terça-feira, abril 06, 2010
Não adianta procurar um só vilão para a situação de calamidade que se instalou sobre o Rio de Janeiro hoje
Enviado por Camila Nobrega - 6.4.2010
Não adianta procurar um só vilão para a situação de calamidade que se instalou sobre o Rio de Janeiro hoje, deixando inundações e pelo menos 80 mortes já registradas. Segundo o especialista em planejamento urbano sustentável Henri Acserald, trata-se de uma desconexão dos sistemas municipais, tais como gestão de lixo, habitação, escoamento, entre outros. Para ele, que é pesquisador do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano Regional (Ippur), a curto prazo a principal solução seria limpar rios e galerias, impedindo o acúmulo de lixo. Mas, a longo prazo, há necessidade de um projeto que, em vez de brigar com a natureza, faça uso dela para melhorar o escoamento das águas.
--- Precisamos de medidas que evitem o acúmulo de água, mas é algo muito além de limpeza de galerias. Na Europa, por exemplo, já há medidas para se substituir asfalto, além de outras ações que alteram a concepção de planejamento urbano antiga. Hoje, a ideia é aproveitar a base natural de uma cidade, inclusive para facilitar o escoamento, em vez de ir contra ela. No passado, as políticas eram voltadas para canalização, sem respeitar a natureza de rios e mangues. Não dá mais para se pensar desse jeito.
O pesquisador afirma que o principal debate ambiental ligado ao planejamento urbano atual está relacionado com a capacidade de se perceber as relações entre condições de moradia, gestão do lixo e também sistemas de prevenção e socorro em emergências. Tudo isso aliado às escolhas relacionadas ao modelo de urbanização, que pode ser mantido, ou alterado. Em relação às habitações e ao processo contínuo de favelização no município, Acserald faz uma ressalva, lembrando que a saída apontada por especialistas não é a remoção, ao contrário do que tem marcado as ações do governo do estado.
-- As autoridades aproveitam para legitimar as remoções em áreas favelizadas, mas os especialistas têm insistido na necessidade de se urbanizar. A questão não é ir contra a situação que temos na cidade, mas fazer adaptações. A lição que essa chuva dá é a prova da desconexão de tudo, ou seja, falta de sustentabilidade. É a triste lição que a gente tem -- afirmou o pesquisador.
FOTO: A água da chuva encobriu um ônibus da linha 629 (Saens Peña – Irajá) na altura de Jacaré, no subúrbio do Rio. Para conseguir entrar no ônibus, meninos subiram pelo teto do veículo. Marcos Tristão/Agência O Globo
Mas tem alguns políticos que não gostam de responder aos posts.
Políticos buscam aproximação do eleitorado por meio da internet
Sites de relacionamento são utilizados para a criação de vínculos entre candidatos e eleitores
Reportagem Juliano Ecco - Edição Luiza Vaz
Depois de ter mostrado sua força nas eleições norte americanas, os sites de relacionamento parecem ter chamado a atenção dos políticos brasileiros. Além de perfis nos conhecidos Orkut e Facebook, pessoas públicas – como políticos e celebridades – aderiram ao Twitter, um microblog que permite a postagem de mensagens de até 140 carcteres, com atualização rápida e ilimitada. Com a pergunta inicial “O que você está fazendo?”, as mensagens publicadas no Twitter são geralmente respostas curtas às questões de outros usuários ou links para os textos opinativos dos blogs pessoais. Entretanto, comentários sobre assuntos cotidianos e mais comuns aos leitores, como o futebol ou música, não são ignorados. “A informação política é importante, já que faz parte do meu trabalho, mas as curiosidades do eleitor também devem ser valorizadas, até para humanizar a imagem pessoa pública”, ressalta o senador Álvaro Dias (PSDB-PR),usuário do site.
Canal de igualdade - O segredo do sucesso da interação entre políticos e público no Twitter é a igualdade que o blog gera entre os dois. “Se um político responde uma citação ou indagação, ele abre um canal direto com aquela pessoa, que passa a enxergá-lo como alguém presente, simpático e acessível”, diz Hugo Wantuil, ‘twitteiro’, idealizador e criador do site Twitterank, que lista os usuários mais ‘envolvidos e influentes’ do microblog. “O objetivo principal do site é mensurar a maneira como as pessoas interagem com o Twitter e também oferecer um rank apenas com perfis do Brasil”, completa. O Twitterank é montado com um cálculo que leva em conta o número de seguidores de cada usuário, seu número de mensagens e respostas que recebe e quantas vezes o perfil é citado por outros usuários. Segundo o ranking, o governador Roberto Requião (PMDB) e o senador Álvaro Dias(PSDB), ambos eleitos pelo Paraná, estão entre os cinco políticos mais influentes no Brasil. “O político precisa, cada vez mais, encontrar novas formas de ser transparente e prestar contas do seu serviço. Como a internet se transformou na maneira mais rápida e eficaz de fazer isso, passei a divulgar meu trabalho e minhas opiniões no blog e no Twitter”, explica Dias. O deputado federal Florisvaldo Fier, o Dr. Rosinha (PT-PR), também tem seu perfil no Twitter e é citado como um dos parlamentares mais ‘influentes’ no Twitterank . “Com uma mídia convencional que carece de pluralidade e é marcada por oligopólios regionais e familiares, a internet adquire um papel de dar voz a setores que não encontram espaço nos jornais e nas emissoras comerciais de rádio e TV”, defende. O deputado também possui um perfil no formspring.me, um site que monta um formulário de questões enviadas por outros usuários, sem limites de caracteres. “O Twitter é mais dinâmico, mas acredito que o formspring.me seja mais útil a quem pergunta, já que oferece mais espaço e condições de expressão a quem elabora as respostas”, diz. Embora tenham assessores para lidar com a imprensa, Álvaro Dias e Dr. Rosinha garantem que as mensagens são criadas por eles mesmos. “O Twitter é alimentado diariamente por mim e, também, por um integrante do coletivo do nosso mandato”, diz Rosinha. “Eu próprio faço questão de postar as mensagens. É uma forma de prestar contas do mandato que me foi conferido”, explica Álvaro Dias.
Influência do Twitter - Segundo o cientista político e professor da UFPR, Adriano Codato, as mensagens triviais publicadas pelos políticos são maneiras de seguir o protocolo da rede. “Não dá pra usar o método de divulgação da rádio na televisão, assim como não se pode copiar o que passa na TV para a internet”, explica. A grande ‘militância’ que ocorre no Twitter também é assunto estudado pelos especialistas. A proximidade entre leitor e político gera um grande número de mensagens, ‘retweets’ (respostas ou repetições de informação) e infinitos focos de discussão, o que não é tão fácil de ser obtido fora da web. “As redes sociais políticas tem muito apelo porque é simples ficar em casa clicando, é cômodo. Pode ser uma maneira de reforçar a passividade do público”, diz Codato. Embora a procura por política tenha crescido na internet, de acordo com especialistas, o uso dessa ferramenta não possui o poder de decidir as eleições desse ano. “Ao contrário do Orkut, o Twitter ainda não chegou às classes C e D, onde se concentra a maior parte da população”, diz Hugo Wantuil.
E ela nega a agressão com medo de represálias contra sua família! É o fim do mundo!
Ameaçada, diretora nega agressão em escola no Rio
Por Pedro Dantas, Agencia Estado, Atualizado: 5/4/2010 18:50
"Houve uma briga durante o recreio da tarde. A diretora chamou os três envolvidos à direção. Ao saber que a mãe seria trazida para o colégio, um deles reagiu, rasgou documentos, agrediu a diretora e foi embora. Ele foi para a casa e contou para mãe que tinha sido agredido. Por volta das 17 horas, a mãe voltou com o filho e alguns amigos dela. Após receber chutes e socos, a diretora ficou refugiada em uma sala até que os professores acalmaram os ânimos", disse uma professora, que pediu para não ser identificada.
Segundo o relato dela e de outros professores, o aluno em questão seria irmão de um traficante da Mangueira morto pela polícia e de outro rapaz recentemente afastado da escola. Eles acusaram o menino de, no fim do ano passado, torcer o braço de uma funcionária após ser impedido de entrar na escola fora do horário. O site da Regional III do Sindicato dos Profissionais da Educação do Rio (Sepe-RJ) disponibilizou fotos do vandalismo na escola onde constam depredações e frases de ameaças de morte contra a diretora.
"O mais assustador é que os alunos gritavam 'escracha' no momento em que a professora era espancada. Eram quase cem pessoas. As agressões verbais são diárias. Evitamos as agressões físicas porque adotamos a tática de não contrariar", lamentou outra educadora. Hoje, os professores da escola tentaram sem sucesso uma audiência na Secretaria Municipal de Educação (SME).
Por meio de nota, a SME disse que determinou "a apuração dos fatos e a garantia à segurança da comunidade escolar". De acordo com a SME, a diretora foi vítima de uma agressão verbal pela mãe de um dos alunos. O menino de 12 anos teria quebrado uma das janelas da escola com uma pedra. No entanto, a versão dos professores que estavam no local é diferente.
Dossiê
"Esta violência é resultado de uma escola que funciona sem inspetores, psicólogo ou assistente social. A prefeitura tenta abafar o caso, mas a escola ficou dois dias sem funcionar e está sem direção, porque a diretora adjunta também pediu afastamento", disse a coordenadora do Sepe-RJ, Susana Gutierrez. Ela afirmou que a entidade prepara um dossiê com diversos casos de agressões contra educadores nas escolas do Rio.
No ano passado, o sindicato divulgou que as escolas do Rio eram "um barril de pólvora". Em resposta, a SME informou hoje que autorizou a nomeação de 300 Agentes Educadores, que serão encaminhados às escolas. Um encontro entre representantes da SME e professores está marcado para a tarde de amanhã.
segunda-feira, abril 05, 2010
domingo, abril 04, 2010
O prejuízo que traz uma uma decisão judicial equivocada!
Justiça dos EUA proíbe avó de ver Sean
Por Felipe Werneck, Agencia Estado, Atualizado: 3/4/2010 14:30
A família brasileira do garoto S. - levado em dezembro passado pelo pai americano, David Goldman, após uma disputa judicial no Brasil - vai recorrer da decisão da Justiça de Nova Jersey (EUA), que negou um pedido da avó materna, Silvana Bianchi, para visitá-lo. A informação foi dada hoje pelo advogado Sérgio Tostes, que representa a família. "O pai sempre negou e impediu o contato", afirmou o advogado. Segundo Tostes, o pedido de Silvana foi baseado na Convenção de Haia, o mesmo argumento usado pelo pai na Justiça brasileira para conseguir ficar com o filho. "Ele alegava que (o contato) seria prejudicial à adaptação da criança. Também obrigava que os telefonemas fossem em inglês, para que pudesse monitorar as conversas. Não restou alternativa a não ser ir à Corte com um pedido para ter direito à visitação, com base na Convenção de Haia", declarou. (Foto por MARCOS ARCOVERDE/AGÊNCIA ESTADO/AE) A Justiça norte-americana, segundo relatou Tostes, aceitou os argumentos de Goldman de que, no momento, a visitação "seria prejudicial e poderia atrapalhar o relacionamento com o pai". Ainda de acordo com o advogado, houve apenas um encontro da avó com o neto depois que ele foi para os EUA, mas "foi um fracasso total" por causa das "restrições".“A decisão do tribunal de Nova Jersey descumpre a Convenção de Haia, que diz que o interesse da criança deve prevalecer sobre ações administrativas, legislativas e judiciárias. E prevê que a criança seja ouvida em processos judiciais, como temos tentado junto ao STF. Esperamos agora, que diante desse impedimento de ter contato com a família, o STF decida a questão mais rapidamente”, disse Tostes.Segundo o advogado, Silvana Bianchi retorna ao Brasil na noite deste domingo (4).
sábado, abril 03, 2010
A natureza se rebelando.
O fenônemo com o vulcão subterrâneo Fimmvorduhals, que voltou a expelir lavas na Islândia, abriu uma cratera no gelo de mais de 500 metros. A foto aérea mostra o momento da erupção do vulcão Fimmvorduhals, próximo do Glaciar Eyjafjallajokull. O vulcão Fimmvorduhals fica sob o gelo, entre as geleiras de Mýrdal e Eyjafjalla – a quase 120 quilômetros ao leste de Reykjavik. Os cientistas já esperavam, há vários anos, que o vulcão Fimmvorduhals entrasse em erupção. O início da atividade vulcânica, depois de quase 200 anos, ocorreu por volta de zero hora do dia 21/03/2010 na Islândia.
As lavas expelidas pelo vulcão abriram uma rachadura de comprimento entre 500 m e 1 km no gelo. A ilha da Islândia foi formada pela atividade vulcânica e possui inúmeros vulcões subterrâneos, ainda ativos. O vulcão mais conhecido é o Hekla, que há dez anos não entra em erupção. A classificação da erupção do vulcão Fimmvorduhals foi de categoria baixa, mas os cientistas temem que outro vulcão próximo, o vulcão Katla, de alto poder de destruição, também entre em erupção. O governo decretou estado de emergência na região e mais de 600 pessoas deixaram suas casas, assim que o Fimmvorduhals entrou em atividade no sul da Islândia. Os habitantes de 3 cidades próximas ao vulcão Fimmvorduhals foram alojadas em escolas e atendidas por funcionários da Cruz Vermelha. Não há previsão de retorno para suas casas.
Fonte G1 e Agências Internacionais - Foto: Ragnar Axelsson / AP.
sexta-feira, abril 02, 2010
Quando um governante tem ampla aprovação popular, decorre daí que está fazendo a coisa certa?
A salvação?
Carlos Alberto Sardenberg - O Globo - 01/04/2010
Quando um governante tem ampla aprovação popular, decorre daí que está fazendo a coisa certa? Depende do que se entende pela coisa certa, é claro, mas a relação não é direta. É possível que um líder tenha prestígio enquanto faz uma administração absolutamente desastrosa, e isso vale tanto para os eleitos quanto para os ditadores. Também acontece de o candidato mais votado revelar-se a pior opção.
Não é preciso procurar muito para encontrar exemplos. Até hoje a China reverencia Mao, que, entretanto, conduziu o país a grandes desastres (fome, economia arrasada, assassinatos em massa). A potência econômica de hoje foi fundada por Deng Xiao Ping, aliás, ele próprio prisioneiro durante a Revolução Cultural maoísta. Mas a relação lá ainda é de um retrato de Deng para cada 50 de Mao.
Como entender? Uma das explicações está na prática de agitação e propaganda, métodos que Mao dominava.
Aliás, os governantes bem sucedidos na admiração popular têm isso em comum, a capacidade de falar diretamente às pessoas — criar slogans simples, lançar um plano atrás do outro, campanhas diversas etc. E mais, claro, os instrumentos da propaganda oficial, cada vez mais desenvolvidos.
Também é importante ter dinheiro para administrar. É a base do populismo, a distribuição de benefícios variados para o maior número possível de setores sociais. Governantes populares conseguem agradar, pelo menos por um certo tempo, tanto os mais pobres quanto as elites.
Ora, mas isso não é bom para o povo e para o país? Depende. Hugo Chávez, por exemplo, usou o dinheiro do petróleo para finalidades tão diferentes quanto contratar médicos cubanos para o interior da Venezuela, estatizar supermercados, lançar lojinhas populares, contratar empreiteiras para grandes obras e comprar aviões de guerra.
Pode ter agradado parcelas da sociedade (além de parceiros estrangeiros), pode ter gerado atividade econômica por algum tempo, mas está claro que não foi bom para a Venezuela.
Na medida em que vai se esgotando o dinheiro do ouro negro, resta uma economia desorganizada, com produção em queda e obras paradas.
A clientela deixa de receber. E a própria estatal do petróleo, a PDVSA, enfrenta dificuldades porque seus recursos foram dilapidados.
Chávez, hoje, vive da agitação e da propaganda, combinadas com a repressão. Em regimes democráticos, o líder popular e populista simplesmente perde eleições quando sua fase se encerra.
O problema é que, em geral, o equívoco demora a aparecer. Inversamente, a história também registra variados casos de governantes impopulares cujo legado, visto em retrospectiva, revela-se um ganho para o país. O bem e o mal têm isso em comum: não raro, demora-se para perceber um e outro.
O presidente Lula está beirando os 80% de aprovação popular. Além disso, o país voltou a crescer e a renda aumentou, em meio a renovado prestígio internacional. O que queriam mais? É o maior presidente de todos os tempos, disse Dilma Roussef.
É verdade que o país está de novo em um bom momento. Mas não é verdadeira a conclusão que o "lulismo" tira disso: que isso tudo só está acontecendo porque Lula é o presidente.
Basta olhar em volta. Muitos outros países emergentes descreveram recentemente trajetória muito parecida com a brasileira: estabilidade macroeconômica e os benefícios de uma onda de prosperidade mundial que elevou espetacularmente os preços de nossos produtos de exportação, trazendo abundância de dólares.
Chile, Colômbia e Peru, por exemplo, para ficar na América Latina, andaram assim.
O Chile tem mais uma coisa em comum. Lá, a então presidente Bachelet herdou a estabilidade econômica, do mesmo modo que Lula recebeu pronta — e manteve — as bases da política econômica, impopularmente montadas por FHC.
Mas por que Lula é o cara e não um dirigente de algum desses outros países? Ora, porque são muito pequenos.
Estável, o Brasil é um paisão de enormes oportunidades econômicas.
Mas Lula e seu pessoal estão fazendo algo muito exclusivo: pregam o lulismo como a salvação e se lançam em políticas, como a ampliação do gasto público e da dominância do estado, cujos problemas só aparecem lá na frente.
quinta-feira, abril 01, 2010
A política de Netanyahu ergue o mastro no qual tremulará essa bandeira. A prudência manda Israel refletir sobre isso.
Israel contra Israel
DEMÉTRIO MAGNOLI O Estado de S.Paulo - 01/04/10
"A construção em Jerusalém? e em todos os outros lugares? prosseguirá na forma que tem sido costumeira ao longo dos últimos 42 anos", assegurou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu perante os dirigentes de seu partido, o Likud. A referência aos "42 anos" tenta veicular as ideias de continuidade e estabilidade. Mas a ideia de ruptura é a chave para entender a decisão de prosseguir a estratégia adotada desde a Guerra dos Seis Dias e a ocupação dos territórios palestinos. Israel persiste na transferência de judeus para Jerusalém Oriental e a Cisjordânia enquanto mudam o seu entorno e o mundo.
A sabotagem das negociações de paz representada pela estratégia inflexível atinge interesses vitais dos EUA no chamado Grande Oriente Médio, como enfatizou o vice-presidente americano, Joe Biden, referindo-se às tropas no Iraque e no Afeganistão e à política de contenção do Irã. O fato evidente é que as opções nacionais de Israel se tornam cada vez mais disfuncionais, do ponto de vista da geopolítica global de Washington. Contudo o problema candente das fissuras no edifício da aliança com os EUA, apontado por tantos analistas, empalidece diante de um outro. Hoje, a persistência do governo israelense ameaça destruir os fundamentos políticos sobre os quais repousa o próprio Estado de Israel.
Israel não pode ter três coisas simultaneamente: 1) Um Estado judeu; 2) um Estado democrático; 3) um Estado que exerça soberania sobre toda a Palestina histórica. Só é possível ter duas dessas coisas, em qualquer combinação.
A primeira hipótese, um Estado judeu e democrático, convivendo lado a lado com um Estado palestino, é a meta professada por todos os governos israelenses e também pela Autoridade Palestina desde os Acordos de Oslo de 1993. Entretanto, a continuidade dos assentamentos evidencia a distância entre o discurso oficial e a vontade real de alcançar uma paz baseada na partilha, que depende de um acordo aceitável para os palestinos.
A primeira hipótese, um Estado judeu e democrático, convivendo lado a lado com um Estado palestino, é a meta professada por todos os governos israelenses e também pela Autoridade Palestina desde os Acordos de Oslo de 1993. Entretanto, a continuidade dos assentamentos evidencia a distância entre o discurso oficial e a vontade real de alcançar uma paz baseada na partilha, que depende de um acordo aceitável para os palestinos.
A segunda hipótese, um Estado judeu que exerça soberania sobre toda a Palestina histórica, é a meta mais ou menos explícita do polo minoritário de partidos nacionalistas e religiosos que atualmente desempenha o papel de fiel da balança nas coalizões governistas israelenses. A possibilidade existe, mas implica a renúncia à democracia, além de uma guerra de ocupação permanente. Há pouco, a população árabe-palestina ultrapassou a população judaica no conjunto Israel-Palestina. O desequilíbrio demográfico tende a aumentar, em razão da desigualdade nas taxas de crescimento vegetativo e do virtual encerramento da imigração em massa para Israel, depois da conclusão do ciclo recente de ingresso de judeus russos. O Estado judeu em toda a Palestina histórica configuraria uma ditadura imposta à maioria de seus habitantes e um regime de tipo apartheid, que condena a maioria a viver sob o estatuto de não-cidadãos.
A terceira hipótese, um Estado democrático no território integral da Palestina histórica, é a meta almejada por correntes de esquerda muito minoritárias tanto entre os israelenses quanto entre os palestinos. Tal solução redundaria na renúncia à natureza judaica de Israel, pois geraria um Estado binacional, com direitos iguais para todos os seus habitantes. Nesse horizonte se extinguiria historicamente o sionismo, doutrina na qual se condensou o moderno nacionalismo judaico.
O tríplice entroncamento histórico desenhou-se a partir da ocupação dos territórios palestinos, em 1967, e da subsequente colonização judaica da Cisjordânia e da parte leste de Jerusalém ? uma estratégia justificada inicialmente por alegações de segurança e, depois, sob argumentos histórico-religiosos. A primeira intifada (revolta) palestina, na década de 1980, incutiu na elite política de Israel a consciência das opções existentes. Os Acordos de Oslo, reconhecimento diplomático da presença de uma nação palestina com direito a constituir-se em Estado, refletiram essa consciência ? e a escolha deliberada da única alternativa capaz de assegurar o futuro de um Estado judeu e democrático.
Mas a palavra solene inscrita num tratado não resiste à corrosão do tempo e das intempéries. A paz, proclamada como intenção, converteu-se num amargo eufemismo para a ocupação, a colonização, a humilhação e a despossessão. Sob o impacto do eufemismo, desmancha-se a liderança nacionalista palestina comprometida com a meta da partilha. Num eloquente atestado da falência definitiva do processo de Oslo, Mahmoud Abbas, o líder fraco que ainda conecta os palestinos ao compromisso de 1993, anunciou a decisão de não concorrer à reeleição. Os palestinos estão próximos de um limiar histórico. Na hora em que abdicarem de seu prometido Estado, só restarão as hipóteses da abolição da democracia ou do caráter judaico de Israel.
Israel não está sozinho na Terra Santa. A chave da porta do futuro está partida ao meio e metade dela pertence aos palestinos. A implosão iminente da Autoridade Palestina dividirá os palestinos entre a liderança fundamentalista do Hamas, cuja corrente mais extremada insiste na destruição de Israel, e os líderes nacionalistas democráticos, que perderam a crença na solução dos dois Estados. O desafio existencial posto pelos extremistas do Hamas sempre poderá ser respondido pela força das armas. Mas avultará, inevitavelmente, um desafio de natureza diferente, imune à força bruta e expresso pela reivindicação de direitos políticos iguais para todos os habitantes do conjunto Israel-Palestina.
"Não mais queremos um Estado que só existiria sob a forma de fragmentos territoriais desconexos governados por déspotas dependentes do estrangeiro. Exigimos direitos de cidadania iguais aos usufruídos pelos cidadãos judeus de Israel." A política de Netanyahu ergue o mastro no qual tremulará essa bandeira. A prudência manda Israel refletir sobre isso.
SOCIÓLOGO E DOUTOR EM GEOGRAFIA HUMANA PELA USP
terça-feira, março 30, 2010
Colisão de partículas simulando Big Bang chega a recorde
Colisão de partículas simulando Big Bang chega a recorde
30/03/2010 - 09h15 da Folha Online
Cientistas responsáveis pelo maior colisor de partículas do mundo, o LHC, informaram nesta terça-feira (30) que conseguiram obter choques de prótons geradores de uma energia recorde de 7 TeV (tera ou trilhões de eletron volts), a energia máxima almejada pelo laboratório. Seu objetivo é recriar condições similares ou miniversões do Big Bang, a grande explosão que teria dado origem ao universo. Os impactos de hoje chegaram a três vezes o máximo obtido antes. No fim de novembro, o equipamento já havia atingido a marca de 1,18 TeV --posteriormente ainda chegando a 2,36 TeV em 2009--, e com isso já se tornando o acelerador de partículas de energia mais alta do mundo. "Isto é física em ação, o início de uma nova era, com colisões de 7 TeV", disse Paola Catapano, cientista e porta-voz do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (Cern, na sigla em francês), de Genebra, ao anunciar o experimento. Os aplausos foram intensos nas salas de controle quando os detectores do Grande Colisor de Hadrons (LHC), instalado na fronteira entre França e Suíça, marcaram o choque de partículas subatômicas a uma velocidade próxima à da luz. O colisor possui um túnel oval de 27 quilômetros de comprimento e custou US$ 10 bilhões. "Estamos abrindo as portas à Nova Física, a um novo período de descobertas na história da humanidade", disse Rolf Dieter Heuer, diretor geral do Cern. Cada colisão entre as partículas cria uma explosão que permite que milhares de cientistas vinculados ao projeto em todo o mundo rastreiem e analisem o que aconteceu um nanossegundo depois do hipotético Big Bang original, 13,7 bilhões de anos atrás. O Cern reativou o LHC em novembro, depois de paralisá-lo nove dias depois do lançamento inicial, em setembro de 2008, quando a máquina se superaqueceu devido a problemas no cabo supercondutor que conecta dois ímãs de refrigeração. Os cientistas esperam que a grande experiência lance luz sobre mistérios importantes do cosmos, como a origem das estrelas e dos planetas e o que exatamente é a matéria escura.
"Alinhar os feixes já é um grande desafio; é como disparar agulhas dos dois lados do Atlântico e esperar que elas colidam de frente no meio do caminho", disse Steve Myers, diretor de aceleradores e tecnologia do Cern. Os físicos estão se concentrando na identificação do bóson de Higgs --a partícula que recebeu o nome do professor escocês Peter Higgs, que três décadas sugeriu que algo como ela torna possível a conversão da matéria criada no Big Bang em massa. Tentativas anteriores de encontrar a partícula fracassaram. Segundo os físicos, a presença dela no cosmos permitiu que os escombros gasosos após o Big Bang se transformassem em galáxias, com estrelas e planetas como a Terra. Os cientistas do Cern também esperam encontrar evidência concreta da matéria escura, que acredita-se ser responsável por cerca de 25% do Universo. Apenas 5% do total do Universo representa material visível, que reflete a luz. Os pesquisadores, no decorrer dos estudos no LHC, também esperam encontrar prova real da existência da energia escura, que representa os cerca de 70% restantes do cosmos. Mas o experimento também pode ingressar no mundo da ficção científica, uma vez que as previsões de muitos cosmologistas apontam para a existência de outros universos paralelos e de dimensões além das cinco conhecidas, além de se vislumbrar o que havia antes do Big Bang.
Assim perde a isenção necessária para emitir opiniões e não representa a categoria toda!
Presidente de entidade é filiada ao PT
FOLHA DE SÃO PAULO – 30/03/2010 DA REPORTAGEM LOCAL
Líder da greve na rede estadual de ensino, a presidente da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), Maria Izabel Noronha, enfrenta resistência dentro da entidade por tê-la transformado, nas palavras de opositores, em "braço do PT". Para eles, questões educacionais ficaram em segundo plano. Os defensores de Bebel, como a sindicalista é chamada, negam a afirmação. Dizem que a direção da entidade tem membros de diversos partidos e que a prioridade é a melhoria das condições de trabalho dos professores. Formada em letras pela Universidade Metodista de Piracicaba, Bebel está em seu segundo mandato na presidência -o primeiro foi entre 1999 e 2002. Ela é filiada ao PT e é da corrente chamada Articulação Sindical, ligada à CUT, que comanda o sindicato desde a década de 80.
"Não há problema ter partido. O problema é transformar o sindicato num braço do governo", disse José Geraldo Corrêa Jr., da corrente Oposição Alternativa Conlutas, ligada ao PSTU.
"Sempre fomos contra a política de avaliar professores. O FHC não conseguiu implementar. Mas, como o ministro Fernando Haddad [Educação] é favorável, a ideia avançou nos governos Lula e Serra. Essa corrente rebaixou o sindicato", disse.
"Não defendemos nenhum partido. No governo da Marta [Suplicy], por exemplo, fizemos fortes protestos contra o fechamento de escolas", diz Carlos Ramiro de Castro, antecessor de Bebel. A Folha não conseguiu contatar a sindicalista.
Além de presidir a Apeoesp -que possui cerca de 170 mil sócios, numa rede de 230 mil professores-, Bebel é membro do Conselho Nacional de Educação, cujos membros são indicados pelo governo federal. Um membro do órgão afirmou que ela tem grande habilidade para defender suas posições.
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