Mostrando postagens com marcador Revelações. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Revelações. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, outubro 11, 2010
Especialistas aprovam tom mais incisivo dos dois, mas têm dúvidas se isso renderá votos
Especialistas aprovam tom mais incisivo dos dois, mas têm dúvidas se isso renderá votos
Cristina Azevedo – O Globo
Especialistas ouvidos pelo GLOBO viram no debate de ontem um corte em relação à campanha do primeiro turno, em que a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, e o candidato do PSDB, José Serra, evitavam o confronto direto.
Para eles, houve uma atmosfera de ataque e de contra-ataques, em que temas polêmicos antes evitados — como o escândalo envolvendo a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra, ex-braço-direito de Dilma — foram abordados.
Mas, mesmo tornando o debate mais emocionante, esse clima de confronto pode não se traduzir em votos para nenhum dos dois candidatos, opinam.
Além disso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o grande ausente no debate de ontem, na análise dos especialistas ouvidos pelo GLOBO.
Se nos enfrentamentos anteriores ele era citado tanto pela candidata do PT quanto pelo do PSDB, desta vez as menções ao seu nome foram poucas de lado a lado.
Dilma já demonstra mais experiência Para Eurico Figueiredo, professor do curso de pós-graduação de Ciência Política da Universidade Federal Fluminense, o debate de ontem foi mais emocional que os anteriores, e o candidato do PSDB, José Serra, mostrou-se mais agressivo do que vinha sendo.
— Serra fez duas coisas que lhe cobravam muito: mostrar sua trajetória como político profissional e tocar em pontos polêmicos, como o caso Erenice. Ele se mostrou mais agressivo e isso lhe dá uma vantagem, ao meu ver — disse Figueiredo.
Para Figueiredo, Dilma foi assertiva, mas teve menos fluência do que Serra.
O professor de História Contemporânea Daniel Aarão Reis, por sua vez, acha que Dilma parecia insegura a princípio, “atingida pelos ataques que vem sofrendo, e exprimiu isso com franqueza e sinceridade”. No segundo bloco, no entanto, ela recuperou o autocontrole e mostrou conhecimento dos temas discutidos. Sobre Serra, Reis destaca que, embora atacado no debate sobre privatizações, teve como ponto forte a articulação e o autocontrole.
O debate mostrou também uma Dilma Rousseff já um pouco mais habituada à política.
Se não respondeu a todas as perguntas, na opinião de Figueiredo, ela demonstrou certa sagacidade política ao trazer temas que não dominava para áreas que conhecia melhor.
— Foi o primeiro debate frente a frente dela, e ela já se mostrou mais experiente.
Também foi autêntica, o que permitiu conhecê-la um pouco melhor — disse Figueiredo.
— Serra também foi ele mesmo. Nesse sentido, o debate foi bom. Acho que ela foi bem, mas ele foi melhor.
“Lula não se materializou no debate” Sobre uma certa ausência do presidente Lula no debate, Figueiredo acredita que isso foi uma decisão acertada do lado de Serra, que desta vez se mostrou mais como um opositor, mas errada do lado de Dilma, que tem no presidente seu principal aliado.
— Desta vez, Lula foi praticamente um fantasma, não se materializou no debate.
Reis, por seu lado, destaca que o clima de ataques e contra-ataques pode não contribuir “para a elucidação das propostas dos candidatos”.
— Talvez eu esteja exagerando, mas acho que os dois candidatos estão perdendo.
Talvez Serra esteja perdendo menos, pela sua maior capacidade de articulação e por aparentar maior autocontrole — disse Reis, para quem Serra se saiu melhor ao discutir a segurança e a saúde; enquanto Dilma foi melhor na discussão sobre privatizações.
Figueiredo também concorda com os resultados dúbios dos ataques de ontem: — Isso pode levar a um resultado negativo para os dois — afirmou.
Visões opostas sobre portos e aeroportos
Visões opostas sobre portos e aeroportos
O Globo
Serra critica infraestrutura e Dilma reage defendendo o governo; ataques também sobre a venda da Nossa Caixa
A infraestrutura de portos e aeroportos no país e os programas habitacionais foram discutidos no quarto bloco do debate da TV Bandeirantes pelos candidatos Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB). Os temas serviram, mais uma vez, de combustível para a troca de acusações.
Serra atacou: disse ser o sistema portuário brasileiro um dos piores do mundo. Dilma se defendeu e culpou o governo do PSDB de não investir no setor, em função de acordos com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Serra citou os portos de Santos (SP) e de Salvador (BA) como uns dos mais críticos. O tucano também criticou os aeroportos.
— A respeito da infraestrutura de portos e aeroportos, estudos do Ipea mostram que o Brasil é um dos países em pior situação em matéria portuária. Só em Santos há cem navios aguardando vaga — disse Serra Dilma revidou e lembrou o período em que Serra foi ministro do Planejamento no governo Fernando Henrique: — No Brasil, no período em que você (Serra) era ministro do Planejamento, não investiu em portos e aeroportos.
O que não fizeram ficou para a gente fazer. Fizemos o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Ainda sobre infraestrutura, Dilma acusou Serra de “falar mal” do programa do governo federal Minha Casa, Minha Vida.
O tucano negou que tenha criticado, mas desmentiu números divulgados sobre o programa: — Ela (Dilma) fala em um milhão de unidades, mas foram entregues só 150 mil — disse o tucano.
— Ele (Serra) tem dito que vai continuar programas do presidente Lula. Já vi você falar muito mal do Minha Casa, Minha Vida. Vocês, usuários, olhem bem para o candidato.
Candidatos divergem sobre a venda da Nossa Caixa No terceiro bloco, Dilma voltou a falar de privatização e associou Serra à venda do banco Nossa Caixa, que pertencia ao governo do Estado de São Paulo.
— Serra, a Nossa Caixa, você queria porque queria vender. E o governo federal comprou.
Mostra claramente nossa diferença.
A segunda foi a Cesp (Companhia Energética de São Paulo). Você queria vender a Cesp. A nossa diferença é marcada não por falas, por disse que disse, mas pela prática. E aí é aquela questão: fala, mas não faz. Queria falar da diferença entre nós: nós financiamos empresas brasileiras, vocês financiavam grupos internacionais com dinheiro do BNDES.
Em seu comentário, Serra contestou a veracidade das informações citadas por Dilma: — Ela diz uma coisa totalmente falsa. São Paulo tinha um banco, a Nossa Caixa. Eu vendi a Nossa Caixa para o governo federal, que fortaleceu o Banco do Brasil. Os recursos obtidos do Banco do Brasil foram investidos em metrô, em transportes. Não é verdade o que a Dilma diz.
Ao falar sobre saúde, Serra criticou a burocracia que vem atrasando as autorizações para fabricação de novos medicamentos genéricos. A candidata do PT afirmou que a produção dos remédios genéricos aumentou durante o governo Lula: — A produção de genéricos aumentou no Brasil. Ou ele está mal informado ou não estou entendendo o que ele está falando.
Serra disse que, de fato, ela não teria entendido a pergunta: — Evidente que foi um sucesso e a produção aumentou. Mas o governo tem de aprovar a produção de novos medicamentos.
Na minha época, a autorização demorava seis meses. Agora, demorar até um ano e meio.
Que Dilma é essa?
Que Dilma é essa?
No primeiro debate do 2º turno, petista parte para o ataque direto a Serra, que revida
Paulo Marqueiro, Chico Otavio, Fábio Brisolla e Marcelo Remígio – O Globo
O primeiro debate entre os presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) no segundo turno, realizado ontem à noite pela TV Bandeirantes, foi de ataques do começo ao fim. Logo na primeira pergunta, exaltada, Dilma já partiu para o confronto ao abordar a questão do aborto. Em todo o primeiro bloco, os dois candidatos assumiram um tom beligerante, com acusações mútuas também sobre privatizações, segurança e corrupção.
Ao longo do primeiro turno, o programa de Serra na TV criticava Dilma e o PT, enquanto a propaganda dela se concentrava mais em pregar a continuidade do governo Lula. Ontem, no debate, ela mudou a estratégia e partiu para o confronto direto.
A petista apareceu na tela também muito diferente dos debates do primeiro turno, em que evitava confrontos.
Pesquisa Datafolha divulgada ontem mostrou que a Dilma tem 48% das intenções de voto contra 41% de Serra, uma diferença bem menor do que a que esperavam os petistas.
Ao fazer uma pergunta para Serra, Dilma disse que a campanha do tucano faz calúnias e difamações contra ela. E que o vice de Serra, Indio da Costa, tem feito ataques a ela junto a grupos religiosos. Serra devolveu a acusação com outro ataque: — Eu me solidarizo com quem é vítima de ataque pessoal. Eu tenho recebido muito ataque nessa campanha.
Até blogs com seu nome fazendo ataques, não só a mim como à minha família, numa campanha orquestrada.
Agora, nós somos responsáveis por aquilo que pensamos e falamos.
A população cobra também conhecimento sobre os candidatos, qual foi sua história, etc. Creio que vocês confundem verdades, reportagens, com ataques. Por exemplo: sobre a Casa Civil, você disse que se tratava de invenção da imprensa. Aborto, você disse que era favorável, depois disse o contrário. Aí se trata de ser coerente, de não ter duas caras.
Dilma, ainda mais exaltada, aumentou o tom: — Acho que você deve ter cuidado para não ter mil caras. A última calúnia contra mim, disse que minha campanha tinha aberto sigilos, hoje você é réu de (uma ação) por calúnia e difamação. Se cuida, porque pode estar dando os primeiros passos (para cair) na questão da Ficha Limpa.
Inclusive acho estranho porque você regulamentou o aborto no SUS. E sou acusada de coisas que não vou nem dizer. Mas você regulamentou e eu sou a favor da regulamentação. Entre prender e atender (as mulheres), eu fico com atender. Sua senhora me acusa de uma coisa que é antiga. Porque o Brasil está acostumado com tolerância e não com convivência que instiga o ódio.
Serra ironizou a acusação de Dilma, afirmando que a lei do aborto é de 1940, anterior ao seu nascimento: — A lei não libera o aborto, só em casos de risco para a mãe e risco para a paciente. Em São Paulo, foi até implantada pelo prefeita Erundina, quando era do PT. O que eu fiz foi que isso precisava ter uma norma técnica que balizasse os casos de aborto no SUS, que fosse feito sem risco para a mãe, só isso. Mas você defendeu e passa a fazer o contrário.
Com relação a Deus, a mesma coisa.
Tem entrevista em que você diz que não sabe se acredita, depois vira uma devota. Casa Civil: tem uma pessoa que foi braço direito seu e durante meses organizou um esquema de corrupção, e você diz que não tem nada a ver.
Ao abordar a questão de segurança, Serra disse que no Rio ocorreram 11 arrastões e perguntou a Dilma por que ela é contra a criação do Ministério da Segurança, uma das bandeiras de campanha do tucano.
— Acho que fundamental é perceber que ela tem três aspectos, Justiça, penitenciária e segurança. São Paulo teve uma rebelião que tomou as ruas. A secretaria penitenciária não conversava com a segurança pública.
Ele está dando receita que aqui em São Paulo fracassou. O sistema penitenciário que devia saber quando haveria rebelião não sabia. Não é passo de mágica. O Rio está fazendo grande esforço, pelas UPPs, pacificando as comunidades através de ação preventiva e de outra ação, a autoridade, criando os territórios de paz — respondeu ela.
Na réplica, Serra argumentou que Dilma não respondera: — Não respondeu por que é contra criar o Ministério da Segurança.
Em São Paulo, não houve rebelião significativa. Em São Paulo, os homicídios caíram 70%, acima da média nacional, fato do qual muitos governos do PT poderiam extrair lições.
Não há um enfrentamento das bases do crime, do contrabando de armas e de drogas. Nós vamos criar uma Guarda Nacional, vamos ajudar a frear a exportação de droga para o Brasil. Vamos ter um cadastro nacional de criminosos.
Voltando ao tema, Dilma argumentou que o atual governo fez parcerias com os governos estaduais na área de segurança.
— Até então, (a questão da segurança) era afeita só aos governos estaduais.
Outra coisa que você precisa se informar. Já existe hoje a Força Nacional de Segurança Pública.Vamos comprar veículos não tripulados.
Eu acredito nesse caminho: investimento em ações afirmativas em locais onde o tráfico domina. O governo do qual você foi ministro não investiu em segurança. É bom você lembrar. Eu fico indignada com a questão da Erenice. Seu assessor Paulo Vieira de Souza fugiu com R$ 4 milhões de dinheiro de campanha
Assinar:
Postagens (Atom)