segunda-feira, maio 17, 2010
Guimarães Rosa
"Eu quase que nada sei. Mas desconfio de muita coisa"
Guimarães Rosa
João Guimarães Rosa nasceu em Cordisburgo (MG) a 27 de junho de 1908. Joãozito, como era chamado, com menos de sete anos começou a estudar francês sozinho, por conta própria. Somente com a chegada do Frei Canísio Zoetmulder, frade franciscano holandês, em março de 1917, pode iniciar-se no holandês e prosseguir os estudos de francês, agora sob a supervisão daquele frade. Terminou o curso primário no Grupo Escolar Afonso Pena; em Belo Horizonte, para onde se mudara, antes dos 9 anos, para morar com os avós. Em Cordisburgo fora aluno da Escola Mestre Candinho. Iniciou o curso secundário no Colégio Santo Antônio, em São João Del Rei, onde permaneceu por pouco tempo, em regime de internato, visto não ter conseguido adaptar-se — não suportava a comida. De volta a Belo Horizonte matricula-se no Colégio Arnaldo, de padres alemães e, imediatamente, iniciou o estudo do alemão, que aprendeu em pouco tempo. Era um poliglota, conforme um dia disse a uma prima, estudante, que fora entrevistá-lo: Falo: português, alemão, francês, inglês, espanhol, italiano, esperanto, um pouco de russo; leio: sueco, holandês, latim e grego (mas com o dicionário agarrado); entendo alguns dialetos alemães; estudei a gramática: do húngaro, do árabe, do sânscrito, do lituânio, do polonês, do tupi, do hebraico, do japonês, do tcheco, do finlandês, do dinamarquês; bisbilhotei um pouco a respeito de outras. Mas tudo mal. E acho que estudar o espírito e o mecanismo de outras línguas ajuda muito à compreensão mais profunda do idioma nacional. Principalmente, porém, estudando-se por divertimento, gosto e distração. Em 1925, matricula-se na então denominada Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais, com apenas 16 anos. Segundo um colega de turma, Dr. Ismael de Faria, no velório de um estudante vitimado pela febre amarela, em 1926, teria Guimarães Rosa dito a famosa frase: "As pessoas não morrem, ficam encantadas", que seria repetida 41 anos depois por ocasião de sua posse na Academia Brasileira de Letras (...). Em 1967, João Guimarães Rosa seria indicado para o prêmio Nobel de Literatura. A indicação, iniciativa dos seus editores alemães, franceses e italianos, foi barrada pela morte do escritor. A obra do brasileiro havia alcançado esferas talvez até hoje desconhecidas. Quando morreu tinha 59 anos. Tinha-se dedicado à medicina, à diplomacia, e, fundamentalmente às suas crenças, descritas em sua obra literária. Fenômeno da literatura brasileira, Rosa começou a publicar aos 38 anos. O autor, com seus experimentos lingüísticos, sua técnica, seu mundo ficcional, renovou o romance brasileiro, concedendo-lhe caminhos até então inéditos. Sua obra se impôs não apenas no Brasil, mas alcançou o mundo.
Israel nega entrada ao acadêmico Chomsky na Cisjordânia
Israel nega entrada ao acadêmico Chomsky na Cisjordânia
Israel afirma que a negação pode ser um mal-entendido
Renomado estudioso dos E.U.A Noam Chomsky tem recusada a entrada à Cisjordânia por funcionários da imigração israelense.
Professor Chomsky, renomado por seu trabalho sobre linguística e filosofia, estava planejando uma palestra na Universidade de Birzeit. Professor Chomsky, 82 anos, tinha tentado entrar a partir da Jordânia. Um porta-voz do ministério do Interior israelense, disse que era para tentar esclarecer a situação e permitir que o professor Chomsky para entrar.
Prof Chomsky disse que os funcionários foram muito educados, mas lhe foi negada a entrada, porque "o governo diz que não fez como os tipos de coisas que eu digo e não gostou que eu estava falando somente em Birzeit e não em uma universidade israelense também". Ele acrescentou: "Eu perguntei se eles poderiam encontrar qualquer governo no mundo que gosta das coisas que eu digo."
Host palestino Prof Chomsky para a visita, Mustafa al-Barghouti, disse à Reuters: "Esta decisão é uma ação fascista, no valor de supressão da liberdade de expressão".
O porta-voz do ministério do Interior, Sabine Hadad, afirmou: "Estamos tentando entrar em contato com os militares para esclarecer as coisas e se não tenho nenhuma objeção, não vemos razão para que ele não deva ser permitido entrar" Prof Chomsky tem freqüentemente falado contra a ocupação israelita dos territórios palestinos.
O rei e o astrônomo
O rei e o astrônomo
Mauro Santayana – Jornal do Brasil – 16/05/2010
O exame dos restos mortais de um astrônomo dinamarquês – Tycho de Brahe – que morreu em Praga há 409 anos, poderá esclarecer uma das mais fantásticas intrigas da História. Grupo de cientistas dinamarqueses e tchecos recebeu as autorizações necessárias para a segunda exumação do que sobrou do corpo do astrônomo – que mapeou o céu a olho nu e localizou 777 estrelas, além de ser o primeiro a ver, por acaso, a explosão de uma supernova.
Oficialmente,Brahe, um homem elegante, convidado pela corte do imperador Rodolfo II, ficou constrangido quando, em um banquete, sentiu necessidade de aliviar a bexiga. Conseguiu controlar a situação no momento, mas o resultado foi a retenção urinária, que o levou à morte 11 dias depois.
Oficialmente,Brahe, um homem elegante, convidado pela corte do imperador Rodolfo II, ficou constrangido quando, em um banquete, sentiu necessidade de aliviar a bexiga. Conseguiu controlar a situação no momento, mas o resultado foi a retenção urinária, que o levou à morte 11 dias depois.
Recentemente, descobriu-se um diário de seu primo e contemporâneo, Erik de Brahe, em que se revela que o mestre de Keppler foi envenenado com mercúrio, por ordem do rei Christian IV, da Dinamarca. O soberano, que assumiu o trono aos 19 anos, em 1596, confiscou o laboratório que Brahe montara em uma ilha – Uraniborg – por cessão do rei Erik XIV, em 1576.
O assassino, segundo todas as conjeturas, teria sido o próprio autor do diário, que chega a insinuar sua culpa em vários trechos do texto, e teria agido por ordem direta do soberano dinamarquês. O jovem rei provavelmente teria tamanho ódio ao astrônomo porque soubera que Brahe era seu verdadeiro pai. Quando jovem, Brahe viveu junto à Corte, e o príncipe seria o resultado de seu passageiro romance com a rainha. As conjecturas têm fundamento: entre os nobres europeus circulavam rumores de que Christian IV era bastardo. Desconfiado de que Tycho o havia gerado, Christian tratou de eliminar a mais importante testemunha de sua bastardia.
Há estudiosos de literatura e especialistas em Shakespeare que atribuem à versão de que o soberano era bastardo a ideia de Hamlet: a relação edipiana de seu personagem com a rainha mãe viria do caso real de Christian, que vivia no mesmo castelo em que se passa o drama, e onde o pai de Brahe fora conselheiro privado do rei.
Trata-se, como se vê, de fascinante investigação histórica que – como tantas outras – provavelmente será inconclusiva. E que Christian IV, o presumido mandante da morte de Brahe, tenha servido de modelo para Hamlet, é ainda mais difícil de se provar: há várias versões, desde a obra de Saxo Grammaticus a outras fontes como sendo trabalhadas pelo dramaturgo que, como se sabe, baseava-se em lendas antigas e em fatos reais para construir seus dramas e tragédias. Mas a versão volta a circular, amparada pelo fato de que a redação da peça se deu em 1597 – um ano depois da fuga de Brahe da Dinamarca.
Há estudiosos de literatura e especialistas em Shakespeare que atribuem à versão de que o soberano era bastardo a ideia de Hamlet: a relação edipiana de seu personagem com a rainha mãe viria do caso real de Christian, que vivia no mesmo castelo em que se passa o drama, e onde o pai de Brahe fora conselheiro privado do rei.
Trata-se, como se vê, de fascinante investigação histórica que – como tantas outras – provavelmente será inconclusiva. E que Christian IV, o presumido mandante da morte de Brahe, tenha servido de modelo para Hamlet, é ainda mais difícil de se provar: há várias versões, desde a obra de Saxo Grammaticus a outras fontes como sendo trabalhadas pelo dramaturgo que, como se sabe, baseava-se em lendas antigas e em fatos reais para construir seus dramas e tragédias. Mas a versão volta a circular, amparada pelo fato de que a redação da peça se deu em 1597 – um ano depois da fuga de Brahe da Dinamarca.
Tycho de Brahe foi fascinante personalidade de seu tempo. Aos 20 anos, interessouse pela astronomia, ao mesmo tempo que levava uma vida de aventuras. Em querela de taberna que terminou em espadadas, teve parte do nariz decepada, e a substituiu por uma prótese de ouro, por ele mesmo produzida. Tinha imensos bigodes, que, ruivos, ajudavam a disfarçar o nariz metálico. Foi o exame dos pelos de seu bigode, guardados no Museu de Praga, que revelou a presença de mercúrio em quantidades cem vezes maiores do que as normais. Entre as várias hipóteses há a de que o metal tenha sido ingerido voluntariamente por Tycho que, alquimista, deve ter procurado produzir algum medicamento a fim de livrar-se das dores que o acometiam.
Brahe foi sepultado em uma das mais belas igrejas de Praga, a Catedral de Týn, a pouca distância da casa em que nasceu Kafka. A fachada da catedral, vista do centro de Staromestké Námesti (Praça da Cidade Velha) se encontra parcialmente oculta por construções renascentistas que contrastam com suas torres góticas. É uma enigmática paisagem urbana de Praga.
Foto: Tycho Brahe (1546-1601) Astrônomo dinamarquês
Luiz Henrique Marques: ‘O perigo está ao lado da criança'
Luiz Henrique Marques: ‘O perigo está ao lado da criança'
POR FERNANDO MOLICA
Rio - Quase 70% dos casos da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima estão relacionados à violência sexual. Segundo o delegado Luiz Henrique Marques, deste total, 10% são praticados pelo próprio pai e 20% pelo padrasto. A maior parte das vítimas é do sexo feminino e tem de 10 a 14 anos. Amanhã é Dia Nacional nal de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Menores.
— Como está o combate à pedofilia no Rio?
— Com as campanhas na mídia sobre pedofilia, os casos passaram a ser denunciados. A população sabe que o problema maior não é o tal ‘homem do saco’, um estranho que leva a criança. O pedófilo está quase sempre ao lado da vítima. Pode ser o pai, o padrasto ou um tio. São casos difíceis de serem comprovados. Em muitos não há a penetração, mas sexo oral e manipulação dos órgãos, práticas não identificadas nos exames de corpo de delito. É preciso ter cuidado com a testemunha, pois crianças podem fazer relatos fantasiosos. Temos um setor de psicologia, que ajuda na investigação e auxilia no atendimento ao menor.
— Como tem sido feito o trabalho de repressão?
—Desarticulamos quadrilhas de exploração sexual de menores em Copacabana e na Quinta da Boa Vista. Intensificamos as operações e as investigações na Internet. É importante monitorar os sites de relacionamento frequentados por crianças. Os pais devem bloquear o acesso a algumas páginas.
— Como se comporta a criança vítima de violência?
—Quando o menor é vítima de agressão física, ele mantém um comportamento agitado, exaltado. Já a criança que sofre violência sexual é o contrário: ela tende a se recolher.
John Keats
A thing of beauty (Endymion)
A thing of beauty is a joy for ever:
Its lovliness increases, it will never
Pass into nothingness, but still will keep
A bower quiet for us, and a sleep
Full of sweet dreams, and health, and quiet breathing.
Therefore, on every morrow, are we wreathing
A flowery band to bind us to the earth,
Spite of despondence, of the inhuman dearth
Of noble natures, of the gloomy days,
Of all the unhealthy and o'er-darkn'd ways
Made for our searching: yes, in spite of all,
Some shape of beauty moves away the pall
From our dark spirits. Such the sun, the moon,
Trees old and young, sprouting a shady boon
For simple sheep; and such are daffodils
With the green world they live in, and clear rills
That for themselves a cooling covert make
'Gainst the hot season, the mid-forest brake,
Rich with a sprinkling of fair musk-rose blooms:
And such too is the grandeur of the dooms
We have imagined for the mighty dead;
An endless fountain of immortal drink,
Pouring unto us from the heaven's brink.
John Keats
(1795-1821)
Its lovliness increases, it will never
Pass into nothingness, but still will keep
A bower quiet for us, and a sleep
Full of sweet dreams, and health, and quiet breathing.
Therefore, on every morrow, are we wreathing
A flowery band to bind us to the earth,
Spite of despondence, of the inhuman dearth
Of noble natures, of the gloomy days,
Of all the unhealthy and o'er-darkn'd ways
Made for our searching: yes, in spite of all,
Some shape of beauty moves away the pall
From our dark spirits. Such the sun, the moon,
Trees old and young, sprouting a shady boon
For simple sheep; and such are daffodils
With the green world they live in, and clear rills
That for themselves a cooling covert make
'Gainst the hot season, the mid-forest brake,
Rich with a sprinkling of fair musk-rose blooms:
And such too is the grandeur of the dooms
We have imagined for the mighty dead;
An endless fountain of immortal drink,
Pouring unto us from the heaven's brink.
John Keats
(1795-1821)
"A grande beleza da poesia é que faz cada coisa e cada lugar interessante"
John Keats a seu irmão George, 1819
John Keats a seu irmão George, 1819
John Keats (Londres, 31 de outubro de 1795 - Roma, 23 de fevereiro de 1821) foi um poeta inglês. Considerado um dos maiores nomes do romantismo na Inglaterra. Sua obra divide-se entre as frequentes referências à morte e um intenso sentimento de prazer com a vida. Sua poesia é marcada pelo sentimentalismo romântico, por imagens vibrantes, de grande apelo sensual, e pela expressão de aspectos da Filosofia clássica.
A biruta patusca do presidente Lula
A biruta patusca do presidente Lula
Por Villas-Bôas Corrêa – Jornal do Brasil – 15/05/2010
Não é emotivo para graça mas, ao contrário, para preocupação a estranha mudança no temperamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não está dizendo coisa com coisa, como uma biruta aloprada que aponta para todos os lados, com a leviandade de quem carrega o peso do cargo, com suas obrigações e responsabilidades no período de pré-campanha, por ele antecipada ao expor a sua candidata, Dilma Rousseff, ao constrangimento das críticas da oposição e da imprensa.
Ficou difícil acompanhá-lo no ziguezague das contradições. Uma no cravo outra na ferradura. Ou no óbvio, como o dispensável conselho acaciano sobre a encruada escolha do vice da candidata que retirou do bolso do colete, que não usa: “O melhor vice é quem se der bem com a Dilma. Vice é como casamento. O Temer é um bom nome”. Ora, a escolha do deputado Michel Temer, presidente da Câmara e do PMDB, está sacramentada desde o começo do ano. E dispensa o carimbo do presidente no contrato firmado e registrado no cartório da evidência. Sem o apoio do PMDB a candidatura de Dilma não existiria.
Adiante. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), supõe-se que como porta-voz do presidente Lula, afirmou que a prioridade para o governo é a votação dos projetos do pré-sal e não o da Ficha Limpa, que veta candidaturas de políticos com a condenação de um colegiado da Justiça. Trata-se, segundo o líder do governo, de um projeto que é da sociedade, mobilizada para conseguir mais de 1,7 milhão de assinaturas.
Mas Lula passou o recado ou apenas o palpite de que apenas o condenado em todas as instâncias será impedido de disputar um mandato. Em que ficamos? Por enquanto no ar, balançando no trapézio da confusão. Em cautelosa precaução, o senador Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB, sustenta que a prioridade da votação da proposta do Ficha Limpa é absoluta, pois, além da evidência da sua urgência e oportunidade, trata-se de um projeto de iniciativa popular. A aragem que sopra em Brasília chegou ao gabinete da juíza Gislaine Carneiro Campos Reis, da 8ª Vara da Fazenda Pública, que condenou o notório ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz (PSC) e a sua vice Maria de Lourdes Abadia por improbidade administrativa. No caso, reincidentes. E saiu barato para a dupla. A Justiça fisgou o ex-governador por ter aceitado carona no helicóptero oficial em maio de 2006 (é lenta a Justiça na capital e em todo o país) quando a vice Maria de Lourdes havia assumido o cargo. E, como a Viúva além de cega é perdulária, o ex-governador Roriz e a governadora em exercício voaram durante seis dias no helicóptero para levar a dupla a eventos sociais. Ao fim do dia, o ex-governador Joaquim Roriz era deixado de helicóptero em sua residência, em Brasília, ou em sua fazenda em Luziânia, Goiás.
Antes de embarcar para o Irã, em mais uma viagem internacional da sua agenda de um dos líderes mais populares do mundo, o presidente Lula deixou como tema para distração do público um cacho de declarações que batem cabeça no xadrez das contradições. No encontro com os companheiros do Grito de Terra 2010, que reúne pequenos agricultores ligados à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), com a voz no tom emocionado, o presidente anunciou que após deixar o cargo, em 1º de janeiro de 2011, percorrerá o país “fazendo política”. E, na forma do costume, uma alfinetada no antecessor, FHC: “Não vou dar pitaco no novo governo, porque eu quero que eles digam que nunca um ex-presidente na história deste país foi tão ex-presidente”.
Como de boas intenções o inferno está cheio, as do presidente Lula duraram menos que uma rosa. Na entrevista ao SBT, Lula voltou ao natural. E bateu firme: “É uma constatação de fato. Porque essa gente que vive com o nariz torto tentou destruir este país. Eu gostaria de ser economista. Acho chique. Eles sabem tanto número! E quando é oposição sabem mais ainda. O Serra agora está sabendo tudo que não sabia quando estava no governo”. No galeio para saltar a contradição reafirmou que quando deixar o governo não dará palpite sobre a administração de quem o substituir. Palavras, o vento leva...
'Dilma mentiu: eu sou o autor do Luz para Todos'
'Dilma mentiu: eu sou o autor do Luz para Todos'
Blog do Noblat – 15/05/2010
Da assessoria de imprensa da liderança do PSDB na Câmara dos Deputados:
O líder do PSDB na Câmara dos Deputados, João Almeida (BA), foto ao lado feita por Eduardo Lacerda, declarou-se surpreso com a afirmação da petista Dilma Roussef no programa do partido veiculado na televisão, quando afirmou que o "Luz para Todos" foi de sua autoria.
"Isto é uma mentira, pois o programa é de minha iniciativa! Não foi proposto pelo Governo de Lula, como querem passar para a população. E foi aprovado por unanimidade pela Câmara dos Deputados e pelo Senado", alertou Almeida.
João Almeida relembra que, em 2003, o Governo Lula enviou ao Congresso Nacional Medida Provisória (MP 127/2003) que tratava apenas da criação de um Programa Emergencial e Excepcional de Apoio às Concessionárias de Serviços Públicos de Distribuição de Energia Elétrica.
"A MP era somente para dar uma compensação às companhias distribuidoras de energia elétrica, por um aumento que não fora concedido pelo Governo para evitar que a inflação crescesse", explica Almeida.
O deputado baiano foi designado relator. Como possuía todos os estudos anteriores relativos à criação do programa "Luz no Campo" (dezembro de 1999, ainda no Governo FHC), entrou em contato com as lideranças do PT para promover a universalização do fornecimento de energia elétrica a todos os brasileiros.
Foi desta forma que nasceu o "Luz Para Todos", construído naquele momento pelo relator. "Eu incluí nessa MP a legislação básica para a construção do programa 'Luz Para Todos", lembra Almeida. A lei foi aprovada por unanimidade e o deputado não fez qualquer alarido disso à época.
"Na elaboração da lei do 'Luz Para Todos', tomei o cuidado essencial de evitar a manipulação política. De que forma? Garantindo um sistema de atendimento às comunidades baseado no custo por família, atendendo primeiro aos que podem ser atendidos com custo mais baixo, depois aos de custo mais alto, por fim chegando até aos mais distantes", completa o líder tucano.
A ex-ministra não foi a primeira a mentir sobre a autoria do projeto, acentua o deputado baiano. "Tenho uma surpresa muito grande quando aparece ou outro deputado, e agora a ex-ministra de Lula, dizendo que levou o 'Luz Para Todos' para aqui, ou que outro levou o Luz Para Todos para lá. Mentem todos!! Ninguém leva o 'Luz Para Todos' para qualquer lugar!! Quem diz onde o programa vai acontecer é o computador, que lista as comunidades a serem atendidas em cada momento, considerando o menor custo por unidade beneficiada", diz.
O sucesso do programa "Luz Para Todos", enfatiza João Almeida, "é a lei que criou este fundo, pois quem sustenta o programa não é o orçamento da União".
Este é o fundamento básico da proposta original do deputado. "Há muita gente se beneficiando dos resultados eleitorais desse programa sem dizer verdadeiramente a autoria. Cada cidadão brasileiro que paga a taxa acima da taxa social está pagando um pouquinho mais para garantir o Programa Luz para Todos", finaliza João Almeida.
Um filme em preto e branco
Um filme em preto e branco
Gaudêncio Torquato - O Estado de S.Paulo - 16/05/10
Dissimular é uma arte da política, particularmente praticada nos ciclos eleitorais. Em se tratando do Brasil, convenhamos, essa aptidão é desenvolvida com naturalidade, eis que a expressão da verdade não assume status de extremo rigor quanto se observa em países de cultura anglo-saxônica. Sob essa premissa, não causam comoção manifestações, atos, atitudes e abordagens feitas na atual quadra, também conhecida como pré-campanha eleitoral.
O exercício em torno da transmutação de imagem, a cargo dos atores, aponta para algumas direções: montagem de discurso cauteloso, apresentação de propostas consensuais, distância de polêmicas e humanização do perfil. Nessa tarefa, os protagonistas tentam driblar as rotas de condutas históricas e incorporar novos comportamentos e posições, impedindo que os circunstantes os considerem tal como são ou deixando transparecer argumentos para se pensar que não são o que efetivamente são. Até conseguem o intento, mas não raro a prestidigitação faz o conhecido princípio da geometria "duas paralelas no plano se encontram no infinito" arrumar como ponto de encontro a esquina eleitoral mais próxima. Pois o paralelismo que se julga existir entre candidatos nada mais é que uma encruzilhada, onde a visão de um se cruza com o ponto de vista de outro. Mesmo que o passado seja o traço de união.
O objetivo dos participantes da peça é, como no teatro chinês, apor uma máscara sobre a cara para representar galhardamente o espetáculo e ganhar palmas entusiasmadas da plateia. Bom desempenho dá aplausos e tropeços geram apupos. Cada qual, atores centrais e secundários, tem papel definido. Vejamos o desempenho de alguns, a começar pelo presidente da República.
Em entrevista ao jornal El País, Lula confessa ser um cidadão "multi-ideológico". O termo, que em tempos idos poderia soar como atentado ao pudor de um PT monolítico e sacralizado, foi usado para abrigar a pluralidade que torna semelhantes entes políticos neste ciclo de desideologização. Luiz Inácio não quer mais parecer o radical de outrora, sentimento apontado por outra palavra - multinacional - que apensou ao desabafo, como se fosse sinônimo. Ora, graças à multinacionalidade e às ideologias múltiplas que agregou ao perfil, tornou-se palatável aos olhos de líderes mundiais, enquanto por aqui passou a ser visto como ente acima de partidos. O processo mutante, convém lembrar, vem lá de trás, quando abriu o balcão do "Lulinha paz e amor", sob a bandeira de uma Carta aos Brasileiros (2002) cujo mérito foi expurgar de sua feição vestígios de "bicho-papão". A antiga carranca amedrontava. A engenharia transformativa ganhou amplitude. Assim, Lula arrastou o PT para o meio da roda, onde hoje o partido convive, sem o antigo manto de vestal, com siglas cimentadas na argamassa da aliança governista.
"Metamorfose ambulante", como já se classificou, Lula é uma figura permanentemente vitaminada por circunstâncias. Ao mesmo jornal espanhol disse que resolveu, "primeiro, construir o capitalismo para depois fazer o socialismo". Aliás, Delfim Netto, quando ministro da Fazenda (1979-1985), cunhou a frase: "Primeiro, deixar o bolo crescer para depois repartir." O professor defendia a ideia de que a riqueza, para ser distribuída, deveria, antes, ser criada. O capitalismo imaginado por Lula não seria a riqueza pensada por Delfim? Se é isso, a conclusão é inevitável: o Lula de hoje é o Delfim de ontem. Ou, se quiserem, Delfim pelejou, pelejou, até conseguir plantar uma frondosa árvore na seara do lulismo.
"Metamorfose ambulante", como já se classificou, Lula é uma figura permanentemente vitaminada por circunstâncias. Ao mesmo jornal espanhol disse que resolveu, "primeiro, construir o capitalismo para depois fazer o socialismo". Aliás, Delfim Netto, quando ministro da Fazenda (1979-1985), cunhou a frase: "Primeiro, deixar o bolo crescer para depois repartir." O professor defendia a ideia de que a riqueza, para ser distribuída, deveria, antes, ser criada. O capitalismo imaginado por Lula não seria a riqueza pensada por Delfim? Se é isso, a conclusão é inevitável: o Lula de hoje é o Delfim de ontem. Ou, se quiserem, Delfim pelejou, pelejou, até conseguir plantar uma frondosa árvore na seara do lulismo.
Em outra imbricação aparecem, lado a lado, o escolado atual presidente e o scholar sociólogo, o ex-presidente Fernando Henrique. Luiz Inácio costura firme o presidencialismo de coalizão, tarefa a que o tucano tanto se dedicou. Se Lula alcança mais sucesso nessa tarefa, é por conta do multilateralismo de que hoje é fanático seguidor. Há mais pontos de intersecção. FHC é frequentemente cobrado por adversários pela frase (que nega ter dito): "Esqueçam o que escrevi." Lula disse algo parecido: "Esqueçam as bravatas que eu disse nos palanques." Como se vê, a confraternização de verbos é uma constante na mesa da Realpolitik. Essa é a carga simbólica que Lula passa para Dilma.
A lapidação da imagem toma o fôlego dos pré-candidatos. Procuram um diferencial. Mas a percepção sobre atributos varia de segmento e classe. Nos estratos de cima, a comparação entre eles é a régua do "risco". Serra e Dilma começam a ser vistos nessa moldura, até se ouvir um ponto mais consensual: seja qual for o ator escolhido, o Brasil não corre perigo de retrocesso. Serra ataca os juros altos, fustigando a conduta de Henrique Meirelles. Dilma, que no passado pertencia a um grupo do PT contrário à visão de Meirelles, hoje é sua defensora. Serra agrada ao empresariado por causa dos juros e da política de câmbio, mas abre temores por sugerir arrefecimento da autonomia do Banco Central. Uma no cravo, outra na ferradura. No frigir dos ovos, ambos estão mais próximos que distantes na direção da matéria econômica.
Dilma tinha dúvida, tempos atrás, sobre a existência de Deus. Hoje, se diz, primeiro, cristã e, num segundo momento, católica. Serra, por sua vez, compara o ateu ao fumante, que conhece o mal do cigarro, mas continua fumando. A pessoa sem Deus sabe que Ele está ali, mas não procura. Os ateus condenaram a comparação. Essas são as firulas que cercam a dissimulação.
E o que dizer da coerência dos partidos? Parcelas das siglas que, até o momento, integram a base aliada abraçam a oposição. Não é novidade. São gestos de um passado que renasce. No pico da incredibilidade, desponta a figura do ex-presidente Fernando Collor, que abriu intensa polêmica por usar, em 1989, expediente antiético que feriu a imagem de Lula. Candidato ao governo de Alagoas, hoje acolhe Dilma e Lula no palanque.
O filme, temos de convir, é ainda em preto e branco.
Israel está apagando os palestinos do mapa
Israel está apagando os palestinos do mapa
Se Israel apóia a solução dos dois estados, pode começar pelo redesenho dos mapas oficiais que ignoram as fronteiras internacionalmente reconhecidas e a maioria das cidades palestinas. Uma olhada no mais recente material de divulgação do Ministério de Turismo de Israel dá uma resposta forte. O material do governo em 2009 elimina qualquer presença palestina. O ministro do Turismo, Stas Misezhnikov, é um quadro da direita radical do partido Yisrael Beiteinu, liderado pelo ministro de relações exteriores Avigdor Leiberman. O ministério apagou completamente a Cisjordânia e as áreas palestinas de seus materiais de divulgação. O artigo é de Daoud Kuttab.
Daoud Kuttab - Haaretz
Agora que as negociações entre israelenses e palestinos recomeçam, os palestinos estão determinados a começar enfrentando a questão das fronteiras, antes de recuar para discutir o estabelecimento de um estado palestino. Uma vez alcançado um acordo sobre as fronteiras, tudo leva a crer que ficará mais claro quem tem o direito de decidir se a construção dos assentamentos continua ou não.
Naturalmente, toda essa conversa tem um ponto central. Enquanto fronteiras exatas forem objeto de negociação, fica difícil começar a conversar, à medida que um dos lados insiste em antecipar uma solução certa. E, pior, a maioria dos mapas mais recentes publicados unilateralmente pelo governo anexa a Palestina a Israel enquanto ignora a existência de várias comunidades palestinas.
É muito difícil aceitar o argumento de Israel, de que se trata de uma questão meramente simbólica. Símbolos importam e, no impedimento da realização de um estado palestino, Israel tem lhes dado plena atenção.
Durante anos foram os palestinos que se confrontaram com suas próprias questões simbólicas, seja no estatuto da Autoridade Nacional Palestina ou nos mapas dos livros escolares palestinos. Israel e seus propagandistas usam os mapas palestinos para questionar o reconhecimento palestino de Israel. Os palestinos são questionados por que em alguns mapas palestinos falta a demarcação da Cisjordânia e por que cidades israelenses como Tel Aviv desapareceram desses mapas enquanto a vizinha Jaffa é mencionada.
No passado, os palestinos respondiam frequentemente com o questionamento das fronteiras de Israel. Elas incluiriam ou não Jerusalém? Os israelenses de fato aceitam o estado palestino vizinho ao mesmo tempo em que exigem o reconhecimento pelos palestinos do estado de Israel?
Ainda assim, a despeito da retórica, eles silenciosamente mudaram bastante e seguiram os conselhos de seus amigos internacionais em fazer mudanças nos mapas e em especial nos livros escolares.
Desde 1994 a Autoridade Nacional Palestina revisou os antigos textos didáticos, levando Nathan Brown, professor de Ciência Política na George Washington University a publicar um autêntico estudo livrando a Autoridade Palestina das acusações de que representava a geografia regional de maneira errada.
“Os novos livros contam a história de um ponto de vista palestino, mas não visam a apagar Israel, desligitimá-lo ou substituí-lo por um 'estado Palestino'”, escreveu Brown.
“Cada livro contém um prólogo descrevendo a Cisjordânia e Gaza como 'duas partes da terra natal'; os mapas mostram algum embaraço mas às vezes indicam a linha de 1967 e algumas outras medidas que permitam indicar fronteiras; a esse respeito eles realmente estão mais avançados do que os mapas israelenses. Os livros evitam tratar Israel detalhadamente mas de fato o mencionam pelo seu nome”.
A despeito dessas mudanças, a questão continua a assombrar os palestinos internacionalmente. De acordo com Brown, quase todas as acusações recentes estão vinculadas a uma única organização, o Centro de Monitoramento do Impacto da Paz, uma ONG pró-israelense. O grupo, diz Brown, se fundamenta “na desinformação e nos relatórios tendenciosos que apóiam seus chamados de incitação”. Há alguns anos o Congresso dos Estados Unidos também fez um estudo e chegou a uma conclusão similar.
Essas investigações conclusivas deveriam pôr um fim às acusações, mas poucos têm questionado o óbvio. Qual a posição israelense sobre os palestinos e como os mapas israelenses demarcam o território palestino?
Uma olhada no mais recente material de divulgação do ministério dá uma resposta forte. O material do governo em 2009 elimina qualquer presença palestina.
Uma olhada no mais recente material de divulgação do ministério dá uma resposta forte. O material do governo em 2009 elimina qualquer presença palestina.
O ministro do turismo, Stas Misezhnikov, é um quadro da direita radical do partido Yisrael Beiteinu, liderado pelo ministro de relações exteriores Avigdor Leiberman. Sob essa liderança extremista, o ministério apagou completamente a Cisjordânia e as áreas palestinas de seus materiais de divulgação. A região dos palestinos é retratada sem quaisquer fronteiras ou demarcações. Todos os mapas usados na campanha publicitária (disponível online em http://www.goisrael.com) omitem as áreas e as cidades palestinas.
Agora que as negociações começam, será que chegou o momento de Israel substituir a conversa vazia pela ação? E chegou a hora de a comunidade internacional fazer a simples exigência de que Israel pare de ignorar os palestinos e a Palestina, ao menos nos seus mapas oficiais?
Daoud Kuttab é um jornalista palestino premiado e ex-professor da cátedra Ferris de Jornalismo na Universidade Princeton. Ele vive entre Jerusalém e Aman. Daoud Kuttab (nascido em 1955, Jerusalém) é um palestino jornalista. Ele é considerado uma voz moderada entre os palestinos. Ele é o diretor do Instituto de Mídia Moderna na Universidade Al Quds e fundador e diretor geral de "AmmanNet", Árabe primeiro mundo estação de rádio internet. Ele é um colunista regular para a Jordan Times , o jornal Jerusalem Post , Amin.org e The Washington Post 's PostGlobal segmento. Tradução: Katarina Peixoto
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