quinta-feira, novembro 11, 2010
'Joi d'amor'
'Joi d'amor'
Francisco Bosco – O Globo – Segundo Caderno
A excepcionalidade de se escrever uma "letra de música" sem música é que se mira num alvo que não existe
Em sua coluna do sábado passado, José Miguel Wisnik comentou minha coluna anterior, intitulada “Um gênero absurdo”. Antes de passar ao comentário, propriamente, ele se diz “acostumado a acompanhar os argumentos construídos e equilibrados do colega de coluna”, e define o que venho fazendo aqui neste espaço como “a criação de um gênero próprio que poderíamos chamar de ‘alta ajuda’, que eu admiro e invejo”. Wisnik é um de meus mestres, e saber que um mestre está me lendo assim, atento ao sentido geral do que venho escrevendo, é um contentamento que eu não poderia, nem desejaria, disfarçar. Isso é o mais importante para mim, pessoalmente, no que ele escreveu. Entretanto, a coluna dele, bela e exata no tocante a seus próprios argumentos, revela que o argumento central do meu texto não lhe ficou claro. Vou retomar o problema para tentar dirimir o mal-entendido.
Logo em seu primeiro parágrafo, Wisnik escreve: “Esta semana Francisco Bosco escreveu aqui sobre a canção como gênero absurdo.
Ele se referia à situação estranha de escrever um tipo de poema, a letra de canção, que não se basta como tal mas que tem que virar música, que se destina a outra coisa e que, por isso mesmo, deixa a sensação (em quem a escreve?) de não lugar, de incompletude.” Um pouco adiante, Wisnik escreve: “(...) Estranhei com interesse a sua ênfase meio deslocada no absurdo do gênero canção como um impossível de gozo.” Reli minha coluna após ler o comentário de Wisnik. Em nenhum momento falo da canção como gênero absurdo.
O que procuro delimitar e definir é a prática, cuja repetição me permitiu chamá-la de gênero, que consiste em os letristas escreverem um texto e oferecerem-no a um músico cancionista, dizendo-lhe “Fiz uma letra para você musicar”, e esperando que lhe devolvam uma canção. Portanto, o que chamei de gênero absurdo designava especificamente essa situação: a escrita de um texto, chamado pelos letristas de “letra”, sem que haja música, isto é, na ausência desta, antecipando-a, convocando-a, imaginando-a.
O absurdo é, em primeiro lugar, teórico. Na situação específica de que estou tratando, os letristas escrevem um texto que chamam de letra.
Ora, o que define o gênero letra de música é o seu copertencimento, junto à música, numa totalidade, que é a canção.
Esse copertencimento só passa a existir quando existe a canção. Antes disso, sem isso, não se pode chamar um texto de letra de música. (Depois disso, pode-se: se lemos, num livro, a letra de “Vai passar”, dizemos, com razão, tratar-se de uma letra de música, pois a música existe, ainda que, naquele momento, apenas na memória.) O absurdo é também prático.
Como se pode escrever algo que só se realiza plenamente fora de si, junto a um outro, a música, que contudo não existe (ainda)? O que normalmente acontece é que os letristas escrevem um texto que acreditam ter características de letra de música: maior redundância semântica e estrutural, sintaxe direta, registro coloquial. Isso é pertinente da perspectiva da experiência, pois a maior parte do cancioneiro popular é assim.
Mas não o é do ponto de vista teórico, pois “O estrangeiro”, de Caetano Veloso, não é assim, “Quilombo”, de João Bosco e Aldir Blanc, também não, e tantas outras.
Teoricamente falando, qualquer texto pode ser musicado e tornar-se canção. O próprio Wisnik transformou em (esplêndida) canção um denso poema de Drummond. A definição teórica de canção é o copertencimento de palavras e sons. Copertencimento não designa apenas coabitação.
Declamar um texto sobre uma base musical não faz canção. Para haver canção, é preciso haver uma relação de recíproca transformação entre palavras e sons, que viram uma coisa só.
Wisnik comenta: “Não acho que os cancionistas que fazem música e letra, isto é, não o poema para uma música que ainda não existe mas a letra para uma música que existe enquanto está sendo feita, partilhem o sentimento de algo que nunca se completa.” Concordo totalmente. Mas, repito, a experiência incompleta a que me referi é a da situação específica de se escrever uma “letra de música” sem música, sendo que a única coisa que torna um texto, qualquer que seja ele, uma letra de música é a música.
Isso é o absurdo da situação: escreve-se tendo em mente traços positivos — tanto usando uma linguagem mais redundante, quanto supostamente mais “rítmica”, mais “musical” —, sendo que só a música pode tornar aquele texto uma letra de música, a despeito de quaisquer traços positivos. Como se sabe, Chico Buarque transformou em canção o poema mais famoso do poeta mais famoso por sua antimusicalidade.
Wisnik diz ainda que não me estendi “sobre a experiência de fazer letra para uma música já existente, que é a tendência mais comum na música popular”. Ora, é a mais comum justamente porque é a mais pertinente (junto, claro, com fazer letra e música ao mesmo tempo).
Quando se faz letra para uma melodia, ou letra e melodia juntos, ou mesmo quando se faz música para um texto, transformando-o em canção — em todos esses casos os elementos estruturais necessários à canção estão presentes.
Cria-se com a referência da totalidade final. Pode-se, por isso, chegar a algum lugar.
A excepcionalidade de se escrever uma “letra de música” sem música é que se mira num alvo que não existe.
Por falta de espaço não poderei desenvolver uma questão decisiva que ressai disso tudo: por que fazer uma melodia sem letra, antes da letra, mas para ela, não parece uma prática absurda?
Abaixo, a CRÔNICA objeto da análise acima:
Um gênero absurdo
Francisco Bosco – O Globo – Segundo Caderno
Letra e música são os fios com que se tece o corpo final da canção
Como erigir o precário? Como produzir deliberadamente o inacabado e, ao mesmo tempo, dá-lo em algum momento por acabado? Que critério pode presidir a decisão sobre o acabamento do inacabado? Como determinar o indeterminado, definir o indefinido, concluir aquilo que entretanto tem como horizonte um estado final de incompletude? São esses paradoxos que conferem à letra de música escrita previamente à música um estatuto de gênero absurdo — cuja frequente realização em nada dissolve seu impasse estrutural.
O que diferencia, da perspectiva teórica, a letra de música e o poema é que aquela possui caráter heterotélico, ao passo que este, autotélico: a letra de música é sempre e necessariamente letra para música, tem como finalidade as reciprocidades estruturais de sentido que perfazem a totalidade estética da canção, enquanto o poema tem a si mesmo como finalidade. Não importa em que ordem cronológica foram feitas letra e música — se antes a letra, se antes a música, ou se ao mesmo tempo —, pois no tempo estético da canção elas são sempre simultâneas. Quando o letrista escreve a partir da melodia, leva em conta sua estrutura prévia, a fim de fazer uma letra para essa melodia; do mesmo modo o compositor, quando faz a música a partir de uma letra, compõe a música para essa letra: no momento em que a letra é feita para a música, a música torna-se para a letra — e vice-versa.
Esse para, em que reside o núcleo estrutural da canção, designa uma finalidade compartilhada: o objetivo da letra de música é pôr de pé a canção, letra e música são os fios com que se tece o corpo final da canção.
Já com o poema é diferente: ele tem por objetivo pôr-se de pé sozinho, através de seus próprios recursos.
Todo poeta sabe que um poema está pronto quando ele finalmente se põe de pé sobre a página.
Há um momento em que o poeta sente que pode largá-lo e ele não desabará. Às vezes tiram-se-lhe as mãos e contempla-se-o ereto, incontornável; outras vezes, quando largado, ele titubeia como um joão-bobo, e então, trabalho de rasuras e emendas, é preciso colocar-lhe calços, descobrir suas zonas de desequilíbrio, de fragilidade. O poema dirige-se à sua própria completude, a seu acabamento, à sua determinação. Do poema só se pode dizer que seja o avesso de tudo isso — aberto, incompleto, indeterminado — da perspectiva de seu sentido, de sua produção de enigma, não de uma perspectiva estrutural: a estrutura deve ser acabada, fechada em si, definida. É essa combinação, em níveis diversos, do precário e do sólido, do aberto e do fechado que faz com que o poema almeje ser enfim um “claro enigma”.
Mas a letra de música feita previamente à música uma vez que se dirige ao acabamento, não de si, mas da canção, e entretanto não conta ainda com a parte (a música) junto à qual, através das operações do para recíproco, formaria a totalidade da canção, não possui em seu processo de escrita nenhum critério confiável que possa assegurar o seu estar-pronta.
Como escrever uma letra para algo que todavia não há (ainda)? Aí começam as agruras: tenta-se adivinhar o que pode ser “musicável”, recusa-se o acabamento estrutural (isso seria escrever um poema), procura-se manter um certo estado de indefinição estrutural (pois caberá à música completar essa estrutura), sem contudo saber em que medida, pois o que daria a medida não há.
Em geral o que acaba operando como critério de orientação para a escrita desse gênero absurdo que é a letra de música antes da música é algo da ordem de uma economia restritiva: julga-se estar escrevendo uma letra quando se utiliza de maior redundância, sintaxe mais direta, menor densidade semântica, tomando essas características como propiciadoras daquela indeterminação estrutural que visa à sua locupletação pela música. Se tal estratégia tem lá a sua pertinência teórica e histórica (funda-se numa compreensão correta da heterotelia da canção e num conhecimento das formas mais habituais da tradição cancional brasileira), incorre entretanto no impasse efetivo de escrever mirando num ponto que não existe. Talvez seja nesse contexto que se deva compreender a declaração de método de Chico Buarque: “Eu faço a letra para a música que já existe.
Então muitas vezes eu faço isso comigo mesmo. Quer dizer, a música fica pronta, não aparece nada, não aparece nenhuma ideia de letra num primeiro momento; mais tarde eu vou preencher aquelas notas. De qualquer forma, a letra nunca é anterior à música.” Pois tão logo alguém se lança nesse estrambótico gênero, ou desiste rapidamente, ou chega a um fim que não termina, que não se declara, que não nos liberta da escrita, que paradoxalmente se adia: um fim que, findo, contudo se prolonga, votando-se à música que pode ou não efetivar seu fim como fim estético: acabamento, definição, pôr-se de pé. Se, como escreve o poeta Armando Freitas Filho, “um poema termina com um corte brusco de luz”, uma “letra1” sem música é escrita sob um céu cinza pálido que não admite contrastes.
Daí o mal-estar incontornável desse gênero: sente-se que afinal escreveu-se pouco, em sentido obviamente não quantitativo — algo como uma ejaculação precoce ou um coito interrompido: trata-se de um gênero que proíbe o gozo.
Ou que pelo menos o situa num lugar incerto e longínquo: a canção, uma vez surgida através da música que se sobrepôs à letra.
Mas aí o absurdo se estende e se agrava: é como um gozo exterior a seu corpo, que se consumou in absentia.
Faltou transparência
Faltou transparência
Sonia Racy - O Estado de S. Paulo - 11/11/2010
No meio da tarde de anteontem, esta coluna descobriu que o Banco Central anunciaria fraude em banco de médio porte pós-pregão da Bovespa, assim que o mercado fechasse. Cautelosa, colocou no site da sua versão on-line a informação de que o BC faria um anúncio de peso depois do fechamento do mercado e que não seria sobre câmbio. O que fez o BC? Insistiu que nada havia, mesmo depois do fechamento dos pregões.
Mas foi desmentido pelo Grupo Silvio Santos, que soltou comunicado informando ter feito aporte de R$ 2,5 bilhões no Banco Panamericano. Motivo? Inconsistências contábeis. Pelo que já se sabe, bastante parecidas com as praticadas pelo extinto Banco Nacional.
Transparência 2
O dinheiro que Silvio Santos vai colocar sairá de empréstimo do Fundo Garantidor de Crédito do Banco Central. Fundo este criado na época do Proer sofrendo fortíssimas críticas, principalmente do PT. Sua utilidade? Socorrer instituição financeira com dificuldade momentânea de liquidez. Não é o caso Panamericano, cuja dificuldade é outra.
Mesmo assim, quem entende do mecanismo do fundo acha que o BC optou corretamente pelo empréstimo ao apresentador. Caso contrário, o banco quebraria, o fundo teria que cobrir o buraco de qualquer jeito, e a Caixa Econômica Federal, sócia em 49% do banco, teria forte prejuízo. Além, claro, do tumulto no mercado financeiro causado pela quebra.
Transparência 3
Silvio Santos está colocando R$ 2,5 bilhões em um banco que foi avaliado, antes de descobertas as falcatruas, em R$ 1,3 bilhão. E deu seus bens como garantia. Com quase 80 anos, Senor Abravanel pode precisar de ajuda.
Transparência 4
Três perguntas que não querem calar: como é que a CEF não viu o buraco? As auditorias, tanto da KPMG quanto da Delloitee falharam? E por que o BC ficou calado se já sabia do problema há um mês?
Almanaque do peixe
Luis Alvaro, presidente do Santos, já começa os preparativos para o centenário do clube, em 2012. Está reunindo pesquisadores para criar a Bíblia Santista, com histórias e fichas de 6.000 jogos do time. A consultoria será do escritor José Roberto Torero.
Tiririca x Bic
Equipe de peritos médicos foi convocada pelo Ministério Público Eleitoral para, caso seja necessário, avaliar se Tiririca tem mesmo os problemas neuromotores alegados por sua defesa. Seria esta a razão pela qual o palhaço não escreveu sozinho sua declaração eleitoral- e foi flagrado pelo Instituto de Criminalística.
A perícia médica está marcada para amanhã. Mas só será feita se os advogados dele insistirem em dizer que lhe faltam condições físicas para segurar uma caneta.
É hoje que o palhaço faz exame diante do juiz para, enfim, provar que não é analfabeto.
Tiririca 2
Com problemas motores ou não, há vídeos no YouTube que mostram Tiririca rabiscando um autógrafo. Ele segura uma caneta Bic normalmente.
Latino-americano
Juca Ferreira recebeu de Jorge Coscia, seu colega argentino, uma proposta: realizar um concurso de roteiros. Motivo? Estimular a coprodução de documentários.
Latino-americano 2
No Uruguai, Ferreira assinou protocolo de intenções para aumentar o intercâmbio literário entre os dois países. Primeiro passo? Um encontro de literatura a ser realizado na fronteira.
Na frente
Silvio Santos fez check-up anteontem no Einstein. O fato gerou boatos de que ele havia colocado um dispositivo no coração. Sua assessoria, porém, diz que não passou de exame de rotina. Realizado a cada três meses pelo apresentador.
Caio Mattar, vice-presidente do grupo Pão de Açúcar, vai assumir mais uma função de peso. Acaba de ser eleito presidente do Conselho de Administração da Gafisa.
Paulinho Moska apresenta hoje seu novo trabalho, Muito e Pouco. No Bourbon Street.
A abertura do Festival Mix Brasil da Diversidade Sexual é hoje no Cinesesc. Com exibição do longa Contracorriente.
Daniela Mercury canta Dorival Caymmi na série In Concert. Sábado, na Hebraica.
A mostra Da Janela do Meu Quarto abre hoje na galeria Mendes Wood.
Depois de Sérgio Guerra, foi a vez de Beto Richa viajar para Miami. Convocarão convenção tucana por lá?
JPMorgan quer crescer com oferta de crédito no Brasil
JPMorgan quer crescer com oferta de crédito no Brasil
Maria Cristina Frias - Folha de S.Paulo - 11/11/2010
"Existe um espaço de crédito no Brasil que, acreditamos, o JPMorgan possa preencher", diz Cláudio Berquó, presidente do banco americano no país.
Para Berquó, a união de Itaú e Unibanco e a compra do ABN pelo Santander deixaram uma lacuna para outras instituições financeiras.
"Itaú dava crédito para cem clientes e Unibanco para cem, ao se unirem, eles cortam o limite de crédito. Menos bancos concedem crédito no país." Em quais áreas há espaço para ser ocupado? "Em todas" é a resposta.
O banco reforçou a equipe no Rio de Janeiro e vai abrir entre o final deste ano e o início de 2011 uma unidade em Curitiba. Depois virão mais duas, uma no Nordeste, provavelmente em Recife, e outra no interior de São Paulo.
A estratégia para avançar é ir atrás de clientes e de talentos, "gente com expertise em crédito e nos clientes".
"Teremos quase mil pessoas nos próximos dois anos, dois anos e meio", diz.
O banco contratou, apenas em 2010, cerca de 200 pessoas para todos os departamentos da instituição.
"As salas de um dos andares do banco não são mais para receber clientes, mas para entrevistar pessoas para trabalharem no banco", conta Berquó. O JP deve crescer neste ano 10% acima da projeção anterior, que era de alta de 5% em relação a 2009.
"A combinação de um banco grande que consegue atuar em várias áreas e, agora, com o Gávea Investimentos [JPMorgan comprou 55% da gestora de recursos do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga], vai dificultar para os competidores. Imaginamos ficar bem mais fortes do que éramos", afirma.
Reajuste de planos de saúde não chega a hospital, diz pesquisa
Os reajustes anuais praticados pelos planos de saúde, justificados pelo aumento de custo, não são repassados aos prestadores de serviços de saúde, como hospitais, clínicas e laboratórios, segundo entidades do setor.
Os dados são de pesquisa encomendada pelo Sindhosp (sindicato dos hospitais paulistas) e pela Fehoesp (federação do setor), realizada pelo Vox Populi.
Os planos de saúde individuais, regulados pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), tiveram reajuste de 6,73%, 5,48% e 5,76%, respectivamente em 2008, 2009 e 2010.
No entanto, o reajuste médio nos valores de diárias e taxas dos hospitais, por exemplo, foi de 4,5% em três anos, segundo dados da pesquisa, a ser divulgada hoje.
Dos estabelecimentos pesquisados, um terço não recebeu nenhum reajuste, nem abaixo da inflação, e 12,2% tiveram 13 planos que reduziram mais esses valores.
Dentre os laboratórios, 72,5% afirmam não ter recebido reajuste nos últimos três anos, e um quarto dos entrevistados ainda teve redução de aproximadamente 13,4%.
PAREDE DE GESSO
Termômetro da construção civil, o uso das chapas de gesso "drywall" encerrou o terceiro trimestre com alta acumulada de 35,3% ante o mesmo período de 2009.
Foram consumidos 24 milhões de metros quadrados de chapas, segundo a associação de fabricantes.
A expectativa é de forte alta, já que Brasil e China ainda têm consumo moderado (0,08 m2 por habitante por ano), na comparação com os EUA (10 m2).
Muito usado em construções de hotéis e escritórios, o sistema reflete o desenvolvimento da economia local.
São Paulo lidera o consumo no Brasil com 44% de participação no período. É seguido pelo restante da região Sudeste (21%) e pela região Sul (15%).
A construção civil deve fechar o ano aquecida, com produção de cimento em 58 milhões de toneladas.
PEQUENOS E MÉDIOS
A Nossa Caixa Desenvolvimento, agência de fomento do governo paulista, acaba de alcançar R$ 200 milhões de desembolso para pequenas e médias empresas no Estado. A agência, que ficou conhecida como "BNDES paulista", realizou, desde o ano passado, mais de 1.200 operações em financiamento a projetos de investimento, compra de equipamento e capital de giro. A agência deve elevar o volume com uma plataforma on-line que permite que pedidos de financiamento sejam feitos no site.
FAMÍLIAS DO VINHO
Onze das principais famílias do mundo do vinho estão reunidas no Brasil. O país foi escolhido para sediar o encontro anual do PFV (Primum Familiae Vini) e promover as bebidas. É a primeira vez que os membros se reúnem na América do Sul.
"O potencial do mercado brasileiro para os vinhos de alta qualidade é enorme. As pessoas estão descobrindo a bebida e aumentando o hábito de consumo", diz o barão Philippe de Rothschild, do Château Mouton Rothschild, da França.
"O desenvolvimento socioeconômico dos brasileiros está elevando o interesse da população por grandes vinhos", diz Dominic Symington, um dos proprietários da Symington Family Estates, vinícola fundada há 350 anos em Portugal.
Durante a visita no Brasil, o grupo já fechou negócios com hotéis e restaurantes que passarão a servir as bebidas.
Hoje, além de promover os vinhos em um jantar de gala, em que o convite custou R$ 2.500, eles realizarão o leilão de uma caixa de 11 vinhos, um de cada família, cuja renda será revertida para a Childhood Foundation.
Em 2009, na China, o leilão arrecadou US$ 25 mil.
Desenvolvimento Luiz Carlos Bresser-Pereira recebe na próxima semana o título de doutor honoris causa pela Universidade de Buenos Aires. Na ocasião, o colunista da Folha fará conferência sobre "o novo desenvolvimentismo".
Recíproco A prestação de contas do governo deveria ter a mesma transparência imposta às empresas pelo Sped, sistema para entrega de informes à Receita, segundo Charles Holland, da Anefac.
Idas... Uma comitiva de 30 empresários e representantes do governo da África do Sul, entre eles o ministro de Comércio e Indústria do país, Rob Davies, desembarca no Brasil na segunda-feira.
...e vindas Durante a visita, o governo sul-africano anunciará um pacote de incentivo fiscal na área da industria. A missão promoverá o conceito Basic (Brasil, África do Sul, Índia e China), lançado em Copenhague.
Ajuste difícil
Ajuste difícil
MÍRIAM LEITÃO - O Globo
No meio de tantas interrogações sobre a composição da equipe da presidente eleita, Dilma Rousseff, e sobre os rumos da política econômica, algum compromisso firme no caminho da austeridade fiscal deixaria o mercado mais tranquilo. O ministro Paulo Bernardo tem emitido sinais nesse sentido, mas a margem de manobra do Orçamento de 2011 é muito pequena para qualquer esforço mais robusto
A receita líquida de tributos em 2010 — descontada a parcela transferida a estados e municípios — está em 20,2 pontos percentuais do PIB. Cresceu 2,45 pontos no governo Lula e no ano que vem deve aumentar ainda mais. O projeto do Orçamento prevê 20,6% do PIB em receitas, mesmo com uma expectativa de crescimento menor da economia. Visto por esse lado, o cenário pode parecer positivo, mas é do lado das despesas que mora o problema.
Como é público e notório, as despesas do Orçamento cresceram muito no governo Lula, principalmente os chamados gastos correntes, que engessam as contas, porque depois de contratados não podem ser cancelados. Os gastos com a Previdência e com pessoal estão nessa categoria.
No caso de pessoal, embora as despesas tenham se mantido estáveis em percentual do PIB, abaixo de 5 pontos, o que é alardeado pelo governo, subiram fortemente em relação à inflação.
Entre 2003 e 2010, a folha cresceu 114%, enquanto a inflação ficou em 63%.
As despesas correntes — pessoal, previdência, gastos com a máquina e programas de transferência de renda — subiram de 15,04% em 2003 para 17,51% do PIB em 2010, diferença de 2,47 pontos. E, em 2011, devem chegar a 17,76% do PIB, o que equivale a R$ 691 bilhões. É muito dinheiro, mas está praticamente todo carimbado. Pelos cálculos da Consultoria de Orçamento da Câmara, só uma fatia muito pequena, de R$ 57 bilhões, poderia receber cortes, limitados ao funcionamento da máquina administrativa.
Os investimentos previstos no Orçamento são de R$ 54,4 bi, 1,4% do PIB, mas ninguém acredita que o governo Dilma passará a tesoura nessa fatia , como aconteceu no passado, em nome de um ajuste fiscal.
Assim, a intenção do governo de fazer um superávit de 3,3% do PIB, em 2011, sem descontar as obras do PAC, expressa nos bastidores, é difícil de ser cumprida, pois só foram reservados R$ 49,7 bilhões para esse fim no Orçamento, equivalente a 1,28% do PIB. Para alcançar a meta global de 3,3%, a contribuição do governo federal precisaria chegar a 2,15% do PIB, um esforço adicional de R$ 34 bilhões.
Bem pior
O que surpreendeu o mercado na noite de terça-feira foi o tamanho do rombo descoberto no banco PanAmericano, que exigiu um aporte de R$ 2,5 bilhões do Fundo Garantidor. Fontes informaram que já havia uma sensação de desconfiança em relação à solidez da instituição, mas a parceria com a Caixa Econômica em julho deste ano, com o aval do Banco Central, deixou os investidores um pouco mais tranquilos.
De fato, quem olha para o desempenho das ações do banco nos últimos 30 dias percebe que havia algo de estranho. Entre 13 de outubro e o fechamento em 9 de novembro, antes, portanto, do anúncio do socorro, os papéis acumularam queda de 24,9%, saindo de R$ 9,01 para R$ 6,77. Ou seja, a instituição perdeu um quarto de seu valor de mercado em menos de um mês. No mesmo período, o índice Ibovespa ficou praticamente estável, na casa dos 71.600 pontos.
Dívida histórica I
A participação dos negros em cargos de chefia vem crescendo, mas em ritmo bem lento, revela a pesquisa “Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas Brasileiras”, do Instituto Ethos, edição 2010.
Entre os executivos, houve alta de 2,7 pontos de 2001 a 2010. Já no nível de gerência, o crescimento é de 4,4 pontos, desde 2003.
Dívida histórica II
O resultado de 2010 mostra que os negros continuam com baixa participação nos cargos executivos: são apenas 5,3% do total, contra 93,3% de brancos. A situação é um pouco melhor nos postos de gerência: 13,2%, contra 84,7% dos brancos. Em vagas de supervisão, eles são 13,2%, e no quadro funcional, 31,1% do total.
INVESTIMENTOS: O presidente da gestora de investimentos imobiliários Tishman Speyer, Rob Speyer, veio ao Rio conversar com o prefeito Eduardo Paes sobre os projetos Porto Maravilha e Olimpíadas 2016.
Brasil sobe 4 posições na ciência
Brasil sobe 4 posições na ciência
Ranking mundial revela país em 13º lugar; patentes ainda são poucas
Catarina Alencastro – O Globo
BRASÍLIA. O Brasil é o 13º maior produtor de ciência do mundo, segundo o Relatório Unesco sobre Ciência 2010, divulgado ontem.
Em oito anos o país subiu quatro posições no ranking de países que mais publicam artigos científicos, passando de 10.521 artigos publicados em 2000 para 26.482 em 2008. O documento elogia a evolução da pesquisa no país, mas aponta também problemas como o baixo número de patentes e a fuga de cérebros: pesquisadores que só encontram no exterior boas oportunidades de emprego.
— As possibilidades de carreiras profissionais para pesquisadores dentro do Brasil são limitadas, o que leva os melhores a aceitarem ofertas fora do país — afirma Vincent Defourny, representante da Unesco no Brasil.
O relatório aponta que o país investe 1,1% de seu Produto Interno Bruto (PIB) em pesquisa e desenvolvimento e que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou de cumprir a promessa feita em 2003 de aumentar os recursos para o setor, chegando a 2% até o fim de seu primeiro mandato.
Ainda assim, o investimento proporcional ao PIB que o Brasil faz supera o de seus vizinhos da América do Sul, mas está aquém da média aplicada por países desenvolvidos e por outros emergentes, como a China, que repassa 1,4% de seu PIB para pesquisa e desenvolvimento, e caminha para ter o maior número de pesquisadores do globo.
Em 2008, o Brasil investiu R$ 32,8 bilhões no setor, mais do que a Espanha e a Itália. O montante representa um aumento de 28% em oito anos, mas os recursos estão concentrados em São Paulo, Rio e Minas Gerais. Segundo a Unesco, o governo deve adotar políticas para diminuir as disparidades entre as regiões.
— Nos tornaremos potência em Ciência e Tecnologia quando fazer ciência na Amazônia for tão habitual quanto fazê-lo em Campinas ou Rio — avalia Hernan Chaimovich, um dos autores do relatório.
Setor privado investe pouco em tecnologia
Além disso, a participação do setor privado nos investimentos tecnológicos ainda é tímida. Parte do governo mais da metade (55%) do dinheiro para o setor, característica comum entre os países em desenvolvimento, segundo a Unesco.
— Nos últimos três anos as empresas perderam 10% dos pesquisadores. É um dado preocupante — afirmou Defourny.
No Brasil, 57% dos pesquisadores estão nas universidades, e somente 6% em institutos de pesquisa. O relatório é publicado a cada cinco anos, e esta foi a primeira vez que a Unesco dedicou ao Brasil um capítulo inteiro. Para Defourny, o país “começa a existir” no mapa mundial da Ciência e Tecnologia.
O relatório destaca ainda o fato de as pesquisas terem progredido mais lentamente do que a economia. Em 2009, o Brasil só registrou 103 patentes, enquanto a Índia teve reconhecidas 679, e a Rússia, 196.
Para a Unesco, um dos principais problemas que o país tem de resolver, se quiser ser referência em inovação, é a qualidade da educação. Embora o número de doutores formados venha aumentando, o ritmo diminuiu bastante nos últimos anos. E apenas 16% dos jovens de 18 a 24 anos estavam matriculados no ensino superior em 2008, segundo o documento.
Dilma na encruzilhada
Dilma na encruzilhada
EDITORIAL - O Estado de S.Paulo
A presidente eleita, Dilma Rousseff, ainda não explicou de forma clara e convincente se manterá a política de gastança e de aumento da carga tributária ou se escolherá o caminho da seriedade e do equilíbrio fiscal. Ela parecia comprometer-se com a segunda alternativa, em seu primeiro pronunciamento depois da eleição. Mas logo em seguida anunciou a disposição de conversar com vários governadores sobre a recriação da CPMF, o imposto sobre o cheque, ainda agora defendido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O novo governo seguirá o caminho da responsabilidade se aceitar o roteiro esboçado pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, e certamente apoiado pelo ex-ministro e deputado Antonio Palocci, um dos conselheiros da ex-ministra durante a campanha eleitoral. Do outro lado vêm as pressões para a manutenção da farra fiscal, mais ao gosto do padrinho político da presidente eleita.
O plano sugerido pelo ministro Paulo Bernardo reproduz, no essencial, a proposta apresentada há cinco anos por ele e por seu colega da Fazenda, Antonio Palocci. A ideia era conter a expansão do gasto corrente para equilibrar as contas públicas em poucos anos. A pretensão era mesmo eliminar o déficit nominal, zerando o resultado global da administração nos três níveis de governo. O plano foi derrubado pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, com apoio de colegas do primeiro escalão e do então presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Guido Mantega.
A presidente eleita ainda não se comprometeu com o plano agora defendido pelo ministro Paulo Bernardo, muito parecido com aquele por ela qualificado como "rudimentar" em 2005. Mas não poderá seguir um roteiro muito diferente, se estiver disposta a trabalhar pela expansão do investimento governamental, pelo aumento da eficiência do setor público, pela valorização da meritocracia na administração e pelo uso responsável do dinheiro arrecadado.
Além disso, a presidente eleita comprometeu-se explicitamente com o controle da inflação. O povo brasileiro, disse ela depois de eleita, não aceita mais o aumento geral de preços como forma de acomodação dos desajustes profundos da economia. Esses desajustes, poderia ter acrescentado, são normalmente criados pela imprudência das autoridades, frequentemente propensas a pensar mais nas vantagens políticas imediatas do que nos interesses nacionais de longo prazo.
O novo governo poderá promover uma arrumação das contas públicas sem grandes cortes e sacrifícios, tem dito o ministro Paulo Bernardo. A presidente eleita já disse algo semelhante. Mas a situação é um pouco mais complicada e menos tranquilizadora.
Falta negociar o salário mínimo para o próximo ano, e a presidente eleita insinuou a possibilidade de um reajuste maior do que seria possível com a mera aplicação da fórmula em vigor. Deverá haver também aumento real para todos os aposentados.
Além disso, o Tesouro Nacional assumiu compromissos pesados para capitalizar o BNDES e a Petrobrás, elevando seu endividamento. Novos compromissos deverão surgir, se o Congresso não derrubar a Medida Provisória (MP) n.º 511, assinada na última sexta-feira pelo presidente Lula. Com essa MP, o governo assume o risco de gastar até R$ 45 bilhões para garantir os financiamentos concedidos pelo BNDES à concessionária do trem-bala e aos envolvidos em outros projetos de infraestrutura.
Recursos públicos também serão drenados, certamente, para projetos relacionados com a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. É ingenuidade aceitar sem reserva a hipótese contrária, apesar das declarações do presidente Lula.
O Orçamento federal já está muito menos equilibrado, de fato, do que indica o discurso oficial. O superávit primário exibido pelo governo, em 2010, só foi obtido graças a mirabolantes artifícios contábeis. O novo governo herdará contas públicas em condições nada brilhantes. Se quiser ajustá-las sem recorrer a truques e sem depender só do aumento da carga tributária, terá de agir com uma seriedade nunca vista nos últimos oito anos. Estará disposta a isso a presidente eleita?
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