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quinta-feira, outubro 07, 2010

Ex-presidente colombiano defende ex-assessor, inabilitado para cargos públicos por 18 anos

Ex-presidente colombiano defende ex-assessor, inabilitado para cargos públicos por 18 anos
O Globo
BOGOTÁ. O ex-presidente da Colômbia Álvaro Uribe saiu em defesa do ex-secretário-geral da Presidência Bernardo Moreno, assumindo responsabilidade pelas interceptações telefônicas ilegais durante seu governo. Uribe ainda afirmou que está à disposição do Congresso e da Suprema Corte de Justiça (CSJ) para ser investigado. Na terça-feira, Moreno foi destituído e inabilitado para cargos públicos por 18 anos, depois de ter sido acusado de espionagem contra opositores, jornalistas e juízes. O esquema de escutas foi um dos principais escândalos que abalaram os dois mandatos de Uribe, de 2002 e 2010.
Ontem, o ex-assessor de Uribe afirmou que não extrapolou suas funções e que o então presidente estava ciente de todas as suas atividades. Através de um comunicado, Moreno disse que nunca ordenou, sugeriu ou insinuou a investigação de nenhum magistrado, muito menos mediante mecanismos ilegais.
Ele ainda garantiu que entrará com recurso contra a decisão da Procuradoria.
De acordo com o procurador Alejandro Ordóñez, o então assessor de Uribe organizou, em 2008, uma reunião na Casa de Narinho, cujo objetivo era passar “informação reservada” sobre um suposto amigo de juízes da Suprema Corte.
Tais magistrados mantinham diversas disputas com Uribe.

sábado, setembro 25, 2010

O que o futuro reserva para as Farc

O que o futuro reserva para as Farc
León Valencia – O Globo
 Em 1999, um ano antes do encerramento das negociações de paz de Caguán, Alfonso Cano, líder das Farc, saiu da região e se foi para a Cordilheira Central. Havia chegado à conclusão que as negociações terminariam num acordo de paz.
Cano não teve o papel principal nas conversas. Mono Jojoy era o protagonista. As grandes vitórias do grupo sobre as forças de segurança em meados das décadas de noventa o colocavam como o homem-chave da guerrilha.
Isso não era gratuito. Parte do grupo, sob seu comando, havia instalado 10 frentes de guerrilha.
Os golpes contra a polícia e sequestros frequentes ao redor da capital geraram temor no governo e projetaram a imagem de uma guerrilha que podia ameaçar o poder do Estado.
Jojoy sabia disso, e nas negociações de Caguán falava com segurança e arrogância. Tinha grandes exigências para chegar à paz, o que levou ao fracasso das negociações.
Desde então, Cano consolidou o comando da guerrilha e criou novos cenários de guerra. Essas forças já não operam como nos anos noventa. Já não podem realizar grandes ataques.
Seguem produzindo baixas nas forças de segurança e pressionando o Estado e a sociedade, mas perderam toda a possibilidade de chegar ao poder.
Cano demonstrou saber disso em suas últimas comunicações.
Suas exigências para chegar à paz são muito distintas das de Caguán.
Já não insiste “num governo de ampla participação”, a agenda é limitada. A proposta reflete realismo em sua fraqueza.
O governo de Juan Manuel Santos tem isso claro e, por isso, ao mesmo tempo em que continua a ofensiva militar, oferece possibilidades de negociação, fazendo exigências às Farc. Talvez a morte de Jojoy seja o presságio de um destino de reconciliação com o país.
Segundo especialistas, quatro são os fatores que permitiram o Estado colombiano a inclinar a balança a seu favor nos últimos anos.
Decisão política, apoio cidadão, investimento na inteligência e recursos econômicos foram fatores determinantes nos triunfos obtidos pelo Estado sobre a guerrilha.
Nos últimos anos, houve decisão política de enfrentar a guerrilha por parte de todas as autoridades.
 Para o general Manuel J. Bonett, ex-assessor presidencial de José Obdulio Gaviria, a balança se inclinou quando foi determinado que o problema devia ser tratado como um assunto de segurança, e não como um conflito político interno.
O apoio da sociedade aos militares foi um fator chave, não somente pelo apoio moral, mas também pelas informações fornecidas.
— As pessoas, ao começarem a rodear as Forças Armadas, deram legitimidade a elas, que se sentiram respaldadas — disse Jairo Libreros, analista político da Universidade Externado.
Os últimos golpes certeiros à guerrilha foram possíveis graças a trabalhos de inteligência humana e técnica. Nesse último aspecto, avançamos de maneira significativa nos últimos anos. O analista de segurança Alfredo Rangel destaca a importância da informação via satélite e, especialmente, da interceptação das comunicações. O trabalho de desmobilização foi significativo.
E as recompensas também tiveram um papel definitivo.
A modernização da aviação militar teve uma importância estratégica para golpear a guerrilha. O general Manuel José Bonett destaca o uso dos aviões Supertucano, que são muito efetivos no combate, e também o desenvolvimento de tecnologias que podem ser usadas na luta contra a insurgência.
Outros avanços são as bombas inteligentes, que permitem o bombardeio a grande distância do objetivo, devido a sensores que as guiam ao ponto exato onde devem cair. A isso se soma o incremento de militares em todas as forças da Colômbia.
LEÓN VALENCIA é colunista do “El Tiempo”

Traído por companheiros e GPS na bota

Traído por companheiros e GPS na bota
Sistema instalado em calçado levou Exército a chefe das Farc
Renata Summa – O Globo - RIO e BOGOTÁ
 A operação mais importante contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que resultou na morte de seu chefe militar, Mono Jojoy, só foi possível graças à traição de alguns de seus homens de confiança e a um longo trabalho da inteligência colombiana, que conseguiu instalar um sistema de GPS em botas militares especiais enviadas ao guerrilheiro, permitindo sua localização.
Ao interceptar uma comunicação das Farc, a inteligência colombiana descobriu que Mono Jojoy solicitava botas especiais, pois possuía problemas nos pés causados por diabetes.
Forças de segurança conseguiram ter acesso à encomenda, instalando um sistema de GPS nos calçados, segundo relato oficial. Dias depois, militares detectaram sinais num acampamento, e iniciaram a ofensiva que resultou na morte do líder e de ao menos outros 20 guerrilheiros. Ontem, o corpo de Mono Jojoy chegou a Bogotá, com uma grande ferida, não se sabe se causada por tiros ou bomba. Apesar de mais calvo e inchado, foi facilmente reconhecido graças a seu relógio Rolex e aos remédios para diabetes.
— Foi uma operação cirúrgica. Sabíamos que ele costumava se levantar entre uma e quatro da manhã (...), por isso atacamos às duas da manhã — disse o ministro da Defesa, Rodrigo Rivera, afirmando que Mono Jojoy foi traído “pela sua própria gente”.
Segundo um general que não quis ser identificado, o sucesso da operação se deve a informações dadas por um guerrilheiro, que já estaria fora do país com a família. Rivera afirmou que serão pagas recompensas a quem ajudou a levar as forças de segurança a Mono Jojoy, mas não precisou a quantia. O governo colombiano oferecia US$ 2,7 milhões por informações sobre Mono Jojoy.
No primeiro pronunciamento após a morte de seu número dois, as Farc negaram a intenção de se render, e rechaçaram a operação do governo, dizendo que o caminho escolhido só alimenta a espiral da violência. No início da semana, o líder máximo do grupo, Alfonso Cano, havia proposto um diálogo ao presidente Juan Manuel Santos, negando-se, no entanto, a aceitar condições. Santos exige que a guerrilha abandone as armas e liberte seus reféns antes de sentar-se à mesa de negociações com os guerrilheiros

Grupo tem problema de comunicação
O analista de conflito colombiano César Castaño afirma que essa agenda dupla das Farc, que ao mesmo tempo que pede o diálogo continua a realizar atos violentos, é uma estratégia do grupo, que está enfraquecido. Para Castaño, além da perda de líderes, o grupo enfrenta problemas, por exemplo, na comunicação, que hoje é feita quase inteiramente por cartas transportadas pelos próprios guerrilheiros.
— As Farc seguirão pela via do terrorismo, mas a força militar que permitia realizar grandes golpes está cada vez menor. O grupo continuará a aplicar o plano “Renascer”, proposto por Alfonso Cano em 2008, no qual ele ordena, por exemplo, a semeação de campos minados no país para tentar pressionar o governo — analisa.
Castaño acredita que Mono Jojoy será substituído em breve.
— Um forte candidato é El Paisa (Hernán Velásquez Saldarriaga), chefe de uma coluna das Farc e responsável por centenas de ações entre massacres, sequestros e atentados. Ele tem o perfil militar, e sua coluna sabe administrar muito bem o dinheiro, o que desperta interesse das Farc.
Com agências internacionais

domingo, setembro 05, 2010

Dissonâncias sobre as Farc

Conexão diplomática
Dissonâncias sobre as Farc

Sílvio Queiroz - Correio Braziliense

É nas entrelinhas do que se falou sobre o conflito colombiano, durante a significativa visita de Juan Manuel Santos, que se podem distinguir algumas notas dissonantes entre o novo presidente colombiano e a favorita até aqui para retribuir a visita nos próximos anos. Ao pé da letra e à primeira leitura, Santos e Dilma disseram a mesma coisa: que a guerrilha das Farc é assunto da Colômbia. Mas a verdade é que Bogotá espera algo mais e espera há algum tempo da diplomacia brasileira. Como ficou à vista no encontro com Serra, o visitante escutaria como se fosse música uma declaração do governo brasileiro classificando o grupo armado como terrorista simplesmente, como fez o candidato da oposição.
Bem diferente foi o que disse Marco Aurélio Garcia, que foi assessor internacional de Lula e agora integra o comando da campanha de Dilma com boas chances de voltar em 2011 ao gabinete que ocupou no Planalto desde 2003. Garcia se referiu às Farc como grupo insurgente. E, com a licença de não se intrometer na cozinha alheia, deixou evidente, uma vez mais, a preferência por uma solução política para o conflito no país vizinho.
Da perspectiva colombiana, com o mesmo cuidado de não dar palpite na sucessão de Lula, a diferença entre Dilma e Serra não é tão óbvia quanto pode parecer. Um governo brasileiro falando mais em uníssono com Washington reforçaria a voz de Bogotá na vizinhança, mas tenderia a ter bem menos trânsito com Hugo Chávez & cia. Em termos, Santos pode ter dado a entender o que considera mais importante quando disse que espera do Brasil que coloque as Farc no lugar delas
Guerrilha ou cartel? Não poderia ser mais oportuno, em meio ao tiroteio entre petistas e demo-tucanos sobre as Farc, o lançamento do livro do cientista político francês Daniel Pécaut: Farc uma guerrilha sem fins? Coma vantagem de quem não vive na pele o conflito, Pécaut traça em contornos profundos e abrangentes a trajetória do grupo. Resgata, para quem não as conhece, as raízes do conflito na violência políticosocial que permeou a Colômbia nos 200 anos de vida independente. Nem por isso deixa de observar a alienação das Farc em relação ao processo político real e sua contaminação progressiva pelas relações econômicas com o narcotráfico.
Pécaut surpreende também em sua avaliação sóbria da situação estratégica do conflito: embora nocauteada politicamente e debilitada militarmente, a guerrilha colombiana continuará representando um desafio à segurança pública por muitos anos. A menos que o novo governo encontre supondo que se disponha a buscar um caminho para reabrir a via política. Este, por sinal, é o desafio existencial para o novo líder máximo das Farc, Alfonso Cano, na interpretação do acadêmico francês.
Fronteira blindada Talvez mais importante que as sutilezas de tom no discurso sobre o conflito colombiano sejam alguns resultados práticos da visita de Santos, que começou por Brasília mas não deixou de fazer escala em São Paulo.Os acordo de defesa firmados em 2008 continuam se desdobrando em iniciativas concretas, especialmente no âmbito da vigilância de fronteiras. Na conversa com a candidata petista, veio à baila um plano de usar aviões não tripulados para vigiar a movimentação de traficantes e, eventualmente, até guerrilheiros. E a cooperação deve se estender à indústria bélica, com parceria no desenvolvimento de um avião de carga e de barcos de patrulha.
Foi em São Paulo que se desdobrou outra dimensão essencial da visita de Santos, no que diz respeito às relações bilaterais.
O presidente teve encontros com empresários de diversas áreas, em particular para explorar oportunidades no campo da infraestrutura.Nos últimos anos, os investimentos brasileiros começaram a voltar à Colômbia, como reconhecimento das novas condições de segurança pública no país. E, embora a balança comercial continue imensamente superavitária para o Brasil, as importações de produtos colombianos crescem.
O nome por trás do sucesso no terreno dos negócios é Proexport. A agência colombiana de promoção econômica no exterior fincou raízes em São Paulo, mais especialmente na Fiesp.Daí a escolha, mais do que significativa, da embaixadora enviada a Brasília no primeiro semestre:María Elvira Pombo foi cônsul na capital paulista por quase uma década. Não bastasse, também comandou a Proexport.

quinta-feira, setembro 02, 2010

Santos pede que Brasil classifique Farc como terroristas

Santos pede que Brasil classifique Farc como terroristas
Presidente da Colômbia encontra Lula e Dilma na sua primeira viagem após a posse e descarta negociar com guerrilha na Unasul
ELIANE CANTANHÊDE
COLUNISTA DA FOLHA

Na primeira viagem internacional após a posse, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, pediu ontem que o Brasil classifique as Farc como "grupo terrorista" e disse que dispensa o apoio do governo Lula para intermediar a reaproximação diplomática com a Venezuela. "Eu estou lidando diretamente com o presidente Chávez", disse Santos à Folha, pouco antes de receber a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff. Abaixo, os principais trechos da entrevista.
Folha - A expectativa era que sua primeira viagem fosse aos EUA, maior parceiro da Colômbia. Por que o Brasil?
Juan Manuel Santos - O presidente Lula foi o primeiro a me convidar. Aceitei diante da importância geopolítica do Brasil e do nosso interesse em fortalecer a integração regional. Esta década é da América Latina.

Uribe tinha resistências à Unasul. Isso vai mudar?
A Colômbia fica ao norte da América do Sul e não é incompatível fortalecer nosso entendimento com a Unasul e, ao mesmo tempo, fortalecer as relações com o Norte e com a OEA.

Como o Brasil pode colaborar na reaproximação da Colômbia com a Venezuela?
Lula tem tido muita boa vontade, mas a relação com a Venezuela, estou lidando diretamente com o presidente Chávez. Quanto mais boa vontade melhor, mas vamos por um bom caminho e espero que pouco a pouco possa haver confiança mútua.

Como o Brasil pode colaborar na solução para as Farc?
Esse também é um problema interno da Colômbia. O Brasil pode colaborar colocando as Farc no seu devido lugar, ou seja, como grupo terrorista. A única forma de podermos abrir algum diálogo com eles é se abdicarem de ações terroristas, de maneira que, se não apenas o Brasil, mas o mundo inteiro entender isso, eles ficarão cada vez mais isolados.

Um dos seus objetivos na viagem é pedir a Lula que as Farc não tenham acolhida para expor suas posições na Unasul?
Sim. Não creio que a Unasul seja um fórum adequado para ouvir grupos terroristas.

Como estão as relações entre o sr. e Chávez?
Cordiais. Ele e eu pensamos de forma muito diferente sobre muitas coisas, mas, se respeitamos nossas diferenças, e já falamos sobre isso, podemos ter relações cordiais. A Venezuela é um sócio comercial muito importante.

Como jornalista e homem da imprensa, como o sr. vê a investida da Venezuela e da Argentina contra a mídia?
Sou grande defensor da liberdade de imprensa em qualquer lugar do mundo e sempre estarei a favor da liberdade de todas as pessoas e sobretudo dos jornalistas.

O sr. concorda que há essa investida dos dois países?
Se há, eu a condeno.

quarta-feira, julho 07, 2010

Ataque aéreo mata 13 rebeldes das Farc na Colômbia

Ataque aéreo mata 13 rebeldes das Farc na Colômbia
Guerrilheiros tentavam restabelecer presença em área estratégica, de onde se pode observar Cartagena e a costa caribenha
Treze integrantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) foram mortos em um ataque aéreo na Colômbia, entre eles, dois líderes da organização. Os guerrilheiros estavam tentando retomar uma estratégica área de montanhas perto da costa caribenha quando foram bombardeados.
De acordo com fontes da Inteligência Colombiana, eles haviam sido enviados para a missão pelo número dois das Farc, Ivan Márquez que, acredita-se, estaria vivendo na Venezuela.
Márquez faz parte do grupo de sete pessoas conhecido como Secretariado, que comanda a organização.
Ele é o chefe da Frente Internacional dos rebeldes, que cuida das relações internacionais do grupo. O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, afirmou que a ação militar foi um "recado" para Márquez.
Imagens do ataque aéreo mostram uma área da selva destruída e queimada, que seria o local onde os aviões da Força Aérea Colombiana bombardearam um acampamento dos rebeldes em Montes de Maria, na província caribenha de Bolívar.
Os guerrilheiros das Farc estavam tentando restabelecer sua presença na área, de onde se pode observar Cartagena e a costa caribenha.
O presidente Álvaro Uribe, que fez da guerra contra a organização o marco de seus dois mandatos no governo, enviou uma mensagem para Márquez, a quem ele chamou de "diplomata do terror".
"Nós sabemos onde está Ivan Márquez", disse o presidente, afirmando que a ação militar foi um "recado para ele" e para os planos das Farc de retomar o controle sobre algumas áreas da Colômbia.

quarta-feira, maio 26, 2010

Tropas na fronteira

Colômbia-Brasil
Tropas na fronteira
Preocupado com a presença da guerrilha das Farc no território brasileiro, governo prorroga por 90 dias a missão da Força Nacional de Segurança em postos no Amazonas. Exército planeja instalar mais 38 pelotões em áreas fronteiriças da Região Norte
Edson Luiz

O governo brasileiro decidiu manter a Força Nacional de Segurança Pública na fronteira com a Colômbia enquanto houver risco de aproximação do narcotráfico. Há quase 20 dias, a Polícia Federal prendeu um traficante ligado às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que têm uma rede logística instalada no Amazonas, e as autoridades não descartam a presença de mais guerrilheiros em território brasileiro. A maior preocupação da PF quanto à presença das Farc no país é a atuação da guerrilha colombiana no tráfico de cocaína.
A Força Nacional estava auxiliando a polícia amazonense e a PF na fiscalização da fronteira Tabatinga, no extremo sul da divisa, até São Gabriel da Cachoeira, no extremo norte, na área conhecida como Cabeça do Cachorro. Na semana passada, após a prisão de José Samuel Sanchez, responsável pela logística das Farc, o governo do estado pediu a manutenção dos militares por mais 90 dias, e foi atendido pelo governo federal. “Coma presença da Força Nacional, a criminalidade se reduziu na fronteira. Por isso, a comunidade solicitou a permanência por pelo menos 90 dias”, afirma o deputado Lupércio Ramos (PMDB-AM), um dos políticos que intercederam com o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, pela permanência dos militares.
Segundo o deputado, a presença da organização guerrilheira no país é recorrente na região de fronteira. “Falam bastante sobre a entrada das Farc no Brasil. Esse é um assunto que perdura há anos”, afirma Ramos. O parlamentar explica que a ausência de uma atividade econômica nas regiões mais remotas do estado faz com que o narcotráfico e a guerrilha recrutem pessoas inocentes para a criminalidade. “Pode ser até que não haja presença (das Farc) em território nacional, mas com certeza há influência na população local”, diz o deputado.
A Força Nacional deverá manter sua área de atuação, que são cidades ao longo do Rio Solimões, concentrando um contigente de 100 militares em Tabatinga, Benjamin Constant, Atalaia do Norte, Santo Antônio do Içá, São Paulo de Olivença, Amaturá, Jutaí e São Gabriel da Cachoeira. Os municípios são considerados vulneráveis, devido a sua localização estratégica, entre o rio e a floresta.

Reforço
A presença do narcotráfico aliado à guerrilha na fronteira não preocupa apenas as autoridades de segurança pública, mas também as Forças Armadas. Além de transferir brigadas do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro para a Amazônia, o Exército pretende criar 38 pelotões especiais de fronteira em todos os estados da Região Norte. Quatro deles já estão em andamento, em Vila Contão (RR), Tunuí (AM), Tiriós (PA) e Marechal Thaumaturgo (AC). A medida faz parte do Projeto Amazônia Protegida, que reforçará militarmente a região até 2030.
As informações sobre a presença das Farc no Amazonas foram confirmadas com a prisão de Sanchez, no último dia 8, mas a movimentação da organização na região é um fato antigo. A Polícia Federal chegou a montar um posto na vila de Melo Franco, na Cabeça do Cachorro, em 2004, já que havia suspeita de que integrantes da guerrilha colombiana estavam atraindo índios brasileiros para a organização. Depois, a PF apreendeu no Rio Solimões um barco de bandeira nacional que estava levando remédios e munição para as Farc. O medicamento tinha sido desviado de postos médicos em cidades do Amazonas.
Falam bastante sobre a entrada das Farc no Brasil. Pode ser até que não haja presença (das Farc) em território nacional, mas com certeza há influência na população local”
Lupércio Ramos, deputado federal (PMDB-AM)

domingo, abril 18, 2010

Diplomacia tacanha

O realismo mágico do PT no FMI
O economista Paulo Nogueira Batista Júnior foi nomeado, em 2007, diretor executivo e representante brasileiro no Fundo Monetário Internacional (FMI). Descrente do capitalismo e alinhado à ala mais atrasada do PT, ele é um estranho no ninho em Washington. Há dois meses, abriu um conflito diplomático com a Colômbia, país que divide com o Brasil e um grupo de outras economias menores uma cadeira no diretório do Fundo. Nogueira Batista demitiu a representante colombiana, María Inés Agudelo, alegando escassez de qualificações profissionais para o posto. Rodrigo Botero, ex-ministro da Fazenda da Colômbia e experiente analista da política latino-americana, revela que a demissão foi motivada pelo choque de visões a respeito de política econômica. "O fato é que Agudelo defendia políticas como as que são adotadas no Brasil com sucesso desde os anos 90", afirma Botero. "Mandar a Washington um representante que execra a própria política econômica de seu país é uma manifestação clara do realismo mágico latino-americano por parte do governo brasileiro." De Boston, onde vive, Botero conversou com o editor Giuliano Guandalini.
O INCIDENTE è "A destituição de María Inés Agudelo por Nogueira Batista viola o acordo de cavalheiros que existe há pelo menos quatro décadas entre o Brasil e a Colômbia. Nunca houve antes um incidente como esse. Nogueira Batista alega que ele, como diretor executivo da cadeira, teve amparo institucional ao demitir Agudelo. Foi o rompimento com uma prática saudável de convivência em que se cultiva a tolerância, com o respeito a profissionais nomeados por outros países. O Brasil adotou a atitude de tratar o incidente como uma questão exclusiva do ministro da Fazenda, Guido Mantega, responsável pela indicação de Nogueira Batista. Mas esse incidente afeta diretamente as relações bilaterais entre os países. Não estamos diante de uma questão meramente burocrática. O Planalto e o Itamaraty devem compreender que a grosseria de Nogueira Batista não colabora em nada para a boa vontade de outros países em relação à política internacional brasileira."
O CONFLITO è "Nogueira Batista não pode invocar o argumento de incompetência para destituir a colombiana. Agudelo possui mais credenciais acadêmicas que Nogueira Batista. As diferenças de Batista com Agudelo se devem a concepções incompatíveis sobre política econômica. Não é segredo para ninguém que Batista é crítico de uma política econômica que tenha um regime de metas de inflação, que empregue a flexibilidade cambial e que persiga metas de superávit fiscal primário. Esses são, em essência, os fundamentos da política econômica colombiana. São princípios que Agudelo, como representante de seu país, era obrigada a defender no FMI. Seria inconcebível que a Colômbia permitisse que um detrator de sua política econômica interviesse nas discussões do Fundo. Agora, se bem entendo, as políticas mencionadas são as mesmas que vêm sendo aplicadas com sucesso no Brasil desde os anos 90. Mandar a Washington um representante que execra a política econômica de seu próprio país é uma manifestação clara do realismo mágico latino-americano por parte do governo brasileiro. Mas isso é problema brasileiro, que não concerne à Colômbia."
A leitura do artigo completo aqui: http://shorttext.com/eckwwbcjzm
FOTO: Botero, ex-ministro colombiano da Fazenda, acusa o representante brasileiro no Fundo de ter violado acordo e estremecido as relações do Brasil com a Colômbia

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