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quinta-feira, janeiro 20, 2011

Para especialistas, prevenção de enchentes deveria ser como a de vulcões e terremotos


Para especialistas, prevenção de enchentes deveria ser como a de vulcões e terremotos
 Diante da falta de planejamento urbano e da ocupação de encostas perigosas, a tragédia em curso na serra fluminense tende a se repetir em outras áreas, advertem especialistas ouvidos pela BBC Brasil.
Eles sugerem a implementação de sistemas de alerta para a população, a desocupação de áreas arriscadas e o planejamento urbano de longo prazo. E, ainda, que as chuvas recebam do Estado brasileiro atenção semelhante à que países com atividades sísmicas e vulcânicas dispensam aos desastres naturais.
Sem tudo isso, outras áreas de risco em todo o país - como encostas de solo raso sobre grandes blocos rochosos, sem rede de esgoto e galerias pluviais - podem sofrer, em verões futuros, o sofrido nos últimos anos nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
"A prevenção aqui tem que ser semelhante à de terremotos no Chile e a de vulcões no Japão", opina o geólogo Marcelo Motta, professor da PUC-RJ. "É preciso que haja continuidade aos planos de mapeamento de risco, remoção das pessoas que vivem em áreas perigosas, planejamento da ocupação urbana e execução desse planejamento."
Motta, que está participando das vistorias das regiões afetadas pelas chuvas recentes na serra fluminense, diz que há populações vivendo em áreas perigosas nas áreas sul, centro e norte da região serrana do Rio.
"(Áreas montanhosas) são como uma manteiga derretida. São perigosas, mesmo com florestas. Em áreas assim, não adianta dizer 'moro aqui há 40 anos e nunca aconteceu nada'", porque o perigo existe, diz.
"A impressão é que repetimos a mesma fita (de tragédias) todos os anos", diz o geólogo Antonio Guerra, da UFRJ, que também fez estudos na serra fluminense. "Mas falta vontade política para colocar em prática os conhecimentos da academia."
Ele opina que não é necessário remover a população de todas as encostas do país. Mas, a partir do mapeamento feito nos municípios, é preciso tirar as pessoas das áreas consideradas de alto risco.
Em geral, diz Guerra, essas áreas têm "solo de pouca profundidade, em cima de blocos rochosos (que podem deslizar). E muitas dessas encostas não têm galerias pluviais e rede de esgoto". Ou seja, a água de uso humano é depositada no próprio solo, que depois fica saturado com as chuvas. Nesse cenário, o deslizamento é quase certo.
Sistemas de alerta
Luiz Pinguelli Rosa, diretor do Coppe-RJ (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da UFRJ), defende a criação de sistemas de alerta para avisar populações em áreas de enxurradas.
Ele sugere alertas sonoros, conectados por fiação própria, que avisariam os habitantes para a iminência de temporais e deslizamentos. "Isso não é feito da noite para o dia, mas tem que começar. E é preciso aliar isso à detecção de temporais, com mais radares meteorológicos", diz o diretor do Coppe, instituição que, a pedido do governo Lula, sugeriu formas de prevenção de desastres em Santa Catarina após as enchentes de 2008.
Mas o sistema de alerta, por si só, não resolveria o problema em zonas de alto risco, opina ele. "Para construções em encostas, não há alerta que resolva. Essas construções são derivadas da cultura brasileira de que 'comigo nunca vai acontecer nada'."

Antonio Guerra, que fez um projeto piloto de alerta para um bairro de Petrópolis, sob encomenda estatal, estima que alertas adaptados às necessidades de cada município custariam ao redor de R$ 1 milhão, por meio de convênios com universidades, e poderiam ser preparados em até dois anos. "É um custo muito menor do que o das verbas liberadas para o atendimento de emergência."
Mapas de risco
Apesar de alguns dos municípios serranos fluminenses terem planos de identificação de risco desde 2007, as imagens da tragédia mostravam "a ocupação humana em áreas de escoamento", diz Elson Antonio do Nascimento, professor de engenharia civil da Universidade Federal Fluminense (UFF) que trabalha com planos de áreas de risco e encostas.
"Mas não vemos mobilização estratégica, de longo prazo. Os municípios têm planos municipais, mas não os implementam. As iniciativas se diluem", opina.
Para Pinguelli Rosa, "muitas vezes os moradores não são avisados de que um plano identificou que eles estão em área de risco. É preciso fazer as informações chegarem à população".
 Fonte: O Estado de S. Paulo e Unisinos

quarta-feira, janeiro 19, 2011

O preço de não escutar a natureza


O preço de não escutar a natureza
Leonardo Boff
O cataclisma ambiental, social e humano que se abateu sobre as três cidades serranas do Estado do Rio de Janeiro, Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, na segunda semana de janeiro, com centenas de mortos, destruição de regiões inteiras e um incomensurável sofrimento dos que perderam familiares, casas e todos os haveres tem como causa mais imediata as chuvas torrenciais, próprias do verão, a configuração geofísica das montanhas, com pouca capa de solo sobre o qual cresce exuberante floresta subtropical, assentada sobre imensas rochas lisas que por causa da infiltração das águas e o peso da vegetação provocam  frequentemente deslizamentos fatais.
Culpam-se pessoas que ocuparam áreas de risco, incriminam-se políticos corruptos que destribuíram terrenos perigosos a pobres, critica-se o poder público que se mostrou leniente e não fez obras de prevenção, por não serem visíveis e não angariarem votos. Nisso tudo há muita verdade. Mas nisso não reside a causa principal desta tragédia avassaladora.
A causa principal deriva do modo como costumamos tratar  a natureza. Ela é generosa para conosco pois nos oferece tudo o que precisamos para viver. Mas nós, em contrapartida, a consideramos como um objeto qualquer, entregue ao nosso bel-prazer, sem nenhum sentido de responsabilidade pela sua preservação nem lhe damos alguma retribuição. Ao contrario, tratamo-la com violência, depredamo-la, arrancando tudo o que podemos dela para nosso benefício. E ainda a transformamos numa imensa lixeira de nossos dejetos.
Pior ainda: nós não conhecemos sua natureza e sua história. Somos analfabetos e ignorantes da história que se realizou nos nossos lugares no percurso de milhares e milhares de anos. Não nos preocupamos em conhecer a flora e a fauna, as montanhas, os rios, as paisagens, as pessoas significativas que ai viveram, artistas, poetas, governantes, sábios e construtores.
Somos, em grande parte, ainda devedores do espírito científico moderno que identifica a realidade com seus aspectos meramente materiais e mecanicistas sem incluir nela, a vida, a consciência e a comunhão íntima com as coisas que os poetas, músicos e artistas nos evocam em suas magníficas obras. O universo e a natureza possuem história. Ela está sendo contada pelas estrelas, pela Terra, pelo afloramento e elevação das montanhas, pelos animais, pelas florestas e pelos rios. Nossa tarefa é saber escutar e interpretar as mensagens que eles nos mandam. Os povos originários sabiam captar cada movimento das nuvens, o sentido dos ventos e sabiam quando vinham ou não trombas d’água.  Chico Mendes com quem participei de longas penetrações na floresta amazônica do Acre sabia interpretar cada ruído da selva, ler sinais da passagem de onças nas folhas do chão e, com o ouvido colado ao chão, sabia a direção em que ia a manada de perigosos porcos selvagens. Nós desaprendemos tudo isso. Com o recurso das ciências lemos a história inscrita nas camadas de cada ser. Mas esse conhecimento não entrou nos currículos escolares nem  se transformou em cultura geral. Antes, virou técnica para dominar a natureza e acumular.
No caso das cidades serranas: é natural que haja chuvas torrenciais no verão. Sempre podem ocorrer desmoronamentos de encostas.  Sabemos que já se instalou o aquecimento global que torna os eventos extremos mais frequentes e mais densos. Conhecemos os vales profundos e os riachos que correm neles. Mas não escutamos a mensagem que eles nos enviam que é: não construir casas nas encostas; não morar perto do rio e preservar zelosamente a mata ciliar. O rio possui dois leitos: um normal, menor, pelo qual fluem as águas correntes e outro maior que dá vazão às grandes águas das chuvas torrenciais. Nesta parte não se pode construir e  morar.
Estamos pagando alto preço pelo nosso descaso e pela dizimação da mata atlântica que equilibrava o regime das chuvas. O que se impõe agora é escutar a natureza e fazer obras preventivas que respeitem o modo de ser de cada encosta, de cada vale e de cada rio.
Só controlamos a natureza na medida em que lhe obedecemos e soubermos escutar suas mensagens e ler seus sinais. Caso contrário teremos que contar com tragédias fatais evitáveis.

terça-feira, setembro 14, 2010

Morte ambiental anunciada

Morte ambiental anunciada
Luiz Fernando Janot - 11/09/2010 – Opinião – O Globo
Os planos de expansão das grandes cidades brasileiras dificilmente conseguem evitar o impacto negativo causado no meio ambiente pelas formas predatórias de ocupação do solo. As causas e os efeitos da ocupação irregular das encostas e margens de rios, assim como as intervenções no espaço urbano decorrentes da especulação imobiliária, devem ser apreciados com isenção ideológica por parte dos governantes, políticos, profissionais e pessoas envolvidas com o desenvolvimento sustentável da cidade.
A adequação urbana do Rio para receber as Olimpíadas em 2016 oferece uma oportunidade excepcional para essa reflexão. A inexistência de políticas de governo em defesa das áreas de interesse ambiental possibilitou, ao longo dos anos, que importantes áreas verdes da cidade fossem ocupadas indiscriminadamente por segmentos d a p o p u l a ç ã o q u e não possuíam recursos para adquirir a sua moradia no mercado oficial regulamentado. Em paralelo, setores do mercado imobiliário se utilizavam de um marketing ardiloso para justificar os seus empreendimentos apenas pelo viés econômico e financeiro, desprezando as questões mínimas de sustentabilidade.
A região da Barra da Tijuca, de uns anos para cá, se constituiu no cenário ideal para essa acintosa improbidade.
Hoje, as pessoas que circulam pelas proximidades das lagoas da Barra irão se espantar com o estado deplorável em que elas se encontram. O insuportável cheiro de podre exalado da sua superfície confirma a premissa de que estamos diante de uma morte ambiental anunciada. E como fazer para reverter o que aparentemente é irreversível? Responder esta questão, além de ser um desafio estimulante, é uma obrigação do poder público e, também, dos cidadãos que desfrutam dos valiosos bens que a cidade lhes oferece.
Nessa ótica de percepção, despontam os arautos do preconceito querendo nos fazer acreditar que o esgoto in natura despejado nas lagoas e canais seria de origem, única e exclusiva, das favelas. Esquecem, no entanto, de acrescentar a enorme quantidade de dejetos sanitários lançados nas lagoas pelos grandes condomínios residenciais e comerciais que não operam as suas estações de tratamento de esgoto com a eficiência exigida. Uma pesquisa recente indicou que as lagoas da Barra da Tijuca possuem, em média, apenas trinta ou quarenta centímetros de profundidade.
A camada lodosa depositada no fundo, além da redução do espelho d’água, vem contribuindo para a desoxigenação das lagoas, a proliferação de algas e a extinção de espécies diversificadas da fauna marinha. Soma-se a isso o odor desagradável exalado das suas águas poluídas e das plantas flutuantes que, associado ao expressivo aumento de focos de mosquito, impede a população de desfrutar um convívio prazeroso no seu entorno, como acontece na Lagoa Rodrigo de Freitas, na Zona Sul da cidade.
Acrescenta-se a esse quadro a quantidade espantosa de resíduos poluentes que se acumulam nas margens das lagoas e que revelam a falta de consciência ecológica da população.
Ao atribuir exclusivamente ao governo a obrigação de cuidar dos espaços públicos, a sociedade se exime da responsabilidade de conservar adequadamente o patrimônio ambiental da sua cidade. Portanto, se não houver um compromisso social de parceria e solidariedade com as autoridades governamentais, dificilmente será alcançado um resultado eficaz na preservação dos bens naturais que pertencem à cidade.
É bom lembrar que, já no tempo do Império, existiam redes de esgoto para evitar que os dejetos sanitários fossem atirados em valas abertas nas ruas ou transportados por escravos para serem despejados na Baía de Guanabara. Buscava-se, naquela época, evitar as “valas negras” que hoje, para nossa perplexidade, ainda existem nas comunidades faveladas e em algumas áreas de expansão urbana da cidade. Podemos citar como exemplo alguns trechos do Recreio dos Bandeirantes e das áreas alagadiças das Vargens, onde o excedente das fossas sépticas é despejado diretamente nos canais de drenagem de águas pluviais que deságuam nas lagoas da redondeza.
Com a abertura, em breve, do túnel da Grota Funda, tudo leva a crer que veremos esse quadro poluente se espalhar por toda a região de Guaratiba.
É lamentável afirmar que, enquanto prevalecer esse modelo extensivo de expansão urbana, seremos obrigados a conviver com os graves problemas apontados de saneamento básico e de preservação do meio ambiente. Não há como continuar aceitando argumentos tendenciosos para justificar uma expansão territorial urbana que favorece unicamente a especulação imobiliária. Neste importante momento em que projetos de diversas naturezas estão sendo elaborados para o Rio, espera-se que o poder público e a sociedade organizada se unam em torno de um objetivo comum em defesa do meio ambiente e dos interesses maiores da sociedade.
A adequação do Rio para os Jogos de 2016 não pode esquecer o interesse ambiental
LUIZ FERNANDO JANOT é arquiteto urbanista e professor da FAU-UFRJ. E-mail; lfjanot@superig.com.br

sexta-feira, agosto 27, 2010

Nada se apaga na internet

Nada se apaga na internet

Sandra Takata *, Jornal do Brasil
RIO - Especialistas políticos estão reticentes em relação à arrecadação pela internet de pessoas físicas para os candidatos, permitida durante estas eleições. Dizem que a falta de confiança na política brasileira não dará frutos para este novo sistema. Já na cabeça da população deve vir a ideia de que laranjas doarão e que tudo terminará em pizza. No entanto, inicia-se aqui um divisor de águas nos hábitos eleitorais dos brasileiros. A construção de um maior engajamento político começa agora. Talvez plantado para as futuras gerações que já estão acostumadas a navegar na internet e expor-se nas redes sociais, respondendo às perguntas mais cabeludas no Formspring, e mantendo a frase “minha vida é um livro aberto”” mais atual que nunca. Mas uma nova fase inicia-se agora. E um caminho sem volta.
A internet traz inúmeras mudanças e talvez uma moralização na política brasileira. Nos bastidores, marqueteiros políticos começam a sentir que suas verbas de campanha estão reduzidas este ano. Isto porque muitas empresas, que antigamente não precisavam identificar-se como doadoras, não querem agora aparecer e ter seu nome ligado a partido ou a candidatos, e configurar em sites com o da ONG Transparência Brasil (www.transparenciabrasil.org.br) empenhada em combater a corrupção em terreno verde-amarelo.
E é aí que está o X da questão. Os sites, as redes sociais são armas importantíssimas para fazer com que a honestidade e transparência se tornem uma obrigação no meio político. É esta transparência, à qual os jovens estão tão acostumados na internet, que guiará as campanhas daqui pra frente.
Para os que optaram por fazer a arrecadação pelo site por meio de doações de pessoas físicas terão de obedecer a regras muito rígidas do Tribunal Superior Eleitoral, pois, se houver alguma irregularidade na hora da prestação destas contas, o candidato correrá o risco de ter sua posse impugnada ou nem participar de futuras eleições. Mas os que forem ousados em apostar nesta nova ferramenta, cumprindo claramente as suas propostas, terão armas poderosas de fidelização de eleitores. Afinal, quem tira o dinheiro do bolso para apostar num político é porque acredita muito em seus projetos.
Muda-se o relacionamento do candidato com o eleitor. O doador se torna um cliente que comprou um produto e quer testá-lo. E, se não aprovar, pode ter certeza de que ele não pensará duas vezes para criar blogs, postar em seu YouTube, Facebook ou Twitter, que sua escolha não foi bem feita. Hoje jovens já bloqueiam candidatos que tentam fazer aproximações sem nenhum propósito nas redes sociais. Portanto, políticos ainda podem driblar as pessoas que não têm acesso à internet atualmente (infelizmente mais de 60% da população brasileira) e não conseguem obter tanta informação. Mas não por muito tempo, pois se diz que o brasileiro não tem memória, isso não será mais o problema, pois na internet nada se apaga.
* diretora de Atendimento e Mídia Digital da Versátil Comunicação Estratégica
22:55 - 25/08/2010

terça-feira, agosto 03, 2010

Sede da Otan está em alerta desde domingo por ameaça, diz jornal

Sede da Otan está em alerta desde domingo por ameaça, diz jornal

A sede da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) em Bruxelas, na Bélgica, está em alerta desde o último domingo (1º) devido a uma ameaça não especificada, afirma o jornal belga "Le Soir".
Segundo o jornal, que cita o Centro de Crise do Ministério do Interior, uma ameaça fez com que o governo tomasse medidas de prudência na sede da organização e seus arredores, o que supõe um aumento das medidas de segurança.
Um porta-voz da Otan indicou à agência Efe que não podia confirmar nem desmentir a informação, e acrescentou que a organização estava tentando comprovar a situação.
"Sempre há diferentes medidas de segurança na sede", explicou. 

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