Mostrando postagens com marcador Decisões Administrativas Relevantes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Decisões Administrativas Relevantes. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Governo renova isenção do IPI para produtos da construção civil

Governo renova isenção do IPI para produtos da construção civil
Foi prorrogada até dezembro de 2011 a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os principais produtos da construção civil. A publicação, no dia 16.12.2010, do Decreto nº 7.394 no Diário Oficial da União determinou a ampliação do prazo e listou os materiais beneficiados pela desoneração. A medida começa a valer a partir de 1º de janeiro de 2011. O Ministro da Fazenda, Guido Mantega, já havia informado em 29.11, durante o 9º Congresso Brasileiro da Construção (ConstruBusiness 2010) na Fiesp, sobre a decisão de renovar a isenção do IPI. Naquela ocasião, o ministro ressaltou que 2010 será o melhor ano das últimas décadas para o segmento da construção civil no Brasil, com crescimento em torno de 13%.

segunda-feira, outubro 11, 2010

“Afastamos inúmeros juízes”, diz Dipp

“Afastamos inúmeros juízes”, diz Dipp
Ao deixar a Corregedoria do CNJ, ministro diz que Judiciário não está blindado contra a corrupção e culpa impunidade
ENTREVISTA: Gilson Dipp     Jailton de Carvalho – O Globo
 BRASÍLIA. Um dos juízes mais experientes do país, o ministro Gilson Dipp, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), surpreendeu-se com o grau de corrupção que descobriu em alguns setores do Judiciário no período em que esteve à frente da Corregedoria Nacional de Justiça, entre setembro de 2008 e setembro deste ano. Durante a gestão de Dipp, até um colega do STJ, o ministro Paulo Medina, foi condenado a se aposentar depois de ser acusado de venda de decisão judicial.
Para Gilson Dipp, da mesma forma que ocorre com profissionais de outras áreas, juízes cometem desvios por causa da sensação de impunidade.
Um dos magistrados pioneiros da criação das varas especializadas no combate à lavagem de dinheiro, Dipp afirma ainda que, mesmo com a melhora da performance dos órgãos de controle, a corrupção está aumentando no país. A percepção do ministro pode ter reflexo na política nacional.
Há duas semanas, Dipp assumiu uma vaga de suplente no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A seguir, os principais trechos da entrevista concedida pelo ministro ao GLOBO, em Brasília.
O GLOBO: A partir da sua experiência na Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), pela quantidade de casos de corrupção investigados, o senhor diria que é muito elevado o grau de corrupção no Judiciário brasileiro? GILSON DIPP: No universo de 16 mil juízes, os casos efetivamente são pontuais. Mas não são tão pontuais quanto eu imaginava. A Corregedoria Nacional de Justiça começou a funcionar até pela omissão das corregedorias locais. Posso dizer, com tranquilidade, que as corregedorias dos Tribunais de Justiça dos estados e algumas corregedorias dos Tribunais Regionais Federais não atuavam condignamente.
Se atuassem, seria muito menor a intervenção da Corregedoria Nacional nesse setor disciplinar.
Essa sua visão dá para ser traduzida em números? O Conselho Nacional de Justiça tem estatísticas sobre juízes que foram processados e estão sendo julgados? DIPP: Nós, da Corregedoria e do Conselho, afastamos inúmeros juízes em sindicância.
Afastamos definitivamente em processos disciplinares, inclusive um ministro do Superior Tribunal de Justiça (Paulo Medina) num processo em que fui relator. Todo processo contra juiz é um processo demorado, permite a ampla defesa. Começa com uma sindicância. Nessa sindicância são ouvidas testemunhas, feitas perícias, tem que fazer reconstrução de toda a carreira do juiz, das decisões do juiz que geraram desconforto administrativo para as partes, para só depois chegar a uma conclusão com fatos concretos. Vários foram afastados, vários foram punidos e tantos outros estão em tramitação no Conselho Nacional e na Corregedoria e, certamente, gerarão sindicâncias e processos disciplinares.
O senhor poderia nos dizer quais os casos que considerou mais graves neste período? DIPP: Tivemos casos emblemáticos.
Um deles foi o julgamento de uma reclamação disciplinar contra um ministro do STJ.
Paulo Medina? DIPP: Paulo Medina, que foi afastado. Foi punido com aposentadoria compulsória, que é a punição mais grave na Lei Orgânica na Magistratura.
Afastamos ainda em fase de sindicância o corregedor geral de Justiça do Rio de Janeiro. Afastamos o corregedor em exercício do Tribunal de Justiça do Amazonas.
Afastamos em processo administrativos disciplinares sete dos nove juízes que atuam nas varas cíveis de São Luís do Maranhão. Todos eles com antecipações de tutela, ou medidas cautelares, ou liminares, liberando altas somas que se originaram de pequenas ações de indenização por dano moral e que passavam de R$ 5 mil a R$ 15 milhões. Nós tivemos a extinção do Ipraj em Salvador, aquela autarquia que administrava financeiramente o Judiciário da Bahia.
A sociedade tem uma expectativa muito grande sobre o juiz. O juiz projeta uma imagem de quase santo. Por que um juiz se corrompe? DIPP: Eu disse uma cer ta vez, numa entrevista, que o Judiciário, a exemplo de outros poderes, não está blindado contra a corrupção. O que ocorre no Judiciário, esses casos pontuais, é o que ocorre em outros poderes. É a sensação de impunidade, a onipotência e a tentativa de obter proveito daquilo que é mais sagrado, a prestação jurisdicional.
Ou seja, o juiz deve ter uma conduta muito mais austera do que qualquer outro cidadão. Porque ele, em suma, julga questões relativas à vida, à liberdade e ao patrimônio das pessoas.
Mas essa não é uma corrupção generalizada. É uma corrupção localizada.
Alguns dizem que a corrupção aparece mais no Executivo e no Legislativo porque são mais transparentes. E aparece menos no Judiciário porque é um poder menos transparente.
O senhor acha que o grau de corrupção no Judiciário está no mesmo nível dos outros poderes? DIPP: Se formos comparar com os outros poderes, a corrupção no Judiciário é muito menor, muito mais localizada.
Agora, a transparência do Judiciário hoje está se dando pela atuação firme no CNJ e, em especial, da Corregedoria. Hoje nós temos os portais do Siafi do Judiciário, onde estão todos os casos, os cargos de confiança, os salários pagos, o número de processos por juízes, as decisões que são feitas.
Nos últimos anos, surgiram vários casos de corrupção em todas as esferas de poder. O que está acontecendo: a corrupção aumentou ou as instituições estão funcionando melhor? DIPP: Acho que são os dois fatores. Primeiro houve maior transparência na investigação, no processamento e na punição dessas pessoas que praticaram atos de corrupção. Isso é um fator determinante de maior visibilidade, de maior consciência da população e de maior divulgação pela própria imprensa.
Agora, eu também acho que, ao lado disso, faticamente aumentou a corrupção pela terrível sensação de impunidade das pessoas que praticam esses atos.

sábado, agosto 07, 2010

Punição inédita do CNJ

Punição inédita do CNJ

Inédita iniciativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aposentou compulsoriamente o desembargador José Eduardo Carreira Alvim, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 2.ª Região, e o ministro Paulo Medina, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), processados por venda de sentenças e envolvimento com o crime organizado no Rio de Janeiro. Desde que foi criado, há cinco anos, o órgão encarregado do controle externo do Judiciário havia tomado medida idêntica contra juízes de primeira instância e desembargadores. É a primeira vez que essa sanção é aplicada a um ministro de um tribunal superior. A decisão foi tomada por unanimidade e os conselheiros alegaram que a pena máxima foi aplicada com objetivos pedagógicos. O STJ é a mais importante corte do País, depois do Supremo.
Além dessa sanção, Medina e Alvim terão de responder a processo penal aberto em primeira instância pelo Ministério Público Federal, pois perderam o foro privilegiado no STF. Os advogados do ex-ministro tentarão entrar com um recurso, sob a justificativa de que, apesar de ter sido aposentado compulsoriamente, ele teria direito a foro no STJ. Se for condenado, Medina estará sujeito a penas de 2 a 12 anos de prisão, por crime de corrupção passiva, e de 3 meses a 1 ano de prisão, por crime de prevaricação. A denúncia pelo crime de formação de quadrilha não foi aceita.
As acusações foram formuladas com base nas investigações da Operação Hurricane, realizada em 2007 pela Polícia Federal (PF) e que resultou em mais de 25 prisões de contraventores, advogados, procuradores e juízes. Ao investigar o crime organizado no Rio de Janeiro, a PF constatou que o advogado Virgílio Medina, irmão do ministro do STJ, trabalhava para uma quadrilha de Niterói e estava envolvido num esquema de pedido de propina e venda de recursos nas instâncias superiores da Justiça Federal. Entre outros delitos, Virgílio teria negociado, pelo valor de R$ 1 milhão, uma liminar que foi concedida por seu irmão Paulo, autorizando a liberação de 900 máquinas de caça-níqueis.
À medida em que as investigações avançaram, a PF também descobriu que o esquema tinha ramificações no Tribunal Regional do Trabalho da 15.ª Região, no escritório regional da Procuradoria-Geral da República e na vice-presidência do TRF da 2.ª Região, durante a gestão de Alvim. Além de coletar documentos, a PF promoveu escutas telefônicas com autorização judicial.
Como a Justiça sempre teve dificuldades para expurgar os magistrados indignos da toga, por causa do arraigado corporativismo nas carreiras jurídicas, a decisão do CNJ deixou constrangidos os dirigentes de entidades de juízes. Alguns ainda tentaram alegar que Medina poderá ser absolvido pelo STF na ação penal em que é réu, o que - segundo Mozart Valadares, presidente da Associação dos Magistrados do Brasil (AMB) - poderia "esvaziar" os argumentos do CNJ. Mas, pela maneira como os advogados do ex-ministro o defenderam nesse julgamento administrativo, a absolvição será difícil. Eles se limitaram a discutir a legalidade das escutas telefônicas e a invocar questões processuais. Como disse o corregedor nacional de Justiça, ministro Gilson Dipp, a decisão do CNJ e a denúncia criminal recebida pelo STF tanto contra Medina quanto contra Carreira Alvim já ensejaram motivos suficientes para que o ministro e o desembargador fossem banidos da magistratura.
O fato é que, Medina e Alvim saem no lucro, uma vez que, pela Lei Orgânica da Magistratura, continuarão recebendo até o fim da vida o salário proporcional ao tempo de serviço. Deste modo, o que deveria ser uma punição acaba sendo um prêmio.
De fato, não faz sentido mandar-se para casa, recebendo salários, magistrados pilhados na prática de irregularidades graves que os inabilitam moralmente para a função. Para acabar com essa distorção, há duas Propostas de Emenda Constitucional (PECs) em tramitação no Congresso propondo a revogação do direito à aposentadoria do servidor público que for condenado judicialmente por corrupção. Uma das PECs já passou pelo Senado e agora tramita na Câmara.

Skoob

BBC Brasil Atualidades

Visitantes

free counters