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sexta-feira, junho 11, 2010

Ataque israelense na Mavi Marmara, 31 maio de 2010 / / 15 min. Por Iara Lee

Ataque israelense na Mavi Marmara, 31 maio de 2010 / / 15 min.

Israeli Attack on the Mavi Marmara, May 31st 2010 // 15 min. from Cultures of Resistance on Vimeo.

Na noite de domingo, 30 de maio, mostrando um desprezo assustador pela vida humana, as forças navais israelitas cercados e abordados os navios que navegam para levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza bloqueada. Na maior navio, a Marmara Mavi, soldados israelenses abriram fogo contra os passageiros civis, matando pelo menos nove pessoas e ferindo outras dezenas. Outros ainda estão desaparecidas. O número final de mortos ainda não foi determinada. Culturas de Resistência diretor Iara Lee estava a bordo do navio cercado e já voltou para casa em segurança. Apesar dos esforços do governo israelense completa para confiscar todas as imagens colhidas durante o ataque, Iara Lee foi capaz de manter algumas de suas gravações. Acima está a 15 minutos de filmagens dos momentos que antecederam e durante o assalto o exército israelense sobre a Marmara Mavi.

segunda-feira, junho 07, 2010

Mais do mesmo em Israel

Mais do mesmo em Israel

Acompanhei o desenrolar da viagem do MV Raquel Corrie, integrante da flotilha da paz, a Gaza. Como era de se esperar, o navio batizado em homenagem a uma pacifista americana atropelada propositadamente e morta por um buldozer do exército israelense não pode chegar ao seu destino. Ainda em águas internacionais, foi abordado por soldados de Israel, que invadiram a embarcação, detiveram seus tripulantes e apresaram o barco, repetindo o ato de pirataria na semana passada, levando- ao porto de Ashdod. Lá, a carga com ajuda humanitária foi desembarcada, analisada e apreendida. O regime de Netaniyahu e Liberman quer impedir que o Hamas tire proveito dessa ajuda humanitária - e é ingenuidade achar que a organização árabe não usa essa tática. Os dois antagonistas se equivalem pelo aspecto moral. Um pelo método, outro pelo princípio.

Hoje li que Netanyahu rejeitou o pedido de uma investigação internacional a respeito dos incidentes que culminaram com a morte de 9 tripulantes turcos e o desaparecimento de outros seis, todos do MV Marmara, que também integravam a flotilha da paz. Iara Lee, a cineasta brasileira que integrava a tripulação de "terroristas", como o racista Liberman classificou todos a bordo, contou que os militares israelenses que invadiram seu navio atiraram em ativistas feridos. Ouvi isso em seu depoimento à Globo, mas não vi repercussão dessa acusação. Também não se falou muito desses que desapareceram. É uma pena, porque isso torna ainda mais grave tanto o episódio sob o ponto de vista do direito internacional quanto da sua aplicação penal.
Os piratas fardados da IDF mereciam estar no banco dos réus no Tribunal Penal Internacional, fazendo companhia ao pirata somali capturado pelos americanos em uma operação de resgate no Chifre da África. O fato de o regime de Israel rejeitar uma investigação independente, que seria conduzida por um perito irlandês em direito marítimo, é a melhor atribuição de culpa para a formação das responsabilidades. Quem não deve, não precisa temer, mas nesse caso, as autoridades israelenses assinaram uma confissão de culpa, contrariando todo o esforço de relações públicas e defesa conduzido na semana passada. 
Eu mesmo recebi, de diferentes fontes e várias vezes por dia, emails para ajudar a "explicar" os incidentes sob a ótica de quem cometeu o delito. Um deles, inclusive, rogava para que judeus de todas as listas dessem page views a vídeos oficiais postados no YouTube, já que o site iria retirar do ar, "por falta de acessos", as imagens que traduziam a versão de Israel. Se ninguém queria ver tais imagens, é porque elas não acrescentariam credibilidade à explicação para a selvageria. 
O direito de defesa é importante, devo ressaltar. E justamente dado o esforço das embaixadas, federações, de certos blogueiros engajados, deveria conduzir à formação de provas para que os israelenses chegassem à essa investigação de forma a poderem sustentar a sua versão. Como os EUA estariam na comissão também, Israel já saberia de antemão que nenhuma medida mais concreta de reprovação sairia desse inquérito. No máximo, os militares envolvidos seriam acusados e encaminhados a uma corte interna para julgamento.
Ainda acho que a repulsa dentro de Israel ao que aconteceu acabará funcionando para ajudar a reprimir a fúria corsária do governo mais truculento, inábil, racista e inconsequente que o Knesset já formou. Rogo para que os israelenses que protestaram veementemente - vi a capa do Haaretz nos dias seguintes ao ataque - continuem a exercer tal pressão. É preciso expurgar o país dos Netanyahus, Baraks, Olmerts e Libermans da vida.

quarta-feira, junho 02, 2010

Israel admite erros em operação militar

Israel admite erros em operação militar
Imprensa israelense critica governo e Marinha, que reconhece que houve falhas de inteligência, estratégia e na escolha do equipamento para a ação
JERUSALÉM - O Estado de S.Paulo

Militares israelenses reconheceram ontem que cometeram erros durante a abordagem de uma frota internacional que levava ajuda humanitária à Faixa de Gaza. Comandos militares invadiram um dos navios e mataram pelo menos nove ativistas. Os erros, segundo autoridades de Israel, foram de inteligência, estratégia e na escolha dos equipamentos utilizados na operação.
Um dia após o confronto, fontes da Marinha de Israel apontaram falhas de inteligência. "Não esperávamos essa resistência dos ativistas, já que estávamos falando de um grupo de ajuda humanitária", disse o comandante da equipe de embarque, um tenente não identificado, que recebeu autorização para falar à rádio do Exército.
Embora a polícia de Israel tenha colocado os ativistas presos em uma espécie de "quarentena", impedindo a divulgação de depoimentos divergentes, um vídeo filmado por um dos passageiros do navio invadido mostrou dois soldados levando socos.
O Exército israelense também divulgou imagens de meia dúzia de soldados lutando contra cerca de 30 ativistas. Os vídeos aumentaram a descrença da população. Jason Alderwick, especialista em guerra marítima do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, de Londres, criticou a operação da Marinha israelense.
"O sucesso começa com o planejamento e uma inteligência decente. Eles já haviam abordado esse tipo de navio antes", afirmou. "Desta vez, eles não foram duros o suficiente, rápidos o suficiente e não tinham um contingente grande o suficiente para estabelecer o controle."
A imprensa israelense também não perdoou o governo. Os termos mais amenos para definir a ação foram "confusão" e "fiasco". Segundo a maioria dos jornais, o fracasso da ofensiva erodiu a confiança da população de uma maneira muito parecida à da Guerra do Líbano de 2006.
Críticas. Yossi Sarid, do jornal Haaretz, escreveu um duro artigo intitulado Sete idiotas no gabinete, em referência aos ministros do premiê Binyamin Netanyahu. Um comentarista de TV pediu a demissão do ministro da Defesa Ehud Barak.
Pressionado, Israel prometeu investigar a desastrosa operação militar, mas continuou insistindo ontem que foram os ativistas que provocaram o derramamento de sangue, o que para boa parte da população e dos analistas locais só piora a imagem do governo. / REUTERS e AP

CRONOLOGIA DO ATAQUE ISRAELENSE

Comunicação
Na madrugada, sinais da embarcação são cortados
Interceptação
Soldados invadem navio usando lanchas e helicópteros
Confronto
Soldados afirmam que foram agredidos e revidaram
Mortes
Ativistas dizem que militares chegaram ao navio atirando

Novas forças contra os idiotas

Novas forças contra os idiotas
Jornal do Brasil – 02/05/2010
A condenação, nos quatro cantos do planeta, ao ataque de Israel às seis embarcações que levavam ajuda humanitária à população da Faixa de Gaza, resultando na morte de dez ativistas, é uma amostra de como o mundo vem se tornando pequeno e a interação entre os países, cada vez mais próxima. Praças públicas foram tomadas pela indignação espontânea de manifestantes em Londres, Madri, Bruxelas, Washington, Paris, Rabat, Istambul, Sarajevo uma multidão foi às ruas em Estocolmo. É um exemplo de que não há assunto que não diga respeito a todos os cidadãos do mundo e a seus representantes. É uma prova de que a crítica ao papel mais atuante da diplomacia brasileira em problemas até pouco tempo atrás considerados dos outros reflete uma visão estreita, provinciana.
O Oriente Médio, a exemplo de outras zonas de conflito como a das Coreias, é uma questão mundial. E os últimos acontecimentos indicam que o monopólio ou o oligopólio da mediação destes imbróglios pelas grandes potências, devido à sua inoperância, será desafiado por outras forças. Seja pelos governos de países emergentes como fizeram Brasil e Turquia em relação ao impasse sobre o programa nuclear iraniano. Seja pela presença de ONGs, novos atores que preenchem o vácuo de representação, agora em escala planetária. Em alguns países da África, na ausência do Estado, ONGs comandam largas regiões num trabalho que não distingue fronteiras nacionais.
A flotilha da ONG Free Gaza é o retrato desta opinião pública internacionalizada. A bordo, havia 700 pessoas , de 50 nacionalidades, entre elas a Nobel da Paz de 1976, Máiread Corrigan Maguire, da Irlanda do Norte, e o escritor sueco Henning Mankell.
Com sua atuação corajosa, porém pacífica, sem armas, a Free Gaza causou mais impacto na geopolítica do Oriente Médio do que muitos governos burocráticos e com poder de dissuasão sobre Israel, como o americano. A primeira reação dos Estados Unidos ao episódio foi de um gelo antártico. Apenas lamentou a morte dos ativistas e disse que esperava as investigações das autoridades israelenses sobre o caso. Bem melhor foi a postura do governo brasileiro, que condenou firmemente a invasão ao comboio e convocou o embaixador de Israel, em Brasília, para prestar esclarecimentos. O Itamaraty também cobrou investigação independente do episódio e o fim do bloqueio de Israel.
Há três anos, a população da Faixa de Gaza, com 1,5 milhão de palestinos, vive subjugada e carece de artigos de necessidade mais básica, como alimentos, produtos hospitalares, de higiene etc. A entrada de todo material é dificultada, sob o argumento de que o grupo Hamas poderia se fortalecer com a livre circulação de mercadorias.
Não se discute o direito de Israel à sua segurança desde que não fira as mais elementares noções de dignidade e direitos humanos. É preciso também definir o alvo do repúdio mundial, que não é contra o povo ou contra o Estado de Israel, mas contra os seus atuais governantes, chamados apropriadamente pelo jornal Haaretz de os sete idiotas no gabinete.

Silvio Tendler: Israel envergonha judeus humanistas


Publicado originalmente no Blog:http://www.rodrigovianna.com.br/
 Recebo carta aberta, assinada pelo cineasta Silvio Tendler, e endereçada ao governo israelense.
O texto, certamente, expressa o sentimento de milhares de judeus humanistas, espalhados pelo mundo, e que não suportam mais ver o seu povo associado à política genocida adotada por Israel.
Uma cultura que gerou pensadores como Marx, Freud, Eistein, e centenas de autores e intelectuais como Stephen Zweig, Amos Oz e tantos outros, não pode ser jogada no lixo pela política fascista do Estado de Israel. 
É importante não estigmatizar a cultura judaica, e não permitir que o anti-semitismo se propague, sob impacto desse ataque criminoso promovido pelo governo israelense.
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CARTA AO GOVERNO ISRAELENSE - por Silvio Tendler
Senhores que me envergonham:
Judeu identificado com as melhores tradições humanistas de nossa cultura, sinto-me profundamente envergonhado com o que sucessivos governos israelenses vêm fazendo com a paz no Oriente.Médio.
As iniciativas contra a paz tomadas pelo governo de Israel vem tornando cotidianamente a sobrevivência em Israel e na Palestina cada vez mais insuportável.
Já faz tempo que sinto vergonha das ocupações indecentes praticadas por colonos judeus em território palestino. Que dizer agora do bombardeio do navio com bandeira Turca que leva alimentos para nossos irmãos palestinos? Vergonha, três vezes vergonha!
Proponho que Simon Peres devolva seu prêmio Nobel da Paz e peça desculpas por tê-lo aceito mesmo depois de ter armado a África do Sul do Apartheid.
Considero o atual governo, todos seus membros, sem exceção,  merecedores por consenso universal do Prêmio Jim Jones  por estarem conduzindo todo um pais para o suicídio coletivo.
A continuar com a política genocida do atual governo nem os bons  sobreviverão e Israel perecerá baixo o desprezo de todo o mundo..
O Sr., Lieberman, que  trouxe da sua Moldávia natal vasta experiência com pogroms, está firmemente empenhado em aplicá-la contra nossos irmãos palestinos. Este merece só para ele um tribunal de Nuremberg.
Digo tudo isso porque um judeu humanista não pode assistir calado e indiferente o que está acontecendo no Oriente Médio. Precisamos de força e coragem para, unidos aos bons, lutar pela convivência fraterna entre dois povos irmãos.
Abaixo o fascismo!
Paz Já!
Silvio Tendler

terça-feira, junho 01, 2010

Iara Lee: Por que vou a Gaza

Iara Lee: Por que vou a Gaza
por Iara Lee, reproduzido no Opera Mundi
Em alguns dias eu serei a única brasileira a embarcar num navio que integra a GAZA FREEDOM FLOTILLA. A recente decisão do governo israelense de impedir a entrada do acadêmico internacionalmente reconhecido Noam Chomsky nos Territórios Ocupados da Palestina sugere que também seremos barrados. Não obstante, partiremos com a intenção de entregar comida, água, suprimentos médicos e materiais de construção às comunidades de Gaza.
Normalmente eu consideraria uma missão de boa vontade como esta completamente inócua. Mas agora estamos diante de uma crise que afeta os cidadãos palestinos criada pela política internacional. É resultado da atitude de Israel de cercar Gaza em pleno desafio à lei internacional. Embora o presidente Lula tenha tomado algumas medidas para promover a paz no Oriente Médio, mais ação civil é necessária para sensibilizar as pessoas sobre o grave abuso de direitos humanos em Gaza.
O cerco à Faixa de Gaza pelo governo israelense tem origem em 2005, e vem sendo rigorosamente mantido desde a ofensiva militar israelense de 2008-09, que deixou mais de 1.400 mortos e 14.000 lares destruídos. Israel argumenta que suas ações militares intensificadas ocorreram em resposta ao disparo de foguetes ordenado pelo governo Hamas, cuja legitimidade não reconhece. Porém, segundo organizações internacionais de direitos humanos como Human Rights Watch, a reação militar israelense tem sido extremamente desproporcional.
O cerco não visa militantes palestinos, mas infringe as normas internacionais ao condenar todos pelas ações de alguns. Uma reportagem publicada por Amnesty International, Oxfam, Save the Children, e CARE relatou, “A crise humanitária [em Gaza] é resultado direto da contínua punição de homens, mulheres e crianças inocentes e é ilegal sob a lei internacional.”
Como resultado do cerco, civis em Gaza, inclusive crianças e outros inocentes que se encontram no meio do conflito, não têm água limpa para beber, já que as autoridades não podem consertar usinas de tratamento destruídas pelos israelenses. Ataques aéreos que danaram infraestruturas civis básicas, junto com a redução da importação, deixaram a população em Gaza sem comida e remédio que precisam para uma sobrevivência saudável.
Nós que enfrentamos esta viagem estamos, é claro, preocupados com nossa segurança também. Anteriormente, alguns barcos que tentaram levar abastecimentos a Gaza foram violentamente assediados pelas forças israelenses. Dia 30 de dezembro de 2008 o navio ‘Dignity’ carregava cirurgiões voluntários e três toneladas de suprimentos médicos quando foi atacado sem aviso prévio por um navio israelense que o atacou três vezes a aproximadamente 90 milhas da costa de Gaza. Passageiros e tripulantes ficaram aterrorizados, enquanto seu navio enchia fazia água e tropas israelenses ameaçavam com novos disparos.
Todavia eu me envolvo porque creio que ações resolutamente não violentas, que chamam atenção ao bloqueio, são indispensáveis esclarecer o público sobre o que está de fato ocorrendo. Simplesmente não há justificativa para impedir que cargas de ajuda humanitária alcancem um povo em crise.
Com a partida dos nossos navios, o senador Eduardo Matarazzo Suplicy mandou uma carta de apoio aos palestinos para o governo de Israel. “Eu me considero um amigo de Israel e simpatizante do povo judeu” escreveu, acrescentando: “mas por este meio, e também no Senado, expresso minha simpatia a este movimento completamente pacífico…Os oito navios do Free Gaza Movement (Movimento Gaza Livre) levarão comida, roupas, materiais de construção e a solidariedade de povos de várias nações, para que os palestinos possam reconstruir suas casas e criar um futuro novo, justo e unido.”
Seguindo este exemplo, funcionários públicos e outros civis devem exigir que sejam abertos canais humanitários a Gaza, que as pessoas recebam comida e suprimentos médicos, e que Israel faça um maior esforço para proteger inocentes. Enquanto eu esteja motivada a ponto de me integrar à viagem humanitária, reconheço que muitos não têm condições de fazer o mesmo. Felizmente, é possível colaborar sem ter que embarcar em um navio. Nós todos simplesmente temos que aumentar nossas vozes em protesto contra esta vergonhosa violação dos direitos humanos.

Dificilmente o governo israelense sairá ileso de episódio

Dificilmente o governo israelense sairá ileso de episódio
Ian Black - O Estado de S. Paulo - 01/06/2010

 A sangrenta interceptação da flotilha humanitária para Gaza rapidamente provocou apelos pela suspensão do bloqueio ao território palestino e deve aumentar a pressão para que se chegue a um acordo com o Hamas, considerado um grupo terrorista por Israel, EUA, Grã-Bretanha e União Europeia.
O Hamas e o Fatah, como era previsível, imediatamente condenaram Israel, acusando-o de cometer crimes de guerra e de usar força desproporcional - as mesmas acusações feitas contra o país depois da ofensiva em Gaza, que terminou no início do ano passado. Mas muito mais surpreendente foi a onda de declarações críticas vinda de países que em geral são amigos, como as do chanceler da Grã-Bretanha, William Hague, exigindo o fim do bloqueio a Gaza. França, Suécia, Dinamarca e Grécia convocaram os embaixadores de Israel, exigindo explicações.
Esse drama grotesco e a repercussão global levarão a uma reanálise da situação mais fundamental? Como as imagens que documentaram o assassinato da autoridade do Hamas Mahmoud al-Mabhouin, em Dubai, em janeiro, as imagens gráficas deste espetáculo no Mar Mediterrâneo mostram Israel usando sua superioridade militar esmagadora a serviço do que parece cada vez mais uma meta política insustentável.
Desta vez foram os comandantes da Marinha, e não agentes do Mossad, que se mobilizaram. Mas o "inimigo" era um grupo fortemente motivado de pessoas comprometidas com a justiça para os palestinos, impacientes com a ineficaz "pressão diplomática" e o quase moribundo processo de paz, confiantes de que esta seria mais uma luta assimétrica que conseguiriam vencer sem esforço - embora poucos imaginassem que haveria provavelmente um custo humano.
A posição de Israel provavelmente não vai mudar. O Hamas recusa-se formalmente a renunciar à violência, reconhecer o Estado judeu ou aceitar algum acordo firmado pela Organização de Libertação da Palestina (OLP). Israel, apoiado pelo Egito, utilizou o cerco de Gaza deliberadamente, mas sem sucesso, para corroer o Hamas, que venceu as eleições palestinas em 2007 e desfruta do apoio do Irã e da Síria.
O ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, insistiu novamente que não existe fome nem crise humana em Gaza, reiterando que Israel permite a entrada de uma quantidade limitada de ajuda. É óbvio que a polêmica em torno dessa frota atrairá muita atenção internacional e criará uma condenação veemente de Israel. Mesmo defensores irredutíveis de Israel admitem que será difícil para o país sair ileso dessa história. Mas a questão que de fato importa é se, politicamente, alguma coisa vai mudar realmente depois do que ocorreu.

Ataque Israelense - Protestos

Manifestantes de origem palestina protestam em Sidney, Austrália, contra o ataque israelense.

Japoneses protestam, em Tóquio, contra o ataque ao comboio humanitário por tropas israelenses e pedem o fim do bloqueio a Gaza

Brasileira diz que tropas israelenses já chegaram atirando

Brasileira diz que tropas israelenses já chegaram atirando
JB Online
RIO - Em entrevista ao Bom Dia Brasil, da TV Globo - http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/, a ativista e cineasta brasileira Iara Lee, que estava em um dos barcos de ajuda humanitária atacados por tropas israelenses, revelou que os soldados já chegaram atirando. Ela disse que os ativistas esperavam alguma confrontação com as tropas de Israel que queriam impedir a chegada da ajuda humanitária a Gaza, mas não quando ainda estavam em águas internacionais.
  - Foi uma coisa surpreendente porque foi no meio da noite, na escuridão, em águas internacionais, porque a gente sabia que ia haver uma confrontação, mas não nas águas internacionais - explicou.
- A primeira tática deles foi cortar todas as nossas comunicações por satélite, aí eles atacaram - contou.
Iara afirmou ainda que os soldados israelenses disseram que os ativistas eram terroristas.  Iara está presa na cadeia da cidade de Beersheva, no sul de Israel, a 80 km de Jerusalém. Ela não foi ferida e recebe ajuda da Embaixada do Brasil. A cineasta não quis deixar o país voluntariamente e aguarda para ser deportada.
09:48 - 01/06/2010

segunda-feira, maio 31, 2010

(Reuters) Soldados israelenses a bordo de um navio da marinha no Mar Mediterrâneo 31 de maio de 2010

Por Gilad Atzmon
Enquanto escrevo este texto a escala do massacre israelense letal no mar ainda não está clara. No entanto já sabemos que em torno de 04:00 hora de Gaza, centenas de comandos IDF invadiram o Free Gaza frota humanitária internacional. A imprensa árabe diz que pelo menos 16 ativistas da paz foram assassinados e mais de 50 ficaram feridas. Mais uma vez é devastadoramente óbvio que Israel não está tentando esconder sua verdadeira natureza: um assassino desumano coletiva alimentada por uma psicose e dirigido por paranóia.    http://aljazeera.com/news/

Obama pede esclarecimentos a Israel sobre ataque a frota humanitária

Faixa de Gaza   31 de maio de 2010    Veja.com
Obama pede esclarecimentos a Israel sobre ataque a frota humanitária
Turcos rezam por palestinos e protestam contra Israel. Ataques à Frota Liberdade podem ter matado até 20 pessoas (Foto: AFP)

O presidente Barack Obama disse ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que é importante descobrir o mais rápido possível todos os fatos relativos ao violento ataque das forças israelenses contra a frota internacional humanitária de ajuda aos palestinos.
Os dois líderes falaram por telefone quando Netanyahu cancelou sua visita a Washington, prevista para esta terça-feira. Ele voltará para Israel para lidar com a crise desatada depois do ataque contra a frota pró-palestina que se dirigia a Gaza.
Obama disse entender a decisão de cancelar a visita e os dois concordaram em remarcar o encontro na primeira oportunidade, segundo a Casa Branca. "O presidente expressou seu profundo pesar pela perda de vidas no incidente de hoje e preocupação pelos feridos", afirmou o porta-voz. "O presidente também expressou a importância de tomar conhecimento de todos os fatos e circunstâncias o mais rápido possível", acrescentou.
Ataque - A Frota da Liberdade, interceptada nesta segunda-feira pela marinha israelense durante uma ação que deixou de 10 a 20 mortos, segundo balanços contraditórios, é um comboio de seis barcos fretados por organizações pró-Palestina para levar ajuda à Faixa de Gaza.
Trata-se de um comboio integrado por um barco almirante, o "Mavi Marmara", que transporta em torno de 600 pessoas, dois buques carregados de ajuda humanitária e outros três buques menores. Três deles levam a bandeira turca, dois da Grécia e o último dos Estados Unidos. Um sétimo barco de 1.200 toneladas, o "Rachel Corrie", chamado assim em homenagem à militante americana morta por uma escavadeira em 2003 em Gaza, tinha partido da Irlanda para se unir ao comboio.
O comboio foi organizado pela "Coalizão da Frota da Liberdade", que inclui o movimento Free Gaza, a Campanha Europeia para o Fim do Bloqueio a Gaza, a Organização Não-Governamental (ONG) turca Insani Yardim Vakfi, a Organização Perdana para a Paz Mundial, as ONGs grega e sueca Barco para Gaza, e o Comitê Internacional para o Levantamento do Bloqueio a Gaza.
Mais de 700 pessoas participaram da expedição, em sua maior parte membros de ONG internacionais, militantes de diversas nacionalidades e religiões. Cinquenta nacionalidades estão representadas, mas a metade dos passageiros é turca. Várias personalidades políticas e religiosas , deputados europeus, escritores e jornalistas também estavam a bordo. Entre eles, estão a cineasta e ativista brasileira, Iara Lee, o arcebispo católico grego de Jersualém, Hilarion Capucci, o líder islamita árabe-israelense xeque Raed Salá, e o correspondente da emissora de TV árabe Al Jazeera, Abas Naser.
Segundo os organizadores, os barcos transportavam aproximadamente 10.000 toneladas de ajuda humanitária, incluindo ajuda médica, alimentos, roupas, casas pré-fabricadas, áreas de brinquedos para crianças, material escolar, barras de ferro e cimento. "A bordo não há sequer navalhas ou facas", afirmou um dos organizadores, destacando o aspecto pacífico da missão.
O comboio devia entregar sua carga à população da Faixa de Gaza, onde vivem aproximadamente 1,5 milhão de pessoas, das quais 80% dependem da ajuda internacional. Esse território palestino encontra-se sob estrito embargo israelense desde que o Movimento de Resistência Islâmica (cujo acrônimo em ábare é Hamas) tomou o poder em Gaza, em junho de 2007. Cinco comboios desse tipo atracaram em Gaza desde que a campanha foi lançada, em agosto de 2008, e outros três foram interceptados pelas forças israelenses.

Conselho de Segurança da ONU decide se reunir após ataque de Israel a comboio humanitário a Gaza; aliados e inimigos condenam ação

Conselho de Segurança da ONU decide se reunir após ataque de Israel a comboio humanitário a Gaza; aliados e inimigos condenam ação

O Globo Agências internacionais
NAÇÕES UNIDAS - O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas vai se reunir na tarde desta segunda-feira em uma sessão de emergência para discutir o ataque de Israel contra um comboio de navios que levava ajuda humanitária a Gaza . A operação no Mediterrâneo matou ao menos dez pessoas.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, fez um apelo nesta segunda-feira por uma investigação completa.
- É vital que haja uma investigação completa para determinar exatamente como o derramamento de sangue ocorreu. Acredito que Israel deve fornecer urgentemente uma explicação - disse ele em coletiva de imprensa realizada na capital de Uganda, Kampala, onde participar de conferência de revisão do Tribunal Penal Internacional.
Montado por organizações internacionais, o comboio de ajuda humanitária, chamado Frota da Liberdade, contava com o apoio extraoficial da Turquia e era composto por seis navios, três deles turcos. Segundo a CNN, dois outros tinham bandeira americana. Os barcos transportavam dez mil toneladas de ajuda e cerca de 700 pessoas, entre elas cidadãos de Turquia, Grécia, Espanha, França, Alemanha, Suécia, e Dinamarca. Também estavam a bordo a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz Mairead Corrigan Maguire, da Irlanda do Norte, legisladores europeus e Hedy Epstein, sobrevivente do Holocausto de 85 anos. As identidades das vítimas não foram divulgadas.
Após o incidente, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, cancelou a viagem a Washington, onde, na terça-feira, teria encontro com o presidente americano, Barack Obama. O premier disse lamentar as mortes de ativistas estrangeiros, mas insistiu que o bloqueio ao território palestino continuará.
- Lamentavelmente, nesse incidente, ao menos dez pessoas morreram. Nós lamentamos a perda dessas vidas - comentou.
A ação de Israel provocou condenação de aliados e inimigos do país. O governo dos EUA afirmou lamentar profundamente as perdas de vida e disse estar analisando as circunstâncias do incidente. A Turquia, um dos países muçulmanos mais amigáveis de Israel no Oriente Médio, chamou o embaixador israelense em Ancara para obter esclarecimentos e disse que convocaria o representante diplomático turco em Tel Aviv com o mesmo objetivo.
O premier turco, Recep Tayyip Erdogan, fez dura crítica à operação militar israelense:
- Esta ação, totalmente contrária aos princípios das leis internacionais, é desumano terrorismo de Estado. Ninguém pense que vamos ficar quietos em relação a isso.
Erdogan interrompeu viagem ao Chile, após passar pelo Brasil, retornou às pressas a Ancara.
- Este ataque é outro sinal dos níveis que as políticas do governo israelense atingiram - afirmou o vice-premier turco, Bulent Arinc, em pronunciamento na TV local.
O tradicional rival Irã também se manifestou sobre o episódio. Ahmad Vahidi, ministro de Defesa, fez um apelo aos países do mundo para que cortem todas as relações com Israel após a morte dos ativistas.
- O mínimo que a comunidade internacional deveria fazer com relação ao horrível crime cometido pelo regime sionista é boicotá-lo totalmente e cortar todas as relações diplomáticas, econômicas e políticas com o regime sionista - declarou.
A Síria, outro país do Oriente Médio que vive constante tensão com Israel, pediu nesta segunda-feira uma reunião de emergência da Liga Árabe para discutir o ataque israelense. O governo já organizou manifestações contra o incidente em várias cidades sírias, e autoridades se reuniram em frente à embaixada da Turquia em Damasco para manifestar solidariedade, já que a flotilha continha embarcações com bandeira turca, e a bordo viajavam vários cidadãos desse país.

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