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sexta-feira, junho 04, 2010
O silêncio de Hillary Clinton
O silêncio de Hillary Clinton
Gilson Caroni Filho - Jornal do Brasil - 04/06/2010
No artigo Sionismo: armadilhas de origem, escrito em parceria com o economista Carlos Eduardo Martins para o site Carta maior, afirmamos que, por sua própria ideologia fundadora, Israel jamais se submeteu ou se submeterá a leis internacionais ou preceitos humanitários, assim como jamais se sentiu ou se sentirá obrigado a respeitar quaisquer acordos ou tratados que firme. Desde sua fundação, e em toda sua história, Israel definiu a si mesmo como um Estado fora da lei, uma força expansionista em permanente confronto com os terroristas de territórios ocupados.
O ataque em águas internacionais a uma missão que levava alimentos, materiais de construção e medicamentos para a população da Faixa de Gaza, brutalmente devastada pela operação Chumbo Derretido, realizada no início de 2009, é apenas mais uma ação que confirma a cristalina certeza israelense: o que conta é o apoio dos aliados estadunidenses, que procuram assegurar a hegemonia política na região. A comunidade internacional não deve ser levada a sério.
Uma acintosa exibição dessa má ou falsa consciência pode ser encontrada nas palavras de Giora Becher, embaixador israelense no Brasil:
Os organizadores estavam cientes de que suas ações eram ilegais. Sob o direito internacional, quando um bloqueio marítimo está em vigor, nenhuma embarcação pode ingressar na área bloqueada. Em conformidade com as obrigações do Estado de de Israel sob esta lei, os navios foram avisados várias vezes sobre o bloqueio marítimo ao longo da costa de Gaza.
Em uma eficiente inversão ideológica, Becher tenta ocultar a estratégia da barbárie. Israel decreta um bloqueio e busca a chancela de um sistema normativo que o condena. É assim que deve ser compreendida a brutalidade da ocidental e democrática sociedade israelense: como mera afronta à lógica formal que objetiva legitimar os ditames de uma extrema-direita fundamentalista e religiosa.
Convém recordar alguns fatos. Recente resolução do Conselho de Segurança da ONU recomendou a Israel, em termos extremamente brandos, que subscrevesse o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP). Dupla perda de tempo. Primeiro, porque será ignorada, como foram todas as resoluções anteriores instando o Estado judeu a cessar suas ações imperialistas e de massacre contra os palestinos. Segundo, porque, mesmo que uma liderança eventual acedesse em subscrever o TNP, o povo eleito o ignoraria solenemente. Ou alguém supõe que Tel Aviv permitiria inspeções de Agência Internacional de Energia Atômica a seus arsenais nucleares?
Não esperem da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, propostas de fortes sanções comerciais e financeiras contra Israel, muito menos ameaças nada veladas de intervenção militar. Essas, ela reserva para o Irã, país signatário do TNP e sem histórico de agressões a vizinhos e atos de pirataria de Estado. Ou mesmo palavras duras de condenação e advertência, quando não de clara intimidação, como as dirigidas ao Brasil. Sobre Netanyahu e seus soldados, de Hillary só se pode esperar o silêncio cúmplice dos assassínios.
Israel, fiel aliado de Washington durante a Guerra Fria, é encarado como uma ilha de civilização ocidental no Oriente Médio. Merece todo apoio e consideração contra os bárbaros islâmicos .
A docilidade do texto do Conselho de Segurança não poderia ser mais elucidativa. Não há condenações, não se fala em ataques, mas em ações Os nove ativistas mortos não imaginavam que a arrogância, o terror e o sadismo com que o Exército israelense trata as populações palestinas fossem extensivos aos que se empenham em ações humanitárias. O ataque à flotilha é uma lição da velha ordem internacional. Nela, procura-se mostrar a inutilidade do humanismo como um referente ético sem valor de uso nem de troca.
terça-feira, março 30, 2010
Assim perde a isenção necessária para emitir opiniões e não representa a categoria toda!
Presidente de entidade é filiada ao PT
FOLHA DE SÃO PAULO – 30/03/2010 DA REPORTAGEM LOCAL
Líder da greve na rede estadual de ensino, a presidente da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), Maria Izabel Noronha, enfrenta resistência dentro da entidade por tê-la transformado, nas palavras de opositores, em "braço do PT". Para eles, questões educacionais ficaram em segundo plano. Os defensores de Bebel, como a sindicalista é chamada, negam a afirmação. Dizem que a direção da entidade tem membros de diversos partidos e que a prioridade é a melhoria das condições de trabalho dos professores. Formada em letras pela Universidade Metodista de Piracicaba, Bebel está em seu segundo mandato na presidência -o primeiro foi entre 1999 e 2002. Ela é filiada ao PT e é da corrente chamada Articulação Sindical, ligada à CUT, que comanda o sindicato desde a década de 80.
"Não há problema ter partido. O problema é transformar o sindicato num braço do governo", disse José Geraldo Corrêa Jr., da corrente Oposição Alternativa Conlutas, ligada ao PSTU.
"Sempre fomos contra a política de avaliar professores. O FHC não conseguiu implementar. Mas, como o ministro Fernando Haddad [Educação] é favorável, a ideia avançou nos governos Lula e Serra. Essa corrente rebaixou o sindicato", disse.
"Não defendemos nenhum partido. No governo da Marta [Suplicy], por exemplo, fizemos fortes protestos contra o fechamento de escolas", diz Carlos Ramiro de Castro, antecessor de Bebel. A Folha não conseguiu contatar a sindicalista.
Além de presidir a Apeoesp -que possui cerca de 170 mil sócios, numa rede de 230 mil professores-, Bebel é membro do Conselho Nacional de Educação, cujos membros são indicados pelo governo federal. Um membro do órgão afirmou que ela tem grande habilidade para defender suas posições.
sábado, março 27, 2010
Professores dão aula de baderna
Professores dão aula de baderna
27/03/2010
Fico me perguntando como os alunos analisam as imagens de professores desrespeitando a lei e atirando paus e pedras contra a polícia, como vimos na manifestação nos arredores do Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo --afinal, supostamente são os professores que, em sala de aula, devem zelar pela disciplina.
É claro que, nem remotamente, a agressividade daquela manifestação representa os professores. Trata-se apenas de uma minoria organizada e motivada, em parte, pelas eleições deste ano.
A presidente da Apeoesp (o maior sindicato dos professores estaduais), Maria Izabel Noronha, disse que estava ali para quebrar a "espinha dorsal" do governador (Serra) e de seu partido (o PSDB) --ela que, no dia anterior, estava no palanque de Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência da República.
Mas será que os alunos sabem disso? Será que vão imaginar que os professores são daquele jeito, sem limites, indisciplinados?
Todos sabemos como é difícil impor disciplina em sala de aula e, mais ainda, conter a violência. Não será com exemplos de desrespeito (de quem deveria dar o exemplo) que a situação vai melhorar. Muito pelo contrário: afinal, o que se viu foi uma aula de baderna.
Só espero que pelo menos essa lição os estudantes não aprendam.
Gilberto Dimenstein, 53 anos, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às segundas-feiras.
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