sexta-feira, setembro 10, 2010

Coquetel de vitamina B pode 'retardar' Alzheimer, diz estudo

Coquetel de vitamina B pode 'retardar' Alzheimer, diz estudo
BBC Brasil – Ciência e Saúde
Um estudo britânico sugere que altas doses de vitaminas B podem reduzir pela metade o ritmo do encolhimento do cérebro em pessoas com alguns sinais de Alzheimer.
O encolhimento do cérebro é um dos sintomas da debilidade cognitiva leve que pode ser um dos indicadores iniciais de demência.
Os pesquisadores da Universidade de Oxford, na Grã-Bretanha, afirmam que a descoberta pode ser um passo importante na busca por formas de retardar os efeitos do Alzheimer.
De acordo com especialistas, o resultado da pesquisa é importante, mas são necessários mais estudos.
FOTO: Exame mostra cérebro de paciente com Alzheimer encolhendo

Declínio mental
A pesquisa, publicada na revista especializada Public Library of Science One, avaliou 168 pacientes que sofriam, em algum nível, do declínio mental conhecido como debilidade cognitiva leve.
A condição - marcada por pequenos lapsos de memória e problemas de linguagem - vai além do que é considerado “normal” no processo de envelhecimento e pode ser um indicativo do desenvolvimento de Alzheimer ou outras formas de demência.
Metade dos voluntários recebeu um comprimido diário contendo níveis de ácido fólico, vitamina B6 e B12 acima da dose diária recomendada. A outra metade recebeu um placebo.
Depois de dois anos, os pesquisadores mediram o ritmo de encolhimento do cérebro dos pacientes.
O cérebro de uma pessoa com mais de 60 anos encolhe, em média, a um ritmo de 0,5% ao ano. O cérebro das pessoas que sofrem de debilidade cognitiva leve encolhe a um ritmo duas vezes mais rápido. Nos pacientes de Alzheimer, este ritmo chega a 2,5% ao ano.
A equipe de pesquisadores de Oxford concluiu que, em média, o encolhimento do cérebro dos pacientes que tomaram o complemento vitamínico ocorreu a um ritmo 30% mais lento.
Em alguns casos, este ritmo chegou a ser mais do que 50% mais lento, fazendo com que sua atrofia cerebral fosse equivalente a de uma pessoa sem qualquer debilidade cognitiva.
‘Protegendo o cérebro’
Algumas vitaminas B – ácido fólico, vitamina B6 e B12 – controlam os níveis da substância conhecida com homocisteína no sangue. Altos níveis de homocisteína são associados ao encolhimento mais rápido do cérebro e ao Alzheimer.
Os autores do estudo sugerem que os efeitos da vitamina B sobre os níveis de homocisteína ajudaram a reduzir o ritmo de encolhimento do cérebro.
Segundo o autor do estudo, David Smith, os resultados foram mais significativos do que os cientistas esperavam.
“É um efeito maior do que o previsto”, disse ele.
“Essas vitaminas estão fazendo algo pela estrutura do cérebro – estão protegendo-a, e isso é muito importante porque precisamos proteger o cérebro para evitar o Alzheimer.”
Smith afirmou, no entanto, que são necessárias mais pesquisas para determinar se as altas doses de vitamina B realmente evitam o desenvolvimento de Alzheimer em pacientes com debilidade cognitiva leve.
As vitaminas B são encontradas normalmente em vários alimentos, inclusive carne, peixe, ovos e verduras.
Especialistas, no entanto, afirmam que ninguém deve sair tomando doses mais altas do que as recomendadas depois deste estudo, já que também há outros riscos para a saúde.

O real forte

O real forte
Celso Ming - O Estado de S. Paulo - 09/09/2010
 A queda das cotações do dólar no câmbio interno (valorização do real) voltou a ser foco de críticas à maneira como o governo vem conduzindo a política cambial.
Às vezes, atacam até mesmo o sistema de livre flutuação, como parece ter sido o centro das acusações feitas pelo candidato do PSDB à Presidência, José Serra: "O câmbio no Brasil é flutuante só para baixo", disse ele durante a sabatina promovida pelo Estado, na última segunda-feira.
O conjunto de críticas de várias procedências não chega a ser coerente. Os mesmos que avisam que o câmbio baixo provoca desindustrialização, também fustigam a forte disparada das importações, como se isso não provocasse o efeito por eles pretendido, que é o aumento da procura de moeda estrangeira. Outras vezes, entendem que a compra de dólares pelo Banco Central, que já acumula reservas de US$ 262 bilhões, é insatisfatória diante das necessidades de criação de demanda para o dólar. Não lhes ocorre que o cacife em reservas é, por si só, fator de atração de dólares, uma vez que blinda a economia contra crises.
Desde dezembro de 2008, o real valorizou-se 35% diante do dólar (veja o gráfico). Não há apenas uma única explicação para isso. Em boa parte, foi o dólar que se enfraqueceu em relação às demais moedas, em consequência da deterioração das finanças públicas nos Estados Unidos. Em parte, deveu-se à manutenção de nível elevado dos juros, que atrai capitais para ganhar com a diferença do custo de dinheiro. E também é reflexo do fortalecimento da economia brasileira numa paisagem de crise internacional. Na semana passada, o Bank for International Settlements (BIS) publicou relatório que indicou o real como nova atração do mercado financeiro.
Outros críticos apontam como decisiva a existência de doença holandesa, ou seja, a crescente receita com exportação de commodities. Mas este não é fator relevante para entender a valorização do real, porque as importações avançam quase duas vezes mais do que as exportações.
O novo surto de valorização das últimas seis semanas tem a ver com a perspectiva de forte entrada de moeda estrangeira para a subscrição de capital da Petrobrás e não com a arbitragem com juros.
A proposta de volta ao câmbio fixo não faz sentido. Além de desarrumar a economia, exigiria enorme arsenal em reais que permitisse compras de moeda estrangeira pelo Banco Central, ou até mesmo pelo Tesouro, sem provocar inflação.
Mas há, sim, o que fazer dentro do atual regime de câmbio flutuante e sistema de metas de inflação para corrigir a excessiva valorização do real. Os juros precisam cair mais, não para estancar o afluxo de moeda estrangeira, e sim para ajustar o valor do real em relação a ele mesmo. Mas para que os juros caiam sem provocar inflação, será preciso conter o consumo interno causado pela disparada das despesas públicas. A queda do dólar também tem a ver com o desarranjo fiscal do País.
Em situação de normalidade não dá para esperar demais por uma virada na tendência do câmbio. Este é um país cuja dívida externa tem grau de investimento e os capitais estão agora prontos para aportar por aqui. Afora isso, é enorme a necessidade de recursos para infraestrutura, o pré-sal e a capitalização das empresas brasileiras. E isso puxa o real para cima.
CONFIRA
O segundo melhor mês A produção de veículos em agosto foi a segunda maior de todos os tempos. Foi menor apenas do que a de março deste ano, em que ainda vigorava a isenção de IPI para o setor.
Sem desindustrialização Nos 12 meses terminados em agosto, a produção cresceu 19,3%, e na acumulada do ano, 17,5%, números de produzir inveja nos países ricos onde a paradeira continua. Essa é também indicação de que não há o processo de desindustrialização tão denunciado nas últimas semanas pela liderança da Fiesp.

Tundra Paisagem, Rússia


Fotografia por Michael Melford, National Geographic

Waldez, no Amazônia Jornal

Apedrejamento suspenso

Apedrejamento suspenso
Teerã reavalia sentença de Sakineh, mas comunidade internacional mantém protestos
Graça Magalhães-Ruether* - Correspondente • BERLIM – O Globo
 Pouco mais de dois meses após uma intensa campanha mundial pela vida de Sakineh Mohammadi Ashtiani, a iraniana condenada à morte por adultério e envolvimento no assassinato do marido, autoridades suspenderam ontem a sentença de apedrejamento que seria aplicada à mulher. O Ministério das Relações Exteriores voltou a afirmar, no entanto, que o caso não deve ser tratado como uma questão de direitos humanos. O filho de Sakineh, Sajjad Chaderzade, de 22 anos, reagiu logo após o anúncio, apelando à Turquia e ao Brasil para que não deixem de lutar pela libertação da sua mãe.
À líder da Comissão Internacional contra o Apedrejamento, Mina Ahadi, Sajjad afirmou que não via novidade nas declarações da chancelaria. Para ele, seria importante não apenas uma suspensão para a nova avaliação.
Quase quatro semanas depois de ter visto a mãe pela última vez, ele continua preocupado com a situação.
— Há três semanas tentam transformar o caso em acusação de assassinato.
Suspender a sentença de apedrejamento não é o bastante. Eles querem ainda executar a nossa mãe. Eu peço à Turquia e ao Brasil que continuem a campanha pela sua libertação — afirmou, por telefone.
Celso Amorim vê influência de Lula
O anúncio foi feito à emissora iraniana Press TV pelo porta-voz da Chancelaria, Ramin Mehmanparast. Reagindo aos protestos internacionais, ele ironizou, dizendo que se condenação de assassinos fosse um problema de direitos humanos o Ocidente deveria libertar todos os seus criminosos.
— O veredicto em relação ao adultério foi suspenso e está sendo reavaliado, e a sentença por cumplicidade no assassinato está em processo — disse Mehmanparast.
A Anistia Internacional chamou de “insuficiente” a suspensão e anunciou que vai continuar os protestos: “Há um risco enorme de que estejam fabricando provas para que possam condená-la à morte e para que a comunidade internacional se desmobilize”, destacou Esteban Beltrán, um dos diretores da organização.
No Brasil, o chanceler Celso Amorim falou sobre a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pediu a Teerã a suspensão completa da pena de morte.
— Acho que é positivo que tenha sido suspenso. É apenas um passo.
Sempre atuamos com muito cuidado nisso. A maneira de defender a melhora real das pessoas não é com estridência e nem com a condenação fácil. É mantendo atitude de diálogo, que é o que fazemos.
Não atribuímos só a nós.
Mas as gestões do presidente Lula terão tido um peso no que aconteceu, como teve até hoje.
O Parlamento Europeu também exigiu a suspensão completa da sentença.
Em uma decisão anunciada em Estrasburgo, o Parlamento instou uma avaliação aprofundada do caso, exigindo também a suspensão da pena de morte para condenados de menos de 18 anos, referindo-se ao caso de Ebrahim Hamidi, que foi condenado por homossexualismo aos 16 anos.
*Com agências internacionais

"Udeenizar" de vez?

"Udeenizar" de vez?
Fábio Wanderley Reis - VALOR ECONÔMICO
Popularidade do presidente Lula faz surgir a paranoia da democracia em risco e de mexicanização
Pouco tempo atrás, no Brasil, os democratas preocupavam-se com as ações de gente ideologicamente levada a menosprezar as eleições como algo "burguês" e supérfluo e a admitir, ou mesmo buscar, um poder ditatorial para realizar metas revolucionárias. Afora os sonhos radicais de uns tantos renitentes, isso acabou. Mas o momento eleitoral que vivemos, em que a popularidade inédita do presidente Lula o torna o protagonista maior de uma provável vitória eleitoral de feições - e, aparentemente, proporções - também inéditas, faz surgir a paranoia da democracia em risco, minoritária mas barulhenta (como costumo lembrar, eleitorado e "opinião pública" não se confundem, e são várias e fluídas, na verdade, as "opiniões públicas", algumas mais vocais que outras). E tome denúncias de "mexicanização" e PRI, ameaças corporativas de Estado-amálgama que junta sindicatos e empresários, personalismo e imposição pessoal da candidata petista, uso da máquina governamental.
Pessoalmente, não gosto nem um pouco de Dilma Rousseff como candidata. Talvez seja gestora competente. Do ponto de vista eleitoral, porém, é, sim, um poste que jamais se viabilizaria por si mesmo (o que tem desdobramentos relevantes para a avaliação da liderança presidencial, em sentido mais exigente, que seria capaz de exercer), e sua provável eleição é, claramente, puro e simples milagre de Lula. De outro lado, seria bom ter no PT um partido institucionalmente consistente, em vez da entidade posta na sombra do Super-Lula. Mas é difícil pretender que as coisas sejam melhores no PSDB, onde quem é posto na sombra, pela leitura feita das necessidades eleitorais, é sua figura maior, Fernando Henrique Cardoso, na campanha infeliz que resulta das vacilações e do joguinho míope de poder na escolha do candidato presidencial e que se viu há pouco reduzida a xingar pelas violações do sigilo fiscal - que precisam ser apuradas, é claro.
Quanto aos riscos "mexicanos", à parte o diagnóstico adequado do PRI e seu sistema, somos levados às questões complicadas em torno do que F. Zakaria chamou de "democracias iliberais": eleições garantirão por si só a democracia ou será preciso atentar para o autoritarismo (cesarismo, bonapartismo, "bolivarianismo") que se vale do apoio popular para afirmar-se? Há aí um problema autêntico. E é revelador das tentações envolvidas o fato de termos ouvido do próprio FHC, como presidente, a invocação da "voz rouca das ruas" a propósito da mudança legal que lhe permitiria reeleger-se.
Mas não basta, naturalmente, a força do apoio popular e eleitoral para que se possa falar de autoritarismo. É preciso que haja o empenho de usá-la como instrumento para acomodar as instituições aos desígnios autoritários (veja-se a Venezuela de Chávez); e, nessa ótica, a denúncia de risco autoritário mostra a cara de simples expediente de briga eleitoral. Não é senão de justiça lembrar que a iniciativa da "rerreeleição" não teve a acolhida de Lula, apesar de legalmente poder ser conduzida em termos tão respeitáveis como a introdução da reeleição com FHC. E não creio que alguém se disponha a questionar a independência de nosso Judiciário perante o Executivo, incluída a Justiça Eleitoral ativa e ativista, ou a importância da atuação do STF na revisão judicial das políticas públicas (ponhamos de lado o silêncio em torno das numerosas nomeações de Lula para o tribunal, em cuja recomposição extensa ninguém acusa política partidária ou ideológica). Tampouco se veem restrições governamentais à atividade dos partidos, em geral, de que Lula na verdade depende no Congresso e eleitoralmente. Talvez sejam as propostas sobre controle da imprensa as que melhor servem à paranoia, embora a questão certamente deva ser considerada (afinal, até quanto ao Judiciário o controle externo é recomendável) em termos mais sofisticados do que os resultantes da frequente arrogância ideológica de uma categoria profissional - ou dos interesses correlatos. De toda forma, não se falou de ameaça à democracia quando Sérgio Motta anunciava o projeto de 20 anos de poder do PSDB, assim como não se fala a propósito da prolongada hegemonia de partidos socialdemocratas em algumas democracias europeias exemplares. E não cabe esperar que, para ser democrático, um partido deva tratar de perder eleições de vez em quando.
Resta a crítica ao Estado-"amálgama". Evocando o "corporativismo" de ressonâncias negativas, ela omite o neocorporativismo como instrumento socialdemocrático e redunda em seletividade quanto a quem pode partilhar da intimidade do Estado: os sindicatos são um perigo... Mas que dizer de que a aprovação do fundamental das políticas que permitem o amálgama é - ainda bem, de muitos modos - imposta pelo próprio processo eleitoral aos candidatos oposicionistas?
Ah, o uso da máquina. Será que não basta a Justiça? Talvez se queira, tudo somado, "udeenizar" de vez e tentar chamar os militares. Mas "marchas da família" parecem difíceis.
Fábio Wanderley Reis é cientista político e professor emérito da UFMG. Escreve mensalmente às quintas-feiras.

"Por Onde Andei - Nando Reis"

Alecrim

A quebra do sigilo fiscal e o Estado totalitário

A quebra do sigilo fiscal e o Estado totalitário
Ricardo Caldas - FOLHA DE S. PAULO
"(...) Confessavam assim que havia sido consumada a transformação do Estado de instrumento da lei em instrumento da nação; a nação havia conquistado o Estado, e o interesse nacional chegou a ter prioridade sobre a lei muito antes da afirmação de [Adolf] Hitler de que "o direito é aquilo que é bom para o povo alemão".
(...) Mas, como a sua criação [do Estado-nação] coincidia com a de governos constitucionais, os Estados-nações sempre haviam representado o domínio da lei, e nele se baseavam, em contraste com o domínio da burocracia administrativa e do despotismo -ambos arbitrários.
De modo que, ao se romper o precário equilíbrio entre a nação e o Estado, entre o interesse nacional e as instituições legais, ocorreu com espantosa rapidez a desintegração dessa forma de governo e de organização espontânea de povos."
(Trechos do livro "As Origens do Totalitarismo", página 308, de Hannah Arendt).
Na passagem acima, Hannah Arendt nos mostra como ocorre o processo de transformação do Estado de Direito em despotismo.
Ainda que na Europa a ascensão do totalitarismo tenha se dado em um contexto de perseguição às minorias nacionais, a forma como o Estado de Direito entra em declínio é sempre a mesma: as normas perdem o valor, os dirigentes do Estado se sentem à vontade para quebrá-las e a burocracia administrativa reina desimpedida, ao lado do despotismo.
Assim, o que caracterizava o totalitarismo para Arendt era não apenas a banalização do terror mas também a forma como o regime totalitário interfere e invade a vida individual de cada cidadão, que caberia ao Estado justamente proteger. Com efeito, entre as características do Estado de Direito estão, "inter alia", o fato de todos, inclusive o próprio Estado, estarem submetidos às mesmas normas.
A essência do Estado de Direito é o respeito às normas e o respeito aos direitos fundamentais. Estes são direitos subjetivos que existem por parte do indivíduo perante o Estado, mas que nem por isso deixam de ter um claro conteúdo (direto) na relação Estado-cidadão.
No caso do Brasil, sigilo fiscal está associado a direito à privacidade, previsto na Constituição Federal de 1988 (título 2º, artigo 5º, inciso 10). A quebra de sigilo fiscal representa, portanto, uma quebra de um princípio constitucional. Dito de outra forma, o Estado, ao quebrar o sigilo fiscal de um de seus cidadãos, abandona sua característica de garantidor de direitos e se torna um Estado usurpador.
Esse fato -a quebra do sigilo fiscal- é um aviso de que o Estado democrático de Direito está em crise e de que um Estado totalitário se aproxima.
Ricardo Caldas, professor de ciência política, é diretor do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares da UnB (Universidade de Brasília). Publicado em 8/9/2010

Mesquita em NY e Alcorão ofuscam 11/9

Mesquita em NY e Alcorão ofuscam 11/9
Enquanto imã recua e admite negociação, pastor evangélico insiste em queimar livro sagrado do Islã
Fernanda Godoy – Correspondente – O Globo
 NOVA YORK. O imã Feisal Abdul Rauf, responsável pelo projeto de uma mesquita a duas quadras do Marco Zero do World Trade Center, afirmou que não teria proposto o projeto se soubesse que ele iria provocar tanta controvérsia e tanta dor. Em entrevista à rede CNN, ontem à noite, o clérigo muçulmano admitiu que há uma negociação em andamento e que “nada está fora de cogitação”.
— A questão é como recuar sem parecer, tanto nos EUA como no mundo muçulmano, que fomos derrotados. O que fazemos aqui é observado ao redor do mundo todo. Esse tema virou um assunto de segurança nacional.
Temos que ponderar muitas coisas.
O imã disse que muitas opções estão sendo consideradas na negociação, mas que ainda não se chegou a um modelo que seja seguro.
— Temos que ser muito cautelosos, porque as vozes dos radicais se elevaram, e temos que assegurar que o diálogo sejam conduzidos pelos moderados — disse o clérigo.
Feisal elogiou o presidente Barack Obama e o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, por terem defendido os direitos dos muçulmanos, mandando uma mensagem de tolerância religiosa que teria sido muito bem recebida no mundo islâmico.
O imã Feisal é considerado uma voz moderada do Islã nos EUA, um promotor do diálogo interreligioso. Na terçafeira, por convocação da Sociedade Islâmica da América do Norte, um grupo de líderes de várias religiões se reuniu em Washington para defender a tolerância e repudiar iniciativas como a do pastor Terry Jones, da Flórida, que pretende fazer uma fogueira de Alcorões no sábado — quando serão lembrados os nove anos dos atentados terroristas que deixaram 3.000 mortos no World Trade Center.
Pastor diz ter recebido mais de 100 ameaças de morte A condenação internacional ao anúncio de queima de Alcorões no dia 11 pelo pastor evangélico ganhou as importantes adesões do Vaticano, da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, e do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, mas o pastor continua determinado a levar adiante seu ataque aos muçulmanos.
O comandante das tropas americanas no Afeganistão, general David Petraeus, já havia dito que o ato poderia colocar em risco a segurança dos soldados. Ontem, Hillary Clinton, pediu ao religioso que desista do ato, definindo-o como “ultrajante”.
Em entrevista à rede CBS, o controverso pastor disse que o ato é “necessário” para combater radicais muçulmanos.
Terry Jones, líder de uma pequena comunidade na Flórida, afirmou que, desde o anúncio da ideia, recebeu mais de cem ameaças de morte, o que o levou a andar armado.
O Vaticano divulgou comunicado classificando o plano como um “gesto ultrajante e grave”. O secretáriogeral da ONU, Ban Ki-moon, disse que esse tipo de atitude “contradiz os esforços” das Nações Unidas para “fomentar a tolerância e o entendimento entre culturas”. Já a atriz Angelina Jolie, que está no Paquistão visitando vítimas das enchentes, também repudiou o plano da queima do livro sagrado do Islã. Angelina disse que “mal tinha palavras” para expressar o quanto condenava a atitude.

Dilma é centrada no "eu". Marina, no "nós" - Sabatina O Globo

Bessinha

De homem para homem

De homem para homem
Eliane Cantanhêde FOLHA DE S. PAULO
BRASÍLIA - Afinal, quem é o candidato do governo? Lula ou Dilma?
Por que ele é quem tem de bater boca com o candidato da oposição no horário eleitoral? Para falar de homem para homem?
Não fica bem, principalmente se Lula já começa a transferir para Dilma aquela lenga-lenga do preconceito. Quem discorda tem preconceito porque ele "é operário" (?!). Quem continuar discordando terá preconceito porque ela é mulher.
Serra é acusado de estar se "vitimizando" com a história da quebra dos sigilos, mas nisso pode dar as mãos a Lula, campeão da vitimização. Sempre que a barra pesa, lá vem essa história do perseguido pelas elites e pela direita, enquanto os banqueiros enchem as burras da campanha da sua candidata.
O que interessa são os fatos, mais do que o uso eleitoral que Serra tente fazer e do qual Lula tente escapar. Os fatos são, até agora, lineares: usaram a Receita para quebrar o sigilo do secretário-geral do PSDB e da filha, do genro e do amigo de Serra. Por "coincidência", sempre havia um petista de carteirinha por trás, e os dados circularam pela pré-campanha de Dilma.
Em vez de agir como candidato, Lula deveria ser firme como presidente para salvaguardar o tão decantado "Estado democrático de Direito". Há um círculo interessante a ser investigado. Se é que alguém quer mesmo a investigação.
Ontem, em Uberlândia (MG), Lula fez uma provocação barata aos EUA, comparando a potência a um elefante bobão e o Brasil a um ratinho esperto: "Um elefante é daquele tamanhão, a tromba dele vale uns dez ratos, mas coloca um ratinho perto de um elefante para ver como o bicho tem medo e se borra todo", disse o presidente (ou seria o candidato?) sobre as batalhas que o Itamaraty enfrentou na OMC.
Aqui dentro, porém, a comparação é outra. Se o elefante Estado mete a sua pata onipresente nos milhões de ratinhos chamados de cidadãos, borram-se todos.

Justiça cassa liminar contra células-tronco nos Estados Unidos

Justiça cassa liminar contra células-tronco nos Estados Unidos
Plantão Globo Online | Publicada em 09/09/2010 às 20h33m - Reuters/Brasil Online
Por James Vicini
WASHINGTON (Reuters) - Um tribunal de recursos dos Estados Unidos acatou nesta quinta-feira o pedido do governo Barack Obama para cassar a liminar que proibia o uso de verbas federais em pesquisas com células-tronco embrionárias humanas.
Os três juízes da Corte que avaliou o caso disseram em breve sentença que a proibição ficará suspensa enquanto a Justiça avalia o mérito do pedido do governo.
O juiz distrital Royce Lamberth havia concedido a liminar no mês passado, aceitando a alegação de que a destruição de embriões como parte das pesquisas viola a lei dos EUA.
Grupos religiosos e conservadores se opõem ao uso de embriões nas pesquisas com células-tronco, que são uma espécie de "manual de instruções" do organismo, capazes de dar origem a qualquer órgão ou tecido. Defensores da prática dizem que essas pesquisas poderão levar à cura de várias doenças degenerativas.
O tribunal de recursos pediu que os partidários da proibição apresentem seus argumentos até o dia 14, e que o governo responda até o dia 20, para que então os juízes decidam se a proibição deve ou não ser mantida.
O governo alegou que a liminar de Lamberth contrariava o espírito de uma lei aprovada no Congresso para limitar o uso de verbas federais nas pesquisas com células-tronco embrionárias, e que a proibição prejudica estudos médicos em andamento.
Os cientistas que haviam solicitado a liminar argumentavam que a concessão de verbas para as pesquisas com embriões privavam de recursos outras linhas de pesquisa, o que era injusto.
Defensores das pesquisas com embriões comemoraram a decisão judicial desta quinta-feira. "Estamos satisfeitos com a sentença provisória da Corte, que permitirá a continuidade dessa pesquisa importante para salvar vidas, enquanto preparamos novos argumentos para apresentá-los nas próximas semanas", disse Francis Collins, diretor do Instituto Nacional de Saúde.
Lisa Hughes, presidente da Coalizão pelo Avanço da Pesquisa Médica, disse que "é crucial que o financiamento federal para as pesquisas com células-tronco embrionárias humanas seja restaurado permanentemente, e que esta decisão é um passo nessa direção".
Ela afirmou ainda que, embora o caso tramite na Justiça, o Congresso deveria se empenhar em resolver rapidamente a questão, para deixar claro que as pesquisas são permitidas.
(Com reportagem adicional de Jeremy Pelofsky)

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