as grossas orelhas de hortelã

quanta coisa se perde nesta vida
Como se perdeu o que eles falavam ali
mastigando
misturando feijão com farinha e nacos de carne assada
e diziam coisas tão reais como a toalha bordada
ou a tosse da tia no quarto
e o clarão do sol morrendo na platibanda em frente à nossa
janela
tão reais que
se apagaram para sempre
Ou não?
Não sei de que tecido é feita minha carne e essa vertigem
que me arrasta por avenidas e vaginas entre cheiros de gás
e mijo a me consumir como um facho-corpo sem chama,
ou dentro de um ônibus
ou no bojo de um Boeing 707 acima do Atlântico
acima do arco-íris
perfeitamente fora
do rigor cronológico
sonhando
Garfos enferrujados facas cegas cadeiras furadas mesas gastas
balcões de quitanda pedras da Rua da Alegria beirais de casas
cobertos de limo muros de musgos palavras ditas à mesa do
jantar,
voais comigo
sobre continentes e mares
E também rastejais comigo
pelos túneis das noites clandestinas
sob o céu constelado do país
entre fulgor e lepra
debaixo de lençóis de lama e de terror
vos esgueirais comigo, mesas velhas,
armários obsoletos gavetas perfumadas de passado,
dobrais comigo as esquinas do susto
e esperais esperais
que o dia venha
E depois de tanto
que importa um nome?
Te cubro de flor, menina, e te dou todos os nomes do mundo:
te chamo aurora
te chamo água
te descubro nas pedras coloridas nas artistas de cinema
nas aparições do sonho

- E esta mulher a tossir dentro de casa!
Como se não bastasse o pouco dinheiro, a lâmpada fraca,
O perfume ordinário, o amor escasso, as goteiras no inverno.
E as formigas brotando aos milhões negras como golfadas de
dentro da parede (como se aquilo fosse a essência da casa)
E todos buscavam
num sorriso num gesto
nas conversas da esquina
no coito em pé na calçada escura do Quartel
no adultério
no roubo
a decifração do enigma
- Que faço entre coisas?
- De que me defendo? (...)"

Skoob

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