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quinta-feira, setembro 02, 2010
Santos pede que Brasil classifique Farc como terroristas
Santos pede que Brasil classifique Farc como terroristas
Presidente da Colômbia encontra Lula e Dilma na sua primeira viagem após a posse e descarta negociar com guerrilha na Unasul
ELIANE CANTANHÊDE
COLUNISTA DA FOLHA
Na primeira viagem internacional após a posse, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, pediu ontem que o Brasil classifique as Farc como "grupo terrorista" e disse que dispensa o apoio do governo Lula para intermediar a reaproximação diplomática com a Venezuela. "Eu estou lidando diretamente com o presidente Chávez", disse Santos à Folha, pouco antes de receber a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff. Abaixo, os principais trechos da entrevista.
Folha - A expectativa era que sua primeira viagem fosse aos EUA, maior parceiro da Colômbia. Por que o Brasil?
Juan Manuel Santos - O presidente Lula foi o primeiro a me convidar. Aceitei diante da importância geopolítica do Brasil e do nosso interesse em fortalecer a integração regional. Esta década é da América Latina.
Uribe tinha resistências à Unasul. Isso vai mudar?
A Colômbia fica ao norte da América do Sul e não é incompatível fortalecer nosso entendimento com a Unasul e, ao mesmo tempo, fortalecer as relações com o Norte e com a OEA.
Como o Brasil pode colaborar na reaproximação da Colômbia com a Venezuela?
Lula tem tido muita boa vontade, mas a relação com a Venezuela, estou lidando diretamente com o presidente Chávez. Quanto mais boa vontade melhor, mas vamos por um bom caminho e espero que pouco a pouco possa haver confiança mútua.
Como o Brasil pode colaborar na solução para as Farc?
Esse também é um problema interno da Colômbia. O Brasil pode colaborar colocando as Farc no seu devido lugar, ou seja, como grupo terrorista. A única forma de podermos abrir algum diálogo com eles é se abdicarem de ações terroristas, de maneira que, se não apenas o Brasil, mas o mundo inteiro entender isso, eles ficarão cada vez mais isolados.
Um dos seus objetivos na viagem é pedir a Lula que as Farc não tenham acolhida para expor suas posições na Unasul?
Sim. Não creio que a Unasul seja um fórum adequado para ouvir grupos terroristas.
Como estão as relações entre o sr. e Chávez?
Cordiais. Ele e eu pensamos de forma muito diferente sobre muitas coisas, mas, se respeitamos nossas diferenças, e já falamos sobre isso, podemos ter relações cordiais. A Venezuela é um sócio comercial muito importante.
Como jornalista e homem da imprensa, como o sr. vê a investida da Venezuela e da Argentina contra a mídia?
Sou grande defensor da liberdade de imprensa em qualquer lugar do mundo e sempre estarei a favor da liberdade de todas as pessoas e sobretudo dos jornalistas.
O sr. concorda que há essa investida dos dois países?
Se há, eu a condeno.
sábado, junho 26, 2010
Pedro Abramovay é o novo secretário de Justiça
Pedro Abramovay é o novo secretário de Justiça
Com 29 anos, substituto de Tuminha já foi secretário de Assuntos Legislativos do ministério
Jailton de Carvalho
BRASÍLIA. O advogado Pedro Abramovay assumirá na próxima semana o comando da Secretaria Nacional de Justiça, ligada ao Ministério da Justiça, em substituição ao ex-secretário Romeu Tuma Júnior, que deixou o cargo no último dia 14, após ser acusado de envolvimento com o chinês Li Kwon Kwen, o Paulo Li, preso por contrabando em São Paulo, ano passado. A nomeação de Abramovay foi definida anteontem entre o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, e auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Com a escolha de Abramovay, Barreto e Lula optaram por uma solução caseira. Abramovay é ex-secretário de Assuntos Legislativos do próprio ministério.
Ele ocupou o cargo até maio, quando desligou-se do governo para tentar assumir a direção executiva do Escritório das Nações Unidas sobre Droga e Crime, em Viena. Como essa escolha ocorrerá no segundo semestre, Barreto resolveu levar Abramovay de volta ao ministério.
O secretário indicado tem 29 anos, mas já acumula experiência.
Chegou ao governo como assessor especial do ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, ainda no primeiro mandato de Lula, e participou da elaboração de boa parte dos projetos de modernização da legislação penal no país nos últimos anos.
Ele também acompanhou as negociações para as escolhas de ministros de tribunais superiores feitas pelo presidente.
De perfil técnico, mas bem articulado, Abramovay tem bom trânsito até entre parlamentares da oposição e atuou na interlocução do ministério com os congressistas.
— Ele é um sujeito honrado, cumpre o que promete. Tem prestígio. E, apesar da pouca idade, é estudioso. Tomara que seja ele mesmo — diz o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).
Tuma Júnior deixou o governo depois que gravações autorizadas pela Justiça para a Polícia Federal captaram diálogos entre ele e Paulo Li, sobre compra de celulares, câmeras fotográficas e videogame, e também sobre a naturalização de chineses. Tuma se defendeu com o argumento de que não cometera crime algum e que não poderia se responsabilizar por atos de Li.
Mas a situação do ex-secretário se tornou insustentável politicamente após a abertura de investigação sobre seu comportamento pela Comissão de Ética da Presidência. A proximidade de Tuma Júnior com o suposto contrabandista inviabilizou sua permanência no governo.
segunda-feira, junho 14, 2010
Obama impõe linha dura contra vazamentos à mídia
Obama impõe linha dura contra vazamentos à mídia
Democratas e republicanos são favoráveis a medidas, afirma especialista
Em 17 meses, democrata iniciou mais processos e investigações contra jornalistas do que seus predecessores
DO NEW YORK TIMES, EM WASHINGTON – Folha de São Paulo
Em 17 meses na Casa Branca, Barack Obama, o presidente dos Estados Unidos, já fez mais que qualquer antecessor para processar os responsáveis por vazamentos de informações não autorizadas para a imprensa.
Sua gestão vem tomando medidas que teriam suscitado críticas políticas agudas a seu predecessor, George W. Bush, frequentemente envolvido em disputas públicas com a imprensa.
Quando os programas secretos proliferaram, após os ataques terroristas de 2001, funcionários do governo Bush criticaram fortemente revelações feitas à imprensa.
Na época, foram noticiadas prisões secretas, técnicas brutais de interrogatório da CIA e espionagem eletrônica feita por autoridades dentro do território dos EUA sem prévia autorização judicial.
O indiciamento de Thomas Drake, um oficial da Inteligência que vazou informações com a suposta intenção de economizar gastos, é a prova mais recente de que Obama está se mostrando mais agressivo do que Bush na tentativa de punir vazamentos não autorizados.
Na verdade, Drake chamou a atenção dos investigadores inicialmente porque o governo pensou que ele pudesse ter sido a fonte de um artigo publicado pelo "New York Times" em dezembro de 2005, revelando o programa de espionagem eletrônica.
Descrevendo pela primeira vez a escala da caçada lançada pelo governo Bush para identificar as fontes do texto do "New York Times", ex-funcionários governamentais dizem que cinco promotores e 25 agentes do FBI participaram do caso.
As investigações começaram no governo Bush, mas coube a Obama e a seu secretário de Justiça, Eric Holder, a decisão de processá-lo. Eles o fizeram apesar de Drake não ser acusado de revelar o programa mais contestado da Agência de Segurança Nacional (NSA) -o da espionagem sem mandados judiciais.
As ações judiciais como as contra Drake, contra o tradutor do FBI Shamai Leibowitz e, possivelmente, contra o analista de inteligência do exército Bradley Manning, que ainda não foi indiciado, têm raros precedentes na história dos EUA.
Entre eles estão os casos de Daniel Ellsberg, consultor do Departamento de Defesa que entregou os Documentos do Pentágono ao "New York Times" em 1971, e Samuel L. Morison, analista da Marinha que, em 1984, repassou fotos feitas por satélite à revista "Jane's Defense Weekly".
O caso Drake é paradigmático da discussão politicamente carregada sobre sigilo e democracia em uma capital onde a imprensa vigilante é uma instituição ainda mais antiga que a burocracia da espionagem e onde cada Casa Branca faz suas próprias revelações calculadas de informações sigilosas.
ARQUIVADAS
Steven Aftergood, diretor do projeto de sigilo governamental na Federação dos Cientistas Americanos, disse que Drake pode ter desrespeitado um consenso que surgiu nos últimos anos entre democratas e republicanos de que os vazamentos saíram de controle e precisam ser limitados.
"E o Congresso também quer castigar os responsáveis. Os parlamentares de ambos os partidos querem que essas ações na Justiça sigam adiante."
Embora tenha sido acusado sob a Lei da Espionagem, Drake parece ser um caso clássico de alguém que vazou informações por motivos nobres e cujo objetivo era reforçar, e não solapar, a capacidade da NSA de capturar terroristas.
Sob o presidente Bush filho, ninguém foi condenado por revelar segredos diretamente à imprensa.
Nos últimos anos, segundo prestação de contas feita ao Congresso em 2007, o FBI abriu cerca de uma dúzia de investigações sobre revelações não autorizadas de informações classificadas.
A maioria foi arquivada porque centenas de funcionários tinham acesso às informações vazadas e porque o processo judicial colocaria outras mais em risco.
Tradução de CLARA ALLAIN
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