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segunda-feira, outubro 11, 2010
Recortes de um país desigual
Recortes de um país desigual
O ESTADO DE SÃO PAULO
Dos 5.564 municípios brasileiros, só 226 oferecem à sua população ensino de qualidade, boa cobertura na área de saúde e empregos formais suficientes para assegurar-lhe renda satisfatória. Em 2.503 municípios, praticamente não há água tratada nem atendimento médico básico e os empregos, em geral insuficientes, são predominantemente informais e temporários. Pelo menos 40 milhões de brasileiros vivem em municípios carentes.
Este é o quadro social do Brasil traçado pelo Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), elaborado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, com base em dados oficiais sobre emprego e renda, educação e saúde. Esse estudo vem sendo realizado há três anos e a defasagem - o novo IFDM baseia-se em números de 2007 - se deve ao atraso na divulgação dos dados básicos. O IFDM expõe cruamente a grande diferença entre as condições de vida num município de alto índice de desenvolvimento e em outro que carece de serviços básicos de educação e saúde e não consegue gerar empregos decentes para seus trabalhadores.
O município paulista de Araraquara, a 275 quilômetros da capital, foi o que alcançou o maior IFDM do País. No outro extremo da lista está o município maranhense de Marajá do Sena, o mais carente do País.
Todo o esgoto de Araraquara é recolhido por sistema público de coleta, toda a população tem água tratada, 100% dos domicílios dispõem de luz elétrica, praticamente todas as ruas são pavimentadas, há boa rede de hospitais e postos de saúde e a maioria das escolas está conectada à internet. Em termos de educação e saúde, Araraquara repete as condições de boa parte dos demais municípios paulistas - dos 15 mais desenvolvidos do País, 14 estão no Estado de São Paulo; dos 100 melhores no ranking de educação, 92 são paulistas; no item saúde, o Estado de São Paulo só é superado pelo Paraná.
O que colocou Araraquara em primeiro lugar na classificação foi seu desempenho no item emprego e renda. Em 2007, a principal indústria do município admitiu 610 trabalhadores. Depois da conclusão de um diagnóstico que definiu sua vocação para as áreas de tecnologia de informação e logística, por sua localização privilegiada, Araraquara atraiu dezenas de empresas, que geraram milhares de empregos.
Já a população de Marajá do Sena, a 350 km de São Luís, tem água na torneira em dias alternados, como mostrou o jornal O Globo. Não há médico na cidade. Por suas ruelas de terra corre o esgoto a céu aberto. Não há sistema público de transporte e, para se chegar à cidade, é preciso cruzar estradas esburacadas.
São recortes de um país desigual, que vem melhorando - de ano para ano o IFDM vem subindo em todas as regiões, em todos os Estados e praticamente em todos os municípios -, mas num ritmo lento demais, sobretudo para os que ainda vivem em péssimas condições de habitação, saneamento e saúde, não dispõem de um sistema de ensino adequado nem conseguem empregos estáveis e com remuneração condigna.
É importante destacar que o ano de 2007, ao qual se refere o IFDM, foi de bom desempenho da economia. Com a rápida expansão da economia, as empresas geraram 1,6 milhão de empregos formais, 31,6% mais do que no ano anterior. Foram, em geral, empregos de qualidade inferior à dos postos de trabalho abertos em 2006, pois a renda real média cresceu bem menos.
Na área de educação, os gastos públicos foram 4% maiores em termos reais e, com o início de novo mandato presidencial, um novo programa de estímulo ao ensino básico foi colocado em prática. Na área de saúde, porém, persistiram os altos índices de doenças e óbitos causados por precárias condições de vida e moradia e pelas dificuldades de acesso aos serviços básicos de saúde e saneamento.
Nessas duas áreas os investimentos, mesmo quando feitos no ritmo adequado, só produzem resultados a médio e longo prazos. Nos últimos anos, porém, eles têm sido insuficientes, o que pode retardar a já lenta evolução do IFDM.
quinta-feira, setembro 09, 2010
Universidade de Cambridge passa Harvard em lista das melhores universidades do mundo; USP e Unicamp estão entre as 300 primeiras
RANKING
Universidade de Cambridge passa Harvard em lista das melhores universidades do mundo; USP e Unicamp estão entre as 300 primeiras
Plantão | Publicada em 08/09/2010 às 13h19m - O Globo, com Agências Internacionais
RIO - A Universidade de Cambridge, na Inglaterra, foi eleita a melhor do mundo em 2010, segundo lista elaborada pelo conselho acadêmico QS, entidade que avalia a qualidade dos centros de educação superior. Cambridge destronou Harvard, tornando-se na primeira instituição britânica a liderar o ranking criado em 2004.
A sétima edição do ranking foi publicada nesta quarta-feira (8) no site www.topuniversities.com , e pela primeira vez a liderança não ficou com uma universidade americana. A classificação foi elaborada a partir de votos de 15 mil acadêmicos de todo o mundo.
Em terceiro lugar ficou a Universidade americana de Yale, na terceira posição, e a britânica University College London, em quarto.
O Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT, sigla em inglês) subiu do nono para o quinto posto, o que reflete, segundo o QS, a força e crescente prestígio das universidades especializadas em tecnologia.
A lista das dez melhores é completada pela Universidade de Oxford, o Imperial College de Londres (ambas britânicas), a Universidade de Chicago, o Instituto Tecnológico da Califórnia (Calitech) e a Universidade de Princeton (estas três dos EUA), nesta ordem.
A Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), na Cidade do México, é a melhor universidade da América Latina, apesar de ter caído no ranking mundial e saído da lista das 200 melhores. O Brasil tem duas universidades entre as top 300: Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Para a elaboração da lista, a empresa de aconselhamento de carreiras QS tem em conta factores como a reputação da universidade, a investigação que produz ou a facilidade com que os seus alunos se empregam.
As 10 melhores universidades do mundo
1ª University of Cambridge Reino Unido
2ª Harvard University EUA
3ª Yale University EUA
4ª UCL (University College London) Reino Unido
5ª Massachusetts Institute of Technology (MIT) EUA
6ª University of Oxford Reino Unido
7ª Imperial College London Reino Unido
8ª University of Chicago EUA
9ª California Institute of Technology (Caltech) EUA
10ª Princeton University EUA
As cinco melhores da América Latina
222ª Universidade Nacional Autónoma de México (UNAM) México
253ª Universidade de São Paulo Brasil
292ª Universidade Estadual de Campinas Brasil
326ª Universidade de Buenos Aires Argentina
331ª Pontifícia Universidade Católica de Chile
segunda-feira, setembro 06, 2010
Fortaleza é uma das que mais aprova no ITA
Fortaleza é uma das que mais aprova no ITA
MOZARLY ALMEIDA - REPÓRTER
Os concorrentes dominam Matemática e Física e se dedicam a uma rotina de estudo exaustiva
O segundo semestre do ano letivo avança e, com a chegada do fim do ano, intensifica-se a rotina de estudos para as seletas turmas de colégios que, em Fortaleza, fazem a preparação para o vestibular de escolas militares. Mergulhados na aprendizagem de disciplinas consideradas áridas, como Matemática e Física, muitos desses pequenos "gênios" enfrentam uma maratona que, mais uma vez, poderá colocar a Cidade entre as capitais de maiores índices de aprovação nesses concursos, tidos como os mais difíceis do País.
Alunos das "Turmas ITA", como ficarão conhecidas, costumeiramente começam a estudar no início da manhã e vão até 22h ou 23h diariamente, com paradas apenas para as refeições ou urgências do dia a dia. Nos fins de semana, também, não abandonam os livros. O certo é que a competição entre os colégios e a dedicação extrema dos estudantes vêm surtindo efeito. Dentre os 120 calouros deste ano no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), 30 são de Fortaleza, dos quais 27 homens e três mulheres.
Para se ter uma ideia do desempenho dos estudantes cearenses no último vestibular do ITA - realizado em dezembro de 2009 para o corrente ano letivo -, São Paulo aprovou apenas 12 alunos e igual número registrou-se na cidade do Rio de Janeiro. O nível de aprovação de Fortaleza perdeu somente para São José dos Campos (SP), onde está sediado o ITA, a escola militar mais concorrida do País. Em seu último vestibular, por exemplo, foram 54,2 candidatos concorrendo a uma vaga.
O ITA é uma instituição de ensino superior ligada ao Comando da Aeronáutica. Está localizado no Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA) e possui cursos de graduação e pós-graduação em áreas de Engenharia, principalmente no setor Aeroespacial, sendo considerado um centro de referência no ensino da área. Também em Fortaleza é grande a procura por uma vaga no Instituto Militar de Engenharia (IME), localizado no Rio de Janeiro e que oferece dez cursos, dentre eles, Engenharia da Fortificação e Engenharia de Comunicações.
A unidade de preparação para o Exército é a Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), que tem sua origem em 1792, com a criação da Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho, a primeira escola militar das Américas. Porém, como para ingressar na instituição, o aluno precisa ter feito o 3º ano do Ensino Médio na Escola Preparatória de Cadetes do Exército (Especex), a Aman fica fora da concorrência entre alunos de escolas da rede privada.
"A disputa é mesmo acirrada", admite um dos criadores no Ceará desses cursos, o professor Francisco Nazareno de Oliveira. Em 1989, quando o Ceará aprovava um ou dois alunos no ITA, ele visitou as escolas Impacto e Anglo, no Rio de Janeiro, e Objetivo, em São Paulo. Na ocasião, ele observou os pontos positivos e negativos do ensino naquelas cidades e aprimorou a ideia. "Criamos, aqui, nossa estrutura", completa Nazareno Oliveira, que, na época, ensinava no Colégio Geo Estúdio, unidade que formou a primeira turma de jovens para disputar uma vaga nas escolas militares, com um total de 30 alunos.
"No ano seguinte, tivemos três aprovados", diz. A partir dali, a Cidade começou a se destacar nesses vestibulares. Em 1990, foram nove aprovados e, em 1991, 16. "Nesse ano, o Ceará despontou no cenário nacional com o maior índice de selecionados e foi até tema de matérias publicadas em revistas nacionais", lembra.
O fato é que, atualmente, seis escolas formam as chamadas Turmas ITA: Colégio Farias Brito, Ari de Sá, 7 de Setembro, Christus, Master e Antares. Nelas, alunos começam a se preparar quando ingressam no primeiro ano do Ensino Médio.
Centros de excelência
Para Nazareno de Oliveira, hoje diretor geral do Master, o Ceará "não tem uma universidade de ponta como ITA, IME, USP ou Unicamp. Por isso, muitos buscam centros de excelência fora do nosso Estado".
Já o professor do Farias Brito Jorge Cruz observa que, normalmente, ao terminar o curso superior oferecido pelas escolas militares, o aluno conta com emprego garantido, pois os formandos são visados por empresas de grande porte no Brasil e em outros países do mundo. "Os selecionados nesses processos são de altíssimo nível".
CIÊNCIAS EXATAS
Aluna destaca gosto pela Matemática
"O domingo, geralmente, tiro para descanso e lazer porque, só estudar, a gente não aguenta", dispara Isabela Maria Novais de Magalhães, 17 anos. Além das atividades em sala de aula, ela costuma estudar, a mais, de seis a oito horas diariamente. Isabela é uma das três mulheres da Turma ITA do Colégio 7 de Setembro - localizado no Centro de Fortaleza - e que é composta por mais 40 rapazes.
O sonho da estudante é passar para o curso de Engenharia Eletrônica no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). "Gosto de Matemática e Física", diz, ressaltando seu fascínio pelo universo das novas tecnologias.
Esses são alguns dos motivos que a levaram a enfrentar a maratona de estudos que inclui, ainda, aulas extras aos sábados; vestibulares simulados, geralmente, semanais; e uma rotina que a faz, muitas vezes, abrir mão do lazer, comum para uma garota da sua idade. "Então, domingo não dá para estudar, nem que eu quisesse".
Como muitos de seus colegas de turma, Isabela não demonstra fascínio por disciplinas relacionadas às Ciências Humanas, como História, Literatura ou leituras gerais. Nas raríssimas horas vagas de que dispõe, costuma ler publicações sobre novas tecnologias e informática.
A presença da mulher entre os candidatos para essas escolas vem aumentando. Ainda assim, no último vestibular para o ITA, dos inscritos, apenas 21,3% eram mulheres. É o mito da rigidez militar um dos fatores para a minoria feminina entre seus alunos. Localizado em São José dos Campos, a 900 quilômetros de São Paulo, o ITA promove a ciência aeroespacial.
EMPREGO E SALÁRIO
"Foi uma escolha minha"
Em dezembro, Marcos Henrique Diógenes de Oliveira, 19 anos, aluno do Colégio Ari de Sá da Aldeota desde a alfabetização, tentará ingressar no ITA pela terceira vez. "Enfrento uma carga de estudo pesada e, às vezes, tenho a sensação de que estou me sacrificando muito. Então, paro e penso: foi uma escolha minha".
"Minha vocação é para as ciências exatas", afirma ele, justificando a determinação em não abrir mão do sonho. Outro motivo da persistência é a promessa de emprego certo, bons salários e o reconhecimento profissional que, em geral, conquistam os profissionais formados nessas instituições militares.
Para Marcos Henrique, que também está inscrito no vestibular do IME, as possibilidades que se apresentam aos concludentes compensa uma rotina diária voltada quase inteiramente para os estudos e que pode incluir até o fim de semana.
Também admite que, na primeira tentativa, ainda com 17 anos incompletos, julgou estar preparado para a disputa. "Eu me enganei. Era preciso mais esforço", frisa. No ITA, ele irá concorrer a uma vaga para Engenharia Mecânica e, no IME, para Engenharia da Computação. "Será uma alegria muito grande se eu passar", diz, com os olhos já brilhando de emoção. O aluno lembra que o colégio oferece todas as condições necessárias para quem quer se preparar diante da concorrência, inclusive com assistência psicológica. "Desta vez, estou mais tranquilo", comenta, adiantando, contudo, que em caso de insucesso, não teria mais coragem de insistir no projeto.
SUPORTE
Escolas também entram na disputa
Qual é o perfil do aluno que disputa uma vaga nas escolas militares? Dez entre dez professores dos cursos preparatórios respondem: são extremamente estudiosos e determinados, gostam de desafios e têm sólida base no processo de aprendizagem. "Eles apresentam muita facilidade com a Matemática, com os cálculos", completa Estênio Sabóia, um dos coordenadores do Colégio Ari de Sá.
Segundo ele, o vestibular do ITA é o de maior concorrência do País, ainda assim, é o mais procurado pelos alunos do Ari. "Dos estudantes que desejam uma escola militar, pelo menos 90% querem ingressar no ITA", explica, adiantando que a tradição e o reconhecimento do instituto são determinantes.
"Quem conclui uma escola dessa tem emprego garantido", diz, enfatizando, ainda, as chances de estágios oferecidas por multinacionais antes mesmo de o aluno terminar o curso. "Eles vão para França ou Alemanha. Terminam o curso quando retornam", afirma, ressaltando que o mercado financeiro "fica de olho neles, pois possuem raciocínio lógico muito apurado".
O fato é que os atrativos das escolas militares fazem muitos jovens passar o dia no colégio. Num turno, eles assistem às aulas; no outro, estudam com os colegas. "A gente se ajuda ou recorre aos professores", diz Renan Pablo Rodrigues, do 7 de Setembro. Rotina pesada enfrenta também João Vitor Sousa, do Ari de Sá. "Fico no Ari até as 21 horas", confessa. A meta dos dois: ingressar no ITA.
Os alunos desses cursinhos passam a maior parte do tempo na escola, onde dispõem de biblioteca específica para eles, laboratórios de redação e salas de estudo. Além do suporte oferecido pelos professores, participam dos vestibulares simulados, acrescenta o professor Jorge Cruz, do Farias Brito.
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