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terça-feira, dezembro 28, 2010

Em tempo

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JANIO DE FREITAS - FOLHA DE SÃO PAULO - 28/12/10
Quando não se esperava mais esclarecimentos, PF diz que não houve grampo ilegal em telefones de Gilmar Mendes
TARDOU, SEM que seja o caso de pensar-se em dificuldades técnicas, o esclarecimento ao menos preliminar de um episódio tão grave à sua época quanto, por isso mesmo, depois cercado de conveniências para fazê-lo esquecido. Nem era esperado que emitisse ainda um sinal, o que só se deu e se explica pela circunstância propícia de que o governo apaga suas luzes, e o silêncio do caso ficaria pesando sobre os comandos da Polícia Federal que se retiram também.
O episódio originário está na memória recente, embora amortecida. Em confronto aberto com o juiz Fausto De Sanctis, que acompanhava judicialmente as ações da Operação Satiagraha e do delegado Protógenes Queiroz, o ministro Gilmar Mendes, então presidente do Supremo Tribunal Federal, acusou com retumbância um "Estado policial" no Brasil.
Não era sua primeira entrada no tema, mas daquela vez instalou-o sobre um alicerce factual: o seu telefone, o telefone do próprio presidente do STF, estava grampeado, o que dizia haver constatado por uma gravação de telefonema recebido do senador Demóstenes Torres.
A Polícia Federal ficava aí em situação péssima, pela óbvia dedução da Satiagraha como autora do grampo e por ser o próprio cerne do "Estado policial". Por extensão, comprometeram-se a Abin e seus dirigentes. Mas as varreduras no STF e no Senado, e testes no sistema de telefonia, não encontraram indício algum de grampeamento. Diante disso, surgiu do STF a explicação alternativa de que as gravações teriam sido no exterior do prédio, dirigidas ao gabinete de Mendes.
Para não faltar o toque brasileiramente gaiato, Nelson Jobim, ministro da Defesa, fez na Câmara dos Deputados a revelação de que a Abin comprara, por intermédio da comissão de compras do Exército em Washington, aparelhos capazes de gravações externas, à distância. E entregou até uma cópia do respectivo prospecto. Bem, logo se constatou que o prospecto era apenas um anúncio copiado da internet. Jobim voltou com outras informações, até que não deu para continuar, quando especialistas do seu ministério desmentiram que o equipamento comprado pela Abin fizesse gravações à distância.
O assunto sumiu. Até sábado, o distraído Natal, quando uma notinha no "Globo", simples e objetiva, informava: "A Polícia Federal concluiu que não houve grampo ilegal nos telefones do então presidente do STF, Gilmar Mendes, no episódio em que foi divulgado diálogo com o senador Demóstenes Torres (DEM-GO)".
Grampo legal, por sua vez, seria passível de constatação no processo, em que Gilmar Mendes interveio com duas decisões. Não cabe no episódio, portanto, grampo algum. Gravação externa só poderia captar a voz de Mendes falando ao telefone em sua sala, se dirigida ao STF, ou a de Demóstenes, se voltada para o Senado.
A voz do fone de ouvido, em um ou em outro prédio, não seria alcançada por captação externa. Poderia haver, isso sim, gravação feita por um dos interlocutores, em seu próprio telefone. Ou, se apenas para citar depois o que foi dito, nem haver gravação.
Não fosse já sua conduta capaz de desacreditar expedientes escusos, o pasmo do senador Demóstenes Torres, ao ouvir sobre a alegada gravação de seu telefone, valeu como álibi inquestionado. Já na ocasião e nas investigações em seu gabinete e suas comunicações. E ele não participava das elucubrações de "Estado policial" de Gilmar Mendes e Nelson Jobim, nem dos conflitos do primeiro com a Polícia Federal, com o juiz De Sanctis e com Protógenes; nem da investida do segundo contra os dirigentes da Abin, cuja demissão sumária sugeriu a Lula e viu atendida.

sexta-feira, outubro 08, 2010

PF quer ver computador de Erenice

PF quer ver computador de Erenice
Tânia Monteiro e Rui Nogueira - O ESTADO DE S. PAULO
A Polícia Federal quer ter acesso aos arquivos do computador da ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra. O delegado do inquérito sobre a suspeita de tráfico de influência envolvendo a ex-ministra e os filhos dela também já decidiu que chamará Erenice para depor.
PF mira computadores de Erenice e da Casa Civil
Ex-ministra vai ser chamada para depor, afirma o delegado que investiga suspeita de tráfico de influência envolvendo ela e os filhos Israel e Saulo
A Polícia Federal quer ter acesso aos arquivos do computador da ex-ministra-chefe da Casa Civil Erenice Guerra. O delegado titular do inquérito que investiga a suspeita de tráfico de influência envolvendo a ex-ministra e os filhos dela, Israel e Saulo Guerra, também já decidiu que vai chamar Erenice para depor.
O Estado apurou que o delegado Roberval Vicalvi já encaminhou ao Ministério Público Federal o pedido de autorização da Justiça para ter acesso e "espelhar" o computador da ex-ministra. A procuradora Luciana Martins deve dar parecer favorável ao pedido e encaminhar a solicitação ao juiz hoje ou, no mais tarde, no início da próxima semana. A PF também vai pedir a prorrogação do inquérito.
O espelhamento é a copiagem de todos os arquivos armazenados na máquina que servia à então ministra na Casa Civil. Logo depois da demissão de Erenice, no dia 16 de setembro, o interino da pasta, Carlos Eduardo Esteves Lima, assinou no primeiro dia no cargo uma portaria abrindo sindicância para investigar as suspeitas sobre um grupo de funcionários, a começar pelo assessor Vinícius Castro, que era sócio de Israel Guerra nos negócios dentro da máquina federal. A comissão não tem poderes para investigar a ex-ministra.
Denúncia. Erenice pediu demissão depois que o empresário Rubnei Quícoli denunciou a tentativa de cobrança de propina numa operação em que ele representava a empresa ERDB junto ao BNDES no pedido de um empréstimo de R$ 9 bilhões para a construção de uma usina de energia solar no Nordeste.
Segundo a denúncia de Quícoli, o empréstimo só seria concedido mediante acordo com a Capital Assessoria, empresa dos filhos de Erenice, ligada à família da ex-ministra e a Vinícius Castro, ex-assessor da Casa Civil. Quícoli acusou também o ex-diretor de operações dos Correios Marco Antonio de Oliveira, tio de Vinícius, de tentar cobrar uma propina de R$ 5 milhões para tentar agilizar o negócio. Todos negam as acusações.
Silêncio. A sindicância do ministro interino retirou do gabinete da chefia da Casa Civil o computador de Erenice e mandou lacrar as máquinas dos funcionários que trabalhavam com a então ministra. A comissão de sindicância é presidida pelo servidor Waldir João Ferreira da Silva e integrada também por Torbiabich Rech e Carlos Humberto de Oliveira.
A comissão de sindicância, instaurada no dia 18 de setembro, tem prazo de 30 dias a partir da publicação da portaria no Diário Oficial da União, ou seja, 17 de outubro.
A Casa Civil não fala sobre o andamento das investigações e nem quem já foi ouvido ou como estão as apurações. Informa apenas que, de fato, foram lacrados os computadores que pertenciam a Vinícius e às secretárias que trabalhavam na sala com ele, além de outras pessoas, sem especificar quantos foram levados para esta sala especial, onde estão lacrados e à disposição da comissão.

quinta-feira, setembro 30, 2010

PF já abriu 661 inquéritos para apurar crimes eleitorais

PF já abriu 661 inquéritos para apurar crimes eleitorais
Rio, Pará e Paraíba são os estados com maior número de investigações.
Jailton de Carvalho – O Globo
 BRASÍLIA. Mesmo com a campanha a favor da Lei da Ficha Limpa nas ruas, muitos políticos ainda estão tentando aliciar eleitores e comprar votos.
Relatório da Polícia Federal, divulgado ontem, informa que, do início da campanha eleitoral em julho até o momento, já foram abertos 661 inquéritos para apurar crimes eleitorais.
Desse total, 153 inquéritos foram instaurados para investigar especialmente denúncias de compra de votos — uma indicação de que a feira livre de eleitores ainda é uma prática frequente no processo eleitoral, principalmente nas eleições regionais.
O Rio de Janeiro é o estado com o maior número de inquéritos.
Até o momento, já foram abertas 73 investigações para apurar práticas abusivas e crimes cometidos por políticos locais em busca de votos. Em segundo lugar nesta lista está o Pará, com 64 inquéritos. A incidência de desvios é considerada alta também na Paraíba. O estado está em terceiro, com 40 inquéritos embora seja um dos menores colégios eleitorais do país. São Paulo e Bahia estão empatados na quarta posição, com 33 investigações cada.
O relatório indica ainda que a feira de votos é intensa também em Roraima. O estado aparece em primeiro lugar na lista das unidades da federação com o maior número de inquéritos sobre esse delito. São 15 investigações sobre compra de votos.
No início do mês, a Polícia Federal prendeu o governador Pedro Paulo Dias (PP) e o ex-governador (PDT) Waldez Góes e mais 16 pessoas acusadas de corrupção, entre outros crimes relacionados a desvios de verbas públicas. Em segundo lugar na lista aparece o Rio de Janeiro, com 11 investigações sobre compra de votos.
Vinte e seis pessoas já foram presas pela PF Boa parte das investigações tem atingido políticos e cabos eleitorais. Mas a Polícia Federal informa que vender votos também é crime e os eleitores que aceitarem vantagens pessoais em troca de apoio político podem ser punidos. No início da campanha, a Polícia Federal anunciou uma parceria com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para reforçar as medidas preventivas contra os crimes eleitorais. O plano prevê que 60% dos 13 mil policiais estarão mobilizados para garantir a segurança e coibir irregularidades.
A PF decidiu ainda aumentar o número de policiais no Amazonas, Pará, Alagoas, Rio Grande Norte e no Distrito Federal. São áreas consideradas de maior risco de problemas, conforme o histórico das últimas eleições.
Durante as ações de combate aos crimes eleitorais, a polícia prendeu 26 pessoas suspeitas de envolvimento com as irregularidades.
Também 33 pessoas foram conduzidas à força para prestar esclarecimentos sobre práticas abusivas. Nestas eleições, a PF decidiu mudar a estratégia de atuação. Antes, a polícia só saia a campo depois de receber denúncias. Agora, os policiais estão sendo orientados a atuar de forma preventiva. Com base no histórico dos crimes registrados nas últimas eleições, a PF tenta se antecipar e coibir compra de votos e caixa dois, entre outras irregularidades.

quarta-feira, setembro 22, 2010

Governador do Amapá reassume e nega intenção de renunciar

Governador do Amapá reassume e nega intenção de renunciar
TRE ainda avaliará necessidade de forças federais no estado no dia da eleição
 O Globo - BRASÍLIA. O governador do Amapá, Pedro Paulo Dias (PP), que deixou a prisão na madrugada de sábado para domingo, desembarcou ontem em Macapá no fim da tarde, reassumiu o cargo e negou qualquer intenção de renúncia. Ele foi preso na Operação Mãos Limpas, da Polícia Federal, em 10 de setembro, suspeito de integrar suposto esquema de corrupção local.
Candidato à reeleição, Pedro Paulo chegou com o antecessor, Waldez Góes (PDT), que concorre ao Senado e estava preso pelo mesmo motivo. Eles foram recebidos por militantes, que fizeram carreata em seguida.
Durante o cárcere de Pedro Paulo em Brasília, coube ao presidente do Tribunal de Justiça do Amapá, desembargador Dôglas Evangelista Ramos, assumir interinamente a administração do estado. O sobrinho do governador, Luciano Dias, candidato a deputado pelo PP, esteve no aeroporto para receber o tio. Ele afirmou que não há dúvida sobre o direito do governador: — Ele chegou e reassumiu o cargo automaticamente.
Pedro Paulo e Waldez foram libertados por ordem do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Segundo a legislação, a prisão temporária tem prazo de cinco dias e pode ser prorrogada. Como o período terminou, os dois foram soltos. Investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal apontam ambos como líderes de desvios de dinheiro público por meio de fraudes de licitações e cobrança de propina em pelo menos seis órgãos do governo local. Ao todo, 18 pessoas foram presas na operação, mas a maioria já está solta.
A investigação constatou que a maioria dos contratos administrativos firmados pela Secretaria de Educação do estado não respeitava formalidades legais e beneficiava empresas previamente selecionadas. Foram mobilizados 600 agentes federais para cumprir 18 mandados de prisão temporária, 87 mandados de condução coercitiva e 94 mandados de busca e apreensão, todos expedidos pelo STJ.
Ontem, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Ricardo Lewandowski, esteve em Macapá para verificar a situação política local. Ele disse que o clima é de tranquilidade.
Segundo Lewandowski, o Tribunal Regional Eleitoral do Amapá ainda avaliará se há necessidade da presença de forças federais para garantir a segurança em 3 de outubro, dia da eleição.
— O TRE ainda vai avaliar se há ou não necessidade de envio de forças federais. A situação está tranquila, as instituições estão reagindo normalmente. A cidade estava um pouco agitada porque minha visita coincidiu com a volta do atual governador — disse o ministro

segunda-feira, julho 05, 2010

PF monta cartório volante para agilizar procedimentos

PF monta cartório volante para agilizar procedimentos
O comandante da operação no Surucucu, coronel Guerra e o delegado De Lorenzo, da Polícia Federal
Para acelerar o processo de identificação e qualificação dos garimpeiros detidos e retirados das áreas de garimpo de diversas áreas da reserva indígena Yanomami e Raposa Serra do Sol, a Polícia Federal criou o „cartório volante.
Segundo o delegado da Polícia Federal De Lorenzo, através do cartório volante, que conta com um delegado, um escrivão e um papiloscopista, em todos os pontos da operação, já foram detidos e qualificados 23 garimpeiros. Eles foram enquadrados no artigo 55 da Lei de Crimes Ambientais 9605/98. “Após serem entregues na Polícia Federal, eles serão liberados e deverão responder a um Termo Circunstanciado”, explicou.
Além da detenção, durante a operação já foram interditados nove garimpos e quatro pistas de pouso foram explodidas. Outros 11 garimpeiros foram retirados durante reconhecimentos que antecederam a operação.
Ainda durante o trabalho de inteligência, que antecipou a operação, 25 locais foram levantados pelas equipes e outros 15 pelos agentes da Fundação Nacional do Índio (Funai), dos quais oito em coincidência. Do total, 13 foram escolhidos e 11 foram vasculhados pelos militares. Em quatro deles (Castelo, Hélio, Bandeirantes e Majestade) foi confirmada a existência de garimpo. No restante, a operação se deparou apenas com os resquícios deixados pelos garimpeiros.

Garimpeiros alegam falta de trabalho rentável
Dos dez garimpeiros detidos na operação, que devem chegar à capital ainda hoje, a maioria alegou que optou em trabalhar com a garimpagem, mesmo em áreas proibidas, por faltar ocupação rentável na capital, e melhores oportunidades de trabalho.
“Fui convidado por um amigo lá em Rorainópolis. Quando fomos localizados estava apenas há 15 dias na região. Trabalhava como tratorista em São Paulo, mas o salário não dava para sustentar minha família. A promessa de renda no garimpo era bem melhor”, disse um dos garimpeiros, Paulo Roberto Lima, 28, sem divulgar valores.
Manoel Pereira da Silva, 44, que há 30 trabalha com garimpagem, e que teve quase todo seu maquinário e equipamentos destruídos, disse que a classe é discriminada.
“Não temos as mesmas oportunidades que muitas outras pessoas têm. Já garimpei em outros países e essa repressão toda não acontece. Não estamos destruindo os rios como se fala. Sabemos que o mercúrio e o diesel são prejudiciais ao meio ambiente, mas apenas se forem utilizados em grande quantidade”, explicou Manoel, esposo de uma das duas mulheres detidas durante a operação.
O comandante da operação no Surucucu, coronel Guerra, explicou que a quantidade de produtos utilizados durante a garimpagem, pode ser preocupante se os pontos de áreas atingidas forem multiplicados.
“É para isso que estamos agindo, justamente para evitar que essa ação seja alastrada. No momento, se formos comparar as áreas atingidas com o tamanho da reserva Yanomami, podemos dizer que o impacto ambiental ainda é pequeno”, concluiu.

domingo, julho 04, 2010

DE ORELHA EM PÉ ATÉ 2014 PF se prepara para a Copa e faz 10 mil escutas por dia, em 44 operações

De orelha em pé até 2014
PF se prepara para a Copa e faz 10 mil escutas por dia, em 44 operações
Antônio Werneck

Duas escutas ambientais descobertas nos últimos dias dentro de delegacias federais, no Rio e em Nova Iguaçu, causaram um grande mal-estar entre policiais federais do estado, mas o fato revelou a ponta de um enorme iceberg: investigando mais de 350 pessoas, inclusive seus próprios agentes, a Polícia Federal do Rio tem gravado diariamente cerca de dez mil ligações telefônicas, quase 300 mil por mês, em 44 operações em andamento. Uma ação preventiva para tirar das ruas até 2014, quando a cidade sediará jogos da próxima Copa do Mundo, criminosos de várias esferas.
Na mira dos policiais federais do Rio estão organizações criminosas supostamente formadas por policiais civis, militares e federais; grupos de milicianos, contrabandistas, golpistas, traficantes de drogas e armas; bicheiros ligados à máfia dos caça-níqueis; e criminosos de colarinho branco. Até 2014 — visto também como teste prático preparatório para os Jogos Olímpicos que acontecem na cidade dois anos depois — a produção mensal de investigações vai crescer e terá sua capacidade ampliada em 40%.

Para que o cerco aumente, basta que o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, em Brasília, autorize a descentralização dos monitoramentos no estado, levando a estrutura do Setor de Inteligência do Rio para delegacias regionais em Campos, Macaé, Angra dos Reis, Volta Redonda, Nova Iguaçu e Niterói.
— Pensando em 2014, a Polícia Federal está combatendo o crime em várias frentes, e nossa capacidade de investigação está quase esgotada, no limite. Já pedimos a direção-geral para ampliar. Queremos um estado com mais segurança até a Copa do Mundo no Brasil — afirmou o delegado Ângelo Fernandes Gioia, superintendente da PF do Rio, prevendo muito trabalho no segundo semestre deste ano.
Segurança máxima no Centro de Inteligência
A estrutura que toca e processa todas essas informações é chamada de Centro de Inteligência Policial Compartilhada sobre Crime Organizado (Cicor). Inaugurado em dezembro de 2008, está longe de ser apenas uma grande central de interceptação e monitoramento de ligações telefônicas.
O Cicor é dividido em 13 salas protegidas por senhas e câmeras. Para evitar vazamentos e para segurança total das instalações, cada agente precisa ainda deixar gravada sua digital para ter o acesso liberado. Dentro, há quatro pontos de monitoramento e dois de Internet, além de outros equipamentos modernos.
O policial também conta com conforto no Cicor. Caso seja necessária a permanência de agentes por tempo mais longo, o centro é munido de refeitórios, cozinha, sala de descanso e dormitórios com capacidade para abrigar até 20 pessoas.
— O local é climatizado, confortável e muito seguro — afirmou um policial lotado na Inteligência da PF e que preferiu não ser identificado.
O centro ainda trabalha ligado a outros sistemas da PF, que ajudam no cruzamento de dados fiscais e de movimentação financeira de eventuais suspeitos. Um dos suportes do Cicor é o Centro Integrado de Inteligência Policial e Análise Estratégica (Cintepol), que, a partir de Brasília, funciona em parceria com as superintendências regionais da PF e com o ministério Público Federal.

— É uma grande rede de inteligência interligada, alimentada com informações que chegam de várias partes — contou Gioia.
O Cintepol é coordenado pelo delegado federal Alessandro Moretti, da Diretoria de Inteligência Policial (DIP), o núcleo central das grandes operações da PF no país. Foi Moretti que trabalhou em operações importantes no estado do Rio, como a Operação Gladiador, que tirou de circulação um grupo de contraventores e policiais do Rio ligados ao crime organizado. Também indiciou o então deputado estadual e ex-chefe de Polícia Civil Álvaro Lins (preso mais tarde e atualmente em liberdade), apontado pela Polícia Federal na época como um dos policiais supostamente envolvidos com a máfia dos caça-níqueis. O controle sobre o mercado do jogo ilegal deflagrou uma guerra, que perdura até hoje, entre os contraventores Rogério Andrade e Fernando Iggnácio.
Idealizado nos moldes do Federal Bureau of Investigation (FBI) americano, o Cicor trabalha com um batalhão de agentes. Por sala, são cerca de oito homens, o que, somado, chega a um total de aproximadamente cem homens atuando diariamente. Como muitos são de fora do Rio, o custo é alto: apenas em diárias são gastos todo mês cerca de R$ 150 mil, sem contar o pagamento de salários, alimentação e horas extras.
— Com a descentralização, podemos reduzir custos, economizando muito dinheiro — observou Ângelo Gioia.
A instalação do Cicor supriu o espaço deixado pela Missão Suporte (MS), uma central menor de inteligência que funcionava na PF, de forma precária e apertada, sob o comando do delegado José Mariano Beltrame, atual secretário de Segurança Pública do Rio. A MS tinha 50 policiais federais de fora do estado e foi criada em 2003 pelo delegado Luiz Fernando Corrêa, atual diretorgeral da PF. Inicialmente, ficou focada no combate ao tráfico de armas e drogas, além de investigar a atuação de policiais no crime organizado. Um ano depois de inaugurada, a MS foi suspensa por falta de recursos. O trabalho só foi retomado em maio de 2004. Em 2008, com a inauguração do Cicor, a MS foi extinta.

segunda-feira, junho 28, 2010

Reforço nas fronteiras

Reforço nas fronteiras
Polícia Federal e Forças Armadas vão atuar juntas para diminuir a quantidade de entorpecentes que chegam ao Brasil
Correio Braziliense – 28/06/2010

O crescimento da produção de drogas em países vizinhos ao Brasil, que fez aumentar o tráfico no país, vai unir a Polícia Federal (PF) e Forças Armadas, principalmente nas regiões mais vulneráveis, como a Amazônia. Hoje, Exército, Marinha, Aeronáutica, representantes da PF e da Casa Civil se reunirão para traçar as primeiras estratégias de atuação, que deve começar nos próximos meses. A intenção do governo é se antecipar à aprovação de um projeto em tramitação no Congresso, que dá às Forças Armadas o poder de polícia na fronteira.
Na última quarta-feira, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC) divulgou o relatório mundial que mostra um avanço na produção de cocaína, principalmente no Peru e Bolívia. Nesses países vizinhos, o crescimento foi assustador na última década, apesar da diminuição de quase 60% na Colômbia, até então principal responsável pelo tráfico de cocaína no mundo. Antes mesmo de o relatório da ONU ser publicado, a intenção de unir a PF e as Forças Armadas estava sendo debatidadentro do governo. “Contamos com apoio logístico das corporações em várias ocasiões. Agora, o intuito é que isso seja constante”, afirma o diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa.
Corrêa se refere ao trabalho desenvolvido pela Aeronáutica, principalmente na abordagem de aviões suspeitos de transportar drogas. A Polícia Federal quer ampliar esse auxílio, que contará, também, com a ajuda do Centro Gestor do Sistema de Proteção da Amazônia (Cesipam), ligado à Casa Civil. “O centro vai ceder sua tecnologia e radares instalados na Amazônia para monitoramento das áreas”, explica Corrêa.
Para Bo Mathiasen, representante regional para o Brasil e Cone Sul do UNODC, a união entre Forças Armadas e Polícia Federal é mais que bem-vinda. Ele defende, no entanto, a atuação militar como um apoio logístico, no sentido de auxiliar os agentes federais a se locomoverem nas regiões de fronteira, sobretudo em locais de difícil acesso. “Não será um trabalho de polícia por parte das Forças Armadas. O objetivo é melhorar a estrutura para um trabalho melhor da PF, com aviões, navios e carros que eles possuem”, destaca Mathiasen. Ele lembra que, em outras áreas, a cooperação das Forças Armadas sempre apresentou bons resultados. “Veja que são os militares que ajudam o Ministério da Saúde a levar agentes para aldeias indígena e regiões distantes dos centros”, completa.
Prioridades No plano de cooperação entre Forças Armadas e Polícia Federal, os agentes civis poderão ocupar as dependências de algumas unidades do Exército em regiões remotas, além de contar com a ajuda da Força na repressão ao tráfico de drogas. A Estratégia Nacional de Defesa, lançada há dois anos, prevê a construção de 28 pelotões de fronteiras em diversos estados da região Norte, sendo que alguns deles já estão em andamento em Roraima, Acre e Amazonas.
A prioridade será dada para a Amazônia e Sul do país, onde estão sendo registrados volumes expressivos de apreensão de droga, além de contrabando, que cresceu, em 2010, cerca de 110% em relação ao mesmo período do ano passado. “Precisamos controlar, também, as saídas para a América do Sul, Europa e Caribe”, afirma o diretor da PF, se referindo à atuação das Forças Armadas.
Corrêa destaca, ainda, a necessidade da criação de um banco nacional de informações sobre apreensão de drogas, alimentado em tempo real por todas as polícias brasileiras. Assim, será possível ter dados mais fiéis sobre as drogas no país. “A polícia nos estados também fazem muitas apreensões, mas só as nossas informações, que não representam a totalidade do problema, vão para o relatório”, conclui. 

sábado, junho 19, 2010

Operação da Polícia Federal comprova ligação entre PCC e Comando Vermelho

Operação da Polícia Federal comprova ligação entre PCC e Comando Vermelho
Folha Online
A PF (Polícia Federal) afirmou na manhã desta quinta-feira que a prisão de 13 pessoas, entre ontem e esta quinta-feira, por tráfico internacional de drogas e armas durante a operação Patente comprova a ligação entre as duas principais facções criminosas dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro: o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho.
Entre os presos está Benedito Ramos, conhecido como Tinho, integrante do PCC e, segundo a polícia, o responsável pela logística de transporte das armas e drogas que vinham do Paraguai.
Tinho foi preso, na tarde de quarta-feira (16), no aeroporto internacional Tom Jobim (Galeão), no Rio, quando chegava de São Paulo para uma reunião da quadrilha em um restaurante luxuoso na rua Barata Ribeiro, em Copacabana.
No restaurante foram presas outras quatro pessoas. Entre elas, o líder da quadrilha, Lenildo da Silva Rocha, que estava solto há dez dias e comandava o tráfico em uma favela de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Antes de ser solto, ele comandava o grupo do complexo penitenciário de Gericinó, em Bangu (zona oeste do Rio).
A advogada de Rocha, Eunice Fábio dos Santos, também foi presa no restaurante. De acordo com a PF, ela era responsável pelas movimentações financeiras da quadrilha e recolhia a renda das vendas das armas nas comunidades da Baixada Fluminense. Para os policiais, a advogada alegou que ia até a região buscar seu salário.
Segundo a PF, as armas que vinham do Paraguai, além de serem revendidas em favelas da baixada, iam para Petrópolis (região serrana do Rio) --onde uma pessoa também foi presa-- e eram usadas pela própria quadrilha.
O transporte de drogas e armas era feito por uma empresa de transporte de cargas, localizada no Rio, de propriedade de Luciano de Azevedo Ananias, que também foi preso pela PF.
O delegado Enrico Zambrotti, da Polícia Federal, afirmou que a investigação -- iniciada em janeiro-- apontou que a quadrilha faturava cerca de R$ 1 milhão por mês com a negociação de pelo menos 15 fuzis. "A coordenação das atividades ilícitas era feita por presidiários ligados a facção criminosa Comando Vermelho que tinha um elo direto com PCC, em São Paulo", afirmou.
Em São Paulo, uma mulher conhecida como Solange Sombra, parente de Tinho, e Anderson Tibério também foram presos. Durante a operação, a polícia apreendeu 140 kg de maconha, 300 sacolés de cocaína, 13 pistolas e 1 submetralhadora, além de carregadores e munições.
A polícia cumpriu 13 mandados de prisão --sendo cinco em presídios-- e 15 de busca e apreensão, mas três suspeitos ainda estão foragidos. Um deles é do Paraguai. Entre os locais de busca estão os presídios Ary Franco, em Água Santa (zona norte); Jorge Santana, Vicente Piragibe e Gabriel Castilho, no complexo de Gericinó (Bangu).
A operação foi batizada de Patente porque, segundo a polícia, está ligada a frequentes viagens dos investigados para as regiões de Coronel Sapucaia, no Mato Grosso do Sul, e Capitan Bado, no Paraguai.

quarta-feira, junho 16, 2010

Operação Tormenta: quadrilha cobrava até R$ 270 mil por gabarito

Operação Tormenta: quadrilha cobrava até R$ 270 mil por gabarito
Claudio Nogueira, Jornal do Brasil - 21:49 - 16/06/2010
RIO - A Operação Tormenta, da Polícia Federal, desmontou quarta-feira um esquema que fraudou diversos concursos públicos federais nos últimos 16 anos . A quadrilha atuava em todo o país, vendendo gabaritos das provas por valores que chegavam a quase R$ 270 mil. Até quarta-feira, 12 pessoas – incluindo o dono de uma universidade e um policial rodoviário federal – tinham sido presas no Rio e em São Paulo, e pelo menos 120 candidatos que receberam previamente os resultados dos exames foram identificados. Nas operações foram encontrados dinheiro, cadernos de provas e equipamentos para fraude, como pontos eletrônicos.
Investigação desde 2009
A PF chegou ao grupo a partir de investigações sobre o concurso para agente da própria instituição, no ano passado. Além do concurso da PF, a quadrilha teve acesso facilitado a provas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da Receita Federal. Concursos da Anac e da Abin também estão sob suspeita.
– Para o concurso da OAB eles cobravam R$ 50 mil, para agente da PF US$ 50 mil (R$ 88 mil) – revelou Marcos David Salem, diretor de Inteligência da PF. – Já temos conhecimento de que para o concurso para delegado da Polícia Federal eles iriam cobrar US$ 150 mil (R$ 264 mil).
Três opções
A quadrilha também teria tentado fraudar, sem sucesso, concursos da Caixa Econômica Federal, do INSS e da Advocacia Geral da União. O esquema oferecia três opções: o aliciamento de funcionários que tinham acesso antecipado às questões; o repasse das respostas por um ponto eletrônico; e a indicação de uma outra pessoa, mais preparada, para fazer a prova no lugar do candidato.
No site da Ordem dos Advogados do Brasil, o presidente nacional da entidade declarou que não vai permitir que um bacharel em direito entre na Ordem “pela porta do crime”. Ophir Cavalcante também defendeu “ampla divulgação de todos os detalhes das investigações que resultaram na identificação dos fraudadores”.
Os candidatos envolvidos serão processados por estelionato. Quem comandava a fraude vai responder pelos crimes de formação de quadrilha, violação de sigilo funcional, estelionato e falsificação de documentos públicos.
Transparência pode ajudar a moralizar o processo
A descoberta das fraudes pode levar a uma revisão das regras dos concursos públicos no país.
– Temos de tomar as medidas para que isso não ocorra mais. Os concursos têm de ter lisura – reagiu o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. – Há cerca de 5 milhões de pessoas estudando para concurso no país. As pessoas têm de entrar por mérito, e não por fraude.
Fiscalização
O esquema da quadrilha não foi surpresa para quem lida há mais tempo com exames públicos. Paulo Estrela é diretor da Academia do Concurso Público, por onde passam 40 mil candidatos todos os anos, em busca de capacitação para as provas. Ele defende que a fiscalização seja mais forte nos locais de prova – e transparência na divulgação de resultados.
– Exames como aqueles feitos para cadastro de reserva engessam a divulgação e deixam margem para se questionar os resultados. É preciso rever esse tipo de avaliação.
Estudando para concurso há quatro anos, a designer Flávia Cunha insiste no sonho do emprego público, mas não se ilude:
– Ainda bem que pegaram, mas quem estuda já sabe que isso acontece. Ainda deve ter muitos mais.

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