terça-feira, outubro 12, 2010
Igrejas X internet
Igrejas X internet
FERNANDO RODRIGUES – Folha de São Paulo
BRASÍLIA - A internet ganhou de lavada das igrejas na eleição deste ano. Ainda bem. Um sinal de que o Brasil não está assim tão mesozoico como sugerem os comerciais religiosos de Dilma Rousseff (PT) e de José Serra (PSDB). O tucano chegou a mostrar ontem uma foto de quando fez a primeira comunhão.
Na pesquisa Datafolha realizada na última sexta-feira, o instituto indagou aos eleitores sobre a influência de igrejas e da rede mundial de computadores na política.
Dos 94% dos eleitores que declaram ter religião, só 3% afirmam ter recebido alguma orientação de sua igreja para não votar em algum candidato a presidente.
Já entre o total dos eleitores brasileiros, 14% foram alvo de mensagens negativas enviadas por meio da internet contra os postulantes ao Palácio do Planalto.
Ou seja, muito mais brasileiros tiveram contato com propaganda negativa na internet do que assistindo a um culto religioso. É uma boa notícia. O país estaria regredindo séculos se os eleitores majoritariamente submetessem suas convicções eleitorais a prescrições vindas de padres e pastores.
Embora essa guerra de propaganda negativa tenha sido limitada a uma parcela minoritária, houve consequências. A maior derrotada foi Dilma Rousseff. Mesmo em pequena quantidade, os conselhos religiosos foram todos tangendo o fiel a rejeitar a petista nas urnas. No final, 1% do eleitorado acabou mudando de voto por causa da orientação recebida.
No caso da internet, o número de eleitores que recebeu mensagens anti-Dilma superou em mais de três vezes todos os que leram propaganda anti-Serra.
Curiosamente, esse movimento de subtração de votos da petista não desaguou de forma automática no tucano. Muitos se tornaram indecisos. Por enquanto, parecem inescrutáveis. O rumo dessa categoria de "eleitor-pêndulo" será vital na escolha do sucessor de Lula.
Tiririca, populismo e despolitização
Tiririca, populismo e despolitização
A. P. Quartim de Moraes - O ESTADO DE SÃO PAULO - 11/10/10
O desempenho eleitoral de Francisco Everardo Oliveira Silva, mais conhecido como o palhaço Tiririca, tem sido avaliado com certa indulgência por analistas e cientistas políticos. Seria apenas uma "manifestação de protesto" do eleitorado. Muitos desses analistas chegam a lembrar, numa comparação só aparentemente pertinente, que em São Paulo mesmo, nos anos 50, o rinoceronte Cacareco obteve votação maciça para vereador.
Manifestação de protesto, especialmente numa eleição, é ato eminentemente político. Pressupõe consciência da adequação do meio ao fim que se pretende alcançar. O que pode existir de político no ato de votar num candidato que assumidamente não tem a menor ideia do que sua investidura poderá significar? Numa pessoa visivelmente manipulada por dirigentes partidários espertalhões? Pode ser muito engraçado eleger um palhaço para esculhambar um Poder da República que cada vez menos se dá ele próprio ao respeito. Mas não é nada engraçado verificar que palhaçadas acabam resultando quase sempre em decisões parlamentares que pouco ou nada têm que ver com os verdadeiros interesses dos eleitores. Quando, nos anos 50, dezenas de milhares de votos foram dados ao Cacareco, o pior que aconteceu foi o desperdício desses votos, obviamente, anulados. Agora, a enorme votação do Tiririca acabou elegendo pelo menos mais três deputados da mesma coligação que por si sós não teriam chegado lá.
Não é impossível, claro, embora não pareça provável, que o futuro deputado em questão venha a revelar verdadeiro espírito público e se transformar em valoroso representante do povo. Mas o fato é que o voto em Tiririca nada teve que ver com protesto. De consciente pode ter tido, no máximo, a intenção do deboche. No resto, é pura despolitização, falta de informação, ignorância. É um tiro que o eleitor alienado deu no próprio pé.
Esse fenômeno é exemplar da grave despolitização que se alastra pelo País desde o advento do populismo lulista no poder. Como nosso presidente tem origem humilde e está blindado pela cultuada imagem de "homem do povo", torna-se quase impossível criticá-lo sem cometer grave ofensa ao povo. Convém começar, portanto, pelos elogios: o governo Lula, sem a menor sombra de dúvida, tem feito o País andar para a frente, tornar-se melhor, no sentido de mais próspero, durante os oito anos de seus dois mandatos. Para citar duas realizações mais relevantes, entre si fortemente relacionadas: a aceleração do desenvolvimento econômico, unanimemente confirmada por todos os indicadores disponíveis e, até mais importante, consequência da anterior, a incorporação de muitos milhões de brasileiros antes marginalizados ao mercado de consumo. Há, portanto, muito menos gente passando fome e muito mais desfrutando os benefícios do progresso no Brasil de hoje. É claro que isso tudo é o resultado de um trabalho que começou muito antes de Lula se tornar presidente - a tal "herança maldita" -, mas é inegável seu grande empenho e seu êxito na aceleração e no aprofundamento dessas realizações. Por esses feitos meritórios o Brasil e este escriba rendem justa homenagem à ilustre figura.
Mas o que não conseguem enxergar os adoradores de Lula encharcados do mais piedoso sentimento de amor aos pobres - com os cínicos e oportunistas nem adianta argumentar - é que indicadores econômicos positivos estão longe de ser suficientes para demonstrar desenvolvimento pleno, econômico e social. Tão importante quanto dar de comer a quem tem fome é criar condições para que o faminto tome consciência de que tem o direito não apenas de receber a benesse de um prato de comida, mas de obter o próximo prato por seus próprios meios, como exige sua dignidade de ser humano. Essa é a verdadeira conquista social, porque dela o homem é sujeito, não mero objeto, como não se cansava de repetir o mestre Franco Montoro. Esse é o verdadeiro progresso. O resto é assistencialismo inconsequente ou, pior, oportunista.
Consciência cívica se adquire não apenas pela educação - que mesmo no Brasil mais desenvolvido continua sendo um enorme problema -, mas também pelo exemplo que vem de cima. E é aí que a coisa pega. É aí que o governo Lula significa despolitização, retrocesso. Pois se o próprio presidente se acha no direito de desmoralizar as principais instituições republicanas ao tentar subjugar o Congresso Nacional e o Poder Judiciário, aparelhar partidariamente o Estado, ridicularizar a Justiça Eleitoral, tentar desmoralizar os tribunais de contas, ameaçar partidos oposicionistas de "dizimação", tratar com absoluta indulgência os companheiros notoriamente envolvidos em corrupção, atacar a imprensa porque denuncia essa corrupção, enfim, se o presidente pode - para usar um termo que ele aprecia - avacalhar tudo e todos os que o contrariam, por que não poderia o palhaço Tiririca avacalhar uma eleição se apresentando como "abestado" e fazendo piada com o exercício democrático do voto? Exemplos frutificam.
Civismo, princípios éticos, temperança, compostura por parte das autoridades - principalmente da mais alta de todas - não são "valores pequeno-burgueses" irrelevantes diante do enorme desafio de "governar para o povo". Governos não são abstrações, aparatos impessoais e ascéticos. Governos são os homens que o os dirigem. É a formação desses homens, seus valores, que qualifica os governos. Sem eles não existe verdadeiro desenvolvimento.
Certamente considerações dessa natureza, com todo o respeito humano que lhe é devido, são demais para a cabeça do campeão de votos Tiririca. Mas agora ele será governo, e também como tal deve ser respeitado. E os incomodados que afoguem o inevitável desalento no aforismo cínico de que cada povo tem o governo que merece.
JORNALISTA E EDITOR.
Dilma faz campanha no Santuário de Nossa Senhora
Dilma faz campanha no Santuário de Nossa Senhora
BLOG DO JOSIAS DE SOUZA - FOLHA ONLINE
Em tempos de eleição, a religiosidade aflora. É quando se descobre que a política está infestada de ateus.
Por sorte, é muito fácil identificar os heréticos. Estão todos nas coligações adversárias.
Nesta segunda (11), Dilma Rousseff foi ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, na cidade de Aparecida (SP).
Participou da missa das 9h. Percorreu o santuário. Foi ao recanto onde se encontra a imagem da santa padroeira do Brasil.
Depois, em entrevista, justificou o tom azedo que utilizara na noite da véspera, no debate com o antagonista José Serra.
"Esperavam o quê? Que eu não defendesse as minhas posições? Que eu não apresentasse as minhas propostas?...”
“...Que eu não criticasse a visão estratégica dele? Mas o debate é para isso".
Explicou as razões que a levaram a inquirir Serra sobre a tática do boato:
"Eu sempre me recusei a baixar o nível do debate. Passei quase três meses sendo acusada da quebra de sigilo fiscal...”
“...E hoje está claro que quem quebrou o sigilo fiscal foi um esquema mercantilista e corrupto dentro da Fazenda por razões não eleitorais e não políticas..."
"...Eu passei muito tempo calada sobre essas acusações, o tamanho que tinha tomado essa central organizada de boatos...”
“...Eu resolvi tornar isso algo público e compartilhar. Eu não fui na internet e não disse na forma de boato".
Durante a missa, Dilma absteve-se de comungar. Por quê? "Eu prefiro ter essa manifestação - até pode ser uma questão minha— mais recatada".
Questionada sobre sua devoção religiosa, a candidata abespinhou-se:
"Acho que ninguém tem o direito de dizer qual é a minha crença, quem pode julgar sobre crenças e religiões é Deus".
Insinuou que o câncer a aproximou do Padre Eterno: "Eu tive um processo recente e este processo me fez retomar várias coisas que estavam já dentro de mim...”
“...Essas questões dizem respeito a mim e eu não autorizo, não legitimo ninguém a julgar minha crença. Acho que isso é o cúmulo do preconceito".
Na semana passada, Dilma já havia levado sua candidatura para passear num templo religioso, no Rio.
Parece ter dificuldade para virar a página que escreve a crônica da sucessão de 2010 com caligrafia beata.
O diabo é que o histórico da ex-Dilma desautoriza a pose de vítima da candidata.
Em matéria de religiosidade, a pupila de Lula vem se revelando uma ginasta sem futuro.
Em 2007, durante sabatina na Folha, perguntou-se à então chefe da Casa Civil se acreditava em Deus.
E Dilma: "Eu me equilibro nesta questão. Será que há? Será que não há?"
Em 2009, numa entrevista à revista "Marie Claire", Dilma declarou que não praticava religião nenhuma.
Permitiu-se brincar: "Balançou o avião, a gente faz uma rezinha".
Em fevereiro de 2010, já na pele de pré-candidata, Dilma foi inquirida pela “Época”: Uma religião específica, a senhora não tem?
Soou peremptória: "Não, mas respeito".
Decorridos três meses, em maio, já convertida em candidata, Dilma falou à “IstoÉ”. Perguntou-se se era católica.
Dilma deu um salto mortal: “Sou, antes de tudo, cristã. Num segundo momento, católica".
Nesta segunda-feira, a candidata escora a “conversão” no câncer. Agora, é católica de frequentar a missa. Mas não comunga.
O melhor que Dilma tem a fazer é dar um triplo mortal carpado em direção a outro tema.
Primeiro porque a agenda carola não a socorre. Segundo porque o evangelho de uma pessoa que se dispõe a presidir o país deveria ser outro.
Gastos e juros em ascensão
Gastos e juros em ascensão
RAUL VELLOSO - O GLOBO - 11/10/10
Sem entrar no seu mérito específico, algo que exigiria outra coluna, a evolução dos gastos não financeiros da União desde 1997 mostra uma incrível regularidade: com a honrosa exceção de 2003, quando o então ministro Palocci promoveu um expressivo ajuste, e de 1999, primeiro ano após a queda do regime de câmbio quase fixo e pós acordo com o FMI, os gastos só crescem. Mais do que isso: crescem a taxas cada vez mais elevadas. E o crescimento das despesas que acaba de ser divulgado para 2010 só perdeu para 1998, último ano de descontrole fiscal da fase pré-câmbio flexível.
A outra observação relevante é de que, com exceção dos atípicos 1999 e 2003, em todos os anos do período analisado os gastos cresceram a taxas acima das calculadas para o Produto Interno Bruto (PIB). (Os gastos foram deflacionados pelo índice de inflação adotado na política de metas, o IPCA, e a projeção do crescimento real do PIB em 2010 é a última divulgada no Boletim Focus, do Banco Central - BC.) É claro que no auge da crise de falta de demanda, em 2009, esse aumento superior ao do PIB seria justificável.
Mas isso mostra como, em geral, o peso dos gastos públicos tem subido em relação à demanda agregada total. Entre 1997 e 2010, pelos dados acima, os gastos terão crescido, em termos reais, 135,6%, e o PIB real, 49,3% (ou seja, nesse período os gastos terão crescido quase três vezes mais que o PIB). Dado que a proporção dos gastos correntes - super-rígidos no Brasil - é muito elevada, isso revela, ao final, quão difícil é a tarefa do BC, que não conta com ajuda da política fiscal no combate à inflação e no combate aos déficits externos (quando há secura de capitais externos), tendo de arcar com o ônus político de subir os juros sempre que detecta pressões indesejáveis.
Por mais que, em vários anos, a receita da União tenha crescido acima do crescimento do PIB, o descontrole dos gastos do Tesouro Nacional a partir de 2009 (gastos esses obviamente influenciados pela campanha eleitoral e turbinados pelos novos e gigantescos subsídios de crédito concedidos pelo BNDES) terminará produzindo um aumento sistemático da razão entre a dívida pública e o PIB, trazendo de volta, desnecessariamente, as velhas preocupações com insolvência pública. A subida da razão dívida líquida-PIB ainda não mostrou sua face, porque o PIB em 2010 está crescendo temporariamente acima de sua taxa sustentável.
Nesse contexto, e como já se foram oito meses de resultados fiscais divulgados pelas autoridades, o cumprimento da meta de superávit primário (excedente de caixa antes de pagar juros) global de 3,3% do PIB para 2010, por caminhos convencionais, tende a não se materializar.
A não ser que se crie alguma solução atípica para aproximar, no final do processo, os resultados observados da meta, correndo o risco de abalar a credibilidade da gestão fiscal construída com tanto sacrifício a partir de 1998, quando se deu a crise da Rússia.
Desde o final do ano passado o superávit total vem "rodando" ao redor de 2% do PIB, com cerca de 65% do resultado gerado pelo governo central.
Se este assumir a responsabilidade de cumprir a meta de superávit primário de 3,3% do PIB este ano, ou seja, de fazer o ajuste requerido para tal, ele terá de dobrar seu atual superávit de 1,3% do PIB, considerando-se os últimos doze meses, para fechar a brecha existente. Para isso, o seu superávit específico terá de fechar o ano em R$ 91,9 bi, considerando-se a projeção oficial do PIB em R$ 3,534 trilhões. Como, até agosto, pelos cálculos do BC, foram gerados cerca de R$ 28,8 bi (média mensal de R$ 3,6 bi), fica faltando gerar R$ 63,1 bi. (ou R$ 15,8 bi em média) até o final do ano, algo que, em princípio, seria de muito difícil implementação.
(O secretário do Tesouro anunciou que o superávit de setembro pode chegar perto de R$ 30 bilhões, por conta da operação de capitalização da Petrobras, o que, segundo ele, será recorde histórico, mas não pôde ainda dar os detalhes.) Um das consequências básicas de processos como o atual é a ocorrência de elevados déficits externos. Como o país vive inédita onda de entrada de capitais, é possível conviver com tais déficits sem maiores transtornos.
(Registre-se que a inundação de dólares decorre em grande medida da lenta retomada do crescimento econômico no mundo desenvolvido, pós-crise do mercado imobiliário, acentuada, no último mês, pela entrada recorde de recursos decorrente da operação de capitalização da Petrobras.) Sabe-se, contudo, que a situação externa tende a se normalizar em alguns anos, quando será difícil financiar déficits externos tão elevados.
Nessa hora, o ajuste do Balanço de Pagamentos com o exterior se dará via subida da taxa de câmbio (o que causa inflação) e via corte da demanda agregada. A se manter a tradicional inércia da política fiscal, o ajuste se dará, em última instância, via aumento da taxa básica de juros do BC, a pior solução em termos de queda de emprego.
RAUL VELLOSO é economista.
Encontro das águas é tombado provisoriamente
Encontro das águas é tombado provisoriamente
Até decisão final do patrimônio histórico, região entre rios Negro e Solimões está protegida; construção de porto fica parada
Liège Albuquerque - O Estado de S. Paulo - 12 de outubro de 2010 | 0h 00
| RODRIGO BALEIA-06/1/2009 Ícone. Navio do Greenpeace navega próximo ao encontro do Rio Negro com o Rio Solimões |
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) tombou provisoriamente o Encontro das Águas, fenômeno no qual as águas escuras do Rio Negro se misturam com as barrentas do Rio Solimões, formando o Rio Amazonas, numa área de cerca de 30 quilômetros quadrados. A medida entrou em vigor ontem e valerá até que o Conselho Consultivo do órgão se reúna para decidir tombar ou não a área em definitivo.
A próxima reunião do conselho está prevista para começo de novembro, mas ainda não há uma pauta definida - ou seja, o tema pode não ser discutido neste encontro e a decisão final ser adiada para o ano que vem.
De acordo com o superintendente do Iphan no Amazonas, Juliano Valente, o tombamento provisório é um "passo preventivo" para preservar a área até a decisão definitiva. "Normalmente, o Conselho Consultivo, se há um tombamento provisório, que é prerrogativa da presidência do Iphan, segue pelo mesmo caminho, mesmo que solicite outros estudos para embasar o julgamento", explica.
Até lá, a obra do Porto das Lajes, a 2,4 quilômetros do fenômeno e orçada em R$ 220 milhões, continua embargada. Por conta da falta de licenciamento ambiental do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), a construção já está paralisada há cinco meses. O projeto foi concebido para servir à Zona Franca de Manaus.
O problema em torno do porto é que ele ficará diante do Encontro das Águas e ao lado de um sistema de captação de água prestes a ser inaugurado. O Ministério Público teme que a construção do porto destrua um fenômeno natural e contamine a água que abastece 300 mil pessoas.
O tombamento da área, contudo, não condena em definitivo a obra: caberá à superintendência regional do órgão decidir sobre qualquer construção privada na área tombada, depois da sentença final. Segundo o texto publicado ontem no Diário Oficial da União, no prazo de quinze dias, "assiste aos proprietários dos bens abrangidos pela poligonal de tombamento a faculdade de anuir ou impugnar a iniciativa".
Delimitação. Segundo o estudo o Iphan, a área delimitada toma como ponto de partida, chamado de Ponto 1 (as coordenadas 3°6''58.21"S e 59°54''21.30"O). Desse Ponto 1 traça-se uma linha reta de 4,5 quilômetros até as bordas da margem direita do Rio Negro, no encontro do leito do rio com a Ilha do Xiborema, cortando esta por uma linha semi-circular de 4,5 quilômetros de raio.
A delimitação da área continua até a margem direita do Rio Solimões, de onde atravessa o leito do Rio Amazonas até a desembocadura da lagoa intermitente localizada à margem esquerda do mesmo rio, nas proximidades da Colônia Antônio Aleixo.
O perímetro abarca a lagoa e ainda uma faixa de terra de 200 metros da margem esquerda do Amazonas, até encontrar novamente o Ponto 1.
Bancadas verde e ruralista travarão duelo
Bancadas verde e ruralista travarão duelo
Com lideranças renovadas, representantes dos dois grupos se dividirão na discussão do novo Código Florestal
Entre os defensores do Meio Ambiente, a maior baixa é Marina Silva, que deixa a legislatura no final deste ano
NANCY DUTRA - CLAUDIO ANGELO - DE BRASÍLIA – Correio Braziliense
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| Que falta você vai fazer! |
As bancadas ruralista e ambientalista do Congresso saíram das urnas com novas lideranças para defender seus interesses.
Um dos primeiros temas a dividir os parlamentares será a discussão do novo Código Florestal, aprovado em setembro em comissão da Câmara. O texto está pronto para entrar na pauta do plenário, mas ainda não há acordo sobre a data de votação.
"Produtor não pode pagar a conta pelos problemas ambientais", defende Jerônimo Goergen (PP-RS), coordenador da frente para o agronegócio na Assembleia Legislativa gaúcha e reforça da bancada ruralista, que deverá ter em 90 parlamentares.
Outros ruralistas eleitos são o empresário do setor de máquinas agrícolas Nelson Padovani (PSC-PR) e o ex-ministro da Agricultura Reinhold Stephanes (PMDB-PR), além do líder arrozeiro Paulo Cesar Quartiero (DEM), porta-voz dos agricultores de Roraima contra a demarcação da reserva indígena Raposa/ Serra do Sol.
A "onda verde" da eleição presidencial não se refletiu no novo Congresso. O partido da candidata derrotada Marina Silva manteve o mesmo número de deputados (15). Mas o próprio líder do PV na Câmara, Sarney Filho, hesita em chamá-los todos de ambientalistas. "Não conheço a origem de todos eles ainda", afirmou.
SEM MANDATO
Os ambientalistas, no entanto, sofreram algumas baixas importantes, como Edson Duarte (PV-BA) e Fernando Gabeira (PV-RJ). Esse será substituído por um nome de peso: Alfredo Sirkis (RJ), coordenador da campanha de Marina Silva. Também foi eleito o presidente do PV, José Luiz Penna (SP).
Do lado ruralista, o catarinense Valdir Colatto (PMDB), crítico da legislação ambiental, não obteve a reeleição.
Também ficaram sem mandato Germano Bonow (DEM-RS), Anselmo de Jesus (PR-RO) e Gervásio Silva (PSDB-SC), além de Ernandes Amorim (PTB-RO), barrado pela Ficha Limpa.
"Sem Colatto, o governo pode ter uma posição mais liberal sobre o Código Florestal, mais próxima do Meio Ambiente", diz o deputado Ivan Valente (PSOL-SP).
Reeleito com uma votação 230% maior do que em 2006, Valente atribui parte de sua popularidade à defesa que fez na comissão do Código Florestal contra o relatório apresentado pelo deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP).
O comunista, por sua vez, foi reeleito com 37 mil votos a menos. Valente diz que a nova lei florestal, que agradou aos ruralistas, afastou eleitores de Rebelo. O relator nega. "Perdi votos no interior e ganhei na capital", afirma.
No Senado, a bancada ruralista está mais forte: entram o ex-governador do Mato Grosso Blairo Maggi (PR) e o deputado Waldemir Moka (PMDB-MS). Eles se juntam à presidente da CNA (Confederação Nacional da Agricultura), Kátia Abreu (DEM-TO).
Maggi repaginou o discurso, após ser crucificado no exterior como "Motosserra de Ouro" e "estuprador da floresta". "Há espaço para ampliar a produção e respeitar as regras estabelecidas. Não quero mudança."
Maggi apoia, porém, o relatório de Rebelo. "Precisamos dar tranquilidade ao setor." A maior baixa dos ambientalistas será a saída de Marina Silva, que deixa a Casa no fim desta legislatura.
Colaborou GABRIELA GUERREIRO, de Brasília
O Brasil tem de buscar seu lugar ao sol
O Brasil tem de buscar seu lugar ao sol
Marco Antonio Rocha - O ESTADO DE SÃO PAULO - 11/10/10
Mas talvez... talvez, desta vez, pode ser que o novo governo se sinta estimulado a levar o Brasil para um lugar ao sol, que o destaque no mundo. Afinal, aponta-se tanto este país como sendo "quase" uma bola da vez (a China é a bola), que é o caso de pensar que podemos jogar na 1.ª divisão.
Vários governantes brasileiros encenaram alguns passinhos, na esperança de nos colocar no salão de baile dos ricos, dos que decidem. Todos foram barrados na porta. A última tentativa foi de Lula. Animado com sua própria escalada pessoal, de abóbora a Cinderela, e acusando seus antecessores por terem complexo de vira-lata, pôs-se a viajar para todo o lado, externando, em tom professoral, aos chefes de Estados, seus conselhos, suas experiências de negociador como líder sindical no ABC paulista, admoestando uns, recriminando outros, adulando a terceiros. Nada granjeou para o Brasil que o Brasil já não tivesse, mas levantou poeira, atraiu atenção e algum respeito.
Com o passar do tempo a cartolagem mundial viu que ele não era de nada: apenas um ex-operário que chega a presidente da República - palmas pra ele é o que basta! -, e estamos falados; assim como Obama, primeiro negro que chega à Casa Branca. Nos dois casos, nada demais. Como estadistas, aprendizes que bombaram no fundamental. Se Lula viajar, depois de deixar o governo, os dignatários que visitar vão recebê-lo com: "Vige, lá vem o Lula com aquele lero-lero de novo..."
Mas tudo indica que, desta vez, pode haver condições para um governante brasileiro ser ouvido com mais atenção.
É que nos dois últimos governos - de FHC e de Lula - foram criadas duas plataformas de lançamento que talvez o Brasil possa aproveitar para o seu grande salto à frente, sem o risco do fracasso do outro, o Grande Salto à Frente do camarada Mao Zédong, entre 1958 e 1963, cujo resultado mais espantoso foi a morte, pela fome, de milhões de chineses (o número final total jamais foi estabelecido, mas varia entre 42 milhões e 60 milhões).
As duas plataformas foram: no caso de FHC, a arrumação das contas, com o corolário da Lei de Responsabilidade Fiscal, a estabilidade monetária com o controle do monstro que infernizava o Brasil, a inflação, e o regime de metas na administração da economia. No caso de Lula foi a implantação de uma política de rendas, o Bolsa-Família, a criação do Minha Casa, Minha Vida, com o consequente fortalecimento e ampliação do mercado interno, cuja derivada é a recuperação, na cabeça do povo, da fé em dias melhores - fator que os economistas não sabem como medir, mas que sem dúvida exerce grande influência na dinâmica da formação do PIB.
As duas políticas foram, pode-se dizer, parte de um mesmo processo de racionalização da administração pública e de amadurecimento da vida política no Brasil. Não haveria a segunda sem ter havido a primeira, por mais que os militantes do PT pensem e digam o contrário.
Mas, a partir dessas plataformas - cujo pano de fundo é uma administração conservadora da economia, sem lances exóticos de nenhuma espécie - que garantem certa tranquilidade na frente interna, a inserção do Brasil entre os players internacionais exigirá, agora, outras armas, claramente delineadas e objetivamente conduzidas.
Antes de mais nada, uma estratégia de governo bem definida para o assalto ao lugar ao sol. A China sabe aonde quer chegar, já definiu como fazer, fortalece-se internamente para isso e se movimenta no exterior com o objetivo em mente. A Índia também já traçou sua estratégia para onde quer chegar, e como. Dos famosos e sempre citados Brics, ao que parece, Brasil e Rússia dançam ao sabor dos ventos sem saber direito aonde querem chegar. Nenhum dos dois tem plano estratégico delineado sobre o que pretendem no mundo e do mundo. Para isso, não basta ter "desenvolvimento sustentável", como proclamam os políticos brasileiros. Isso é gíria de político amador. Desenvolvimento sustentável para fazer o que com ele? Essa é que é a indagação fundamental, pois o que um país espera do seu desenvolvimento é força política - a finalidade do desenvolvimento é influir na Política Internacional.
Já o setor privado brasileiro - indústrias, comércio, finanças, agronegócio - precisa ser informado da estratégia, participar da sua elaboração, engajar-se nela e mergulhar firme no mundão de Deus. É imprescindível que tenhamos não uma ou duas, mas várias multinacionais brasileiras, aqui sediadas, batendo caixa no mercado mundial e disputando espaço com competidores. É humilhante ver motoristas brasileiros transitando em carros coreanos, quando há 20/30 anos a Coreia exportava gente esfomeada para cá. As empresas brasileiras precisam se qualificar para entrar no baile, com produtos de ponta, design de ponta, tecnologias de ponta.
As universidades brasileiras, públicas e privadas, têm de ir buscar, onde houver, os melhores mestres, os melhores especialistas, os melhores pesquisadores, a peso de ouro se for necessário, com dinheiro a fundo perdido do governo. Essa história de exigir diploma em escola brasileira para dar aula no Brasil é uma das grandes idiotices a serem vencidas. E é preciso criar bolsas generosas para que os estudantes brasileiros mais qualificados estudem e se diplomem nas melhores universidades do mundo.
Sem essas três coisas, pelo menos, não chegaremos aonde já merecíamos estar. E ficamos apenas com esses programas políticos de síndico de condomínio, desfiados ao longo da campanha eleitoral.
Pé quebrado
Pé quebrado
Renata Lo Prete - Folha de S. Paulo - 11/10/2010
O QG de Dilma Rousseff se preocupa com a situação da campanha em Minas Gerais. Sabe que, para administrar a vantagem da petista sobre José Serra, é fundamental garantir que o tucano não avance substancialmente no segundo colégio eleitoral do país, onde ela venceu por larga margem no primeiro turno.
Ocorre que, não obstante o resultado de Dilma, o exército lulista foi dizimado em Minas. Frustrado na disputa pelo governo, Hélio Costa (PMDB) é um poço de mágoas. E os petistas Patrus Ananias e Fernando Pimentel não param de brigar. Já do lado do PSDB, os vitoriosos Aécio Neves e Antonio Anastasia não se sentem mais tão impedidos de pedir votos para Serra.
Então tá A profusão de menções religiosas na propaganda de Dilma representa uma inflexão no pensamento de João Santana. De início, o marqueteiro resistiu à pressão de políticos da campanha para levar ao programa de TV um dos assuntos que morderam o calcanhar da candidata petista na reta final do primeiro turno.
Matemática Em reuniões noturnas no Palácio dos Bandeirantes, o governador Alberto Goldman (PSDB) analisa com prefeitos aliados de cidades com mais de 200 mil habitantes o mapa da votação de Serra em São Paulo e lhes repassa a meta: elevar a vantagem do tucano sobre Dilma no Estado de três para dez pontos percentuais.
Mais verde Para embalar a corte de Serra ao eleitorado de Marina Silva (PV), o governo tucano turbinará as inaugurações "ambientalmente corretas" até o final deste mês. Programas como o do ônibus a álcool ganharão mais visibilidade.
Enquanto isso O PT de São Paulo assiste com alguma preocupação aos movimentos do campo adversário. A campanha de Dilma no Estado só começou a dar sinais de voltar a funcionar no final da primeira semana do segundo turno.
Pensando bem Observação de um veterano do Congresso: o bordão "pior do que tá não fica", com o qual o campeão de votos Tiririca (PR-SP) causou tanto furor, é menos pessimista que o de Ulysses Guimarães, segundo quem "cada nova legislatura é pior do que a anterior".
Cabeça... Na disputa de bastidores que travam pela presidência da Câmara em 2011, tanto o PMDB quanto o PT já articulam reforços para suas respectivas fileiras. Em movimentação com origem no Rio, o partido de Michel Temer negocia com o PSC a formação de um bloco de 95 deputados federais.
...a cabeça Em resposta, o PT sinaliza a intenção de atrair o PRB do vice-presidente José Alencar para um bloco que teria 96 deputados. Quase sempre, a maior bancada elege o presidente.
Conexões Decidido a se candidatar à sucessão de Michel Temer, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) espera contar com a ajuda do amigo Aécio Neves (PSDB-MG), recém-eleito senador, para angariar apoio entre os deputados tucanos.
Gritaria As declarações de Eliana Calmon, nova corregedora do CNJ, sobre um caso de corrupção na Justiça paulista provocaram reações iradas de magistrados do Estado - e de outros também.
Missão de paz Nesta quinta-feira, Calmon recebe o presidente da associação dos magistrados paulistas, que divulgou nota contra as manifestações da ministra. A entidade quer convidá-la para uma videoconferência, ainda neste mês, na tentativa de aparar arestas.
Tiroteio
"É impressionante como o pessoal da direção do PT não atende telefone. Falta material de campanha, e não atendem. Não dá pra ganhar eleição assim."
DO PETISTA LINDBERG FARIAS, recém-eleito senador pelo Rio de Janeiro, relatando dificuldades para trabalhar por Dilma Rousseff neste segundo turno.
Contraponto
Fazer o quê?
Coordenador da campanha reeleitoral do irmão Cid ao governo do Ceará, Ciro Gomes (PSB) era puro entusiasmo na festa da vitória, em Fortaleza. Disse que sentia "dor" apenas quanto à derrota de seu padrinho político, Tasso Jereissati (PSDB), que não conseguiu renovar o mandato de senador.
Ao ser lembrado de que, em 2011, tanto ele como Tasso estarão sem mandato, o deputado filosofou:
-É assim mesmo: o tempo passa, o tempo voa. Só a Luiza Brunet continua numa boa...
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