terça-feira, julho 20, 2010

Comparar-te a um Dia de Verão? - William Shakespeare

Comparar-te a um Dia de Verão? - William Shakespeare

Comparar-te a um dia de verão? 
Há mais ternura em ti, ainda assim: 
um maio em flor às mãos do furacão, 
o foral do verão que chega ao fim. 
Por vezes brilha ardendo o olhar do céu; 
outras, desfaz-se a compleição doirada, 
perde beleza a beleza; e o que perdeu 
vai no acaso, na natureza, em nada. 
Mas juro-te que o teu humano verão 
será eterno; sempre crescerás 
indiferente ao tempo na canção; 
e, na canção sem morte, viverás: 
Porque o mundo, que vê e que respira, 
te verá respirar na minha lira. 

William Shakespeare, in "Sonetos" 
Tradução de Carlos de Oliveira

Tiago Recchia, para Gazeta do Povo

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Amazônia: nova campanha para internacionalização

BRASIL
Amazônia: nova campanha para internacionalização
Carlos Chagas

Aproveitam-se os eternos abutres do Hemisfério Norte para voltar à velha cantilena de constituir-se a Amazônia em patrimônio da Humanidade, devendo ser administrada por um poder internacional, sobreposto aos governos dos países amazônicos. Editorial do New York Times acaba de funcionar como toque de corneta capaz de arregimentar as variadas tropas de assalto.
Vinte anos atrás incrementou-se a blitz institucionalizada por governos dos países ricos, de Al Gore, nos Estados Unidos, para quem o Brasil não detinha a soberania da floresta, a François Mitterand, da França, Felipe Gonzales, da Espanha, Mikail Gorbachev, da então União Soviética, Margareth Tatcher e John Major, da Inglaterra, entre outros.
Quando de sua primeira campanha, George W. Bush chegou a sugerir que os países com grandes dívidas externas viessem a saldá-las com florestas, coisa equivalente a perdoar os países do Norte da África e do Oriente Médio, que só tem desertos.
Naqueles idos a campanha beirava os limites entre o ridículo e o hilariante, porque para fazer a cabeça da infância e da juventude, preparando-as para integrar as forças invasoras, até o Batman, o Super-Homem, a Mulher Maravilha e outros cretinos fantasiados levavam suas aventuras à Amazônia, onde se tornavam defensores de índios vermelhos e de cientistas lourinhos, combatendo fazendeiros e policiais brasileiras desenhados como se fossem bandidos mexicanos, de vastos bigodes e barrigas avantajadas.
Depois, nos anos noventa, a estratégia mudou. Deixou-se de falar, ainda que não de preparar, corpos de exército americanos especializados em guerra na selva. Preferiram mandar batalhões precursores formados por montes de ONGS com cientistas, religiosos e universitários empenhados em transformar tribus indígenas brasileiras em nações independentes, iniciativa que vem de vento em popa até hoje e que logo redundará num reconhecimento fajuto de reservas indígenas como países “libertados”.
Devemos preparar-nos para uma nova etapa, com a participação da quinta-coluna brasileira, composta por ingênuos e por malandros que dão a impressão de recrudescerem na tentativa de afastar nosso governo da questão. Terá sido por mera coincidência que os Estados Unidos anunciaram a criação da Quarta Esquadra de sua Marinha de Guerra, destinada a patrulhar o Atlântico Sul, reunindo até porta-aviões e submarinos nucleares?
Do nosso lado, bem que fazemos o possível, aparentemente pouco. Não faz muito que uma comissão de coronéis do Exército Nacional, chefiados por dois generais, passaram meses no Vietnã, buscando receber lições de como um país pobre pode vencer a superpotência mais bem armada do planeta, quando a guerra se trava na floresta. Do general Andrada Serpa, no passado, ao ex-ministro Zenildo Lucena, aos generais Lessa, Santa Rosa e Cláudio Figueiredo, até o general Augusto Heleno e o coronel Gélio Fregapani, agora, a filosofia tem sido coerente.
Nossos guerreiros transformam-se em guerrilheiros. Poderão não sustentar por quinze minutos um conflito convencional, com toda a parafernália eletrônica do adversário concentrada nas cidades, mas estarão em condições de repetir a máxima do hoje venerando general Giap: “entrar, eles entram, mas sair, só derrotados”.
Em suma, pode vir coisa por aí, para a qual deveremos estar preparados. Claro que não através da pueril sugestão de transformar soldados em guarda-caças ou guardas florestais. Os povos da Amazônia rejeitaram, na década de setenta, colaborar com a guerrilha estabelecida em Xambioá, mas, desta vez, numa só voz, formarão o coro capaz de fornecer base para uma ação militar nacional.
Para aqueles que julgam estes comentários meros devaneios paranóicos, é bom alertar: por muito menos transformaram o Afeganistão e o Iraque em campo de batalha, onde, aliás, estão longe de sair vitoriosos, apesar de enfrentarem o deserto e não a selva, mil vezes mais complicada…

IQUE - No Jornal do Brasil

Trailer Dzi Croquettes

Trailer para o documentário "Dzi Croquettes", de Raphael Alvarez e Tatiana Issa, distribuído pela Imovision. Breve nos cinemas

A PARADISÍACA PRAIA DE GALINHOS, RN by Johnguardacosta


Aproveitamento econômico da microbiologia

Aproveitamento econômico da microbiologia

Wanderley de Souza, Jornal do Brasil
RIO - Os micróbios constituem o grupo quantitativamente mais importante da terra, correspondendo a cerca de 60% da biomassa existente. Estima-se a presença de 5 x 1.030 e de 3,6 x 1.029 células microbianas no solo e nos oceanos, respectivamente. A sua diversidade é também muito elevada, o que vem sendo mostrado pelas chamadas análises metagenômicas onde o sequenciamento de parte do DNA dos microorganismos encontrados em uma amostra permite estimar o número de espécies diferentes nela existente. As estimativas atuais indicam que menos de 1% do total de microorganismos identificados pode ser mantido em cultura pelos métodos atualmente conhecidos e consequentemente aproveitados para o uso industrial. Tal fato deverá exigir que nos próximos anos novos métodos de cultivo sejam desenvolvidos, visando um melhor aproveitamento industrial de organismos ainda pouco conhecidos e que, possivelmente, sintetizam moléculas ainda não caracterizadas e cujas propriedades ainda não foram identificadas. A diversidade dos microorganismos abre perspectivas importantes na área da biotecnologia básica e industrial. Afinal, estes organismos produzem uma grande variedade de compostos de primeira linha na área industrial, movimentando cerca de US$ 100 bilhões por ano, em todo o mundo. As principais áreas industriais incluem: 1) a indústria de enzimas produzidas por bactérias e fungos produtores de amilase, lipase e proteases; 2) fungos produtores de ácidos orgânicos, como ácido cítrico e ácido láctico; 3) bactérias produtoras de compostos da chamada química fina; 4) bactérias e fungos produtores de antibióticos, como a estreptomicina e a ampicilina; 5) bactérias com ação inseticida, como é o caso da proteína produzida pelo Bacillus thuringiensis; 6) bactérias produtoras de aminoácidos, como glutamato e lisina e de vitaminas, como a riboflavina, entre outros. Apenas a indústria farmacêutica, com a produção de antibióticos, substâncias imunorreguladoras e com ação antitumoral, biopesticidas, etc, movimenta cerca de US$ 25 bilhões por ano. No mundo da indústria química os microrganismos estão envolvidos na produção de aminoácidos, vitaminas, ácidos orgânicos, detergentes, bem como bioconversores e biocatalizadores, com amplo emprego em processos relacionados com a produção de energia e a recuperação de danos ambientais. Por outro lado, a cada dia aumenta o número de enzimas utilizadas em vários processos industriais, criando assim um mercado que movimenta cerca de US$ 2,3 bilhões por ano. Estas enzimas são usadas principalmente em processos industriais relacionados à produção de alimentos, detergentes, material têxtil, couro e papel, para mencionar alguns exemplos importantes. Na área da chamada química fina, sobretudo no que se refere à produção de medicamentos e no setor agroindustrial, o chamado mundo microbiológico movimenta cerca de US$ 55 bilhões por ano. Todas as análises prospectivas apontam no sentido do crescimento desta área.
  No Brasil dispomos de uma grande variedade de biomas com uma rica densidade de microorganismos, como já indicado nos primeiros estudos realizados no país utilizando uma abordagem metagenômica. Aprofundar estes estudos, ampliando-os para todos os ambientes terrestres e aquáticos, é um projeto que deve ser priorizado pelas instituições brasileiras responsáveis pela formação de recursos humanos e pela atividade de pesquisa científica e tecnológica. Certamente novos microrganismos com propriedades especiais, bem como novos produtos de importância industrial produzidos por microorganismos, surgirão. A infraestrutura hoje existente, tanto no que se refere ao sequenciamento de DNA como no que se refere às análises de bioinformática, permite ao Brasil assumir uma posição de liderança nesta área.
Wanderley de Souza é professor titular da UFRJ, diretor de programas do Inmetro, membro da Academia Brasileira de Ciências e da Academia Nacional de Medicina, ex-secretário executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia e ex-secretário estadual de Ciência e  Tecnologia do Rio.
00:03 - 20/07/2010

Aproveitamento econômico da microbiologia

Aproveitamento econômico da microbiologia

Wanderley de Souza, Jornal do Brasil
RIO - Os micróbios constituem o grupo quantitativamente mais importante da terra, correspondendo a cerca de 60% da biomassa existente. Estima-se a presença de 5 x 1.030 e de 3,6 x 1.029 células microbianas no solo e nos oceanos, respectivamente. A sua diversidade é também muito elevada, o que vem sendo mostrado pelas chamadas análises metagenômicas onde o sequenciamento de parte do DNA dos microorganismos encontrados em uma amostra permite estimar o número de espécies diferentes nela existente. As estimativas atuais indicam que menos de 1% do total de microorganismos identificados pode ser mantido em cultura pelos métodos atualmente conhecidos e consequentemente aproveitados para o uso industrial. Tal fato deverá exigir que nos próximos anos novos métodos de cultivo sejam desenvolvidos, visando um melhor aproveitamento industrial de organismos ainda pouco conhecidos e que, possivelmente, sintetizam moléculas ainda não caracterizadas e cujas propriedades ainda não foram identificadas. A diversidade dos microorganismos abre perspectivas importantes na área da biotecnologia básica e industrial. Afinal, estes organismos produzem uma grande variedade de compostos de primeira linha na área industrial, movimentando cerca de US$ 100 bilhões por ano, em todo o mundo. As principais áreas industriais incluem: 1) a indústria de enzimas produzidas por bactérias e fungos produtores de amilase, lipase e proteases; 2) fungos produtores de ácidos orgânicos, como ácido cítrico e ácido láctico; 3) bactérias produtoras de compostos da chamada química fina; 4) bactérias e fungos produtores de antibióticos, como a estreptomicina e a ampicilina; 5) bactérias com ação inseticida, como é o caso da proteína produzida pelo Bacillus thuringiensis; 6) bactérias produtoras de aminoácidos, como glutamato e lisina e de vitaminas, como a riboflavina, entre outros. Apenas a indústria farmacêutica, com a produção de antibióticos, substâncias imunorreguladoras e com ação antitumoral, biopesticidas, etc, movimenta cerca de US$ 25 bilhões por ano. No mundo da indústria química os microrganismos estão envolvidos na produção de aminoácidos, vitaminas, ácidos orgânicos, detergentes, bem como bioconversores e biocatalizadores, com amplo emprego em processos relacionados com a produção de energia e a recuperação de danos ambientais. Por outro lado, a cada dia aumenta o número de enzimas utilizadas em vários processos industriais, criando assim um mercado que movimenta cerca de US$ 2,3 bilhões por ano. Estas enzimas são usadas principalmente em processos industriais relacionados à produção de alimentos, detergentes, material têxtil, couro e papel, para mencionar alguns exemplos importantes. Na área da chamada química fina, sobretudo no que se refere à produção de medicamentos e no setor agroindustrial, o chamado mundo microbiológico movimenta cerca de US$ 55 bilhões por ano. Todas as análises prospectivas apontam no sentido do crescimento desta área.
  No Brasil dispomos de uma grande variedade de biomas com uma rica densidade de microorganismos, como já indicado nos primeiros estudos realizados no país utilizando uma abordagem metagenômica. Aprofundar estes estudos, ampliando-os para todos os ambientes terrestres e aquáticos, é um projeto que deve ser priorizado pelas instituições brasileiras responsáveis pela formação de recursos humanos e pela atividade de pesquisa científica e tecnológica. Certamente novos microrganismos com propriedades especiais, bem como novos produtos de importância industrial produzidos por microorganismos, surgirão. A infraestrutura hoje existente, tanto no que se refere ao sequenciamento de DNA como no que se refere às análises de bioinformática, permite ao Brasil assumir uma posição de liderança nesta área.
Wanderley de Souza é professor titular da UFRJ, diretor de programas do Inmetro, membro da Academia Brasileira de Ciências e da Academia Nacional de Medicina, ex-secretário executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia e ex-secretário estadual de Ciência e  Tecnologia do Rio.
00:03 - 20/07/2010

Exército convoca mais de dois mil homens para ação

OPERAÇÃO AMAZÔNIA
Exército convoca mais de dois mil homens para ação

O Ministério da Defesa, por meio do Exército Brasileiro (EB), realiza em Roraima, entre os dias 13 e 24 de setembro, uma operação militar complexa, denominada Operação Amazônia, envolvendo efetivos de todo o Brasil. Mais de dois mil homens atuarão nos municípios do Sul do Estado.
Além da participação de todas as unidades de Boa Vista, será convocada ainda uma Companhia de Fuzileiros com base no pessoal da reserva. Para isso, a Brigada encaminhou cartas a todos os militares da reserva, que estejam na condição nos últimos cinco anos, e que queiram fazer parte da Cia de Fuzileiros. A Companhia deve ser composta por 140 militares aproximadamente.
Os contatos devem ser feitos até o final da semana que vem. Posteriormente será feita uma seleção que deve acontecer até o inicio do exercício. Segundo o comandante do 7º Batalhão de Infantaria de Selva (BIS), Coronel Guerra, durante o exercício, serão verificados sistemas de logística e operacional das tropas.
Durante a Operação os militares convocados realizarão um breve treinamento, receberão fardamento, alimentados e receberão dois terços do pagamento equivalente aos cargos para os quais forem convocados. As atividades serão desempenhadas do dia 8 e 24 de setembro.
Os interessados podem obter outras informações sobre o assunto, na Seção Mobilizadora da 1ª Brigada de Infantaria de Selva, através do telefone 4009-9241 ou do e-mail mobilizar.selva@gmail.com.

Poema para Iludir a Vida - Fernando Namora

Poema para Iludir a Vida - Fernando Namora
Tudo na vida está em esquecer o dia que passa. 
Não importa que hoje seja qualquer coisa triste, 
um cedro, areias, raízes, 
ou asa de anjo 
caída num paul. 
O navio que passou além da barra 
já não lembra a barra. 
Tu o olhas nas estranhas águas que ele há-de sulcar 
e nas estranhas gentes que o esperam em estranhos 
[portos. 
Hoje corre-te um rio dos olhos 
e dos olhos arrancas limos e morcegos. 
Ah, mas a tua vitória está em saber que não é hoje 
[o fim 
e que há certezas, firmes e belas, 
que nem os olhos vesgos 
podem negar. 
Hoje é o dia de amanhã. 

Fernando Namora, in "Mar de Sargaços" 

BB não pode cobrar tarifa pelo serviço de TED

TRANSFERÊNCIA GRATUITA

BB não pode cobrar tarifa pelo serviço de TED

POR LILIAN MATSUURA


A 24ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo proibiu o Banco do Brasil, que comprou o Banco Nossa Caixa, de cobrar tarifa pelo serviço de Transferência Eletrônica Disponível (TED) em todo os estado de São Paulo. Há três meses, o Banco Central mudou as regras para que a TED possa ser feita a partir de R$ 3 mil. Cabe recurso da decisão.
A decisão, desta segunda-feira (19/7), se deu por maioria de votos, na câmara composta pelos desembargadores Alexandre Lazzarini, Carlos Abrão e Theodureto Camargo. De acordo com a Câmara, há uma disparidade muito grande na cobrança do serviço, dependendo da instituição financeira. A tarifa pode variar de R$ 7,80 a R$ 100. Há ainda a informação de que nos últimos dois anos o valor das tarifas cobradas pelos banco no país aumentou, em média, 300%.
A Ação Civil Pública foi ajuizada pela Associação Nacional de Defesa da Cidadania e do Consumidor (Anadec) contra o banco.

Tarifa sobre o cheque
Em junho de 2007, o Banco Itaú foi proibido pela 42ª Vara Cível de São Paulo de cobrar por cheques acima de R$ 5 mil, que seria uma forma de transferir o dinheiro sem ter de pagar pelo serviço de TED oferecido pelos bancos. Na ação, a Anadec argumentou que não existe lei que imponha aos consumidores a obrigação de usar exclusivamente o serviço de TED para fazer a transferência. “Seria uma ingerência na vida pessoal, no patrimônio dos cidadãos, nas manifestações de vontades e na essência de diversos negócios jurídicos, como compras com cheque pré-datado, que é uma prática nacional profundamente enraizada”, alegou.
A associação sustentou, ainda, que não existe lei que “ampare a cobrança de taxas ou tarifas, dos correntistas que optem pela emissão de cheques em valor igual ou superior a R$ 5 mil”. Com a atitude, o banco “está incidindo em ofensa ao Código de Defesa do Consumidor, que por sua vez traz regra cristalina sobre a devolução de valores cobrados indevidamente”.
O artigo do CDC citado pela Anadec é o de número 42. De acordo com a regra, “o consumidor cobrado em quantia indevida tem direito à repetição do indébito, por valor igual ao dobro do que pagou em excesso, acrescido de correção monetária e juros legais, salvo hipótese de engano justificável”.
A primeira instância paulista acolheu os argumentos. “De fato, quando se instituiu o sistema de pagamento por via eletrônica, calcado na segurança, na realidade, na rapidez e na própria eficiência do sistema, não ficou preso em camisa de força o consumidor, haja vista mera faculdade e não obrigação para as operações a ele inerentes”, reconheceu a primeira instância.
Apelação 991.09.042247-4 (antigo 7.402.485-2)

Memória artística brasileira: Luz Del Fuego - clipe raro de 1949 (dançando com cobra)

SPONHOLZ

Dispara demanda mundial por aviões israelenses militares não tripulados

Dispara demanda mundial por aviões israelenses militares não tripulados

Ana Carbajosa  - Aeroporto Ben Gurion (Tel-Aviv, Israel)
Um grupo de técnicos espanhóis assiste à dissecação das tripas de um avião não tripulado em um hangar da Indústria Aeroespacial Israelense (IAI), a empresa pública que lidera o mercado europeu da guerra teleguiada. Estudam o cabeamento do Searcher, o avião sem piloto que a Espanha voa no Afeganistão, forrado de sensores. Pode voar de dia até 15 horas seguidas e gravar o que acontece ao nível do solo, quase sem fazer ruído. Também pode filmar de noite com o sensor térmico, que distingue a temperatura de um corpo humano da de um edifício.
Até 47 países compram aviões não tripulados (UAV na sigla em inglês) dos israelenses, que viram a demanda mundial se multiplicar. A maioria desses aparelhos acaba voando nos céus afegãos, onde o trânsito desses grandes insetos com controle remoto é cada vez mais intenso. Com um faturamento próximo dos 400 milhões de euros e 15% de crescimento anual nos pedidos, nesta minicidade aeroespacial israelense está claro que na guerra do futuro os pilotos serão quase dispensáveis.
"Há 15 anos era preciso convencer os compradores. Hoje todos os países vêm claramente a importância dos 'drones' nas guerras do Iraque e do Afeganistão. É de longe o setor que mais cresce, comparado com helicópteros e outros aparelhos que fabricamos", afirma Avi Pansky, da divisão Malat, especializada nesses equipamentos. Ele acrescenta que este ano já tem contratos equivalentes ao ano e meio anterior.
No caso do exército americano, a paixão pelos teleguiados fez que em dois anos o número destes tenha crescido de algumas centenas para os 6 mil atuais, segundo a "Aviation Week". Inclusive a Turquia, cuja relação com Israel atravessa suas horas mais tensas, devido à morte de nove ativistas durante a abordagem à flotilha da liberdade em maio passado, bate às portas da aeronáutica israelense para comprar aviões não tripulados com os quais sobrevoa os territórios curdos.
Já compraram dez drones no valor de 140 milhões de euros. A última entrega - quatro Heron - está prevista para o mês que vem. Peter Singer, autor do livro "Wired for War" [Eletrônica para a guerra], que explica como a robótica está mudando as guerras, aponta que a proliferação de UAVs representa um dilema político para países como a Turquia, que desejariam reduzir sua dependência de outros países. "Por isso o Reino Unido, a China e a Turquia já trabalham na fabricação de suas próprias versões. O que vemos agora é só o princípio de uma grande mudança na aviação mundial", explica por telefone de Washington esse especialista em assuntos de defesa do Instituto Brookings.
O que se vê nessa fábrica israelense é o esqueleto. Que depois os drones sejam dotados de armamento é algo que depende da demanda do país comprador, e um tema muito delicado. Os ataques do ar são um assunto tão opaco nos EUA quanto em Israel, os dois países que competem em seu desenvolvimento e que, apesar de se tratar de um segredo aberto, mantêm certa ambiguidade na hora de reconhecer o emprego de aviões não tripulados para disparar e matar. No Ministério da Defesa espanhol explicam que o Searcher que usam no Afeganistão são utilizados só para inspecionar o território, e não para disparar.
"O país mais prolífico em assassinatos seletivos hoje são os EUA, que fundamentalmente utilizam drones em seus ataques. Cerca de 40 países têm a tecnologia e alguns já a têm e estão desenvolvendo a capacidade de disparar mísseis desses aparelhos", afirma Philip Alston, relator da ONU sobre execuções extrajudiciais em um relatório publicado em junho passado. Ele cita a Rússia, Turquia, China, Índia, Irã, Reino Unido e França entre os países que têm ou logo terão mísseis em seus aviões teleguiados.
Parte dos assassinatos seletivos israelenses é executada com UAVs, segundo Alston. Israel não confirma nem desmente, mas admite a fabricação dos Harop, que explodem sozinhos em vez de lançar mísseis; é o chamado drone suicida. Em geral, os americanos preferem fabricar seus aparelhos em vez de importá-los. Os Hunter, de desenho israelense, constituem uma exceção. São os que lançam as chamadas bombas inteligentes, embora haja muitas dúvidas sobre a inteligência desses e de outros explosivos que são lançados por UAVs.
O relator da ONU afirma que "centenas de pessoas", incluindo civis, morreram em operações realizadas pela CIA e alerta sobre o perigo da mentalidade Playstation que pode ser gerada por esse tipo de aparelhos, manejados com um simples comando de algum escritório a milhares de quilômetros do campo de batalha.
A assepsia que cerca as mortes à distância, além disso, as torna mais digeríveis para a opinião pública. Ao menos a julgar pelo aumento desses ataques pelos EUA desde que Barack Obama ocupa a Casa Branca, sem que tenham provocado grandes protestos, afirma Jane Mayer em um extenso artigo na "New Yorker" intitulado "A guerra do predador".
A variedade desses aparelhos com ou sem licença para matar é enorme. Esta macroempresa israelense fabrica desde o diminuto olho de pássaro, que pode ser levantado com uma mão, até a joia da coroa da indústria israelense: o Heron HP, lançado recentemente. Este mede 27 metros de envergadura, o que o transforma em um dos maiores do mundo, e pode voar até 30 horas ininterruptas. Faz muito pouco ruído e voa a grande altitude, o que lhe permite abarcar uma grande superfície ao tirar imagens. Por suas características poderia voar de Israel até o país arqui-inimigo, o Irã. Os israelenses o testaram em Gaza em várias ocasiões, também durante a operação Chumbo Fundido.
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Xalberto, para a Charge Online


A inusitada esperança de Javier Giraldo

A inusitada esperança de Javier Giraldo
Maria Clara Bingemer, Jornal do Brasil

RIO - Quando o padre Javier Giraldo, homem sereno e de ideias claras, fala da tragédia que o acompanha há mais de 30 anos, o auditório estremece, em silêncio. Desde meados dos anos 90, ele compartilha a sorte de várias famílias, a maioria parentes e amigos de 342 vítimas dos narcotraficantes na zona de Trujillo, na Colômbia. Agricultores expropriados de tudo que possuíam ou ameaçados de espoliação e morte em meio à guerra entre paramilitares e guerrilheiros passaram a ter na voz calma e firme do sacerdote seu único apoio.
Ancorados neste apoio, resistiram à força bruta que queria expulsá-los de suas terras. Constituíram um grupo que denominaram Comunidade de Paz e anunciaram a decisão num Domingo de Ramos, em 1997. Não esperavam que a reação do Exército fosse tão brutal. Os mortos e os desabrigados se multiplicaram. Padre Giraldo e outros três religiosos decidiram ficar. Ajudaram os agricultores a identificar os assassinos e os denunciaram. Há vários que hoje respondem a processo e aguardam sentença.
A represália não se fez esperar. Padre Giraldo foi ameaçado de morte muitas vezes. Recentemente, as ameaças recrudesceram. O ministro do Interior e da Justiça da Colômbia, Fabio Valencia, ofereceu-lhe custódia dentro do Programa de Proteção dos Direitos Humanos. O jesuíta polidamente recusou em carta sucinta e respeitosa. Com impressionante coerência explica que não encontra qualquer lógica em “ser protegido pelas mesmas instituições que perpetraram violações graves dos direitos humanos”, e considera que as vítimas “correm muitíssimos mais riscos do que eu, e por isso eu não me sentiria tranquilo se eu sou protegido, e não elas, que são o motivo real dos meus riscos”.
A coragem de padre Giraldo encontra sua raiz e sustento em espaço diferente daquele onde normalmente se apoiam as seguranças humanas. Após uma conferência durante a qual descrevera a situação do povo e a total falta de perspectiva de reversão a médio e longo prazos, foi acusado de deixar as pessoas sem esperança.
Isso o levou a reelaborar sua concepção de esperança. Ela não se assenta sobre os dois suportes habituais que a fazem subsistir: o êxito e a recompensa. Segundo padre Giraldo, tais situações não se coadunam com o Evangelho. A verdadeira esperança é a que emerge do fracasso.
Padre Giraldo aprendeu isso com os agricultores, que a cada massacre tornam-se mais firmes em sua luta. E também, evidentemente, com o Evangelho. A esperança cristã é filha não de um sucesso, mas de um retumbante fracasso: a morte de Jesus de Nazaré, sobre quem repousavam as expectativas messiânicas de um povo oprimido e sofredor.
Sua ressurreição foi a palavra definitiva que permitiu superar esse fracasso com o sentimento de que, por pior que seja a situação vivida, Deus é maior do que ela e faz brotar a vida ali onde só há morte e impossibilidade.
Por isso, padre Giraldo não tem medo da morte. Por isso igualmente mata de medo seus perseguidores, que não cessam de brandir sobre ele ameaças que só reforçam sua fé e seu compromisso com o povo ao qual é solidário de maneira irreversível.
Maria Clara Lucchetti Bingemer é autora de Simone Weil: a força e a fraqueza do amor (Editora Rocco).
00:03 - 20/07/2010

Skoob

BBC Brasil Atualidades

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