| Na figura a linha amarela mostra o contorno do gelo Ártico há 2 anos. |
Mostrando postagens com marcador Degradação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Degradação. Mostrar todas as postagens
terça-feira, setembro 28, 2010
Derretimento do gelo no ártico abre novas rotas marítimas para a Ásia
Derretimento do gelo no ártico abre novas rotas marítimas para a Ásia
Christoph Seidler e Gerald Traufetter – DER SPIEGEL
O declínio da quantidade de gelo flutuante no Oceano Ártico está abrindo o caminho para novas rotas de navegação para a Ásia. Neste verão do hemisfério norte, o tráfico na região já foi significativo. E novos navios estão sendo projetados para suportar impactos de icebergs durante viagens pela região.
Eles estavam esperando encontrar blocos de gelo, icebergs e tempestades. Como medida de precaução, um navio quebra-gelo russo foi enviado para proteger o cargueiro MV Nordic Barents dos perigos do Oceano Ártico.
No entanto, a tripulação acabou se deparando com poucos pedaços de gelo que passaram pela embarcação em apenas duas ocasiões. "O quebra-gelo nuclear acabou servindo mais como peça decorativa", afirma Felix Tschudi, da companhia de navegação responsável pela viagem do navio carregado com minério de ferro concentrado. Nesta semana, após viajar 5.700 quilômetros pelo Mar Polar, o navio chegará ao porto chinês de Lianyungang – "e nós não tivemos que parar nem uma vez sequer", diz Tschudi com satisfação.
Com uma mistura de esperança e desconfiança, companhias de navegação, políticos e ambientalistas observaram até que ponto o gelo marítimo recuou em direção ao Polo Norte neste ano. Será que a redução da banquisa polar provocará em breve uma revolução nas rotas globais de navegação?
Há apenas algumas semanas, o navio-tanque russo Baltika, carregado com 70 mil toneladas de gás condensado, navegou sem problemas pelo Ártico, do porto russo de Murmansk à cidade chinesa de Ningbo. A navegação pela rota polar está se tornando gradualmente rotineira. Isso faz com que a Ásia fique mais próxima da Europa. A rota seguida pelo MV Nordic Barents, por exemplo, do porto norueguês de Kirkenes à China, foi reduzida em 50%. "Com isso nós passamos 15 dias a menos no mar", afirma Tschudi.
Estaria o oitavo oceano da terra se transformando de fato em um "Canal do Panamá Trans-antártico", conforme disse recentemente com grande satisfação o presidente islandês Ólafur Ragnar Grímsson? De fato, além de abrir a rota nórdica ao longo da Sibéria e da costa ártica russa até o Extremo Oriente, a mudança climática global está desbloqueando a Passagem do Noroeste – e criando um caminho marítimo que passa pelo centro do Ártico canadense. Nos 100 anos decorridos de 1906 a 2006, somente 69 navios, em sua maioria tripulados por exploradores e cientistas, aventuraram-se a fazer a viagem perigosa por essas águas repletas de gelo. Porém, somente no ano passado, o especialista em direito marítimo canadense Michael Byers contabilizou um total de 24 navios que navegaram por essa rota.
Projetos de novos navios para o gelo
Nos países que têm território no Círculo Ártico, uma nova frota de navios já está sendo criada, projetada para finalmente conquistar essa área e acrescentá-la às rotas globais de navegação. Entretanto, esses navios mercantes não serão capazes de dispensar completamente a proteção contra o gelo. "Mesmo durante os meses de verão, os navegadores esperam encontrar blocos isolados de gelo flutuante", explica o pesquisador do clima global Lawson Brigham, um ex-comandante de navio quebra-gelo e autor daquele que é provavelmente um dos mais abrangentes estudos sobre as novas rotas do Oceano Ártico.
Os russos são os mais ambiciosos. Em uma conferência sobre o Ártico realizada em Moscou na semana passada, eles anunciaram com orgulho planos para a construção de dois novos navios quebra-gelo nucleares dotados de reatores de 16 megawatts. Graças a um deslocamento ajustável, eles poderão ser utilizados também em águas rasas.
Ao mesmo tempo, os magnatas do setor de matérias-primas começaram a construir navios quebra-gelo para transportar petróleo, gás e minerais extraídos do Ártico:
- A Gazprom colocou em operação no campo petrolífero de Prirazlomnoye o primeiro dos seus dois navios cargueiros com cascos fortalecidos para enfrentar o gelo. Esta embarcação de 260 metros de comprimento é capaz de abrir caminho por uma camada de gelo de 1,5 metro de espessura.
- A companhia rival Lukoil construiu três navios similares para transportar petróleo do terminal de alto-mar Varandey, no Ártico, até Murmansk.
- Os cinco navios cargueiros da companhia de mineração de níquel Norilsk também podem se usados como quebra-gelos.
Até o momento, porém, as proas achatadas que esses navios usam para deslizar sobre a superfície do gelo e quebrá-lo mostrou ser ineficiente para a navegação em águas abertas. Isso fez com que a companhia de navegação Phoenix, em Leer, na Alemanha, projetasse um novo tipo de proa. O projeto vem sendo testado no canal de gelo da Hamburg Ship Model Basin (HSVA). "A eficiência desse modelo é impressionante", afirma Joachim Schwarz.
Schwarz, um ex-diretor da HSVA de grande experiência, pretende colaborar com institutos de pesquisa russos para possibilitar que os comandantes de navios naveguem pelo Oceano Ártico. “Com base em dados obtidos por satélites, haverá previsões constantes dos melhores canais para a navegação”, explica Schwarz. Isso é especialmente interessante na primavera e no outono, quando o frio e o vento criam barreiras de gelo com rapidez surpreendente.
As rotas continuam sendo perigosas
É precisamente devido a essa imprevisibilidade que especialistas como Brigham fazem advertências contra o excesso de euforia. Ele não acredita que no futuro uma grande quantidade de navios viajará de Roterdã a Tóquio por essas rotas setentrionais. “O que realmente vai aumentar é a remoção de quantidades enormes de matéria-prima do Ártico”, prevê Schwarz. Isso significa que haverá uma necessidade urgente de embarcações de resgate e abastecimento de combustível para ajudar rapidamente navios cargueiros em apuros.
A natureza potencialmente grave de tais incidentes ficou demonstrada em julho último, em um fato ocorrido ao largo da costa das Ilhas da Nova Sibéria. Dois cargueiros, navegando juntamente com um quebra-gelo, chocaram-se quando a embarcação que seguia na frente diminuiu de velocidade devido ao surgimento de uma grande quantidade de gelo.
Cada um dos navios estava carregado com 13,3 mil toneladas de óleo diesel. Mas a Companhia de Navegação Murmansk, a proprietária da embarcação, minimizou o acidente, afirmando que ele só provocou “alguns pequenos amassados e arranhões”. Segundo a companhia, o acidente não se constituiu em uma emergência mas sim em “uma situação operacional perfeitamente normal”.
Tradução: UOL
domingo, setembro 12, 2010
Tesouro ameaçado
Artes
Tesouro ameaçado
Carlos Henrique Braz – Veja Rio
Marco da arquitetura moderna brasileira, o Palácio Gustavo Capanema padece com a falta de manutenção
Fachada principal da antiga sede do Ministério da Educação: elevadores enguiçados e calor infernal
Enquanto alguns dos principais cartões-postais cariocas recebem melhoramentos, como o choque de ordem nas praias, a reforma do Maracanã e a restauração do Cristo Redentor, uma relíquia do Centro padece com a má conservação. Parada obrigatória para estudantes de arquitetura e turistas que não se limitam ao lugar-comum em suas visitas, o Palácio Gustavo Capanema, que foi sede do antigo Ministério da Educação e Saúde, exibe problemas por todos os lados (veja o quadro abaixo). Logo no térreo, uma área de aproximadamente 100 metros quadrados está há um mês isolada com fitas de advertência, devido à queda de uma placa de revestimento. Para piorar, outras partes ameaçam desabar. Esse é o ponto crítico do prédio, mas não o único motivo de preocupação. Na fachada voltada para a Rua Araújo Porto Alegre, telas de náilon azul poupam os pedestres de ser atingidos por pedaços de cimento-amianto, que há seis anos vêm se desprendendo das lâminas dos para-sóis. Na área interna, as agruras nem sempre são tão aparentes, mas há infiltrações, os detectores de fumaça não funcionam e os elevadores vivem quebrados. “Por ser de caráter emergencial, estamos licitando a modernização dos elevadores, no valor de 3 milhões de reais”, afirma Carlos Fernando Andrade, superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), um dos órgãos ocupantes do edifício e responsável por sua preservação, uma vez que ele é tombado.
Representante da arquitetura moderna, em oposição ao academicismo predominante à época, o palácio uniu em seu projeto o franco-suíço Le Corbusier, um dos artífices daquele movimento, a um escrete brasileiro das pranchetas, formado por Lucio Costa, Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Ernani Vasconcellos, Carlos Leão e Jorge Machado Moreira. Erguida entre 1936 e 1945, a construção trouxe uma série de inovações aos padrões vigentes. Ela se sustenta sobre pilotis de 10 metros de altura, uma forma de integrá-la à rua e dar-lhe leveza, bem diferente dos caixotões de concreto que acolhiam ali perto os ministérios da Fazenda e do Trabalho. A fachada principal é envidraçada de ponta a ponta, e a ala posterior tem a proteção de para-sóis. No terraço e na cobertura do mezanino, destacam-se os jardins suspensos concebidos por Burle Marx. A conexão com as artes é, de fato, marcante. No prédio, estão ainda seis painéis de azulejos e quatro afrescos de Candido Portinari, esculturas de Bruno Giorgi, Celso Antonio e Alfredo Ceschiatti, além de uma galeria, uma sala para espetáculos e uma livraria. De todo o “acervo”, apenas uma pequena parte das obras não é acessível ao público, caso do painel Brincadeiras Infantis, de Portinari, situado no 2º andar.
Com tanta história e simbolismo, era de esperar que sua manutenção fosse contínua. Infelizmente, não é o que acontece. Por ser um bem tombado, qualquer intervenção no palácio passa pelo crivo do Iphan, o que resulta numa dificuldade extra. Apenas três dos dezesseis pavimentos ainda estão com persianas. Por força da lei, elas só podem ser restauradas ou trocadas por outras exatamente iguais, o que explica a demora. Outro mal crônico diz respeito ao sistema de refrigeração. Não há ar-condicionado central e é proibido instalar aparelhos nas janelas ou rebaixar o teto para a colocação de dutos de ventilação. Nos meses mais quentes, funcionários chegam a desmaiar por causa do calor intenso que os ventiladores não são capazes de atenuar. Após a resolução dos problemas na propriedade, para atrair o turista ainda será preciso superar a questão da segurança. O Centro é uma das regiões com maior ocorrência de roubos a transeuntes. Em junho, houve 129 registros desse crime, contra 46 verificados em Copacabana, para citar outra localidade carioca de grande afluxo de visitantes.
A despeito dos inconvenientes, o Iphan lançou recentemente na Unesco a candidatura do Palácio Gustavo Capanema a Patrimônio Histórico da Humanidade. Anexado ao processo seguiu um dossiê elaborado por uma equipe da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ, destacando o valor do complexo e detalhando as intervenções necessárias para deixá-lo impecável. Incluída na agenda de compromissos, a reforma está orçada em 35 milhões de reais e dará continuidade às obras iniciadas em 1995 e concluídas quatro anos depois, que recuperaram algumas áreas internas, rebocos e painéis. Tudo leva a crer que o pedido terá a simpatia do órgão, pois a Unesco é a mais recente inquilina do imóvel, somando-se ao próprio Iphan, à Fundação Nacional de Artes (Funarte), a representações ministeriais e a outros condôminos. Resta saber se, com o apoio dos novos ocupantes, a conservação de um espaço tão relevante vai finalmente sair do papel.
Problemas por toda parte
Flagrantes do mau estado de conservação do edifício, tanto dentro quanto na área externa
Revestimento
Uma placa de pedra gnaisse despencou da parede lateral do mezanino e outras estão soltas
Para-sol
Há lâminas quebradas e falta manutenção ao equipamento que diminui o calor e a luminosidade
Ar-condicionado
O prédio sofre com o calor. Um sistema de refrigeração do tipo split foi vetado pelo Iphan
Elevadores
Os seis ascensores funcionam precariamente e ficam sujeitos a panes constantes
Detectores de fumaça
Instalado em 1996, o equipamento de prevenção contra incêndio está quebrado
Cobertura
No 16º andar, há pisos quebrados e as pastilhas que revestem as salas e a caixa-d’água estão se soltando
Infiltrações
Os jardins sobre o mezanino provocam umidade no teto da galeria e do auditório
Persianas
Só três dos dezesseis pavimentos têm a proteção, ainda assim em péssimo estado
Pátio
Seu piso exibe pontos quebrados pelas raízes das árvores
Vandalismo
Embora os azulejos de Portinari estejam bem conservados, há pilastras com placas soltas e que exalam odor de urina
Flagrantes do mau estado de conservação do edifício, tanto dentro quanto na área externa
Revestimento
Uma placa de pedra gnaisse despencou da parede lateral do mezanino e outras estão soltas
Para-sol
Há lâminas quebradas e falta manutenção ao equipamento que diminui o calor e a luminosidade
Ar-condicionado
O prédio sofre com o calor. Um sistema de refrigeração do tipo split foi vetado pelo Iphan
Elevadores
Os seis ascensores funcionam precariamente e ficam sujeitos a panes constantes
Detectores de fumaça
Instalado em 1996, o equipamento de prevenção contra incêndio está quebrado
Cobertura
No 16º andar, há pisos quebrados e as pastilhas que revestem as salas e a caixa-d’água estão se soltando
Infiltrações
Os jardins sobre o mezanino provocam umidade no teto da galeria e do auditório
Persianas
Só três dos dezesseis pavimentos têm a proteção, ainda assim em péssimo estado
Pátio
Seu piso exibe pontos quebrados pelas raízes das árvores
Vandalismo
Embora os azulejos de Portinari estejam bem conservados, há pilastras com placas soltas e que exalam odor de urina
quinta-feira, junho 17, 2010
Capitalismo sujo
Capitalismo sujo
Deu no JBlog do Kiko – 17/05/2010
A explosão e conseguinte afundamento no mar da plataforma administrada pela BP, em abril, provoca vazamento diário de 60 mil barris de óleo bruto no Golfo do México, segundo especialistas.
A lambança já é considerada a catástrofe ecológica mais grave da história dos EUA. Um açoite violento à natureza e, consequentemente, a mim e a você. Como ocorre no quintal de Obama, parece que lançaram ali apenas uma xícara de café. Eu não acho! Daí, fiz essa triste artelambança.
segunda-feira, junho 07, 2010
Satélite registra choque entre iceberg e geleira na Antártida
O recente tremor que sacudiu o Chile nos fez lembrar as intensas forças que agem sob nossos pés, mas que são completamente invisíveis aos nossos olhos e nos pegam de surpresa. Entretanto, forças colossais também agem acima da crosta terrestre e produzem choques tão violentos quanto ao das placas tectônicas. Orbitando a 700 quilômetros de altitude, o satélite de sensoriamento remoto TERRA, da Nasa, captou a colisão em detalhes, que pode ser vista na animação abaixo
A primeira imagem foi registrada em 7 de fevereiro de 2010, quando o gigantesco iceberg ainda se aproximava da lingueta do glaciar, ao mesmo tempo que pedaços de gelo flutuavam na água entre o iceberg e a costa de Mertz. Repare que a extremidade, apesar de fraturada, está presa ao glaciar.
A segunda imagem já mostra a região instantes após a colisão, com a lingueta de Mertz completamente desconectada da massa de gelo, formando um novo iceberg. Na terceira cena vemos o iceberg sendo empurrado para longe do glaciar.
As linguetas ou extremidades são extensões naturais das geleiras e são criadas pelo descongelamento da água que desce da montanha. Normalmente, as linguetas crescem ano após ano até que se rompem e formam novos icebergs. No caso do glaciar Mertz, sua lingueta estava começando a se partir antes do choque com B-09B. O novo iceberg mede 78 x 39 km e sua massa está estimada entre 700 milhões e 800 milhões de toneladas.
domingo, maio 30, 2010
Brasil se torna o principal destino de agrotóxicos banidos no exterior
Brasil se torna o principal destino de agrotóxicos banidos no exterior
Lígia Formenti - O Estado de São Paulo - 30 de maio de 2010 | 0h 00
Campeão mundial de uso de agrotóxicos, o Brasil se tornou nos últimos anos o principal destino de produtos banidos em outros países. Nas lavouras brasileiras são usados pelo menos dez produtos proscritos na União Europeia (UE), Estados Unidos e um deles até no Paraguai.
A informação é da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), com base em dados das Nações Unidas (ONU) e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.
Apesar de prevista na legislação, o governo não leva adiante com rapidez a reavaliação desses produtos, etapa indispensável para restringir o uso ou retirá-los do mercado. Desde que, em 2000, foi criado na Anvisa o sistema de avaliação, quatro substâncias foram banidas. Em 2008, nova lista de reavaliação foi feita, mas, por divergências no governo, pressões políticas e ações na Justiça, pouco se avançou.
Até agora, dos 14 produtos que deveriam ser submetidos à avaliação, só houve uma decisão: a cihexatina, empregada na citrocultura, será banida a partir de 2011. Até lá, seu uso é permitido só no Estado de São Paulo.
Da lista de 2008, três produtos aguardam análise de comissão tripartite - formada pelo Istituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), Ministério da Agricultura (Mapa) e Anvisa - para serem proibidos: acefato, metamidofós e endossulfam. Um item, o triclorfom, teve o pedido de cancelamento feito pelo produtor. Outro produto, o fosmete, terá o registro mantido, mas mediante restrições e cuidados adicionais.
Enquanto as decisões são proteladas, o uso de agrotóxicos sob suspeita de afetar a saúde aumenta. Um exemplo é o endossulfam, associado a problemas endócrinos. Dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram que o País importou 1,84 mil tonelada do produto em 2008. Ano passado, saltou para 2,37 mil t.
"Estamos consumindo o lixo que outras nações rejeitam", resume a coordenadora do Sistema Nacional de Informação Tóxico-Farmacológicas da Fundação Oswaldo Cruz, Rosany Bochner. Proibido na UE, China, Índia e no Paraguai, o metamidofós segue caminho semelhante.
O pesquisador da Fiocruz Marcelo Firpo lembra que esse padrão não é inédito. "Assistimos a fenômeno semelhante com o amianto. Com a redução do mercado internacional, os produtores aumentaram a pressão para aumentar as vendas no Brasil." As táticas usadas são várias. "Pagamos por isso um preço invisível, que é o aumento do custo na área de saúde", completa.
O coordenador-geral de Agrotóxicos e Afins do Mapa, Luís Rangel, admite que produtos banidos em outros países e candidatos à revisão no Brasil têm aumento anormal de consumo entre produtores daqui. Para tentar contê-lo, deve ser editada uma instrução normativa fixando teto para importação de agrotóxicos sob suspeita. O limite seria criado segundo a média de consumo dos últimos anos. Exceções seriam analisadas caso a caso.
A lentidão na apreciação da lista começou com ações na Justiça, movidas pelas empresas de agrotóxicos e pelo sindicato das indústrias. Em uma delas, foram incluídos documentos em que o próprio Mapa posicionou-se contrariamente à restrição. Só depois que liminares foram suspensas, em 2009, as análises continuaram.
Empresas. Representantes das indústrias criticam o formato da reavaliação. O setor diz não haver critérios para a escolha dos produtos incluídos na lista. E criticam a Anvisa por falta de transparência. Para as indústrias, o material da Anvisa não traz informações técnicas.
A Associação Nacional de Defesa Vegetal critica as listas de riscos ligados ao uso de produtos, muitas vezes baseadas em estudos feitos em laboratório. "Não há como fazer estudos de risco em população expressiva. A cada dia, mais países baseiam suas decisões em estudos feitos em laboratórios", rebate o gerente-geral de Toxicologia da Anvisa, Luiz Cláudio Meireles.
Estudo de Uerj revela que mudança climática afeta a orla do Rio
Estudo de Uerj revela que mudança climática afeta a orla do Rio
André Balocco , Jornal do Brasil
RIO DE JANEIRO - A menos de uma semana de comemorar o Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), más notícias para quem vive na orla do Rio: estudo sobre o litoral carioca apresentado pela Faculdade de Oceanografia da Uerj no IV Congresso Brasileiro de Oceanografia, realizado no Rio Grande do Sul na semana passada, aproxima a cidade do cenário do filme 2012. Comandado pelo oceanógrafo David Zee, o estudo chega à conclusão que, diante da maior incidência de ressacas, por conta das mudanças climáticas no planeta, a faixa de areia de parte da praia de Copacabana está com os dias contados. Até mesmo as normas técnicas que regem a construção na beira-mar devem ser refeitas.
– Não dá mais para construir perto do litoral, porque o mar vai comer, vai avançar – diz Zee, impressionado com o que tem visto.
Presidente da Sociedade Amigos de Copacabana, Horácio Magalhães afirma que o mar está apenas "usando o espaço que lhe é de direito".
– Parte da areia foi aterrada para a construção da Avenida Atlântica, o mar precisava desse espaço – argumenta. – Quando se anuncia uma ressaca, os donos de quiosques constroem barricadas com sacos de areia a fim de evitar que o mar invada seus banheiros, cozinha e depósito subterrâneos.
Também coordenador do Mestrado em Meio Ambiente da Universidade Veiga de Almeida, Zee diz que a diminuição da faixa de areia nos postos 5 e 6 é apenas a ponta do iceberg que descongela.
– Normalmente, a largura da praia de Copacabana, desde o aterro nos anos 60, varia de 80 a 120 metros. Em situações extremas de ressacas, diminui para 40 a 60 metros. Nunca vi do jeito que está agora – espanta-se, numa referência ao fato de a água, por vezes, bater no calçadão. – A tendência é piorar.
E essa piora, diz Zee, já pode ser percebida no Posto 6, por exemplo. A altura entre o calçadão e a areia, antes de meio metro, hoje chega a quase dois metros. A foto abaixo, tirada segunda-feira, deixa claro o nível da areia estava até bem pouco tempo atrás. Diante do poste, surgiram as pedras do enrocamento que protege o calçadão. Algumas delas já foram tragadas pelo mar; outras estão descendo, pouco a pouco, ressaca a ressaca, em direção ao oceano.
No Posto 5, o fenômeno se repete. Na última grande ressaca, em março, o enrocamento ficou exposto diante dos quiosques da Rua Djalma Ulrich. Até hoje, percebe-se uma ou outra pedra na areia e os barraqueiros foram obrigados a encostar suas barracas nas pedras portuguesas. Pode-se perceber ainda que o mar vem quebrando mais ao fundo, como acontecia antes do aterro.
Entrevista: "Os prédios estão mais vulneráveis", alerta David Zee
Diante desta nova realidade, quais as providências?
– A primeira coisa que precisa ser feita, de imediato, é reformular a estratégia de enfrentamento da ressaca, desenvolver um programa de monitoramento constante através de bóias, entender como a coisa está evoluindo localmente. A segunda é um reestudo das normas técnicas das construções costeiras. Não dá mais para construir tão próximo ao litoral, porque o mar vai comer, vai destruir.
Como evitar que a areia continue sendo roubada?
– Uma barreira de contenção de sedimentos e replantar a vegetação rasteira ajudariam.
A mudança na direção dos ventos que trazem a ressaca causa preocupação a quem vive em prédios antigos?
Sim, os ventos estão mais intensos. É preciso a elaboração de novas normas técnicas para o dimensionamento das suas vidraças, pois há risco delas se espatifarem.
quinta-feira, maio 27, 2010
Diversidade biológica: reflexão necessária
Diversidade biológica: reflexão necessária
Rogério Rocco, Jornal do Brasil
RIO - Mais do que nunca, os olhos do mundo se voltam para a importância da preservação do meio ambiente. Em variadas línguas as exclamações de pavor e perplexidade se fizeram ouvir diante das catástrofes naturais que atingiram diversos países, incluindo o Brasil, só nos quatro primeiros meses deste ano. Sem falar que o vulcão da Islândia continua a provocar um curto-circuito nos aeroportos europeus. Por curiosa coincidência, 22 de maio foi escolhido o Dia Internacional da Diversidade Biológica. O tema deste ano é a Importância da Diversidade Biológica para o desenvolvimento e a redução da pobreza. A data se refere ao 22 de maio de 1992, quando foi concluído em Nairobi o texto base para a Conferência sobre a Diversidade Biológica – que viria a ser aprovado na Rio 92. Também a Assembleia Geral das Nações Unidas declarou 2010 como o Ano Internacional da Diversidade Biológica, em razão da meta assumida pelos governos em 2002, para reduzir significativamente o atual ritmo de perdas da diversidade biológica. A conservação e a utilização sustentável dessa diversidade são fatores determinantes para evitar a variação extrema do clima e os desastres naturais, assim como para assegurar o desenvolvimento de novas tecnologias na produção de medicamentos, alimentos e cosméticos. Há anos, ambientalistas de todo o mundo – denominados pelos “progressistas desenvolvimentistas” como profetas do apocalipse, – tentam alertar para os perigos de tanto se afrontar a mãe natureza e com isso desequilibrar de forma brutal o ecossistema planetário.
E o que foi feito efetivamente nesse sentido? Muito pouco. Aqui no Brasil, somente nos últimos oito anos, com a firme atuação do Ministério do Meio Ambiente, comemoramos a redução do desmatamento estúpido da Floresta Amazônica. E o país ratificou as convenções da Biodiversidade e das Mudanças Climáticas, aprovadas durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada em junho de 1992, no Rio de Janeiro. Ato contínuo, foi editada medida provisória – convertida em lei – que instituiu as regras de acesso ao patrimônio genético brasileiro e ao conhecimento tradicional associado, que instrumentaliza o combate à biopirataria e faz justiça aos direitos econômicos das populações tradicionais (ribeirinhos, índios, quilombolas), garantindo participação nos lucros pelo aproveitamento de seus conhecimentos sobre a utilização dos elementos da natureza.
Noutro belo cenário, a Mata Atlântica também comemora em 27 de maio o seu dia. Quantas autoridades entenderam até hoje a necessidade vital de áreas protegidas? Que bosques e florestas conservados podem atenuar as catástrofes relacionadas à meteorologia? Apesar de contar com pífios 8% de remanescentes restantes de sua área original, a Mata Atlântica continua a sofrer com a degradação dos usos insustentáveis. E, o pior, amparada pelo Poder Judiciário. No último dia 8 de abril, o juiz federal Nicolau Konkel Júnior, do Paraná, anulou o decreto de 1997 que criou o Parque Nacional da Ilha Grande, naquele estado. Na discussão sobre o direito de propriedade, ao invés de condenar a União à indenização dos supostos proprietários, preferiu cancelar a proteção da floresta e abrir as portas para sua destruição. Nem agora, após tsunamis, terremotos, vendavais, temporais e milhares de mortes, a urgente reflexão parece ser feita com a seriedade que se exige. Não faltam elementos. Os termos de cooperação internacional facilitam a transferência de recursos e tecnologia dos países ricos aos países em desenvolvimento. Ainda que se evidencie aqui a interferência econômica sobre os interesses ecológicos, não é difícil, entretanto, encontrar semelhanças entre a economia e a ecologia. Uma regula os fluxos monetários e a outra regula os fluxos naturais. São duas ciências que evoluem conforme o seu meio, suas culturas e sociedades, ou seja, interligam-se aos momentos de transformações, sofrendo e exercendo influências. Portanto, vamos somar enquanto há tempo, pois até agora só tratamos de subtrair!
Rogério Rocco é analista ambiental.
domingo, maio 02, 2010
As autoridades norte-americanas reconheceram no sábado que é "inevitável" que o óleo do vazamento descontrolado no Golfo do México chegue ao litoral dos EUA, provavelmente começando pelo Estado da Louisiana.
Mancha de óleo se aproxima da costa dos EUA, Obama irá à região
Domingo, 2 de maio de 2010 10:32 BRT Por Matthew Bigg
VENICE, Louisiana (Reuters) - O presidente Barack Obama vai visitar a costa do Golfo do México nos Estados Unidos no domingo, enquanto seu governo procura desviar críticas segundo as quais poderia ter reagido mais rapidamente a um enorme vazamento de petróleo que ameaça se transformar em catástrofe econômica e ambiental. O incidente pode acabar rivalizando com o desastre do Exxon Valdez no Alasca em 1989, o pior vazamento de óleo da história dos Estados Unidos. Os esforços para conter o vazamento e proteger o litoral continuaram no sábado, mas foram limitados pelas ondas altas causadas por ventos fortes, disseram autoridades.
As autoridades norte-americanas reconheceram no sábado que é "inevitável" que o óleo do vazamento descontrolado no Golfo do México chegue ao litoral dos EUA, provavelmente começando pelo Estado da Louisiana. Membros do gabinete de Obama, incluindo os secretários de Segurança Interna e do Interior, iriam aparecer em jornais televisivos na manhã de domingo para comentar a reação do governo ao desastre. Os assessores de Obama disseram no sábado que o presidente está "totalmente engajado" desde o começo com o monitoramento do problema crescente.
"Há óleo suficiente lá fora para que seja lógico pensar que vai atingir o litoral. É apenas uma questão de onde e quando", disse o oficial da Guarda Costeira americana Thad Allen. "É a Mãe Natureza quem vota neste tipo de coisa." O litoral da Louisiana à Flórida está ameaçado pela mancha de óleo, que se estima esteja cobrindo uma área de 208 por 112 quilômetros e que ainda está aumentando. Muitas das comunidades que estão no caminho da mancha são as mesmas que foram devastadas pelo furacão Katrina em 2005. O petróleo que jorra descontrolado da explosão na plataforma de perfuração Deepwater Horizon e de um poço rompido a cerca de 68 quilômetros da costa do Louisiana foi empurrado para o norte, em direção à costa, por ventos fortes, mas que mudam de direção. No sábado, a extremidade avançada da mancha envolveu a pequena comunidade pesqueira de Venice, a 121 quilômetros a sudeste de Nova Orleans. Autoridades dizem que dentro de três ou quatro dias as costas do Mississippi e Alabama podem estar em risco.
Importantes rotas de transporte marítimo, áreas pesqueiras, refúgios nacionais de fauna silvestre e praias populares estão no caminho da sopa de petróleo. Até agora os corredores marítimos vitais que levam ao rio Mississippi e aos enormes portos da Costa do Golfo não foram afetados, disseram autoridades. A região litorânea do Golfo do México e suas áreas pantanosas abrigam centenas de espécies de fauna silvestre, incluindo peixes-bois, tartarugas marinhas, golfinhos, toninhas, baleias, lontras, pelicanos e outras aves. O Golfo é também uma das áreas pesqueiras mais férteis do mundo, repleta de camarões, ostras, mexilhões, caranguejos e peixes. Sua indústria pesqueira movimenta 1,8 bilhão de dólares e perde apenas para a do Alasca.
(Reportagem adicional de Chris Baltimore e Kristen Hays em Houston, Tom Bergin em Londres, Carlos Barria em Venice, Louisiana, Phil Stewart em Washington, Joshua Schnyer e Rebekah Kebede em New York) © Thomson Reuters 2010 All rights reserved.
Assinar:
Postagens (Atom)