quinta-feira, junho 03, 2010
O conto da ilha desconhecida - José Saramago
Um homem foi bater à porta do rei e disse-lhe, Dá-me um barco. A casa do rei tinha muitas mais portas, mas aquela era a das petições. Como o rei passava todo o tempo sentado à porta dos obséquios (entenda-se, os obséquios que lhe faziam a ele), de cada vez que ouvia alguém a chamar à porta das petições fingia-se desentendido, e só quando o ressoar contínuo da aldraba de bronze se tornava, mais do que notório, escandaloso, tirando o sossego à vizinhança (as pessoas começavam a murmurar, Que rei temos nós, que não atende), é que dava ordem ao primeiro-secretário para ir saber o que queria o impetrante, que não havia maneira de se calar. Então, o primeiro-secretário chamava o segundo-secretário, este chamava o terceiro, que mandava o primeiro-ajudante, que por sua vez mandava o segundo, e assim por aí fora até chegar à mulher da limpeza, a qual, não tendo ninguém em quem mandar, entreabria a porta das petições e perguntava pela frincha, Que é que tu queres. O suplicante dizia ao que vinha, isto é, pedia o que tinha a pedir, depois instalava-se a um canto da porta, à espera de que o requerimento fizesse, de um em um, o caminho ao contrário, até chegar ao rei. Ocupado como sempre estava com os obséquios, o rei demorava a resposta, e já não era pequeno sinal de atenção ao bem-estar e felicidade do seu povo quando resolvia pedir um parecer fundamentado por escrito ao primeiro-secretário, o qual, escusado se ria dizer, passava a encomenda ao segundo-secretário, este ao terceiro, sucessivamente, até chegar outra vez à mulher da limpeza, que despachava sim ou não conforme estivesse de maré.
Leia a continuação deste conto em:
Maternidade socioafetiva é reconhecida em julgamento inédito no STJ
STJ – SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - 31/05/2010 - 08h00
Maternidade socioafetiva é reconhecida em julgamento inédito no STJ
A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que a maternidade socioafetiva deve ser reconhecida, mesmo no caso em que a mãe tenha registrado filha de outra pessoa como sua. “Não há como desfazer um ato levado a efeito com perfeita demonstração da vontade daquela que, um dia, declarou perante a sociedade ser mãe da criança, valendo-se da verdade socialmente construída com base no afeto”, afirmou em seu voto a ministra Nancy Andrighi, relatora do caso.
A história começou em São Paulo, em 1980, quando uma imigrante austríaca de 56 anos, que já tinha um casal de filhos, resolveu pegar uma menina recém-nascida para criar e registrou-a como sua, sem seguir os procedimentos legais da adoção – a chamada “adoção à brasileira”. A mulher morreu nove anos depois e, em testamento, deixou 66% de seus bens para a menina, então com nove anos.
Inconformada, a irmã mais velha iniciou um processo judicial na tentativa de anular o registro de nascimento da criança, sustentando ser um caso de falsidade ideológica cometida pela própria mãe. Para ela, o registro seria um ato jurídico nulo por ter objeto ilícito e não se revestir da forma prescrita em lei, correspondendo a uma “declaração falsa de maternidade”. O Tribunal de Justiça de São Paulo foi contrário à anulação do registro e a irmã mais velha recorreu ao STJ.
Segundo a ministra Nancy Andrighi, se a atitude da mãe foi uma manifestação livre de vontade, sem vício de consentimento e não havendo prova de má-fé, a filiação socioafetiva, ainda que em descompasso com a verdade biológica, deve prevalecer, como mais uma forma de proteção integral à criança. Isso porque a maternidade que nasce de uma decisão espontânea – com base no afeto – deve ter guarida no Direito de Família, como os demais vínculos de filiação.
“Permitir a desconstituição de reconhecimento de maternidade amparado em relação de afeto teria o condão de extirpar da criança – hoje pessoa adulta, tendo em vista os 17 anos de tramitação do processo – preponderante fator de construção de sua identidade e de definição de sua personalidade. E a identidade dessa pessoa, resgatada pelo afeto, não pode ficar à deriva em face das incertezas, instabilidades ou até mesmo interesses meramente patrimoniais de terceiros submersos em conflitos familiares” disse a ministra em seu voto, acompanhado pelos demais integrantes da Terceira Turma.
Coordenadoria de Editoria e Imprensa
Belle de Jour - Trailer - Deneuve / Bunuel
Original trailer for Luis Bunuels Belle de Jour - with English subtitles
Reflexão
"Aja sempre corretamente.
Alguns ficarão gratos, outros espantados."
Mark Twain
Mark Twain, pseudônimo de Samuel Langhorne Clemens, (Florida, 30 de Novembro de 1835 — Redding, 21 de Abril de 1910) foi um escritor, humorista eromancista norte-americano.
Em seu auge, Twain foi a celebridade mais conhecida de sua época. William Faulkner disse que ele foi "o primeiro escritor verdadeiramente americano, e todos nós desde então somos seus herdeiros". O autor sustentava que o nome "Mark Twain" vinha da época em que trabalhou em barcos a vapor; era o grito que os pilotos fluviais emitiam para marcar (mark) a profundidade das embarcações. Acredita-se que o nome na verdade tenha vindo de seus dias de abandono no oeste, quando ele pedia dois drinks e falava para o atendente do bar "marcar duplo" ("mark twain") em sua conta. A origem verdadeira é desconhecida. Além de Mark Twain, Clemens também usou o pseudônimo "Sieur Louis de Conte".
MARIO COVAS - em 1968 - raro filme
Mario Covas em 1968, fala do MDB (atual PMDB) sobre posições do partido no que se refere a política, problemas sociais e econômicos.
quarta-feira, junho 02, 2010
Descumprir acordo extrajudicial de pagamento de pensão alimentícia também pode levar à prisão
STJ – SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - 02/06/2010 - 08h00
Descumprir acordo extrajudicial de pagamento de pensão alimentícia também pode levar à prisão
É cabível a prisão civil por inadimplemento de pensão alimentícia decorrente de acordo extrajudicial entre as partes, ou seja, aquele não baseado em decisão da Justiça. O entendimento é da Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ao analisar um recurso no qual a mãe de um menor em Minas Gerais tentava receber prestações de pensão alimentícia vencidas, os ministros anularam o processo desde a sentença inicial e determinaram que a ação de cobrança de alimentos seja retomada. O pai não pagou a dívida que havia sido negociada extrajudicialmente na Defensoria Pública do estado.
A primeira instância extinguiu o processo porque o título executivo extrajudicial não poderia ser executado, uma vez que deveria ter sido homologado judicialmente. O Tribunal de Justiça mineiro negou o pedido para o menor por entender que a execução da dívida exigiria título judicial, ou seja, sentença ou decisão que concedeu o pagamento liminar em ação de alimentos.
No STJ, a mãe argumentou que a transação assinada perante a Defensoria Pública seria um instrumento adequado para execução de alimentos. O relator, ministro Massami Uyeda, havia admitido que, na execução de obrigação alimentar estipulada por meio de acordo extrajudicial, não seria possível impor a pena de prisão civil. Mas um pedido de vista da ministra Nancy Andrighi modificou o entendimento do relator. Para a ministra, o artigo 733 do Código de Processo Civil (CPC) não faz referência ao título executivo extrajudicial, “porque, na época em que o CPC entrou em vigor, a única forma de se constituir obrigação de alimentos era por título executivo judicial. Ocorre que, posteriormente, foram introduzidas alterações no ordenamento jurídico permitindo a fixação de alimentos em acordos extrajudiciais, dispensando-se a homologação pelo Poder Judiciário”.
O entendimento que passou a prevalecer na Terceira Turma, depois do voto vista da ministra Nancy Andrighi, está estabelecido na Constituição Federal: “será legítima a prisão civil pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentar”. Assim, a prisão é autorizada no caso de não pagamento injustificado da pensão alimentícia legítima, não se restringindo às execuções de títulos judiciais. Além do que a Constituição dispõe que o bem jurídico tutelado com a coerção pessoal (prisão) se sobrepõe ao direito de liberdade do alimentante inadimplente. Conforme a análise da ministra, “o entendimento de que o acordo realizado fora do processo afasta o uso da prisão civil é um incentivo à desídia do devedor de alimentos que optou pela via extrajudicial e viola o direito fundamental do credor de receber, regularmente, os valores necessários à sua subsistência”.
Por fim, a ministra concluiu que os efeitos nefastos do descumprimento da pensão alimentar são os mesmos, independentemente da origem do acordo que gerou a obrigação – judicial ou extrajudicial. Isto é, deixar de suprir as necessidades daquele que precisa de alimentos fere o direito fundamental da dignidade da pessoa humana, seja o título oriundo de acordo judicial ou extrajudicial.
Esse entendimento, além do mais, assinalou a ministra, está em harmonia com a tendência do ordenamento jurídico de incentivar a resolução de conflitos pela autocomposição.
Em votação unânime, a Terceira Turma determinou o prosseguimento da execução.
Coordenadoria de Editoria e Imprensa
Quando o preconceito fala mais alto!
O Blog SEXPEDIA - http://colunas.epoca.globo.com/sexpedia/ - publicou hoje, 02806/2010, um vídeo da atriz inglesa Angela Lansbury no qual a mesma dá dicas de como a mulher deve se sentir bem, com técnicas de relaxamento corporal, mesmo após a menopausa. Assisti o vídeo e achei o mesmo excelente, mas qual não foi a minha surpresa ao ver o comentário postado pela autora do Blog, abaixo reproduzido;
"No vídeo acima, a atriz inglesa Angela Lansbury ensina às mulheres como ser sexy e sedutora após a menopausa. Ta aí uma boa lição para mulheres de todas as idades sobre como não ser sexy! Acho que quanto mais a pessoa tenta ser sensual fazendo caras, bocas e gestos (isso vale para homens e mulheres), maior a chance de fazer o parceiro cair na gargalhada. Só eu penso assim?"
Sinceramente, fiquei inconformada com a observação e postei o comentário abaixo:
A sua observação tem o viés do preconceito contra a idade. Achei o vídeo ótimo e é muito bom que mulheres nessa faixa etária se sintam tão bem consigo mesmas. Isso faz parte de nossa geração, as que estão acima dos 50 anos, fomos acostumadas a ser femininas, a tratar bem o nosso corpo, a gostar de estar atraente, limpa, cheirosa, a manter a delicadeza,mesmo trabalhando, lutando com todas as dificuldades da vida, sendo mãe, mulher, profissional, cumprindo as várias jornadas diárias, no ônibus, no trem, no metrô, com ou sem marido ou companheiro. Fazemos isso por nós. E isso vale para sempre. Quem perde isso, desistiu de viver. E um aviso: a idade chega para todas, então vamos trabalhar a mente!
Diana Esnero
Governo conclui menos da metade do previsto no PAC
Governo conclui menos da metade do previsto no PAC
Quarta-feira, 2 de junho de 2010 14:37 BRT
BRASÍLIA (Reuters) - As ações concluídas do Programa de Aceleração do Crescimento do lançamento em 2007 a abril deste ano somaram 302,5 bilhões de reais, 46,1 por cento do previsto para o período, informou a Casa Civil nesta quarta-feira. Em dezembro de 2009 as ações concluídas representavam 40,3 por cento do previsto. Os dados constam do 10o balanço do programa.
"Nós temos, de fato, uma aceleração grande de projetos do PAC nesse período (janeiro-abril)", argumentou a jornalistas o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo.
A execução financeira total do PAC foi de 463,9 bilhões de reais, ou 70,7 por cento dos 656,5 bilhões de reais previstos. Nessa cifra, estão incluídos investimentos das estatais (154,5 bilhões de reais), do setor privado (98,1 bilhões de reais), do Orçamento Geral da União (41,8 bilhões de reais), financiamentos ao setor público (5,2 bilhões de reais), financiamento à pessoa física (157,9 bilhões de reais) e contrapartidas de Estados e municípios (6,4 bilhões de reais).
As ações concluídas nos setores de logística, energia e infraestrutura urbana somaram 143,7 bilhões de reais, 33,6 por cento do total previsto. Já os segmentos de habitação e saneamento tiveram 69,4 por cento das obras concluídas, as quais totalizam 158,8 bilhões de reais. O governo monitorou 2.483 ações do PAC entre janeiro e 30 de abril. Apenas 1 por cento das ações tem situação considerada "preocupante" pelo governo, o mesmo percentual verificado no balanço anterior, divulgado em dezembro do ano passado. Alguns exemplos são as obras do metrô de Salvador e nos aeroportos de Brasília, Vitória e Macapá.
Ficou também estacionado o volume de obras em estágio de "atenção", em 5 por cento, como as usinas hidrelétricas Pai Querê (Santa Catarina e Rio Grande do Sul) e Telêmaco Borba (Paraná). Já o nível de ações em situação adequado caiu para 37 por cento de 44 por cento do total --resultado influenciado pelo aumento do número de ações concluídas. Dois projetos para a exploração do petróleo da camada pré-sal constam desse grupo: o teste de longa duração e o piloto de produção do reservatório de Tupi, previstos respectivamente para serem concluídos em 30 de setembro de 2010 e 31 de julho de 2012.
Outro empreendimento que está em estágio adequado, na opinião do governo, é o trem de alta velocidade que ligará São Paulo ao Rio de Janeiro e terá uma parada em Campinas (SP). O Executivo pretende realizar o leilão no segundo semestre, mas está esperando o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovar o edital da obra.
"Estamos na expectativa de que o tribunal se manifeste positivamente e, se assim o fizer, como nós imaginamos, com poucos dias o edital está na rua, porque o edital já está pronto", destacou o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Oliveira Passos.
MACROECONOMIA
Para o governo, a retomada do crescimento da economia comprova a adoção do PAC como uma política anticíclica voltada ao combate dos efeitos da crise financeira global. "Tendo em vista que desde a crise os investimentos continuaram e a capacidade produtiva continua a se ampliar, essa recuperação é perfeitamente sustentável e não coloca nenhum risco para o cumprimento da meta de inflação", destacou o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa.
Segundo ele, a aceleração da inflação deve-se ao aumento do preço dos alimentos devido a chuvas e ao fim dos estímulos fiscais adotados no início da crise. "São fatores não relacionados à demanda." O documento do balanço do PAC informou que a inflação ficará acima do centro da meta estipulada para 2010, mas deve voltar para ele em 2011.
(Reportagem de Fernando Exman e Maria Carolina Marcello; Edição de Carmen Munari) © Thomson Reuters 2010 All rights reserved.
Campo de Batata, Índia Fotografia de Haglund Johnny
Mulheres na aldeia de Mawsynram, no estado indiano de Meghalaya (conhecido como o mais chuvoso lugar do planeta), usando cesto caseiro como guarda-chuva, quando elas trabalham no campo de batata.
Israel admite erros em operação militar
Israel admite erros em operação militar
Imprensa israelense critica governo e Marinha, que reconhece que houve falhas de inteligência, estratégia e na escolha do equipamento para a ação
JERUSALÉM - O Estado de S.Paulo
Militares israelenses reconheceram ontem que cometeram erros durante a abordagem de uma frota internacional que levava ajuda humanitária à Faixa de Gaza. Comandos militares invadiram um dos navios e mataram pelo menos nove ativistas. Os erros, segundo autoridades de Israel, foram de inteligência, estratégia e na escolha dos equipamentos utilizados na operação.
Um dia após o confronto, fontes da Marinha de Israel apontaram falhas de inteligência. "Não esperávamos essa resistência dos ativistas, já que estávamos falando de um grupo de ajuda humanitária", disse o comandante da equipe de embarque, um tenente não identificado, que recebeu autorização para falar à rádio do Exército.
Embora a polícia de Israel tenha colocado os ativistas presos em uma espécie de "quarentena", impedindo a divulgação de depoimentos divergentes, um vídeo filmado por um dos passageiros do navio invadido mostrou dois soldados levando socos.
O Exército israelense também divulgou imagens de meia dúzia de soldados lutando contra cerca de 30 ativistas. Os vídeos aumentaram a descrença da população. Jason Alderwick, especialista em guerra marítima do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, de Londres, criticou a operação da Marinha israelense.
"O sucesso começa com o planejamento e uma inteligência decente. Eles já haviam abordado esse tipo de navio antes", afirmou. "Desta vez, eles não foram duros o suficiente, rápidos o suficiente e não tinham um contingente grande o suficiente para estabelecer o controle."
A imprensa israelense também não perdoou o governo. Os termos mais amenos para definir a ação foram "confusão" e "fiasco". Segundo a maioria dos jornais, o fracasso da ofensiva erodiu a confiança da população de uma maneira muito parecida à da Guerra do Líbano de 2006.
Críticas. Yossi Sarid, do jornal Haaretz, escreveu um duro artigo intitulado Sete idiotas no gabinete, em referência aos ministros do premiê Binyamin Netanyahu. Um comentarista de TV pediu a demissão do ministro da Defesa Ehud Barak.
Pressionado, Israel prometeu investigar a desastrosa operação militar, mas continuou insistindo ontem que foram os ativistas que provocaram o derramamento de sangue, o que para boa parte da população e dos analistas locais só piora a imagem do governo. / REUTERS e AP
CRONOLOGIA DO ATAQUE ISRAELENSE
Comunicação
Na madrugada, sinais da embarcação são cortados
Interceptação
Soldados invadem navio usando lanchas e helicópteros
Confronto
Soldados afirmam que foram agredidos e revidaram
Mortes
Ativistas dizem que militares chegaram ao navio atirando
Novas forças contra os idiotas
Novas forças contra os idiotas
Jornal do Brasil – 02/05/2010
A condenação, nos quatro cantos do planeta, ao ataque de Israel às seis embarcações que levavam ajuda humanitária à população da Faixa de Gaza, resultando na morte de dez ativistas, é uma amostra de como o mundo vem se tornando pequeno e a interação entre os países, cada vez mais próxima. Praças públicas foram tomadas pela indignação espontânea de manifestantes em Londres, Madri, Bruxelas, Washington, Paris, Rabat, Istambul, Sarajevo uma multidão foi às ruas em Estocolmo. É um exemplo de que não há assunto que não diga respeito a todos os cidadãos do mundo e a seus representantes. É uma prova de que a crítica ao papel mais atuante da diplomacia brasileira em problemas até pouco tempo atrás considerados dos outros reflete uma visão estreita, provinciana.
O Oriente Médio, a exemplo de outras zonas de conflito como a das Coreias, é uma questão mundial. E os últimos acontecimentos indicam que o monopólio ou o oligopólio da mediação destes imbróglios pelas grandes potências, devido à sua inoperância, será desafiado por outras forças. Seja pelos governos de países emergentes como fizeram Brasil e Turquia em relação ao impasse sobre o programa nuclear iraniano. Seja pela presença de ONGs, novos atores que preenchem o vácuo de representação, agora em escala planetária. Em alguns países da África, na ausência do Estado, ONGs comandam largas regiões num trabalho que não distingue fronteiras nacionais.
A flotilha da ONG Free Gaza é o retrato desta opinião pública internacionalizada. A bordo, havia 700 pessoas , de 50 nacionalidades, entre elas a Nobel da Paz de 1976, Máiread Corrigan Maguire, da Irlanda do Norte, e o escritor sueco Henning Mankell.
Com sua atuação corajosa, porém pacífica, sem armas, a Free Gaza causou mais impacto na geopolítica do Oriente Médio do que muitos governos burocráticos e com poder de dissuasão sobre Israel, como o americano. A primeira reação dos Estados Unidos ao episódio foi de um gelo antártico. Apenas lamentou a morte dos ativistas e disse que esperava as investigações das autoridades israelenses sobre o caso. Bem melhor foi a postura do governo brasileiro, que condenou firmemente a invasão ao comboio e convocou o embaixador de Israel, em Brasília, para prestar esclarecimentos. O Itamaraty também cobrou investigação independente do episódio e o fim do bloqueio de Israel.
Há três anos, a população da Faixa de Gaza, com 1,5 milhão de palestinos, vive subjugada e carece de artigos de necessidade mais básica, como alimentos, produtos hospitalares, de higiene etc. A entrada de todo material é dificultada, sob o argumento de que o grupo Hamas poderia se fortalecer com a livre circulação de mercadorias.
Não se discute o direito de Israel à sua segurança desde que não fira as mais elementares noções de dignidade e direitos humanos. É preciso também definir o alvo do repúdio mundial, que não é contra o povo ou contra o Estado de Israel, mas contra os seus atuais governantes, chamados apropriadamente pelo jornal Haaretz de os sete idiotas no gabinete.
O neopeleguismo
O neopeleguismo
02 de junho de 2010 | 0h 00 - O Estado de S.Paulo
Ao se colocarem a serviço direto, sem disfarces, da candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República, a infração legal menos grave que as centrais sindicais cometeram foi a "antecipação" da campanha presidencial? Até porque nem a Força Sindical nem a CUT foram as primeiras a fazê-lo. Mais grave foi a debochada afronta que o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, lançou à Justiça Eleitoral, ao afirmar que de nada adiantaria ser processado de novo? Já teve quatro processos e duas condenações ?, Pois "continuaria a falar". E falou tanto para dizer que não se pode deixar "esse sujeito" (referindo-se ao candidato tucano José Serra) se tornar presidente da República, porque ele "vai tirar os direitos do trabalhador", "vai mexer no Fundo de Garantia, nas férias, na licença-maternidade", como para defender a continuidade do governo Lula, com a eleição de Dilma Rousseff.
Deixe-se de lado a falta de compostura e as agressões destemperadas do deputado-sindicalista Paulinho ao candidato Serra. Talvez essa tenha sido a forma que ele encontrou para superar as vaias com que foi recebido na assembleia da Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), composta por CUT, UNE, MST e outras entidades, e da qual a Força Sindical não faz parte. E, no entanto, a legislação proíbe, expressamente, a participação de sindicatos em campanhas eleitorais. E a reunião da CMS era apenas uma preparação para a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), realizada terça-feira pelas cinco centrais sindicais (Força, CUT, CTB, CGTB e Nova Central), com o objetivo de, a pretexto de apresentar pautas reivindicatórias aos presidenciáveis, apoiar a candidata oficialista à Presidência da República ? em mais um desrespeito flagrante à legislação eleitoral.
A participação aberta de entidades sindicais na campanha eleitoral é apenas uma consequência do total atrelamento do sindicalismo ao Estado, consumado no governo do ex-sindicalista Lula. O peleguismo nascido do Estado Novo getulista e que pareceu definitivamente extinto com a renovação do movimento sindical ocorrida no ABC paulista? Conduzida pelo líder metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva? Voltou agora sob a forma aperfeiçoada do chamado neopeleguismo de cooptação. Explica bem esse fenômeno o cientista político Rubens Figueiredo que, em entrevista ao Estado (1.º/6), classificou o Brasil como um raro exemplo de país capitalista onde o sindicalismo está a favor do Estado.
Recorda Figueiredo que, durante o processo de redemocratização, os sindicatos representaram uma força importante de resistência da sociedade e estavam afastados do Estado. Com a ascensão do PT e de Lula ao poder, houve um processo de cooptação, principalmente, das Centrais Sindicais pelo Estado, que passou a destinar-lhes polpudas quantias de dinheiro. "Mesmo centrais que antes dificilmente se alinhavam, como a CUT e a Força Sindical, que lá atrás era chamada de pelega, hoje se alinham na defesa do governo. E, do ponto de vista de ocupação do Estado, há uma quantidade imensa de ex-sindicalistas e até de sindicalistas em atividade que fazem parte dos órgãos de direção do Estado", arremata o cientista político.
Estamos, pois, em plena "República sindicalista"? Não a sonhada por João Goulart nem a inspirada por ideologias, mas uma com motivações mais vulgares, argentárias e de compadrio. "Os quadros que o PT foi buscar para administrar o Brasil vieram dos sindicatos. E esses sindicatos ocupam hoje postos-chave, por exemplo, nos fundos de pensão, que são as instituições econômicas com maior liquidez no Brasil. Eles movimentam volume expressivo de dinheiro. Então, houve a ascensão do sindicalismo aos núcleos de decisão do Estado", analisa Rubens Figueiredo.
O problema do atrelamento do sindicalismo ao Estado é que um regime desse tipo, cujo exemplo clássico é o corporativismo fascista, bem cedo se torna incompatível com o Estado Democrático de Direito. E isso começa pelo desprezo às leis e à Justiça? Aquilo que o Paulinho da Força não se cansa de fazer.
Silvio Tendler: Israel envergonha judeus humanistas
Publicado originalmente no Blog:http://www.rodrigovianna.com.br/
Recebo carta aberta, assinada pelo cineasta Silvio Tendler, e endereçada ao governo israelense.
O texto, certamente, expressa o sentimento de milhares de judeus humanistas, espalhados pelo mundo, e que não suportam mais ver o seu povo associado à política genocida adotada por Israel.
Uma cultura que gerou pensadores como Marx, Freud, Eistein, e centenas de autores e intelectuais como Stephen Zweig, Amos Oz e tantos outros, não pode ser jogada no lixo pela política fascista do Estado de Israel.
É importante não estigmatizar a cultura judaica, e não permitir que o anti-semitismo se propague, sob impacto desse ataque criminoso promovido pelo governo israelense.
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CARTA AO GOVERNO ISRAELENSE - por Silvio Tendler
Senhores que me envergonham:
Judeu identificado com as melhores tradições humanistas de nossa cultura, sinto-me profundamente envergonhado com o que sucessivos governos israelenses vêm fazendo com a paz no Oriente.Médio.
As iniciativas contra a paz tomadas pelo governo de Israel vem tornando cotidianamente a sobrevivência em Israel e na Palestina cada vez mais insuportável.
Já faz tempo que sinto vergonha das ocupações indecentes praticadas por colonos judeus em território palestino. Que dizer agora do bombardeio do navio com bandeira Turca que leva alimentos para nossos irmãos palestinos? Vergonha, três vezes vergonha!
Proponho que Simon Peres devolva seu prêmio Nobel da Paz e peça desculpas por tê-lo aceito mesmo depois de ter armado a África do Sul do Apartheid.
Considero o atual governo, todos seus membros, sem exceção, merecedores por consenso universal do Prêmio Jim Jones por estarem conduzindo todo um pais para o suicídio coletivo.
A continuar com a política genocida do atual governo nem os bons sobreviverão e Israel perecerá baixo o desprezo de todo o mundo..
O Sr., Lieberman, que trouxe da sua Moldávia natal vasta experiência com pogroms, está firmemente empenhado em aplicá-la contra nossos irmãos palestinos. Este merece só para ele um tribunal de Nuremberg.
Digo tudo isso porque um judeu humanista não pode assistir calado e indiferente o que está acontecendo no Oriente Médio. Precisamos de força e coragem para, unidos aos bons, lutar pela convivência fraterna entre dois povos irmãos.
Abaixo o fascismo!
Paz Já!
Silvio Tendler
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