quarta-feira, setembro 22, 2010
Prisão de armeiros é 1º passo para UPP da Rocinha
Prisão de armeiros é 1º passo para UPP da Rocinha
Contrabandistas presos no Paraná e no Rio forneciam fuzis para quadrilha que invadiu o Hotel Intercontinental
Ana Cláudia Costa – O Globo
A prisão de quatro fornecedores de armas para a Favela da Rocinha é o primeiro passo da polícia buscando enfraquecer a quadrilha do traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, para que, em seguida, a secretaria de Segurança Pública entre com a pacificação.
As ações na Rocinha, segundo o chefe de Polícia Civil, delegado Allan Turnowsky, seguem a mesma linha do trabalho feito anteriormente nas favelas da Cidade de Deus e Borel, onde as quadrilhas foram desarticuladas e, em seguida, o governo implantou uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).
Um dos detidos seria traficante de classe média Ontem, equipes da Delegacia de Repressão à Armas e Explosivos (Drae) apresentaram o traficante de armas Antônio Ezequias Gura, de 26 anos, o Gordo, e Carlos Vinícius Braga dos Santos, de 25 anos, o Cafu.
Na mesma operação, também foram presos como fornecedores de armas para a Rocinha Luiz Cláudio de Carvalho Rodrigues, de 50 anos, o Coroa, e Ricardo Pereira Terra de Andrade, o Robocop. A operação que resultou nas prisões foi chamada “OCP”, numa referência à empresa fictícia responsável pela criação do Robocop na série de cinema.
Na operação foram expedidos dez mandados de prisão.
Durante a investigação, a polícia conseguiu flagrar, através de escutas telefônicas com autorização da Justiça, a negociação da venda de armas de Rodrigues com uma das receptadoras da Rocinha, Rúbia Maria Soares, a Coração, que não foi presa.
A mulher, considerada uma pessoa de confiança de Nem, comprava oito fuzis, munição e granadas para repor o armamento apreendido no dia em que traficantes da Rocinha, em fuga, invadiram o Hotel Intercontinental, em São Conrado, em 21 de agosto. Todo o pagamento foi feito através de depósito na conta corrente de Antônio Ezequias Gura. A polícia agora vai tentar rastrear as contas bancárias para saber se o tráfico da Rocinha utiliza laranjas para fazer movimentação financeira.
De acordo com a delegada titular da Drae, Márcia Beck, Robocop, preso em Botafogo, seria uma espécie de traficante de classe média do asfalto e teria apresentado Coroa para integrantes da quadrilha da Rocinha.
Segundo o chefe de Polícia Civil, não foram apreendidas armas ou drogas na operação porque os policiais optaram por prender os traficantes antes do envio do armamento.
Cafu, que é da Rocinha, e Gordo foram presos no Paraná, após terem sido localizados durante uma interceptação telefônica. Coroa foi preso em São Miguel do Iguaçu, também no Paraná, no último dia 15. Robocop foi localizado em casa, em Botafogo.
— Evitamos a entrada de centenas de fuzis e metralhadoras que abastecem a Rocinha.
É uma operação de inteligência e cautela. Preferimos prender logo esses caras do que esperar a remessa de armas, porque eles sempre mudam as rotas — disse Turnowsky.
Segundo a delegada Márcia Beck, o traficante Cafu foi até Foz do Iguaçu negociar armas para a Rocinha. Em uma agenda apreendida com Gordo, a polícia observou que, no intervalo médio de 20 dias, ele levava para a Rocinha dois fuzis, ao preço de R$ 100 mil. Já outro fornecedor, o Coroa, enviava para a favela, no mesmo período, oito fuzis, num total de R$ 440 mil. Em uma mensagem através de celular, também interceptada pela polícia, traficantes requisitam aos fornecedores “abacaxis”, que seriam granadas.
A polícia agora tenta prender o traficante identificado como Abelardo, o Bel, e Rúbia Maria Soraes. Todos foram indiciados e tiveram a prisão pedida na “Operação OCP”. Dos dez indiciados, dois deles, Flávio Cristiano F. da Silva e Eduardo de Souza de Lima, o “Menor”, já haviam sido presos pela Polícia Rodoviária Federal no Paraná. Segundo o chefe de Polícia Civil, essa é a terceira prisão de grandes fornecedores de armas para favelas do Rio. Segundo ele, a polícia já prendeu dois outros armeiros e um outro foi morto durante operação da Delegacia de Combate às Drogas.
A Escalada Fascista
A Escalada Fascista
Rodrigo Constantino 21 / 9 / 2010
Fruto de intensa propaganda, a imensa maioria das pessoas encara o fascismo como um regime de “direita” e, portanto, diametralmente oposto ao sindicalismo de esquerda. Não obstante, a verdade é que ambos, fascismo e sindicalismo, muitas vezes se confundem, apresentando enormes semelhanças e disputando o mesmo tipo de alma. O estudo histórico da ascensão de Mussolini ao poder pode elucidar melhor este paralelo.
Para começo de conversa, a chegada de Mussolini ao poder foi perfeitamente legal. Como explica Donald Sassoon em seu livro sobre o ditador, “Mussolini fora designado constitucionalmente, prestara juramento de fidelidade ao rei e à Constituição e apresentara seu programa de governo ao Parlamento, dele solicitando e obtendo plenos poderes”. O líder fascista controlava uma massa de militantes uniformizados que representava uma espécie de Estado dentro do Estado.
Mantendo-se nos limites da legalidade, mas permitindo investidas regulares fora dela, Mussolini seria capaz de obter o apoio estratégico de muitos grupos temerosos de um golpe comunista. Estes pensavam que Mussolini, apesar da própria retórica revolucionária, seria capaz de manter sob controle os camisas-negras mais exaltados ao seu redor. Talvez algo análogo ao que o presidente Lula sempre tentou “vender” ao eleitorado de classe média e alta, de que somente ele era capaz de “dialogar” com os radicais do MST, na verdade um braço revolucionário do próprio PT.
“Muitos camaradas, entretanto, logo seriam seduzidos pelos encantos do establishment político que haviam tentado destruir”, diz Sassoon. “Começaram a experimentar os prazeres do poder, o fato de serem temidos e invejados e a desfrutar do respeito daqueles que até então viam com admiração”, ele acrescenta. E mais: “As velhas elites, naturalmente, desprezavam Mussolini, filho de um ferreiro e de uma professora. Ficaram alarmadas com seu aspecto plebeu e sua linguagem rude e populista, mas reconheciam nele alguém disposto a se encarregar do trabalho sujo que não sabiam ou não queriam fazer. Certos intelectuais o admiravam abertamente ou não se dispunham a criticá-lo”.
A demagogia de Mussolini era escancarada: “Em 1931, exagerando absurdamente seus antecedentes de ‘homem do povo’, ele escreveu com certo orgulho que pertencia à classe dos que compartilhavam um quarto que também servia de cozinha, tendo como refeição noturna uma simples sopa de legumes”. A imagem de um homem tão humilde que se tornara primeiro-ministro era usada constantemente como material de propaganda política. Aos poucos, o poder foi sendo concentrado no “homem do povo”, e o que restava de freio constitucional foi sendo abolido. Os poucos jornais independentes que restavam foram amordaçados por uma série de restrições à imprensa. O caminho estava livre para a ditadura.
O fator nacionalista também foi crucial para a escalada fascista. O partido “imaculado” de Mussolini denunciava a incapacidade das velhas classes governantes em fazer frente às grandes potências e restabelecer a grandeza da Itália. “O nacionalismo italiano chafurdava num sentimento de inferioridade”, coloca o autor. O “orgulho nacional” seria resgatado pelos fascistas. Talvez algo parecido com o que os petistas tentam fazer com o governo Lula, alegando que nunca o Brasil fora tão respeitado lá fora, e abusando de uma retórica nacionalista. A declaração antiamericana sensacionalista do próprio presidente, falando que o “elefante” iria tremer diante do “rato”, demonstra como este nacionalismo ainda pesa por aqui.
As velhas oligarquias italianas pensaram que seria possível usar Mussolini para controlar os radicais vermelhos e continuar governando por baixo dos panos. O carismático líder fascista seria apenas uma figura decorativa, e o antigo establishment governaria na sombra, como sempre havia feito. A personalidade magnética de Mussolini irradiaria a energia do poder, enquanto quem daria as cartas de fato seriam os mesmos de sempre. Não contaram com a possibilidade de o dono da popularidade toda resolver assumir o controle do poder por conta própria.
O crescimento econômico serviu para anestesiar as massas também. “Grande parte do crescimento industrial, longe de ser uma vitória da competitividade de mercado, deveu-se ao maciço aumento das compras por parte do Estado”, explica Sassoon. E completa: “A indústria italiana mostrava-se como sempre dependente do governo”. O setor manufatureiro não estava insatisfeito com a situação, pois contava com o grande cliente certo. “O enriquecimento e a corrupção andavam de mãos dadas – tudo sob a bandeira do patriotismo”, conclui o autor. O petróleo é nosso! Viva o BNDES!
O sentimento geral era antiparlamentar, uma vez que o Parlamento era, de fato, um balcão de negociatas. “Da noite para o dia, adversários podiam ser ‘transformados’ em aliados mediante suborno direto ou indireto – razão da designação pejorativa transformismo ser aplicada ao sistema”, explica Sassoon. O “mensalão”, como se pode ver, não é tão original assim. Desenvolveu-se então um sistema de “clientelismo”, no qual “os políticos prometiam empregos aos eleitores e seguidores, proteção e um constante influxo de dinheiro público”. Todos acabaram seduzidos pelas enormes tetas estatais, inclusive os sindicatos. A Itália tinha um dos níveis mais altos de sindicalização da Europa.
Com o benefício do retrospecto, muitos tentam personalizar demais os regimes fascistas, colocando a culpa toda na figura do líder, e ignorando o amplo apoio popular que tiveram. A verdade é que havia simpatia pelos fascistas em muitos setores. A “principal fonte de apoio aos fascistas eram certamente os estudantes colegiais e universitários”, afirma Sassoon. Os industriais acabaram se convencendo de que era necessário entrar em acordo com os fascistas, pois “haviam se tornado a principal força anti-socialista do país”. Entre ter a propriedade confiscada ou ter uma ditadura que servia aos interesses do grande capital, a escolha parecia evidente.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em artigo recente, fez um paralelo entre Lula e Mussolini, lembrando que o presidente precisa de freios constitucionais para seus abusos de poder. Logo depois, entretanto, fez questão de deixar claro que Lula não tem nada a ver com Mussolini. FHC é um típico tucano, sempre em cima do muro. Mas como podemos ver, há sim muitas “coincidências” entre os dois, e se os italianos, mais educados que os brasileiros, foram vítimas do fascismo de Mussolini, nada garante que nós seremos capazes de evitar o mesmo destino. Donald Sassoon conclui:
“Mussolini poderia ter sido contido, mas aqueles capazes de bloquear a sua trajetória – os liberais, a esquerda, a Igreja, a monarquia – não souberam ou não quiseram fazê-lo, caminhando para 20 anos de ditadura como se tivessem os olhos vendados”.
Paulada na imprensa
Paulada na imprensa
ELIANE CANTANHÊDE - FOLHA DE SÃO PAULO - 21/09/10
BRASÍLIA - De Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente com 80% de popularidade: "Nós não precisamos de formadores de opinião. Nós somos a opinião pública!".
Vale tratados de sociologia, história, política, comunicação e psicologia, mas o espaço aqui só é suficiente para reconhecer que ele tem razão, depois da política desenfreada de ocupação da informação e da mídia exercida pelo governo.
O Planalto usa a TV pública ilegalmente na campanha de Dilma, tem blog sem autoria para disseminar o que quer e planta em rádios e jornais do interior peças de propaganda travestidas de noticiário.
Tem mais: o BB, a CEF e a Petrobras fazem campanha subliminar pró-Lula e pró-Dilma na TV, e a imprensa regional está dominada pela publicidade federal. Sem contar o incomensurável espaço que Lula teve na mídia nestes oito anos, falando o que bem entendia, contra ou a favor do que bem queria.
O resultado é que Lula é a opinião pública mesmo. E como não haveria de ser? Não importa a barbaridade que diga, a sua verdade se dissemina como verdade nacional. Os fatos? Danem-se os fatos, o que vale é a versão de Lula.
Não satisfeito, ele e agora Dilma agridem ao vivo o derradeiro bastião democrático de crítica, provocação e cobrança -a imprensa. Lula bufando, de um lado para o outro num palanque em Campinas, e Dilma estrebuchando no Rio, dispensando até a barreira de microfones que vem usando na campanha.
Mais pareciam derrotados, e os marqueteiros devem estar furibundos. Um trabalhão danado para produzir a candidata, e a maquiagem borrou. Dilma como ela é.
Tudo porque foi a imprensa livre que expôs aos brasileiros um centro de corrupção justamente na Casa Civil, onde foi construída a candidata Dilma e fabricado o inexplicável poder de uma tal Erenice.
Pensando bem, Lula e Dilma têm razão: a imprensa incomoda muito, tanto quanto a verdade dói.
Uso exclusivo
Uso exclusivo
Dora Kramer - O Estado de S. Paulo - 21/09/2010
Há uma expressão (chula) na política que os veteranos usam para definir o novato afoito prestes tropeçar nas próprias pernas. Diz assim: "Para cachorro novo, fulano está com muita pressa de entrar no mato."
É o que a memória de imediato seleciona diante da resposta da candidata Dilma Rousseff ao convite do senador Álvaro Dias para falar no Congresso sobre as andanças da ex-ministra Erenice Guerra, a respeito de quem a cada dia se descobre uma nova malfeitoria.
"Convite de Álvaro Dias, nem para cafezinho", disse ela. Se, como pareceu, está preocupada com o efeito eleitoral desse tipo de solicitação, Dilma teria várias maneiras de recusá-lo. Poderia, inclusive, ignorar a declaração do senador, dizer que esperaria a solicitação formal do Legislativo para então se pronunciar.
Mas, não. Dilma preferiu dizer o que lhe veio à cabeça e da forma mais arrogante, esquecida de como foi duro aquele curto período do início da campanha quando, na ausência do presidente Luiz Inácio da Silva, que andava pelo exterior, ela cometia uma impropriedade (às vezes até duas) por dia.
Por menor que fosse, era registrada como erro, comentada com constrangimento pelos aliados e celebrada pelos adversários.
A candidata já deve ter percebido, mas pelo jeito não compreendeu: determinadas barbaridades, manifestações de desrespeito e infrações só podem ser feitas ou ditas por Lula.
É o único com salvo-conduto para cometer disparates impunemente. Ou Dilma acha que teria ido longe se o presidente não reaparecesse logo transformando, em maio, o programa do PT em horário eleitoral? Ou pensa que desperta os mesmos sentimentos de gratidão, culpa ou intimidação?
Erenice Guerra cometeu o mesmo erro de que poderia ser arrogante numa nota oficial e perdeu o lugar.
Se de fato for eleita, é bom Dilma se acostumar: não sendo a operária nordestina que chegou à Presidência nem tendo o poder de controlar a massa, não poderá contar com a prerrogativa de desrespeitar a tudo e a todos impunemente, que é de uso exclusivo de Lula presidente.
Isso vale também para a modelagem "não sei de nada" em relação a escândalos de corrupção.
Currículo escolar. Lula disse na Universidade Federal de Juiz de Fora (MG) no fim da semana passada que "adoraria" ter curso superior e gostaria de voltar a estudar.
O que poderia parecer um tardio, mas bem-vindo, reconhecimento do presidente do valor do estudo era só um jeito de poder dizer que se considera pronto a "dar aulas sobre como governar o País".
Em outras palavras: falar todos os dias para registro dos meios de comunicação; dizer o que cada público gosta de ouvir sem compromisso com a coerência ou realidade; não enfrentar contenciosos; agradar malfeitores que poderiam ameaçá-lo; distribuir benesses sem pensar nas consequências; passar por cima de tudo, inclusive da lei; aniquilar o que ou quem lhe possa fazer sombra, nunca valorizar atributos que não sejam os próprios e jamais firmar pacto eterno com a verdade.
Vivendo e aprendendo. Em 1989 Fernando Collor foi eleito presidente praticamente sem críticas. Da imprensa, inclusive, que em sua maioria deslumbrava-se deixando em segundo plano seus atos como prefeito de Maceió e governador de Alagoas.
Na época havia o receio geral de criticar Collor e receber do burríssimo maniqueísmo nacional o carimbo de "sarneysista". Praticamente um insulto, dada a impopularidade do então presidente José Sarney.
Fato e ficção. A crucial e aterradora diferença entre o Tiririca de hoje e o cacareco de antigamente é que o voto neste não valia e os votos naquele valerão várias vagas na Câmara dos Deputados.
Governador do Amapá reassume e nega intenção de renunciar
Governador do Amapá reassume e nega intenção de renunciar
TRE ainda avaliará necessidade de forças federais no estado no dia da eleição
O Globo - BRASÍLIA. O governador do Amapá, Pedro Paulo Dias (PP), que deixou a prisão na madrugada de sábado para domingo, desembarcou ontem em Macapá no fim da tarde, reassumiu o cargo e negou qualquer intenção de renúncia. Ele foi preso na Operação Mãos Limpas, da Polícia Federal, em 10 de setembro, suspeito de integrar suposto esquema de corrupção local.
Candidato à reeleição, Pedro Paulo chegou com o antecessor, Waldez Góes (PDT), que concorre ao Senado e estava preso pelo mesmo motivo. Eles foram recebidos por militantes, que fizeram carreata em seguida.
Durante o cárcere de Pedro Paulo em Brasília, coube ao presidente do Tribunal de Justiça do Amapá, desembargador Dôglas Evangelista Ramos, assumir interinamente a administração do estado. O sobrinho do governador, Luciano Dias, candidato a deputado pelo PP, esteve no aeroporto para receber o tio. Ele afirmou que não há dúvida sobre o direito do governador: — Ele chegou e reassumiu o cargo automaticamente.
Pedro Paulo e Waldez foram libertados por ordem do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Segundo a legislação, a prisão temporária tem prazo de cinco dias e pode ser prorrogada. Como o período terminou, os dois foram soltos. Investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal apontam ambos como líderes de desvios de dinheiro público por meio de fraudes de licitações e cobrança de propina em pelo menos seis órgãos do governo local. Ao todo, 18 pessoas foram presas na operação, mas a maioria já está solta.
A investigação constatou que a maioria dos contratos administrativos firmados pela Secretaria de Educação do estado não respeitava formalidades legais e beneficiava empresas previamente selecionadas. Foram mobilizados 600 agentes federais para cumprir 18 mandados de prisão temporária, 87 mandados de condução coercitiva e 94 mandados de busca e apreensão, todos expedidos pelo STJ.
Ontem, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Ricardo Lewandowski, esteve em Macapá para verificar a situação política local. Ele disse que o clima é de tranquilidade.
Segundo Lewandowski, o Tribunal Regional Eleitoral do Amapá ainda avaliará se há necessidade da presença de forças federais para garantir a segurança em 3 de outubro, dia da eleição.
— O TRE ainda vai avaliar se há ou não necessidade de envio de forças federais. A situação está tranquila, as instituições estão reagindo normalmente. A cidade estava um pouco agitada porque minha visita coincidiu com a volta do atual governador — disse o ministro
A democracia de Lula
A democracia de Lula
Merval Pereira – O Globo
Dando como liquidada a fatura eleitoral, com a eleição de sua candidata no primeiro turno, o presidente Lula resolveu soltar seus cachorros para cima dos que ainda resistem ao que pretende ser uma razia às hostes inimigas: os meios de comunicação e os partidos oposicionistas que têm a ousadia de andar elegendo senadores e governadores em alguns estados pelo país.
Em Minas, por exemplo, onde o ex-governador Aécio Neves, além de se eleger para o Senado, está elegendo seu candidato ao governo e mais o ex-presidente Itamar Franco para a segunda vaga do Senado, Lula foi em socorro de Hélio Costa, do PMDB, candidato de sua coligação, e para tal resolveu ameaçar os prefeitos que apoiam Antonio Anastasia.
Disse explicitamente que não será um candidato do DEM ou do PSDB que conseguirá trazer do governo federal petista as melhores verbas para Minas.
A linguagem de cabo-eleitoral estava na boca de quem pode concretizar a ameaça, neste e num próximo governo petista.
Uma atitude antirrepublicana a coroar tantos procedimentos aéticos cometidos pelo presidente da República durante a campanha eleitoral.
A reação negativa que provocou nos políticos mineiros, ciosos de seus compromissos com o estado a ponto de rejeitarem a candidatura Serra por a imaginarem em oposição aos interesses de Minas, foi imediata e pode se refletir em uma rejeição também ao PT.
Esse procedimento autoritário já acontecera em outros estados em que a oposição está vencendo, como quando disse em Santa Catarina que é preciso “extirpar o DEM”, ou quando, em Pernambuco, foi grosseiro com o ex-vice-presidente Marco Maciel chamandoo de “marco zero”, ou quando vai ao Rio Grande do Norte espezinhar especificamente o senador José Agripino Maia, do DEM.
Como sempre nessas ocasiões, o presidente Lula extrapola a luta partidária para se colocar em uma arena em que a regra é matar ou morrer, e para tanto se utiliza dos instrumentos do governo, como a TV estatal que filma todos os seus comícios para uso interno, ou as inaugurações improvisadas para estar à noite, “fora do expediente”, nos comícios de sua candidata previamente marcados em combinação com a agenda oficial.
Com seu comportamento marcadamente antirrepublicano, abusando do poder político que a presença eventual na Presidência da República lhe dá, e das regalias que o cargo lhe concede, Lula vai manchando essa campanha eleitoral e a provável vitória da candidata oficial.
E se irrita com os meios de comunicação que não se submetem a seus caprichos absolutistas, invertendo o sentido da História, como, aliás, é seu hábito fazer.
Ao discursar num comício ao lado da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, em Campinas, sábado passado, Lula vituperou contra jornais e revistas que, segundo ele, “se comportam como se fossem partido político”, e chegou ao auge de seus delírios de grandeza ao afirmar que ele, sim, formava a “opinião pública”.
Usou o plural majestático “nós” para se referir a si próprio e aos presentes ao comício como “a opinião pública", que não precisa mais de “formadores de opinião” para se decidir.
Nas duas ocasiões — quando se dispõe a aniquilar a oposição e quando fala mal dos meios de comunicação — Lula está renegando suas próprias palavras, o que também já se tornou um hábito.
Ao final da campanha de 2002, vitorioso nas urnas, Lula fez questão de, em seu primeiro pronunciamento público, ressaltar que “a Justiça Eleitoral e a participação imparcial do presidente Fernando Henrique Cardoso no processo eleitoral contribuíram para que os resultados das eleições representassem a verdadeira vontade do povo brasileiro”.
Já com relação à imprensa, o presidente Lula, em 3 de maio de 2006, conforme relembrou em nota de protesto a Associação Nacional dos Jornais, declarou ao assinar a declaração de Chapultepec, um compromisso com a liberdade de expressão, que devia “à liberdade de imprensa do meu país o fato de termos conseguido, em 20 anos, chegar à Presidência. Perdi três eleições.
Eu duvido que tenha um empresário de imprensa que, em algum momento, tenha me visto fazer uma reclamação ou culpando alguém porque eu perdi as eleições.” Ao declarar que ele sim representa a “opinião pública” junto com o seu povo, o presidente Lula tenta inverter os termos da equação, distorcendo a própria gênese da “opinião pública”, ligada ao surgimento do Estado moderno no século XVIII, quando as forças da sociedade passaram a exigir espaço para suas reivindicações contra o absolutismo do reinado.
O papel da imprensa foi fundamental para que a “opinião pública” tivesse condições de se manifestar e enfrentar o poder absoluto dos reis.
A popularidade de Lula hoje lhe dá essa sensação de poder absoluto. Daí a desqualificar a grande imprensa e querer influenciar diretamente o eleitorado, sobretudo o das regiões mais pobres do país, através dos programas assistencialistas, e a tentativa de controle da mídia regional através de verbas de publicidade.
Da mesma maneira que aperfeiçoou e modernizou os instrumentos de controle dos oligarcas, se aliando com eles para influenciar o eleitorado com seus programas assistencialistas, Lula quer controlar os meios de comunicação através de financiamentos diretos, subsídios e propaganda governamental.
Para os que não se submetem a essa política, fica cada vez mais evidente que um eventual governo Dilma vai tentar aprovar no Congresso uma legislação especial que permita o controle dos meios de comunicação através dos mais diversos “conselhos”, o chamado “controle social da mídia”, a exemplo do que já acontece na Venezuela de Chávez e a Argentina dos Kirchner está tentando.
A reação desmesurada da candidata oficial a uma reportagem do jornal “Folha de S. Paulo” que mostrou problemas em sua gestão à frente de uma secretaria no governo do Rio Grande do Sul dá bem a medida de sua tolerância à livre circulação de notícias críticas.
O preço do sucesso
O preço do sucesso
Celso Ming - O Estado de S. Paulo - 21/09/2010
O presidente em exercício da Fiesp, Benjamin Steinbruch, reconheceu em entrevista ao jornal Brasil Econômico que o empresário brasileiro foi apanhado de surpresa. "Nem o governo nem o empresário estão preparados para o sucesso do Brasil", lamentou ele.
Na semana que vem, Steinbruch poderá ter nova oportunidade para repetir o que está dizendo. Se tudo der certo, o presidente Lula vai encomendar banda de música e foguetório para comemorar o reforço de capital recorde da Petrobrás, a maior oferta de ações de todos os tempos.
Enquanto isso, se tiver um mínimo de coerência, na sede da Fiesp, na Avenida Paulista, o acontecido será visto com certa preocupação porque estará mostrando o apetite pelo Brasil não só por parte de reconhecidas instituições de investimento e de pessoas físicas comuns. Mostrará a voracidade dos asiáticos, especialmente dos chineses, cujos capitais o governo e a diretoria da Petrobrás acolhem com sofreguidão, porque precisam de recursos abundantes para desenvolver o pré-sal e US$ 224 bilhões em investimentos nos próximos cinco anos.
Mas Steinbruch tem razão, o empresário brasileiro não está preparado para tantas novidades. Nem mesmo está entendendo que a sina da segunda metade do século passado ficou para trás e que está em curso a irremediável revolução das relações internacionais de troca.
As matérias-primas do Brasil, antes consideradas produtos de baixo valor agregado, de repente se tornaram comercialmente estratégicas e objeto de enxurrada de investimentos estrangeiros no Brasil. Enquanto isso, o produto industrializado passa a ser visto como símbolo de ondas passadas.
Em 2008, quando a dívida pública do Brasil ganhou certificado de grau de investimento, a Fiesp recebeu o novo status como prenúncio de um período de inéditas e extraordinárias oportunidades de acesso a recursos abundantes e baratos. Mas, agora, teme os efeitos da maciça entrada de capitais porque sabe que a indústria não ostenta as melhores condições de competitividade.
E não será apenas um câmbio mais camarada que poderá compensar os efeitos deletérios sobre a capacidade de competir causados pela enorme carga tributária, pelos custos trabalhistas elevados demais, pela precariedade da infraestrutura do Brasil, pela falta de vontade política para a reversão da disparada das despesas públicas (especialmente da Previdência Social) e pelos juros escorchantes...
A rigor, os industriais brasileiros não sabem se comemoram ou se lamentam as manifestações de espanto que correm o mundo pelo atual desempenho da economia brasileira. Farejam os novos negócios e querem estar prontos para tirar proveito da boa fase, mas repetem automaticamente que está em curso um perigoso processo de desindustrialização no Brasil e não conseguem apresentar uma única proposta factível sobre como um país sequioso de investimentos pode virar esse jogo adverso.
Como em tantos episódios da história, não dá para exigir preparação prévia dos empresários e do governo para enfrentar novas condições econômicas. A preparação tem de ser feita com o comboio em movimento. Em todo o caso, é preciso saber o que propor e o que fazer, para não continuarem sendo surpreendidos pelos acontecimentos.
Subindo Continua a alta dos preços das commodities agrícolas. O fato detonador foi a quebra da produção de trigo na região do Mar Negro e na Argentina, em consequência da seca.
Custo de vida Depois de três meses em que foram fator de redução do custo de vida no Brasil, os alimentos voltaram a pressionar a partir da elevação dos preços no atacado. A primeira prévia do Índice de Preços no Atacado (IPA) agrícola saltou 2,3% em setembro, diferença que tende agora a ser descarregada sobre o varejo.
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