sábado, agosto 14, 2010
NOVO PERFIL Advocacia é mais conciliadora e entende de negócios
NOVO PERFIL
Advocacia é mais conciliadora e entende de negócios
ALESSANDRO CRISTO, CESAR DE OLIVEIRA E MARIANA GHIRELLO
Ainda que não haja unanimidade entre os profissionais do Direito sobre os rumos da profissão, é praticamente impossível encontrar algum deles que não aposte cada vez mais na conciliação, mediação e arbitragem. Mesmo diante de uma série de mudanças no Judiciário, cujo principal objetivo é dar mais agilidade às ações, muitos operadores do Direito têm caminhado no sentido de evitar que os casos sejam resolvidos somente com a palavra final do juiz numa sentença.
Essa é a principal reflexão que pode ser feita nesta quarta-feira (11/8), Dia do Advogado, sobre o futuro da profissão. Assim como muitas outras áreas, a atuação destes profissionais tem passado por uma série de transformações nos últimos anos e deverá continuar mudando numa velocidade cada vez mais vertiginosa, da mesma forma que a sociedade, graças, sobretudo, à tecnologia, que tem influenciado todos os segmentos profissionais e pessoais da humanidade.
Num exercício de previsão e reflexão, a Consultor Jurídico ouviu pessoas ligadas à área para traçar um panorama do futuro da profissão, apesar de ser impossível delinear somente um cenário ou caminho quando se está falando do que está por vir, mesmo que existam muitos indícios apontando para certas tendências.
Para a consultora jurídica Lara Selem, a principal mudança será no perfil do profissional, que terá de acumular conhecimento para poder se destacar e fazer um bom trabalho. "O bom advogado, além de dominar o Direito, terá de entender a área de atuação do seu cliente. Esse acúmulo de informação é uma tendência, e todos terão de se manter atualizados para conseguir destaque", comenta.
O headhunter da Laurence Simons (empresa de recrutamento especializado),Pedro Amaral Dinkhuysen, segue no mesmo sentido. "Meus clientes pedem para eu contratar advogados que não tenham perfil de advogado. Eles precisam ser mais dinâmicos do que o profissional acostumado a atuar apenas no contencioso", explica. Dinkhuysen afirma que nos últimos tempos o advogado ganhou mais importância, tanto nos escritórios quanto nos departamentos jurídicos. "Ele deixa de ser um gasto e passa a ser um profissional que também tem que apresentar resultado na lucratividade da empresa", acrescenta.
O headhunter Fabio Solomon, da Michel Page, também analisa essa mudança de perfil e comportamento do profissional no mercado. "Hoje, o empresário espera do advogado uma atuação de prestador de serviços como outro qualquer. Ele precisa ter um foco no cliente, que não quer um parecer de cinquenta páginas sobre o risco que corre ao lançar um novo produto no mercado, mas sim um e-mail com cinco linhas no máximo", afirma. Para ele, o advogado agora é um parceiro da empresa.
No mesmo sentido de Solomon, Lara afirma que, assim como em outras áreas, na advocacia o trabalho em equipe será cada vez mais necessário e valorizado, porque os escritórios terão de delegar funções bem específicas para os profissionais. Segundo a consultora, o fundamental será o compartilhamento de informação entre todos os envolvidos no trabalho, mesmo que não esteja atuando diretamente num determinado caso.
"Outra coisa que precisa ser dita é em relação à tendência ao consultivo. Essa mudança de foco já está ocorrendo e deve se intensificar daqui para frente, totalmente aliada à postura desse novo advogado que surge no mercado", comenta. Lara reforça a necessidade de que o profissional desenvolva habilidades que não estejam necessariamente ligadas ao Direito, como melhorar a comunicação. "É uma nova realidade que se desenha no sentido de o advogado atuar em âmbitos pouco explorados até então, saindo um pouco do Judiciário. Por esse motivo, será fundamental que ele se mantenha atualizado e muito bem preparado."
Contexto econômico
O tão propalado mercado está em todos os lugares, áreas e segmentos. Os profissionais são unânimes em afirmar que o advogado está presente em qualquer ramo atualmente, com o diferencial que pode tirar vantagem e se beneficiar de qualquer momento da economia.
Dinkhuysen cita como exemplo a Copa do Mundo e as Olimpíadas, que ocorrerão no Brasil. "Com os investimentos para esses eventos, muitos estrangeiros estão apostando no Brasil, mas para isso acontecer são necessários tanto advogados estrangeiros quanto brasileiros. O mercado está aquecido e as empresas nunca precisaram tanto de advogados", diz. Segundo o especialista, os profissionais da área de infraestrutura terão muito trabalho daqui em diante.
De acordo com Salomon, o advogado antes tinha uma postura de emperrar novidades na atuação da empresa ao citar os riscos, e agora é necessário para garantir a viabilidade de projetos. Para o headhunter, o advogado do futuro será mais empresário, ou seja, um executivo com conhecimentos jurídicos. E as áreas do futuro são societário, fusões e aquisições, bancário mercado de capitais, imobiliário e infraestrutura.
Ele diz ainda que tributaristas sempre tiveram e sempre terão espaço de sobra no mercado. "Assim como o advogado passa a gerar lucro para a empresa, o especialista em Direito Tributário se torna uma figura essencial neste cenário. Ele precisa orientar a empresa a pagar corretamente os tributos e de que forma ele podem pesar menos nos custos da empresa."
Formação
Com todas as mudanças que ocorreram, estão em andamento e devem vir, os entrevistados também concordam que o papel das faculdades e universidades é essencial para preparar esse novo profissional, que irá se adequar melhor às necessidades da profissão. Lara Salem afirma que ainda hoje as escolas formam com foco no contencioso. "A afirmação dessa tendência vai demandar que os responsáveis pela formação dos advogados se voltem para isso, porque nesse momento da formação é essencial que o profissional comece a exercitar as habilidades relacionadas à conciliação."
Dinkhuysen constata que a quantidade de faculdades de Direito não está necessariamente ligada à qualidade do ensino. Para ele, o advogado que não fale outro idioma além da língua portuguesa, dificilmente terá boas chances no mercado. "Além disso, o exame de OAB apenas tapa o sol com a peneira, porque considero injusto que pessoas gastem tempo e dinheiro cursando uma graduação e depois não possam exercer a profissão, pois não tiveram condições de passar pela prova. O ensino não é adequado para a necessidade futura do país", diz.
Salomon destaca que o ensino precisa também concentrar esforços no desenvolvimento de habilidades correlatas ao Direito, como administração e gestão de pessoas, que estão diretamente ligadas ao exercício da profissão e ao dia a dia do advogado. "O aluno não aprende na faculdade a gerir seu escritório, muito menos pessoas. Ninguém menciona o que um advogado de empresa faz, por exemplo", critica.
Outra demanda atual que as faculdades precisam correr atrás para suprir é em relação à formação negocial do advogado, o que foge ao perfil litigioso. Na opinião do advogado Pedro Gordilho, o profissional aprende com o tempo a resolver conflitos pelo acordo e não pela via judicial, mas o recém-formado não tem essa característica. "As faculdades precisam incluir nos currículos noções de conciliação", diz. Segundo ele, nos últimos anos, a atividade consultiva e preventiva vem ganhando espaço no mercado.
Outro ponto que merece retoques, como afirma o headhunter Pedro Dinkhuysen, é a Lei de Estágio. "Ela dificulta a entrada de estagiários no mercado porque limita em no máximo seis horas o período de trabalho, mas uma ida até o Fórum leva praticamente isso."
Morgana Richa, integrante do Conselho Nacional de Justiça, também considera que, na faculdade, o advogado é preparado somente para o litígio. "Durante os cinco anos da faculdade eles são instruídos e formados dentro do processo que vai absorver a lide e a solução coercitiva por parte do Estado. É preciso repensar uma grade, um programa de formação que inclua mecanismos alternativos, como mediação e arbitragem, que são formas que estão no Direito Comparado desde os anos 1980."
Ela diz ser preciso que, por meio dessas políticas públicas e pelas atividades incorporadas na agenda dos tribunais, se mude essa mentalidade. "Em paralelo, a comunidade jurídica, junto com as instituições das associações de advogados e das universidades, em especial, têm de promover uma mudança de viés para que se usem as formas alternativas."
Sakineh: vaivém de versões entre Brasil e Irã
Sakineh: vaivém de versões entre Brasil e Irã
Renata Malkes e Donizeti Costa O GLOBO
Chanceler Amorim e embaixador em Teerã reafirmam que Itamaraty fez oferta de asilo a iraniana condenada
RIO e SÃO PAULO. Mesmo tentando se esquivar de uma saia justa diplomática, o governo brasileiro reafirmou que houve, sim, uma proposta oficial apresentada ao Irã oferecendo asilo à prisioneira Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada à morte por adultério e suposto assassinato de seu marido. Tanto o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, quanto o embaixador brasileiro em Teerã, Antônio Salgado, confirmaram que a oferta foi feita ainda que não haja documentos por escrito comprovando a iniciativa.
A versão contraria o embaixador iraniano em Brasília, Mohsen Shaterzadeh, que garante que seu país não recebeu qualquer proposta brasileira oficial.
mdash; Quando você concede o agreement (autorização) para o embaixador, a coisa mais vital para os estados, concede verbalmente, não precisa de nota disse Amorim. Quando um embaixador vai comunicar algo que o presidente já tinha dito (Lula afirmara, num comício, a intenção de receber Sakineh), para nós é uma formalização explicou ele, no Instituto de Estudos Avançados da USP.
O embaixador do Brasil em Teerã, Antônio Salgado, reiterou a versão do Itamaraty. Segundo o diplomata, a comunicação oficial foi feita na semana passada ao Ministério de Assuntos Estrangeiros do Irã, num encontro com o vice-ministro para assuntos das Américas, embaixador Ahmad Sobhani. A proposta foi feita oralmente, sem qualquer documento endereçado à república islâmica o que, segundo o embaixador, não diminui o peso da mensagem.
Eles já tinham conhecimento do caso através da imprensa e receberam a proposta com serenidade contou Salgado ao GLOBO, por telefone.
Para nós, a coisa é muito simples: fizemos um gesto e precisamos esperar a resposta. A bola está no campo dos iranianos.
Apesar de exposta a diferença no entendimento protocolar entre os dois países, o Itamaraty nega qualquer mal-estar com Teerã e vice-versa. Adotando uma estratégia amigável, em Brasília, o embaixador iraniano evitou novas polêmicas sobre o caso Sakineh, mas ressaltou que o Irã defenderá a presença do Brasil em qualquer negociação sobre seu programa nuclear.
O presidente Lula traz a esperança e o apoio dos países em desenvolvimento à discussão afirmou Shaterzadeh.
Enquanto cresce o temor de que Sakineh seja executada a qualquer momento, o jornal britânico Guardian sugeriu ontem que a repercussão mundial do caso esteja levando o Irã a rever penas impostas a outras condenadas. O diário cita Mariam Ghorbanzadeh, de 25 anos. Inicialmente condenada ao apedrejamento por adultério, a jovem, que abortou após ser espancada na cadeia, teve a sentença mudada para enforcamento.
Intelectualismo como fuga da vida
Intelectualismo como fuga da vida
Rodrigo Constantino
O homem mesmo se denominou homo sapiens, de forma um tanto arrogante. Sim, está claro que somente os humanos desfrutam da potente capacidade racional da mente, por meio de sua autoconsciência e raciocínio lógico-dedutivo. E que ferramenta fantástica! A razão é sem dúvida aquilo que mais nos diferencia dos demais animais. Mas, e quanto aquilo que nos aproxima deles? Por que evitar ou jogar no lixo? Por que achar que são menos humanos os “instintos” animais responsáveis por nossas paixões? Será que faz sentido cortar o homem em duas partes, mente e corpo, e ainda por cima alçar uma ao pedestal de deusa, atirando a outra no fogo?
Em seu magnífico livro Contraponto, Aldous Huxley fala, por meio do personagem Rampion, sobre esse assunto, de forma bastante apaixonada – como não poderia deixar de ser. Para Rampion, a “alma consciente quer mal às atividades da parte inconsciente, física e instintiva do ser total”. Ele continua: “A vida de uma é a morte de outra e vice-versa. Mas o homem são de espírito pelo menos procura guardar o equilíbrio. Os cristãos, que não eram sãos de espírito, disseram às gentes que elas deviam lançar uma metade de si mesmas na lata do lixo. E agora os cientistas e os homens de negócio vieram para nos dizer que devemos jogar fora a metade que os cristãos nos deixaram. Prefiro ficar vivo, inteiramente vivo. É tempo de fazer uma revolta a favor da vida e da plenitude”.
Escrito em 1928, o livro captura bem a essência das diferenças entre a vida de um Rampion e de um típico “intelectual puro”, Philip Quarles. O interessante é que o próprio Quarles tinha noção disso, e relata em seu caderno de notas: “A companhia de Rampion me deprime um pouco; porque ele me faz ver quão grande é o abismo cavado entre o conhecimento da evidência e o simples fato de vivê-la realmente. Ah! Que dificuldades há para transpor esse abismo! Percebo agora que o verdadeiro encanto da vida intelectual – da vida consagrada à erudição, à pesquisa científica, à filosofia, à estética, à crítica – é a sua facilidade. É a substituição de simples esquemas intelectuais em lugar das complicações da realidade; da morte silenciosa e rígida em lugar dos movimentos desconcertantes da vida”.
Quarles descobre então que o “intelectualismo” não passa de uma fuga também, como tantas outras que os homens inventam para o desespero de uma vida sem muito sentido lógico: “A corrida para os livros e para as universidades lembra a corrida para as tavernas. Essa gente necessita afogar a consciência das dificuldades que há em viver decentemente neste grotesco mundo contemporâneo; têm necessidade de esquecer a sua deplorável insuficiência como cultivadores da arte de viver. Uns afogam suas tristezas no álcool, mas outros, ainda mais numerosos, as afogam nos livros e no diletantismo artístico; uns procuram achar o esquecimento de si mesmos na libertinagem, na dança, no cinema, no rádio; outros nas conferências e nas ocupações científicas”. Ele passa a ver a “procura pela verdade” não mais como a tarefa nobre dos homens, mas simplesmente como um “divertimento, uma distração como todas as outras”.
As revelações pessoais vão além na mente de Quarles: “Percebi igualmente que a busca da verdade não passa de um nome polido para designar o passatempo favorito dos intelectuais, que consiste em substituir por abstrações simples, e por conseguinte falsas, as complexidades vivas da realidade”. E, para concluir sua descoberta, faz uma pergunta retórica, cuja resposta ele já sabe antes: “Terei algum dia bastante força de espírito para me livrar desses hábitos indolentes de intelectualismo e para consagrar minha energia à tarefa mais séria e mais difícil de viver integralmente?”
O personagem de Philip Quarles era desapegado de fortes emoções, um novelista frio, que analisava o mundo de forma sempre impessoal e abstrata, para o desespero de sua esposa, que desejava ardentemente uma prova de vida, de paixão do seu marido (ainda que fosse com outra!). Entretanto, o curioso era sua própria consciência disso tudo, inclusive da demanda de sua mulher, que ele não conseguia atender pela consciência da artificialidade que seria seu ato “apaixonado” consciente. Em suas reflexões, ele mesmo escreve: “Por esta supressão das relações emotivas e da piedade natural, parece-lhe (ao intelectualista) ter atingido a liberdade – a liberdade com relação à sentimentalidade, ao irracional, à paixão, ao impulso, à emotividade”. E dispara: “Sua razão permaneceu livre – mas para se ocupar somente com uma pequena fração dos fatos da experiência”. Essa vida simplesmente intelectual era mais fácil, pois evita os outros seres humanos.
Rampion, que não tinha papas na língua, jogava a realidade crua com violência na cara do amigo: “Nossa verdade, a verdade humana que nos interessa, é uma coisa que se descobre vivendo, vivendo completamente, com a totalidade do nosso ser. Os resultados dos divertimentos de vocês, Philip, todas essas famosas teorias sobre o cosmo e todas as suas aplicações práticas não têm absolutamente nada que ver com a única verdade que nos importa. E a verdade inumana não é meramente alheia a nós; é perigosa. Ela distrai a atenção de cada um da importante verdade humana. Ela os faz falsificar a sua própria experiência, a fim de que a realidade vivida possa ajustar-se à teoria abstrata”.
Na tentativa de criar algo mais que humano, acabamos menos que humanos, era a conclusão de Rampion. A cabeça até pode voar pelas nuvens, com a condição dos pés ficarem firmes no chão. É quando as pessoas se empenham em voar o tempo todo que vem a destruição. “Têm a ambição de ser anjos; mas o mais que conseguem ser são cucos e gansos, por um lado, ou então abutres repugnantes e corvos carniceiros, por outro”. Para Rampion, o homem não é anjo nem diabo, mas homem, um ser que “anda sobre uma corda esticada, que caminha sobre ela delicada, equilibradamente, tendo, numa das extremidades da vara que lhe dá estabilidade, o espírito, a consciência, a alma, e na outra extremidade o instinto e tudo o que é inconsciente, tudo o que é terreno e misterioso”.
Do ponto de vista puramente lógico, isso pode ser um contra-senso. Mas para Rampion, eis justamente o ponto fundamental: “a lógica é um simples contra-senso também à luz da verdade viva”. Para ele, pode-se escolher a que se quiser – a lógica ou a vida. “É questão de gosto. Algumas pessoas preferem ser cadáveres”. Entre bestas e anjos, o segredo estaria em buscar o equilíbrio. O intelectualismo puro seria apenas mais uma forma de fuga da vida humana.
O FILME EM 35 MM MAIS ANTIGO DO MUNDO
O FILME EM 35 MM MAIS ANTIGO DO MUNDO
Imperdível ! Fantástico !
O filme em 35 m/m mais antigo do mundo; rodado em San Francisco USA a partir de uma câmera montada na frente de um bonde em 1906, poucos meses antes do grande terremoto que destruiu virtualmente toda a cidade! O fascinante neste vídeo é poder observar a grande avenida e seu trafego de bondes, veículos, carroças, cavalos na mais completa balburdia !
As pessoas são exemplos de perfeita inspiração para um quadro de Toulouse Lautrec, desfilando seus trajes com os indefectíveis chapéus, desprezando as regras de como transitar no meio daquela “babilônia” ! Pela roupagem e pela quantidade de gente, carroças, carruagens, automóveis, cavalos e bicicletas presentes na filmagem, é provável que toda a população local tenha sido avisada e convocada para participar do evento. Reparem o detalhe: a linha eletrificada dos bondes é no subsolo entre os dois trilhos ficando desta forma preservada a “beleza da paisagem” e não se vê redes aéreas de energia embora os bondes que transitam transversalmente tenham seus cabos elétricos suspensos dando a impressão de linhas aéreas elétricas transversais.
Um crítico à voga atual de falar mal de deus
Um crítico à voga atual de falar mal de deus
O pensador britânico Terry Eagleton, de quem estão saindo no Brasil dois novos títulos, investe contra o ateísmo da moda e diz que o desafio do Ocidente, hoje, é um ''inimigo sem rosto'': o Islã
14 de agosto de 2010 | 0h 00
Laura Greenhalgh - O Estado de S.Paulo
Evite perguntar ao filósofo e crítico literário inglês Terry Eagleton o que ele pensa da revolução tecnológica que atravessamos. Ele pode pensar que tem aí algo pessoal. Nascido em Salford, na região de Manchester, mas descendente de irlandeses, Eagleton não navega na internet, não tem email, não carrega celular e usa o computador só como máquina de escrever. Para se comunicar com alunos e editores, escreve cartas. Se descobrisse as facilidades do "tempo real", seus inimigos acadêmicos estariam fritos: Eagleton adora uma polêmica e é bom na artilharia verbal.
Seu alvo no momento é o biólogo evolucionista Richard Dawkins, autor de Deus - Um Delírio (Companhia das Letras, tradução de Fernanda Ravagnani). Em sua recente passagem pela Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), Eagleton alfinetou-o à vontade diante do público. Mas nesta entrevista, vê-se que não é bem Dawkins o alvo das críticas, mas um ateísmo que virou voga literária, com vários representantes, e que não responde a uma pergunta crucial: afinal, por que Deus entrou na agenda?
Católico desde o berço e marxista desde a escola, Eagleton se debruça sobre esta questão em O Problema dos Desconhecidos - Um Estudo da Ética (Civilização Brasileira), que chega agora às livrarias. "Alguns de meus amigos e leitores ficarão desolados ao me verem desperdiçar meu tempo com a teologia", ironiza o pensador formado nas boas universidades britânicas, a pura tradição "Oxbridge", mas ainda um enfant terrible aos 67 anos. Acha que o grande desafio do Ocidente, hoje, é lidar com um inimigo "sem rosto", profundamente metafísico e exato: o Islã. E que, em vez de desacreditar Deus e fomentar a islamofobia, é tempo de recuperar o melhor das tradições socialistas e judaico-cristãs, gerando pensamento ético. Para quem duvida que um marxista convicto possa se interessar por religião, a contraprova está feita: Eagleton também acaba de lançar no Brasil Jesus Cristo - Os Evangelhos (Zahar), em que discute se seu personagem-central era, ou não, um revolucionário.
O senhor nasceu, cresceu e se formou em ambiente católico. Depois se aproximou do marxismo, que ainda lhe fornece ferramentas de análise. Como combinar Deus e Marx? Meus críticos dizem que é fácil sair de um extremo para o outro. E digo que o difícil, mesmo, é passar de um para outro, sem cair nas tentações do liberalismo (risos). Quando eu estudava em Cambridge, nos anos 60, me envolvi com a esquerda cristã, e isso tinha a ver com as minhas origens: família irlandesa, de operários, gente que frequentava igreja, então provei um catolicismo radical. O problema é que fomos prematuros. Começamos a fazer barulho quando o Concílio Vaticano 2 estava acontecendo e não tínhamos suporte, nem interlocução. Nós nos antecipamos inclusive à Teologia da Libertação, que vocês conheceram bem na América Latina. Seja como for, essa experiência também acabou influenciando nomes como Alain Badiou, Slavoj Zizek, Jürgen Habermas.
E hoje deixou de existir? Posso dizer que continuo influenciado por uma teologia que empurra meu trabalho para frente, intelectualmente falando. Porque o discurso teológico é capaz de formular grandes questões. Vem dele meu interesse pelo estudo das tragédias humanas.
Por que as tragédias interessam ao senhor? Meus estudos me levam a distinguir dois tipos de humanismo: o liberal e o trágico. O humanismo liberal diz que, para que algo ou alguém floresçam, é preciso remover obstáculos. Daí se chega à liberdade, ao progresso, à felicidade. O humanismo trágico é de outra ordem. Operando tanto no plano individual quanto no social, ele promove rupturas e recomposições. Destruir para erguer de novo. Nesse sentido, a crucificação e a ressurreição de Jesus são exemplo de humanismo trágico. Não se trata de mergulhar no desespero pela morte, mas de atravessar esse momento guiado pela fé. Claro, hoje vivemos sob o domínio do humanismo liberal.
São conhecidas suas críticas a Dawkins. Mas eu lhe perguntaria: há uma moda literária de questionar Deus, tal como fazem os escritores Christopher Hitchens, Sam Harris, o próprio Dawkins? Sim. Mas a pergunta que faço vai além: por que nesse mundo secular, pós-teológico, pós-histórico, pós-metafísico e pós-moderno, passamos a falar tanto em Deus? O que acontece? Por que Deus entrou na agenda?
E o senhor tem a resposta? Uma resposta possível tem a ver com a emergência do Islã. O Ocidente se vê diante de um "inimigo" que é profundamente metafísico e exato. E isso o deixa desarmado em termos ideológicos, até porque fica complicado para uma civilização materialista, racionalista, relativista e mercadológica, como a nossa, entender como essa "gente sem-rosto" vive e morre pela fé. E fé não é o que move a nossa sociedade. Então, não posso entender esse interesse por Deus como uma questão meramente religiosa, mas dentro de um contexto histórico maior. Se quiser uma resposta rápida, diria que esses autores anti-Deus surgiram em 11 de setembro de 2001. Foi quando Deus entrou na agenda.
Entrou na agenda com data, hora e local? Mais ou menos. Tomo o 11 de setembro de 2001 como marco da aparição de um absolutismo metafísico que colocou o Ocidente em xeque. Esses autores de que estamos falando sabem que não podem criticar o mundo islâmico da maneira que o fariam em relação ao radicalismo islâmico, mas Hitchens e sua turma colocam tudo no mesmo saco, atravessam a linha divisória entre uma coisa e outra, e alimentam a islamofobia. Na Inglaterra ao menos, ela se instala num espectro político bem definido: vem da direita para o centro, atingindo a produção literária. Acaba sendo disseminada pelos liberais que se dizem defensores da tolerância religiosa, que ironia... A meu ver estamos diante de um novo suprematismo cultural no Ocidente, afinado com o discurso ideológico da guerra contra o terror. E Dawkins, que é um liberal respeitável, inclusive se manifestou contra a intervenção no Iraque, está no fundo contribuindo com a ideologia da guerra, ao investir de forma tão alucinada contra Deus.
E o debate criacionismo X evolucionismo? Tem a ver com a confusão desses autores. A ideia de Deus não está atrelada ao surgimento do mundo. Quando o mundo começa efetivamente é pergunta para os cientistas, não para os teólogos. Até São Tomás de Aquino sabia disso. Não podemos aceitar falsos embates entre teologia e ciência. Isso tanto é verdade que a maioria dos cristãos aceita a teoria da evolução sem problemas. Mas daí vem Dawkins e diz que os cristãos não aceitam! Sei que ele é bom cientista, sabe comunicar, tem livros importantes, mas é um racionalista old fashion. Pensa o progresso com cabeça do século 19, como se as guerras mundiais não tivessem acontecido, como se não tivéssemos passado por Auschwitz, comete erros embaraçosos ao escrever sobre raças.
Devemos muito à cultura islâmica, mas lhe demos as costas por séculos, no processo de ocidentalização. O futuro prevê a revanche? Não sou bom de previsões (risos). Mas sempre a melhor imagem de futuro é a da falência do presente. Futuro é o esgotamento do aqui/agora. E profeta não é quem vislumbra o porvir, mas aquele que diz "olha, se você mudar e acertar o passo, vai chegar lá". Por exemplo, Marx foi profético ao apontar as trincas do seu tempo. Ao falar dos meios de produção, não estava só ligado no mundo do trabalho, mas, ao contrário, no tempo de lazer das pessoas. E não é o que nos desafia hoje? Acabei de colocar ponto final num livro sobre Marx em que questiono algumas de suas visões, numa espécie de criticismo positivo. Não é porque Freud, Darwin ou Marx deixaram obras relevantes que estejam imunes à crítica.
Seu livro mais conhecido, Teoria Literária: Uma Introdução, tem várias traduções, foi bem vendido e virou obra de referência. O sr. pensa em nova edição? Fiz nova edição anos atrás e não tenho planos para outra. Na verdade, estou trabalhando em um livro que retoma algumas questões do Teoria Literária. É curioso: meu livro foi muito mais conhecido no passado do que hoje. Por quê? Vejamos a situação da intelligentsia. Lá nos anos 60, 70, os intelectuais se debatiam com correntes de pensamento, o estruturalismo, o funcionalismo, o pós-estruturalismo, o marxismo, enfim havia uma atmosfera intelectual ambiciosa. Fomos em direção a um tempo pós-teórico e pós-moderno a partir dos anos 80. E ficamos menos ambiciosos do ponto de vista intelectual. Já percebeu como as pessoas não estão interessadas em formular questões fundamentais?
Seria preguiça intelectual? Não é bem isso. As pessoas formulam grandes questões quando sentem que há chance de mudança lá na frente. Hoje as visões ficaram estreitas e de curto prazo, justamente quando o mundo mais se globaliza. A intelligentsia se retraiu, consequentemente a teoria literária, também. Perdemos o nervo que nos fazia ousar. Meus alunos hoje só se interessam por cultura popular. Ou pela cultura da política, não pela política. Exemplo: são pós-feministas, não querem saber do potencial transformador que o movimento de liberação da mulher teve nos anos 60. Lá atrás discutir sexualidade era algo político. Hoje é cultural.
Afinal, professor, isso é ruim? Cultura é um jogo de identificações no qual as pessoas até matam ou morrem pelo que acreditam. No Texas caçam e atacam defensores do aborto: isso é político? Não, mas mobiliza a opinião pública. E por que as pessoas não se interessam pela política? Pelo fato de que a política não se interessa por elas. Só que a cultura pode muito bem flertar com o totalitarismo, especialmente se vier a ocupar um lugar que não é seu.
O PROBLEMA DOS DESCONHECIDOS
Autor: Terry Eagleton
Tradutora: Vera Ribeiro
Editora: Civilização Brasileira
(462 págs., R$ 54,90)
JESUS CRISTO - OS EVANGELHOS
Autor: Terry Eagleton
Tradução: José
Mauricio Gradel
Editora: Jorge Zahar
(240 págs., R$ 36,90)
Autor: Terry Eagleton
Tradução: José
Mauricio Gradel
Editora: Jorge Zahar
(240 págs., R$ 36,90)
NAÇÕES UNIDAS CRIAM PAINEL SOBRE SUSTENTABILIDADE GLOBAL
Nações Unidas criam painel sobre sustentabilidade global
Portal Terra
O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, anunciou nesta segunda-feira, 9 de agosto, a criação de um painel de sustentabilidade global. O objetivo do grupo é combater a pobreza ao mesmo tempo em que tenta eliminar a mudança climática.
Agendas estreitas
Para Ban, a proposta central é garantir que o desenvolvimento econômico também possa ser ambientalmente sustentável. Dois presidentes da República foram chamados para dirigir o painel: Jacob Zuma, da África do Sul, e Tarja Halonen, da Finlândia. A ex-primeira ministra de Moçambique, Luisa Diogo, está participando da equipe, que também conta com o ex-premiê da Austrália, Kevin Rudd. Ban pediu ao painel que "pense grande". Segundo ele, a época de agendas e pensamentos estreitos acabou.
Relatório final
Ao todo o grupo terá 21 membros e se chamará Painel de Alto Nível sobre Sustentabilidade Global. O grupo contará com representantes de governos, setor privado e sociedade civil em países desenvolvidos e em desenvolvimento. O novo grupo deve apresentar um relatório final até o fim de 2011.
Limpeza de cenas de crime vira negócio em Ciudad Juárez
Limpeza de cenas de crime vira negócio em Ciudad Juárez
Ciudad Juárez (México), 14 ago (EFE).- O aumento da violência em Ciudad Juárez, na fronteira do México com os Estados Unidos, levou as empresas de limpeza tradicionais a incluírem entre seus serviços sangrentas cenas de crimes, e algumas cobram uma média de entre US$ 200 e US$ 300 por caso.
Alguns funcionários dessas empresas confessaram à Agência Efe que a falta de emprego na cidade, considerada a mais violência do México, os levou a aceitar um emprego "mal remunerado" e no qual enfrentam cenas "dantescas" em algumas ocasiões.
Alguns funcionários dessas empresas confessaram à Agência Efe que a falta de emprego na cidade, considerada a mais violência do México, os levou a aceitar um emprego "mal remunerado" e no qual enfrentam cenas "dantescas" em algumas ocasiões.
Um deles, que preferiu omitir seu nome por motivos de segurança, declarou que passou de limpar casas de famílias a outros trabalhos "mais desagradáveis, porque agora temos que limpar sangue, recolher restos humanos, massa encefálica e desinfetar áreas onde foram cometidos assassinatos".
"Uma vez limpei o quarto de um motel onde foram mortas quatro pessoas, para que pudesse ser usado no dia seguinte. Usamos máscaras e, mesmo assim, o cheiro era insuportável", lembrou.O funcionário define experiências como a daquele dia como "uma coisa espantosa". "Nessa ocasião fizemos de tudo: desde limpar manchas de sangue seco até retirar massa encefálica do teto e das paredes", conta.
Já o jovem Andrés, de 17 anos, que trabalhava em um lava-jato, lembra com horror o dia em que teve que limpar um carro onde três jovens foram assassinados. "Esse foi o último dia que trabalhe lá", disse à Agência Efe.
O mesmo acontece com as pessoas que se dedicam à limpeza de locais de lazer, hotéis ou casas, que jamais imaginaram que limpar os cenários de tiroteios seria parte de seu trabalho. Na cidade fronteiriça mexicana assassinatos e massacres acontecem em todo tipo de lugar, que devem ficar impecáveis para continuar sendo utilizados por seus proprietários como se nada tivesse ocorrido.
O mesmo acontece com as pessoas que se dedicam à limpeza de locais de lazer, hotéis ou casas, que jamais imaginaram que limpar os cenários de tiroteios seria parte de seu trabalho. Na cidade fronteiriça mexicana assassinatos e massacres acontecem em todo tipo de lugar, que devem ficar impecáveis para continuar sendo utilizados por seus proprietários como se nada tivesse ocorrido.
Mas não são só limpadores profissionais os que enfrentam estas situações. A dona de casa Angélica, de 46 anos, não esquece o dia em que teve que sair para limpar o sangue em frente a sua casa depois que três homens fossem assassinados no local. "Não queria que meus filhos vissem o sangue no dia seguinte. Depois que levaram os corpos tive que limpar a rua com água e sabão", lembrou.
Ao contrário de outras cidades, em Ciudad Juárez não há equipes especializadas em desinfetar cenas de crime, por isso a única opção dos familiares das vítimas é contratar empresas de limpeza tradicionais para fazer o trabalho. Essa nova faceta "jamais será uma opção para ganhar a vida ou algo visto como um negócio", mas "se um cliente chega e nos solicita, não nos podemos negar", explicou a administradora de uma destas empresas.
Várias companhias do setor consultadas pela Efe, que não divulgam o serviço, mas podem fornecê-lo, se negaram a informar seus preços para limpar as cenas do crime, apesar de outras terem calculado o custo médio em entre US$ 200 e US$ 300.
Várias companhias do setor consultadas pela Efe, que não divulgam o serviço, mas podem fornecê-lo, se negaram a informar seus preços para limpar as cenas do crime, apesar de outras terem calculado o custo médio em entre US$ 200 e US$ 300.
"É preciso avaliar as condições no lugar para poder fazer um orçamento", explicou um supervisor da empresa Servi Max, que assegurou que "esse tipo de cotações são feitas pessoalmente e não por telefone".
A maioria não oferece a limpeza após um assassinato, mas não nega quando é solicitada, disse uma fonte da empresa Multiservicios del Norte.
A maioria não oferece a limpeza após um assassinato, mas não nega quando é solicitada, disse uma fonte da empresa Multiservicios del Norte.
Em Ciudad Juarez, foram registradas 1.800 mortes violentas, enquanto em 2009 o número foi de 2.635 e de 1.607 um ano antes.
Sistema doente
LUIZ GARCIA
O ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal, foi fotografado num bar e numa festa em Brasília. Ficou indignado: as fotos supostamente colocariam em questão as repetidas licenças médicas que o têm afastado de julgamentos no STF por longos períodos desde fevereiro de 2008.
Em nota oficial, Barbosa informou que tem dores crônicas na região lombar e no quadril, e argumenta que seus médicos aconselharam "poucos momentos de lazer", o que explica sua presença na festa e no bar. Deve ter razão. Afinal, que direito têm "aspirantes a paparazzi e fabricantes de escândalos" (na irada definição de Barbosa) a fotografá-lo fora do STF fazendo apenas o que os médicos aconselharam?
Os problemas do tribunal não são o que acontece fora dele. São o que não acontece dentro dele. No momento, 57.121 processos esperam julgamento no STF. Apenas pouco mais de 20% entopem as prateleiras de Barbosa. Ou seja, 11.726. Os outros ministros podem ter menos processos na fila, mas todos estão com prateleiras e gavetas lotadas.
Ou seja, o problema não está no estado de saúde dos ministros: é o sistema que está doente. Há mais de 30 anos já se reconhecia que o Supremo estava abarrotado de processos, o que levou à criação, já em 1989, do Superior Tribunal de Justiça. A ideia era a de que ele seria a última instância de todos os processos que não envolviam a Constituição. Os que tivessem a ver com ela ficavam para o STF.
Numa modesta opinião de leigo, tenho a impressão de que o pessoal esqueceu de ler a Constituição. Pelo visto, ela cuida de quase tudo. Que outra razão explica a existência dos 57 mil e tantos processos na pauta do STF?
Entre os 11 mil e tantos processos no gabinete de Barbosa está o do mensalão, com 40 réus. Quem se atreveria a dar um palpite sobre quando ele chegará ao fim?
Há certamente remédios eficazes para as dores crônicas do ministro Barbosa. Mas ainda não surgiu, dos políticos e dos juristas brasileiros, qualquer proposta de cura para o inchaço nas prateleiras do STF. Na verdade, poucas vozes ilustres e sábias têm sido ouvidas revelando pasmo e indignação em face do problema.
Publicado no Globo de 13/08/2010.
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