Nesse programa já foram aprovadas vultosas operações de crédito para a consolidação de uma grande empresa de telecomunicações com capital nacional e de um grande frigorífico de carnes de dimensão mundial. Sabemos também que existe um projeto de estimular a fusão de laboratórios nacionais para a criação de uma empresa capaz de concorrer com os grandes gigantes americanos, suíços e ingleses.
segunda-feira, agosto 16, 2010
Arredondando o debate sobre o BNDES
Arredondando o debate sobre o BNDES
Luiz Carlos Mendonça de Barros
VALOR ECONÔMICO
Na coluna do mês passado - O Ovo da Serpente - (02/07) fiz algumas reflexões sobre a forma de atuar do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) nestes últimos anos. Desde então tivemos um intenso debate sobre essa questão na mídia brasileira. Inclusive a revista "The Economist" dedicou um longo espaço - para os padrões dessa importante publicação - para repercutir o tema. O próprio Valor publicou detalhada matéria sobre as operações mais recentes desse banco público. Creio ser oportuno voltar a esse debate, com algumas considerações que são importantes para que se faça um julgamento isento.
Em primeiro lugar é preciso entender que o BNDES é um banco público e que, em seu estatuto, está estabelecido ser sua função realizar operações de crédito que viabilizem os objetivos do governo federal. Por isso, em seus quase 60 anos de vida, sempre buscou seguir as orientações oficiais, ressalvados os limites estabelecidos pela boa prática bancária e a preservação do capital da instituição. Outros limites de sua ação derivam de valores intrínsecos à democracia brasileira, como a transparência de suas operações, a impessoalidade de suas decisões e a legalidade de seus atos.
O BNDES tem como fontes principais de recursos o capital próprio da instituição, acumulado ao longo de várias décadas, e parte da arrecadação do chamado Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Criado na Constituinte de 1988, o FAT é o mecanismo que suporta o apoio financeiro ao trabalhador brasileiro desempregado. Como todo fundo dessa natureza, seus recursos são aplicados para gerar renda para financiar seus gastos. A destinação de 40% de sua arrecadação para o BNDES tem, além desse objetivo, também o de estimular o crescimento da economia e do emprego via o financiamento de investimentos produtivos.
Os recursos do FAT são limitados e aplicados a taxas fixadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em níveis bem abaixo do mercado bancário privado e mesmo da Selic. Esse fato tem levado à crítica de que existe um subsidio implícito nessas operações. Mas é preciso entender que o subsídio neste caso é suportado pelas empresas que recolhem o tributo e pelos trabalhadores desempregados que poderiam ter um apoio mais elevado, se o FAT recebesse os juros iguais à Selic por exemplo.
Entretanto a racionalidade de juros mais baixos para que o BNDES seja capaz de estimular investimentos produtivos e aumentar o emprego, que é a base do sistema atual, me parece correta. Principalmente porque ainda não temos no Brasil um mercado de capitais capaz de realizar operações de prazos mais longos. Somente agora a colocação de bônus em dólares no exterior tem permitido uma margem maior de manobra pelas empresas brasileiras. Mas, independente dessas questões, as operações do FAT a juros mais baixos não geram prejuízos ao Tesouro Nacional. Isso é um fato.
Com a expansão dos investimentos nos últimos anos, principalmente em novas áreas como o chamado pré-sal, essa sensação de escassez de recursos ficou ainda mais forte. O presidente Lula aproveitou a crise econômica que vivemos em 2009 para aumentar o orçamento de crédito do BNDES com a alocação de quase R$ 200 bilhões em títulos federais.
Essa decisão rompe com a tradição de independência financeira da instituição com relação ao Tesouro e que prevaleceu nos últimos 22 anos. Da forma como foi operacionalizado esse canal financeiro, passa a haver um mecanismo de subsídio direto do Tesouro ao setor produtivo, seja ele privado ou público, sem discussão mais ampla na sociedade. Inclusive foi levantado um questionamento legal sobre não estar esse subsídio explicitado no Orçamento Federal aprovado pelo Congresso.
Uma segunda mudança radical na ação do BNDES foi a introdução em suas prioridades, também sem a necessária discussão pública, de um programa de apoio para a criação de grandes grupos nacionais para que sejam atores internacionais importantes. Essa visão faz parte das ideias de um grupo de economistas vinculados ao PT e que acham necessário um redesenho do capitalismo brasileiro, chamado por eles de Capitalismo Tardio.
Nesse programa já foram aprovadas vultosas operações de crédito para a consolidação de uma grande empresa de telecomunicações com capital nacional e de um grande frigorífico de carnes de dimensão mundial. Sabemos também que existe um projeto de estimular a fusão de laboratórios nacionais para a criação de uma empresa capaz de concorrer com os grandes gigantes americanos, suíços e ingleses.
Nesse programa já foram aprovadas vultosas operações de crédito para a consolidação de uma grande empresa de telecomunicações com capital nacional e de um grande frigorífico de carnes de dimensão mundial. Sabemos também que existe um projeto de estimular a fusão de laboratórios nacionais para a criação de uma empresa capaz de concorrer com os grandes gigantes americanos, suíços e ingleses.
Reafirmo que o governo tem direito de introduzir mudanças nas prioridades do BNDES, por mais megalomaníacas e irracionais que pareçam, mas tem que atender duas condições básicas da democracia: transparência nos seus objetivos e respeitar as críticas que eventualmente venha receber. Não me parece que isso esteja ocorrendo nessa mudança de rumos da forma de trabalhar do BNDES. A direção do banco nunca explicitou de forma clara suas ideias, objetivos e prioridades na criação dos chamados atores internacionais. E, quando questionados sobre as operações já realizadas, a reação é sempre agressiva e pouco esclarecedora.
Luiz Carlos Mendonça de Barros, engenheiro e economista, é diretor-estrategista da Quest Investimentos. Foi presidente do BNDES e ministro das Comunicações. Escreve mensalmente às segundas-feiras.
Tony Judt - (1948-2010)
Tony Judt - (1948-2010)
Um intelectual sem medo de fazer críticas
Ivan Martins – época
Em 11 de fevereiro deste ano, o historiador britânico Tony Judt - Judt, fotografado em Madri, em 2006 - publicou, na revista The New York Review of Books, um texto em que se dizia “livre para contemplar, com mínimo desconforto, o progresso catastrófico da minha própria destruição”. Ele sofria, havia dois anos, de uma doença degenerativa incurável chamada esclerose lateral amiotrófica. Ela destrói os neurônios motores e provoca paralisia gradual de todos os músculos. “Tornei-me um monte de músculos mortos que pensa”, disse. Judt morreu em Nova York no último dia 6 de agosto. Tinha 62 anos.
Os brasileiros reconhecerão seu nome por dois livros: Pós-guerra, uma história da Europa desde 1945, publicado em português em 2008, e Reflexões sobre um século esquecido, deste ano. O primeiro é um catatau de 1.000 páginas, espantosamente erudito, que pôs seu autor na relação restrita dos grandes historiadores europeus. O segundo é uma coleção de ensaios corrosivos em que ele dispara, à esquerda e à direita, contra seus alvos favoritos: a ortodoxia, o fanatismo, a amnésia histórica e o oportunismo político. Muito antes disso, ele já se distinguira, como acadêmico e como polemista, na Europa e nos Estados Unidos, pela vastidão de sua cultura, por sua mente poderosa e por seu caráter ferozmente independente. “Poucas pessoas no mundo anglo-saxão podem chamar a si mesmas de ‘intelectuais’, como se faz no continente europeu, sem se sentir meio estranhas”, escreveu a revista The Economist. “No caso de Judt, a palavra merecia um I maiúsculo.”
Criado num bairro judaico do sul de Londres, Judt entrou na Universidade de Cambridge por convite, em meados dos anos 1960, antes mesmo de prestar seus exames finais no colégio. No início do curso, explodiu a Guerra dos Seis Dias, em Israel, e o jovem sionista saltou no primeiro avião e passou o conflito como intérprete. Voltou da guerra menos entusiasmado com o país fundado por Ben Gurion. Com o passar dos anos, se tornaria crescentemente crítico em relação ao tratamento dado aos palestinos e ao comportamento do lobby pró-Israel nos Estados Unidos, para onde se mudou definitivamente em 1987. Um artigo de 2003, no qual escreveu que Israel se tornara “um Estado étnico, beligerantemente intolerante e guiado pela fé”, lançou-o no centro de uma tempestade ideológica. Judt, tipicamente, pareceu não se importar. “Fora da Universidade de Nova York, sou considerado um esquerdista maluco e um judeu que odeia judeus”, afirmou. “Gosto disso. Faz com que me sinta confortável.”
A mente continuava ágil, embora prisioneira
de uma cela que encolhia 15 centímetros por dia
de uma cela que encolhia 15 centímetros por dia
A aparente contradição de suas posições nunca o inibiu. Os amigos dizem que exigia de si mesmo criticar os grupos a que sentia pertencer. Orgulhoso de sua herança judaica, indispôs-se com Israel. Socialista até o fim da vida, denunciou sem trégua o stalinismo e seus simpatizantes. Europeu até a medula, polemizava com a burocracia da União Europeia, que considerava antidemocrática. Escolheu viver nos Estados Unidos sem abrir mão de atacar George W. Bush ou Barack Obama. Escreveu como ninguém sobre a covardia dos intelectuais franceses diante do nazismo e do stalinismo, embora fosse um francófilo apaixonado.
Nem a doença conseguiu silenciá-lo. Até perto do fim, Judt continuou ditando artigos, dando entrevistas e fazendo palestras. Movia-se numa cadeira de rodas, articulava as palavras com dificuldade e precisava de um respirador artificial para se manter vivo, uma vez que sua musculatura respiratória, assim como a do resto do corpo, deixara de funcionar. Mesmo assim, era capaz de entreter um auditório por 15 minutos, sem o auxílio de anotações. A mente continuava ágil, embora, para usar sua metáfora favorita, fosse prisioneira de uma cela que encolhia 15 centímetros por dia. O corpo. Seus últimos ensaios, curtos, foram dedicados a descrever em minúcias os sintomas da doença e a lembrar, de forma pungente, passagens da infância na Londres dos anos 1950. Impedido de se mover, mas não de sentir incômodos físicos, ele passava as noites lembrando e refletindo. Recusava o conforto do autoengano. “Os prazeres da agilidade mental costumam ser superestimados, sobretudo por aqueles que não dependem apenas deles”, escreveu. “Perdas são perdas, e não se ganha nada em chamá-las por outro nome.” Intransigente, até o final.
Corações de pedra (1)
Corações de pedra (1)
11.08.2010 - 1:21pm (*) Roberto Romano da Silva
“Jesus foi para o Monte das Oliveiras : “…escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério; E, pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando. E na lei nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. (…) E, como insistissem (…) disse-lhes: Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela. (…) Quando ouviram isto, redargüidos da consciência, saíram um a um, a começar pelos mais velhos até aos últimos” E perguntou Jesus : “Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais. (Evangelho de João, 8).
“Qui sine peccato est vestrum, primus in illam lapidem mittat”. No caso do apedrejamento anunciado no Irã, precisamos examinar a lei que o sanciona. A lapidação por adultério foi instituída após o advento do Corão. No livro santo o castigo é menos severo do que no Levítico do Antigo Testamento. “As que cometem adultério entre vossas mulheres, deveis apresentar quatro testemunhas dentre vós contra elas. Se testemunharem, então deveis manter tais mulheres em suas casas até que morram, ou até que Deus crie uma saída para elas”. (Corão, 4:15). E também: “O casal que comete adultério deve ser punido. Se houver arrependimento e mudança, deveis deixá-los sozinhos. Deus é redentor, o mais misericordioso “. (Corão, 4:16).
No Paquistão de hoje ocorrem debates para saber se a lapidação seria castigo para o crime de adultério . Os enunciados em Shariat federal indicam que 100 chibatadas, sem lapidação, é a pena. Na Líbia são discutidos os castigos, com medidas diversas. (Disy Hilse Dwyer (ed): Law and Islam in the Middle East. New York, Bergin & Garvey. 1990).
No Irã a revolução afastou o corrupto e sanguinário Reza Pahlevi. O povo festejou o retorno aos ditames religiosos integrais. Logo o clero mostrou rosto sombrio. Hoje o país sofre sob aiatolás e também é vítima de milícias truculentas. Na lei penal assumiu força a lapidação e outras penas brutais. A Constituição de 1979 manda que os juízes impeçam “a execução de qualquer decreto governamental, se for provado que ele é contrário à lei islâmica e a seus mandamentos”. Tal direito pode ser exercido por qualquer juiz ou corte inferior. Em Shiraz (1982) um clérigo sem jurisdição na cidade, e sem ler as evidências e anotações dos juízes locais, mudou penas de prisão, aplicadas por cortes competentes, em sentenças de morte, as executando. O magistrado que deu as primeiras sentenças reclamou com o líder máximo, Khomeini. Não atendido, pediu demissão. O caso se repetiu a cada novo dia.
Penas cruéis foram “aprimoradas” por Khomeini. Açoitar jovens em público, apedrejar adúlteras até a morte se transformou em hábito. No seu tratado “Velayat-e-Faghih” escreve Khomeini: “Punir um bebedor com oitenta chibatadas em público se justifica, porque a maioria de nossas calamidades como acidentes de trânsito, suicídios e vicios em drogas vêm à tona em instantes de embriaguez”. E argumenta: “apedrejar uma adúltera solteira é o método mais eficaz contra a fornicação, abominação e corrupção”. (Cf. Ruhullah Khomeini, “Velayat-e-Faghih” ou “al-Hukumat al-Islamiyah” (1974). Seleções do livro traduzidas por Tareq Y. Ismael : “Iraq‐ Iran Conflict” (Syracuse: Syracuse University Press, 1982). Para mais informações seja lido o espantoso “Spirit Matters: The Worldwide Impact of Religion on Contemporary Politics”, Richard L. Rubenstein (ed.) (NY, Paragon House, 198 7). E também “Reformers and Revolutionaries in Modern Iran: New Perspectives on the Iranian Left”. Stephanie Cronin (Ed.), NY, RoutledgeCurzon. 2004.
Jesus e o Corão ensinam misericórdia. É nauseante ler cartas de leitores “cristãos” que julgam normal o apedrejamento de um ser humano. Seus corações são mais pétreos do que os objetos a serem jogados contra a carne frágil de Sakineh Mohammadi Ashtiani. Entendemos a causa de tantas mulheres serem espancadas, no Brasil: covardia impiedosa não tem crença ou lugar.
Plínio e os meninos do Santos
Plínio e os meninos do Santos
Luiz Werneck Vianna - VALOR ECONÔMICO
Não se trata de mais uma entediante metáfora futebolística, mas esse último jogo da seleção brasileira dá no que pensar. Depois dos jogos da Copa do Mundo em que nosso time, apesar de se mostrar aguerrido, evoluía pelos quatro cantos do campo sem a menor imaginação, na expectativa de que a sorte viesse a lhe sorrir, quem sabe em uma bola parada ou em erro do adversário, o que se assistiu na terça-feira, passado apenas um mês da nossa participação naquela infausta competição, foi como que uma confissão pública de um equívoco monumental. Apesar de enfrentar, em território do adversário, uma seleção americana formada há anos, de belo desempenho na África do Sul, nossos jogadores fluíam no gramado leves e soltos, sem perder de vista o objetivo crucial do jogo, o gol, fazendo do oponente um mero espectador de suas evoluções em campo.
Qual a mudança que transformou o comportamento do nosso time? A entrada de novos jogadores, antes descartados, certamente foi um fator, mas não deve explicar tudo, porque, antes da intervenção de novos pés, parece ter sido decisiva a da cabeça, com a adoção de uma nova concepção de jogo, que veio a valorizar as características de improviso e de inovação tradicionais à nossa cultura futebolística. A comparação com o quadro melancólico da sucessão presidencial em curso parece se impor, com esse desfile monótono de candidatos, como se fossem ventríloquos de marqueteiros, embora senhores (e senhoras) de fortes personalidades e cada qual com um histórico expressivo de realizações na vida pública.
A explicação é conhecida: dada a popularidade do governo Lula e a noção de que haveria um sentimento de satisfação com o estado de coisas reinante, o mote dessa campanha deveria se centrar nos temas da continuidade e do aperfeiçoamento de políticas em andamento. Tal diagnóstico recomendaria, segundo especialistas em marketing eleitoral, uma atitude de contenção por parte dos candidatos nas manifestações de suas convicções, produzindo o resultado, até agora inquestionável, de que se tornassem semelhantes entre si.
Ocorre, entretanto, que, nos debates organizados pela rede de TV Bandeirantes, o candidato que melhor atraiu a atenção do público comportou-se fora desse script, relembrando o seu desempenho, pela ênfase e comunicação expressiva de suas convicções, memoráveis momentos de um passado político nem tão remoto assim. Última imagem com futebol: Plínio atuou como um dos meninos do Santos que derrotaram a seleção americana, como se estivesse entre os burocráticos jogadores que disputaram a Copa.
Sem discussão, contudo, o viés anacrônico de certos posicionamentos do candidato do PSOL, mas esse senão não é um bom motivo para ignorar que ele trouxe à sucessão a questão da igualdade como nenhum outro, sem os subterfúgios das políticas de foco à moda de um neoliberalismo enrustido tão em voga. O fundamento último da República não é outro senão o da igualdade, pois o mundo dos desiguais é o dos principados, cujo melhor destino possível é contar com condottieri virtuosos que se façam amar por suas obras e feitos pelo seu povo, que delas usufrui como o camponês dependente do regime do clima, olhando para o céu a esperar pelas chuvas. Mas a sorte mais comum dos principados é a de estarem os muitos sujeitos à discrição de uns poucos, às vezes de um só, em sistemas despóticos que a política moderna aprendeu a camuflar no interior de aparências apenas formalmente democráticas.
Nesse sentido, está certo o candidato Plínio, diante do silêncio dos demais, em levantar o tema da democratização da terra, que, desde a nossa hora inaugural, nos condenou à desigualdade com uma história de latifúndios que criou a "ralé de quatro séculos" dos moradores de favor, base da cultura da dependência da multidão dos homens do campo, e que, com a queda do Império, se traduziu no sistema do coronelismo que contaminou os inícios da nossa vida republicana e ainda está por aí.
Trazer o tema da terra para o centro do debate político, nas condições de hoje da sociedade brasileira, importa, preliminarmente, reconhecer que não há boa solução fora dos princípios e das instituições da Carta democrática de 1988, filha das lutas por liberdade dos brasileiros. Importa, ainda, reconhecer que se deve procurar uma via de compatibilização entre o agronegócio, uma das vigas mestras da moderna economia brasileira, a defesa do meio ambiente e uma política agrária de estímulo e expansão da agricultura familiar, a qual deve ser objeto de uma política específica de distribuição de terras, tanto pelos seus efeitos benéficos à economia, como, talvez sobretudo, pela sua intrínseca capacidade de democratizar a sociedade e a política.
Não há como fugir do diagnóstico: sem igualdade não teremos a República para a qual nos orientam os melhores impulsos da nossa história. Sem ela, o movimento que hoje, na esteira da expansão da fronteira do capitalismo brasileiro, nos empurra para o mundo exterior, liderado por empresas e negócios que florescem à base da nossa abissal desigualdade social e de uma crescente centralização e concentração de capitais, longe de nos aproximar do modelo de uma República democrática pode, ao contrário, nos avizinhar da República dos doges em Veneza, ou, para quem preferir uma comparação mais moderna, da belicosa República americana dos nossos dias.
Luiz Werneck Vianna é professor-pesquisador do Iesp-Uerj. Ex-presidente da Anpocs, membro do seu conselho institucional. Escreve às segundas-feiras
Reflexões sobre a História
Reflexões sobre a História
Um revolucionário bolchevista estava falando de cima de um caixote para uma pequena multidão em Times Square, NY. Após descrever as maravilhas do socialismo e do comunismo, ele disse: “— A revolução virá, e todos comerão pêssegos em calda com creme de leite.” Um velhinho que estava na parte de trás da multidão gritou:“— Eu não gosto de pêssegos em calda com creme de leite.” O bolchevista refletiu por alguns instantes e então respondeu: “— A revolução virá, camarada, e você aprenderá a gostar de pêssegos em calda com creme de leite.“.
Autor desconhecido, contada por G. Edward Griffin
Fidel Castro, Lula e a “Faixa de Gaza”
Fidel Castro, Lula e a “Faixa de Gaza”
O jornal “O Globo” tem um fascínio todo especial pelo ditador cubano Fidel Castro, a quem trata, habitualmente, por “El Comandante”. De fato, não se passa uma semana, ou quinzena, sem que os entusiastas de Fidel, acantonadas no jornal dos irmãos Marinho, deixem de assegurar espaço para acomodar, com boa dose de simpatia (e alguns senões), a figura do sinistro ditador cubano.
Na edição de 08/08/2010, “El Comandante” aparece em foto discursando na Assembléia Nacional de Havana para uma platéia, segundo o jornal amestrado, “lotada”. Na matéria, “O Globo” desce a detalhes e informa que Fidel, trajando uniforme verde-oliva, falou apenas doze minutos, quem sabe nostálgico dos tempos em que discursava por mais de dez horas consecutivas para multidões que viviam, ontem como hoje, obrigadas a ouvir os seus sermões sob pena de severos castigos (entre os quais, por exemplo, o de sofrerem confisco nas cotas mensais de alimentos anotados nas célebres “cadernetas”).
Embora tenha discursado por pouco tempo, Fidel continua obcecado pelo fantasma do “imperialismo ianque” que, a bem da verdade, agora sob o manto de Barack Obama (tido como um traidor por boa parte da população norte-americana), nem de longe representa o temível império de outras eras (haja vista os insultos sistemáticos que recebe do desclassificado coronel Hugo Chávez, sem esboçar a menor reação).
Na sua charla psicótica, Fidel alerta o mundo contra uma provável guerra atômica, a cair dos ares caso os Estados Unidos ataquem o Irã e o seu criminoso programa nuclear – uma guerra, de resto, capaz de deixar o Drácula do Caribe feliz como pinto no lixo.
Fidel Castro completou 84 anos neste dia 13 de agosto. É uma vida malsinada, repleta de larga soma de crimes e malefícios (mais de 120 mil mortos), a começar pela ruína moral e material a que submeteu o seu pobre povo. (A propósito, convém lembrar que a filha de Fidel, Alina Fernandes, no seu livro de memórias, declara que na adolescência sofria pelo temor de herdar os maus instintos da família paterna, cujo avô, Angel Castro (pai de Fidel), não passava de um renomado sicário).
Há algum tempo, por ser inútil, já tinha feito uma promessa de não mais gastar tempo e papel com o mentor (juntamente com Luiz Inácio) do Foro de São Paulo. No entanto, diante de sua “ressurreição”, em má hora promovida pela mídia amestrada, é de bom alvitre, à guisa de lembrete, amaldiçoá-lo ainda uma vez:
- Vade Retro, satanás!
2 - NO BRASIL, quando o cidadão imagina que já viu de tudo, sempre aparece mais uma. Está circulando pela internet um vídeo extraordinário, que anda fazendo furor. Ele foi distribuído por um blogueiro do Rio de Janeiro chamado Ricardo Gama.
O vídeo foi rodado na base da câmera oculta, “pegadinha” típica, durante uma visita de Lula e o governador Sérgio Cabral ao Conjunto Habitacional Nelson Mandela, em Manguinhos, Rio de Janeiro, território conhecido pelo nome de “Faixa de Gaza”, onde funcionam tráficos de droga e armas.
Lula e Cabral, bem nutridos, cheios de empáfia, aparecem cercados por dezenas de policiais e aspones, quando se estabelece o instrutivo diálogo entre as duas genuínas autoridades populistas e um garoto, negro, de nome Leandro, morador local. A refrega, um quase interrogatório, no qual o garoto enfrenta os dois inquiridores, prima pela virulência. Leia a transcrição:
Cabral: … Vai ver nem joga futebol…
Lula: (interrompendo, em tom grosseiro) Não, não, não, não. Esquece. Qual é teu esporte, porra?…
Garoto negro: (em tom amistoso) É tênis.
Lula: E por que você não treina, porra?
Garoto negro: Porque aqui não tem tênis.
Lula: (mais agressivo) Tênis é jogo pra burguesia, porra… Me diz uma coisa… e natação?
Garoto negro: (sem pestanejar) A gente não pode entrar na piscina.
Cabral: (irritado) Por quê?…
Garoto negro: (conclusivo) Porque não abre para a população.
Cabral: (vulgar, de olho em Lula) Que não abre pra população, rapaz!
Garoto negro: (firme) Eu já fui lá perguntar. Não senhor, não abre. Pergunte por ai.
Há um clima de estupor geral. O diálogo (quase interrogatório) é travado sob um sol brabo. Lula, esbaforido, já esquentado, volta-se para Sérgio Cabral e para o Secretário de Obras do Estado, Ítalo Moreno, que fica mudo.
Lula: (dedo em riste) No dia que a imprensa vier ai e pegar num final de semana essa porra fechada o prejuízo político será infinitamente maior do que se pegar dois guardas e botar pra tomar conta. (Baixando o tom) Coloca aí dois bombeiros…
Mas o Garoto negro não dá refresco. No mesmo diapasão, volta-se para as duas autoridades populistas – o presidente e o governador:
Garoto negro: E a gente já acorda de manhã com dois “Caveirão” na nossa porta. Eu tenho um vídeo meu… se achar aqui… “Caveirão”, sim…
Cabral: (nervoso, falando aos borbotões, atropelando as palavras, irônico) E o tráfico… E o tráfico?… Não tem tráfico na tua rua?… Não tem troca de metralhadora?…
Garoto negro: Na minha rua, não. Eu não consumo.
Cabral: Não tem não, né?…
Garoto negro: Ter, tem. Mas eu não comparticipo… eu não comparticipo… eu moro aqui, gente … é a “Faixa de Gaza”…
Cabral: (engrolando as palavras, por trás de um Lula congestionado): Você diz que não é otário… pra fazer discurso de otário… Que é isso, cara?…
Voz de aspone: Como é teu nome?
Garoto negro: Meu nome é Leandro.
Cabral: Oh, tu não me engana, não! Bota essa inteligência pra estudar, seu sacana.
Garoto negro: Eu vou para a escola técnica…
Cabral: Leandro… vai estudar, cara.
Garoto negro: Eu vou para a escola, sempre.
O vídeo disponível no YouTube é irresistível. Diante dele presenciamos uma cena que reúne, a um só tempo, medo, hipocrisia, cinismo, prepotência, oportunismo, tensão nervosa, estupidez, além do excepcional comportamento de um garoto de comunidade que leva ao pânico um presidente da República inconsciente e um governador de Estado moralmente acovardado.
Conclusão: Se quiserem, de agora em diante as populações faveladas já têm como desmascarar a demagogia dos políticos em tempo de eleições: o apelo à câmara oculta, uma arma letal para se flagrar a dura tessitura da vida real!
Confissão inverossímil
Confissão inverossímil
Paulo Brossard - ZERO HORA (RS)
Houve tempo em que a benzedura era recurso de largo espectro, destinado a conjurar muitos senão todos os males, do mau-olhado às doenças contagiosas; com o tempo e os progressos da medicina e da farmacologia, o sortilégio perdeu prestígio e, ao que parece, saiu de moda; chego a supor tenha caído no esquecimento, repousa sob o véu da desmemória, indagar-se-á por que estou a lembrar-me do outrora valioso expediente. É que são tantas as coisas surpreendentes que têm acontecido e continuam a suceder, aqui e longe daqui, que, se a mezinha não tivesse sido revogada pela continuidade do desuso, seria levado a buscar a opinião dos doutos a respeito de sua suposta serventia, se é que ainda a possui. Pois a verdade é que, acredite ou não o penitente, em caso de necessidade, salve-se quem puder, seja lá a que preço.
Pois estou convencido de que atravessamos induvidosa superprodução de absurdos de todos os tipos, que, em tempos normais, seriam sérios infortúnios, mas que dia a dia passam a ser tidos como normais. E se é verdade que Octavio Mangabeira, com seu saber de experiência feito, dizia que se imaginasse um absurdo, por maior que fosse, havia precedente na Bahia, hoje o absurdo desmarcado parece ter-se expandido da Bahia para o Brasil inteiro.
O honrado presidente da República, cuja inteligência e intuição são reconhecidas até por seus mais radicais antagonistas, bastando notar que chegou à Presidência sem possuir diploma algum, até receber o que lhe dava acesso a ela, segundo sua pícara e expressiva observação, adotou um dos mais atrasados países, em todos os sentidos, para reformar a ONU e o que lhe estivesse próximo. E abraçou-se ao Irã, como se essa companhia pudesse dar seriedade à missão do novo arauto da renovação das organizações internacionais. A verdade é que o mau passo foi grande demais. Pouco antes, o fiasco em Cuba, quando, em pessoa, no dia de sua chegada à ilha, assistiu mudo ao sacrifício de Orlando Zapata, finado depois de 85 dias de greve de fome. Nenhuma palavra de clemência. Ao contrário, teve o mau gosto de equiparar os presos políticos do encanecido ditador com os que são condenados por crimes comuns, regularmente julgados, que cumprem pena em penitenciárias paulistas. A impressão causada foi penosa. Não demorou e se viu vítima da sua intimidade com o país dos aiatolás.
O inesperado aconteceu depois da reação mundial da inacreditável condenação. Já não falo da pena de morte nem desta em relação ao alegado adultério, mas da confissão depois de quatro anos de prisão. De repente, em TV do Irã, quarta-feira à noite, apareceu a condenada com o rosto coberto, vendo-se apenas o nariz e um dos olhos, para confessar não só o adultério como seu envolvimento no assassínio de seu marido. Nunca vi confissão menos verossímil. A meu juízo, ela é inaceitável, assim como a censura ao seu advogado, que teve de refugiar-se na Noruega! Houve quem afirmasse que ela foi torturada até submeter-se à confissão espontânea. Não duvido que esse procedimento seja adotado em regime totalitário. Contudo, desprezo esse dado. Tudo me soa falso no macabro episódio. Esse o país adotado pelo presidente do Brasil como companheiro às suas investidas internacionais. Como brasileiro, é o que mais me impressiona.
*Jurista, ministro aposentado do STF
A carta que Dilma não escreveu ao Brasil
A carta que Dilma não escreveu ao Brasil
GUILHERME FIUZA REVISTA ÉPOCA
Lula não tem culpa do poder político sobre-humano que adquiriu. A culpa é do Brasil. Na virada do milênio, Luiz Inácio da Silva era um problema para o PT. Derrotado em três eleições presidenciais, prisioneiro de um discurso anacrônico contra a política econômica que fundara o real, Lula se tornara um candidato de plantão, quase folclórico. Uma guinada histórica o transformou num Midas eleitoral, capaz de reeditar, com a invenção de Dilma Rousseff, o famigerado plano Celso Pitta - que parecia uma lição devidamente assimilada.
Boa parte do PT não queria Lula candidato à Presidência pela quarta vez, em 2002. Emergiam novas forças no partido, como Cristovam Buarque, que governara o Distrito Federal. Um passo adiante dos slogans genéricos contra o capitalismo ocidental, Cristovam rompera com o modelo do Estado paternal. Foi a primeira voz da esquerda a proclamar que a estabilidade monetária era boa para o povo. Governou com responsabilidade fiscal, resistindo ao bombardeio sindicalista e fisiológico de seus companheiros - que queriam, como sempre, o poder como seio materno.
Cristovam executara com sucesso o inovador programa Bolsa Escola. Apoiara o governo federal - ao qual era oposição - na luta contra a inflação e o descontrole das contas públicas. O PT tinha nele um governante moderno, potencial candidato à Presidência em 2002. Mas Lula, apesar de ultrapassado, ainda era uma lenda no partido. E conseguiu a candidatura após um arrastão comandado pelo deputado José Dirceu.
Esse Lula fraco e desgastado entrou na corrida presidencial com uma novidade. Por sensibilidade do próprio José Dirceu, a campanha dessa vez abandonaria o sectarismo estratosférico. O Brasil ia conhecer um PT mais pragmático, disposto a conversar com todos, e não apenas a rugir seus ideais imaculados - que seriam para sempre perfeitos, desde que não saíssem das assembleias partidárias e reuniões acadêmicas.
Por algum tempo, assistiu-se a um Lula híbrido, que seguia a moderação proposta por Dirceu, mas ainda vocalizava os instintos incendiários do partido: moratórias, xenofobia, ataques ao Banco Central e às metas de inflação, invasão de propriedades produtivas, intervenção na imprensa burguesa e todo aquele guevarismo de grêmio estudantil que o Brasil não queria. Lula foi então salvo por Pedro Malan.
Assistindo ao discurso totalflex do candidato da oposição - que trazia insegurança geral e uma recaída da inflação -, o ministro da Fazenda de Fernando Henrique Cardoso indagou publicamente qual dos dois era o Lula verdadeiro. Daí surgiu o documento - articulado por Dirceu e por Antônio Palocci - que elegeu o candidato do PT: a Carta ao Povo Brasileiro, na qual Lula se comprometia com princípios como a responsabilidade fiscal, o cumprimento dos contratos e as bases da estabilidade monetária. Uma transição saudável no Planalto.
O Brasil deveria estar se preparando agora para mais uma transição saudável, se o sobrenatural não tivesse entrado em cena. Lula era um presidente normal até estourar o mensalão, o maior escândalo de corrupção da história da República. Pela primeira vez, o grupo político de um presidente criava um duto sistemático entre os cofres do Estado e seu partido. O enredo foi descoberto, seus protagonistas denunciados, e o país passou a mão na cabeça de Lula - não apenas preservando-o, mas passando a conferir-lhe taxas históricas de popularidade. Acima do bem e do mal, Lula virou mito.
Um mito com um cheque em branco na mão. Nesse cheque, escreveu o nome de Dilma Rousseff. A menos de dois meses da eleição, o Brasil ainda não averiguou se o cheque tem fundos. A maioria do eleitorado está dizendo que vai descontá-lo na boca do caixa. Se der dor de cabeça, azar. Será tarde demais para pedir a Dilma - a mãe ou a madrasta - que escreva uma bela Carta ao Povo Brasileiro.
Em livro, dissidente acusa premiê chinês de 'fingir' ser reformista
Em livro, dissidente acusa premiê chinês de 'fingir' ser reformista
Um livro que promete ser uma pedra no sapato do Partido Comunista da China, e em especial do primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, chega nesta segunda-feira às livrarias de Hong Kong.
Traduzido livremente como "Wen Jiabao, o Melhor Ator da China", a obra do dissidente Yu Jie procura desfazer a imagem de Wen como um líder reformista, uma ideia corrente e reforçada pelo carisma e o apoio que o premiê tem entre a população chinesa.
"Não sou o primeiro a descrever Wen Jiabao como um ator. Acompanho o seu comportamento há muito tempo. Muitas das políticas de seu governo são diferentes da maneira como ele se comporta publicamente ou perante a imprensa. Muitas vezes, são até contraditórias", disse Yu em entrevista à BBC.
"Muitos são enganados por seus atos e gostam dele, acham que ele é um reformista - eu não acho."
Wen ganhou simpatia ao longo de seus sete anos como premiê demonstrando simpatia por chineses comuns e reagindo rapidamente a situações de emergência, como desastres naturais e caos no setor de transportes.
O correspondente da BBC em Pequim, Michael Bristow, disse que o líder goza de uma "imagem fantástica" na China e que, nas ruas da capital, "é difícil encontrar alguém que não goste" dele.
Yu, entretanto, acusa o premiê de não promover reformas liberalizantes no momento em que a China avança no cenário mundial e procura encontrar maneiras de se adaptar a essa nova ordem.
"A China está em um momento de mudança, em uma perigosa encruzilhada histórica", diz. "Se Wen fosse realmente um grande líder, com a coragem de um grande líder, tentaria promover reformas, mas não o fez."
Liberdade de expressão
Na China, segundo o correspondente da BBC, não somente os políticos não estão acostumados a serem criticados em público, como em geral são louvados nas obras que chegam às prateleiras das livrarias.
Desde 2004, os livros de Yu são proibidos na China continental, que opera uma rigorosa censura à circulação de ideias. Sua obra mais recente está sendo lançada apenas na ilha de Hong Kong, onde as leis editoriais são mais brandas.
No mês passado, o autor foi brevemente detido pela polícia quando contou aos amigos através da internet que a obra estava no prelo. Foi advertido a não publicá-la.
Ainda assim, o dissidente decidiu trazer o livro para a cena pública, afirmando que é preciso "desenvolver a ideia de liberdade de expressão" no país.
"Uma porta se abriu ligeiramente na China (em relação à liberdade de ideias), mas precisamos que todos dêem um empurrão para permitir que entre a luz do sol", disse o autor.
"A porta não vai se abrir automaticamente se ninguém fizer nada."
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