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terça-feira, setembro 28, 2010

Lula se orgulha de antigo radicalismo

Lula se orgulha de antigo radicalismo
Leila Suwwan e Tatiana Farah - O GLOBO
Presidente diz que aprendeu com o passado de sindicalista: Marina sobe tom dos ataques
Em comício com Dilma Rousseff, o presidente Lula afirmou que a petista não deve se preocupar com as críticas ao seu passado de militante de esquerda. "Podem dizer que me prenderam, que eu era grevista, radical. Nada disso me envergonha. Tenho orgulho de ter aprendido com o radicalismo dos anos 70, 80, 90, para virar o dirigente político maduro que nós viramos", afirmou Lula. No palanque, Dilma dançou com o candidato do PT ao governo de SP, Aloizio Mercadante. E disse não temer ataques de Marina Silva (PV), que subiu o tom das críticas na tentativa de forçar o segundo turno. A candidata verde também criticou José Serra e o comparou a Lula pelos ataques a imprensa. Para Marina, Serra "intimida jornalistas": "Há duas formas de tentar intimidar a imprensa: aquela em que vem a público e coloca, de forma infeliz, uma série de críticas, e outra são aqueles que, de forma velada, tentam agredir jornalistas, pedir cabeça de jornalista."
Lula: "Temos orgulho do nosso passado"
Petista diz que, de radical, virou político maduro. E apela: "Não se esqueçam, pelo amor de Deus, de levar documento com foto"
SÃO PAULO. Na reta final da campanha, o PT saiu da defensiva sobre o passado de militante de esquerda da candidata Dilma Rousseff e partiu para o ataque.
Em comício ontem no Sambódromo de São Paulo, o presidente Lula afirmou que Dilma não deve se preocupar com as críticas ao passado e afirmou ter orgulho de seu próprio radicalismo como sindicalista: Se tem uma coisa de que temos orgulho, é do nosso passado.
Podem dizer que me prenderam, podem dizer que eu era grevista, que eu era radical. Nada disso me envergonha. Eu tenho orgulho de ter aprendido com o radicalismo dos anos 70, anos 80, 90 para virar o dirigente político maduro que nós viramos.
Além de festejar o passado de Dilma, Lula afirmou que sua eventual vitória seria uma conquista dos que morreram sob o regime militar: Não é apenas eleger uma mulher, é eleger uma companheira que tem uma história.
Que sabe os dissabores e os amargores de ter lutado contra o regime autoritário para poder garantir o dia de hoje. É verdade que essa moça aos 20 anos de idade foi para a luta tentar conquistar a democracia nos anos 70. A luta deles, daqueles que morreram lutando por democracia, será consagrada dia 3, com a eleição de Dilma presidente.
Dilma: O amor vai derrotar o medo e o ódio Antes de Lula, o senador Aloizio Mercadante, candidato do PT ao governo de São Paulo que chegou a dançar com Dilma no palco , já havia começado o comício mencionando as críticas ao passado da ex-ministra, que foi da VAR Palmares e do Colina, ficando mais de dois anos presa. Candidato a senador pelo PCdoB, o vereador e cantor Netinho de Paula, que chama o presidente de Mano Lula, criticou os adversários: Enquanto eles ficam raivosos, a nossa Dilma vai subindo.
Prometendo erradicar a miséria, Dilma voltou a comparar a eleição de 2010 com a de 2002, quando o slogan do PT foi A esperança vai vencer o medo: Sabemos do medo que tentaram implantar lá em 2002.
Agora temos nas mãos não só a esperança, mas a prova do amor do presidente Lula e do nosso governo pelo Brasil. Esse amor que vai derrotar o medo e o ódio que tentam fazer como a característica principal desta eleição.
Sob forte chuva, os militantes petistas ocuparam a arquibancada central e os camarotes do Sambódromo. Apesar da euforia com as pesquisas que apontam para possível vitória da ex-ministra no primeiro turno, Lula não se deixou levar pelo clima de já ganhou. Tratou de pedir, pelo amor de Deus, que os eleitores não esquecessem o documento de identidade para votar.
Esta é uma nova regra eleitoral.
A preocupação dos petistas é com a desinformação sobre a novidade por parte das camadas mais pobres do país, que fazem a base eleitoral da petista.
Não se esqueçam, pelo amor de Deus, de levar um documento com fotografia para votar alertou Lula.
Em entrevista coletiva, Dilma criticou a nova regra: Quando criam certas regras, isso pode prejudicar parcelas da população, como por exemplo o indígena, que pode ter esse problema de levar a (cédula) identidade disse Dilma, para quem quanto menos barreira tiver, melhor.
No discurso, Lula se pautou pela capitalização da Petrobras, afirmando que foi a maior capitalização do capitalismo. Seu bordão nunca antes na História do Brasil ganhou dimensões planetárias: A maior capitalização que a Humanidade tem conhecimento, nunca feita antes na História do planeta, aconteceu no Brasil.
Lula admitiu que está ficando com o ego inflado, mas, ao ver uma imensa faixa de agradecimento ao seu governo, afirmou: Estou um pouco me sentindo, o ego está crescendo

domingo, maio 02, 2010

Drogas e desvalorização do professor explicam violência nas escolas, diz antropóloga

Drogas e desvalorização do professor explicam violência nas escolas, diz antropóloga
Cultura jovem está cada vez mais desafiadora, avalia especialista
Da Agência Brasil
A antropóloga Alba Zaluar, coordenadora do Núcleo de Pesquisas das Violências da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), avalia que o comportamento desrespeitoso de alunos em relação aos professores nas escolas públicas do Rio de Janeiro é consequência da desvalorização da profissão.  Segundo ela, as situações de uso da ironia, de desacato e de agressões verbais, às vezes físicas, também têm ligação com uma mudança na cultura jovem, que, com o passar dos anos, está cada vez mais desafiadora.  – Estamos vivendo uma crise das figuras de autoridades.  Para a pesquisadora, que atua nas áreas de antropologia urbana e da violência, o problema pode estar relacionado também à aproximação do tráfico de drogas das escolas. Os conflitos de quadrilhas são levados para dentro dos colégios, incitando, assim, as rivalidades diante dos professores que, por sua vez, não conseguem mais exercer a autoridade com os jovens.  Alba Zaluar criticou a falta de estatísticas oficiais para subsidiar o trabalho dos pesquisadores.  – Não temos como acompanhar se está realmente havendo um aumento dos casos de violência nas escolas porque o Poder Público não nos oferece dados oficiais.

Curso ensina professor a lidar com violência em aula

Destinado a professores, primeira turma começa nesta segunda-feira
A questão da violência nas escolas é tão preocupante que o MEC (Ministério da Educação), em parceria com o Claves (Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde Jorge Carelli), da Fundação Oswaldo Cruz, criou um curso de atualização destinado a professores da rede pública para o enfrentamento da violência e defesa dos direitos na escola.
O curso é destinado a professores, e a primeira turma, que começa na amanhã desta segunda-feira (3), terá 700 profissionais do Rio de Janeiro e de mais 35 municípios fluminenses. Serão três meses de aulas presenciais e a distância, cujo conteúdo tem o objetivo de dar um suporte ao professor para que ele saiba identificar e prevenir possíveis casos de violência em sala de aula, no pátio ou nos corredores da escola. 
A coordenadora-geral de Direitos Humanos do ministério, Rosiléa Maria Roldi Wille explicou a importância do curso.
– O MEC está se manifestando pela realidade do Rio de Janeiro e também de outros municípios fluminenses, e essa experiência é importante porque muitos professores não sabem como trabalhar nesse contexto da violência, que muitas vezes os alunos trazem de casa e que acaba refletindo no aprendizado deles. Vamos envolver outras secretarias, como a de Assistência Social e Trabalho, para traçar uma estratégia de formação de profissionais de educação e também de material didático para lidar com essa realidade.
Segundo ela, a partir desse curso, o MEC pretende criar uma rede de proteção à criança e ao adolescente nas escolas, envolvendo os conselhos tutelares e os próprios professores. 
– Eles [os professores] passam várias horas ao lado das crianças e adolescentes e essa aproximação lhes permite identificar os problemas dos alunos e as situações de violação de seus direitos.
A pesquisadora Joviani Avanci, do Claves, que é uma das coordenadoras do curso, afirmou que o tema violência nas escolas ainda é pouco estudado porque não há estatísticas disponíveis para o trabalho, mas que a realização desse curso vai permitir o desenvolvimento de ações na área.
– A gente busca discutir soluções para dar subsídio ao professor de forma que ele possa prevenir a violência e também saber como agir quando ela estiver acontecendo.
Em agosto, a Fundação Oswaldo Cruz vai lançar edital para mais sete ou oito turmas do mesmo curso.

Skoob

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