sábado, agosto 14, 2010
Estado de calamidade postal
Estado de calamidade postal
Nelson Motta O Globo - 13/08/2010
Não sou exceção, sou mais uma das incontáveis vitimas do apagão postal e do desastre administrativo dos Correios. Mas tenho uma coluna de jornal.
Casos como o meu se multiplicam todos os dias, com incalculáveis prejuízos para quem confia nos Correios. Recebi no dia 10/8, em Ipanema, um boleto bancário postado no dia 3/8, no Centro da cidade.
O envelope levou uma semana, entre dois bairros do Rio de Janeiro.
Se viesse a pé teria chegado em duas horas. Os Correios dizem que faltam aviões.
Mas a questão é: quem vai me reembolsar os 10% de multa que fui obrigado a pagar por culpa dos Correios? E a vergonha que passei? Quem paga os prejuizos econômicos e morais dos pagadores pontuais que passam por inadimplentes? Quem se responsabiliza pelo tempo que se perde e o dinheiro que se gasta com atrasos e documentos extraviados? À enxurrada de reclamações nos jornais, respondem sempre que os Correios têm não sei quantos anos de serviços prestados, padrão internacional de atendimento, estamos nos esforçando para... Mas nada mudou. Só trocaram o presidente, para engabelar a opinião pública em ano eleitoral. Mas vocês viram a cara do novo chefão dos Correios? Ninguém confiaria uma carta para aquele homem entregar. O apagão postal faz milhares de pessoas honestas e pontuais perderem prazos, pagarem juros injustos e multas indevidas.
Se os Correios não são mais confiáveis, não temos opção. O ex-ministro Hélio Costa logo diz que é lobby pela privatização. Mas é o responsável pelas nomeações que fizeram dos Correios o que hoje são.
Aparelhar órgãos públicos e estatais, fazer politicagem com cargos, tem um alto custo para os funcionários e os usuários tanto em corrupção como no apodrecimento administrativo. As provas vivas são os atuais Correios e as históricas imagens de Maurício Marinho pegando dinheiro, que levaram à CPI do mensalão.
Assim como carimbam a data da postagem no envelope, os Correios deveriam ser obrigados pelo Procon a carimbar a data da entrega. E assumir as responsabilidades legais pelos prejuízos.
NÃO HÁ VAGAS Ferreira Gullar
NÃO HÁ VAGAS
Ferreira Gullar
O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão
O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras
- porque o poema, senhores,
está fechado:
"não há vagas"
Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço
O poema, senhores,
não fede
nem cheira
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão
O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras
- porque o poema, senhores,
está fechado:
"não há vagas"
Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço
O poema, senhores,
não fede
nem cheira
Artilharia pesada contra Cabral
Artilharia pesada contra Cabral
Paulo Marcio Vaz JORNAL DO BRASIL
Encontro entre candidatos ao governo do Rio de Janeiro marcado por troca de acusações. Principal alvo, governador teve dois direitos de resposta
Jefferson Moura, Sérgio Cabral, o mediador Sérgio Costa, Fernando Peregrino e Fernando Gabeira - Foto: Marcelo Carnaval
O debate de ontem entre os candidatos ao governo do estado do Rio, realizado pela TV Bandeirantes, foi marcado por uma enxurrada de acusações contra o candiato à reeleição, o governador Sérgio Cabral (PMDB), promovida por seus rivais Fernando Gabeira (PV), Fernando Peregrino (PR) e Jefferson Moura (PSOL). Logo no início, Peregrino deixou Cabral irritado ao lembrar que a primeira-dama do estado, Adriana Ancelmo, é advogada da Supervia e do Metrô, empresas concessionárias dos serviços de transporte público que, segundo Moura, prestam serviços precários e não são multadas. A citação do nome de Adrina rendeu a Cabral seu primeiro direito de resposta: Lamento que tenham ofendido minha mulher, uma advogada querida e respeitada por toda Ordem dos Advogados do Brasil rebateu o governador.
Fernando Gabeira foi o único dos opositores de Cabral que preferiu não falar sobre a primeira-dama.
Mesmo assim, não poupou críticas ao atual governo estadual, principalmente em relação à educação. Enquanto defendia melhor remuneração aos professores, Gabeira disse que um cabo eleitoral do governador ganha o dobro do salário de um professor.
O verde também foi alvo de críticas, principalmente por ter se aliado ao DEM e ao PSDB, partidos que, em nível nacional, são opositores do PV.Num determinado momento, Jeferson Moura chegou a chamar o rival do PV de ex-Gabeira. O verde respondeu: O ex-Gabeira não quer mais fazer a revolução socialista que chegou ao ponto em que chegou em Cuba e outros lugares.
O embate mais direto entre Gabeira e Cabral se deu quando o deputado questionou o governador sobre a questão da tragédia que se abateu em Angra dos Reis durante o Reveillon.
Acusado por Gabeira, Cabral deu a entender que não havia autorizado a ampliação de obras na região antes do Ano Novo. Gabeira, no entanto, insistiu, e chegou a dizer que ou eu estou mentindo ou ele. Em sua tréplica, Cabral admitiu ter assinado um decreto de ampliação, mas negou que a ação tivesse a ver com a tragédia.As poucas propostas de governo praticamente só ocorreram na hora das considerações finais.
Gabeira prometeu remunerar melhor os professores e investir no ensino médio. Peregrino disse que pretende construir 100 mil casas populares e reabilitar projetos sociais criados pelo ex-governador Anthony Garotinho. Cabral enumerou feitos do seu governo, como as UPPs UPAs, citando a candidata à Presidência pelo PT, Dilma Rousseff, que prometeu implementar UPAs pelo Brasil, caso eleita. Jefferson Moura disse que deseja implementar escolas em horário integral.
Falta de propostas O cientista político da Fundação Getúlio Vargas Fernando Weltman, ouvido pelo JB, lamentou a falta de propostas e o baixo nível do debate: Não foi como o debate presidencial. A opção pelo enfrentamento é um tiro que pode sair pela culatra, e faz com que o eleitor não tenha a chance de ouvir propostas analisa.
Quem estava indeciso, permanece indeciso.
Gabeira foi o único dos opositores de Cabral que preferiu não falar sobre a primeira-dama
P-33: parada obrigatória
P-33: parada obrigatória
Em decisão inédita, ANP interdita plataforma da Petrobras por falta de segurança
Ramona Ordoñez e Cássia Almeida - O Globo
Em decisão inédita, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) determinou ontem a suspensão das operações da plataforma P33, situada no Campo de Marlim na Bacia de Campos, por falta de condições de segurança operacionais e para os trabalhadores. A agência também autuou a Petrobras, o que pode levar a uma multa. A interdição da plataforma, que atualmente produz cerca de 20 mil barris de petróleo por dia (bem abaixo de sua capacidade, de 63 mil de barris por dia), veio depois da vistoria feita por fiscais da agência nos últimos dois dias, em razão das denúncias que O GLOBO tem publicado desde segunda-feira sobre as condições de segurança na plataforma.
“A Agência Nacional do Petróleo decidiu suspender cautelarmente as operações na Plataforma P-33, até que os níveis de segurança requeridos pela ANP sejam restabelecidos, autuando a Petrobras e garantindo-lhe o direito ao contraditório e à ampla defesa”, diz o comunicado divulgado pela ANP.
Segundo o Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (SindipetroNF), foi a primeira vez que uma plataforma da Petrobras foi interditada.
A Petrobras informou que não foi notificada pela ANP e que não tem conhecimento dos dados obtidos pelos fiscais da agência durante a vistoria feita na plataforma. A estatal diz, em nota, ter sido surpreendida pelas notícias veiculadas pela imprensa, uma vez que a própria agência reconhece em sua nota que “uma série de não conformidades, identificadas pela ANP, já foram sanadas”. A Petrobras informou também que, tão logo tome conhecimento das decisões da ANP, se dispõe a adotar as recomendações técnicas no menor tempo possível.
Produção de gás era garantida por liminar
A ANP não detalhou a situação encontrada pelos fiscais, mas afirma que, após sua visita ao local, “com o objetivo de resguardar a segurança das operações e dos trabalhadores”, decidiu suspender as operações da P-33 temporariamente. O SindipetroNF protocolou na agência um pedido de interdição emergencial da P-33 no último dia 10. Em 14 de julho, houve uma explosão sem feridos na plataforma.
Desde março, o sindicato vem denunciando as condições de segurança da P-33 ao Ministério do Trabalho.
Em vistoria realizada no último dia 3, fiscais do trabalho encontraram 35 tubulações com vazamento e interditaram três filtros de óleo por falta de válvula de segurança. A Petrobras informou anteontem que iria realizar uma parada programada para manutenção na P-33 em outubro. Segundo o auditor fiscal do trabalho José Roberto Aragão, esta paralisação estava prevista para julho, mas foi adiada.
A ANP informou que vem intensificando a fiscalização em plataformas marítimas e que, atualmente, vem fazendo cerca de 80 ações de fiscalização por mês. No caso das plataformas do Campo de Marlim, onde fica a P-33, a ANP disse que as fiscalizações constataram irregularidades que já estariam sendo regularizadas pela Petrobras.
.São produzidos 500 mil barris de petróleo por dia no Campo de Marlim.
A produção de gás da P-33 estava sendo garantida por liminar da juíza Ana Celina, da 2ª Vara do Trabalho de Macaé, que tornou sem efeito as interdições feitas pelos auditores fiscais do trabalho. Segundo o presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), Aloysio Santos, essa liminar não libera a plataforma da interdição da ANP: — Para derrubar essa interdição, a Petrobras precisará recorrer administrativamente ou à Justiça Federal.
Segundo Santos, o tribunal ainda não recebeu recurso para cassar a liminar que suspendeu a interdição dos equipamentos.
A Advocacia Geral da União, a quem cabe recorrer, informou que ainda não foi notificada da decisão. O Ministério Público do Trabalho de Cabo Frio, que responde pelos processos em Macaé, recebeu ontem o dossiê dos petroleiros sobre a P-33.
— Ainda estamos analisando o dossiê, para saber que medida tomar — disse o procurador do trabalho Fabio Iglessia.
No Brasil, rede social para fins pessoais ainda ''dá lavada'' no uso corporativo
No Brasil, rede social para fins pessoais ainda ''dá lavada'' no uso corporativo
JULIANA CARPANEZ | Do UOL Tecnologia
Você já convenceu o chefe que passa o dia do Twitter por causa do trabalho. Agora, então, será preciso fazê-lo acreditar que você faz parte do universo de 16% dos internautas brasileiros que acessam as redes sociais com foco em objetivos profissionais. Os outros 84%, diz o estudo do Ibope Nielsen Online, admitem que o principal interesse em sites como Orkut, Facebook e Twitter é mesmo pessoal. As informações foram divulgadas nesta quinta (12), no evento “15 anos de internet – não dá para viver sem”, realizado em São Paulo pelo IAB (Interactive Adversing Bureau) Brasil.
Se o chefe não engolir a história, jogue então outro dado da pesquisa. Os usuários de redes sociais, diz o Ibope Nielsen Online, afirmam acessar esses sites, em 98% dos casos, quando estão em suas casas (agora, sim!). A porcentagem de acesso no trabalho chega a 34%, seguida por casa de amigos (17%), escola e faculdade (13%), lan houses e locais públicos (12%), celular pós-pago (10%), outros locais (7%) e celular pré-pago (6%).
Esse público é formado principalmente por homens: 54%. Quando os internautas foram questionados se acreditam que as redes sociais fornecem todas as informações necessárias para deixá-los atualizados com notícias de seu interesse, 33% disseram que sim (desses, 54% eram mulheres). No entanto, uma parcela menor (12%) afirmou que esses sites podem substituir os meios de comunicação tradicionais.
“Se o internauta segue os perfis de seu interesse no Twitter, por exemplo, já faz um filtro das informações que considera importantes receber. Seja de uma celebridade ou de um conhecido”, afirmou Fábia Juliasz, diretora-executiva do Ibope Nielsen Online. A pesquisa conclui que a recomendação e experiência compartilhadas em redes sociais têm muito mais valor que a publicidade.
O estudo considerou um universo de 22,3 milhões internautas do Brasil, com 18 anos ou mais. Desses, 20,7 milhões (ou 92%) usam redes sociais como Orkut, Facebook, Twitter, Hi5 ou Sonico.
Sobre Pais e Filhos
Sobre Pais e Filhos
THEÓFILO SILVA
A era dos filhos considerados bastardos ficou para trás. Durante muitos séculos foi uma cruel realidade que destruiu muitas vidas e criou categorias familiares diferenciadas. O filho “ilegítimo”, nascido fora do casamento, era excluído e estigmatizado. Sua existência, quando nascido na aristocracia, mexia com direitos de sucessão e abalava as monarquias. A quantidade de guerras causadas por esse motivo são bastante numerosas. A indissolubilidade do casamento, garantido pela Igreja, era um tabu e somente os poderosos, em algumas sociedades – Roma conhecia o divórcio - podiam se divorciar.
A campanha Pai Presente, iniciada esta semana pelo Conselho Nacional de Justiça com “o objetivo de identificar os pais que não reconhecem seus filhos e garantir que assumam suas responsabilidades, contribuindo para o crescimento psicológico e social dos filhos” é uma medida que merece todos os aplausos da sociedade brasileira. Uma pesquisa identificou que cinco milhões de brasileiros ostentam em sua carteira de identidade, no espaço Nome do Pai, o título de Pai Desconhecido ou apenas o nome da mãe. Nós sabemos do preconceito que sofrem essas pessoas, sendo chamadas de: “filho dessa” e “filho daquela” e o quanto elas sentem vergonha ao apresentarem seu RG para outrem.
Em São Paulo, um promotor de justiça pesquisou a origem familiar dos detentos da FEBEM, e constatou que mais de 80% dos jovens infratores não sabiam quem era seu pai. Esse promotor assumiu uma tarefa hercúlea, ele chamou as mães de quase 800 desses detentos e as fez identificar quem era o pai dos seus filhos. O resultado, é que ele descobriu os nomes dos pais em mais de 95% dos casos.
Na Inglaterra, basta uma mulher apontar um homem como pai de seu filho para que a lei o considere com tal. Caberá a esse homem provar o contrário. Os governos sabem da importância de termos uma identidade familiar e o quanto isso é importante para a formação da nossa personalidade. A desagregação familiar pode levar a desagregação social. E é um fato, que o conceito de família mudou assustadoramente nos últimos vinte anos, seja do ponto de vista biológico seja do ponto de vista de gênero sexual. Os papéis ficaram confusos. Ainda assim uma verdade permanece: toda criança tem um pai biológico.
Shakespeare diz que: “aquilo que prometemos no calor da paixão, acalmada a paixão é por nós abandonado”. Grande verdade, quando se trata do relacionamento entre duas pessoas que prometeram se amar eternamente,seja esse amor de curta ou longa duração. Só que essas promessas podem ser restritas apenas durante o ato sexual que pode ser por uma única vez, fortuita – o Bardo chama de: “trabalho de escada” - ou de uma relação de paixão ou de amor duradoura. O fruto dessa relação pode ser um filho, e o homem tem que se responsabilizar por isso. A leviandade ocorre dos dois lados: de ambos que não se protegem – é enorme a quantidade de contraceptivos – e muitas vezes o homem não quer assumir as responsabilidades de ser pai. O Estado e a sociedade que arquem com as responsabilidades de um filho sem pai, já que a situação da mãe é quase inescapável.
Medidas como essa do Conselho Nacional de Justiça têm um alcance social muito maior do que muitas medidas oriundas de politicagem. Cuidar da família, eis a grande tarefa. Todo filho, quando jovem, deve procurar seu pai e obrigá-lo a cuidar dele, é lei! Quem fez e quem pariu Mateus que o embale!
Theófilo Silva é articulista colaborador da Rádio do Moreno.
A economia dos EUA ainda na UTI
A economia dos EUA ainda na UTI
Luiz Carlos Mendonça de Barros FOLHA DE S. PAULO
O lado negativo é que o americano empregado está aumentando a parcela de sua renda que é poupada
Para os que -como eu- acreditam na recuperação da economia americana ao longo de 2010, os dados relativos ao segundo trimestre deste ano têm representado um teste muito duro.
Uma primeira lição que precisa ser tirada desse verdadeiro choque de realidade é que a recessão de agora é muito mais complexa do que as que a antecederam.
Mesmo para os que entendem a particularidade da crise atual, a resposta da economia aos estímulos monetários e fiscais tem sido mais lenta do que a esperada. Aliás, foi o próprio presidente do Fed que reconheceu isso ao falar aos congressistas americanos há poucos dias.
Mesmo à distância, podia-se sentir o grau de desapontamento de Ben Bernanke.
Mas o que aconteceu entre abril e junho deste ano que levou o mercado a apostar na volta da recessão nos EUA? Em primeiro lugar vamos a alguns fatos revelados pelas estatísticas econômicas desse período. O volume total de crédito para empresas e indivíduos está finalmente se estabilizando, mas a um nível 25% menor do que o verificado antes da crise.
A taxa de desemprego parece ter encontrado também certa estabilidade em um nível bem menor do que os analistas previam há um ano. Mas o número de americanos empregados hoje é quase 8 milhões menor do que o verificado antes da crise. Apesar disso, o total de rendimento do trabalho já é hoje superior ao que prevalecia na primeira metade de 2008. Isso ocorre porque os ganhos salariais dos empregados têm crescido a taxas superiores a 4% ao ano.
Mas o lado negativo da recuperação lenta e incerta é que o americano empregado está aumentando a parcela de sua renda que é poupada. Uma resposta racional ao alto índice de desemprego, que parece ser mais duradouro que nas recessões passadas. Com isso, apesar de o consumo das famílias já ter praticamente recuperado o nível anterior da crise, o crescimento dos gastos dos americanos tem sido bem menor do que o esperado.
Uma forma agregada de medir os gastos na economia americana é acompanhar o que se chama "vendas finais para compradores domésticos". Engloba as compras finais dos indivíduos, das empresas -inclusive os gastos com investimentos- e do setor público.
Uma forma agregada de medir os gastos na economia americana é acompanhar o que se chama "vendas finais para compradores domésticos". Engloba as compras finais dos indivíduos, das empresas -inclusive os gastos com investimentos- e do setor público.
Nesse número estão incluídos os bens e serviços produzidos internamente e os importados de outros países. Para isolar as importações, existe um indicador -chamado de "vendas finais de bens domésticos"- que trata apenas do que é produzido internamente.
Ao analisarmos esses dois indicadores é que temos a grande surpresa dos números do segundo trimestre deste ano a que me referi. Boa parte do aumento dos gastos dos americanos -empresas incluídas- foi atendida com bens importados.
Se isolarmos o comércio externo americano no período de abril a junho, o PIB teria crescido quase 3,5% ao ano. No mundo real das importações chinesas, o crescimento da economia americana pode ficar abaixo de 1% ao ano.
Esse vazamento da demanda americana para o exterior está sendo muito maior do que se previa anteriormente e, certamente, é uma das causas do desconforto do presidente do Fed em sua ida ao Congresso americano. Parte disso parece se dever a fatores pontuais, que podem ser revertidos em poucos meses. Mas a incerteza aumentou.
Hoje é possível fazer uma avaliação "ex-post" do impacto do pacote fiscal do governo Obama e dos efeitos da política monetária agressiva do Fed. Os efeitos positivos dessas ações são muito claros nos dados econômicos americanos. A demanda criada pelo setor público -gastos e redução de impostos- foi suficiente para compensar a retração do setor privado. Nos últimos meses, os gastos de empresas e consumidores voltaram a crescer de maneira tênue, mas sustentada.
Esse vazamento da demanda americana para o exterior está sendo muito maior do que se previa anteriormente e, certamente, é uma das causas do desconforto do presidente do Fed em sua ida ao Congresso americano. Parte disso parece se dever a fatores pontuais, que podem ser revertidos em poucos meses. Mas a incerteza aumentou.
Hoje é possível fazer uma avaliação "ex-post" do impacto do pacote fiscal do governo Obama e dos efeitos da política monetária agressiva do Fed. Os efeitos positivos dessas ações são muito claros nos dados econômicos americanos. A demanda criada pelo setor público -gastos e redução de impostos- foi suficiente para compensar a retração do setor privado. Nos últimos meses, os gastos de empresas e consumidores voltaram a crescer de maneira tênue, mas sustentada.
Mas, enquanto parte importante desses gastos for parar na Alemanha, na China e em outros países exportadores, o crescimento dos EUA ficará comprometido. E o risco de tensões políticas pode crescer. O crescimento da demanda nos países superavitários é crucial para sustentar o crescimento global no médio prazo. Qualquer evidência de retrocesso nessa área é preocupante.
Luiz Carlos Mendonça de Barros, 67, engenheiro e economista, é economista-chefe da Quest Investimentos. Foi presidente do BNDES e ministro das Comunicações (governo Fernando Henrique Cardoso). Escreve às sextas, quinzenalmente, nesta coluna.
O espetáculo da chuva de estrelas cadentes, que teve seu ápice na madrugada desta sexta-feira, mas ainda será visto no fim de semana
METEOROS NO CÉU
O espetáculo da chuva de estrelas cadentes, que teve seu ápice na madrugada desta sexta-feira, mas ainda será visto no fim de semana
Publicada em 13/08/2010 às 09h35m
Cesar Baima e agências internacionais
Numa praia de Cancun, o espetáculo da chuva de meteoros / Foto:Reuters
RIO - A chuva de meteoros das Perseidas, uma das mais significativas do ano, atingiu seu auge na madrugada desta sexta-feira. Segundo a Sociedade Astronômica Real, da Grã-Bretanha, até cem meteoros puderam ser vistos riscando o céu a cada hora. Mas, até este fim de semana, ainda será possível observar no céu um número bem maior do que o normal das chamadas estrelas cadentes, preveem cientistas. Isso porque, desde o fim de julho, a Terra atravessa uma larga trilha de poeira e destroços deixada para trás pelo cometa Swift-Tuttle, que a cada 133 anos, aproximadamente, visita a região interna do Sistema Solar em sua longa órbita ao redor do Sol. Sua última passagem foi registrada em 1992 e a próxima está prevista para 2126, quando deverá passar tão perto do planeta que será visível a olho nu.
No Rio de Janeiro, a constelação aparece apenas de madrugada , bem próxima do horizonte, na direção norte-nordeste. Os melhores lugares para ver a chuva são a mureta da Urca (procure olhar para o fim da POnte Rio-Niterói) e no início do Aterro do Flamengo (volte-se para a direção da pista do Aeroporto Santos Dumont.
O nome da chuva de meteoros vem da constelação de Perseu, dentro da qual fica um ponto imaginário, chamado radiante, de onde os riscos no céu aparentam vir. Como Perseu é uma constelação típica do Hemisfério Norte, o show das Perseidas não é tão impressionante na parte sul da Terra. Ainda assim, o fenômeno poderá ser visto no Brasil. No Rio, nas próximas madrugadas, deve-se procurar próxima ao horizonte, na direção norte-nordeste, uma constelação na forma de um "W" (Cassiopeia). Perseu e o radiante das Perseidas estarão logo abaixo e à direita. Outra dica é procurar a constelação das Plêiades, também conhecidas como "As sete irmãs". Neste caso, Perseu e o radiante estarão abaixo e à esquerda.
- Perseu vai estar muito baixo no horizonte para nós, mas ainda assim vamos conseguir ver a chuva de meteoros. A primeira coisa a se fazer é procurar um lugar com uma vista livre do horizonte na sua direção, sem prédios ou montanhas - indica Leandro Guedes, astrônomo da Fundação Planetário do Rio.
Mas ter a vista livre - e sem nuvens - não basta para melhor aproveitar o espetáculo. Também deve-se procurar um lugar afastado das cidades, ou então um com o mínimo de poluição luminosa possível. Evite ficar perto de postes de luz, refletores ou outras fontes que atrapalhem a gradual adaptação dos olhos à escuridão, que pode levar até uma hora.
Outra dica é encontrar uma posição confortável para observar a chuva, que neste caso, por ter o radiante próximo do horizonte, deverá ser sentado ou em pé. Mais uma boa estratégia é escolher uma estrela não muito brilhante próxima do radiante e fixar seu olhar nela. Com o tempo, as demais estrelas parecerão "sumir", o que tornará mais fácil notar alterações no céu, que serão justamente os meteoros riscando a atmosfera.
De acordo com o astrônomo, para os brasileiros as chuvas de meteoros mais interessante de se ver ainda vão acontecer este ano. São elas as Orionídeas, em outubro, e a chuva dos Leonídeos, em novembro. Em ambas, porém, a taxa costuma ser bem menor que nas Perseidas, em geral de 25 a 30 por hora.
A VANTAGEM DE ADERIR
A VANTAGEM DE ADERIR
Carlos Chagas
A propósito, vai uma historinha a mais de Tancredo Neves. Logo depois de tomar posse no governo de Minas, seu secretário de Planejamento, Ronaldo Costa Couto, entrou preocupado no gabinete do chefe, informando da uma verdadeira conspiração na bancada mineira, com apoio até de muitos deputados do PMDB. Iam apresentar no Congresso projeto criando o Estado do Triângulo, separando da matriz aquela sucursal tão rica e promissora. Daquela vez seria para valer, apesar de tentativas anteriores malogradas.
Tancredo não se perturbou e o respeitado assessor exasperou-se, indagando se ele não estava percebendo o perigo que seria a separação, tanto em termos administrativos quanto políticos. Recomendando calma, o governador afirmou já estar preparado para aquele golpe, dispondo de solução tão eficaz quanto imediata.
“Qual?”
“Ora, assim que o Congresso aprovar a criação do novo estado, vamos aderir a ele, pedindo que o Triângulo aceite a incorporação...”
Coincidência ou não, a proposta foi abandonada e Minas continua uma e indivisível, até hoje.
De Adhemar de Barros a Lula
De Adhemar de Barros a Lula
Por Villas-Bôas Corrêa – Jornal do Brasil
Pançudo, língua solta, com grande consumo de palavrões, o ex-governador de São Paulo Adhemar de Barros, candidato crônico à Presidência da República, foi dos tipos mais contrastantes do modelo clássico nos seus muitos anos de militância.
Nas suas constantes viagens ao Rio, então capital do Brasil, era a garantia de manchete nos vespertinos espalhafatosos, com as entrevistas sem papas na língua. Hóspede dos apartamentos do anexo do Copacabana Palace Hotel, nos últimos anos de militância, trocou o mais luxuoso hotel da então capital por um apartamento na Glória, modestamente mobiliado, onde recebia os visitantes nu, em pelo. Assim o encontrei várias vezes, uma em que subi no mesmo elevador com o então vice-presidente Café Filho, no governo do presidente Getulio Vargas.
Tocamos a campainha e fomos anunciados ao ilustre governador paulista e presidente do PSP, o Partido Social Progressista. Adhemar não estava nu. Mas, sentado numa cadeira de balanço, com uma calça de pijama amarfanhada com sinais de muito uso, e uma jovem gorducha e seminua montada nas suas pernas. Percebendo o constrangimento do vice-presidente Café Filho, empurrou a amante com um pé nas nádegas e o comentário: “O nosso vice é muito envergonhado para ver certas coisas”. Com a calça de pijama, o peito desnudo e descalço, atendeu o vice-presidente, por ele indicado ao candidato Getulio Vargas na sua volta à Presidência da República, na sucessão do presidente Dutra, em 31 de janeiro de 1951.
Tocamos a campainha e fomos anunciados ao ilustre governador paulista e presidente do PSP, o Partido Social Progressista. Adhemar não estava nu. Mas, sentado numa cadeira de balanço, com uma calça de pijama amarfanhada com sinais de muito uso, e uma jovem gorducha e seminua montada nas suas pernas. Percebendo o constrangimento do vice-presidente Café Filho, empurrou a amante com um pé nas nádegas e o comentário: “O nosso vice é muito envergonhado para ver certas coisas”. Com a calça de pijama, o peito desnudo e descalço, atendeu o vice-presidente, por ele indicado ao candidato Getulio Vargas na sua volta à Presidência da República, na sucessão do presidente Dutra, em 31 de janeiro de 1951.
Na calçada do Copacabana, recebeu alguns repórteres para uma rápida entrevista. E lá pelas tantas, explicou como exercitava a sua liderança: “O líder é o que aponta o caminho”. Apontou para um ponto com o dedo e com a voz de comando: “É por aqui, macacada”.
Não foi obedecido pelo eleitor, apesar da grande votação. E morreu praticamente esquecido, depois de percorrer o áspero caminho da decadência.
Não seria justo comparar o governador Adhemar de Barros com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Exceto em alguns cacoetes de líder no relacionamento com o seu desprezado Partido dos Trabalhadores, ao mesmo tempo mimado com empregos, sinecuras e outras benesses e, agora, na imposição da candidatura de Dilma Rousseff para a sua sucessão, com o toque de ineditismo da estreia sem nunca ter disputado nenhum cargo eletivo, nem de suplente de vereadora. Os notórios aspirantes do PT não foram ouvidos nem comunicados. A pílula amarga teve que ser engolida em seco, sem fazer careta, o riso forçado de quem engole café sem açúcar.
Nos solavancos da campanha, as denúncias da orgia de gastança com os cartões corporativos, dispensados da prestação de contas, um novo cacoete de discutível moralidade, mais um pouco, e será um carbono do estilo do Adhemar de Barros, que o sucessor Jânio Quadros explorava nos comícios da campanha, apontando para uma gaiola com um rato.
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