quinta-feira, setembro 30, 2010

PF já abriu 661 inquéritos para apurar crimes eleitorais

PF já abriu 661 inquéritos para apurar crimes eleitorais
Rio, Pará e Paraíba são os estados com maior número de investigações.
Jailton de Carvalho – O Globo
 BRASÍLIA. Mesmo com a campanha a favor da Lei da Ficha Limpa nas ruas, muitos políticos ainda estão tentando aliciar eleitores e comprar votos.
Relatório da Polícia Federal, divulgado ontem, informa que, do início da campanha eleitoral em julho até o momento, já foram abertos 661 inquéritos para apurar crimes eleitorais.
Desse total, 153 inquéritos foram instaurados para investigar especialmente denúncias de compra de votos — uma indicação de que a feira livre de eleitores ainda é uma prática frequente no processo eleitoral, principalmente nas eleições regionais.
O Rio de Janeiro é o estado com o maior número de inquéritos.
Até o momento, já foram abertas 73 investigações para apurar práticas abusivas e crimes cometidos por políticos locais em busca de votos. Em segundo lugar nesta lista está o Pará, com 64 inquéritos. A incidência de desvios é considerada alta também na Paraíba. O estado está em terceiro, com 40 inquéritos embora seja um dos menores colégios eleitorais do país. São Paulo e Bahia estão empatados na quarta posição, com 33 investigações cada.
O relatório indica ainda que a feira de votos é intensa também em Roraima. O estado aparece em primeiro lugar na lista das unidades da federação com o maior número de inquéritos sobre esse delito. São 15 investigações sobre compra de votos.
No início do mês, a Polícia Federal prendeu o governador Pedro Paulo Dias (PP) e o ex-governador (PDT) Waldez Góes e mais 16 pessoas acusadas de corrupção, entre outros crimes relacionados a desvios de verbas públicas. Em segundo lugar na lista aparece o Rio de Janeiro, com 11 investigações sobre compra de votos.
Vinte e seis pessoas já foram presas pela PF Boa parte das investigações tem atingido políticos e cabos eleitorais. Mas a Polícia Federal informa que vender votos também é crime e os eleitores que aceitarem vantagens pessoais em troca de apoio político podem ser punidos. No início da campanha, a Polícia Federal anunciou uma parceria com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para reforçar as medidas preventivas contra os crimes eleitorais. O plano prevê que 60% dos 13 mil policiais estarão mobilizados para garantir a segurança e coibir irregularidades.
A PF decidiu ainda aumentar o número de policiais no Amazonas, Pará, Alagoas, Rio Grande Norte e no Distrito Federal. São áreas consideradas de maior risco de problemas, conforme o histórico das últimas eleições.
Durante as ações de combate aos crimes eleitorais, a polícia prendeu 26 pessoas suspeitas de envolvimento com as irregularidades.
Também 33 pessoas foram conduzidas à força para prestar esclarecimentos sobre práticas abusivas. Nestas eleições, a PF decidiu mudar a estratégia de atuação. Antes, a polícia só saia a campo depois de receber denúncias. Agora, os policiais estão sendo orientados a atuar de forma preventiva. Com base no histórico dos crimes registrados nas últimas eleições, a PF tenta se antecipar e coibir compra de votos e caixa dois, entre outras irregularidades.

O sonho e o amontoado

O sonho e o amontoado
CLÓVIS ROSSI – FOLHA DE SÃO PAULO
De repente, ouço do cantor e compositor Oswaldo Montenegro, em entrevista para a TV Gazeta, uma frase que, para o meu gosto, é uma síntese quase perfeita para o momento: "Sou do tempo em que a gente sonhava junto; hoje, sonhar junto é cafona".
Vale para as eleições brasileiras. A frieza que as cerca reflete, acho, a falta de sonhos coletivos e o predomínio do individualismo. Essa história de "pai" ou de "mãe", por exemplo, é típica de relação patriarcal, de cima para baixo, bem longe do "somos todos iguais/ braços dados ou não" daquela canção de Geraldo Vandré.
Foi um dos hinos da resistência à ditadura.
Por falar em ditadura, nunca esqueci de uma frase que os espanhóis usavam muito, nos anos posteriores à morte de Francisco Franco Bahamonde, o ditador que ganhou a guerra civil (1936/39) e que ficou no poder até morrer, em 1975: "Contra Franco, vivíamos melhor", dizia-se.
Viviam melhor, apesar das perseguições, apesar da ditadura, porque sonhavam juntos e era facilmente discernível quem era mocinho, quem era bandido, conforme o lado que se escolhesse.
As centrais sindicais espanholas que sonhavam junto com socialistas e comunistas, entre outros, lideravam ontem uma greve geral contra as reformas impostas pelos socialistas, que estão no governo e já não sonham, rendem-se ao pesadelo imposto pelos mercados.
Lembrei de Vandré por causa da entrevista que a Globo News anunciava na semana passada e cuja exibição acabei perdendo.
Fui buscar na internet e encontrei uma frase que remete ao início. Questionado sobre em que país vive, Vandré responde:
"Eu até me atreveria a dizer que quem não vive no Brasil é a maioria dos brasileiros. A quase totalidade dos brasileiros não vive mais no Brasil. Vive num amontoado".
crossi@uol.com.br

"Sarau na Vila" - Cordel de Samaria - José Barbosa Júnior

Pés pelas mãos

Pés pelas mãos
Eliane Cantanhêde - FOLHA DE S. PAULO
BRASÍLIA - A queda de Dilma detectada pelo Datafolha em todas as regiões e faixas não é por acaso.
O escândalo da Casa Civil abalou a fama de boa gerente da candidata e reavivou a lembrança do estilo "mensaleiro" do governo. É inexplicável que Erenice Guerra tenha virado braço direito de Dilma e chefe do principal ministério.
Como pano de fundo, a quebra de sigilo fiscal, os ataques à imprensa e o anúncio de José Dirceu de que Dilma vai implantar o real "projeto político do PT" reabriram velhas desconfianças e fantasmas.
A síntese provavelmente captada pelo eleitor, certa ou errada, é que Dilma encarna um projeto centralizador, frouxo na ética, no qual os agregados vão deitar e rolar.
O papel -ou culpa- de Lula não é desprezível. Desde que a vitória foi dada como certa, ele botou os pés pelas mãos e passou a atrapalhar. Se antes atraía votos, começou a atrair o temor de uma hegemonia sufocante no país.
Ao subir nos palanques raivoso e agressivo, atiçando a militância contra a imprensa e a favor da "extinção" dos adversários, Lula despertou intelectuais, juristas e o ícone dom Paulo, que se sentiram compelidos a chamá-lo à razão.
Podem não ter conseguido, mas conseguiram acender um sinal amarelo na campanha de Dilma, que agora se torna vermelho com a perspectiva de segundo turno.
A oposição, porém, não tem tanto o que comemorar. Marina acelerou, mas não tem gás para chegar em segundo; e Serra tem gás, mas não avança. Ou seja: a vitória de Dilma não parece ameaçada, e o que as pesquisas trazem é uma advertência para ela, para o PT e para Lula: ok, vocês são fortes, mas não são únicos nem podem tudo.
A opinião pública existe, sim, e torce pelo segundo turno como ducha de água fria na fogueira das vaidades e nos excessos de quem se sente dono do país. O Brasil é de todos e não comporta, a esta altura, "pai" ou "mãe" à la Getúlio.

Diferenças e tendências

Diferenças e tendências
Merval Pereira – O Globo
 Essas diferenças entre os institutos de pesquisa vão ter que ser estudadas quando acabarem as eleições.
O resultado do Ibope/CNI dá Dilma estável com 50% dos votos, enquanto o Datafolha deu a ela 46%, em queda. A única explicação está nos dias em que foram feitas as pesquisas. O Datafolha fez a sua integralmente no dia 27, uma segunda-feira. O Ibope fez a sua nos dias 25 e 26 (sábado e domingo) e 27, mil entrevistas a cada dia. E o Sensus, nos dias 26, 27 e 28 (domingo, segunda e terça).
Embora o Instituto Sensus também mantenha a indicação de vitória de Dilma no primeiro turno, ele capta uma queda da candidata oficial de 3 pontos e uma subida igual de Marina.
As próximas pesquisas até sábado, véspera da eleição, é que mostrarão o que está acontecendo, se Dilma vem realmente caindo, um processo que teve seu início no dia 27 e não foi detectado pelo Ibope, que fez a maior parte de sua pesquisa nos dias 25 e 26, mas foi captado pelo Datafolha e em parte pelo Instituto Sensus.
Tudo indica que a mudança dos ventos é contra Dilma, mas não há indicações seguras de que essa tendência vai se manter, se vai se intensificar o crescimento da candidata do Partido Verde, Marina Silva, ou se as providências da campanha oficial serão suficientes para garantir sua vitória no primeiro turno, estancando esse processo.
A reunião de Dilma com lideranças católicas e evangélicas para tentar desmentir uma posição a favor do aborto, por exemplo, é uma dessas medidas que visam a conter um processo de desgaste nesse setor do eleitorado.
Dilma ontem disse que é contra o aborto e que não defenderá um plebiscito — como faz a candidata do PV, Marina Silva — e que, mesmo com o PT defendendo uma discussão maior sobre o tema, não proporá nenhuma medida ao Congresso para descriminalizar o aborto.
Mas em maio de 2009, em entrevista à revista “Marie Claire”, que defende o aborto, a já então candidata não oficial Dilma Rousseff deu a seguinte resposta sobre o assunto: “Abortar não é fácil pra mulher alguma.
Duvido que alguém se sinta confortável em fazer um aborto.
Agora, isso não pode ser justificativa para que não haja a legalização.
O aborto é uma questão de saúde pública. Há uma quantidade enorme de mulheres brasileiras que morre porque tenta abortar em condições precárias.” Portanto, a informação de que Dilma é a favor do aborto, que sua campanha está tratando como uma calúnia com objetivos eleitorais, tem base em declarações da própria.
Se, em campanha eleitoral, ela mudou de ideia justamente para não chocar esse nicho do eleitorado, é uma questão política que está sendo discutida pela internet e nas igrejas, e está lhe sendo prejudicial. E provocou uma dura declaração de Marina, que afirmou: “Não faço discurso de conveniência. A ministra Dilma já disse que era a favor e depois mudou de posição.
Não acho que em temas como esse se deva fazer um discurso uma hora de uma forma e outra hora de outra só para agradar ao eleitor.” Boato maldoso com objetivos eleitorais parece ser uma frase atribuída a ela, que garante que não disse: “Nem Cristo me tira esta eleição”, teria dito Dilma em uma entrevista.
Não há, no entanto, nenhuma gravação com essa frase, e não apareceu nenhum jornalista para garantir que a ouviu da boca de Dilma.
Essas questões que mexem com o voto religioso, mais a corrupção entranhada no Gabinete Civil na gestão de sua indicada e braço-direito, Erenice Guerra, seriam os fatores que estariam corroendo a popularidade de Dilma Rousseff em setores distintos do eleitorado, levando a eleição para o segundo turno.
Por mais otimistas que sejam, os estrategistas do PSDB consideram que a realização do segundo turno deve acontecer, mas por uma diferença bastante apertada.
Dilma deve ter, segundo seus cálculos, entre 47% e 49%, muito devido ao crescimento da candidata do Partido Verde, Marina Silva.
Mas seria preciso que esse movimento na reta final da campanha fosse uma “tsunami” e não uma simples “onda verde”, para levá-la para o segundo turno, superando o candidato tucano.
O esforço na reta final parece mais destinado a aumentar a votação de Marina para dar a ela um poder de barganha maior num eventual segundo turno.
Há quem considere a possibilidade de Marina chegar a entre 18% a 20% dos votos válidos no próximo domingo, o que daria ao Partido Verde um poder de barganha excepcional para negociar com Dilma Rousseff ou José Serra.
Para ganhar no segundo turno, o que até o momento parece ser muito difícil, Serra teria que fazer esse grande acordo com o Partido Verde, permitindo que a tese da “transversalidade” da questão do meio ambiente vigore em seu futuro governo, interferindo em questões como o projeto de desenvolvimento ou a agricultura.
O futuro governo, seja ele qual for, terá um forte componente ecológico saído do compromisso programático tornado viável pela atuação do partido no primeiro turno.
Quem estiver mais disposto a se abrir para essa questão terá mais chance de fazer uma aliança com expressiva parcela do eleitorado.
Fora isso, a candidatura oficial terá mais facilidade para atrair boa parte desses eleitores de Marina, que geralmente são petistas desgostosos com os desmandos do PT no governo, mas que, num confronto direto com o PSDB, tendem a voltar às suas origens.
Há ainda uma questão comum a todas as eleições, segundo o cientista político Alberto Carlos de Almeida, que induz a erro as pesquisas eleitorais: o mais comum, segundo ele, é superestimar o percentual de votos do primeiro colocado, fenômeno que se deve ao erro no ato de votar.
Almeida diz que os eleitores realmente querem votar no candidato que apontam na pesquisa, mas acabam errando e anulando o voto.
Este ano haverá o agravante de que o voto para presidente é o último de seis votos. Esse fato pode levar a uma grande abstenção para o voto de presidente e dar ao PT uma votação surpreendente para deputado estadual, que é o primeiro voto na urna eletrônica.
Segundo Almeida, muitos eleitores de baixa escolaridade do PT irão digitar o número 13 na urna eletrônica no primeiro voto pensando que estão votando para presidente
E-mail para esta coluna: merval@oglobo.com.br

J. Bosco para O Liberal


A última batalha

A última batalha
Presidenciáveis se encontram hoje para o embate final antes do pleito de domingo
Ana Paula Siqueira – JORNAL DO BRASIL - BRASÍLIA
 Hoje pode ser um dia decisivo para o futuro dos candidatos a Presidência. O último debate entre os postulantes ao cargo mais importante do país Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB), Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) transmitido à noite pela Rede Globo, é importante porque tem o poder de atrair os votos dos eleitores indecisos e, também, consolidar a escolha de quem já tomou sua decisão. As estratégias dos candidatos são imprevisíveis e dependem do objetivo de cada um.
A expectativa é que Dilma Rousseff, líder nas pesquisas de intenção de voto, mantenha uma postura mais neutra. Quanto a Serra e Marina, o mistério é maior, já que ambos lutam para chegar a um segundo turno.
No caso de Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), como as chances dele seguir para um possível segundo turno são remotas, ele poderá ser um franco atirador, já que não teria nada a perder, e sempre manteve uma postura crítica frente aos demais candidatos.
Para o presidente da Associação Brasileira de Consultores Políticos (Abcop), Carlos Manhaneli, os indecisos serão objeto de adoração dos candidatos. Ele afirma que essa parcela do eleitorado ainda está analisando as propostas para tomarem sua decisão.
A primeira coisa que é preciso ter em mente é que o debate não é uma arena, mas uma passarela. Quem já decidiu o voto, a tendência é manter a decisão  avalia. Atacar seria ruim.
A bala de prata
A ameaça da chamada bala de prata  uma última cartada contra adversários faltando pouco tempo para o pleito é vista como remota. O professor de comunicação da UnB, com experiência em marketing político, Hélio Doyle, avalia que o tempo é curto para uma estratégia como essa:
É muito difícil. Até pode existir, mas o tempo de repercussão é muito curto. Essas coisas precisam de uns dias para serem sedimentadas  afirma o professor.
Doyle diz ainda que o potencial desse debate é o de fazer com que a disputa se encerre no primeiro turno ou siga para o segundo. Para isso, as estratégias de Serra e Marina devem ser nesse sentido.
David Fleischer, cientista político da UnB, acredita que sempre há o risco de uma notícia explosiva surgir na última hora e mudar os rumos da eleição. Mas ele não cê na possibilidade de que possa acontecer hoje.
Mas a melhor estratégia é sempre a cautela observa.
Debate histórico em 1989
Os debates já tiveram o poder de definir a eleição presidencial. O clássico embate de 1989, entre os então candidatos Fernando Collor de Melo, do extinto PRN, e o petista Luiz Inácio Lula da Silva, no segundo turno das eleições é considerado um divisor de águas.
Faltando três dias para o último debate, Collor apresentou a ex-mulher de Lula, Miriam Cordeiro, que acusou o ex de espancá-la e de querer que abortasse quando soube de sua gravidez.
No dia do debate, Lula estava visivelmente abalado, e o que se sabe é que Collor trazia pastas que teriam deixado o petista atordoado, prejudicando seu desempenho durante a última discussão. Para completar, a Rede Globo foi acusada de manipular a edição do debate, exibida nos jornais da emissora de maneira a favorecer Collor.
Como será
Mediado por William Bonner, o debate terá cinco blocos. Enquanto o primeiro e o terceiro terão temas pré-determinados, o segundo e o quarto serão com temas livres. A última parte será destinada apenas às considerações finais.
Tempos
Cada candidato terá 30 segundos para perguntas, dois minutos para respostas, um minuto para réplica e um minuto para tréplica. A concessão de direito de resposta será analisada por Bonner e pela equipe de produção. Caso seja atendido, o candidato terá um minuto para se defender. O posicionamento dos candidatos no estúdio foi definido por sorteio. Da esquerda para a direita estarão José Serra (PSDB), Marina Silva (PV), Dilma Rousseff (PT) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL).
Perguntas e respostas
As perguntas serão feitas sempre de candidato para candidato, ou seja, sem a participação do público ou de jornalistas. Para que todos os candidatos perguntem e respondam ao menos uma vez em cada bloco, na abertura de cada parte Bonner sor teará o candidato que fará a primeira pergunta, que se dirigirá ao candidato de sua livre escolha. Quem respondeu faz a próxima pergunta a qualquer debatedor que ainda não perguntou, nem respondeu, e assim por diante. O último a perguntar no bloco formulará a questão, necessariamente, a quem o iniciou. No bloco de temas determinados, a mecânica é a mesma, com o mediador sorteando, antes de cada questão, o tema a ser abordado.
Se alguém faltar
Se algum candidato faltar, em cada bloco, um dos candidatos presentes poderá relatar ao público, em 40 segundos, a pergunta que faria ao ausente, e deverá escolher um dos candidatos presentes para fazer outra pergunta. O lugar destinado ao candidato ausente ficará vazio, com uma placa indicando seu nome.

Do alto do salto

Do alto do salto
DORA KRAMER - O Estado de S. Paulo
Em 2006 o presidente Luiz Inácio da Silva errou ao faltar ao debate da TV Globo. João Santana, o conselheiro de marketing presidencial, logo depois da reeleição atribuiu a isso - mais que ao escândalo dos aloprados - a insuficiência de votos para a vitória no primeiro turno.
Agora Lula errou ao ter pesado a mão além dos limites do aceitável até para personalidades que tradicionalmente estiveram ao lado dele e que estão acima de qualquer querela partidária. D. Paulo Evaristo Arns, por exemplo, o primeiro signatário do manifesto em defesa da democracia, simbolicamente lido no Largo de São Francisco (SP) por Hélio Bicudo.
Lula achou que era preciso uma reação forte para tentar neutralizar os possíveis efeitos das notícias sobre as negociatas de Erenice Guerra e companhia a partir da Casa Civil.
Acabou exagerando na visão do público que se sensibiliza com roubalheiras e dando a ele, o público, a impressão de que ele, Lula, estava se achando o dono do mundo e da vontade alheia.
Comprou uma briga inglória e deu margem à manifestação de contrariedade de muita gente que estava politicamente inerte. Por vários motivos, entre eles ausência de entusiasmo em relação à candidatura de José Serra.
O resultado apareceu nos índices da candidata Dilma Rousseff. Haveria outra forma de o presidente administrar o problema que surgiu a 15 dias da eleição?
Seria muito arriscado fazer como de outras vezes e ignorar a história cabeludíssima. Mas era preciso, ao mesmo tempo, construir alguma justificativa para se contrapor aos fatos tão eloquentes.
O presidente convocou a culpada de sempre, a imprensa, e caprichou no contra-ataque. Esperto, não deu nomes a esses nem àqueles. Protestou genericamente contra entidades conspiratórias (ao molde das "forças ocultas", de Jânio Quadros) e achou que assim apagaria as evidências.
Uma pessoa menos autoconfiante, ou em crise menos aguda de exacerbação da autoconfiança, teria tomado as providências, demissões, pedido de investigações, condenação dos atos e daria por entregues os "lamentáveis fatos à polícia".
Não teria achado que pode tudo contra todos e se arriscado a, de novo, produzir um indesejado segundo turno. Que, aliás, se acontecer, fará o PT encerrar a primeira etapa da eleição na condição de vencedor, mas com jeito de derrotado.
Parado no ar. Os argumentos dos ministros do Supremo fazem sentido. A exigência de dois documentos para votar restringe mesmo o acesso às urnas. Mas, como o Congresso aprova algo assim, como o PT apoia (depois alega inconstitucionalidade) e Lula sanciona?
Falta de atenção institucional. No caso do presidente, falta de Casa Civil profissional e competente.
Uma ou outra. Não dá para o PSDB ao mesmo tempo defender a liberdade de expressão e pedir censura para pesquisas de intenção de votos, como fez o tucano Beto Richa no Paraná com o Datafolha.
Há "democratas" - no sentido adjetivo, não de nome próprio do partido - que justificam o pedido de interdição de pesquisas dizendo que elas muitas vezes são usadas indevidamente e que influenciam o eleitor.
Pois é, a liberdade é assim, irrestrita: por isso também dá margem a deformações, causa desconforto e contraria.
Para resolução de insatisfações como essa da divulgação de pesquisas às vésperas das eleições e até mesmo da dupla jornada de alguns institutos que trabalham para campanhas, a solução é via Congresso.
Quem tiver força política e argumentos convincentes que tente aprovar alguma regulação legal.
Ocorre que políticos não fazem isso porque nem sempre é uma questão de princípio, mas de circunstância. Têm receio de que amanhã ou depois possam ser favorecidos por aquilo que criticam hoje.
Só não dá para querer resolver os problemas na base da censura. É mais fácil, mas custa caríssimo.

Brasil - Eleições 2010

Frank, hoje na Notícia (SC)


MPE ajuiza ação contra Dilma por uso da máquina

MPE ajuiza ação contra Dilma por uso da máquina
O Globo
 BRASÍLIA. A vice-procuradora eleitoral, Sandra Cureau, decidiu representar contra a candidata do PT, Dilma Rousseff, e a ministra da Secretaria de Política para as Mulheres, Nilcéa Freire, acusando-as de uso da máquina pública para fazer propaganda eleitoral subliminar em favor da candidata petista em material distribuído pela secretaria. Na representação junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Sandra Cureau afirma que o uso da máquina pública se deu por meio de distribuição de cartilhas, cartazes e principalmente o livro “Mais mulheres no poder, uma questão de democracia”, que defende o voto em mulheres.
 Ela pede que o TSE aplique multa às duas.
O material foi distribuído para partidos políticos, parlamentares e candidatos nos estados; no dia 15 de julho, depois que a prática foi denunciada pela imprensa, a secretária interrompeu a distribuição. Na ação, Sandra Cureau afirma ainda que os autores alegam que o objetivo das publicações foi o de defender o voto em mulheres, mas que não há na publicação qualquer referência a Marina Silva, do PV, candidata que disputa a eleição com Dilma.

Marina, Dilma e o aborto

Marina, Dilma e o aborto
Candidata do PV acusa a petista de fazer discurso de conveniência para agradar ao eleitor
Miguel Caballero – O Globo
 A candidata do PV à Presidência, Marina Silva, acusou Dilma Rousseff (PT) de adotar um “discurso de conveniência”, às vésperas da eleição, sobre a legalização do aborto. A crítica foi feita quando Marina comentou declaração de Dilma, que, em encontro com líderes religiosos católicos e evangélicos, ontem, em Brasília, afirmou ser “pessoalmente contra o aborto”. Dilma disse ainda ser contrária à realização de um plebiscito sobre a questão. Serra também reagiu à petista, afirmando que ela mudou de posição.
 — Eu não faço discurso de conveniência.
A ministra Dilma já disse que era favorável e depois mudou de posição. A minha posição é coerente com o que penso e acredito.
Não acho que em temas como este deva se fazer um discurso uma hora de uma forma, outra hora de outra, só para agradar ao eleitor. O importante é discutir o Brasil com transparência, respeito ao brasileiro — afirmou Marina durante corpo a corpo na Central do Brasil, no Rio.
A acusação de oportunismo eleitoral, por mudar de opinião, foi um dos mais duros ataques de Marina a Dilma na campanha.
 Serra: “Eu não tenho duas caras”
A legalização do aborto ganhou importância no debate entre as duas candidatas na última semana da campanha com o crescimento de Marina, que estaria ganhando a preferência de eleitores evangélicos, tirando votos de Dilma. Evangélica, fiel da Assembleia de Deus, Marina sempre se posicionou contra a legalização do aborto por motivos religiosos, mas tem defendido que a questão seja resolvida por plebiscito.
Em Barueri (SP), o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, também criticou Dilma, sem citar o nome da candidata: — Eu digo sempre a mesma coisa.
Quando eu disse que era contra legalização do aborto, essa foi minha atitude. Eu respeito quem tem opinião contrária, mas essa foi minha atitude, eu não digo uma coisa aqui, outra coisa ali, outra coisa mais adiante. Eu não tenho duas caras. Eu tenho uma cara só. Alguns acham feia, mas algumas acham bonitinha.
Depois de passar a manhã de ontem em São Paulo, se preparando para o debate de hoje na TV Globo, Marina veio para o Rio, onde aparece em empate técnico com Serra nas pesquisas. O ato programado era um corpo a corpo na Central do Brasil, mas a chegada da presidenciável provocou grande tumulto.

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