quinta-feira, agosto 26, 2010

O voto dos inocentes úteis

O voto dos inocentes úteis

Klauber Pires - Instituto Millenium

O voto facultativo a cidadãos que não conheceram o ônus de trabalhar, produzir, defender a pátria e responder por seus atos remete-nos perigosamente ao caminho da tirania travestida de idealismo juvenil. A nação precisa repensar sobre isto.
O filósofo Hans Hermann-Hoppe tem horror à democracia. Ele a tem como o mais tirano dos regimes. Eu concordo com muitos dos seus argumentos, entretanto, não consigo enxergar no meu estreito horizonte de conhecimento algo melhor. No fim das contas, parece que todos os regimes falharam. Desde a Grécia, tivemos um rodízio entre os impérios, as monarquias, as aristocracias, as repúblicas e as democracias.
Confesso que já bati no anarco-capitalismo e voltei. Se me perguntarem, atualmente eu me manifestaria como um micronarquista (mícron + arquia), isto é, optaria por um regime tal ainda menor do que o comumente defendido pelos minarquistas. Isto porque defendo que até mesmo os serviços de produção de segurança (polícia, judiciário e correição) podem ser estatais.
Não defendo o anarquismo completo por uma questão, entre outras, que me pareceu terminativa: uma sociedade anárquica, por si só, até que pode parecer viável, mas ela não tem sustentação contra um estado agressor. Se há uma coisa em que os estados são eficientes, é a capacidade de agredir outros povos ou os seus próprios cidadãos. Os estados conseguem a unidade e isto mesmo que seja à força, e investem vastos recursos na produção da máquina de guerra por tempo indefinido. Uma sociedade anárquica não teria a iniciativa de gastar a fundo perdido e permanentemente com a sua proteção externa. Em alguns artigos que li, seus defensores citam movimentos de resistência bem-sucedidos. Todavia, a resistência é quase sempre um ato de concessão por parte do agressor: se ele quiser exterminar a população, esta se anula.
Pensar em quem pode votar tem sido uma preocupação com os idealizadores das democracias. Desde os primórdios, os eleitores eram os homens com um certo padrão mínimo de propriedade privada. Certamente, este era um meio quase eficiente de proteger a propriedade privada. Todavia, a história mostrou que o regime daí derivado tendia a subtrair ilegitimamente a propriedade ou o trabalho dos não-eleitores. Hoje vivemos o momento contrário, e também o oposto se sucede: são os sem-posses os que sugam a propriedade dos que trabalham e produzem.
O fim da guerra de secessão trouxe a liberdade aos negros norte-americanos, e ao mesmo tempo retirou os direitos políticos da maior parte dos brancos do sul. Com uma superioridade numérica inquestionável a favorecer os ex-escravos, veio à tona não somente o revanchismo, mas uma série de desastres provocados por um povo que não entendia patavinas de cidadania e muitíssimo menos de governo. O que talvez fosse necessário seria uma intervenção federal até que os brancos e os negros do sul assimilassem o modelo de democracia dos estados ianques, de modo que o poder lhes fosse concedido aos poucos, primeiro por meio de cargos públicos, depois por meio de eleições municipais e por fim as estaduais.
Dito isto, se nos resta defender um estado mínimo, ainda vejo a democracia como o meio mais viável, embora concorde plenamente que a sua perfectibilidade exija-nos ainda percorrer um longo caminho. Entretanto, mesmo ela tem as suas armadilhas, que são, com certeza, as mais perigosas, porque sempre carregam o desvio de finalidade sob os pretextos mais emotivamente sedutores.
Aqui, então, chego ao problema que pretendo apresentar: teria sido a faculdade de votar desde os dezesseis anos uma estratégia política das esquerdas? Por que não aproveitar os votos dos jovens enquanto eles não mudam de ideia? Acredito firmemente nesta hipótese, e é o que passarei a defender adiante.
Em primeiro lugar, pensemos sobre as tendências naturais desta fase da vida de tomar causas apaixonadamente (não é a toa que os regimes mais totalitários se valeram de suas juventudes: a juventude nazista, a fascista e a comunista); reflitamos em seguida sobre a educação que estes jovens trazem das escolas, totalmente transformada em centros de doutrinação marxista; somemos a isto a característica da nossa população, cuja faixa etária encontra aí uma representatividade expressiva; e finalmente, tenhamos em conta que o caráter facultativo favorece o comparecimento às urnas dos adolescentes mais militantes, em detrimento dos mais informados ou amadurecidos, que admitem a necessidade de se esclarecerem melhor antes de emitir opinião. Eis a fórmula do sucesso, que tende a desequilibrar a balança entre os adultos.
O mais bizarro em nossa democracia é a concessão de um direito político ativo totalmente divorciado dos respectivos deveres como cidadãos. A inversão dos critérios de cidadania extrapola do mínimo exigível, para se tornar uma cifra negativa: não são mais critérios, mas anti-critérios, pois conferem a pessoas penalmente inimputáveis, inalistáveis para as forças armadas e que nem sequer podem trabalhar o direito de fazerem escolhas válidas para todos os indivíduos. Não me surpreenda que tendam a apoiar as propostas mais inconsequentes – justamente aquelas que as esquerdas mais recorrentemente defendem.
Olhemos para os jovens: como são preconceituosos, ainda mais quando empunham a bandeira do combate ao preconceito! Como são ímpios, notadamente entre os que pregam a tolerância! Olhemos para eles: olhemos como, inseguros, juntam-se como lobos às suas matilhas, que chamam de “tribos” ou “comunidades”, ou qualquer termo da hora; olhemos como tirânicos são os líderes destas matilhas, os machinhos e as femeazinhas “alfa”, ditos “os populares”.
O voto facultativo a cidadãos que não conheceram o ônus de trabalhar, produzir, defender a pátria e responder por seus atos remete-nos perigosamente ao caminho da tirania travestida de idealismo juvenil. A nação precisa repensar sobre isto.

M. Jacobsen para Charge Online

Ameaça do autoritarismo é continental

Ameaça do autoritarismo é continental
Milhões de cidadãos sul-americanos estão ameaçados de perder suas fontes independentes de informação e de passarem a receber notícias através de um filtro governamental.

É o chamado “controle social da mídia”, um projeto caro a governos ditos de esquerda, autoritários e neopopulistas, eufemismo de censura.
É o que se passa, há anos, na Venezuela, onde Hugo Chávez persegue os meios audiovisuais (TV, rádio) críticos. Na semana passada, a Justiça, controlada pelo chavismo, impediu jornais e revistas de publicarem imagens e textos sobre a violência que dilacera o país (o número de homicídios em 2009 foi superior ao das mortes no Iraque). Depois, um tribunal voltou atrás, mas o dano à liberdade de expressão já estava feito.
Em outro país, mais importante, a Argentina, o processo está a todo o vapor. Explica-se: o casal Kirchner assume cada vez mais o autoritarismo como estilo, e se torna dia a dia mais parecido com Chávez. A relação dos Kirchner com a imprensa independente nunca foi boa, mas piorou quando o governo entrou em choque com o setor rural, em 2008, ao aumentar em 35% o imposto sobre a exportação de produtos agrícolas. O diário “Clarín” apoiou os ruralistas e, desde então, passou a ser considerado inimigo público número um pelos Kirchner. A primeira investida foi a Lei dos Meios, de 2009, pela qual o Estado reordenava a mídia segundo critérios próprios, para reduzir seu faturamento independente do Estado. Foi julgada inconstitucional.
O governo voltou à carga e cassou a licença da Fibertel (do Grupo Clarín), provedora de serviços de internet.
Mas a grande cartada surgiu agora quando a presidente Cristina, em cadeia nacional de TV, acusou os dois principais jornais do país — “La Nación” e “Clarín” — de se terem aproveitado do clima de terror da ditadura (1976-1983) para apropriarse da empresa Papel Prensa, dona de 75% do mercado argentino.
O governo enviará à Justiça um relatório formalizando a acusação, com o qual espera poder expropriar a companhia, e assim decretar o fim da liberdade de imprensa. Ao GLOBO, Eduardo Lomanto, diretor de negócios do “La Nación”, denunciou a truculência mafiosa que permeou a investida do governo, lembrando a participação do secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno. Em determinado momento de uma reunião com os acionistas de Papel Prensa, ele ameaçou: “Aqui fora tenho uns muchachos especialistas em partir a coluna e fazer saltar os olhos daquele que fale” (contra a intenção do governo).
Ontem, o irmão de David Greiver, um dos proprietários originais da empresa, veio a público para contestar os argumentos do governo e testemunhou que a venda da companhia para os atuais donos (“Clarín”, “La Nación” e o próprio Estado argentino) se deu antes da prisão de sua família pela ditadura e de forma vantajosa para ela.
O Brasil não está livre de ações de grupos que visam a subjugar meios de comunicação independentes. Diversos projetos de lei nesta direção se originaram na Conferência Nacional das Comunicações (Confecom), convocada pelo governo. Em todo o continente está em risco a base das liberdades democráticas.
Sem imprensa livre, elas são revogadas.

A máquina

A máquina
Merval Pereira – O Globo

Agora ficamos sabendo, graças ao jornalismo da grande imprensa que o governo Lula tenta constranger justamente para que fatos como este não sejam divulgados, que o vice-presidente executivo do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, não foi o único tucano a ter o sigilo fiscal quebrado dentro da Receita Federal. Outros três personagens, ligados de alguma maneira a José Serra, candidato tucano à Presidência da República, também tiveram seus dados acessados irregularmente no dia 8 outubro, em 16 minutos de atividades através de um mesmo computador e com a utilização da mesma senha
O processo aberto na Receita Federal, que ainda não foi divulgado oficialmente, demonstra que, sem motivação profissional, as declarações de Imposto de Renda do exministro das Comunicações do governo de Fernando Henrique Cardoso Luiz Carlos Mendonça de Barros, do exdiretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio e de Gregório Marin Preciado, casado com uma prima de Serra, também foram acessadas.
A quebra de sigilo de “adversários” políticos é apenas uma faceta do aparelhamento do Estado posto em prática pelo governo.
Uma análise aprofundada dessa máquina está no livro “A elite dirigente do governo Lula”, da cientista política Maria Celina D’Araujo, atualmente professora na PUC do Rio de Janeiro.
O próximo presidente da República vai herdar uma máquina pública “experiente e bem formada”, com fortes vínculos políticos com o PT e a CUT, relação aprofundada no governo Lula.
Segundo o estudo, uma máquina formada por pessoas altamente escolarizadas, com experiência profissional, a maioria proveniente do serviço público, com fortes vínculos com movimentos sociais, partidos políticos, especialmente o PT, sindicatos e centrais sindicais, principalmente a CUT.
Na análise de Maria Celina, os integrantes das carreiras públicas estão majoritariamente filiados a sindicatos e têm preferencialmente adotado o PT, “de forma que mesmo que o governo seja de outro partido, a máquina pública irá refletir essa tendência”.
Esse “sindicalismo de classe média”, onde predominam professores e bancários, tem sua base no funcionalismo público, fundamental para reativar o sindicalismo brasileiro a partir da redemocratização nos anos 1980, e está na origem do Partido dos Trabalhadores.
Dados oficiais indicam que em julho de 2009 havia 47.500 cargos e funções de confiança na administração direta, autárquica ou em fundações, que podiam ser preenchidos discricionariamente pelo Poder Executivo federal.
É essa máquina, dominada pelos sindicalistas, que atua nas sombras para produzir dossiês ou comprá-los com dinheiro escuso de que até agora não se sabe a origem, como no caso dos “aloprados”, de 2006, que pagaram com montanhas de dinheiro vivo um dossiê contra o então candidato ao governo de São Paulo, o mesmo José Serra que hoje concorre à Presidência da República.
Dossiês e insinuações contra Mendonça de Barros, Ricardo Sérgio ou Gregório Marin Preciado surgem desde a campanha eleitoral de 2002, especialmente por conta das privatizações.
Mas Mendonça de Barros, o ex-presidente da Anatel Renato Guerreiro e dois ex-presidentes do BNDES, André Lara Resende e José Pio Borges, foram absolvidos, depois de dez anos de insinuações e acusações, que agora a Justiça diz serem infundadas.
O dossiê contra Eduardo Jorge foi descoberto pela “Folha de S. Paulo” e, no decorrer das investigações sobre o caso, descobre-se agora que mais pessoas foram “investigadas”.
O comitê de campanha de Dilma Rousseff, onde circulava o dossiê sobre Eduardo Jorge, é o mesmo que se viu envolvido em espionagens e contratações de arapongas para grampear telefones de adversários da campanha de Serra, inclusive o próprio, segundo declaração de um policial que foi sondado para a tarefa.
O jornalista acusado de responsável pela tentativa de criar um núcleo de espionagem na campanha, Luiz Lanzetta, foi afastado do comitê, mas continua trabalhando na campanha de maneira indireta, em outra empresa.
Ao mesmo tempo, a campanha de Dilma contratou um jornalista “investigativo”, Amaury Ribeiro Jr., que supostamente escreveu um livro com denúncias sobre o processo de privatização no governo Fernando Henrique. Depois do escândalo, ele também foi afastado do comitê.
Como não é a primeira vez que um órgão federal quebra o sigilo de “adversários” do governo — não se deve esquecer nunca o caso do caseiro Francenildo Pereira, que teve seu sigilo na Caixa Econômica Federal quebrado na tentativa de proteção do então ministro da Fazendam Antônio Palocci, hoje um dos coordenadores da campanha de Dilma —, seria preciso que a cidadania se escandalizasse com essa prática antidemocrática, que fere os direitos individuais.
São as “janelas quebradas” do sigilo de que falou o juiz Antônio Cláudio Macedo da Silva, que mandou abrir para Eduardo Jorge a investigação da Receita.
Mas nada mais espanta, nem causa constrangimentos aos donos do poder, que já se sentem nomeados para pelo menos mais quatro anos de governo, quem sabe mais oito, ou talvez mais 12 caso Lula reivindique para si a candidatura em 2014, assumindo o lugar que sua “laranja eleitoral” esquentou para seu retorno glorioso.
A vontade de permanecer, mesmo por interposta pessoa, é tamanha que o próprio Lula já se acha em condições de fazer piadinhas com o continuísmo sonhado.
“Podia ter uma emendazinha para mais alguns anos de mandato”, brincou ontem ao assinar a reorganização do Ministério da Defesa.
De brincadeira em brincadeira, mas levando muito a sério a missão de eleger sua escolhida, Lula demonstra um apetite pelo poder que tem reflexo na máquina partidária que está montada e em ação, trabalhando dentro do governo para garantir a permanência do grupo.

IQUE - No Jornal do Brasil

Na volta do Iraque, veteranos dos EUA enfrentam dura adaptação

Na volta do Iraque, veteranos dos EUA enfrentam dura adaptação
Quase cem mil soldados voltam do confronto ao mesmo tempo. Psicólogos alertam dos cuidados para a adaptação dos veteranos.
Daniel Buarque Do G1, em São Paulo

Um batalhão de quase cem mil soldados dos Estados Unidos, o suficiente para enfrentar uma guerra, volta para casa neste mês com a retirada das tropas de combate do país no Iraque. A decisão foi comemorada como o início de fato do conflito iniciado em 2003, mas, a exemplo do que já aconteceu no fim de outras guerras lutadas pelos americanos, este retorno pode ter um efeito interno complicado para o país. Em meio a uma longa crise econômica, os americanos vão ter que reabsorver jovens treinados para a guerra, mas nem sempre para a vida em sociedade. Muitos desses veteranos têm problemas psicológicos, ou de saúde, e sua adaptação pode ser difícil, segundo psicólogos.
Por mais que nem todos os soldados que voltam aos EUA sejam dispensados, o número de veteranos da guerra deve ter um aumento acima do normal no final deste mês. “A volta de tantos soldados vai sobrecarregar o sistema, e pode trazer problemas”, disse ao G1 o psicólogo Stanley Krippner, especialista em tratar distúrbios mentais de veteranos de guerras.
O G1 publica nos próximos dias uma série de reportagens sobre os sete anos de ocupação norte-americana no Iraque. Na semana passada, a decisão do presidente Barack Obama de retirar as tropas até o final deste mês começou a ser cumprida. Ainda restarão 50 mil soldados no país, nas tarefas de formação e de assistência. As próximas reportagens serão uma indicação de livros e filmes para entender a guerra e um Raio-X completo do conflito.
Krippner se baseia em estatísticas que ele mesmo analisou a respeito dos veteranos para chegar a esta conclusão. Autor de “Haunted by Combat” (Assombrados por combate), ele diz que 20% dos soldados que voltam do Iraque e se tornam veteranos têm desordem de estresse pós-traumático, um problema psicológico que precisa de tratamento e que é uma das principais causas de comportamentos extremos e depressivos. “Eles não deveriam voltar todos de uma vez”, disse, alertando que taxas de suicídio, que chegam a mais de cem por mês entre os veteranos, podem ficar ainda maiores.

[Os militares] não deveriam voltar todos de uma vez"
Stanley Krippner, psicólogo

Menos pessimista, Keith Armstrong, psiquiatra que coordena o Departamento de Assuntos de Veteranos na Califórnia, não acredita em problemas graves, mas diz que a sociedade americana vai precisar ajudar na adaptação desses ex-soldados. “Todos eles têm problemas para se ajustar”, disse, em entrevista ao G1. Segundo ele, as guerras do Iraque e do Afeganistão envolveram o trabalho de quase, 1,5 milhão de militares, e desde 2001 o país já vem se acostumando a lidar com a presença de veteranos, melhorando o cuidado oferecido.
Mas ele concorda que de fato é preciso ficar atento para dar assistência e evitar problemas envolvendo estes veteranos. “A sociedade precisa ajudar os veteranos a se readaptar”, disse, lembrando que a participação dos estados americanos na guerra não é uniforme, e que em algumas regiões é preciso uma atenção maior por haver mais veteranos.

Mais sobreviventes, mais problemas

Um maior grau de sobrevivência de soldados é o principal diferencial das guerras do século XXI em relação a conflitos do passado. Com uma maior tecnologia de proteção contra o inimigo e um maior avanço da medicina, menos militares morreram no Iraque e no Afeganistão de que em outras guerras, explicou Krippner. A sobrevivência, entretanto, faz com que haja proporcionalmente mais veteranos de guerra e um índice maior de ex-soldados com problemas psicológicos.

Todos eles têm problemas para se ajustar"
Keith Armstrong, psiquiatra

No passado, quando os soldados americanos voltaram da guerra do Vietnã, por exemplo, os Estados Unidos já tiveram que lidar com a readaptação deles, que tinham problemas de saúde e mentais, e que, para completar, “eram deplorados pela sociedade, que se opunha à guerra”, disse Krippner. No caso dos veteranos de hoje, há um maior respeito da sociedade em relação a quem participou da guerra, e muitos são bem-vindos, além de se prepararem melhor para o que podem encontrar ao voltar à vida longe de confrontos.
Mesmo assim, um grande número de veteranos apresenta um quadro psicológico que segundo os estudiosos ouvidos pelo G1 oscila entre a depressão e a agressividade, e os resultados mais graves disso são os suicídios e o envolvimento em crimes e agressões. Krippner explicou que tudo isso pode ser evitado com o tratamento corretamente aplicado, entretanto.
Segundo ele, é preciso envolver os veteranos em interações de grupo, em que eles se sintam acolhidos, parte de uma comunidade. Além disso, famílias e amigos devem ser envolvidos no processo, para que haja um sentimento de valorização deles. “Por último vem o tratamento profissional”, disse, alegando que o acompanhamento psicológico é importante, mas não necessariamente a primeira opção. “Cada caso é diferente e requer uma atenção diferente”, disse.

Cáis... #fotografia #fotojornalismo #photos #botequimtuitajoaquim Vou navegar e volto mais tarde... Ciao! by Johnguardacosta

PEDRO AZNAR - DEJA LA VIDA VOLAR (VICTOR JARA)

Receita: mais três ligados a Serra tiveram sigilo violado

Receita: mais três ligados a Serra tiveram sigilo violado
O GLOBO

Dados foram abertos no mesmo dia da espionagem contra vice-presidente tucano

Mais três pessoas ligadas ao candidato tucano à Presidência, José Serra, tiveram o sigilo fiscal violado: Luiz Carlos Mendonça de Barros, ministro do governo Fernando Henrique; Gregório Marin Preciado, marido de uma prima de Serra; e Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-diretor do Banco do Brasil. As violações aconteceram em 16 minutos, em um computador da Receita, no mesmo dia da espionagem contra o vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge. Os vazamentos constam da investigação da Receita que silenciou sobre o caso. Serra voltou a culpar a campanha de Dilma Rousseff pelo vazamento: O PT faz espionagem e coisas gravíssimas. Para o PT, os tucanos alimentam um factoide político.
Espionagem em série
Além de Eduardo Jorge, outros três nomes ligados a Serra tiveram dados violados na Receita

Roberto Maltchik - BRASÍLIA

Eduardo Jorge Caldas Pereira, vice-presidente do PSDB, não foi o único tucano a ter seus dados fiscais devassados ilegalmente.
Num intervalo de 16 minutos, em 8 de outubro de 2009, um computador da Delegacia da Receita Federal em Mauá (SP) serviu como base para acesso não autorizado a dados sigilosos de mais três pessoas ligadas ao PSDB e ao presidenciável tucano, José Serra. Na lista estão Luiz Carlos Mendonça de Barros, ministro das Comunicações no governo Fernando Henrique; Gregório Marin Preciado, marido de uma prima de Serra; e Ricardo Sérgio de Oliveira, diretor do Banco do Brasil no governo FH.
Os dados constam do processo administrativo aberto em 1° de julho pela Corregedoria da Receita. A Polícia Federal e o Ministério Público Federal também investigam suposto uso dos dados para montagem de um dossiê por integrantes da campanha da candidata do PT, Dilma Rousseff.
Três analistas tributárias da Delegacia de Mauá são investigadas.
Receita omitira outras vítimas
Pelo relatório, a primeira quebra de sigilo ocorreu às 12h27m, para coletar os dados da declaração de IR do exercício 2008/2009 de Luiz Carlos Mendonça de Barros. O computador usado foi o de Adeilda Ferreira dos Santos, funcionária da Receita em Mauá, e a senha, de Antônia Aparecida Rodrigues dos Santos Neves Silva, chefe do órgão regional e ex-secretária geral da Delegacia Sindical de Santo André/São Bernardo. Às 12h30m, os dados de Gregório Preciado foram acessados. Na sequência, às 12h31m, foram acessados dados sobre Ricardo Sérgio; às 12h43m, foi a vez dos dados fiscais de Eduardo Jorge.
No último caso, a Receita já comprovou que houve acesso imotivado: os servidores não tinha interesse funcional para acessar os dados.
A Receita alegava sigilo nas investigações para dar informações sobre o caso, e não revelara que, além de Eduardo Jorge, outras pessoas tinham sido vítimas da espionagem.
Por ordem da Justiça Federal, porém, a Receita foi obrigada, anteontem, a dar acesso a Eduardo Jorge às investigações.

O processo administrativo ouviu todos os servidores de Mauá. Porém, os principais depoimentos foram prestados pelas três servidoras que tiveram acesso à mesma senha usada para manusear as informações dos quatro personagens: Adeilda, Antônia e Ana Maria Rodrigues Caroto Cano.
Antônia é a dona da senha e, inicialmente, foi apontada pelos investigadores como autora do acesso aos dados de Eduardo Jorge. As três negaram, em depoimento, envolvimento com o episódio e, a pedido da Corregedoria, estão afastadas temporariamente de suas funções.
A Corregedoria levantou todos os acessos com as senhas, e dos terminais, das três analistas. Além dos quatro aliados de Serra, outros três CPFs de pessoas que já tiveram alguma atividade pública também despertaram o interesse da apuração, segundo o relatório.
Nos depoimentos de Antônia, Adeilda e Ana, os investigadores questionaram a rotina delas e se tinham ligação com Eduardo Jorge. A Corregedoria também perguntou se cada uma delas é ou foi filiada ou possui amizade com integrante de partido político. As três disseram que não conhecem Eduardo Jorge e negaram elo com política partidária.
Para Eduardo Jorge, as novas informações são a prova de que havia na campanha petista operação para coletar munição contra Serra: Sem sombra de dúvida, está provada a existência de operação concertada de pessoas da campanha do PT para levantar informações sigilosas do grupo ligado a Serra.
Eduardo Jorge disse que espera o fim da investigação para entrar com ação judicial de reparação de danos provocados pela quebra do sigilo. O tucano, porém, disse não crer na apuração da Corregedoria da Receita: Não vejo condições de se identificar quem quebrou o sigilo e repassou ao PT.
A Receita informou que não pode confirmar ou desmentir as informações do relatório. Sobre a possibilidade de serem abertas novas investigações, e se já sabia sobre os acessos aos dados de outros tucanos, disse que a Corregedoria é independente e que os procedimentos são considerados sigilosos.
Se todo o prazo previsto para a investigação da Corregedoria da Receita for utilizado, os resultados da apuração podem ser apresentados somente após o segundo turno das eleições, em 27 de outubro.

Cícero, para O Jornal de Brasília

Ricardo Guimarães justifica seu voto em Marina Silva, do PV

Sem rabo preso

Ricardo Guimarães justifica seu voto em Marina Silva, do PV
10.08.2010 | Texto por Ricardo Guimarães Ilustração Roberto Ploeg
Caro Paulo,
Tenho três motivos para votar na Marina Silva. Um deles é que, para mim, Marina é um ser humano superior que eleva o nível de qualquer ambiente em que está presente. Como essa percepção é muito subjetiva, sugiro que quem ainda não interagiu com ela ou não a ouviu, se tiver a oportunidade, não desperdice. Preste atenção no respeito que os seus adversários e os jornalistas em geral têm por ela.
O segundo motivo ainda é bem subjetivo. Nos meus 62 anos de vida não conheci pessoa com tamanha integridade intelectual, moral e espiritual. Mesmo não concordando com algumas de suas opiniões, Marina me emociona com a beleza de sua integridade. Sim, beleza que emociona. Falo como profissional: a estética de Marina é de uma eloquência extraordinariamente bela - sua linguagem corporal, sua voz, seu modo de vestir, suas palavras, seu olhar, seus gestos, seus sentimentos, suas ideias, os exemplos que usa, as referências acadêmicas e da cultura popular, sua praticidade, sua firmeza na divergência, sua tranquilidade no não saber, sua amorosidade com tudo e com todos, inclusive adversários, ela tem a consistência, a harmonia e a autoridade de quem não pensa para falar. Tudo flui, como a arte quando ela acontece. Eu acredito que quando o ser humano se livra de tudo o que o distrai de seu propósito o que sobra deve ser algo parecido com a Marina. Até seus acessórios são essenciais. Enfim, eu me sentiria um brasileiro mais seguro, íntegro e bonito com Marina no Planalto.
O terceiro motivo é muito pragmático: precisamos dominar as mais altas instâncias de decisão na sociedade com pessoas lúcidas, competentes, inspiradas e corajosas para evitar o pior. O pior pode ficar por conta de cada um. Pode ser fome, desemprego, violência urbana, poluição, colapso do sistema financeiro internacional, guerra por recursos naturais, pragas e epidemias, enchentes e secas, conflitos étnicos e religiosos, em síntese, desequilíbrios críticos de toda natureza que já estão fazendo a vida neste planeta ser um horror cotidiano.
PROJETO COMUM
Na iniciativa privada tenho procurado dar algum suporte a líderes, gestores e empreendedores que têm o projeto de tornar suas empresas líderes, elevando o nível da competição em seus mercados. Você sabe do que estou falando porque você é um deles e é por isso que a gente está junto há 15 anos. Quando me perguntam quem eu indicaria para ministros da Marina, eu sempre falo dos CEOs dos nossos clientes. Um deles já está lá como vice.
Na vida pública, as experiências que eu tive com políticos foram péssimas e suficientes para eu me manter afastado desse ambiente, apesar dos inúmeros e ricos convites que recebi para trabalhar para governos e candidatos.
Depois que conheci Marina, mudei meus planos. Temos alguém para assumir o Planalto e fazer o que tem que ser feito. Ela tem a competência, a inspiração e a coragem. E, graças a Deus, não tem o rabo preso com partidos e interesses que fragilizam a execução de qualquer proposta de governo.
Estou a serviço de Marina e, se você quiser ou souber de quem queira colaborar, me avise que ponho na roda. Esse projeto é de todos nós.
Meu abraço,
Ricardo
*Ricardo Guimarães, 62, é presidente da Thymus Branding. Seu e-mail é rguimaraes@trip.com.br e seu Twitter é twitter.com/ricardo_thymus
Publicado hoje em http://revistatrip.uol.com.br/

Brasil é cada vez mais o reduto solitário do Orkut no mundo social

Brasil é cada vez mais o reduto solitário do Orkut no mundo social

Sabe quem mais usava o Orkut no mundo, além dos brasileiros? A Índia. Escrevo usava porque, segundo dados da consultoria comScore divulgados nesta quarta-feira, o Facebook, com 179% de crescimento em um ano, passou o site de relacionamentos do Google entre os indianos.
De 7, 4 milhões de usuários únicos, o Facebook passou para 20,8 milhões entre os meses de julho de 2009 e de 2010. E o Orkut? Foi de 17 milhões para quase 20 milhões.
Eu sei, não é uma senhora margem de vantagem. Mas, mesmo assim, 179% de crescimento é digno de nota.
No Brasil, segundo o Ibope, a movimentação tem sido a mesma. Há um ano o Orkut mantém cerca de 70% de acessos de usuários únicos. O Facebook? Mais que dobrou sua participação desde então - também na comparação entre os “julhos” (2009 e 2010) - saindo dos 12% para os 30%.
Se depender do que os nossos leitores disseram sobre as mudanças recentes do Orkut, o site de relacionamentos do Google deve seguir estagnado. Fonte: Blog Infosfera

Waldez, no Amazônia Jornal

Ministros do STJ ampliam o conceito de consumidor

Parte vulnerável
Ministros do STJ ampliam o conceito de consumidor
Para o Superior Tribunal de Justiça, consumidor não é apenas aquele que usa o produto para consumo direto, mas também para fins de trabalho. Ao negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Marbor Máquinas, a ampliação do conceito pela 3ª Turma beneficiou uma compradora que assinou contrato contendo cláusulas abusivas. Nas palavras da ministra Nancy Andrighi, relatora do recurso, normas do Código de Defesa do Consumidor podem ser aplicadas “desde que seja demonstrada a vulnerabilidade técnica, jurídica ou econômica”.
A consumidora entrou na Justiça para pedir o reconhecimento de que algumas cláusulas do contrato assinado eram nulas. O documento tratava da compra de uma máquina, a ser paga e 20 prestações mensais. Aplicando o Código de Defesa do Consumidor, a decisão de primeira instância aceitou a revisão da compradora.
Ao recorrer ao STJ, a empresa alegou que, nos casos em que o destinatário final adquire um bem para utilizar no exercício da profissão não existe relação de consumo. Ainda, de acordo com Código de Processo Civil, a ação deve ser julgada no foro eleito pelas partes.
A ministra Nancy Andrighi lembrou que a ampliação da ideia de consumidor já havia sido empregada em decisões anteriores. Na visão dela, o conceito torna-se “mais amplo e justo”. Além disso, a análise da relação entre empresa e consumidora torna evidente qual é a parte mais fraca. “No processo em exame, o que se verifica é o conflito entre uma empresa fabricante de máquinas e fornecedora de softwares, suprimentos, peças e acessórios para a atividade confeccionista e uma pessoa física que adquire uma máquina de bordar em prol da sua sobrevivência e de sua família, ficando evidenciada sua vulnerabilidade econômica” declarou a ministra. Com informações da Assessoria de Comunicação do STJ.

Alecrim

Skoob

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