Mostrando postagens com marcador Comportamento Reincidente. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Comportamento Reincidente. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, janeiro 20, 2011

Por quem os sinos dobram


Por quem os sinos dobram

CARLOS HEITOR CONY – Folha de São Paulo

RIO DE JANEIRO - Domingo passado, publiquei neste mesmo canto uma crônica que finalizava com a absolvição de Deus e do governador Sérgio Cabral quanto às enchentes na região serrana do Rio de Janeiro ("DNA das tragédias"). Lembrando o dilúvio, a destruição de Sodoma e Gomorra, botava a culpa de tudo em nós mesmos.
Afinal, o erro ou a incúria das autoridades, sejam elas de ordem divina ou administrativa, têm como causa a apatia de todos nós, cidadãos que se esquecem de orar a Deus (é o meu caso) e votam em outros cidadãos que ocupam o poder, seja ele federal, estadual ou municipal.
No regime democrático em que vivemos, ninguém assalta o poder, como nas ditaduras. Somos nós que elegemos as autoridades e se elas, ao longo do tempo, não cuidam do bem público, a culpa é nossa pelas deficiências daqueles que escolhemos para nos governar.
Não estou dizendo nada de novo. Só para dar um exemplo, o maior tirano da história, Hitler, foi eleito pelo povo alemão em 1933. Podemos concluir daí que existe realmente uma culpa coletiva, que não deve ser cobrada com a extinção de uma raça ou de um povo. Ela deve servir apenas de lição, para não repetir erros ou equívocos num estado de direito.
Não gosto de citações metidas a erudição, mas não é demais lembrar o poema de John Donne que começa com "Nenhum homem é uma ilha" e tem como final o verso que Hemingway usou para o título de um de seus melhores romances: "Não perguntes por quem os sinos dobram, eles dobram por ti".
É, de certa forma, uma decorrência da culpa coletiva, da qual falei acima. A maior tragédia natural do Brasil escalonou vítimas. Muitas morreram e nada mais podem fazer. Outras, nós todos, ficamos horrorizados. E mandamos colchões e biscoitos para os sobreviventes.

sexta-feira, outubro 01, 2010

Roriz tentou contratar genro de ministro

Roriz tentou contratar genro de ministro
Gravação mostra que ex-governador do DF negociou com advogado para tentar afastar Ayres Britto de julgamento
Jailton de Carvalho e Francisco Leali
 BRASÍLIA. O ex-governador Joaquim Roriz tentou, no início deste mês, contratar um advogado que é genro do ministro Ayres Brito, do Supremo Tribunal Federal (STF), para tentar garantir uma decisão favorável à sua candidatura ao governo do Distrito Federal. A negociação foi registrada em vídeo gravado pelo próprio Roriz. As imagens mostram o candidato se dizendo disposto a pagar pelo serviço que o advogado Adriano Borges Silva pretendia vender. Preço: R$ 4,5 milhões.
Produto: um voto favorável de Britto para Roriz, ou o impedimento do ministro na votação.
A negociação garantiria vitória do ex-governador. Adriano é marido e sócio de Adrielle Ayres Britto, filha do ministro, também citada na negociação.
O ministro negou participação e disse que, quando soube da tentativa de contratação, orientou o genro a “pular fora” porque se tratava de uma manobra de Roriz. Semana passada, por cinco votos a cinco, o STF não conseguiu decidir se a candidatura de Roriz, impugnada com base na lei da Ficha Limpa, deveria ser mantida. Roriz acabou desistindo da candidatura. Ayres Britto votou contra Roriz.
Encontro ocorreu em 3 de setembro Roriz e Adriano se encontram em 3 de setembro, quando o STF se preparava para votar o recurso de Roriz e, assim, decidir se o ex-governador poderia permanecer candidato. O encontro entre Adriano e Roriz foi marcado por Eládio Carneiro, advogado do exgovernador no STF. Às 17h37m, Roriz entrou numa sala, acendeu a luz e se sentou à frente de uma mesa. Adriano o seguiu e iniciou a negociação: — Eu vim aqui mais para trazer essa solução, e o governador é que vai ver o que vai poder me ajudar para contemplar este pessoal (...) Nos outros processos em que eu peguei governador ... Estou trabalhando o (ex-senador) Expedito Junior, o pró-labore foi cobrado um milhão e meio e três no êxito né (...)... Não estou colocando isso como um valor, estou pedindo que o governador me ajude pelo menos a pagar uma parte do meu pessoal que tá trabalhando — pede Adriano.
Em outro trecho, Roriz cobrou a garantia da futura decisão de Ayres Britto. Naquele momento, a expectativa era que os dez ministros estivessem rachados.
Metade entendia que a lei da Ficha Limpa valeria para este ano.
Assim, Roriz não poderia ser candidato. A outra metade entendia que a lei só deve ser aplicada nas próximas eleições. Bastaria Ayres Britto se declarar impedido, ou votar contra a lei, para assegurar a vitória de Roriz.
— Eu gostaria da sinceridade sobre o voto do seu sogro? — cobrou Roriz.
— A única coisa que eu tô precisando é que ele não leve. Com isso aí, ele não vai participar. Tá impedido — diz Adriano.
— Então é o êxito — conclui Roriz.
Advogado pediu R$ 1,5 milhão adiantado Roriz afirmou ainda que uma decisão liminar favorável à candidatura já seria suficiente. A conversa se arrastou e, mais uma vez, Adriano pediu R$ 1,5 milhão imediatamente, e mais R$ 3 milhões no fim do processo.
O advogado cobrou o pagamento pelo menos quatro vezes.
Roriz alegou que estava sem dinheiro e não aceitou pagar adiantado. Adriano disse que iria conversar com a mulher.
— Então, vou conversar com a minha sócia. Vou ter que compartilhar a situação com ela, porque a decisão é conjunta. (...) Vai ser um desgaste muito grande. A imprensa vai bater muito.
Segundo o advogado Eri Varella, um dos auxiliares de Roriz, o ex-governador nada pagou.
Varela disse que hoje entrará com notícia-crime no STF contra Ayres Britto, Adriano e Adrielle.
— O que ele (Adriano) estava fazendo era extorsão — disse Varela.
d>

sábado, junho 05, 2010

Lula, o futebol e suas penas

Lula, o futebol e suas penas
WALTER CENEVIVA
O presidente errou mesmo que a Justiça Eleitoral lhe dê razão, porque não pode ignorar a nobreza do cargo
O PRESIDENTE Luiz Inácio Lula da Silva, ao contrário de políticos que, para fazer média, juram amor por clubes populares de futebol, é um sincero corintiano. Por isso lembro o conselho que seu time favorito deu aos meninos do Santos: nunca debochem do adversário. O conselho vale para o presidente, pois tem debochado das multas que a Justiça Eleitoral lhe aplicou, rindo de quem as pagará. Ainda que Marcio Thomaz Bastos, seu advogado e verdadeiro Lucio da profissão, tenha bons argumentos, nem assim Lula estará certo em rir da condenação eleitoral.
Vendo a questão sob outra perspectiva, lembro que Lula ultrapassou com argúcia e coragem todos os limites da educação formal, mas a falta desta parece ser o único modo de explicar o tratamento desrespeitoso da Justiça Eleitoral, no qual tem insistido. O presidente da República deve recordar que a seu cargo corresponde o título de primeiro magistrado da nação. Que lhe cabem a administração federal, o início do processo legislativo, a sanção das leis. Que é do chefe do Poder Executivo o poder único de vetar projetos de lei, de exercer o comando supremo das Forças Armadas, de nomear, com a aprovação do Senado, ministros do Supremo Tribunal Federal e dos tribunais superiores.Tais missões são algumas das que a Constituição lhe atribui prioritariamente no artigo 84. Embora Lula confesse que não gosta de ler e prefere a informação oral, deveria percorrer o referido artigo, para se inteirar do erro apontado.
Volto ao futebol. Foi unânime a crítica feita ao sr. Carlos Caetano Bledorn Verri, técnico da seleção brasileira, cujo apelido é Dunga (um dos anões de Walt Disney, na versão da "Branca de Neve" de 1937). Ao visitar o presidente da República, que o recebeu no Palácio do Planalto, Dunga o cumprimentou, mantendo a mão esquerda no bolso. Se o técnico tivesse educação formal, saberia que o presidente da República representa o país perante as nações do planeta. Para cada brasileiro ele é a mais alta autoridade do país. Nesse caso, a formalidade do tratamento é exigida não pela pessoa do presidente, mas pelo cargo que ocupa, no qual personifica a nação. O técnico da seleção mostrou ignorar a formalidade do cumprimento. Preferiu ser Dunga em vez de Carlos Caetano.
Tomado o mesmo exemplo às avessas, Lula errou mesmo que a Justiça Eleitoral lhe dê razão, porque o presidente da República não pode ignorar a nobreza do cargo. Pode criticar o Poder Judiciário enquanto cidadão, até para estar à altura das responsabilidades da Presidência. Pode criticar os titulares dos dois outros Poderes, que se têm manifestado, na história nacional, contra atos de presidentes da República.
A educação cívica e o próprio civismo são essenciais no exercício da autoridade. Os que aprofundaram estudos a respeito sabem que a autoridade exercente da função unitária de assegurar o respeito da Constituição e das leis não pode rir-se dos tribunais, aos quais cabe aplicar essas mesmas leis. Nisso, presidente e técnico erraram. Marcaram um gol contra. Com uma diferença: as ações de Lula, certas e erradas, serão lembradas sempre que sua Presidência for reavaliada, pelos séculos afora. É a pena não prescritível dos presidentes da República.

domingo, maio 02, 2010

Brasileiros apresentam queixas contra polícia de Londres

Brasileiros apresentam queixas contra polícia de Londres
Ilana Rehavia - Da BBC Brasil em Londres
Duas queixas de brasileiros envolvendo suposta violência da polícia britânica foram divulgadas nesta sexta-feira em Londres.
Em um dos casos, ocorrido na madrugada do dia 18 de abril, quatro jovens e uma adolescente - músicos evangélicos - voltavam de um culto quando teriam sido confundidos com traficantes de drogas. O carro em que estavam teria sido fechado por uma viatura policial. “Fomos tirados do veículo, bruscamente jogados no chão. Eles (os policiais) colocaram os pés e armas na nossa cabeça, começaram a chutar e não sabíamos o motivo”, contou o mecânico Thiago Antonio Murador, de 26 anos. Murador disse também ter levado um chute que, segundo ele, resultou em uma fratura na costela, além de ter sido vítima de uma arma de choque.
Lesão no ombro
O outro caso é do marceneiro brasileiro Mauro Bicalho, de 44 anos. Depois de uma discussão com um vizinho, ele foi preso, no dia 1º de dezembro de 2009. Na hora de ser algemado, seu braço teria sido torcido com tamanha força que ele sofreu uma lesão no ombro. Quase seis meses depois, ele diz que ainda não pode trabalhar e se prepara para uma cirurgia. “Não consigo carregar um martelo. Eu trabalhava com meu pai desde os 14 anos no Brasil como carpinteiro e hoje não posso trabalhar mais”, disse. Os brasileiros fizeram reclamações junto à Comissão Independente de Queixas contra a Polícia (IPCC, na sigla em inglês). A IPCC é o mesmo órgão que investigou as circunstâncias da morte do eletricista brasileiro Jean Charles de Menezes, morto depois de ter sido confundido com um terrorista, em 2005. Procurada pela BBC Brasil, a polícia de Londres disse que ainda não tinha comentários a fazer sobre o caso.

Skoob

BBC Brasil Atualidades

Visitantes

free counters