sexta-feira, agosto 06, 2010

Ação do mensalão volta a julgamento no STF

06/08/2010
O ministro Joaquim Barbosa submeterá ao plenário do Supremo Tribunal Federal, na próxima quinta-feira (12/8), mais uma questão de ordem na ação penal do mensalão (AP 470).
Conforme revelou este Blog, a defesa de Marcos Valério requereu que fosse submetida aos demais membros da Corte agravo (recurso) contra indeferimento de pedido para que peritos fossem ouvidos em audiência.
Barbosa, que suspenderá licença médica para atuar neste e em outros casos na próxima semana, é alvo de várias iniciativas da defesa de réus do mensalão com o propósito de afastá-lo da relatoria do processo.
O fato de o tratamento médico não ter permitido o retorno do ministro às atividades normais na Corte não autoriza supor --como tem circulado-- que Barbosa pretenda antecipar sua aposentadoria.
Por causa dos problemas na coluna, Barbosa preferiu não acumular a presidência do Tribunal Superior Eleitoral, neste ano de eleições presidenciais. Mas não cogita abandonar o julgamento da ação do mensalão.
Fonte: Blog do Frederico Vasconcelos

Ministro Joaquim Barbosa volta ao STF na próxima semana
Agência Brasil

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Cezar Peluso, disse no dia 04/08/2010 que o ministro Joaquim Barbosa vai interromper a licença médica na próxima semana para participar do julgamento de alguns casos na Corte. Ele havia se afastado do STF até o final de setembro para tratar de problemas na coluna>

Barbosa vem tirando sucessivas licenças médicas desde o ano passado para tratar da coluna. Atualmente, ele responde por mais de 20% de processos que tramitam no tribunal. O atraso na solução dos conflitos acabou provocando a manifestação de entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Elas são favoráveis à redistribuição dos processos sob responsabilidade do ministro.

Um dos casos que levará o Barbosa a interromper a licença acabou causando empate na Corte de 5 votos a 5 na votação de hoje. O recurso trata sobre a imunidade da cobrança de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) nas receitas de exportação das empresas.

O gabinete de Joaquim Barbosa não soube informar quais serão os julgamentos que ele participará na próxima semana, mas a expectativa é que ele vote nos casos em que, como o de hoje, houve empate.

A solução do caso mais famoso sob relatoria de Barbosa, entretanto, ainda continua longe de uma conclusão. O ministro é responsável pela ação relativa ao suposto esquema de pagamento de propina para compra de votos de parlamentares, denunciado pelo ex-deputado federal Roberto Jefferson em 2005.

Os despachos mais recentes do ministro em relação ao caso datam do último dia 16 de junho, quando Barbosa ainda estava de licença médica que havia requerido em abril. No despacho, ele impediu que dois dos acusados fossem julgados de forma desmembrada no processo e pediu que o Instituto Nacional de Criminalística informasse se todos os laudos periciais e laudos complementares foram concluídos.

Sean Penn acusa Wyclef Jean de desviar US$ 400 mil doados ao Haiti

Sean Penn acusa Wyclef Jean de desviar US$ 400 mil doados ao Haiti

Rapper formalizou candidatura à presidência do Haiti nesta quinta-feira (5). 'Isso tem de ser investigado', afirmou o ator à rede de televisão CNN.
O ator Sean Penn demonstrou ser contra a candidatura do rapper Wyclef Jean, formalizada oficialmente nesta quinta-feira (5), à presidência do Haiti.
Na última quarta-feira, ele questionou os motivos que estariam levando o músico a se candidatar ao cargo.
Penn, que passou longos períodos no Haiti desde o terremoto que devastou o país em janeiro deste ano, disse em entrevista à rede de TV CNN que Jean tem sido uma "não-presença" nos trabalhos para reerguer a nação mais pobre das Américas desde a tragédia.
"Ele tem ficado praticamente calado sobre o povo haitiano, uma não-presença", disse o ator vencedor do Oscar, que comanda uma campanha com 55 mil pessoas em uma organização da qual é co-fundador, a J/P Haitian Relief Organization.

Desvio de verba doada
Apesar de reconhecer que Jean é "uma voz importante", Penn também acusou o músico de desaparecer com mais de US$ 400 mil doados à sua instituição de caridade, a Yele Haiti Foundations.
"Isso tem de ser investigado. Eu estive lá [no Haiti]. Sei o que US$ 400 mil fariam pela vida destas pessoas e pela vida de uma garota de 24 anos que está morrendo neste momento. Por tudo isso, quero ver alguém que está mesmo disposto a se sacrificar por seu país e não apenas um cara que vi desfilando pelo Haiti em carreata, demonstrando riqueza - o que, naquele contexto, considerei uma exibição obscena."
No começo do ano, Jean chorou ao negar que sua fundação de caridade tivesse desviado fundos doados ao país.

Formalização da candidatura
Jean registrou na quinta-feira sua candidatura à presidência do Haiti, segundo uma fonte do partido Viv Ansanm (Viver Juntos).
"Wyclef se registrou como candidato a presidente pelo meu partido", disse à Reuters Daniel Jean Jacques, presidente do partido.
O músico, que vive nos EUA desde os 9 anos, chegou na quinta-feira ao Haiti num jato particular. Ele disse que o devastador terremoto de janeiro precipitou sua decisão de concorrer.
Fonte: G1

BRASIL: lei torna obrigatória realização do teste da orelhinha em bebês em todas unidades de saúde

BRASIL: lei torna obrigatória realização do teste da orelhinha em bebês em todas unidades de saúde
Ednéia Silva - Jornal da Cidade - Rio Claro

Agora é lei. Assim como o teste do pezinho, a realização do exame denominado emissões otoacústicas evocadas, popularmente conhecido como teste da orelhinha, tornou-se obrigatória em todo o País. 
A obrigatoriedade está prevista na Lei Federal nº 12.303, de 2 de agosto de 2010, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicada na edição de terça-feira (3) do Diário Oficial da União (DOU). 
A lei determina que hospitais e maternidades públicas devem fazer o exame de forma gratuita nos primeiros dias de vida do bebê. O teste detecta precocemente problemas auditivos na criança e previne deficiências reduzindo os riscos de perda de audição. 
De acordo com o Ministério da Saúde, o teste da orelhinha já é oferecido na rede pública, porém não está disponível em todas as unidades. Com a lei, todos os hospitais e maternidades ficam obrigados a fazê-lo. O ministério informou ainda que em 2009, o Brasil realizou 267.973 testes da orelhinha, um aumento de 46% em relação a 2008, quando foram feitos 183.718 exames. 
Muita gente não sabe, mas Rio Claro saiu na frente nesse quesito. O teste da orelhinha é obrigatório no município desde 2005, quando foi sancionada a Lei Municipal nº 3551, de 25 de agosto de 2005. A lei é oriunda de um projeto de lei de autoria da presidente da Câmara Municipal, vereadora Mônica Hussni Messetti. A iniciativa lhe rendeu o Prêmio do Mérito Legislador daquele ano, que elege os melhores projetos parlamentares do Brasil. 
Desde 2005, Mônica vem defendendo a ideia de tornar o teste obrigatório em todo o território nacional. No Estado de São Paulo, ele é obrigatório desde 2007. Segundo ela, a lei é muito importante porque o País precisa investir na prevenção das doenças. Se os problemas auditivos forem detectados no início podem aumentar as chances de recuperação, além de reduzir os custos do tratamento. 
Mônica afirma que a lei também abre caminho para que o SUS (Sistema Único de Saúde) inclua o teste da orelhinha em sua lista de exames, como acontece com o do pezinho. O ideal, explica, é que ele seja feito logo após o nascimento da criança. A vereadora ressalta ainda que a lei dá à mãe o direito de exigir que o teste seja feito na maternidade. 
Isso porque, hoje, apesar do teste ser garantido por lei municipal, na prática a realização não acontece. Mônica pretende agora conversar com a prefeitura para discutir o assunto. 
Exame  O teste da orelhinha deve ser feito em todos os bebês. O teste leva de cinco a 10 minutos para ser realizado e não tem contraindicação.  O teste da orelhinha não é invasivo. O método utilizado é o exame de EOAs (Emissões Otoacústicas Evocadas). O exame consiste em colocar um fone acoplado a um computador na orelha do bebê, que emite sons de fraca intensidade e recolhe as respostas que a orelha interna do bebê produz. A ideia é avaliar a produção de estímulos sonoros e o retorno desses estímulos. O teste é indolor e geralmente é feito durante o sono do bebê.

“Parabéns ao time”

“Parabéns ao time”
05/08/2010 - 15:41 | Marcio Arruda – Jornal do Brasil
Agora a Ferrari está encalacrada de vez! Pelo menos, os argumentos que poderiam ser utilizados numa possível defesa no julgamento que acontecerá no Conselho Mundial da FIA, terão de ser revistos. Como sempre faz, o site oficial da Fórmula 1 divulgou um compacto com os melhores momentos de cada corrida. Hoje, foi a vez do polêmico Grande Prêmio da Alemanha – aquele em que Felipe Massa acatou a ordem da Ferrari para dar a liderança (e, consequentemente, a vitória) para Fernando Alonso.
Os leitores mais assíduos do COCKPIT sabem que evito ao máximo postar vídeos ou áudios originalmente em inglês sem legendas na nossa língua portuguesa. Mas hoje vou fugir a esta regra. Além dos melhores momentos do GP, o vídeo tem trechos das conversas ente Alonso, a equipe e Massa.
Num determinado momento da corrida, muitas voltas antes de Felipe facilitar a ultrapassagem de Alonso, o engenheiro do brasileiro, Robert Smedley, aviso Massa de que o espanhol está mais rápido do que ele naquele instante. O áudio é claro e não coloca dúvida na frase “você precisa melhorar. Fernando está mais rápido do que você”.
Algumas voltas depois, no momento em que Alonso tenta ultrapassar Massa e não consegue, Smedley diz: “Ele vai tentar te ultrapassar. Você precisa se defender”.
É aí que Dom Fernando solta o já conhecido “isso é ridículo”, ao interpretar a defesa de Felipe pelo primeiro lugar da prova. Na “nova” conversa, dá pra escutar o espanhol falar “estou mais rápido do que Felipe”. Logo após, o engenheiro do Príncipe das Astúrias, Andrea Stella, replica: “entendi a mensagem”. A pressão do espanhol deu resultado e ele conseguiu ultrapassar Felipe Massa. Isto, sim, foi ridículo.
No final, o compacto mostra o áudio do rádio da Ferrari número 7, com a voz de um indignado Felipe Massa dizendo “o que eu posso dizer? Parabéns ao time”. E eu? O que eu posso escrever? Confira mais um capítulo desta novela no vídeo abaixo:

IQUE - No Jornal do Brasil

Gershwin plays Gershwin: Rhapsody in Blue

A desconsoladora



A desconsoladora

Mulher, eu te procuro continuamente. É mais fácil achar Deus, do que te
achar.
Tenho por ti uma grande atração e repulsão - ao mesmo tempo.
Eu adormeço com teu amor e desperto com o ódio a ti. E te destruo e te
contruo a todo o instante.
Há de me perseguir até à imortalidade. A paz da mulher não é a paz de
Deus.
A mulher não é o amor. A poesia é o amor. A poesia da ausência da mulher
é equivalente à poesia da posse da mulher.

Murilo Mendes
(1901-1975)

Newton Silva, para O Jangadeiro Online

Reconquista da credibilidade do Judiciário é tema recorrente em palestras

CONFERÊNCIA MUNDIAL
Reconquista da credibilidade do Judiciário é tema recorrente em palestras

Reconquistar a credibilidade dos Poderes Judiciários junto às populações latino-americanas é um dos principais desafios da Justiça no continente. Esse foi o tema recorrente das palestras do primeiro ciclo de debates desta tarde na Conferência Mundial sobre Transparência, Ética e Prestação de Contas dos Poderes Judiciários. 
As palestras desta quinta-feira (5) foram proferidas pela ministra Villanueva Monge, vice-presidente da Corte Suprema de Justiça da Costa Rica, pelo doutor Eduardo Bohórquez, do Grupo Transparência Mexicana, e pelo deputado da Câmara dos Deputados da Argentina, Ricardo Gil Avedra. Também participaram como debatedores a professora e doutora Maria Tereza Sadek, da Universidade de São Paulo, e o presidente da Corte Suprema de Justiça do Chile, ministro Milton Juica. 
Na primeira palestra, Eduardo Bohórques destacou o esforço do México no combate à corrupção em todos os níveis. Para o palestrante, hoje o seu país tem uma das melhores estruturas institucionais para lidar com o problema. “Os resultados, entretanto, ainda têm sido pouco significativos e a população não tem uma percepção clara disso”, comentou. Ele lembrou que o país enfrentou diversos períodos de alta criminalidade e instabilidade política, muitas vezes dificultando o acesso do povo à Justiça. Afirmou que há um grande esforço para criar um sistema mais aberto e restaurar a confiança no Judiciário. Ele apontou, ainda, que hoje 98,7% das solicitações de informações sobre os gastos do Judiciário são atendidas e que não é preciso ser cidadão mexicano para solicitar dados. 
Na palestra seguinte, Ricardo Gil Avedra, da Argentina, afirmou que a democracia representativa é absolutamente incompatível com a falta de transparência. Apontou que a Justiça não é só uma solucionadora de conflitos, mas também uma garantia de direitos, inclusive o de informação. “Deve haver confiança do povo na Justiça, é imprescindível restabelecer a credibilidade desta”, comentou. Ele salientou que um dos esforços para aumentar a transparência do Judiciário na Argentina é o que ele definiu como “transparência ativa”, a oferta de uma ampla gama de informações on-line. O deputado também defendeu controles internos e externos do Judiciário, como parte da meta de construir uma Justiça democrática e com confiança do povo. 
Já a professora Teresa Sadek apontou que o Judiciário ganhou muito poder com as constituições após a redemocratização da América Latina. “O Judiciário foi o último poder a assumir a questão da transparência e prestação de contras”, observou. Segundo ela, o Judiciário sempre foi fechado, impermeável a críticas. Mas, para a professora, houve um grande salto qualitativo, especialmente após a reforma judicial de 2004, sobretudo com a compreensão de que a prestação jurisdicional não atende a todos os cidadãos. 
Ela apontou que um dos grandes obstáculos para a confiança é o baixo grau de institucionalismo. Na opinião dele, a mudança da liderança das instituições causa diversas mudanças de políticas e posicionamentos. “É necessário haver regras impessoais, que não mudam a cada administração”, ponderou. Por fim, Teresa Sadek destacou, que apesar da baixa confiança do brasileiro na Justiça, só em 2009 cerca de 70 milhões de novos processos foram interpostos, indicando a alta demanda deste Poder. 
Criar um padrão mínimo para a transparência numa sociedade democrática foi a meta apontada por Milton Juica, o último a se manifestar. Ele destacou que, apesar da ditadura de Pinochet, o Chile tem uma longa história de estabilidade judiciária. Entretanto, um problema crônico tem sido a questão da falta de independência no orçamento. “Para o Judiciário ser imparcial, deve ser independente”, observou. Na opinião de Juica, a transparência nas questões orçamentárias tem sido uma grande ferramenta para essas reformas. Por fim, lembrou que no Chile os juízes, anualmente, devem fazer uma declaração de renda, de investimentos, exames contra uso de drogas, etc. como uma forma de aumentar a segurança nos julgados.

ÉTICA CRISTÃ E POLÍTICA: UMA REFLEXÃO SOBRE O EXERCÍCIO DA CIDADANIA PLENA

ÉTICA CRISTÃ E POLÍTICA: UMA REFLEXÃO SOBRE O EXERCÍCIO DA CIDADANIA PLENA
04 Aug 2010 06:41 AM
Em milhares de municípios, brevemente, milhões de brasileiros escolherão aqueles que em seu nome e benefício elaborarão leis justas, pertinentes e eficazes as suas necessidades e, sobretudo devem governar para o bem comum o Estado Brasileiro. Um verdadeiro festival da democracia e da cidadania conforme se poderá ver em todo o país.
Contudo, antes de tratarmos das implicações da ética cristã para a atividade política, é necessário que diferenciemos o sentido de ética e de política. Ethos significa “estilo de vida, conduta, costume ou prática”, segundo o Novo Testamento (Lc 1.9; 2.42; Jo 19.40; At 6.14; 28.17; Hb 10.25). Entretanto, a ética cristã na história recebe diversos nomes: Sittenlehre – “ciência dos costumes”; “moral” e, Ethik (ética) derivado do texto bíblico. Definindo: Ética é o estudo da moralidade (do Latim: “moralitos”, que significa “a qualidade do que é moral”, “caráter”), e não o estudo de costumes. Por isso, ela procura a verdade e o bem através do Supremo Bem que é Deus e de Sua vontade revelada aos homens nas Escrituras Sagradas (cf., Reifler, H.N., in: A Ética dos Dez Mandamentos. 1992:16-17).
Segundo a clássica definição do filósofo grego Aristóteles, (328 a. C), “política é a ciência, arte, técnica e estratégia de administrar para o bem comum; mas decisivo do que o bem individual”. Política, para Umberto Padovani em sua obra clássica “História da Filosofia” (2000:133), define-se como: A política aristotélica é essencialmente unida a moral, porque o fim último do Estado é a virtude (que ele distingue em éticas que constituem propriamente o objeto moral, e as dianoéticas, que a transcendem. As virtudes intelectuais, teoréticas, contemplativas, são superiores às virtudes éticas, práticas, ativas), isto é, a formação moral dos cidadãos e o conjunto dos meios necessários para isso. O Estado é um organismo moral, condição e complemento da atividade moral individual, e fundamento primeiro da suprema atividade contemplativa. A ética é a doutrina moral individual, a política é a doutrina moral social.
Portanto, o entendimento dos princípios éticos que devem reger a conduta individual e do Estado no exercício da cidadania é de fundamental importância, sobretudo nestes dias que antecedem as eleições. Posto isto, fica claro que a ética cristã-política procura fazer a vontade de Deus na sociedade para o bem comum. O exercício da completa cidadania – terrestre e celestial -, pelos cristãos é um privilégio, mas, também, um dever intransferível diante de Deus e dos homens.
No mês de outubro do próximo, junto aos demais brasileiros, os cristãos exerceremos o direito e o dever de transcendental importância político-social: Votar! Um direito indispensável e intransferível que, ressalte-se, deve ser exercido de forma consciente para que os mecanismos de gestão social – as entidades políticas -, sejam aprimoradas para o bem estar social das pessoas, das famílias e, assim, da sociedade brasileira como um todo. Tal dever precisa ancorar-se sob a firme convicção de que todos devemos buscar o bem comum.
Desse modo, vale sempre relembrar aos que postulam cargos políticos, a doutrina Cristã exige as seguintes posturas * (infelizmente, algumas atitudes e posturas na disputa para a prefeitura de nossa cidade, passou muito longe disso):
- Ver na política não uma ambição do poder pelo poder num jogo de interesses pessoais, familiares ou corporativos;
- Estar profundamente comprometido com a cidadania, o povo, principalmente os necessitados, explorados e marginalizados;
- Fazer aliança ou parceria, não com detentores costumeiros do poder, mas com quem serve ao povo: Universidades, Igrejas, uniões e organizações de classe capazes de procurar o bem comum;
Algumas qualidades indispensáveis aos que postulam cargos políticos:
- Antes de tudo a decência, a lisura, a honestidade que constituem o exato contrário da corrupção ativa ou passiva;
- Competência, conhecimento profundo das formas, métodos e práticas políticas, sem o qual de nada adianta a decência;
- Experiência administrativa ou legislativa;
- Coerência entre o ser humano e o homem político; vida pessoal e democrática e o exercício do poder;
- E, por último, a eficiência, ou seja, habilidade e capacidade de realizar de forma correta um projeto político para o bem comum. (*Artigo publicado no jornal A TARDE – 28.07.96). Jacob Peter Mayer (Max Weber e a Política Alemã, pp. 86,87), é incisivo quanto à influência do pensamento protestante, notadamente Calvinista, bem como de Lutero sobre o pensamento político de Weber:
Weber examina também a ética política. Segundo ele, o político profissional gosta do poder. Quais devem ser suas qualidades humanas, se ele quiser conciliar o poder com a responsabilidade (Verantwortung)? Paixão, responsabilidade, capacidade de julgamento (Augenmass) é como ele define as três qualidades que determinam o pensamento e a ação do político. A vaidade é seu inimigo mortal. A política sem a “crença” (Glauben), diz Weber, é impossível. Quer acredite em fins nacionais, supranacionais, éticos ou religiosos, o político precisa crer em alguma coisa.
Amigo leitor, essa percepção da realidade política como sendo de natureza absolutamente ética, pois somente assim pode alcançar o seu fim maior é fundamental. Nada mais salutar do que jamais votar em quem não corresponde com seus atos na vida privada, a ética que se requer dos homens públicos. Dessa forma, é salutar não votarmos em parlamentares, especialmente, nos que respondem a processos por razões de ordem ética e outras que vinculam a sua imagem e atividade a ilicitude. É tempo de passar o Brasil a limpo e, assim, não votar nestes indivíduos já é um bom começo.
Essa percepção da ética protestante sobre o pensamento, bem como sobre a definição de sua postura ética na atividade política é extremamente importante. Mas, qual a relação entre a ética e a política? As duas têm algo em comum? Caso contrário, existe uma ética que domine também a política?
Há duas concepções éticas fundamentalmente diferentes: a ética do sentimento (Gesinnungsethik) e a ética da responsabilidade (Verantwortungsethik). Sobre a primeira, a ética do Sermão da Montanha, por ser absoluta, não precisa de maiores explicações; sobre a segunda, Weber acrescenta: cada um é responsável pelas conseqüências previsíveis de suas ações. Ele tinha profunda consciência do eterno conflito entre poder e justiça, no que diferia do Luteranismo: O gênio, ou demônio, da política convive com o Deus do amor e o Deus da Igreja, em tensão interior que poderá a qualquer momento rebentar em conflito insolúvel…” (grifo meu; p. 87). Neste sentido, uma questão fundamental levanta-se: Votar ou não votar! E, ao fazermos a opção pelo exercício da mais nobre missão da cidadania – que é votar de forma livre e soberana -, devemos fazê-lo de forma responsável, madura e consciente. Portanto, não venda, não arrende, não alugue seu voto em troca de benesses pessoais ou familiares tão comuns, infelizmente, sobretudo no nordeste do Brasil. As eleições passaram, porém outras virão e, assim, é indispensável que analisemos o candidato, sua postura, valores morais e familiares. Sua plataforma político-partidária e seu programa, em ter outros. E a todos os que comprometerem os valores fundamentais da vida e da cidadania, devemos expurgar definitivamente da vida pública, não votando neles!
A luz da Palavra de Deus, a ética cristã preocupa-se, fundamentalmente, com o indivíduo e a sociedade como um todo. Primeiramente, com as necessidades espirituais, o destino eterno – o Céu! Contudo, por outro lado, não despreza de igual forma, os problemas terrenos, pois os mesmos são importantes para todos. Assim, a preocupação somente com o homem, fora do seu contexto social, seria antibíblico, uma vez que o Senhor Jesus disse aos seus discípulos: “Vós sois o sal da terra”; e, “Vós sois a luz do mundo” (Mt 5.13-14).
Logo, caro leitor, o Cristianismo não dissocia a ética da política, pelo contrário, diz que a atividade política deve ser exercida segundo os princípios e valores éticos estabelecidos nas Escrituras. No livro de Provérbios, o bom governante (Rei) reconhece a sua dependência de Deus. É justo, é confiável e misericordioso (16.10; 20.26,28; 31.1-9); enquanto o líder perverso é comparado ao “leão bramidor” e a um “urso faminto” (28.15). O autor de provérbios, Salomão, também sustenta que “a justiça quando exercida de forma plena” é indispensável para a prosperidade de uma nação (14.34). Segundo o Dr. Paulo Wailer (Ética Cristã, 1987:88-9), – meu professor de Ética Cristã no Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil, Recife -, o Novo Testamento ensina que o cristão deve:
- Esmerar-se na obediência e submissão às autoridades e as leis, não só por temor ao castigo, mas também pela consciência (Rm 13.1-5);
- Esmerar-se por pagar pontualmente seus tributos (Rm 13.6-8);
- Às autoridades devemos não só submissão e obediência, mas também honra e respeito (1 Pe 2.13,17);
- Participar da vida política de forma consciente, sendo “o sal da terra” e “a luz do mundo” (Mt 5.13,16);
- Na paz deve contribuir para a prosperidade de seu país (Pv 6.6-11; 2 Tess 3.10-12) e, na guerra, defendê-lo (Rm 12.18).
Atualmente em função do descalabro moral a que chegou a humanidade, bem como o Brasil, é impossível ao cristão sério permanecer indiferente, pois a imoralidade corre solta nas mais diversas esferas do poder. No Brasil, os valores fundamentais que sustentam a soberania da nação, vêm sendo solapado de forma vil e mercantilista. Portanto, quando o cidadão de bem se omite, os corruptos passam a dominar, empenhados em sua missão de destruir os valores e princípios que Deus estabeleceu em Sua Palavra, bem como a sociedade como um todo. A violência no Brasil é alarmante! A concentração de renda é injusta e brutal e, a pobreza se alastra, enquanto o governo faz propaganda do seu “espetáculo de crescimento”. Conseqüentemente, a desigualdade social cresce assustadoramente em todo o país, criando hordas de miseráveis – homens e mulheres que, com os seus filhos perambulam pelas ruas, cidades, e estradas esmolando num triste e deprimente espetáculo.
Eis a triste condição de milhões de brasileiros: Sem terra, sem teto, sem trabalho, sem dignidade, sem esperança… Isto nos faz lembrar o que disse Abraham Kuyper, (O Cristianismo e a Luta de Classes, publicado em 1891) ardoroso defensor da ortodoxia bíblica contra os teólogos liberais, fundador da Universidade Livre de Amsterdã, e primeiro-ministro da Holanda: “Quando ricos e pobres se opõem uns aos outros (Jesus) nunca fica do lado dos ricos, mas sempre do lado dos pobres… Ele se colocava invariavelmente contra os poderosos e aqueles que viviam luxuosamente, e a favor dos que sofriam e eram oprimidos” (Paul Freston, Fé Bíblica e Crise Brasileira, p.47). Deus usa seus servos fiéis para abençoar as nações, homens que se dedicam ao seu semelhante por princípio e formação cristã. No entanto, o autor de Provérbios afirma: “Quando o ímpio domina, o povo se entristece; quando o justo governa, o povo se alegra” (29.2). E, para mudar tal situação só através de homens comprometidos com o temor de Deus, os valores humanos eternos e, portanto, com o bem comum. Destaco, finalmente, uma advertência excepcional de Max Weber sobre a atividade política:
Atividade política é como escavar lenta e determinadamente em solo duro, com entusiasmo e discernimento. A história prova que não se alcança o possível se não se sai às vezes em busca do impossível. O homem que empreende atividade política precisa ser um líder e até mais que isso – um herói, no sentido literal. Os que não possuem nenhuma dessas qualidades precisam armar-se da fortaleza de coração que dá esperanças até aos desesperados, ou não terá condições de fazer coisa alguma. Só os que têm a certeza de não esmorecer quando o mundo lhes parecer estúpido ou mesquinho demais para apreciar o que eles lhe oferecem, e estão dispostos a perseverar, devem escolher a política como profissão.
Hans Küng, teólogo alemão, é incisivo ao perguntar: Por que se deve ser cristão? Sua resposta profunda do sentido do ser cristão aplica-se, de igual forma, a participação cristã na vida da polis e, portanto, da política. Eis sua contundente resposta: Para ser verdadeiro homem! Que vem a ser isto? Ele diz:
(…) Olhando para o Cristo crucificado e vivo, o homem (também o do mundo de hoje) é capaz, não somente de agir, mas de sofrer, não só de viver, mas de morrer. E onde a pura razão se vê obrigada a capitular para ele ainda existe sentido, também no absurdo da miséria e da culpa, pois também ali ele se sabe sustentado por Deus, tanto no que é positivo, quanto no que é negativo. Desse modo, a fé em Jesus, o Cristo, oferece-lhe paz com Deus e consigo mesmo, sem escamotear os problemas deste mundo. A fé torna o homem autenticamente humano, porque o faz ser co-humano: aberto ao extremo, para o outro que dele precisa, para o “próximo”.
Afinal, perguntamos: por que se deve ser cristão?
Agora compreender-se-á mesmo se dermos à resposta uma formulação concentrada: no seguimento de Jesus Cristo o homem, no mundo de hoje, pode viver, agir, sofrer, morrer verdadeiramente como homem: em ventura e desgraça, vida e morte, amparado por Deus a serviço dos homens. (Küng, Hans. Ser Cristão. Trad. Pe. José Wisniewski Filho. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1976, p. 523)
Que devemos fazer como cidadãos? Devemos nos envolver politicamente ou nos omitir? Alguns, tentando se justificar, dizem: “Votar? Para quê? São todos farinha do mesmo saco!”. Você certamente já disse ou ouviu alguém dizer isto. Contudo, tal postura cômoda, para não dizer omissa, não resolverá os grandes problemas nacionais – morais, espirituais, sociais, econômicos e políticos. É melhor, como cristãos, decidirmos pela participação firme e consciente, quer como cidadãos comuns ou políticos profissionais a serviço do país. Assim, caro leitor, seja qual for à opção, que seja para a construção do bem comum e para a glória de Deus. Lembremo-nos, da promessa de Deus: “Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor” (Sl 144.15 b).
Pr. Antonio Sérgio de Araújo Costa Pastor da Igreja Batista Bethléem em Vitória da Conquista, Ba; Doutor em Teologia pelo STBNB, Recife, PE. Acadêmico de Direito – 8º Período/FAINOR; e Licenciatura em Filosofia/FBB.
Fonte: http://www.isaltino.com.br/

Norah Jones- Bessie Smith

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