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quinta-feira, agosto 19, 2010

Investida estrangeira no Brasil

Investida estrangeira no Brasil
Compra de empresas brasileiras por capital externo dobra no 2º trimestre
Ronaldo D"Ercole

O bom momento da economia brasileira despertou de vez o apetite de grupos estrangeiros por empresas nacionais. Pesquisa da KPMG do Brasil mostra que o número de aquisições de empresas brasileiras por estrangeiros mais do que dobrou no segundo trimestre, passando de 21 transações entre janeiro e março para 56 operações entre abril e junho - o maior número já registrado num segundo trimestre desde 1994, quando o levantamento começou a ser feito. Em todo o primeiro semestre, foram 77 negócios ao todo, um incremento de 64% em relação à 47 aquisições dos primeiros seis meses de 2009.
Transações como a entrada da Portugal Telecom na Oi, com a benção do BNDES e dos fundos de pensão, no final de julho, e a fusão da TAM com a LAN, anunciada semana passada e que resultará numa companhia de controle majoritário chileno, comprovam o ostensivo interesse pelo país.
- Fusões e aquisições são operações que precisam de cenários de certa estabilidade, pois exigem investimentos de longo prazo. Com a crise, a partir de 2008, houve um represamento de projeto. Agora, com a perspectiva muito boa para o Brasil, isso muda - diz Luís Motta, sócio da KPMG especialista em fusões e aquisições.

Americanos e chineses lideram
Em 2008, quando a crise se fazia sentir mais forte no hemisfério Norte, o executivo lembra que das 663 operações de fusão e aquisição registradas pela KPMG no país, 72% tinham compradores brasileiros. Depois os negócios encolheram. O segundo trimestre, segundo Motta, marca a volta dos estrangeiros ao país, com predomínio de americanos(27) e chineses (10) nas aquisições no primeiro semestre.
- Não existe uma desnacionalização e, relativamente, as coisas estão equilibradas, porque as empresas brasileiras estão também num ritmo forte de internacionalização - observa Motta, referindo-se às 38 aquisições feitas por brasileiros no exterior no período.
Luis Afonso Lima, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), concorda e diz que o que há é um processo de internacionalização da economia brasileira. A maior concentração de estrangeiros, observa, se dá em setores em que a competição cada vez mais se dá em nível global:
- A competição internacional, em setores como o das telecomunicações, por exemplo, contempla e demanda por consolidação de empresas devido aos altos investimentos em tecnologia exigidos e à necessidade de escala.
Ex-presidente da Sobeet e professor da PUC de São Paulo, o economista Antônio Corrêa de Lacerda ressalta justamente a importância de o país definir estratégias para que a internacionalização de sua economia se dê de forma saudável. Corrêa cita o fato de que ter sócio estrangeiro implica na remessa de dólares para fora, que afeta as contas do país. Mas o principal desafio consiste em garantir que a operação brasileira participe dos projetos de desenvolvimento e inovação definidos pelas matrizes que aqui se instalam com as aquisições de empresas locais.
- A internacionalização traz desafios e o risco que corremos é ficar à margem das inovações, como meros fabricantes de produtos - diz Lacerda, que também rechaça a visão de um processo de desnacionalização no país.
- As empresas brasileiras estão se internacionalizando também. É a mesma face do mesmo processo. É um jogo de mão dupla.

Fonte: O Globo

quarta-feira, julho 14, 2010

Déficit comercial do Brasil com os EUA dobra em 2010

Déficit comercial do Brasil com os EUA dobra em 2010

O Brasil registrou em maio um déficit comercial (saldo de importações e exportações) de US$ 1,052 bilhão com os Estados Unidos, ante resultado negativo de US$ 760 milhões em abril, informou nesta terça-feira o Departamento de Comércio americano. De janeiro a maio deste ano, o déficit brasileiro praticamente dobrou para US$ 4,143 bilhões, comparado com um saldo negativo de US$ 2,081 bilhões no mesmo período de 2009 - uma alta de 99%.
No entanto, o superávit dos países da América Latina e do Caribe em seu comércio de bens com os Estados Unidos caiu 2,68% em maio e ficou em US$ 4,759 bilhões. Nos cinco primeiros meses do ano o superávit somou US$ 24,271 bilhões, 53,6% a mais que o conseguido entre janeiro e maio de 2009, em meio a contração econômica dos EUA mais profunda e prolongada desde a Grande Depressão da década de 1930.
Além disso, o superávit latino-americano representou em maio 9,4% do déficit no comércio de bens americano que somou esse mês US$ 50,404 bilhões. O superávit do México em seu comércio de bens com os EUA subiu de US$ 5,325 bilhões em abril para US$ 6,152 bilhões em maio. Nos cinco primeiros meses do ano o superávit mexicano soma US$ 26,913 bilhões, comparado com um de US$ 17,779 bilhões no período similar do ano anterior.
A Argentina, que teve em abril um déficit de US$ 304 milhões, registrou em maio um de US$ 409 milhões. Nos cinco primeiros meses de 2010 o déficit argentino soma US$ 1,354 bilhão comparado com um de US$ 354 milhões em janeiro e maio do ano anterior.
O Chile passou de um déficit de US$ 235 milhões em abril a um de US$ 518 milhões em maio. Nos cinco primeiros meses deste ano o déficit chileno soma US$ 1,090 bilhão comparado com um de US$ 625 milhões nos cinco primeiros meses do ano passado.
A Colômbia, que teve em abril um superávit de US$ 344 milhões, obteve em maio um de US$ 286 milhões. O saldo propício à Colômbia somou nos cinco primeiros meses US$ 941 milhões, quase três vezes maior que o superávit de US$ 336 milhões entre janeiro e maio de 2009.
O superávit da Venezuela subiu de US$ 1,757 bilhão em abril a US$ 2,055 bilhões em maio. Durante os cinco primeiros meses deste ano a Venezuela conseguiu um saldo propício de US$ 9,725 bilhões comparado com um de US$ 5,354 bilhões no mesmo período de 2009.

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