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sábado, agosto 07, 2010

O vácuo na pesquisa

O vácuo na pesquisa

O Brasil precisa se espelhar no modelo adotado por países desenvolvidos para dar espaço ao desenvolvimento de tecnologias. Esse setor passou a ser prioritário a todos os países que olham para a frente e trabalham também pensando no futuro.
O modelo adotado pelas nações que mais conseguem êxito em inovação tecnológica é relativamente simples. Fundos de investimento voltados para tecnologia aplicam recursos em pequenas e médias empresas que desenvolvem produtos inovadores. Essas empresas surgem, na grande maioria dos casos, por iniciativa de técnicos que, a partir das universidades, decidem realizar pesquisas patrocinadas pelo Estado. A partir das pesquisas aparecem ideias de produtos novos, que solucionam problemas através de tecnologia de ponta, usando ferramentas como a nanotecnologia.
Trata-se da maneira mais eficiente, pelo menos até agora, de colocar um país entre os mais avançados do mundo. Inovação tecnológica é uma necessidade cada vez maior no cenário econômico global, em que os diferenciais levam empresas a conseguir vantagens competitivas que fazem toda a diferença.
No Brasil, esse trabalho ainda é incipiente. Existem entidades de apoio à pesquisa, como a Finep e a Fapesp, mas é preciso fazer muito mais. Estimativas baseadas em estatísticas feitas em universidades brasileiras e do exterior mostram que o Brasil tem aproximadamente 2% dos trabalhos científicos desenvolvidos no âmbito acadêmico em todo o mundo - um número expressivo que, no entanto, perde muito de sua força quando se lembra que o País nem figura entre os 50 maiores no ranking global de registros de patente.
Existe um vácuo que precisa ser desenvolvido com rapidez. Integrar o trabalho de pesquisa nas universidades com necessidades de negócios é salutar para a economia brasileira e ajuda a formar empreendedores. Não podemos ficar de fora desse processo, que há muito deixou de ser uma alternativa para se tornar uma necessidade.
Apoiar com recursos a pesquisa acadêmica precisa ser uma prioridade. É importante que os candidatos à próxima eleição estejam atentos a essa realidade para que o Brasil possa começar a caminhar em uma área em que, até agora, tem presença incipiente.
Publicado em: DCI (Opinião) em 3 de Agosto de 2010

sábado, maio 08, 2010

A FALTA DE DOCENTES NAS FEDERAIS

A FALTA DE DOCENTES NAS FEDERAIS
EDITORIAL - O ESTADO DE S. PAULO - 8/5/2010
Como a expansão das universidades federais no governo Lula foi determinada mais por critérios políticos do que técnicos, muitas delas agora enfrentam dificuldades para encontrar professores com a qualificação necessária para compor o quadro docente. Nos últimos 5 anos do governo Lula, foram criadas 15 novas instituições federais de ensino superior, que oferecem 12 mil novas vagas em seus cursos de graduação. Contudo, os cursos de pós-graduação estrito senso ? a maioria concentrada nas Regiões Sudeste e Sul ? não estão conseguindo formar mestres e doutores para suprir a demanda.  O problema é mais grave na Região Norte, onde as Universidades Federais de Rondônia (Unir), Pará (UFPA) e Amazonas (Ufman) tiveram de abrir novos concursos públicos para seleção de docentes, por falta de inscritos qualificados nos concursos anteriores. A maior dificuldade é preencher as vagas nos campi mais afastados das capitais. Das cinco novas unidades da instituição, a mais próxima da sede está a 720 km de Manaus. Outra unidade fica numa cidade de 20 mil habitantes, sem infraestrutura e sem acesso aéreo, na fronteira com a Colômbia e o Peru.  "É difícil um doutor querer morar num lugar assim. A gente enfrenta uma concorrência desleal, pois não existe uma política que dê um diferencial mais sedutor ao Norte. Aqui nunca é a primeira opção", diz o professor Albertino de Carvalho, pró-reitor de gestão da Ufman. "Para melhorar nosso atrativo, precisamos de recursos extras e de uma política de médio e longo prazos. E isso depende de uma decisão política: o País quer ou não criar condições para termos doutores capazes de aproveitar o potencial da região amazônica?", pergunta o pró-reitor de pesquisa e extensão da UFPA, Emmanuel Tourinho.  Como os salários das universidades federais são iguais em todo o País, quem tem mestrado ou doutorado prefere fazer a carreira acadêmica nas instituições do Sudeste e do Sul. Sediadas em cidades de médio e grande portes, elas são mais equipadas, em matéria de instalações físicas, equipamentos de informática, laboratórios e bibliotecas. E, além de oferecer melhores condições de trabalho, gozam de uma visibilidade internacional que as universidades federais das Regiões Norte e Centro-Oeste não possuem.  Além de registrar altos índices de evasão e expressivas taxas de ociosidade em alguns cursos, a maioria das universidades criadas nos últimos anos pelo governo Lula ainda funciona em canteiros de obras atrasadas, com aulas em prédios improvisados e sem dispor de infraestrutura. Por causa disso, algumas não estão conseguindo reter os estudantes beneficiados pelo sistema de cotas, que chegam despreparados da rede pública de ensino médio. As novas universidades tiveram a inauguração antecipada, a fim de que pudessem ser utilizadas como bandeira política para as eleições de 3 de outubro.  Para atenuar o problema do déficit de professores qualificados, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) lançou, em dezembro de 2008, um plano para estimular a criação de novos programas de pós-graduação, especialmente nas Regiões Norte e Centro-Oeste. E, seis meses depois, a entidade e representantes dos Ministérios da Educação (MEC), do Desenvolvimento e da Ciência e Tecnologia formaram uma comissão para começar a implantar o Programa de Apoio à Pós-Graduação (PAPG) ainda este ano. A ideia é levar as universidades situadas nas áreas mais carentes de professores qualificados a criar cursos de mestrado e doutorado adaptados às especificidades sociais e econômicas regionais, para que elas formem seus próprios quadros docentes. A iniciativa é importante, mas demorará para apresentar resultados, pois, como explica a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior do MEC, ela ainda é uma "proposta em construção".  O déficit de professores qualificados nas universidades federais mostra que o ensino superior público continua apresentando problemas e que o governo Lula, em seus dois mandatos, jamais teve uma política bem estudada para superá-los. 

Skoob

BBC Brasil Atualidades

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