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sábado, agosto 14, 2010

Limpeza de cenas de crime vira negócio em Ciudad Juárez

Limpeza de cenas de crime vira negócio em Ciudad Juárez

Ciudad Juárez (México), 14 ago (EFE).- O aumento da violência em Ciudad Juárez, na fronteira do México com os Estados Unidos, levou as empresas de limpeza tradicionais a incluírem entre seus serviços sangrentas cenas de crimes, e algumas cobram uma média de entre US$ 200 e US$ 300 por caso.
Alguns funcionários dessas empresas confessaram à Agência Efe que a falta de emprego na cidade, considerada a mais violência do México, os levou a aceitar um emprego "mal remunerado" e no qual enfrentam cenas "dantescas" em algumas ocasiões.
Um deles, que preferiu omitir seu nome por motivos de segurança, declarou que passou de limpar casas de famílias a outros trabalhos "mais desagradáveis, porque agora temos que limpar sangue, recolher restos humanos, massa encefálica e desinfetar áreas onde foram cometidos assassinatos".
"Uma vez limpei o quarto de um motel onde foram mortas quatro pessoas, para que pudesse ser usado no dia seguinte. Usamos máscaras e, mesmo assim, o cheiro era insuportável", lembrou.O funcionário define experiências como a daquele dia como "uma coisa espantosa". "Nessa ocasião fizemos de tudo: desde limpar manchas de sangue seco até retirar massa encefálica do teto e das paredes", conta.
Já o jovem Andrés, de 17 anos, que trabalhava em um lava-jato, lembra com horror o dia em que teve que limpar um carro onde três jovens foram assassinados. "Esse foi o último dia que trabalhe lá", disse à Agência Efe.
O mesmo acontece com as pessoas que se dedicam à limpeza de locais de lazer, hotéis ou casas, que jamais imaginaram que limpar os cenários de tiroteios seria parte de seu trabalho. Na cidade fronteiriça mexicana assassinatos e massacres acontecem em todo tipo de lugar, que devem ficar impecáveis para continuar sendo utilizados por seus proprietários como se nada tivesse ocorrido.
Mas não são só limpadores profissionais os que enfrentam estas situações. A dona de casa Angélica, de 46 anos, não esquece o dia em que teve que sair para limpar o sangue em frente a sua casa depois que três homens fossem assassinados no local. "Não queria que meus filhos vissem o sangue no dia seguinte. Depois que levaram os corpos tive que limpar a rua com água e sabão", lembrou.
Ao contrário de outras cidades, em Ciudad Juárez não há equipes especializadas em desinfetar cenas de crime, por isso a única opção dos familiares das vítimas é contratar empresas de limpeza tradicionais para fazer o trabalho. Essa nova faceta "jamais será uma opção para ganhar a vida ou algo visto como um negócio", mas "se um cliente chega e nos solicita, não nos podemos negar", explicou a administradora de uma destas empresas.
Várias companhias do setor consultadas pela Efe, que não divulgam o serviço, mas podem fornecê-lo, se negaram a informar seus preços para limpar as cenas do crime, apesar de outras terem calculado o custo médio em entre US$ 200 e US$ 300.
"É preciso avaliar as condições no lugar para poder fazer um orçamento", explicou um supervisor da empresa Servi Max, que assegurou que "esse tipo de cotações são feitas pessoalmente e não por telefone".
A maioria não oferece a limpeza após um assassinato, mas não nega quando é solicitada, disse uma fonte da empresa Multiservicios del Norte.
Em Ciudad Juarez, foram registradas 1.800 mortes violentas, enquanto em 2009 o número foi de 2.635 e de 1.607 um ano antes.

quarta-feira, maio 26, 2010

Tropas na fronteira

Colômbia-Brasil
Tropas na fronteira
Preocupado com a presença da guerrilha das Farc no território brasileiro, governo prorroga por 90 dias a missão da Força Nacional de Segurança em postos no Amazonas. Exército planeja instalar mais 38 pelotões em áreas fronteiriças da Região Norte
Edson Luiz

O governo brasileiro decidiu manter a Força Nacional de Segurança Pública na fronteira com a Colômbia enquanto houver risco de aproximação do narcotráfico. Há quase 20 dias, a Polícia Federal prendeu um traficante ligado às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que têm uma rede logística instalada no Amazonas, e as autoridades não descartam a presença de mais guerrilheiros em território brasileiro. A maior preocupação da PF quanto à presença das Farc no país é a atuação da guerrilha colombiana no tráfico de cocaína.
A Força Nacional estava auxiliando a polícia amazonense e a PF na fiscalização da fronteira Tabatinga, no extremo sul da divisa, até São Gabriel da Cachoeira, no extremo norte, na área conhecida como Cabeça do Cachorro. Na semana passada, após a prisão de José Samuel Sanchez, responsável pela logística das Farc, o governo do estado pediu a manutenção dos militares por mais 90 dias, e foi atendido pelo governo federal. “Coma presença da Força Nacional, a criminalidade se reduziu na fronteira. Por isso, a comunidade solicitou a permanência por pelo menos 90 dias”, afirma o deputado Lupércio Ramos (PMDB-AM), um dos políticos que intercederam com o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, pela permanência dos militares.
Segundo o deputado, a presença da organização guerrilheira no país é recorrente na região de fronteira. “Falam bastante sobre a entrada das Farc no Brasil. Esse é um assunto que perdura há anos”, afirma Ramos. O parlamentar explica que a ausência de uma atividade econômica nas regiões mais remotas do estado faz com que o narcotráfico e a guerrilha recrutem pessoas inocentes para a criminalidade. “Pode ser até que não haja presença (das Farc) em território nacional, mas com certeza há influência na população local”, diz o deputado.
A Força Nacional deverá manter sua área de atuação, que são cidades ao longo do Rio Solimões, concentrando um contigente de 100 militares em Tabatinga, Benjamin Constant, Atalaia do Norte, Santo Antônio do Içá, São Paulo de Olivença, Amaturá, Jutaí e São Gabriel da Cachoeira. Os municípios são considerados vulneráveis, devido a sua localização estratégica, entre o rio e a floresta.

Reforço
A presença do narcotráfico aliado à guerrilha na fronteira não preocupa apenas as autoridades de segurança pública, mas também as Forças Armadas. Além de transferir brigadas do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro para a Amazônia, o Exército pretende criar 38 pelotões especiais de fronteira em todos os estados da Região Norte. Quatro deles já estão em andamento, em Vila Contão (RR), Tunuí (AM), Tiriós (PA) e Marechal Thaumaturgo (AC). A medida faz parte do Projeto Amazônia Protegida, que reforçará militarmente a região até 2030.
As informações sobre a presença das Farc no Amazonas foram confirmadas com a prisão de Sanchez, no último dia 8, mas a movimentação da organização na região é um fato antigo. A Polícia Federal chegou a montar um posto na vila de Melo Franco, na Cabeça do Cachorro, em 2004, já que havia suspeita de que integrantes da guerrilha colombiana estavam atraindo índios brasileiros para a organização. Depois, a PF apreendeu no Rio Solimões um barco de bandeira nacional que estava levando remédios e munição para as Farc. O medicamento tinha sido desviado de postos médicos em cidades do Amazonas.
Falam bastante sobre a entrada das Farc no Brasil. Pode ser até que não haja presença (das Farc) em território nacional, mas com certeza há influência na população local”
Lupércio Ramos, deputado federal (PMDB-AM)

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