domingo, novembro 07, 2010
Homem no Fogão e Mulher na Gestão
Homem no Fogão e Mulher na Gestão
Como antecipar movimentos de mercado e da concorrência em um mundo dirigido pela maior participação das mulheres nas compras de produtos e serviços, através de Estratégia e Inteligência Competitiva com enfoque global e local.
Por Alfredo Passos
Após três anos de estudos, os professores Alfredo Passos, ESPM e Sandra Maria Martini, UNIESP, estão lançando o livro "Homem no Fogão e Mulher na Gestão".
Neste livro, os leitores vão encontrar os mais recentes artigos científicos, estudos de caso, conceitos, metodologias, teorias e exemplos práticos sobre Inteligência Competitiva, Inteligência Competitiva Tecnológica e Inovação Aberta, para compreender como antecipar movimentos de mercado e da concorrência em um mundo dirigido pela maior participação das mulheres nas compras de produtos e serviços, através de Estratégia e Inteligência Competitiva com enfoque global e local.
O texto foi preparado, por especialistas em Estratégia e Inteligência Competitiva, com experiência acadêmica e profissional no Brasil e no exterior.
E na Inglaterra...Lugar de Homem é no Fogão
Segundo pesquisa realizada na Grã-Bretanha, encomendada por um grupo de produtos alimentícios chamado Pur Asia (agosto 2008), o tempo que os homens passam cozinhando e lavando louça aumentou mais de cinco vezes, de meros cinco minutos para 27 minutos diários, desde 1961.
As revelações de pesquisas fizeram surgir um novo termo para classificar este homem bem resolvido que cozinha por prazer e para impressionar: gastrossexual.
A mulher na Gestão
O Brasil tem um dos piores índices de representação de mulheres no poder público, com uma média que chega a ser inferior à dos países árabes, região considerada como uma das mais problemáticas em termos de direitos das mulheres.
Claro que a eleição de uma mulher para presidência da república, marca uma nova fase, no Basil.
Sobre o livro
Em duas partes, a primeira focando os fundamentos em Inteligência Competitiva e a segunda parte "Avançado em Inteligência Competitiva", com conceitos, ferramentas e modelos para profissionais no Brasil, os tinta e nove capítulos e 511 páginas, ainda apresentam um capítulo inédito escrito pelo Prof.Dr. Leonel Cezar Rodrigues sobre A Inteligência Competitiva Tecnológica – ICT e O Modelo de Inovação Aberta.
Serviço:
Homem no Fogão e Mulher na Gestão
Autores: Alfredo Passos e Sandra Maria Martini
Lançamento: 10 de novembro de 2010
Local: Livraria Cultura, Shopping Market Place, 19h, São Paulo
Tripé de Dilma
Tripé de Dilma
REGINA ALVAREZ – O Globo
A presidente eleita Dilma Rousseff já declarou muitas vezes que não pretende alterar os fundamentos da política econômica, baseada no tripé de metas de inflação, câmbio flutuante e superávit primário, mas quem conhece a visão de seus conselheiros mais próximos nessa área deduz que a execução da política vai ganhar um toque de ousadia.
Dilma precisa manter a inflação sob controle e o país crescendo firme e forte, pois foram essas conquistas - a primeira herdada do governo anterior - que viabilizaram a sua vitória.
Sem o céu de brigadeiro na economia, só o carisma de Lula provavelmente não seria suficiente para eleger sua sucessora.
Mas existem entraves à manutenção sustentada e duradoura do crescimento, que não são triviais.
O economista Antonio Corrêa de Lacerda, da PUCSP, aponta o câmbio e os juros como os principais nós que precisam ser desatados pelo novo governo. E mais ousadia é o que sugere para desatar esses nós.
O câmbio flutuante não impede, na sua opinião, que a equipe econômica adote medidas mais ousadas para conter o derretimento do dólar frente ao real. Medidas, que, inclusive, nem podem esperar pela posse da nova presidente.
O governo poderia aumentar a intervenção no mercado, a tributação, fixar prazos mínimos de permanência dos investimentos externos no país e usar o Fundo Soberano como uma linha auxiliar nessa batalha, evitando que parte dos dólares que o país atrai seja internalizada, sugere.
Em relação aos juros, Lacerda é categórico: - Não tem justificativa para essa taxa de juros absurda - afirma.
Na sua visão, é necessário introduzir no sistema de metas de inflação um componente novo, que considere a conjuntura internacional.
- Se o mundo mudou , as convicções têm que mudar, como diria Keynes - observa.
A conta de juros chegou a R$ 185 bilhões até julho em 12 meses, lembra o economista.
Portanto, qualquer economia nessa despesa teria impacto positivo na dívida e no déficit público.
Lacerda diz que a política atual é manca, pois busca segurar o câmbio, de um lado; e oferece aos mercados juros elevadíssimos,de outro. É como apagar incêndio usando gasolina.
A questão fiscal, na sua visão, poderia ser equacionada com uma trava nos gastos correntes para os próximos quatro anos, de modo que cresçam abaixo da variação do PIB.
Só o fato dessa questão cambial entrar nas discussão da cúpula já é muito importante. Construir consensos é mais difícil (em relação ao G-7) e não há nada de errado nisso. É um grupo muito maior com países muito diferentes" - embaixador Marcos Galvão, sobre a reunião do G-20
Simbolismo A informação mais esperada pelo mercado é o cargo e atribuições que o deputado Antonio Palocci terá no governo de Dilma Rousseff. Na campanha, Palocci atuou como uma espécie de fiador da política econômica da candidata, engrossando a lista de admiradores entre empresários e banqueiros, especialmente os paulistas. Sua escolha para coordenador técnico da transição confirma o prestígio junto à presidente eleita, mas o papel no futuro governo ainda é um ponto de interrogação.
"Qual será a efetiva política fiscal do governo Dilma é uma das maiores preocupações dos agentes econômicos.
Como a presidente enfrentará politicamente a necessidade de ajuste fiscal e qual seu efetivo empenho nesta direção é uma incógnita", destaca análise de conjuntura da MB Associados, que também reflete a ansiedade do mercado em relação ao destino de Palocci, concluindo que o deputado e ex-ministro "será essencial na intermediação política e na definição da política econômica."
Bate e volta Vejam no gráfico como não é fácil a vida do presidente do BC americano, Ben Bernanke. Ele já despejou cerca de US$ 1,6 trilhão no mercado, mas a maior parte desse dinheiro voltou para o próprio Fed. É que os bancos não estão repassando todo o crédito a empresas e consumidores, mas depositando os recursos como reservas, o que provoca um empoçamento de liquidez. "Com isso, a oferta de crédito não cresce a contento e a demanda potencial por esse capital fica restrita", diz Luis Otávio Leal, do banco ABC Brasil.
COM ALVARO GRIBEL
Na luta pela sobrevivência
Na luta pela sobrevivência
Adriana Vasconcelos – O Globo
Após sua terceira derrota consecutiva na eleição presidencial, o PSDB terá agora quatro anos pela frente para refletir e tentar não repetir os erros que vem cometendo sucessivamente desde que Fernando Henrique Cardoso deixou a presidência da República em dezembro de 2002.
Já deu para perceber que a fórmula paulista de fazer política, da autossuficiência e do confronto sangrento com adversários, se esgotou.
Isso não significa que os tucanos paulistas devam ser alijados desse processo de reflexão e de mudança interna do partido, mas é essencial que o PSDB ganhe uma cara nacional e abra espaço para lideranças de outros estados.
Também será importante que o PSDB repense a fórmula de escolher seus candidatos à Presidência e perca o medo das prévias, um instrumento que nos Estados Unidos serve para respaldar as candidaturas presidenciais e não para rachar legendas ou deixar a porta aberta para retaliações.
Tampouco o partido poderá se deixar levar novamente apenas pela lógica simplista das pesquisas de opinião, que _ antes do início efetivo das campanhas eleitorais _ são capazes apenas de refletir um recall de disputas passadas.
É fato que o candidato tucano José Serra manteve até o fim da campanha o patrimônio eleitoral que as pesquisas lhe garantiam antes mesmo da formalização de sua candidatura.
Mas não se pode negar que essa vantagem inicial foi o que levou Serra a cometer erros primários ao longo da construção de sua candidatura.
Primeiro, quando Serra adiou ao máximo a oficialização de seu nome. E depois, ao imaginar que poderia sozinho dar o tom de sua campanha, afastando as principais estrelas tucanos e mesmo seus aliados desse processo.
Isso sem falar da atrapalhada escolha de seu vice, feita numa madrugada, às vésperas do encerramento do prazo para a realização das convenções partidárias.
Se o PSDB não quiser correr o mesmo risco do DEM, que vem minguando desde que passou a ocupar as fileiras da oposição, vai ter de agir rápido, até porque os governistas já sinalizam que pretendem incluir uma janela para a troca de legendas no bojo de uma reforma política que poderá ser bancada pelo futuro governo Dilma Rousseff.
Ao traçar com antecedência uma estratégia de atuação, que lhe garanta uma perspectiva de volta ao poder em 2014, há quem acredite que os tucanos poderão até tirar proveito em benefício próprio dessa janela para o troca-troca partidário, abrindo a legenda para os governistas que não conseguirem ser contemplados a contento na composição do governo Dilma.
Lunetas novas? Fernando Henrique Cardoso
Lunetas novas? Fernando Henrique Cardoso
O GLOBO
Nova comandante do barco da economia precisará ver mais longe
A abertura da economia no início dos anos 1990, depois das crises do petróleo e ainda em meio ao longo processo inflacionário que se seguiu, não desencalhou o barco de nossa economia. Os mares do mundo batiam no casco, mas ele continuava adernado. Só depois de controlarmos a inflação, quando eu ainda era ministro da Fazenda do governo Itamar Franco, e depois que saneamos os ralos que corroíam as finanças públicas e levantamos as âncoras que nos mantinham estagnados — com a atração de capital privado para setores antes monopolizados pelo Estado —, é que o navio começou a andar. No começo timidamente, usufruindo as benesses de uma base agrícola poderosa e de uma indústria criada no passado.
Com a volta dos capitais e dos investimentos, começamos a navegar com maior desenvoltura. Por exemplo: em 1995 havia montadoras de veículos somente em São Paulo e Minas; em 2002, não só essas haviam aumentado a produção como também outras se haviam espalhado pelo país, no Rio Grande, no Paraná, no Rio de Janeiro, em Goiás e na Bahia. Outro exemplo: em 1995, a Petrobras não chegava a produzir 700.000 barris/dia; em 2002, ultrapassou um milhão e meio de barris. E assim por diante, sem esquecer a expansão das telecomunicações, da indústria aeronáutica ou mesmo da indústria naval, que começou a tomar ímpeto em 1999 com a encomenda pela Petrobras de 22 navios.
Daí em diante nossa economia não parou de crescer, apesar das crises financeiras que só deixaram de nos golpear em 1996 e em 2000. No período presidencial seguinte, o crescimento se acelerou. Não apenas porque o barco se tornou mais potente, uma vez mantido o rumo anteriormente traçado, mas também porque as águas do mar se encheram, pela bonança internacional entre 2003 e 2008.
Junto com o crescimento, deu-se a redução da pobreza. O efeito estabilizador do Plano Real reduziu a proporção de pobres de 40% para cerca de 30% da população total. No período presidencial seguinte, nova redução, para aproximadamente 20%. A redução da pobreza não foi resultado automático do crescimento. Políticas também foram adotadas com esse fim. Exemplo: o aumento real do salário mínimo, de 48% entre 1995 e 2002; e de 60% nos oito anos posteriores.
Em mares de almirante, com vento a favor, todos os barcos passaram a andar com velocidades maiores. Medido pelo aumento da renda per capita, andamos relativamente para trás: ocupávamos a 68ª aposição no mundo, na década anterior e, nesta, retrocedemos à 72ª.
Mas o atual comandante do barco, embriagado pelos êxitos, confundiu-se: atribuiu a si o aumento do nível das águas.
Pior, conseguiu convencer os marinheiros de que fazia milagre e se tornou “mito”. Agora, mais grisalho e quase aposentado, deixa o leme para uma companheira fiel. E será ela quem precisará usar lunetas para ver mais longe. Haverá tempestade sou bonança? Em qualquer caso, como anda o casco do navio? Que fazer para repará-lo? Ou para melhorar o desempenho do navio? Poderá continuar avançando sozinha ou dará a mão aos demais marinheiros? E as máquinas, seguirão a todo vapor sem algum ajuste ou será melhor evitar que a pressão as faça estourar? Acirrará ânimos e seguirá em frente até bater nalgum rochedo, ou será previdente e ouvirá outras vozes que não sejam as das estrelas? São questões cujas respostas estão em aberto.
E há outras perguntas, de ordem estratégica, que precisarão ser respondidas. Para começar, como será o mundo dos próximos 20 anos? Tudo indica que nele as economias emergentes e especialmente as dos Brics ocuparão maior espaço. Mas qual desses países crescerá mais depressa? China e Índia são, nesse caso, nossos competidores mais diretos, embora haja também complementaridades entre nossas economias. Estaremos condenados a, pouco a pouco, voltar à condição de provedores de alimentos e de matérias-primas para os países-monstros, que têm territórios com pouca possibilidade de expansão agrícola? Não necessariamente.
Mas para evitar esse destino teremos de definir políticas que aumentem a nossa capacidade de inovar e competir. Não só na área fiscal, não só na tributária e na trabalhista, mas também nas de educação, ciência e tecnologia.
Sem isso, será difícil ter uma indústria globalmente competitiva.
Em 2030, deveremos ter uma população em idade ativa da ordem de 150 milhões de pessoas. Sem uma indústria com musculatura e cérebro para enfrentar a competição global, será impossível gerar empregos na qualidade e quantidade de que necessitamos. Sem os empregos e a renda necessários, o país corre o risco de se tornar “velho” antes de ficar rico. Precisamos aproveitar a nossa janela de “oportunidade demográfica”, que se fechará a partir de 2030, para dar um salto em nossa capacidade de produção de riquezas. E para melhor distribuí-las também. E isso depende mais de uma verdadeira revolução educacional do que da expansão do Bolsa Família e de outros programas assistenciais.
Como compatibilizar as necessárias taxas de crescimento da economia com os indispensáveis requisitos de respeito ao meio ambiente, de combate ao aquecimento global e assim por diante? Estaremos dispostos a pensar com maior profundidade sobre como conservar uma matriz energética que utiliza fontes renováveis? Nesse contexto e atentos às questões de custos para o país, introduziremos maior racionalidade na discussão do pré-sal ou continuaremos a fingir que se trata de um Fla-Flu entre “patriotas” e “entreguistas”? Por fim, nunca é demais lembrar: que papel o Brasil jogará no mundo, continuaremos indiferentes diante de vários autoritarismos e desrespeitos aos direitos humanos ou nos comprometeremos crescentemente com formas democráticas de convívio? Quem viver verá. No entretempo, é melhor manter um otimismo cauteloso e, sem embarcar em ufanismos enganosos, acreditar que a vitalidade dos brasileiros (vista uma vez mais na reafirmação democrática do pluralismo eleitoral recente) nos levará a melhores rumos.
Sociólogo, foi Presidente da República
Não riram
Não riram
L. F. VERISSIMO – O Globo
O filme italiano Vincere, do Marco Bellochio, é sobre uma das mulheres na vida do Mussolini. Inclui documentários da época da ascensão do fascismo e cenas reais do Mussolini no poder, discursando ou fazendo suas poses de Duce para multidões delirantes. Se não fosse a diferença na qualidade das imagens, apesar do ótimo trabalho de restauração feito no material de arquivo, você poderia jurar que o Mussolini dos documentários é que é o falso, um péssimo ator num desempenho caricato e inverossímil, e não o que o interpreta no filme. E no entanto este bufão mandou e desmandou durante vinte anos numa das grandes civilizações da Europa. Mais do que estranhar o fato da terra de Goethe e Bach ser também a terra da Gestapo e uma grande tradição renascentista e humanista não ter impedido o nascimento do fascismo, o que espanta, tanto na Alemanha do também caricato Hitler quanto na Itália de Mussolini, é a consagração do ridículo. O triunfo da histrionice fascista dependeu, antes de mais nada, de uma suspensão do senso de ridículo da plateia. Milhões morreram porque milhões não riram quando deveriam
O que nos traz ao Berlusconi. O atual primeiro-ministro italiano lembra Mussolini tão pouco quando a Frau Merkel lembra Hitler, mas sua chegada reincidente ao poder também dependeu de uma inexplicável pane no espírito crítico italiano. Se há um líder ocidental cujo caráter está exposto na cara é o Berlusconi, e no entanto, de novo, não riram, e o seguiram. Ou então, os tempos sendo outros, talvez o eleitor italiano tenha conscientemente escolhido o mais ridículo para se divertir e fazer uma profissão de desencanto. Depois de tantos anos de bagunça política, de tanta hipocrisia democrata-cristã e socialista, manter no poder um “mascalzone” explícito, representando nada mais do que os seus próprios bolsos, é uma forma de protesto. Apoiando um empreendedor sem escrúpulos bem-sucedido a maioria dos italianos teriam aderido ao cinismo da época, que também não deixa de ser um antídoto para a hipocrisia. No caso, estariam rindo com ele.
Vincere, por sinal, é um belo filme, na linha do cinema político que fazia na Itália, melhor do que ninguém, a geração do Bellochio. Ele deve estar com seus 70 anos. Continua em forma.
Direitos e deveres
Direitos e deveres
FÁBIO COLLETTI BARBOSA - FOLHA DE SÃO PAULO - 07/11/10
Precisamos cumprir com os nossos deveres para fazer as cobranças que sonhamos. É só isso, mas é tudo isso!
MAL PASSAMOS 30 dias das eleições legislativas e já há gente que não se lembra em quem votou. Isso não acontece por acaso, mas sim porque não estamos acostumados a exercer plenamente a nossa cidadania.
O caminho é longo, mas já vemos evolução positiva desse tema no Brasil. No seu livro "Cidadania no Brasil", o professor José Murilo de Carvalho descreve a evolução desse processo. Em muitos outros países, o caminho foi a conquista dos direitos civis, seguidos pelos direitos políticos e, por fim, pelos direitos sociais. Já por aqui, tivemos um processo distinto, no qual os direitos sociais foram concedidos e até precederam outros. E talvez por isso não sejam tão valorizados e exercidos.
A Constituição de 1988, feita logo após o final do regime militar, foi também chamada de Constituição Cidadã. Como consequência natural das circunstâncias políticas, focou muito na questão dos direitos e pouco na questão dos deveres.
Para ter uma ideia, o professor José Pastore (da USP) contou 76 vezes a palavra direito, ante apenas quatro vezes a palavra dever (no sentido individual).
Já comentei nesta coluna a questão do dever do cidadão. Volto a provocar para refletirmos sobre as atitudes de cada um no dia a dia.
Refletir sobre a tolerância que temos com pequenos delitos, desde jogar o lixo nas ruas, passar pelo acostamento, até a compra de produtos pirata, ou a busca do "atalho" na obtenção da carteira de habilitação, que são encarados como se mal maior não causassem.
Recordo-me de um diálogo que mantive há anos sobre a sonegação praticada por alguém. Essa pessoa se dizia revoltada com relatos de desvios de recursos públicos e por causa disso decidira que o natural seria evitar pagar seus impostos.
Respondi dizendo que, de fato, desviar dinheiro dos cofres públicos era condenável, mas não pagar os impostos e assim deixar de colocar a sua parte no cofre público é também condenável e com o mesmo impacto econômico. Não é isso?
O que quero reforçar é que precisamos praticar a cidadania no dia a dia. Em outras palavras, precisamos cumprir com os nossos deveres, para nos qualificarmos, inclusive em termos morais, a fim de fazermos as cobranças que sonhamos. É só isso, mas é tudo isso!
Vejo espaço para otimismo nesse processo. Numa comparação simples, lembremos que há meros 20 anos foi criado o Código de Defesa do Consumidor. Antes disso, e mesmo no início de sua vigência, os consumidores se acomodavam e aceitavam os produtos e serviços "de qualquer jeito", sem indignação e sem criar canais para manifestar possíveis desconfortos.
Certamente por conta da melhor educação dos consumidores, e por conta de denúncias de casos de abuso, a sociedade se organizou e criou ações de proteção ao consumidor, que foram as bases da criação da Procuradoria de Proteção e Defesa do Consumidor, o Procon. Ninguém tem dúvida de que todos saímos ganhando.
É intrigante observar que evoluímos como consumidores na exigência por qualidade em produtos e em serviços, mas quase nada evoluímos quando a questão é cidadania. Apoiamos projetos e propostas de governo por meio de nossos votos e pagamos com os nossos impostos.
Por alguma razão, algum vácuo então se cria, e a partir daí agimos como se nada mais nos fosse devido. Temos, sim, direitos com os nossos representantes, mas eles precisam ser exercidos. Nos EUA, é muito comum os eleitores buscarem seus representantes no Legislativo exigindo posicionamento coerente com o que foi dito na campanha. Aqui, mal lembramos em quem votamos...
A sociedade se mobilizou na defesa dos seus diretos de consumidores, criou um canal que aproxima a empresa do consumidor e que atua muito na busca de maior transparência e coerência entre o que se oferece o que se entrega. Agora, o próximo passo: precisamos pensar em como aproximarmos o cidadão dos seus representantes eleitos. Mas não esperemos que alguém nos traga essa solução pronta. Ela deve ser identificada e conquistada. Só assim terá valor.
FÁBIO COLLETTI BARBOSA, 55, administrador de empresas, é presidente do Grupo Santander Brasil e da Febraban.
Alberto Goldman: 'Oposição é para fazer oposição'
Alberto Goldman: 'Oposição é para fazer oposição'
Eduardo Reina - O ESTADO DE S. PAULO
ENTREVISTA - Alberto Goldman. Governador de São Paulo
Do grupo de Serra, governador contraria tese de Aécio por uma agenda consensual pela aprovação de reformas
Ao contrário do que disse o ex-governador de Minas Gerais e senador eleito Aécio Neves, o governador de São Paulo, Alberto Goldman, do grupo político de José Serra, disse ontem que o PSDB vai ser oposição ao governo Dilma Rousseff e só as matérias de interesse da população terão os votos tucanos no Congresso Nacional. "Não tem coalizão. Oposição é para fazer oposição", disse ontem em entrevista ao Estado. "(A oposição precisa) se opor com toda combatividade. Não é fazer de conta. Não é meio termo."
Já Aécio defende a construção de uma agenda pela aprovação das reformas políticas e tributária e a participação dos governadores do PSDB num projeto de poder.
O governador paulista quer um PSDB nacional mais forte, e admite fragilidade ao lidar com o segmento mais popular da sociedade. Afirmou que o grupo paulista e o mineiro estão em pé de igualdade, pois elegeram o governador e um senador cada. Disse ainda que a legenda em São Paulo não perde espaço e nacionalmente está mais forte do que nunca.
Como será a oposição no terceiro governo seguido do PT. Será mais forte, mais fraca?
Oposição tem de fazer o papel de oposição. Quem perde a eleição fica fora do governo, analisa o governo. Nós não temos nada a ver com o passado velho, do velho PT contra tudo e contra todos. Podia ser a melhor coisa ou a pior coisa para o povo que eles iam ser contra. Vamos fazer diferente. Não pensamos assim. Fui líder e vice-líder da oposição no primeiro governo Lula na Câmara. E teve várias matérias que ajudamos o governo a aprovar. Matéria muito específica sobre legislação de florestas. Que tinha a (ex-ministra do Meio Ambiente e ex-candidata do PV) Marina, ela se empenhou muito para fazer. Eu que ajudei a provar. Eram matérias que a gente achava corretas. Aquilo que a gente acha que não está correto tem de se opor mesmo. Se opor com toda combatividade. Não é fazer de conta. Não é meio termo.
Essa responsabilidade da oposição pode facilitar uma coalizão com o governo federal?
Não tem nada de coalizão. Oposição é para fazer oposição. O povo determinou que você fizesse oposição, que não fosse governo. Isso não significa que o povo quer que a gente aja ao contrário dos interesses do País.
O PSDB de São Paulo sai enfraquecido desse pleito?
Não. Há um certo tempo o PSDB de São Paulo não elegia um senador. Agora elegeu um senador, elegeu o governador. Teve maioria dos votos para a Presidência da República em São Paulo. Aqui ganhamos todas. O que vamos querer mais? Em São Paulo fizemos toda a lição de casa.
Mesmo com Aécio Neves despontando como nome forte do PSDB para 2014?
O PSDB de São Paulo ganhou a eleição nos dois níveis (para o governo do Estado e para o Senado). O PSDB de Minas ganhou a eleição nos dois níveis. Como aqui, Minas ganhou o governo do Estado e fez um senador. E na coligação fez outro senador, que foi o Itamar Franco. O governo de Minas também saiu vitorioso. O PSDB do Paraná também saiu vitorioso. Se você começar a diferenciar por Estado, você não chega a lugar nenhum. Aqui é um País. Um País único. O partido é nacional. Tem mais força aqui, menos força ali por questões regionais. Mas é um partido nacional. O PSDB tem hoje sua maior força, é verdade, nas áreas de concentração onde você tem o maior volume de pessoas. Somos majoritários em quase 60% do eleitorado nacional. Fomos majoritários na maioria das capitais. De 27 capitais elegemos 14. Elegemos todas as capitais do Sudeste e do Sul, menos o Rio de Janeiro. Temos presença forte no PIB nacional. Ganhamos as eleições nos Estados que representam 60% do PIB nacional. É um partido forte.
Há fragilidades, onde?
Sim, ele tem suas fragilidades. Tem áreas onde é muito frágil, como junto às pessoas mais simples, mais humildes e carentes. Nós perdemos (a eleição) onde vivem as pessoas mais humildes.
INFORMAÇÕES DO PORTAL DO GOVERNO DE SP
Alberto Goldman nasceu e viveu uma infância humilde no bairro do Bom Retiro, em São Paulo. Herdou, por influência dos pais poloneses, o interesse pela política, o repúdio às injustiças, o espírito de resistência e a consciência do valor concreto da democracia – traços comuns aos imigrantes da Europa Central que vieram para o Brasil no período de ascensão do nazismo.
Aos 18 anos, ingressou na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. A Poli era, então, uma espécie de referência na política estudantil o que fez com que ingressasse no Partido Comunista Brasileiro (PCB), então clandestino. Entre 1956 e 1960, quando se formou, participou intensamente de diretórios, dos debates e dos congressos estudantis estaduais e nacionais.
Durante o golpe militar de 64 Goldman consolidava seu escritório de Engenharia Civil. Em 1969, logo após a publicação do AI-5, que aprofundou o regime ditatorial tornando-o mais rígido, atendeu aos apelos dos dirigentes do PCB e filiou-se ao MDB para ser eleito deputado estadual em 1970. Já em seu primeiro mandato tornou-se líder do MDB na Assembléia Legislativa de São Paulo. O partido havia se tornado o único instrumento legal para a atuação oposicionista.
A luta armada nunca fez parte dos planos de Goldman. Para ele, a redemocratização do país só ocorreria se conseguissem aglutinar no MDB o máximo possível de forças políticas e sociais de oposição. Em 1974, Goldman passou a ser referência da oposição e, reeleito, tornou-se mais uma vez o líder da bancada. Por outro lado, o regime militar continuava a exercer uma repressão cada vez mais violenta.
O quadro era de prisões, desaparecimentos e muitos mandatos cassados recrudescendo a crise. Nos momentos mais tensos, uma das poucas vozes a protestar na Assembléia Legislativa era a de Goldman. Como forma de garantir a vida dos presos políticos, ele assinava notas nos jornais listando seus nomes, chegando até mesmo a confrontar o presidente Ernesto Geisel, alertando para as mortes ocorridas em São Paulo, como as do jornalista Vladimir Herzog e do sindicalista Manoel Fiel Filho. Em 1976, a PUC-SP foi invadida por tropas do Exército. Momentos que exigiram de Goldman, como líder da oposição na Assembléia, muito equilíbrio e, sobretudo, coragem para denunciar as arbitrariedades. Criou a Comissão de Inquérito para apurar a invasão da PUC, ato que colocou pela primeira vez a ditadura militar no banco dos réus.
A luta pela democracia
Em 1978, Goldman elege-se deputado federal e, na mesma ocasião, articula e lidera o lançamento de Fernando Henrique Cardoso ao Senado. Em seguida, em um ato de força, o MDB foi dissolvido e os políticos de oposição fundaram o PMDB. Goldman tornou-se seu Secretário-Geral, com Mário Covas na Presidência Estadual. Iniciou-se um extenso trabalho de organização do partido em todo o país, com vistas às eleições de 1982.
Nos anos seguintes, a grande questão nacional era a eleição direta para Presidente. Com a Emenda das Diretas derrotada no Congresso, a oposição, com decidida participação de Goldman, bancou o Colégio Eleitoral elegendo Tancredo Neves.
Com a legalização do PCB, Goldman homenageou seus antigos correligionários disputando as eleições de 1986 pelo partido, que não atingiu o quociente eleitoral. Em março de 1987, assumiu a Secretaria Especial de Coordenação de Programas do Estado de São Paulo e, no ano seguinte, a Secretaria Estadual de Administração.
Como titular da Secretaria da Administração, iniciou a modernização do Estado assumindo a responsabilidade pela administração de crises e cuidando de questões sensíveis como a política salarial do Estado. Ao mesmo tempo, atuava como um elo entre o governo estadual e a Assembléia Constituinte, levando sugestões e exercendo sua influência sobre os parlamentares federais.
Reorganização do Estado e reformas
A primeira eleição presidencial por meio do voto direto após a ditadura mudou o cenário político nacional. As grandes discussões passaram a se concentrar no papel do Estado, nas reformas, na abertura econômica. Goldman, então, voltou à Câmara dos Deputados e lá presidiu a Comissão que criou a nova Lei de Propriedade Industrial, permitindo ao Poder Executivo Federal a quebra de patentes em caso de emergência nacional ou interesse público. Utilizada pelo então ministro da Saúde, José Serra, a lei barateou o preço dos remédios de combate a AIDS no Brasil. Goldman também encaminhou em 1992, época da discussão da Lei de Patentes, projeto que previa a criação dos remédios genéricos, aprovado anos depois.
Indicado para o cargo de Ministro dos Transportes pelo presidente Itamar Franco em 1992, deu início a uma das maiores transformações do setor nas últimas décadas. Foi feita a primeira concessão rodoviária, a Via Dutra, iniciou-se a duplicação da rodovia Fernão Dias e conduzido o processo para a obtenção de financiamento internacional para a duplicação da Régis Bittencourt (BR-116).
Reelegeu-se deputado federal em 1994 e, como relator adjunto da Revisão Constitucional, ficou encarregado de elaborar as propostas de ordem econômica. Algumas destas propostas que não foram votadas na revisão, como a flexibilização do monopólio estatal do petróleo e a desestatização do setor de telecomunicações, tornaram-se parte do programa de governo do presidente Fernando Henrique Cardoso no início de 95. Foi ainda relator da Lei Geral das Telecomunicações, que revolucionou o setor no país, democratizou o acesso às linhas telefônicas e impulsionou a telefonia celular. Em 2000, foi Presidente da Comissão de Orçamento.
Na oposição a partir de 2003, destacou-se por suas posições responsáveis e foi eleito por aclamação líder da bancada do PSDB na Câmara dos Deputados em 2005. Até o fim de seu mandato como deputado, em 2006, foi apontado 14 vezes seguidas como uma das "Cabeças do Congresso" pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) que elege as 100 principais referências políticas no Congresso.
Eleito vice-governador ao lado de José Serra, Goldman acumulou, até 26 de janeiro de 2009, o cargo de secretário de Desenvolvimento, onde coordenou pessoalmente importantes iniciativas, como a expansão das Escolas Técnicas (Etecs) e Faculdades de Tecnologia (Fatecs) e a modernização do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), além de atuar como uma interface entre Governo do Estado e iniciativa privada na promoção de importantes investimentos para a população paulista.
A pedido de José Serra, Goldman deixou a secretaria no inicio de 2009 e passou a trabalhar ao lado do governador, coordenando de perto os principais programas do Governo do Estado.
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